Pretty Boy

19 How do I Breathe?


Notas iniciais
Voltei, mais rápido do que vocês imaginavam. Capítulo para a Anna, que ouviu todo o meu drama durante a escrita haha Aviso: Não é comum nesta história, esta é a primeira e última vez, mas neste capítulo contém auto mutilação. Espero que vocês gostem.

Mal podendo sentir o lençol roçar sua pele, Kurt passou a maior parte da noite mergulhado em um sono profundo, sua mente nem se incomodava em formular algo durante seus sonhos, agora ele alcançava um estado de relaxamento total em sua mente. Kurt nunca queria que isso acabasse ele amava essa sensação. Isso até chegarem as primeiras horas da manhã, onde o sol entrava pelas frestas da janela, lutando para despertar o castanho de seu sono.

Kurt em sua condição de semiconsciência podia sentir suas mãos e pés zumbindo, enquanto mãos possessivas tateavam suas costas nuas, descendo até sua bunda, com isso o castanho já podia sentir sua respiração ofegante, e seus músculos ficarem tensos, quando abriu seus olhos embaçados ele sentiu um pânico percorrer seu corpo nos primeiros segundos. Onde ele estava? O castanho estava ainda confuso, sua cabeça estava pesada e parecia que ia explodir a qualquer momento, o quarto parecia estar girando e ele sentia uma vontade enorme de vomitar suas tripas.

Quando as mãos calejadas novamente viraram o menor na cama, ele pode encontrar os olhos negros que tanto desprezava. Porra, ele realmente havia passado a noite com Erick! Em uma ação desesperada Kurt tentou empurrar seu algoz para fora da cama, enquanto o mesmo trabalhava sugando uma marca dolorosa em seu pescoço.

– Ora, Ora, Kurt. Parece que você finalmente acordou! Oh, como eu amo seus gemidos enquanto você dorme, e ter seu corpo a noite toda... Droga Kurt. – Murmurou o moreno enquanto continuava alisando o corpo do mais novo. – Como você pode acordar tentando me agredir? Até poucas horas atrás você estava tão amável...

– Por favor... – Sussurrou o castanho com dificuldade.

– Por favor o quê? Você quer mais?

– Posso ir embora? Por favor? — Implorou o castanho, encolhendo-se ao toque de Erick.

– Hmm, eu sabia que o efeito do GHB não duraria mais do que quatro horas, se eu tivesse te dado mais talvez você teria morrido... Honestamente, eu não me importo se você gosta ou não do que eu faço com você, mas as coisas são mais fáceis quando você colabora, mesmo que eu tenha que te drogar pra isso. – Divagou Erick, acompanhado de um riso sem graça. – Você estava tão bonito ontem, tão carente, tão desesperado por mim... E mesmo hoje, quando você olha com medo e com raiva, você sabe que eu amo você de qualquer jeito.

Kurt sentia dificuldade para respirar, ele mal podia se mexer no momento, Erick era louco, e ele queria sair correndo. Será mesmo possível que este homem havia drogado ele noite passada? Mas é claro, a primeira coisa que Kurt fez ao chegar lá foi tomar a bebida que o tinha sido oferecida, que outra opção ele tinha? Kurt não queria mais dividir o espaço com esse homem, ele se sentia vulnerável de maneiras que nem o próprio Erick havia feito sentir-se até então.

– O que você quer de mim? – Perguntou o castanho, tentando manter sua respiração, segurando suas lágrimas da melhor forma possível.

Erick pensou alguns segundos antes de responder.

– Depende do meu humor... Ontem eu só queria deixar bem claro que existe apenas uma pessoa a quem você pertence. Hoje, porém, eu já estou bastante satisfeito em ver você se quebrando por dentro. – Droga, era incrível como Erick conseguia saber perfeitamente como ele se sentia. – Vai logo, pega as suas roupas, eu não quero mais você aqui, sua cara patética está me irritando... Volte rápido para o bordel, faz tempo que você não trabalha descentemente.

Depois de alguns segundos em estado de choque, Kurt recolheu suas roupas vestindo-se rapidamente e se retirou do cômodo, poupando antes de sair um último olhar para o homem deitado na cama.

~K&B~

Depois de sair pela porta da casa de Erick, Kurt aproveitou alguns segundos de liberdade, antes de correr até o bordel e subir para seu quarto. Era estranho que um dos lugares em que ele mais odiava no mundo no momento era o lugar em que ele mais se sentia seguro.

Kurt sentou-se em sua cama, ainda engolindo as lágrimas, enquanto envolvia seus próprios braços em seu corpo, em busca de qualquer tipo de conforto. O que ele faria agora? A cada dia ele era obrigado a lidar com a mente conturbada de Erick, também tinha Blaine, droga, ele sentia uma dolorosa pulsação toda vez que pensava no moreno. Kurt sabia que ele e Blaine nunca poderiam ter nada juntos, mas Blaine sempre disse que eles seriam amigos, Kurt queria ter alguém para abraça-lo agora e dizer que tudo ficaria bem. Mas todas as malditas pessoas que passavam na sua vida só faziam de tudo para deixa-lo para baixo e aumentar sua carga de sofrimento, Blaine especialmente, adorava encher Kurt de falsas esperanças o tempo todo, e depois esmaga-las como se ele não significasse nada.

Claro... Kurt sabia que ele não significava nada. Num flash do passado ele se lembrou de uma conversa com seu pai, justamente sobre isso, quando ele ainda era um garoto virgem com uma vida toda pela frente. Kurt queria seu pai de volta, será que ele ainda conseguiria amar seu filho depois de tudo? Será que seu pai estava sequer vivo agora? Será que seu pai encontrou uma nova família onde ele podia ser feliz? Será que ele se lembrava que um dia teve um filho? Será que seu pai ainda o amava?

Nos pensamentos mais otimistas de Kurt ele queria acreditar que sim, que seu pai se lembrava dele todas as noites, que seu pai ainda o amava, que seu pai não tinha desistido de procurar por ele. Kurt deixou seus pensamentos irem, ele sabia que na verdade ele já não significava mais nada para ninguém...

Abrindo sua gaveta de cabeceira, ele puxou uma caixa no fundo, onde guardava um frasco vazio do perfume de sua mãe, e uma foto desbotada dele com seu pai, Kurt quase nunca via esta foto, pois sempre se sentia mal, mas ele precisava segurar-se a uma coisa real agora. Se ele pudesse voltar no tempo ele faria tantas coisas diferentes, ele poderia continuar vivendo com seu pai, ele ainda poderia trabalhar como mecânico ou até mesmo como garçom... Como ele pode estragar tanto sua vida?

Kurt abraçou a foto e se permitiu chorar, tentando se livrar de toda dor pelas lágrimas. Ele já sabia por experiência própria que isso não era possível. As lágrimas só aumentavam mais e mais e a dor nunca iria embora. Se ele ao menos tivesse seu pai aqui para ama-lo pelo menos um décimo do quanto ele o amava na infância, ele seria a pessoa mais feliz do mundo.

– E-eu sinto a sua falta p-apai... – sussurrou, pensando se em algum lugar Burt Hummel poderia senti-lo. Obviamente não.

Guardo a foto com cuidado no lugar onde pertencia ele mexeu mais um pouco na gaveta e encontrou o canivete que ele usava para se proteger dos bandidos do bairro. Passando seus dedos por uma das lâminas afiadas, ele analisou o objeto e deixou um pensamento que não passava em sua mente desde quando ele conheceu Blaine voltar a tona. Se ele se fosse hoje faria falta na vida de alguém? Um pequeno ato e ele poderia acabar com toda a dor que estava sentindo agora, cair no esquecimento e apagar sua existência vergonhosa do mundo. Só mais um passo e ele não teria mais que aturar Erick, nem sofrer por Blaine... Ele não teria que pensar na risada de Sebastian, nem em nenhum de seus clientes, ele estaria livre! Afinal, qualquer coisa seria melhor do que a vida que ele tem atualmente.

Certo?

Kurt encostou a lâmina em seu pescoço tentando deslizar lentamente...

Mas algo mais forte o impedia, ele não conseguia ir em frente.

Droga... Por que ele tinha que ser tão covarde? Kurt afundou a lâmina com raiva em sua coxa, vendo imediatamente o sangue traspassar em sua calça, a dor do ferimento nem mesmo comparada a dor que ele sentia por dentro... Porra, ele não servia nem mesmo para se matar. Kurt limpou a lâmina da faca em sua camiseta, antes de jogar o canivete fechado na gaveta novamente.

Kurt se sentia frustrado, e totalmente sem saída, deixando as lágrimas de frustração correrem pelo seu rosto. Repentinamente ele ouviu batidas em sua porta invadindo o quarto e jogou um cobertor rapidamente sobre a perna.

– E-entra. – Disse com a voz rouca.

Ao ver a porta se abrir, ele reconheceu uma das meninas que trabalhava no bordel, a qual ele não sabia o nome.

– Kurt? — O castanho assentiu, esperando a moça continuar. – Como Erick ainda não veio, só passei para avisar que você tem um cliente marcado para daqui a meia hora, já deixe as coisas preparadas, por favor.

Kurt apenas acenou em concordância, e logo depois viu a menina deixar o quarto... Droga, logo agora ele teria que ter um cliente.

Sentindo a dor na perna realmente começar a fazer efeito, Kurt se levantou com dificuldade, procurando alguma roupa em seu armário e se moveu com dificuldade até o banheiro.

Nu diante do espelho ele pode se ver pela primeira vez depois da noite com Erick. Todas as marcas e chupões... Ele se sentia nojento e descartável.

“Eu só queria deixar bem claro que existe apenas uma pessoa a quem você pertence.”

Descendo os olhos para sua perna onde o sangue escorria, ele se sentiu patético... Kurt estava simplesmente farto de ser ele mesmo. Em um surto de raiva o castanho jogou a pedra de sabonete com força conta o espelho, rachando o vidro e destorcendo sua imagem deprimente.

Com raiva Kurt fechou ligou o chuveiro e fechou o boxer, deixando a água cair, formando uma poça de sangue em seus pés. Ele precisava estar pronto logo para seu cliente. O castanho tentou rapidamente esfregar toda as partes de seu corpo tentando se livrar de Erick, e logo deixou o chuveiro, secando-se com cuidado, e preparando um curativo para evitar uma infecção em seu ferimento.

Depois de pronto Kurt vestiu sua roupa com certa dificuldade, e logo em seguida arrumou seu quarto. Preparando-se para mais um dia de trabalho.

~K&B~

Blaine mal conseguiu dormir à noite, tantas ideias sobre o que fazer para Kurt invadiam sua mente, e ele só conseguia se empolgar mais e mais para encontrar o castanho novamente. Ele jurou para si mesmo que a partir daquele dia faria de tudo para deixar Kurt feliz, começou inclusive com uma lista de coisas que ele poderia fazer presentes que Kurt talvez gostaria...

Depois de uma manhã agitada e um café rápido, Blaine dirigiu-se até o centro de Nova Iorque, após resolver alguns problemas no trabalho o moreno foi numa loja da tiffany's. Honestamente, ele não gostava de coisas muito exageradas, no entanto ele queria o melhor para Kurt.

Após uma tarde inteira na loja decidindo entre diversos tipos de jóias, Blaine optou por algo mais tradicional, um par de alianças de prata, apenas relutando se escolhia pedras de safira ou esmeralda... Ele ainda não sabia ao certo qual a cor dos olhos de Kurt. No fim, ele optou pela safira, a esmeralda lembra seus olhos forrados de lágrimas e Blaine não queria mais isso.

Depois de uma tarde toda preparando as coisas para ir falar com Kurt, no inicio da noite o moreno se dirigiu até o bordel, um tanto nervoso... Ele sabia que Kurt estaria irritado, mas ele precisava do perdão do menino.

~K&B~

Já havia começado a anoitecer e Kurt finalmente se despediu do ultimo cliente. Hoje tinham sido apenas quatro, claro, Kurt já tivera muito mais clientes no mesmo dia, entretanto hoje o cansaço emocional dele estava muito maior do que normalmente. Felizmente, parecia que seu corpo tinha se acostumado com este sofrimento, ele não queria mais chorar até perder a voz, nem sair quebrando tudo em seu quarto... Talvez dormir com homens desconhecidos era tudo o que ele precisava. Esta era sua vida, o que ele escolheu e ele já tinha se acostumado com isso.

Depois de tomar mais um banho Kurt colocou seu pijama, optando por um shorts, pois seu ferimento já estava ficando irritado e se jogou na cama com um de seus livros dos contos de Grimm para relaxar.

~K&B~

Diferente de todos os dias, quando Blaine chegou ao Bordel, Erick não estava lá. Ele foi recebido por uma menina loira, que estava cuidando da parte da recepção.

– Boa noite, eu vim ver o Kurt...

– Kurt Hummel? – Perguntou em confirmação. E Blaine apenas assentiu. – Bom, ele não tem mais clientes por hoje, acredito que ele já tenha encerrado as atividades, mas temos outros garotos agora qu- Blaine nem deixou a menina terminar de falar e a interrompeu.

– Meu nome é Blaine, eu sou um cliente regular... Precisa ser o Kurt, não serve outro. – Disse calmamente. – Por favor, eu preciso ver ele... Acho que você pode consultar ai que eu sou o melhor pagador.

A menina olhou em confusão por um tempo... Este cara provavelmente era um dos pervertido atrás de Kurt como sempre... Ela apenas deu de ombros e disse que ele poderia subir

~K&B~

Kurt estava sorrindo, agora lendo metade do conto do gato de botas, deixando-se perder entre as páginas do livro, quando ouviu a porta de seu quarto novamente. Após alguns segundos de confusão, o castanho imaginou que deveria ser a mesma menina que foi lá de manhã, perguntar sobre os pagamentos do dia ou algo assim.

– Entra... – O castanho autorizou.

Após assistir o movimento da maçaneta, Kurt viu um rosto bastante familiar aparecendo na porta.

– Kurt! Até que enfim consegui te ver... – Disse o moreno, ofegante ao entrar no quarto.

Notas finais
Essa é a primeira vez que eu choro escrevendo um capítulo... Provavelmente um dos últimos que o Kurt sofre tanto. Sobre GHB: É uma droga conhecida por fazer a pessoa diminuir sua inibição e entrar em um estado de excitação temporário... Claro que tem outros efeitos, mas como é ficção utilizei aqui apenas para os fins devidos me limito a apenas estes. Espero realmente que vocês tenham gostado, o feedback dos leitores é sempre muito importante pra mim, gostaria que me dissessem o que acharam do capítulo. Qualquer erro também podem avisar que eu arrumo :) Ps: eu disse no capítulo passado que esse teria cenas Klaine e tudo mais, mas acabou ficando para o próximo... E como podem perceber, vai ter muito Klaine depois!!