Prelúdios Etéreos I: A Ascensão
8 Capítulo 7
Não foi o que Sophie chamaria de “sono agradável”.
Claridade. Muita claridade.
Sua visão estava turva. Viu alguns borrões acima dela, e à medida que tudo voltava ao foco, entendeu as silhuetas como pessoas observando-a.
Quanto tempo se passara? Apesar de não conseguir raciocinar muito bem, Sophie se esforçou para pensar logicamente e presumiu estar na enfermaria da Academia.
Virou a cabeça para a esquerda, ainda tonta. Uma grande janela e a luz forte revelavam um dia ensolarado lá fora.
Lá fora. Como se ao sair dali, tivesse liberdade. Além daquele prédio, a Academia era protegida por uma muralha circular de dois mil metros de diâmetro.
— Ela acordou! – foi o que ouviu de uma pessoa próxima.
Sua cabeça ainda doía.
A pessoa que falara pôs a cabeça em seu campo de visão e sorriu pra ela. Era uma garota loira. Conseguiu distinguir apenas isso, pois a visão permanecia tão turva como a de alguém debaixo d’água.
— Se quer mesmo ajudar, pegue aquele lenço e coloque sobre a testa dela. – ouviu uma voz de homem adulto falar. O que parecia ser o médico da enfermaria estava ocupado procurando algo em uma gaveta no criado-mudo à direita de Sophie.
A garota obedeceu, pegando um pano umedecido e posicionando-o com cuidado na cabeça de Sophie, que não protestou. Ela mal conseguia permanecer desperta, imagine se movimentar de forma brusca.
De repente, como que um raio atravessando sua mente de uma ponta a outra por uma fração de segundos, ela se lembrou.
O sonho.
Queria explicações. O sonho fora tão nebuloso quanto estava sua visão após despertar.
Mas ela sabia que havia sido um pesadelo. E algo muito importante fora dito a ela. O grande problema era conseguir se lembrar. Era como se o detalhe crucial do sonho houvesse sido apagado de sua mente. Por completo.
Embora a última coisa que quisesse fazer fosse ouvir a voz em sua cabeça novamente, Sophie sabia que era o que devia fazer.
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