Premonição 1: Sem Saída
5 Caçada
Conseguirem manter-se juntos foi deveras fácil. O colégio de Bobby e Cia. estava em recesso pelo acidente no laboratório de biologia, então eles podiam ficar na casa dos outros sem que isso parecesse estranho. Lily e Jamie foram para a casa de Alice, sem nenhuma objeção de seus pais. Já Bobby estava passando uns dias na casa de Matt, assim como Lubo e Pepper. A mãe de Matt, a Sra. Judy, estava ficando louca com tantos moleques em sua casa.
— Eu tenho uma competição de skate em alguns dias. – Pepper soltou no meio de uma partida de Monopoly.
— Mas você não vai participar, certo? – Matt disse.
— Eu não sei... É algo pelo qual eu venho batalhando há tanto tempo... É meu passaporte para o campeonato internacional, cara. Os melhores skatistas do país vão estar naquele evento amanhã.
— Mas Pepper, estamos falando de sua vida! — Bobby argumentou. — Essa competição é extremamente perigosa. Eu consigo pensar em milhares de acidentes que podem acontecer e...
— Bobby, Matt, Lubo. — O indiano calmamente nomeou cada um deles de modo a chamar sua atenção para o que diria. — Skate é a minha paixão. É a minha vida. Eu ando de skate desde que tinha dois anos de idade. Minha mãe disse que aprendi a falar esse nome antes mesmo de dizer “mamãe”. Eu não posso e não vou abandonar meu sonho. Eu sei que posso estar correndo risco de vida, mas... E em que lugar eu não estou? Aqui mesmo, jogando Monopoly com vocês, eu posso acabar engolindo um desses dados e morrer asfixiado. O que tiver de ser vai ser.
Todos ficaram em silêncio. Não podiam impedir Pepper de fazer o que quisesse. E de certa forma ele tinha razão. Ele poderia morrer a qualquer momento. Uma competição de skate não agravaria tanto a situação.
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Finalmente chegara o dia do encontro com os malucos do restinpieces.com. Bobby ainda não tinha certeza de com quem iria. Não queria levar Matt, isso era certo. Ele estava muito abalado com o bebê, já tinha problemas demais. Pepper era uma possibilidade menor ainda, já que ele era o alvo da morte no momento. E Lubo... Não, ele também estava abalado com Naomi e tudo mais. Restavam as garotas. Uma delas estava grávida e paranoica, então não era uma boa opção. A outra era Alice, e Bobby cortou-a imediatamente. Restava Lily.
— Alô, Lily? Que tal um passeio no cemitério comigo?
— Que piada de mal gosto, Bobby.
— Haha, desculpa. Mas agora, sério: eu combinei de encontrar uns caras do restinpieces.com no cemitério hoje à tarde e não quero ir sozinho. Será que você poderia ir comigo?
— Que ideia mais maluca. Mas claro, pode contar comigo. Ainda está na casa do Matt?
— Aham.
— Então passo aí em vinte minutos. Vou só me trocar, tudo bem? Beijo.
— Beijo.
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Bobby e Lily chegaram ao cemitério no horário marcado. O rapaz usava uma camiseta do Bob Esponja, como havia prometido. Rapidamente avistou um pequeno grupo há certa distância. No meio deles havia uma mulher de vestido verde. É a sober34. Jessica.
— É ali. – Bobby apontou.
Lily acenou com a cabeça e seguiram até o local.
— Bimbo? – A mulher de vestido verde arriscou.
Jessica era extremamente bonita. Provavelmente descendente de chineses, não aparentava ter os trinta e quatro anos que dizia ter. Seus cabelos curtos e negros eram bastante repicados. Ela sorriu de maneira educada.
— Essa é...?
— Lily, prazer. – A garota mesma se apresentou, estendendo a mão.
Jessica sorriu e apresentou as outras pessoas presentes. Eles estavam em um grupo de quatro. Dois rapazes, uma moça e Jessica. Os rapazes se chamavam John (um sujeito que parecia meio desconfiado e não falou seu sobrenome) e Brad O’Higgins. A outra garota do grupo se chamava Sarah Milly Kane.
— Bom, estamos todos aqui. Acho que podemos ir. – Jessica disse.
O grupo a seguiu, bem como Bobby e Lily.
— Pra onde estamos indo, Jessica? – Bobby perguntou.
— Um galpão abandonado aqui perto. É onde fazemos as reuniões.
Bobby concordou, embora um pouco apreensivo. Apertou a mão de Lily e olhou para os lados: os dois rapazes ali eram franzinos. Se tentassem atacá-lo de alguma forma, ele facilmente os venceria. Não havia perigo algum.
— Jessica? – Bobby chamou, sem deixar de andar.
— Sim?
— Sem querer me intrometer, mas... Qual desses é o seu namorado?
A garota pensou por alguns segundos, sorriu amarelo e então disse, de maneira pesarosa:
— O meu namorado morreu no dia seguinte à nossa conversa. Foi decapitado pelo rottweiler do vizinho enquanto tentava recuperar a nossa bola de futebol.
Bobby engoliu em seco.
— Me desculpe, eu não fazia ideia...
Jessica acenou para que Bobby não se sentisse mal. O rapaz tremeu, com uma onda de eletricidade passando por todo seu corpo. Só de imaginar a ideia de ter o pescoço entre os dentes de um cão feroz... Era muito, muito cruel.
— Chegamos. – Jessica avisou.
O grupo estava em frente a um velho galpão abandonado. Ele possuía os vidros quebrados e estava totalmente enferrujado. Todos adentraram vagarosamente. Jessica se dirigiu a Bobby e Lily:
— Antes de tudo, eu preciso saber: vocês dois estão na lista da morte, certo?
Bobby acenou positivamente.
— Então eu espero que vocês entendam e não nos julguem por nada do que vão ver aqui, tudo bem?
O rapaz concordou. Lily não se mexeu.
— Tudo bem? – Jessica insistiu.
Lily confirmou.
— Tragam. – Jessica pediu.
Os dois rapazes do grupo seguiram até uma pequena sala do galpão e voltaram com um saco preto grande o suficiente para caber uma pessoa. O mais assustador era que realmente parecia que havia um corpo ali.
— Oh meu Deus! – Lily murmurou.
Brad e John retiraram o saco e o casal viu um homem completamente sujo e mal vestido. Ele tinha a barba por fazer e parecia que não tomava banho há dias. Bobby reparou em seu peito e viu que ele ainda respirava, embora não estivesse se mexendo. Não disse nada.
— Há alguns dias nós acidentalmente descobrimos algo extremamente curioso. O cão do Brad ali estava para morrer, já que ele evitou a morte do cachorro graças à sua visão. E então um belo dia um guaxinim entrou no quintal do Brad e o cachorro o matou.
— Apenas uma mordida. – O rapaz confirmou.
— Logo em seguida o cachorro entrou na lavanderia e caiu dentro da máquina de lavar roupas. A máquina instantaneamente parou. No dia seguinte o Brad o viu pulando uma cerca perigosíssima e sair ileso. Conseguem compreender a minha linha de raciocínio? – Jessica disse.
Bobby engoliu em seco. Sim, ele conseguia.
— Então eu coloquei veneno na comida do cachorro. Ele não comeu. – Brad contou.
— O cachorro estava a salvo. Quando ele matou aquele guaxinim, de alguma forma ele adquiriu o poder vital dele. Ele ganhou a vida do animal para si. Ganhou uma segunda chance.
Droga!
— A lógica é simples: você oferece a vida de outra pessoa em troca da sua própria. Entendem nosso objetivo?
Bobby não conseguiu mais ficar calado:
— E quantas pessoas teremos de matar? – Lily então imediatamente olhou para ele com estranhamento e temor.
— Apenas esse andarilho. Nós todos vamos segurar a faca que irá acertar seu coração, então será como se todos nós estivéssemos ganhando a sua vida. Não é brilhante e matematicamente interessante? Uma vida será dada para salvarmos seis.
— Mas isso é errado, é assassinato!
— Pense nisso como legítima defesa, pequeno Bimbo. Nós não temos escolha. Além do mais esse homem é um pobre mendigo, ninguém irá dar por sua falta.
O rapaz já não sabia mais o que dizer. Se ele ficasse ali, seria cúmplice de um assassinato. Por outro lado se saísse, estava em perigo, já que o grupo jamais o deixaria ir vivo, com medo de que ele contasse algo a polícia. Droga, droga, droga. Tudo o que Bobby conseguia pensar era que tinha se metido em uma grande merda e levado Lily consigo.
— Por favor, não façam isso. – Lily pediu.
Jessica sorriu.
— Querida, vai ser apenas uma punhalada. Em segundos esse ser asqueroso, essa escória da sociedade, não existirá mais, e nós teremos uma vida inteirinha pela frente...
Sarah então retirou uma faca que mantinha escondida atrás das costas.
— Não vai funcionar! – Bobby gritou.
— Como assim? – Jessica perguntou.
— É que não faz sentido. Digo... Não tem lógica em conseguirmos nossas vidas de volta às custas de uma. É irreal. Se matarmos esse homem juntos, continuaremos na mesma. Eu tenho certeza de que a vida dele só pode salvar uma única outra vida. Jamais seis.
Jessica pensou por alguns segundos, mas não teve tempo de fazer algo: em segundos a tal Sarah cravou a faca no peito do homem, fazendo-o parar de respirar para sempre. Seu rosto estava cheio de sangue. Lily gritou e abraçou Bobby, escondendo o rosto em seu peito.
— Sua... Vadia! – Jessica disse, pulando em cima da garota.
As duas rolaram no chão até baterem em uma mesa de madeira velha. Uma, duas, três batidas. Na terceira um machado enferrujado caiu e acertou a testa de Jessica em cheio. O sangue escorreu pelo chão.
— Deus! – Brad exclamou, perplexo.
A garota que estava engalfinhada com Jessica empurrou o corpo para longe e livrou-se do sangue, esfregando a mão em sua calça jeans.
— Vamos embora! – John disse, assustado.
Ele e Brad então saíram correndo imediatamente. Apenas Sarah, a garota que havia assassinado o mendigo, continuou, caída e chorando no chão. Bobby e Lily não sabiam o que fazer ou dizer.
— Boa sorte em manter esse assassinato em sua consciência pelos próximos anos de sua vida. – Foi a única coisa que o rapaz conseguiu dizer. Sentiu-se um pouco moralista ao falar aquilo, mas era como estava se sentindo.
Ele e Lily correram para fora sem olhar para trás.
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— Desculpa por te fazer passar por isso. – Bobby disse, segurando a mão de Lily. Eles estavam em frente a uma pré-escola. Era um fim de tarde ensolarado.
A garota começou a tremer, os olhos levemente lacrimejantes.
— Não foi sua culpa... – Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e Lily enxugou-a imediatamente. — É só que... Foi tão horrível. Eu nunca vou conseguir esquecer isso.
Bobby a abraçou e Lily deixou mais algumas lágrimas caírem. Quando se acalmou um pouco, o rapaz disse:
— Não vamos contar aos outros, né? Digo... De certa forma nós fomos no mínimo testemunhas daquele assassinato. Eu não quero problemas com a polícia e nem colocar nossos amigos nessa enrascada.
Lily concordou, secando as lágrimas.
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Bobby decidiu ir para sua casa. Ele era o último da lista, e Pepper já estava em companhia de Matt e Lubo, ou seja, devidamente seguro.
— O seu chefe ligou, Bimbo. Ele disse que suas férias precisam ser canceladas. Tragicamente o outro garçom dele faleceu hoje à tarde e ele precisa de você. — Jane disse, assim que Bobby entrou em casa.
— Outro garçom? O novato?
— É, amor. Um tal de Brad O’Higgins, eu acho. Pobre garoto, apenas dezesseis anos. Foi realmente trágico.
Brad? Bobby não se lembrava do rosto, mas tinha a certeza de que tinha ouvido o nome há pouco tempo.
— Do que ele morreu, mãe?
— Foi atropelado por um ônibus. Ele e mais um amigo.
Droga! De repente se lembrou. Brad, o novo garçom, era um dos garotos que estava no galpão, no cemitério, um dos participantes da reunião do restinpieces.com. Ele e Brad não se conheciam oficialmente, já que ele entrara assim que Bobby pegou férias. Mas o rapaz sabia de sua existência. E o outro amigo com certeza devia ser John, o que saiu correndo junto com ele logo após Sarah ter assassinado o mendigo. Dos quatro lunáticos que Bobby conhecera naquele dia, três estavam mortos. Jessica com o machado e os outros dois atropelados. Só restava a assassina. Isso comprovava a teoria de Jessica: a vida daquele homem salvara a vida de outra pessoa. Sarah parecia estar mesmo fora da lista da morte.
— Vou subir mãe.
— Quer que eu leve a sua janta no quarto daí? – Jane perguntou.
Bobby estranhou. A mãe odiava quando ele não fazia as refeições com a família. O que estava acontecendo?
— Cadê os gêmeos, mãe? E a Melissa?
— Sua irmã está na casa de um amigo, e os meninos foram na casa da sua avó com seu pai. Somos só você e eu por hoje, Bimbo.
O rapaz sorriu.
— E acha que eu vou querer jantar no quarto e te deixar sozinha aqui? – Bobby desceu o lance de escadas que havia subido e abraçou a mãe. — Posso te ajudar a preparar o jantar?
Jane sorriu e concordou.
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Na mesa de jantar, Bobby e sua mãe conversaram sobre diversos assuntos. Escola, amigos, trabalho... Por um momento ele se esqueceu de todo o caos que estava acontecendo ao seu redor, inclusive a lista da morte. Naquele momento ele era apenas um filho tendo bons momentos com sua mãe. Foi quando ela soltou:
— Por que você e a Lily terminaram, meu filho?
Bobby engasgou com o suco que estava tomando.
— Qual é Bimbo. Há mais de um mês que ela não liga aqui em casa. E, além disso, a mãe dela ligou e me contou.
O rapaz riu.
— A Dona Ginger te contou isso?
Jane confirmou e Bobby riu mais ainda.
— Ela disse que ficou extremamente triste. Ela gostava muito de você, filho.
— Pois então demonstrava muito mal. Nunca me tratou bem.
A mãe confirmou.
— É o jeito avesso de ela amar, Bimbo. Mas o ponto é: por que você não me contou? Sou sua mãe, sua melhor amiga. Pelo menos acho que sou né?
Bobby riu.
— Você é sim, mãe. Não te contei, porque... Sei lá. Não queria te aborrecer com meus problemas estúpidos de adolescente.
— Você nunca não vai me aborrecer, amor da minha vida. Seus problemas não são um aborrecimento pra mim.
O rapaz levantou-se da mesa, abraçou a mãe por trás e lhe deu um beijo na bochecha.
— Por que você não foi com o papai ver a vovó?
Jane terminou de engolir a comida e disse:
— Digamos que sua avó é uma Dona Ginger extremada. A pior sogra do universo. Uma ótima mãe, adorável avó, mas... Sogra terrível!
Bobby riu.
— Ainda, mãe? Achei que aquele incidente do perfume tivesse ficado para trás.
— E ficou. Mas a confusão da vez é por conta de um bibelô.
A história do perfume era engraçada. Jane deu, no natal, um perfume caríssimo para a sogra, sem saber que a mesma era alérgica àquele perfume em específico. A avó de Bobby teimou que Jane tinha feito de propósito e ficaram sem se falar durante várias semanas.
— Além disso... Sua avó quer que Melissa vá morar com ela.
— Como?!
— Acontece que tem uma escola de ensino médio fabulosa onde a sua avó mora. A Melissa se apaixonou por ela e... Sua avó fez a proposta. Eu não sei dizer não, então falei que vou pensar. Mas eu não quero minha menina longe de mim...
— Eu te entendo, mãe...
— Entende nada, você não pariu pra saber qual é o laço que eu tenho com meus filhos! – Jane disse em tom de brincadeira.
— Mas quem sabe a Melissa não desiste dessa ideia maluca?
— Deus te ouça meu filho. Deus te ouça.
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Alice estava deitada em sua cama, pensando, e não percebeu quando seu cão Mick entrou no quarto.
— Oi rapaz.
O cachorro subiu em sua cama com rapidez, e deitou, olhando a dona.
— Você não tem ideia de como tenho inveja de você nesse momento, moço.
Mick virou a cabeça. Jamie entrou no quarto.
— Eu estou vomitando meus órgãos, Alice...
A amiga riu, depois se desculpou:
— Haha, desculpa, é que é irônico: a garota mais durona que eu conheço reclamando de uns enjoozinhos?
— Enjoozinhos? Esse bebê está me fazendo vomitar tudo, eu não consigo manter comida na boca.
— E olha que, pelas nossas contas, você só está com dois meses de gravidez.
Jamie fez uma careta.
— Quando você pretende contar pros seus pais, Jamie? — Alice perguntou.
A amiga deu com os ombros.
— Na verdade meu plano é engordar tanto que eles jamais vão perceber que eu estou grávida.
— Jamie! Isso não vai durar muito tempo.
— Eu sei. Eu estou só tentando tomar coragem.
— Enquanto isso pode contar comigo para o que for necessário. Quer dizer... Eu posso te levar no médico, se você precisar.
— Isso seria de grande ajuda. – Jamie sorriu de maneira pragmática.
Alice ficou em silêncio, mas logo disse:
— Você e o Matt pretendem ficar juntos?
Jamie engoliu em seco.
— Eu não sei... Quer dizer, eu gosto dele e tudo mais, ele é um garoto legal... Mas eu não sei se quero me amarrar tão cedo. Um filho é uma coisa, cometemos o erro, a criança não merece pagar por isso, não há nada que possamos fazer. Esse bebê é meu filho e sempre vai ser. É um laço que já existe e eu não posso cortar. Já o meu laço com o Matt... Não é definitivo e imutável. Eu acho que não quero ficar junto com ele. Pelo menos não ainda.
— E ele já sabe disso?
— Mais ou menos. Todas as vezes que ele mencionou o fato de morarmos juntos e cuidarmos do nosso filho, eu me esquivei. Acho que ele já está começando a perceber que pretendo ser mãe solteira.
Alice meneou a cabeça como a dizer que entendia. Pobre Jamie. Não pela criança, claro. Ela era a melhor parte de tudo. Mas o momento em que ocorreu. A vida deles estava em perigo e a garota tinha arranjado alguém que dependia dela mais do que tudo. Era como retirar um peixe de um lago poluído sem ter um local de água límpida para colocá-lo. Péssima analogia, Alice.
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