Pra Você Guardei o Amor
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Quero dar as boas vindas a KF Boros que deixou lindos reviews nos 04 primeiros capítulos e agradecer de coração a Nyu Lan que gentilmente betou o capítulo para mim!
Meiji meu doce, não respondi suas MP´s porque parei de receber as notificações do Nyah por ter usar e-mail do hotmail... Espero que o capítulo atenda suas expectativas!
Da mesma forma não recebi notificações de muitos reviews então peço desculpas a todos por não ter respondido ainda ok?
Desejo a todos uma ótima leitura!
Itachi acordou sem vontade de existir. Estava esgotado emocionalmente e alquebrado fisicamente, mas estava completamente desperto! Suspirando pesadamente levantou e caminhou até o banheiro. Ligou o chuveiro e parou por um momento olhando-se no espelho.
Algo havia mudado em si durante a noite. O olhar de menino que adornava seus olhos não estava mais ali e nem sequer o vermelho vivo. Agora havia um olhar mais profundo e rubro e por mais que não quisesse admitir sabia por quê.
Entrou no chuveiro deixando a água lavar-lhe de vez o torpor da noite mal dormida. Fechou os olhos permitindo-se pensar no propulsor daquela mudança... Podia ser imaturo com relação a certas coisas e até mesmo ingênuo para outras, mas não era inocente como Madara gostava de acreditar.
Sabia por mais que não quisesse que tudo mudaria depois do que ele sentira na noite passada... Desejo, paixão, amor... Não estava equivocado. Nunca tinha sentido nada assim tão forte por ninguém, mas sabia reconhecer as sensações e se não bastasse isso... Madara também havia sentido! Bom Deus... Tinha certeza de que ele também havia sentido!
Se não fosse o batimento descompassado do coração de Madara tão igual ao seu, jamais pararia para pensar que o que vira refletido nos olhos dele naquele momento não pertencia apenas a si. E poderia até estar imaginando coisas, mas ele quis se soubesse o que estava sentindo.
— Mas não faz sentido... — falou massageando as têmporas com suavidade — Madara é homem feito... Tem alguém que embora seja apenas um amigo, preenche as lacunas de sua vida. Por que sentiria algo tão magnífico por mim?
Então a compreensão surgiu do nada. Madara era um homem ocupado, um profissional respeitado e que gostava de manter sua privacidade. Não era dado a saídas furtivas e como ele mesmo lhe havia dito não era promíscuo também. Podia ser carência, solidão... Assim como o que havia sentido também podia ter sido motivado por isso... Não podia? Havia o doce e a música... Seu cérebro devia ter liberado muita endorfina e havia causado tudo aquilo... Nele e no tio... Certo?
— Então porque não me sinto melhor com esta conclusão? — perguntou-se escorregando no Box até sentar-se no chão abraçando os joelhos.
Claro que tinha visto amor nos olhos de Madara; ele era seu tio afinal. Pelo menos isso não tinha sido fruto de sua mente embriagada de substâncias perigosas... Mas queria tanto que o resto também estivesse ali espontaneamente! Arregalou os olhos ao pensar nisso e bateu com a parte posterior da cabeça no azulejo.
— Itachi, você é tão infantil! — reclamou — Fácil de entender porque Madara esperou que fizesse dezoito anos para lhe contar que é bissexual! Ele mal contou e você misturando as coisas desta maneira... — falou amargurado consigo mesmo — Lixo de Q.I. que só serve para faculdade e trabalho!
Levantou-se decidido a esfregar-se até conseguir fazer passar pelos poros a realidade. Madara lhe amava muito sim e tinham intimidade suficiente para se permitirem sentir-se bem nos braços um do outro como aconteceu na noite passada, mas o resto havia sido... Causado pelo momento, pelo doce, pela música... Vinho! Tinham bebido vinho também! Olha quanta coisa pra fazer ambos liberarem geral!
Respirou fundo mais aliviado por ter conseguido compreender tudo que tinha acontecido sem chatear Madara com sua imaturidade, mas nem por isso sentiu-se mais a vontade para encará-lo. Por que se ele tinha notado o que havia acontecido, claro que seu tio também tinha!
E com certeza esperaria dele alguma atitude a respeito, nem que fosse encher-lhe a cabeça de perguntas infundadas sobre coisas que sinceramente tinham sido maravilhosas de se sentir, mas que tinham um fundamento científico... E o pior é que iria sim, queria fazer todas as perguntas do mundo e repeti-las até a exaustão sofregamente para quem sabe numa das muitas vezes que Madara repetisse a resposta, caísse em contradição e dissesse que tinha sido mais do que aquilo.
Por isso, pela primeira vez, não sentia que seria maravilhoso ficar sozinho em casa com ele... E isso doía porque tinha sido ideia sua ficarem ali juntos e não tinha coragem de dizer que não era o que queria porque caramba... Era o que queria! Mas naquele dia não podia; não conseguiria.
Tomou seu banho e vestiu-se com simplicidade, saindo de seu quarto cabisbaixo. Descia as escadas quando notou vozes animadas vindas da cozinha. Caminhou até a imensa vidraça da sala e reconheceu parados do lado de fora da casa os carros de Hidan, Nagato e Kabuto.
Arqueou as sobrancelhas com um suave sorriso se formando em seus lábios. Essa inesperada visita só podia ser coisa de seu tio. Ninguém simplesmente se convidava a aparecer na casa de Madara sem seu prévio consentimento.
Parou no batente da porta da ampla cozinha de braços cruzados e ficou assistindo Madara tomando café e lendo notícias pelo notebook, enquanto Hidan fazia panquecas doces e distribuía por pratos nas mãos de Nagato, Konan e Guren. Kabuto enchia canecas de café.
— Bom dia criança! — cumprimentou Kisame surgindo sabe-se lá de que lugar da casa passando o braço ao redor do ombro de Itachi lhe assustando — Panquecas e café para ele também gente!
— Bom dia Kisame. Bom dia família. — cumprimentou sorrindo recebendo acenos e cumprimentos de todos.
— Bom dia tio... — cumprimentou sem jeito, mesmo tentando soar normal.
— Bom dia! Dormiu bem? — perguntou Madara tomando um longo gole de café antes de olhar para o sobrinho e quando o fez Itachi já caminhava até Kabuto e a máquina de café.
— Demorei um pouco, mas sim, dormi bem. — mentiu — Demorou ainda para subir? Não, o ouvi entrando no quarto.
— Acredita que peguei no sono aqui embaixo? Acordei hoje cedo.
Itachi servia café para si quando ouviu a resposta do tio. Franziu o cenho estranhando aquilo e ao terminar de ser servido agradeceu, recostando-se na pia.
— Algum motivo especial? — perguntou tomando um gole do café forte e saboroso que só Madara sabia fazer.
— Não. Fiquei curtindo o calor do fogo e barulho da chuva um pouco mais e nem notei quando dormi. — disse voltando a olhar na tela do note.
— Eita! Noite movimentada de vocês pelo jeito não? — provocou Kisame.
— Não... Pelo contrário. — respondeu Madara olhando significativamente para Itachi — Dormimos até bem tarde, conversamos, nadamos, comemos, ouvimos música apreciando um bom vinho e a chuva e depois fomos dormir.
— Aliás, a estrada deve estar bastante escorregadia depois do tanto que choveu. Deve ter sido uma aventura vir até aqui! — comentou Itachi dando de ombros.
— Família tem dessas Itachi; enfrenta mal tempo, lamaçal, preguiça... Tudo para matar a saudade dos membros mais antissociais! — respondeu Hidan piscando para Itachi que riu divertido.
— O que? EU sou antissocial? Sério mesmo? — quis saber Madara.
— Madara, vamos combinar: se você fosse sociável não moraria no meio do mato, num lugar de acesso quase impossível quando chove! — comentou Nagato entrando na brincadeira.
— Entendi! Bom, já que nem pagando um salário atraente para vocês consigo fazê-los me ver como uma pessoa agradável que simplesmente preza por sua privacidade, então acho que posso diminuir os gastos neste sentido.
— Imagina chefe! Você é um exemplo!
A gargalhada foi geral. Mais pela expressão de Kisame ao fazer tal declaração do que por ela em si.
— Aqui Itachi. Fica com meu prato de panquecas e senta com seu tio para comer enquanto faço as minhas.
— Obrigado Hidan. — respondeu aceitando e sentando ao lado do tio — Obrigado também... Por isto. — disse em tom mais baixo a Madara surpreendendo-o por mostrar saber claramente que aquele pequeno encontro não tinha sido por acaso.
Madara sorriu e o puxou pelo ombro lhe dando um beijo na cabeça. Em poucos minutos estavam todos sentados comendo e conversando.
Depois de colocar as louças para lavar, Itachi desceu com Nagato para a garagem, para mostrar seu presente de aniversário ao amigo. Estavam os dois dentro do carro e Nagato discorria sobre algumas características dele quando notou que o outro não lhe ouvia.
— Itachi?
— O que tem o motor? — respondeu depois de quase um minuto de silêncio total piscando confuso.
Nagato franziu as sobrancelhas analisando-o em silêncio. Itachi suspirou e deu de ombros.
— Desculpe. Estou... Com muita coisa na cabeça. Acho.
— Acha? Itachi passei dez minutos falando com você e um outro minuto em silêncio e você nem notou!
Itachi recostou a cabeça no banco em que estava sentado e fechou os olhos cruzando os braços sobre o peito ao final.
— O que é? Quer conversar?
— Não... Não tem nada demais acontecendo. Só... Estou pensativo.
— Para quem fez dezoito anos há dois dias e estava radiante na balada de aniversário, alguma coisa importante deve ter acontecido para você estar assim agora.
Ah sim! Algo muito importante aconteceu. O problema é que não sabia interpretar a real importância daquilo.
— Itachi?
— Sim? — perguntou ainda de olhos fechados.
Nagato conteve um palavrão com um suspiro resignado. Novamente ele tinha se desligado sem perceber.
— Perguntei se está tudo bem entre você e seu tio.
— Sempre está. Madara é um homem impressionantemente educado, gentil e prestativo.
— E eu nunca ouvi você o qualificando desta maneira.
— Não?
— Não... Sempre ouvi você se referindo à ele como adorável, carinhoso, paciente, encantador... O melhor tio do mundo.
— E ele me provou que continua sendo tudo isso. Só que agora também notei que é educado, gentil e prestativo.
— Provou foi?
— Sim...
— De que maneira?
Itachi abriu os olhos e permaneceu calado, olhando fixamente para frente.
— Isso tem alguma coisa a ver com uma possível revelação que ele só faria quando você completasse dezoito anos?
Itachi virou tão rápido no banco que assustou Nagato.
— Pelo jeito foi isso... — disse Nagato pensativo — Bom, já não era sem tempo!
— Você... Sabia?
— Itachi, eu sou um dos Akatsuki’s originais lembra? Seu tio e Hidan fundaram a empresa, Kisame se juntou a eles pouco depois e o próximo recruta fui eu. E por um bom tempo fomos apenas nós quatro. A grana era pouca, o trabalho escasso, o mercado pequeno demais... A coisa começou a melhorar anos mais tarde.
— Verdade... É que você não é tão mais velho que eu assim; é difícil às vezes lembrar que faz tanto tempo que está com eles.
Foi neste momento que algum tipo de alarme maluco soou na mente de Itachi. Nagato... Poderia ser ele, o amigo de Madara? Porque... Se parasse para pensar, ele conhecia Hidan e Madara há bastante tempo. Não tinha estudado com Madara como Hidan no colégio, mas seu tio tinha duas faculdades o que significava que poderia sim ter estudado com Nagato e...
— ITACHI?!
— Nagato você tem algum tipo de amizade colorida com meu tio? — perguntou antes que pudesse se conter.
— Eu o que? — perguntou Nagato empalidecendo completamente — De onde diabos tirou isso Itachi? Eu tenho namorada esqueceu? E sou completamente fiel a ela!
Itachi comprimiu os lábios morto de vergonha por ter perguntado aquilo para o amigo. Claro que ele não tinha nada com Madara... Não podia se deixar levar deste jeito e ficar criando este tipo de conexão entre seu tio e os amigos dele ou ia surtar.
— Desculpe... Madara realmente conversou comigo sobre a orientação sexual dele e... Bom você sabe; sou insuportavelmente curioso! Acabamos conversando mais sobre o passado dele, sobre o relacionamento dele com minha família e sobre outros relacionamentos dele e acabou que me confidenciou ter um amigo que... Não é só um amigo.
— Mas não mencionou quem é?
— Não... Disse apenas que Hidan o conhece.
— E o que sentiu com tudo isso?
Itachi ficou calado pensando. Tinha sentido tanta coisa e ainda estavam aparecendo coisas novas o tempo todo. Não sabia nem como começar a falar do que estava sentindo.
— Comece me contando qual foi a primeira coisa que sentiu.
Só então notou que tinha dado voz aos seus pensamentos e isso o frustrou um tanto.
— Itachi está tudo bem! Sei o quanto é próximo do seu tio e que certamente isso mexeu com você e é normal. Mesmo!
— Por que nunca me contou?
— Por que não era um segredo meu. Mas eu e o Hidan temos tentado de toda forma convencer Madara de que estava na hora de conversar com você. – disse com uma tranquilidade admirável — E da mesma forma acredito que seu tio não revelou mais sobre o tal amigo por não dizer respeito apenas a ele.
— É isso é a cara do Madara. — disse Itachi pensativo — E é o correto na verdade. É que... Foi tão frustrante e doloroso saber que eu não sei tudo sobre ele como ele sabe sobre mim e que...
— Que?
— Que existe alguém mais... Intimo a ele que eu! — desabafou negando culposamente com a cabeça — Eu sei que isso soa estranho Nagato, mas isso doeu e muito.
— Não sei Itachi... Você e Madara tem um relacionamento tão próximo, tão carinhoso. Acredito que no seu lugar eu também me sentiria assim.
— Não Nagato você não se sentiria. – afirmou Itachi com ar sério.
— Por que diz isso?
— Por que Madara é mais para mim do que um tio ou um irmão mais velho.
— Itachi... Como se sentiu com relação a bissexualidade dele?
— Livre.
— Livre?
Itachi apenas concordou com a cabeça e guardou silêncio. Nagato o olhava interrogativamente.
— Cadê o carro? — perguntou Kisame entrando na garagem com Madara, Hidan, Kabuto e as meninas.
Nagato olhou pelo retrovisor e apertou o ombro de Itachi lhe mostrando que estaria ali caso ele precisasse e saiu do carro.
Madara notou o gesto de Nagato antes de sair do carro e comprimiu os lábios. Do que estariam conversando? Sobre ele e Itachi? Sobre a noite passada?
— É um belo carro! — comentou Nagato todo admirado.
— Itachi merece. — garantiu Madara sorrindo para o sobrinho que saía do carro sério, mas que se viu sorrindo com as doces palavras do tio.
Ficaram por ali conversando sobre carros até ouvirem outros carros chegando. Voltaram para cima a tempo de ver o restante do pessoal da Akatsuki descendo dos carros com travessas nas mãos. Só então Hidan lhe contou que cada um tinha levado um prato para não dar trabalho para ele e Madara nem com preparo de comida e nem com sujeira ou bagunça excessiva na cozinha.
Durante a tarde choveu; choveu muito! Acabou a energia e ocuparam seu tempo jogando Imagem&Ação — Filmes só que com mimica e Madara não se lembrava de quando tinha rido tanto na sua vida!
Nunca mais deixaria Kisame em paz após sua mimica da animação “Fuga das Galinhas”! Rolara de tanto rir e segurara a barriga sentindo espasmos furiosos.
Da mesma forma gargalhou quando Kabuto, sempre tão tímido teve fazer mimica do filme “King Kong”. Não satisfeito em imitar o Gorilão batendo no peito, resolveu imitar Jessica Lange gritando amarrada em frente ao bicho. A sala explodiu em risadas das mais esquisitas possíveis nesta hora.
Numa das muitas rodadas que jogaram, saiu o filme Moonwalker para Itachi fazer a mimica e Madara se perdeu assistindo os movimentos perfeitos do sobrinho. Ele fingiu usar um chapéu na cabeça e seu olhar misterioso e vermelho enquanto fingia segurá-lo com a aba baixa o deixou com a garganta seca. Ao menos teve certeza de que ninguém notou já que Itachi imitou os passos tão bem que foi acompanhado por palmas.
Quando a noite começou a cair e já não era possível distinguir com clareza movimentos e gestos mesmo com lanternas potentes, resolveram jogar Forca numa lousa branca para canetão que Madara tinha na garagem só que não era com palavras; era com trechos de músicas e divididos em duplas. Aí virou guerra. Quando a luz voltou o “aaaaahhhhh” foi geral, mas como já estava ficando tarde e a chuva tinha dado uma trégua, Madara expulsou todos de sua casa sem remorso.
Quando deixaram de ouvir o barulho dos motores dos carros, tio e sobrinho se olharam e caíram numa gostosa gargalhada.
— Meu Deus! Convivo com um bando de loucos e nunca tinha me dado conta disso! — comentou Madara secando o canto dos olhos.
— Ah, mas vamos comentar. Nos divertimos muito!
— Sem dúvida!
— Obrigado Tio. Por sempre estar um passo a frente e saber como fazer as coisas darem certo.
Madara sorriu e piscou para Itachi se espreguiçando.
— Bom, acho que merecemos um banho e uma boa noite de sono agora. O que me diz?
Itachi ficou calado considerando com o coração dividido. Queria agora com a cabeça fria pensar melhor sobre seus sentimentos e por outro lado não queria; queria continuar vivendo aquele clima leve que predominava. Mas sabia que mesmo que não conversasse com seu tio agora seus sentimentos não mudariam.
— Sim, melhor mesmo irmos dormir.
— Bom, você é livre para fazer o que quiser. Sabe disso não?
Itachi concordou com a cabeça apenas e permaneceu em silêncio analisando o perfil do tio. Madara também estava diferente... Ou era ele querendo encontrar algo que não existia e nem nunca existiria?
— Não é comum você ficar remoendo em silêncio criança. O que quer me dizer? — perguntou quando o silêncio e avaliação se tornaram longos demais.
Itachi gemeu revirando os olhos ao ouvir novamente o tio lhe chamar de criança, mas no fim, Madara tinha razão e era até mesmo um alívio ele lhe chamar assim depois de tudo; de certa forma ele lhe colocava em seu devido lugar.
— Desculpe... — disse Madara entendendo a exclamação de Itachi — Não vou perder este hábito tão cedo. — concluiu encolhendo os ombros e fazendo uma adorável careta de culpa que fez o Uchiha mais novo rir suavemente.
— Tudo bem... Afinal acabei de fazer dezoito anos... Não é como se eu realmente fosse o homem mais maduro do mundo.
Madara arqueou uma sobrancelha estranhando a confissão. Caminhou até a escada e sentou-se deixando espaço para o sobrinho ao seu lado. Quando Itachi não se mexeu, acenou com a cabeça chamando-o e aguardou em silêncio que ele se sentasse.
— Imagino que sua mudança de opinião se deva ao que aconteceu ontem. E se é por isso, não deveria.
Itachi suspirou.
— Estou tentando encontrar uma forma de falar sobre ontem e ao mesmo tempo de evitar o assunto. Consegue entender isso? Por que eu não consigo.
Madara permaneceu calado alguns segundos pensando a respeito.
— Fale sobre o que tem vontade e evite falar sobre o que não tem. Simples assim.
— Não é tão simples... Tudo se resume a mesma situação.
— Itachi... Está tudo bem! Quando tirei você para dançar ontem queria exatamente o que aconteceu: que compreendesse como uma música, um doce ou qualquer outro estímulo fora o físico funciona nos sentidos.
— Aí que está! Foi físico também... — E emocional — completou mentalmente mordendo a boca.
— Por que todos os sentidos foram estimulados. Por que confiamos plenamente um no outro, por que temos uma intimidade muito forte, por que temos uma cumplicidade muito forte, por que temos muito carinho e amor entre nós... Mas não precisa surtar com isso, não quer dizer que é ou vai ser como eu.
— Como assim sou ou vou ser como você? — perguntou sentindo o estômago despencar.
— Nada do que sentiu ontem faz de você bissexual ou...
— Não, por favor! — pediu fechando os olhos sentindo uma facada no peito — Se acha que minha confusão está em minha sexualidade está completamente enganado! Nem na minha e nem na sua.
Madara desviou o olhar sorrindo breve e discretamente ao ouvir a declaração de Itachi. Só que não durou muito, pois isso significava que o problema do sobrinho era o que temia: entender que estava apaixonado por si e não aceitar o sentimento.
— Então qual é o problema?
— Não vejo como um problema. — confessou receoso.
— Mas?
— Não tem um mas.
— Então o que é?
Itachi se calou e mordeu fortemente a boca. Céus! Não podia falar aquilo para seu tio! Não devia! Madara lhe daria um tapa tão forte quanto o dado por seu pai se não mais dolorido se o dissesse.
— Vamos Itachi. Fale comigo. Sabe que tem liberdade para isso.
— Liberdade tem limites.
-—Não entre nós.
Itachi fechou os olhos quase sentindo dor física por sua imensa vontade de se abrir. De tirar aquela maldita dúvida de seu coração. Sentiu Madara segurar gentilmente em seu queixo e tentar virar seu rosto, mas não consentiu e sua atitude fez o mais velho retesar-se.
— Itachi... Não faça isso. Por favor! Não me afaste... Não era isso que eu queria...
— Eu gostei! — desabafou sem pensar mais nas consequências – Gostei do que senti com você.
— E se sente culpado? Por ser eu?
Ficaram em silêncio se olhando nos olhos. Madara ainda segurava no queixo de Itachi e este estava com muito custo segurando suas mãos para não retribuir o toque.
— Não... É exatamente o contrário. Não me sinto culpado. Na verdade deixou gosto de quero mais...
O coração de Madara falhou uma batida e pareceu que seu sangue começou a bombear ao contrário.
— Não é errado querer mais e experimentar coisas variadas Itachi. — disse tranquilamente — Só nunca se perca de você mesmo.
Itachi ponderou as palavras de Madara e então sorriu tristemente para o tio.
— Quem falou que quero variar?
Depositando um beijo na palma de sua mão levantou-se deixando Madara completamente estático.
— Boa noite.
Madara ficou sentado na escada completamente aturdido. Tinham mesmo tido aquela conversa? E ela tinha mesmo terminado daquela forma?
Balançando a cabeça levemente em uma negativa levantou e foi para seu quarto. Melhor pensar na sua cama ou corria o risco de dormir lá embaixo de novo.
Era madrugada e chovia forte. Ou pelo menos era o que parecia pelo breu visível na janela. Engraçado... Não se lembrava de ter ouvido voltar a chover. Um clarão o acordou de vez e o fez encolher-se na cama. Em seguida um estrondoso trovão ecoou pela casa fazendo-a tremer como se fosse atingida por um terremoto. Segundos depois Madara entrava em seu quarto apenas de calça de pijama para checar se estava bem.
— Tudo certo por aqui? — perguntou ao distinguir a cabeça de Itachi surgindo sob o edredom.
— Tudo. — respondeu dando de ombros sentindo-se seguro apenas por tê-lo parado em sua porta — Ainda não foi dormir?
— Estava deitado, mas nada de sono. — explicou — Volte a dormir. Está tudo bem.
— Espera. — pediu sentando — Não vou conseguir voltar a dormir agora. Podemos fazer companhia um ao outro.
Madara o olhou por um momento então deu de ombros entrando de vez no quarto.
— Por mim tudo bem.
Itachi afastou o edredom e deu espaço para Madara se deitar. Ficaram deitados um de frente para o outro em silêncio por alguns instantes, sentindo a respiração quente acariciar lhes a pele, alertando-os do quão próximos estavam fisicamente. Foi Itachi quem quebrou o silêncio.
— Então? O que lhe tirou o sono? Foi um dia cheio e você estava louco para se deitar.
Madara demorou a responder levando Itachi a acreditar que tinha dormido. Mas a resposta o surpreendeu.
— Estava pensando sobre o gosto de quero mais que você mencionou lá na escada.
Itachi sentiu-se corar e agradeceu por estarem no escuro.
— E?
— Também fiquei com este gosto... Aliás, não foi só um simples gosto. Eu quero mais.
Itachi sentiu a boca secar e seu baixo ventre formigar euforicamente.
— Pena não ter seu amigo secreto por perto agora. Certamente ele não se importaria em ajuda-lo com isso.
Céus! De onde tirei coragem de dizer isso a Madara – pensou chocado consigo mesmo.
— Pois é. — respondeu Madara sem se abalar, como se o assunto estivesse seguindo pelo caminho que ele queria — Isso me leva a outra questão que você levantou: não querer variar.
— O que significa?
— Que não quero qualquer pessoa Itachi. Eu quero você!
Itachi quase pulou ao sentir a mão de Madara procurar sua cintura para trazê-lo mais para perto. Arfou sem qualquer disfarce ao sentir a mão quente como brasa dele adentrar sua camiseta e explorar lhe a pele depois de quase fundir os corpos tão próximos estavam.
E para sua total descrença se viu inerte. Era virgem, mas não era inexperiente em questão de preliminares. Só que era Madara e isso o intimidou.
Notando sua imobilidade Madara parou de acaricia-lo.
— Será que entendi errado?
— Não, de forma alguma! — apressou-se em responder – Apenas...
— Hey? — interrompeu Madara acariciando seu rosto — Sou eu. Sei tudo sobre você lembra?
Itachi suspirou aliviado por ele ter entendido e concordou com a cabeça.
Madara deslizou o polegar por seus lábios mergulhando-os novamente em silêncio e então o beijou.
Um beijo quente e macio, exploratório, seguro. A língua dele encontrou a sua e a tocou provocando uma sensação gostosa e profundamente íntima. Itachi gemeu e automaticamente levou as mãos ao peito do tio, retirando-as de imediato ao sentir a pele nua, como se tivesse se queimado.
Madara buscou suas mãos e as trouxe de volta, espalmando-as sobre seu tórax e fazendo carinhos circulares nela para evitar que fugissem novamente.
Itachi foi se entregando à medida que aquilo foi se tornando mais familiar. A boca, a língua, o gosto... Bom Deus! Como beijar Madara era bom! E tocá-lo então? Sentir sua pele macia, os músculos definidos sem exagero...
Sentiu um impulso na cama e antes que se perguntasse qual a razão, sentiu Madara deitando-se sobre seu corpo preguiçosamente. Automaticamente abriu as pernas para acomodá-lo melhor e não resistiu ao impulso de soltar seus cabelos o que os isolou do resto do mundo.
— Confortável? — perguntou querendo garantir que estava tudo bem com o sobrinho.
— Estaria melhor se tivesse menos barreiras entre nós.
Madara sorriu e beijou a boca de Itachi. Ajoelhou-se entre as pernas dele e o fez sentar-se para que retirasse sua camiseta. Quando ele voltou a se deitar, tirou sua calça de pijama deixando-o apenas de cueca. Tirou sua própria calça ficando também apenas de roupa intima e voltou a se deitar, ganhando um grunhido de aprovação de Itachi ao contato de seus corpos e percebeu o corpo dele se arrepiar de prazer com aquilo.
Voltaram a se beijar sem pressa, explorando o corpo um do outro, ousando um pouco mais a cada minuto. Itachi não sentia mais vergonha. Madara estava lhe deixando tão a vontade que parecia um sonho.
Gemeu ao sentir a boca dele sugando sua orelha e depois seu pescoço e ombros. As mãos dele jamais parando de lhe acariciar e não teve como não notar a diferença do toque de um homem. A mão era grande e pesada por mais carinhoso que fosse o toque e havia uma diferença na força também. Era mais exigente e possessivo.
Madara escorregou pelo seu corpo parando na altura de um de seus mamilos e passou os lábios num reconhecimento suave. Então deslizou a língua em círculos e por fim abocanhou, sugando safadamente. Itachi se contorceu e arfou alguma palavra desconexa em aprovação.
Madara sentiu o membro dele pulsar contra sua barriga e soergueu-se um tanto, criando espaço apenas para enfiar sua mão entre seus corpos e acariciar o membro por cima da cueca. Assistiu triunfante Itachi impulsionar o quadril para cima, ansiando por mais.
Parecia a Madara que Itachi tinha uns seis braços já que a cada momento suas mãos exploravam uma parte diferente do seu corpo e parecia também que ele serpenteava o corpo languidamente abaixo de si. A simples fricção dos corpos causando espasmos em Madara.
Ele passou a dar atenção ao outro mamilo e sem aviso mergulhou a mão dentro da cueca de Itachi simultaneamente. O aperto em suas costas lhe provando que estava sentindo muito prazer.
— Tem ideia do quanto é gostoso tocar você? — sussurrou-lhe ao ouvido causando novos arrepios — Tem ideia do quanto é gostoso beijar você? — perguntou tomando-lhe a boca num beijo forte e guloso, desestabilizando Itachi que respirou fundo e gemeu alto.
Madara ainda lhe beijando saiu de cima dele e lhe tirou a cueca. Posicionou-se novamente entre as pernas dele, distribuindo beijos pelo peito e abdômen parando apenas ao atingir a região recoberta por pêlos, cheirando-os maravilhado.
Itachi se encolheu um tanto surpreso pelo gesto inocente, porém sensual, mas não pôde pensar muito a respeito com Madara engolindo seu membro momentos depois.
Itachi sentou-se na cama arfante e suado. Olhou ao redor notando que já era dia e que estava sozinho e vestido. Jogou-se para trás afundando nos travesseiros sem energia e só então notou seu telefone vibrando insistentemente. Provavelmente motivo de ter acordado.
Respirando fundo pegou o telefone e até reconheceu o número, mas não tinha salvo no seu celular portanto não se lembrou de quem era.
— Alô?
— Itachi?
— Mãe? — perguntou com um sorriso surpreso.
— Bom dia meu filho. Te acordei?
— Sim acordou... Mas não se preocupe foi providencial. — respondeu lembrando-se do sonho.
— Bem, você não costumava dormir até as dez e meia da manhã então pensei que já estivesse acordado. Desculpe.
— Não tem problema. É ótimo ouvir sua voz. Estou com saudades... — disse carinhoso — Este número é do Sasuke?
— Sim... Ele não te procurou?
— Sim procurou. Eu que não tive tempo de adicionar o número a agenda. Aconteceu alguma coisa?
— Seu pai vai passar o domingo fora. Uns possíveis clientes o convidaram a jogar Golfe e ele não teve como se recusar. Queria me carregar junto, mas mulheres não são bem vindas no clube.
— Entendo... Tudo isso para não ter como nos vermos só porque é meu aniversário? — perguntou divertidamente. Seu pai era no mínimo patético! Nem valia o desgaste de ficar ressentido.
— Acredite, até eu me surpreendi.
— E eu com a boa vontade do Sasuke de te ajudar a se comunicar comigo.
Mikoto guardou silêncio por alguns minutos e por fim respondeu.
— Seu irmão mudou bastante com relação a seu pai e a mim.
— De uma forma positiva?
— Sim. Ele percebeu que Fugaku nunca mereceu os esforços dele para ser reconhecido.
— Um dia ele teria de perceber isso.
— Sim teria. Mas tive medo de que não acontecesse.
— Fico feliz por você. Ao menos não está tão sozinha nesta casa.
— Vocês são muito diferentes, mas Sasuke a sua maneira tem muito de você.
Itachi não conseguia imaginar isso. A lembrança que tinha do irmão não era das melhores. Fugaku deve ter aprontado muito para ele ter mudado a ponto de sua mãe ver alguma semelhança entre eles.
— Eu estava pensando meu filho... O que acha de nos encontrarmos?
— Hoje ainda?
— Sim. Tem planos para hoje com seu tio? Aliás, como vai o Madara?
— Ele está ótimo e não, não temos nada planejado.
— O que me diz então?
— Que vou adorar vê-la mãe. Onde e que horas?
— Você já visitou o novo Aquário? Aquele que abriu no limite da cidade?
— No complexo turístico com parque aquático, aquário e praça de alimentação?
— Esse mesmo.
— Não, não visitei.
— Acha que podemos conhecer juntos? Podemos almoçar lá.
— Claro! Devo ir busca-la?
— Pedirei ao Sasuke que me chame um taxi. Nos vemos em uma hora e meia?
— Sim, por mim está perfeito.
— Então até mais tarde filho.
— Até mãe. Tome cuidado.
— Você também filho.
Itachi desligou o celular sorrindo e se espreguiçou contente. Ia ver sua mãe... Precisava contar para Madara!
Pensar nele o fez corar imediatamente.
Céus! O que tinha sido aquele sonho? Os beijos, os toques... Bom Deus! Madara ia lhe fazer sexo oral?
— Se minha mãe não tivesse ligado... — disse fechando os olhos agora ávido por saber a conclusão do sonho. Não que quisesse ficar vivendo de sonhos, mas era tudo o que poderia ter, certo?
Então se lembrou da conversa na noite anterior e arregalou os olhos. Tinha mesmo dito aquelas coisas para seu tio? Tinha mesmo insinuado que não queria experimentar sensações novas com outra pessoa que não fosse ele?
— Que ótimo Itachi... — reclamou sentindo as bochechas queimando — Seu tio deve estar achando que está ficando louco! Melhor mesmo passar o dia longe dele por hoje. — concluiu com o cenho franzido.
Itachi tomou banho e saiu já arrumado do quarto com a chave do carro na mão. Procurou Madara por toda casa sem sucesso deixando a cozinha por último. Lá encontrou um copo de suco de laranja dentro da pia e um prato com caldo de alguma fruta que descobriu ser melão.
Achou na geladeira um recado dele dizendo que tinha acordado muito cedo e ido correr para gastar energia. No verso deste mesmo recado, contou da ligação da mãe e de seu compromisso, achando conveniente que não tivesse de lhe encarar naquele momento suado e arfante ou só Deus sabe o que faria.
Desceu para garagem e antes de sair ainda se permitiu pensar um pouco na conversa com Nagato, mas resolveu trancar as sete chaves em seu peito qualquer coisa que se relacionasse ao tio para poder aproveitar o dia com sua mãe.
Notas finais
Vejo vocês lá nos reviews e sim, desta vez vou responder todos!
Um magnífico final de semana para todos e que os Anjos do Céu e os Seres Elementais da Natureza lhe guiem e protejam sempre!
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