Pretty Boy
17 Love Hurts
Notas iniciais
“Então sugiro que suma totalmente da vida dele agora antes que se machuque.”
Kurt estava em um vagão com poucos passageiros, o céu a cada segundo mais escuro, assim como seu coração. A voz da mãe de Blaine ainda ficava martelando em sua cabeça, mal imaginava ela que sua vida estava mais ligada a de Blaine que ele era capaz de controlar, e a cada dia diferente Kurt se machucava por um novo motivo. Ele sempre soube que não tinha espaço na vida do moreno, mas ver tudo desmoronando bem na sua frente e ele não poder fazer nada era pior.
Kurt nunca gostou de chorar perto dos outros, fazer isso era mostrar todas as suas fraquezas, de alguma forma era pior do que se despir na frente de alguém. Mas, desde que ele tinha conhecido Blaine ele não conseguia mais evitar, era como se o moreno tivesse destruído todas as suas barreiras, e ele não estava lá para proteger Kurt, e Kurt não conseguia mais construir sua fortaleza. Um soluço insistia em ficar preso na sua garganta, ele queria gritar, parecia que se ele fosse capaz de gritar sobre todas as suas dores elas iriam embora, porque no momento tudo estava acumulado neste grande nódulo em sua garganta. Claro, era só uma impressão, não era como se ele pudesse livrar-se de toda a dor da sua vida apenas gritando pelos ares.
Ao desembarcar na estação do Bronx, próximo a seu bordel, Kurt tomou alguns minutos só para uma caminhada na rua de noite. Ele queria sair de perto de Blaine o mais rápido possível, mas claro, ele não estava ansioso para voltar para aquele lugar.
Ás vezes Kurt sentia falta da sua vida sem Blaine, claro as coisas nunca foram perfeitas, mas ele ficava satisfeito o suficiente apenas de ser desejado pelos seus clientes, a sensação de ser o mais requisitado no seus serviço era o suficiente para ele não se sentir assim, tão mal, e ele conseguia manter seu sofrimento totalmente sob controle.
Agora Blaine Anderson aconteceu na sua vida, e Kurt descobriu o que realmente significa se apaixonar por uma pessoa, e ele se sente em uma queda livre, sem ter nenhum lugar parar se segurar, e ele nunca sabe se alguém vai estar esperando-o na hora do pouso, e ele nem sabe se ele conseguirá pousar ou se está simplesmente se jogando em um abismo. Acontece que o amor era uma coisa estranha, e muito nova para Kurt, ele nunca admitiria conscientemente que tinha de fato se apaixonado por eu cliente, mas as coisas aconteceram, e agora Kurt estava preso em um misto de sensações desconfortáveis e desconhecidas, e a maioria ele não sabia como lidar.
Kurt aproveitou para afogar-se em toda sua miséria e desespero, chorando, gritando e soluçando enquanto ainda estava na rua vazia, assim ele não precisava justificar nada a ninguém, não que alguém de fato se importe. Mas, agora ele precisava voltar, quem dera se fosse possível apenas fugir e se esconder para sempre.
~K&B~
Já havia passado quase três horas desde que Kurt sumiu, e Blaine frustrado desistiu de sua busca. Como o menino simplesmente se esgueirou tão facilmente de sua vista? Há poucas horas atrás eles estavam tão bem, Blaine estava quase imaginando eles passando o resto de sua vida desta forma, e as coisas tão rapidamente viraram de ponta a cabeça e ele se sentia impotente. O pior ainda era ter de voltar ao seu apartamento e ser obrigado a aguentar o discurso preconceituoso de ódio de seus pais, e claro Sebastian.
Antes de subir no elevador Blaine tomou uma respiração profunda, ele não estava com nenhuma paciência para aguentar as pessoas hoje, esperando ainda que eles tivessem todos ido embora. Infelizmente para o moreno, quando ele abriu sua porta toda as três pessoas que ele menos queria ver viraram o olhar diretamente para ele.
– Blaine, querido! Onde foi que você se meteu? Ficamos tão preocupados. – Disse sua mãe, em seu tom de falsa preocupação
– Agora não mãe... Se vocês não tivessem expulsado Kurt daqui eu não teria que ficar procurando por ele.
– E você não tem que procurar por ele. Pelo amor Blaine, ele não merece que alguém como você se sujeite atrás dele. – Respondeu ríspida. — E você ouviu muito bem ele não foi expulso, ele ia trabalhar, se é que abrir as pernas para alguns caras em troco de algum dinheiro possa ser chamado de trabalho.
– Qual o problema com vocês!? Por que não podem apenas respeitá-lo? Talvez se tivessem gastado mais tempo tentando conhecê-lo do que criticando ele não pensariam assim.
– Blaine, você está tenso, precisa se acalmar. – Falou Sebastian se aproximando de seu ex, passando as mãos pelas suas costas. – Não te vejo nervoso assim faz um tempo, olha o que acontece quando estamos separados.
– Realmente, Sebastian. Eu precisava mesmo falar com você. – Respondeu Blaine sério. – Será que vocês podem nos dar alguma privacidade? – Perguntou, agora se voltando para seus pais.
– Claro, filho. Tudo o que vocês precisarem.
Harold pegou sua esposa pelo braço e os dois deixaram a sala livre para Blaine e Sebastian.
– Ora ora Blaine, pensou bem e descobriu que era um idiota me deixando daquele jeito? –Perguntou sorridente.
– Cala a boca Sebastian. Eu estou cansado das suas provocações, e eu odeio a sua voz com este tom de deboche. Só preciso te perguntar uma coisa e espero que você seja honesto comigo.
– Jesus Blaine, você está sexy assim... Se eu soubesse te deixaria bravo mais vezes. – Blaine ignorou a cantada do ex-noivo e continuou falando.
– O que você fez com Kurt?
– Como assim? – Devolveu a pergunta sorridente.
– Ele mencionou algo sobre você... Mas não chegou a me dizer nada. Eu gostaria de saber o que você fez com ele? – Perguntou novamente, com o tom alterado desta vez. Fazendo Sebastian rir com o quão rápido seu namorado perdia o controle.
– Hmm eu não sei Blaine, você deveria ser mais específico, o que será que eu fiz com ele que pode ter deixá-lo chateado? – Falou, fingindo que estava realmente pensando na resposta. – Eu realmente não sei, sabe... Tudo o que eu fiz com ele foi o que qualquer outro homem da cidade já fez, será que ele ficou chateado com isso?
– O que você quer dizer com isso? – Questionou Blaine, desta vez não conseguindo esconder o pânico em sua voz.
– Você realmente quer os detalhes sujos amor? – Perguntou, enviando um olhar para Blaine, que ainda mantinha sua expressão congelada. – Talvez ele tenha ficado chateado quando pedi educadamente para ele parar de se meter no relacionamento dos outros. Ou será que ele ficou aborrecido porque eu manchei sua pele de porcelana com um pouco de sangue e alguns hematomas? Puxa... Como é sensível.
– No início eu pensei que estava machucando ele, mas fala sério Blaine, ele é uma coisinha estranha, tenho certeza que ele gosta de sexo bruto e sujo mais do que admite... Caso contrário não venderia o corpo desta forma, não é mesmo? Você nem imagina a pior parte, eu gastei muito dinheiro naquela noite, e ele simplesmente teve coragem de falar que não queria que eu o tocasse, da pra imaginar o tamanho da incompetência de uma pessoa assim. E o pior, eu estava fazendo um favor pra ele, vamos lá, ele teria sexo sujo e selvagem comigo e ainda estava ganhando por isso, e sabe o que ele fez? – Perguntou Sebastian diretamente para Blaine, e sem esperar resposta continuou.
– Ele chorou, você acredita numa coisa dessas? Quero dizer, ele é uma prostituta, qual o grande problema com isso? Eu estava oferecendo o meu melhor pra ele e ele ficou chorando no travesseiro, o pior é que ele achava que estava escondendo de mim, mas era tão patético que eu não conseguia ignorar. – Blaine ouvia atentamente a história sem perceber que suas lágrimas já estavam a muito tempo deixando seus olhos.
– Não me olhe assim Blaine... Eu tentei ser gentil, mas quando eu fui beijar ele, ele não deixou, e eu particularmente achei isso ridículo, ele já estava vendendo o corpo, qual era o problema em dar um beijo? O pior é que ele achava que vocês dois tinham algo de especial... Eu tentei explicar pra ele que você só tinha dó, que qualquer cachorro chutado fazia você se comover, e que sua vida era melhor sem ele, ai ele ficou mais choroso ainda... Sendo assim, eu não exatamente o que pode ter deixado ele especificamente chateado. – Terminou sorrindo.
– C-como você pode? – Perguntou Blaine, sua voz esganiçada quase não saindo por causa do nó preso na garganta. – Como você consegue fazer algo assim para alguém como o Kurt?
Blaine agora chorava abertamente, tudo isso aconteceu com Kurt bem debaixo de seus olhos e ele não fez nada para impedir. O moreno agora encarava Sebastian e aquele seu sorriso desprezível, como ele passou tanto tempo de sua vida amando este homem? Até alguns meses atrás Blaine era louco por ele, e faria qualquer coisa para tê-lo na sua vida, agora tudo o que ele sente por ele é ódio, ódio, repulsa e nojo.
Blaine acumulou todo este rancor no seu punho e acertou Sebastian com todo seu ódio, fazendo o menino despreparado cair no chão, pressionando o nariz que agora já estava sangrando. Blaine nunca poderia imaginar que ele tinha tanta força, com certeza agora o nariz de Sebastian estava quebrado.
– Maldito... Blaine, caralho, por que você fez isso? – Perguntou agora o dos olhos verdes com raiva, pressionando seu nariz com as mãos, fazendo uma careta de dor.
Blaine ainda estava consumido pela raiva, nada era suficiente para se livrar do ódio que ele estava sentindo por Sebastian neste momento. Ele aproveitou que seu ex-noivo estava no chão e deu alguns chutes em suas costelas, fazendo o mais alto urrar de dor.
– Você é desprezível. – Falou sério, se ajoelhando próximo a Sebastian deixando um golpe entre cada palavra. – Eu não acredito que passei tanto tempo com você, agora eu mal consigo olhar na sua cara, eu estou com nojo... Eu mal posso acreditar que você tenha feito alguma coisa assim com Kurt, por que você fez isso com ele? Ele não merece isso, e o mundo insiste em ser tão injusto com ele, e logo você, uma pessoa que costumava ser próxima de mim, por que fez isso com ele? – Questionou desesperado, enquanto pressionava o pescoço de Sebastian com suas duas mãos, o estrangulando. Blaine só parou quando percebeu que poderia matar seu ex-noivo por asfixia.
– Você não percebe que ele simplesmente arruinou minha vida? Ele arrancou dos meus braços a minha coisa mais importante Blaine. Como você acha que eu me sinto sabendo que uma prostituta roubou o meu marido? – Disse ofegante, tentando recuperar o ar, com lágrimas nos seus olhos.
– Eu – disse antes de tomar uma longa respiração para conter mais lágrimas. – Não sou seu marido, eu nunca vou ser, e tudo o que eu quero agora é distância de uma pessoa como você. Eu te odeio Sebastian Smythe, mais do que eu achei que fosse possível. Não foi Kurt quem arruinou nosso “relacionamento” – Falou, formando aspas no ar na ultima palavra. – Foi você, e isso faz tempo, pra começar eu nem consigo me lembrar de quando éramos um casal de verdade. Você sempre estragou tudo, e agora, depois disso, tudo parece pior. Eu quero que você suma da minha vida agora, e não se atreva a voltar porque se eu te ver novamente eu juro que te mato.
Sebastian levantou com dificuldade do chão, raiva estampada no seu rosto. Ele tomou alguns minutos apenas para encarar Blaine.
– Lembre-se bem Blaine do que você está fazendo agora – Sussurrou. – Você vai pagar por cada uma de suas palavras, por cada um de seus atos, nem que seja a ultima coisa que eu faça. E eu juro que isso é uma promessa. – Sebastian aproveitou este momento parar devolver o soco igualmente bruto, direto no estômago de Blaine, ele assistiu o moreno se contorcer. – Você vai se arrepender de não ter me matado hoje. – Depois de jogar sua ultima ameaça, Sebastian abriu a porta e deixou o apartamento.
~K&B~
Quando Kurt abriu a porta percebeu que foi imediatamente notado por Erick, uma coisa era ruim sobre aqueles olhos negros, ele nunca poderia imaginar se ele iria gritar com o Kurt e reclamar de algo que ele estava fazendo de errado, ou simplesmente assistir seus movimentos, ás vezes ele partia imediatamente para contato físico. Kurt odiava a insegurança e vulnerabilidade que sentia perto dele, ao mesmo tempo, Kurt sentia que o único lugar que ele estava seguro era próximo dele.
– E então, o que houve? Por que voltou hoje? – Perguntou, enquanto se levantava para aproximar de Kurt. Ao notar os olhos vermelhos e inchados que a pouco estavam chorando, Erick traçou seus dedos pelo rosto do castanho, e com uma voz um pouco mais suave agora perguntou. – Será que aconteceu algo entre você e seu cliente favorito hoje?
E essa pergunta foi o suficiente para as lágrimas voltarem para os olhos do castanho, que não pode evitar, e afundou seu rosto no peito de Erick. E diferente do que Kurt esperava ele não foi chutado para o chão, nem empurrado contra parede, Erick também não soltou nenhuma ofensa verbal, ele simplesmente passou seus braços ao redor da cintura de Kurt e puxou o menino para perto.
– Acredito que já falei algumas vezes que era uma péssima ideia ter algum relacionamento além do profissional com os clientes, mas sabemos que você não é muito bom em me ouvir, não é Kurt? – Erick puxou o queixo de Kurt para cima e juntou seus lábios com os do menino em um beijo intenso e molhado, e Kurt não conseguiu pensar em nada a não ser retribuir. – De qualquer forma você é meu... E eu não tenho certeza se gosto da ideia de alguém te fazer sofrer quando eu não estou lá pra assistir. – Kurt apenas retribuiu o abraço, desesperado por contato, e afundo seus dedos na camiseta do maior.
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