Preconceito
7 Amor e ódio
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo.
Hibari olhava pela janela de seu quarto, o belo céu azul. O chá que estava em cima da mesa tinha um cheiro agradável, com certeza Kusakabe havia preparado tudo com perfeição. O Guardião da Nuvem dos Vongolas, levantando-se de sua almofada, foi até a sala para pegar a correspondência em cima da mesa. Mesmo Dino insistindo em contratar uma empregada para o moreno, Hibari continuava com a sua típica mania de ficar sozinho.
Parou em frente à mesa e mexeu nas cartas. A maioria era de contas e ofertas, mas teve uma que chamou sua atenção. A carta vinha em um envelope de cor azul, o cheiro do perfume da mulher era reconhecível e aquilo causou um sentimento nostálgico no japonês. Hibari teve a certeza de que era mais uma carta de sua mãe. Voltou ao quarto e abriu o armário, procurando uma caixa de madeira. Pegou a caixa e a abriu, colocando a carta junto de suas semelhantes.
— Mesmo depois de tanto tempo, você ainda me manda suas palavras — Ele riu de forma triste, se culpando pelas lágrimas de sua mãe.
Ouviu a voz do Guardião da Chuva dos Vongolas. Já era de imaginar que Tsuna não iria demorar a cumprir a sua palavra de mandar um "amigo" para vê-lo. Hibari sabia que o Guardião do Céu era uma boa pessoa, não se importando mais com as loucuras do castanho. Os anos haviam ensinado a Hibari de que ter os Vongolas por perto não era uma má ideia.
xxx
Dino estava em seu escritório, na Itália, arrumando as finanças de sua família. Desde que ele havia entrado para a máfia, sua família havia crescido muito, tornando-se uma das mais importantes de toda a máfia. Mas não era por aquele motivo que o loiro estava nervoso, e sim pelo fato de seu namorado precisar de dinheiro para o tratamento.
— Café senhor? — Uma das empregadas da casa tinha acabado de entrar na sala com uma bandeja.
— Obrigado Marta. Mais tarde — Dino, que não havia percebido a mulher entrar, tamanho a sua concentração, respondeu de forma simples.
- Mas meu senhor, já são nove da noite e você não comeu nada durante a tarde inteira! — Marta era uma empregada dedicada, tendo praticamente visto Dino crescer. Ela se preocupava muito com ele.
Dino suspirou antes de concordar. Ele não poderia cuidar de Hibari ficando doente — Traga-me alguma comida e um suco de laranja, por favor.
Ela sorriu e obedeceu. Desceu as escadas e foi para a cozinha com tanta pressa, que assustou os outros empregados da casa. Todos ficaram felizes ao saber que o chefe iria comer.
xxx
Romário bateu na porta do escritório querendo saber se Dino precisava de alguma coisa. Como o esperado, o loiro demorou a responder, fazendo seu subordinado bater novamente. Após ouvir o baixo "Pode entrar", o mais velho encarou o chefe.
— Tsuna ligou e perguntou o dia que você estará livre pra visitar a casa do Clã Hibari — O braço direito da família Cavallonne sabia que aquele encontro poderia mudar muita coisa na vida do jovem casal.
— Diga que poderei ir na próxima semana. Dino tinha interesse na família de seu namorado, mas ele ainda não acreditava na versão do moreno.
— Eu direi — Romário disse, sorrindo — Chefe, se me permite dizer, o que acha que irá descobrir nesse encontro?
— Não sei. Talvez algo que me ajude a entender Kyoya — Dino parou de mexer nos papéis — Bom, eu vou jantar e dormir. Dispensado.
Romário fez uma referência e saiu da sala. Dino se lembrava de tudo o que havia ouvido.
Flash Back on:
Hibari estava sentado na cama do hospital e Dino encarava-o de forma séria.
— Vai dizer o que quero saber? — Dino estava nervoso. Ele passou anos tentando fazer o japonês falar e agora tinha a chance que sempre sonhou.
— Minha mãe era filha de uma sacerdotisa do templo, então isso deve explicar o porquê de eu viver lá — Um sorriso amargo formou-se no rosto do Guardião da Nuvem dos Vongolas — Meu pai era descendente de uma tradicional família japonesa, então o casamento deles foi arranjado — Hibari parecia querer evitar falar aquilo em voz alta, mas não havia outra forma — Meus pais viviam de forma agradável. Após alguns anos eles começaram a se amar, e foi no terceiro ano de casamento que ela deu a luz a mim.
Uma longa e estranha pausa foi feita. O ouvinte estava tentando compreender tudo o que havia escutado. Era lógico que Dino não concordava com esses casamentos por encomenda, mas sabia que às vezes essa prática absurda poderia salvar uma família.
Após quase cinco minutos de silêncio, Hibari voltou a falar:
— Meu pai tinha um irmão. Seu nome era Takahiro — Uma grande raiva possuiu o corpo do mais jovem naquele instante — Como manda a tradição, meu tio foi feito líder da família. Mas ele só podia aceitar tal cargo se fosse casado com uma mulher honrada — Novamente as palavras do Guardião da Nuvem saíam com rispidez — Sakura tornou-se minha tia. E meu tormento.
— Por quê? — Dino notava o tom raivoso do namorado.
— Ela é uma mulher adultera e forçou-me a fazer algumas coisas. No princípio, eu recusei, mas ela ameaçou minha mãe. — Hibari não olhava para Dino enquanto falava sobre aquilo.
— Kyoya — O loiro chamou o moreno — Vocês tiveram um caso? — Dino não era burro. Assim que o mais jovem começou a falar, ele já havia percebido.
— Não foi um caso. Aquilo estava mais para um acordo — Hibari odiava aquela lembrança — Depois de um tempo, eu fugi de casa e fui morar com a minha avó — mentiu.
Flash Black off.
Dino sabia que Hibari havia mentido e apenas uma pergunta vinha em sua mente: por que Hibari mentiu? Assim que terminou de jantar, Dino foi para seu quarto descansar. Teria um dia cheio depois.
xxx
Tsuna esperava o chefe da família Cavallonne no aeroporto. Qualquer pessoa que olhasse naquela direção via um grupo de jovens bem vestidos — já que todos estavam de terno -, esperando um amigo. Algumas pessoas pensavam que eles até pareciam ser agentes de uma grande empresa a procura do representante que estava para chegar, ou até fizessem parte da máfia. Para a infelicidade dos homens de bem, a segunda opção era verdadeira.
O Guardião do Sol havia ido comprar Cup Cakes para todos, enquanto o Guardião da Chuva ficava bolinando o Guardião da Tempestade, mesmo que Gokudera estivesse fugindo dele. Lambo e Tsuna eram os únicos que realmente pareciam concentrados em esperar o loiro.
— O voo está atrasado — Falou o castanho enquanto olhava o relógio pela terceira vez.
— O tráfego aéreo é uma porcaria — Reborn, acabado de chegar, comentou.
— Espero que não demore muito, não quero ter que remarcar com eles — Tsuna imaginava que a família do Guardião da Nuvem era tão rude e disciplinada quanto ele.
Passaram-se dez minutos até Dino aparecer no corredor de desembarque. O loiro, como era de costume, trouxe seus subordinados consigo. Tsuna levantou-se e foi dar as boas vindas ao velho amigo.
— Fez uma boa viagem? — O jovem chefe Vongola estava preocupado com Dino.
— Fiz. Só tivemos alguns problemas na hora da decolagem, então nós atrasamos — Dino sorria constrangido para o menor. Não era agradável falar que teve problemas para acordar antes de pegar o avião.
— Quer descansar primeiro? — Mesmo sendo mais novo, a preocupação com sua família e aliados mostrava que Tsuna era uma boa pessoa.
— Não, eu estou bem — Dino olhou para seus subordinados — Mas acho que vou deixa-los irem para o hotel. Não quero que eles fiquem cansados.
— Entendo perfeitamente — Tsuna também percebeu que os subordinados do loiro estavam cansados – Bom, vamos indo.
xxx
Como o combinado, Dino levou seus subordinados para o hotel e foi — acompanhado por Tsuna — para a casa da família de Hibari.
A casa era um lugar bonito e cercado de sakuras. Dino ficou encantado com toda aquela beleza e Tsuna achava tudo muito interessante. Foram recebidos por uma serviçal que os levou para uma sala onde esperariam pelo dono da casa.
Porém, quem abriu a porta foi uma menina vestindo um kimono azul escuro. Seu cabelo negro estava preso em coque e sua pele pálida dava um efeito de porcelana a ela. Dino surpreendeu-se ao vê-la, sorrindo de forma doce.
— Meu pai não está aqui — Ela falou olhando para os dois.
— Nós perdoe por não ser aquele que você procura — Dino queria ser gentil com ela. Ele sempre gostou de crianças — Quer um doce, menina?
— Só se o recheio for de cereja — Ela sorriu, aproximando-se do loiro.
— Eu tenho esse também — Ele sorriu, tirando o tal doce do bolso do casaco. Ele sempre guardava doces com o sabor cereja para o seu amado.
— Não toque nisso, Azumi! — A voz grossa e autoritária vinha do corredor. Um homem com o semblante frio olhava para eles.
— Desculpe-me, pai — A menina encolheu-se com medo dele e saiu da sala o mais rápido possível.
— Desculpe-me — Dino não gostou daquela pessoa — Ela não teve culpa, fui eu quem ofereceu o doce. E para seu saber, eu não pretendia fazer nada.
— Não quero que minha filha toque em coisas como vocês! — Takahiro era um homem difícil.
— Acho que você está enganado. Afinal, nós três pertencemos a máfia — Tsuna disse impondo-se naquele conversa.
— Não confunda. A máfia é uma coisa, mas isso é nojento! — Takahiro falava com impaciência.
— Então, nos perdoe por vir até aqui. Pode ter certeza que não pisaremos mais em sua casa — Tsuna levantou-se da almofada — Vamos embora, Dino!
Takahiro não disse mais nada, apenas sorrindo com satisfação daquela cena. Dino não compreendeu o que aquilo significava, mas obedeceu a ordem do mais novo.
Enquanto saíam, Dino via de longe a menina brincar em um quarto. Ele sorriu com aquilo.
Quando já estavam na calçada, ouviram uma voz pedindo para que eles parassem.
— Esperem, por favor — Uma bela japonesa vinha correndo atrás deles.
Dino e Tsuna obedeceram ao pedido dela, parando e a esperando.
— Obrigada — Ela disse sorrindo. Dino estremeceu pela semelhança entra ela e seu amado Kyoya.
— Sei que não devo, mas, por favor, digam-me se Kyoya está bem.
— Não quero dar falsas esperanças ao seu coração, senhora, mas Hibari está com leucemia — Tsuna agia com ternura.
— Deus — Os olhos dela encheram de lágrimas e sua voz falhou.
— Não se preocupe. Nós estamos cuidando dele — Tsuna sorria para ela tentando alegra-la.
— Obrigada. Fico feliz em saber que Kyoya teve a sorte de encontrar boas pessoas como vocês. Sinto-me mais tranquila desde que ele deixou a casa, pois agora Takahiro não pode encostar um dedo nele — Ela sorria de forma triste ao dizer aquelas palavras.
— Sabemos senhora, não se preocupe com isso — Ao ouvir aquilo, ela despediu-se e foi para casa.
Dino acompanhou a mulher com o olhar até que ela tivesse chegado e encarou Tsuna, o indagando: — Por que fez aquilo? E porque ela parecia feliz com a partida de Hibari?
— Hibari deixou a casa porque Takahiro devia bater nele, ou foi expulso por algo que ele não quis renunciar.
— E que coisa foi essa capaz de fazer o Kyoya ser expulso de casa? — Dino não havia entendido nada.
— Por amar você — Tsuna encarou Dino com um semblante sério — Takahiro acha seu relacionamento com Hibari nojento.
Fale com o autor