Preconceito
8 Uma surpresa inesperada
O sol podia brilhar do lado de fora, mas dentro do escritório particular do Chefe Cavallonne tudo parecia tempestuoso. Dino não gostava de saber que o seu Kyoya tinha sido maltratado por um homem como Takahiro. O loiro entendia que havia pessoas preconceituosas no mundo, e mesmo isso sendo uma infelicidade, nunca tinha imaginado que o seu namorado sofria isso e que vinha de sua própria família! Aquilo era uma monstruosidade!
A raiva de Dino era algo raro de se vê, mas naquele momento ele não se importava com a sua boa postura e a sua educação, ele queria mesmo era socar Takahiro e Sakura até a morte. Um sorriso divertido formou-se nos lábios do italiano, o sorriso tinha um ar saudoso já que fazia ele lembrar da frase predileta de seu pupilo.
- Talvez seja a convivência — Dino ria sozinho naquela sala, já era normal para ele lembrar do namorado, então nem se importava com aqueles belos pensamentos.
A porta se abriu e uma empregada entrou informando que o almoço estaria pronto em cinco minutos. Dino sorriu e viu ela partir. O loiro não estava com vontade de comer, mas para não preocupar a sua família ele comia um pouco. Aquela dieta estava sendo seguida desde que voltara do Japão, todos sabiam o motivo e ninguém o obrigava a comer mais ou além do que ele queria, afinal todos na casa também estavam abalados.
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No consultório encontrava-se três pessoas, o guardião da nuvem dos Vongolas, o guardião do trovão, também Vongola, e o médico. Hibari prestava, com muita atenção, as palavras do médico e quando não as compreendia fazia perguntas para ele, a situação estava daquela forma havia vinte minutos, e Lambo por sua vez não dizia uma palavra.
O médico explicava coisas sobre a doença, como ela funciona e as maneiras de ser tratada. A parte que mais chamou atenção do guardião da nuvem foi as formas de cura. Sim, leucemia aguda tinha uma forma de cura, o problema e que ela é muito arriscada e nova, por isso, muitos médicos ainda achavam imprudência usá-las em qualquer paciente, pois se algo na recuperação desse errado não ia ter outro jeito a não ser uma morte lenta e dolorosa.
Nem precisamos citar a face pálida do guardião do trovão, Lambo sentiu medo e tristeza ao ouvir aquelas palavras. Mas Hibari, como era de seu costume, mantinha a face severa sem se importar com os riscos.
- Há muitos pacientes aqui, por que não podem fazer uma cirurgia? — Hibari sabia que aquele era um hospital conhecido pelo seu ótimo atendimento, mas não entendia o porquê deles não terem realizado as cirurgias.
- Na maioria dos casos de leucemia aguda são jovens de oito a dezesseis anos que a contrai, e por eles serem muito frágeis não ariscamos, pois eles podem precisar de sangue — o médico não gostava de assumir as fraquezas de seu hospital.
- Mas não é só colocar mais sangue neles? — pela primeira vez, desde que havia encontrado Hibari, Lambo usou a sua voz. A pergunta foi simples e inocente, mas teve uma reação triste no médico.
- Infelizmente falta sangue no banco de sangue, bem que queríamos poder ajudar, mas apenas os médios não é suficiente, afinal há outras doença que também necessitam de transfusão e isso fica complicado quando a sociedade é negligente — por mais que o médico fosse um homem com a aparência fria, ele tinha um bom coração e via o que acontecia a aqueles jovens.
- Mas... Não há nada que podemos fazer? — Lambo estava atordoado, nunca havia prestado atenção aos pedidos para doar sangue ou órgãos, fazia isso lá uma vez ou outra, mas não com frequência.
- Não muita coisa, mas podemos fazê-los viver por mais tempo e serem felizes, é apenas isso — o médico tentava alegrar o jovem guardião do trovão, que naquele momento estava com uma cara de choro.
- Quando começará meu tratamento? — Hibari cortou o assunto de forma fria, ele sabia que aquilo era verdade, por isso não se apavorou.
- Daqui a três dias ligaremos para a sua casa, quando você chegar aqui uma enfermeira irá te mostrar o teu leito — o médico tentou sorrir para o mais forte dos guardiões Vongolas.
- Certo — Hibari levantou-se e saiu da sala.
Lambo agradeceu ao médico e seguiu o mais velho. Hibari não entendia porquê aquele filhote de herbívoro era tão fiel a Tsuna, a ponto de seguir Hibari em todo lugar. Mas como o guardião do trovão não fazia barulho e mantinha uma distância boa estava tudo bem.
Ao chegar em casa percebeu que Lambo deu meia volta e foi para a casa dele, o que foi ótimo, já que não gostava de ser tratado como um demente ou alguém que devia ser vigiado o tempo inteiro.
Como era de seu costume, foi para a cozinha preparar um chá, algo que ele amava, e apreciar o silêncio que predominava a casa. Mas naquele dia ele sentiu-se só, ele sempre gostou de ficar sozinho, mas parecia que não aguentava mais a solidão, que a sua melhor amiga havia se tornado um tormento para ele. Não era a primeira vez que sentia-se sozinho, na verdade essa era uma das milhares de vezes que sentia falta de alguém. E o que deixava o moreno mais irritado ainda era que ele sabe quem devia está ali.
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Tsuna andava de um lado para o outro, nada que seus guardiões diziam era capaz de deixá-lo calmo. O grande guardião do céu estava impaciente pela demora sobre notícias do guardião da nuvem e o guardião do trovão.
- Acalme-se Tsuna — falou o guardião da Chuva, não era bom vê o dono do jogo agir daquela maneira — eles já devem está chegando.
- Eu espero que sim Yamamoto — Tsuna sentou-se na poltrona, pois já estava cansado de andar.
- Beba isso Juuidame — disse um belo albino que entrava na sala carregando uma bandeja — Irá te fazer bem — Gokudera sabia melhor que todos de que seu chefe não comia direito quando estava nervoso ou preocupado, era incrível imaginar que aquele menino não havia mudado muito desde o colégio.
- Obrigado, Gokudera-kun — Tsuna sorriu para o amigo, era um riso forçado, mas Tsuna tentava demonstrar que estava tudo bem.
A sala de reunião dos Vongolas não tinha nada de mais, apenas umas poltronas, livros espalhados e uma mesinha no centro. Qualquer um que entrasse ali ia, naturalmente, pensar que alguém muito atrapalhado ou briguento havia feito uma visita naquele lugar, o que não era parcialmente mentira, já que naquela sala sempre acabava destroida graças a uns problemas entre guardiões.
Não demorou muito tempo para se ouvir uma voz conhecida passando pelos corredores, e quando a porta se abriu os três homens que encontravam-se no local estavam suando frio.
- Tadaima — um jovem e belo rapaz de cabelos negros e olhos verdes pode ser visto entrando na sala.
- O que houve lá, Lambo? — Tsuna estava nervoso, e por isso havia sido rude com suas palavras.
- Bom o tratamento começará daqui a três dias — mesmo que ele falasse de forma calma, sua expressãonão era boa — Ele irá ser tratado de forma normal, com a quimioterapia, a parte mais dramática do tratamento é esta — fez uma pequena pausa para recordar o que tinha ouvido — Os médicos estão querendo avaliá-lo para vê se ele vai precisar de uma cirurgia ou não.
- Cirurgia? Você tá falando do transplante de médula? — o guardião da tempestade nunca foi burro, e ele gostava de se manter sempre bem informado, por isso lia jornal.
- Essa mesmo, pelo que parece e a forma mais segura que tem, mas há algumas complicações — Lambo relatou a eles tudo o que havia sido dito naquele consultório e quando acabou encarou os amigos — Foi isso que aconteceu lá.
- Entendo — Tsuna estava cansado e até mesmo triste pela situação de Hibari, mas não ia perder a sua vez — Gokudera-kun reuna todos, pois iremos doar sangue, mesmo que não sejamos compatíveis!
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Dino mantinha a sua rotina com disciplina, algo que havia aprendido com seu pupilo, de manhã café, depois trabalho, depois almoço, trabalho novamente, pausa para o lanche, e um banho confortável antes do jantar para ir dormir.
A doença de Hibari havia afetado ele de forma dramática, tanto que todos os aliados de sua família preocuparam-se com aquele estranho comportamento do loiro. Dino não gostava de falar sobre aquilo, mas quando era interrogado dizia que não estava se sentindo bem, o que era mentira, afinal não era ele que estava doente.
Naquele dia havia recebido a notícia do que o tratamento começaria logo, então queria terminar tudo o mais rápido possível para poder ir vê o Kyoya e está com ele naquele momento. Para falar a verdade, Dino havia sido contagiado por uma alegria sem igual pela notícia do tratamento, deixando todos na casa felizes também.
- Muito obrigado — Dino disse ao telefone antes de desligar.
Dino olhou pela janela e viu o céu azul com nuvens, sorriu ao lembrar que logo estaria com o amante novamente. Mas uma tempestuosa lembrança veio em sua mente fazendo ele ter raiva e desmanchar o belo sorriso.
Flash back on:
Depois de dizer aquelas palavras, Tsuna entrou no carro e esperou Dino fazer o mesmo, o italiano ainda ficou parado na calçada por mais alguns minutos antes de adentrar no veículo.
A viagem não teve problemas, apenas um silêncio desconfortável entre os passageiros. Quando Tsuna não aguentou mais aquilo começou a falar.
- Desculpe-me por falar daquela forma, mas no Japão Dino — fez uma pequena pausa escolhendo as palavras — as famílias são muito tradicionais, então há aquelas que não aceitam, e também há aquelas que maltratam — Tsuna falava com um pouco de frieza, mas podia perceber que ele pedia desculpas — E infelizmente a família do Hibari é desse tipo rude.
- Rude?! — Dino zangou-se — Aquilo é desumano!
- Eu sei, só que isso no Japão ainda é estranho, por favor tenha paciência — Tsuna tentava animá-lo.
- Tentarei Tsuna, tentarei... — o loiro estava abalado, não conseguia entender de como uma família podia ser desunida a esse ponto.
- Dino-san se quiser leve o Hibari-san para Italia, deve haver bom hospitais lá e você poderá cuidar dele — Tsuna tentava alegrá-lo.
- Não, será arriscado, afinal podem tentar matá-lo apenas querendo saber o que ele sabe e além disso ia deixá-lo triste — Dino entendeu que Tsuna só estava tentando animá-lo, mas nunca ia deixar seu amado sofrer mais do que já tinha.
Flash back off
Dino não gostava do que tinha ouvido e, por isso, ele agora entendia os motivos de Kyoya ser do jeito que era.
Romário entrou com uma face severa, tirando seu chefe de seu mundo de pensamentos.
- Senhor, você tem visitas — disse o subordinado saindo de frente da porta.
Naquele exato momento uma bela mulher vestida com um kimono rosa e usava uma encharpe azul clara entrou na sala. Dino ficou pasmo, reconheceu naquela mulher os traços belos e finos do Kyoya. A mulher que veio visitá-lo era a mãe de seu amado.
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