Finalmente chegara o dia da competição de skate de Pepper. O garoto estava mais ansioso do que nunca. Estava em seu quarto se trocando enquanto conversava com Bobby.

— Cara, você não tem ideia do quão louco o dia de hoje vai ser. Eu estou esperando esse campeonato desde que comecei a me dedicar de verdade ao skate. Cada manobra que eu treinei, cada aula que eu faltei para ficar na pista... Foi para o dia de hoje. É o meu dia, sabe?

Bobby acenou positivamente, sorrindo. Era triste a situação em que eles se encontravam, principalmente pela empolgação de Pepper. O rapaz fazia questão de esquecer-se completamente da situação crítica do grupo. Ele estava consciente que deveria morrer em breve, mas parecia não estar dando a mínima. Ele só queria ter o seu momento, independente do preço. Oh, Pepper, por que tem de ser você agora? Se nós ao menos pudéssemos te pular...

Foi quando Bobby teve uma ideia.

— Eu tive uma ideia, Pepper!

O amigo olhou-o curioso.

— Você lembra quando eu salvei a Lily e a fiz ser pulada pela lista, certo?

O rapaz mexeu a cabeça positivamente.

— Então. E se tentássemos fazer isso com você? Quer dizer, é arriscado, mas...

— O que você tem em mente?

— Bom, seria o seguinte: nós bolaríamos um acidente fatal pra você, mas teríamos a situação sob controle e no último momento nós o salvaríamos, fazendo a morte pulá-lo.

Pepper não estava convencido.

— Como eu posso ter certeza de que vocês não acabariam falhando e realmente me matando?

— Eu não posso te dar essa garantia, cara. Aliás, que ideia absurda, mesquinha e irresponsável. Eu não sei o que está passando pela minha cabeça, desculpa. – Bobby disse, parecendo ter tido um lapso de consciência.

— Não, espera. Eu confio em você. Vamos fazer isso. Se funcionar eu vou estar livre para o meu campeonato de hoje e poderei esperar bastante até voltar a ser o próximo da lista. Como diria a Alice: let’s do this!

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Bobby ligou para Matt e contou sua ideia em relação a Pepper. O amigo chamou-o de maluco, mas acabou cedente e aceitando participar do plano. As coisas ocorreriam da seguinte forma: Pepper iria até a piscina de sua casa nadar, e de alguma forma ficaria preso nela, se afogando. Bobby e Matt então viriam e o libertariam, salvando-o e fazendo a lista pulá-lo. Simples, apesar de bastante perigoso.

— É apenas água. – Bobby afirmou. — Pra garantir: quanto tempo você me disse que consegue ficar submerso sem respirar?

— Dois minutos. – Pepper garantiu, orgulhoso. – Treino apneia há vários anos, junto com o skate.

— Uau!

Os pais de Pepper estavam viajando a trabalho. “Coisa triste”, Bobby pensou, “nem no dia mais importante da vida do filho eles estão presentes”. Ele tinha sorte de ter Jane e Michael como pais.

— Estou pronto.

Pepper usava uma sunga vermelha com uma pimenta desenhada. Matt e Bobby caíram na gargalhada.

— Qual é caras, eu posso acabar morrendo daqui há pouco, sem piadinhas.

Bobby e Matt concordaram, ainda rindo. Foi quando viram Lubo chegando no jardim, usando óculos escuros.

— E nem me convidaram pra festinha? – Lubo disse.

— É maluquice, você não vai querer saber.

— Mas eu já sei. – Lubo garantiu. — O molóide do Pepper deixou o microfone ligado na nossa conversa por Skype e eu ouvi o plano de vocês. Só pra não dizerem que eu não avisei: isso é maluquice total. É pedir pra morrer.

— Mas esse é o ponto, pequeno Jedi. Nós estamos pedindo pra que a morte venha, mas estamos preparados. É como cutucar um formigueiro com um inseticida em mãos.

Lubo deu com os ombros.

— Espero que uma formiga inesperada não os pique antes que a borrifem.

Os outros três mantiveram o silêncio.

— Pronto? – Bobby perguntou.

— Eu nasci pronto. – Pepper disse, e então pulou na água com rapidez.

Em segundos estava voando, fazendo diversos rodopios na água. Antes do planejado e esperado, viu-se preso: sua sunga havia se prendido no filtro da piscina. Matt e Bobby conversavam, esperando pelo sinal do rapaz de que poderiam descer para salvá-lo, mas Pepper não estava em condições de fazer sinal algum. Ele realmente estava se afogando!

— Soc... – A água entrou em sua boca. O seu treino de apneia tinha pouca utilidade naquele momento, já que o pânico estava tomando conta dele.

O rapaz então retirou a sunga e conseguiu emergir em segundos.

— O que diabos vocês estão pensando? Nós tivemos a oportunidade perfeita ali, eu estava realmente me afogando.

Bobby e Matt se entreolharam, extremamente preocupados.

— Quem sabe já não funcionou?

— Eu não acho que você iria morrer ali, Pepper. – Lubo disse. — Sua sunga ficou presa, mas e daí? Você poderia tirá-la com facilidade, como fez. Eu acho que a morte não é tão simples de ser impedida...

Pepper fez uma expressão de frustração.

— Então eu não iria morrer afogado? Ou seja... Eu ainda sou o próximo?

Ninguém respondeu.

— Então vamos fazer de novo, como era o plano original. – Pepper sugeriu.

Bobby foi cauteloso:

— Eu não sei, cara... Esse pequeno acidente foi um aviso do quão imprudentes estamos sendo. Uma simples falta de comunicação quase te matou. Não pensamos nos detalhes, não pensamos em nada. Acho que deveríamos parar por aqui e ficarmos atentos até um acidente de verdade realmente acontecer. Aí sim poderíamos te salvar.

Pepper concordou, embora ainda frustrado.

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Jamie estava deitada no quarto de Alice, sozinha. A amiga estava na cozinha, preparando um lanche junto à Lily. Foi quando ela sentiu uma pontada na barriga. Começou fraca e intensificou-se. A garota então sentou-se na cama, respirando fundo. Quando olhou para baixo, viu uma marca grande de sangue no lençol branco. Oh não, o meu bebê...

— Alice! – A garota gritou, completamente assustada. — Socorro!

Em segundos a ruiva e a loira subiram. Alice não conteve o susto quando viu o sangue na cama:

— Você está perdendo o bebê! Lily, o telefone, rápido!

Lily pegou o aparelho e imediatamente discou o número da emergência. Em minutos uma ambulância chegou e já levava Jamie a caminho do hospital.

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O local da competição de skate de Pepper estava um caos. Lubo, Matt e Bobby estavam na plateia, procurando uma forma de ver o amigo. Não havia como: Pepper estava nos bastidores, se preparando.

O aglomerado de espectadores estava ao redor de uma enorme pista de skate onde uma estonteante hostess incitava (e excitava) o público.

— Quem aqui está preparado pra manobras radicais arriscadas? – A mulher disse, abrindo um sorriso encantador.

Todos gritaram, empolgados. Bobby escapou do aglomerado de pessoas e sentou-se em uma mureta. Dali ele tinha uma boa visão da pista. Retirou o celular do bolso e ligou para Lily, já que as meninas tinham combinado de aparecer para ver o Pepper.

— Onde você está, Lily? O Pepper entra em vinte minutos.

Do outro lado da linha ouviu uma resposta assustadora:

Eu e a Alice estamos no hospital com a Jamie. Ela está perdendo o bebê.

Bobby congelou. Jamie não podia perder o bebê.

— E como vocês não nos avisaram antes? Ou ao Matt?

Não deu tempo, Bimbo. Foi tudo muito caótico. Tivemos de sair correndo. Eu tentei falar com o Matt, mas o celular dele está desligado.

— Nós estamos indo para aí.

Não precisa. Avisa o Matt e peça pra ele vir, a Jamie o quer por perto. Mas você e o Lubo fiquem por aí, é importante dar esse suporte ao Pepper. Além disso... Ele precisa de proteção.

Bobby concordou e desligou. Aproximou-se então do aglomerado de pessoas, procurando Matt aos gritos. Encontrou-o com dificuldade:

— Cara, a Jamie foi para o hospital McKinley, problemas com o bebê. Ela te quer lá.

Matt ficou pálido.

— Problemas com o bebê? Como assim?

— Eu não sei, amigo. Mas você precisa ir lá agora.

O amigo não disse nada e saiu correndo. Pegou sua bicicleta que estava presa no bicicletário e pedalou como louco, como se sua vida dependesse disso. E, de certa forma, dependia.

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Matt não pensava em nada enquanto pedalava na maior velocidade que conseguia. Queria apenas chegar o mais rápido possível e dar auxílio a futura mãe de seu filho. Não... Ele não podia perder aquela criança. Nenhum deles podia...

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Na sala de espera, Alice dormia.

Em seu sonho, uma mulher fazia hotdogs e não percebia o momento em que um garotinho esbarrava em sua barraca e abria o gás. O cheiro forte era disperso pela corrente de ar, mas ainda conservava um aglomerado ao seu redor. Uma mulher de passagem soltava um cigarro ao ar, fazendo-o cair ao lado da barraca de hotdog. O vento o rolava o suficiente para aproximá-lo do gás e causar a explosão. Boom! Uma placa de metal voava e acertava em cheio a barriga de um skatista na pista, fazendo-o cair. Isso não impedia outro skatista que vinha atrás de fazer uma manobra arriscada, caindo com o skate sobre rosto do anterior, esmagando-o.

Alice arfou forte e então acordou completamente assustada.

— Alice, você está bem? – Lily perguntou.

— Onde os meninos estão? – A ruiva suava sem parar.

— Eles estão naquela competição de skate do Pepper.

— Merda! – Alice exclamou, sem importar-se.

Retirou o celular do bolso de sua calça e digitou o número de Bobby. O rapaz atendeu.

— Bobby, uma barraca de hotdog vai explodir e causar a morte do Pepper. Uma placa de metal vai voar e derrubá-lo na pista de skate, fazendo a cabeça dele ser esmagada por um outro skate. Você precisa impedir que isso aconteça!

É sério isso, Alice?

— E eu lá estou em condições de brincar, Bobby? Encontre um menino com uma camiseta xadrez vermelha e não o deixe se aproximar da barraca de hotdog. É ele quem vai abrir o gás que vai causar a explosão.

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Bobby desligou sem se despedir. Começou a correr desesperadamente, procurando o tal menino da camiseta xadrez. Nada.

— Droga, droga!

Corria como louco, suando, à procura do tal garoto. Foi quando ouviu a hostess anunciar:

— Agora na pista os campeões regionais: Jonathan “Skull” e Manik “Pepper”!

O grupo aplaudiu os dois skatistas e Bobby entrou em desespero. Começou a empurrar pessoas, procurando o tal menino que iria causar o acidente à Pepper. De repente o viu, mas ele estava distante da barraca de hotdog.

— Droga!

Bobby então viu o exato momento em que uma mulher jogou o cigarro. Sabia da explosão, então saiu correndo, afastando-se o máximo que podia. Boom! A explosão fez a mulher da barraca em pedaços voadores. Algumas pessoas nos arredores agonizavam, com queimaduras graves.

— Pepper!

O pedaço de metal voador fez o previsto: acertou Pepper na barriga, derrubando-o. Sangue escorria pela boca do rapaz quando ele tentou inutilmente gritar.

— Me... Ajudem.

Em vão. Skull fez sua manobra, caindo com seu skate em cima da cabeça de Pepper. A cabeça do indiano tornou-se uma massa disforme. Bobby virou o rosto e vomitou.

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Bobby procurava Lubo desesperadamente. Quando encontrou, gritou:

— Precisamos ir até o hospital agora, a Jamie é a próxima.

Bobby pegou sua bicicleta e Lubo subiu rapidamente na garupa. Em minutos os dois estavam na porta do hospital.

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— Cadê a Jamie? – Bobby suava, desesperado.

— O que aconteceu, Bimbo? Que cara é essa? – Lily perguntou.

— O Pepper está morto, ela é a próxima!

— O Pepper... Morreu? — Alice tapou a boca. — Você não conseguiu impedir? Seu... Inútil!

Alice pulou em cima de Bobby, dando socos em seu peito.

— Você o deixou morrer mesmo eu tendo te avisado, seu desgraçado, seu...

O rapaz segurou os pulsos de Alice com firmeza, impedindo-a de bater nele. Calmamente disse:

— Vocês precisam encontrar a Jamie, ela está em perigo!

Lily e Matt saíram correndo. Alice agora já não lutava mais, apenas chorava com a cabeça apertada contra o peito de Bobby.

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Jamie estava deitada na banheira do hospital. O bebê estava bem. O médico tinha ido dar a notícia aos amigos. Aquilo era um alívio. Ela estava deitada ali, na água morna, para limpar-se, era uma ordem médica. Mas também era bastante confortável. Havia um aparelho de secar mãos bem ao lado, ligado à tomada. Ele estava preso apenas por dois parafusos: um deles bastante mole.

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— Nós precisamos ver a Jamie! – Lily disse, agitada.

— Não da, o doutor disse que ela precisa ficar em repouso e...

A enfermeira não conseguiu terminar sua frase, pois Matt já disparava para dentro do corredor, à procura do quarto onde a garota estava.

— 150, 160, 170, 180... Aqui!

O rapaz entrou coberto por uma ansiedade gigantesca. Não encontrou Jamie na cama.

— Jamie!

A garota então gritou, do banheiro:

— Aqui!

Matt correu até lá. Jamie estava na banheira de olhos fechados, e Matt viu o exato momento em que o aparelho caiu da parede. Se ele caísse na banheira iria matar Jamie eletrocutada. Mas o rapaz foi mais rápido. Desligou o aparelho da tomada segundos antes de ele cair. O resultado da queda foi apenas um pouco de água para fora da banheira.

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— Vocês que estão acompanhando a Jamie Walker?

Quem perguntara aquilo fora um médico velho. Alice, Bobby e Lubo responderam que sim.

— Bom, ela está fora de perigo, assim como o bebê. Foi apenas um acidentezinho, algo muito comum nos primeiros meses de gravidez. Tivemos sorte de vocês terem-na trazido a tempo. Mais alguns minutos e sabe-se Deus se teríamos a mesma sorte.

Alice sentiu-se aliviada, mas logo lembrou-se de que Jamie ainda estava em perigo.

— Nós podemos vê-la, doutor?

O médico ficou pensativo.

— Apenas um de vocês. Não é bom que ela tenha muita agitação ao seu redor.

— Eu vou. – Alice respondeu. — Qual o quarto, doutor?

— 180.

Alice saiu correndo. No corredor, esbarrou com Matt e Lily, que já voltavam.

— Ela está bem, nós a salvamos de ser eletrocutada. – Matt disse. — Precisamos ter cuidado com o próximo.

— Lubo!

O grupo correu em direção à sala de espera, onde Bobby e o rapaz estavam calmamente sentados.

— Como a Jamie está? – Bobby perguntou.

Matt gaguejou:

— Nós a salvamos, eu acho que ela foi pulada.

Lubo engoliu em seco.

— Então agora sou eu, não é?

Todos ficaram em silêncio.

— Haha, não precisam ficar tão sérios assim, gente. — O rapaz riu fracamente. — Eu acho que posso aguentar alguns meses vivo. Afinal, a morte não iria ser cruel com um garoto cego, não é?

Ninguém respondeu. Bobby apenas tocou o ombro de Lubo.

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Bobby e Lily levaram Lubo até em casa. Ao chegar lá, Lily teve uma ideia: começou uma revolução no quarto do rapaz, tirando todo e qualquer objeto que pudesse causar sua morte.

— Isso é meio triste, mas você precisa ficar nesse quarto o máximo que puder, ok? Até a Jamie ter o bebê e... – Lily falava, mas foi subitamente interrompida por Lubo.

— Tudo bem. – Ele riu. – Vai ser como voltar no tempo. Quer dizer... Foi assim que passei os dois anos que se seguiram à minha perda de visão.

Lily e Bobby ficaram em silêncio. Eles sabiam da história de Lubo, embora não com detalhes, já que nunca ousaram perguntar. Mas será que não era chegada a hora? Afinal, eles já haviam compartilhado tantas coisas, passado por maus bocados...

— Você nunca falou sobre isso, Lubo. – Bobby arriscou. – Eu sempre tive curiosidade em saber, mas nunca tive coragem de tocar no assunto.

O outro rapaz sorriu de canto de rosto.

— Eu tinha seis anos. Eu e meu primo estávamos brincando de soltar bombinhas, sabe? Coisa de criança. Ele pediu pra eu acender e sair correndo. Eu acendi, mas não fui rápido o suficiente. Sabe como é, eu sempre fui meio desajeitado. Então a bombinha explodiu e algumas fagulhas entraram nos meus olhos. Eu cocei e fiquei desesperado. Mamãe me levou ao médico o mais rápido possível, mas já não havia tempo. O dano era irreversível.

Bobby e Lily permaneceram em silêncio.

— Eu passei os dois anos que se seguiram enclausurado. Parei de ir à escola e passei todo esse tempo aprendendo braile e tendo aulas particulares em casa. Só com nove anos eu tive coragem de sair do meu quarto novamente e começar a estudar numa escola junto com as outras crianças.

— Foi quando nós nos conhecemos. – Bobby sorriu. — Lembro até hoje como foi. Você estava vindo com a sua bengala com vários adesivos do Demolidor, quando aquele babaca do Olive te empurrou. Eu vi a cena e botei-o pra correr, já que era bem maior do que ele. Naquela hora eu ainda não sabia que você era cego, lembra? Eu sempre fui meio tapado, haha.

Lubo riu alto.

— Claro que eu me lembro. E você me estendeu a mão e disse: tudo bem, não precisa me cumprimentar então, mal educado.

Os dois riram, assim como Lily.

— Bons tempos... – Bobby repetiu para si mesmo, tentando se convencer de que o amigo ficaria bem.

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Lily decidiu voltar para sua casa, assim como Bobby. Alice também foi para a sua, enquanto Matt resolveu ficar no hospital com Jamie. Ele queria ter certeza de que nada aconteceria a ela e ao seu filho.

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Bobby chegou em casa e viu sua mãe abatida no topo da escada.

— Mãe, aconteceu alguma coisa?

A mulher sorriu, embora ainda triste.

— Sua irmã vai morar com a sua avó mesmo. Ela viaja esse fim de semana.

Bobby abraçou a mãe.

— Dou uma semana pra Melissa se encher da vovó e voltar correndo pra nós, huh?

Jane sorriu e abraçou o filho.