Ele volta confuso, ainda estava lá no ginásio, no meio dos discursos, o telhado estava da mesma forma quando vira: balançando, rangendo. A diretora pergunta:

– Alguém quer falar?

Leo e Lanna se oferecem exatamente como ocorrera. Precisava fazer alguma coisa.

– Não, parem! — diz Dalton. — Não vão, aquele telhado vai desabar, esse ginásio inteiro vai ruir!

– Dalton, o que foi? — pergunta Lily preocupada.

– Esse ginásio vai desabar! Vamos, saiam! — ele grita.

– O quê?! — indaga Lanna.

– Dalton, para com isso! — diz Jim em tom entediado como se aquilo não fosse levar a nada.

– Eu vi, primeiro aquelas barras vão se soltar, depois vai ter uma explosão e o ginásio vai desabar! — diz Dalton apontando para as barras de sustentação.

– Dalton, é nossa formatura, não estraga tudo! — grita Leo.

– Eu vi todos vocês morrendo! — ele diz desesperado.

– Meu jovem, você está bem? — pergunta a diretora.

– Vocês precisam acreditar em mim! Por favor. — ele pede em desespero.

– Você tá louco! — conclui Dilan. Dalton o encara:

– Se quiser ficar aqui e morrer, pode ficar! — grita Dalton. — Lily, vem comigo! — ele diz puxando a mesma que não tem tempo de contestar.

– Ai não. — diz Mabel indo atrás deles juntamente com Jim, Sarah e Lanna.

– Droga! — resmunga Dilan seguindo — os junto de Edi, Leo e Margot. Eles saem do ginásio enquanto seus colegas os encaram.

– Dalton o que foi aquilo? — pergunta Margot ao chegar.

– É, ficou louco? — pergunta Edi.

– Esse ginásio vai desabar! — Dalton exclama.

– Olha Dalton, explica o que aconteceu. — pede Lily

– Escutem, eu não sei o que aconteceu, eu sei que eu vi todos vocês morrendo. — ele suspira. — Inclusive à mim.

– Olha Dalton, você só sonhou acordado. Vamos voltar para festa e esquecer tudo isso. — diz Sarah.

– Sarah escuta, vai acontecer uma coisa muito ruim, esse ginásio vai ruir!

– Ah tá bom, eu vou voltar pra festa, você é louco! — diz Dilan se virando para a entrada.

– Não, por favor! Temos que avisar os outros, senão...

Dalton é interrompido por gritos que vem do ginásio.

– O que é isso? — pergunta Mabel.

Em menos de um minuto o ginásio desaba.

Três dias depois, ocorre um memorial na universidade em homenagem aos falecidos no desabamento. Os amigos se encontram.

– Como vai, Dalton? Te liguei, mas você não atendeu. — diz Lily.

– É eu... Queria ficar sozinho — ele responde — Mas eu tô indo. — continua.

Ele olha bem para os outros e diz:

– Eu sei, vocês acham que eu sou louco, não os culpo, no lugar de vocês eu pensaria o mesmo...

Dilan o interrompe:

– Olha cara, eu queria me desculpar por não ter acreditado em você, você salvou a gente.

– Todos nós pedimos desculpas, Dalton. Fomos injustos com você, quando você queria salvar nossas vidas. Nós todos te agradecemos. — diz Sarah.

– Vamos sentar, os discursos já vão começar. — diz Margot.

Os professores e diretores falam, cada falecido, eles diziam uma característica inesquecível. Sarah chorava a cada nome que o diretor dizia.

Os discursos terminam e os visitantes vão deixar flores na placa de mármore, onde havia o nome de todas as vítimas e uma pequena nota sobre a vida e a morte gravadas. Sua mãe ao seu lado lhe entrega um buquê e ele caminha em direção a placa. Quando ele chega, ele vê a palavra morte isolada no texto, pois os buquês cobriam o restante da nota. Apesar de ser um texto sobre a morte aquilo chama a atenção de Dalton. De repente, um vento frio bate e ele tem uma sensação estranha, a mesma sensação que sentiu na noite do desabamento, mas só agora ele percebe, não era uma sensação, era uma presença, como se ele não estivesse sozinho, uma presença ruim. Ele não liga e volta para seu lugar.

O memorial termina e todos vão embora.