Notas iniciais
Olá a todos! Como estão hoje? Pois é, não postei quando prometi e nem terminei de responder os reviews... Minhas mais que sinceras e humildes desculpas, mas mudei de estado (acho que já comentei) e mudança toma um tempão até estar tudo 100% no devido lugar e agora eu estou trabalhando então, sim, o capítulo realmente demorou, mas enfim saiu e sim, eu VOU responder todos os reviews! Meu muito obrigada a todos que leram o capítulo anterior e deixaram reviews e mais uma vez muito obrigada a linda NyuLan minha *BETA Naruto* por ter tão magicamente me entregado o capítulo em um dia! Você é demais gata! No mais, boa leitura a todos!

Madara alongava-se na lateral da casa quando ouviu o som rouco e potente do carro de Itachi. Franziu o cenho estranhando e pegou sua toalha de treino, secando o rosto enquanto decidia se deveria ou não tentar falar com ele antes que saísse. As coisas entre eles estavam definitivamente estranhas e não gostaria de deixar daquela maneira.

Ouviu o portão da garagem abrir e notou certa pressa na forma que Itachi tirava o carro. Comprimiu os lábios bonitos, entendendo que ele certamente não pretendia lhe encontrar e então, com um suspiro resignado, voltou a alongar-se, de costas para a direção onde poderia ver rapidamente a passagem do veículo. Respeitaria a vontade dele.

Somente quando o som do motor perdeu-se ao longe que Madara encerrou seu treino. Não era vaidoso, mas gostava de cuidar de sua saúde física e mental e correr pela manhã, sentindo o cheiro do mato úmido e o frescor deixado pela madrugada repleta de brumas, comum aos bosques, lhe revigorava e ajudava a pensar.

Não teve a noite de sono mais tranquila do mundo. Teve sonhos intensos com Itachi, onde ele começava dançando Moonwalker sob palmas de incentivo da Akatsuki e então a música mudava para Diamond Ring e Madara lhe tirava para dançar e repentinamente estavam apenas os dois... Só que no final do sonho, Itachi lhe declarava que queria ter novas experiências desde que apenas com ele e então tomado por um sentimento inigualável de paixão, Madara o beijava os lábios, sendo recompensado com um gemido languido do sobrinho que automaticamente colava o corpo ao seu, tornando-os um...

Só que enquanto exploravam a boca um do outro, Sasuke aparecia trazendo Fugaku a tira colo para expor a intimidade de ambos e acordou quase sufocando ao ouvir o irmão lhe perguntar com voz ríspida e permeada de repulsa se aquele era o verdadeiro motivo dele ter se aproximado de Itachi: fazer dele um vagabundo, um puto de luxo vivendo em pecado, trepando com o próprio tio.

Madara fechou os olhos e negou com a cabeça energicamente tentando afastar a lembrança. Não sabia por que demônios um sonho tão bom tinha de terminar daquele jeito terrível.

— Pra quem está mentindo Madara Uchiha? — perguntou para si mesmo com um sorrisinho cínico — Claro que sabe por que sonhou isso. Porque por mais que não devesse, a opinião do bastardo do Fugaku ainda importa para Itachi embora não importe nem um pouco para você. E se importa para Itachi, você fará de tudo para que ele não se magoe. — admitiu em voz alta.

Entrou na casa e foi direto para cozinha pegar um Gatorade gelado para beber. Achou o recado de Itachi na geladeira e sorriu ao ler a mensagem curta na caligrafia caprichada.

Bom dia Tio Madara.

Recebi um telefonema de minha mãe pedindo para nos vermos. Parece que os Deuses conspiraram a nosso favor e tiraram Fugaku da cola dela. Conhecendo-o como conheço, sei que me incentivaria a ir então, foi o que fiz.

Até mais tarde e, por favor, aproveite o dia.

— Nada como um dia com a mãe para trazê-lo de volta. — disse entre aliviado e conformado — Não acho que os Deuses queriam tirar Fugaku do caminho Itachi; apenas queriam te ajudar a lidar com você mesmo e suas recentes descobertas antes que tivesse de lidar comigo.

Madara abriu a geladeira e pegou o Gatorade de Tangerina que adorava e tomou um longo gole. Fechou os olhos e respirou fundo, passando a língua fria pelos lábios ao final, antes de beber um novo gole. Passou o braço na testa de onde sentia o suor escorrer e começou a caminhar sem pressa para as escadas.

Entrou no quarto e foi direto para o banheiro. Deixando a garrafinha sobre o balcão, retirou a camiseta suada e soltou os cabelos fartos, deixando-os cascatear pelas costas definidas. Olhou-se no espelho analisando sua forma esguia. Mordeu a boca e terminou de despir-se para fazer uma avaliação mais ampla de si mesmo.

As pernas longas de músculos definidos e trabalhados, o abdômen compacto e firme, os braços torneados, o peito lardo e vigoroso... O sexo longo e espesso. E no final, analisou seu rosto ainda tão jovem para seus quase quarenta anos.

— Meu Deus! Não acredito que cheguei ao ponto de ficar procurando sinais da idade em mim mesmo... — disse rindo de si mesmo envergonhado — Isso que dá se apaixonar por alguém que acabou de completar dezoito anos enquanto se aproxima a passos largos dos quarenta!

Caminhou sem pressa até o box e enfiou-se debaixo do jato abundante de água morna. Lavou-se sem pressa, pensando em como aproveitaria seu dia sem seu sobrinho.


Itachi chegou ao Aquário antes do horário marcado. Por ser domingo e cedo, não havia trânsito e pode dirigir com tranquilidade.

Estava com muita saudade de sua mãe. Não haviam se visto muito neste ano. Não que Madara não lhe desse permissão ou colocasse empecilhos para se verem. Pelo contrário. Ele sempre fizera o impossível para que se vissem durante estes anos. Mas desde que tinha entrado para a faculdade e começado a trabalhar, tinha precisado reorganizar seu tempo e injustamente não tinha priorizado ver sua mãe. Talvez porque passar seu tempo livre com seu Tio tivesse se tornado mais importante do que nunca e não tenha notado.

— Itachi? — chamou Mikoto parada a poucos centímetros do filho, estranhando o fato de que ele sempre tão atento ao entorno, não havia notado sua chegada.

Itachi piscou e olhou interrogativamente na direção da voz que lhe chamava. Um discreto e carinhoso sorriso se formou em seus lábios ao reconhecer sua mãe. Abriu os braços para ela e a aconchegou a si assim que ela se aproximou.

— Meu filho querido! Que saudade de você! — falou Mikoto sentindo os olhos encherem de lágrimas.

Amava seu caçula Sasuke, mas Itachi era seu menino de ouro. Havia sido seu companheiro e seu melhor amigo antes de ser expulso injustamente por Fugaku de casa e mesmo agora que já não se viam com tanta frequência, a amizade deles não mudara; apenas amadurecera.

— Como é bom te ver... — falou Itachi com um suspiro de contentamento — Como está?

— Bem meu menino. Muito bem. E você? — perguntou Mikoto afastando-se do filho para olhá-lo melhor — Meu deus! Como você cresceu Itachi! E como está ainda mais bonito!

— Que nada mãe. Estou do mesmo jeito. — respondeu um tanto encabulado.

— De jeito nenhum! Está um homem feito meu amor. Nem parece que está completando dezoito anos!

— Não? — perguntou Itachi sentindo-se feliz pela afirmação da mãe.

— Não. Enquanto caminhava até você, eu fiquei te observando e você está um homem feito sim. No porte, na autoconfiança... Jamais poderei agradecer Madara por ter cuidado de você.

— Deve achar isso porque faz tempo que não nos vemos. Não mudei tanto assim. — disse dando de ombros um tantodesconcertado por nãosaber como agir a menção do nome do tio e isso o incomodou. Madara era seu tio e seu amigo e sua mãe sabia melhor do que ninguém o quanto gostava dele. — Mas sem dúvida toda evolução emocional que nota em mim, realmente deve agradecer a Madara. — disse tentando relaxar.

— Eu sei disso. Seu tio é o melhor homem que conheci na minha vida.

Itachi deu um beijo na testa da mãe e passou o braço por seus ombros.

— Vamos conhecer o aquário? — perguntou animado.

— Para isso te convidei para vir até aqui. – respondeu passando o braço pela cintura do filho – Me conte da faculdade!

A manhã passou numa leveza e paz surpreendentes para Itachi. O passeio estava delicioso. Sua mãe era inteligente e divertida e quando estava longe de Fugaku, dava as pessoas a honra de conviver com este seu lado.

Descobriu que ela era uma grande conhecedora de peixes, assim como era de flores, só que conhecia apenas seu lado florista. Mikoto lhe confidenciou que sempre quisera ter um aquário gigante em casa daqueles com navios afundados, mergulhadores naquelas roupas estranhas e tudo mais, mas seu marido nunca lhe permitiu. Graças a Deus que tinha lhe permitido ter uma estufa e cultivar flores.

Itachi falou sobre a faculdade e seus planos já para uma segunda e seu trabalho na Akatsuki enchendo sua mãe de orgulho.

Sua mãe lhe questionou sobre seu aniversário e Itachi lhe contou sobre o carro, o café da manhã com o tio e os amigos, a festa na boate e a tarde do dia anterior na casa de Madara. Claro que omitiu tudo o que seu tio lhe confidenciara sobre si mesmo e tudo o que tinham vivenciado juntos enquanto sozinhos e Mikoto deu boas risadas ouvindo as histórias loucas sobre os Akatsuki’s que embora não conhecesse pessoalmente, tinha adquirido grande afeição pelo carinho com que tinham acolhido seu menino.

Itachi resolveu tirar o foco da conversa de sua vida um pouco, uma vez que estava se sentindo por demais exposto em função da confusão que estavam seus sentimentos e aproveitou para saber mais do irmão e dos motivos que levaram sua mãe a lhe dizer por telefone que eles estavam muito parecidos.

Mikoto lhe confidenciou que Sasuke finalmente tinha se desiludido em ter a aprovação do pai tal qual Itachi tivera um dia. Fugaku o pressionava e era insuportavelmente ignorante com ele, por mais que ele fizesse tudo com perfeição sempre lhe criticando e dizendo que ele nunca seria como seu filho mais velho.

— Ele ainda se refere a mim como filho? — perguntou Itachi realmente surpreso.

Mikoto arregalou os olhos e mordeu a parte interna da boca ao ouvir a pergunta do filho. Notando o silêncio da mãe, Itachi parou de andar e a encarou.

— O que é? — questionou levando as mãos aos bolsos da calça — Vamos mãe, pode me dizer. — pressionou quando notou resistência dela em falar sobre aquilo.

— Fugaku passou anos sem mencionar você para nada. — começou medindo as palavras vencida — Não sei por que este ano ele recomeçou a se referir ao filho mais velho... Que faleceu há três anos.

Itachi manteve a expressão inalterada enquanto processava a informação. Então... Era isso que era agora para seu pai? Um defunto?

— Eu não devia ter lhe contado isso. Não...

— Está tudo bem mãe. – interrompeu Itachi com voz e olhar suave — Não é como se eu esperasse algo sadio vindo dele. Por isso mesmo eu estranhei o fato dele ainda se referir a mim.

Itachi ofereceu gentilmente o braço à sua mãe e acenou com a cabeça para voltarem a andar. Mikoto respirou fundo e aceitou o braço e o retorno a caminhada.

— Sinto muito.

— Eu também. Pela senhora e pelo Sasuke. Mas fico feliz que ele enfim tenha aberto os olhos.

— Sim. Ser eternamente comparado a você ainda que não gostasse, serviu para ele amadurecer e ser mais esforçado em tudo que faz. Tornou-o responsável e humilde ser tratado sempre como meramente satisfatório pelo pai. — continuou Mikoto — Mas quando seu pai começou a se referir a você como morto. Aquilo foi a gota d’água para o Sasuke. Ele percebeu que não tinha de agradar ao pai ou querer ser igual ou melhor que você e sim, ser o melhor que ele, Sasuke, dentro de seus limites humanos poderia ser. Nosso relacionamento evoluiu muito a partir desta decisão.

— Mãe... Porque não se divorcia?

— Seu irmão me fez a mesma pergunta quando seu pai passou a ter mais este comportamento podre.

— E?

— Abri mão de fazer uma faculdade e ter uma carreira para cuidar de você e do seu irmão por exigência do seu pai e se me separar dele agora não tenho uma profissão que me dê estabilidade suficiente para me manter sozinha. — falou com pesar, mas não enquanto falava dos filhos e sim na parte final.

— Mas... Vocês não casaram com comunhão de bens?

— Não. Seu avô fez a cabeça do seu pai para ser separação total de bens.

— Outro caso de demência na família...

Mikoto foi obrigada a rir com a declaração do filho. Realmente seu sogro e seu marido deviam sofrer de algum distúrbio mental.

— Eu tenho alguma coisa guardada que venho juntando desde que engravidei do seu irmão. Sabe? Seu pai nunca gostou de arcar com remédios. Dizia que gastava uma fortuna com boa alimentação para vocês serem saudáveis e não admitia que vocês tivessem doenças normais de crianças. Quando era só você eu ainda conseguia me virar. Mas com duas crianças ficava mais difícil.

— E como eu tive asma e o Sasuke bronquite, tenho certeza de que muito desse dinheiro foi usado conosco para pagamento de tratamentos.

— Foi sim. Também usei para outras necessidades de vocês que não vem ao caso e para fazer meus cursos de jardinagem, arranjos... Ainda tenho algo guardado para uma emergência, mas não é algo que dê para me manter sozinha por muito tempo uma vez que não tenho bem nenhum no meu nome.

— Tem algo que eu possa fazer para te ajudar?

Mikoto negou com a cabeça e sorriu indicando um lugar para se sentarem próximo a um lago artificial cheio de carpas.

— Você e Sasuke já fazem muito estando do meu lado. Quando ele soube que seu pai não desgrudaria de mim por estes dias numa forma de me impedir de ver ou falar com você no seu aniversário, ofereceu não só seu celular para nos falarmos como também se voluntariou em levar o número para você.

— Ele quem se ofereceu?

Mikoto concordou com a cabeça sorrindo.

— Realmente eu não esperava.

— Nem eu. E não parou por aí. Ele me pediu para ter paciência até ele fazer dezoito anos e começar a trabalhar para sairíamos juntos de casa. Disse que posso montar uma floricultura ou trabalhar com arranjos florais para ter meu próprio dinheiro para minhas necessidades e que as despesas da casa ele bancaria.

— Nunca imaginei que diria isso, mas eu concordo com o Sasuke. Precisa fazer algo por você mãe. E podem contar com minha ajuda também quando chegar a hora.

Mikoto sorriu contente e lhe apertou a mão na sua, agradecida.

— Eu sou a mãe mais abençoada do mundo.

Itachi sorriu e devolveu o aperto, lhe dando em seguida um beijo na testa.

— Bom, que tal pararmos para comer alguma coisa? — convidou Itachi recebendo um aceno positivo com a cabeça.


Madara secava o cabelo enrolado na toalha quando seu celular tocou informando recebimento de uma nova mensagem.

Bom dia!

Tudo calmo por aí hoje?

Sorriu e sentou-se para responder:


Bom dia.

Tudo na mais perfeita paz.

Itachi foi encontra-se com a mãe.

Tirou a toalha da cintura e foi procurar algo para vestir. Terminava de colocar a boxer quando seu celular avisou sobre uma nova mensagem:


Quer companhia?
Vou fazer um espaguete para o almoço.

Sorriu e mordeu a boca pensando na proposta. Adoraria curtir um pouco a companhia de Hidan. Fazia algum tempo que não tinham seus preciosos momentos a sós. Por outro lado, fazia tempo que não tirava um dia apenas para si e estava bastante cansado também.


Agradeço muito, mas acho que vou aproveitar para descansar e colocar ordem na casa.

Abriu a porta onde guardava suas calças de moletom e pegou uma cinza clara bem folgada. Fechou a porta e abriu a parte onde guardava as blusas de algodão; de onde pegou uma de cor vinho com capuz. Fechou a porta e voltou para cama depositando ali a blusa enquanto vestia a calça. Quando vestia a blusa ouviu o toque do celular novamente e ao terminar de se vestir verificou a resposta.


Ou seja, aproveitar para relaxar da tensão dos últimos dias e colocar cabresto e mordaça nos seus sentimentos... Não concordo, mas sei que isso não te fará agir diferente então, se precisar sabe onde me encontrar. Bom domingo para você.

Madara riu divertido e respondeu rapidamente.

Exatamente. Que bom que me conhece. Sei sim, fica frio. Bom domingo para você também e bom espaguete.


Caminhou pela casa abrindo as janelas para arejar os cômodos; com tanta chuva no dia anterior, a casa tinha ficado um tanto abafada. Certificou-se de que as portas da casa e da garagem estavam trancadas e subiu para o andar da piscina, parando antes na “sala do tesouro” dele e de Itachi, onde ficavam seus livros, filmes e cds, escolhendo um livro de Stephen King– seu autor favorito — para ler.

Só se deu conta de que já era hora do almoço quando sentiu seu estômago doer de fome. Nem tinha se lembrado de tomar café, vejam só! Olhou no relógio e ficou por alguns momentos imaginando como estaria o dia de Itachi com sua mãe e se eles já estariam almoçando. Dando de ombros, determinado a não pensar mais naquilo, levantou e foi fazer algo para comer. Fez uma salada rica em ingredientes e generosa em quantidade e pegou uma lata de chá gelado. Colocou tudo numa bandeja e voltou para sua leitura.


Itachi e Mikoto estavam terminando a salada de caranguejo e palmito que tinham pedido com suco de laranja quando Mikoto resolveu voltar a perguntar dele e de Madara.

— Como está Madara?

— Do mesmo jeito que deve se lembrar dele. Sempre gentil, prestativo e inteligente. E cada dia mais charmoso, se é que eu como sobrinho posso dizer isso. — disse sorrindo já com saudades do tio. O que ele estaria fazendo àquela hora? Será que já havia almoçado?

— Se tem alguém que sabe ser charmoso é o Madara. E bonito também! Ele sempre foi o mais bonito dos dois.

— É verdade! E nestes três anos parece que ele não envelheceu nem um dia sabia?

— As poucas vezes que eu o vi eu notei isso. Parece que ter sua companhia fez muito bem ao seu tio. Ele sempre foi muito solitário. Aliás, eu nunca entendi por que um homem fabuloso como ele nunca se casou.

— Ele não é solitário; apenas muito reservado. Tem excelentes amigos, como o Hidan por exemplo.

— Hidan... Como ele está?

— Conhece o Hidan mãe?

— Conheço sim. Ele e seu tio são amigos há muitos anos Itachi. E tinha a Mei também. Ela se casou há alguns anos. Seu avô por muitos anos teve esperança que Madara se casaria com ela; ele tinha medo que seu tio fosse gay como Hidan.

Itachi parou de andar naquele momento. Hidan? Gay?

—Você não sabia? — estranhou Mikoto.

— Não, não sabia...

— Eu não deveria ter falado nada então. – disse Mikoto se levantando para juntar sua bandeja e do filho.

— Não mãe, me conta mais, por favor!

— Mas se nem Madara e nem Hidan nunca disseram nada... — ela comentou incerta — Talvez porque ele ainda não tenha se recuperado da perda que sofreu. Fazia pouquíssimo tempo quando você foi morar com Madara.

A conversa que tiveram com seu tio sobre seu misterioso amigo voltou a sua mente como se tivesse acabado de acontecer. Ele havia amado alguém e esta pessoa havia morrido.

— Sim, sim... Ele perdeu alguém bem próximo não foi? — perguntou tentando não soar ansioso demais pela resposta.

— Sim, perdeu o marido para ser mais exata. Madara me pediu secretamente que fizesse os arranjos para o velório. Hidan estava frágil demais e Madara queria apenas arranjos brancos. Não queria aquelas coroas fúnebres e impessoais.

Itachi sentiu tudo girar naquele momento. Deus do Céu! O amigo íntimo de Madara não conhecia Hidan; ele ERA o Hidan!

— Meu filho não se choque com este tipo de relacionamento! São pessoas como eu e você! Apenas acharam sua outra metade em pessoas do mesmo sexo.

— Eu não... — Itachi parou de falar respirando fundo para tentar se acalmar antes de prosseguir — Realmente não tenho nenhum preconceito mãe. É que foi uma perda tão traumática e Hidan é uma pessoa tão... Leve.

— Hidan aguentou as pontas provavelmente porque sabia que o marido tinha parado de sofrer. E também porque seu tio não o deixou na mão nem por um segundo.

— A senhora... Conheceu o marido do Hidan?

— Eu não fui ao casamento deles, pois casamento Gay ainda não era legalizado aqui. Mas vi as fotos. Foi uma cerimônia muito elegante e discreta. Muito mesmo! Seu tio e a Mei foram os padrinhos.

— Mei... Mei o que mesmo?

— Mei Terumi. Imagina uma mulher realmente linda! É a Mei. Linda e forte.

— Disse que meu avô tinha medo que meu tio acabasse sendo gay como Hidan. Meu pai também pensava assim?

— Seu pai odiava o Hidan, mas não por ele ser gay. Acho que até hoje ainda odeia.

— Por qual motivo?

— Ele acha sim que Hidan influenciou muito seu tio, mas não em questão de sexualidade e sim de escolhas. Acha que o grande responsável por Madara ter se tornado quem é foi o Hidan.

— Isso é ridículo! – declarou Itachi mais alto do que seria apropriado completamente indignado.

— Completamente! Mas faz sentido seu pai não querer admitir que o irmão é tão diferente do resto da família.

— Graças aos Deuses que ele é!

— E Graças a Deus que você saiu mais ao seu tio que ao seu pai no final das contas.

— É eu acho que sim...

— Madara tem alguma namorada?

— Não. Madara é um homem extremamente ocupado mãe. Não tem tempo para namorar.

— Mas isso é um tremendo absurdo! — disse Mikoto rindo — Não pode realmente acreditar nisso! Madara é um tipão filho! Deve ter alguém sim, talvez apenas não tenha achado adequado contar a você.

Itachi suspirou resignado e mortalmente triste por dentro. Mal sabia sua mãe o quanto ela estava certa. Madara tinha sim um envolvimento íntimo com alguém e até lhe contara isso. Mas não lhe contara que era com Hidan. Como poderia ser casual o que tinham? E por que ele não lhe contara que era Hidan?

Lembrou-se das palavras do tio sobre não poder lhe contar mais a respeito por não envolver apenas ele. Nagato lhe dissera o mesmo e...

NAGATO! Saberia ele que o tal amigo de Madara era o Hidan? Certamente que sim! Afinal Nagato era o quarto Akatsuki.

— Itachi? Filho está me ouvindo? — perguntou Mikoto sacudindo-o gentilmente.

— Eu... Não mãe, me desculpe! Não ouvi o que disse.

— Disse para não se abalar com estas coisas que estamos conversando. Seu tio ama você e é um homem muito direito. Provavelmente ele não te contou nada disso ainda, ou sobre alguma paquera ou até uma namorada porque você ainda era muito menino. Tenho certeza que agora que fez dezoito anos, ele vai começar a se abrir mais com você!

— Não estou abalado mãe. Apenas fiquei pensando a respeito, juntando alguns fatos na minha cabeça. — disse olhando para o céu e depois sorriu mais tranquilo — E tem razão. Madara vai contar tudo na hora certa. Eu sei que vai...

— E você vai contar a ele também?

— Eu vou contar? O que exatamente?

— Que está apaixonado?

Itachi sentiu as pernas perderem a firmeza quando sua mãe falou aquilo. Chegou até a errar os próprios passos o que fez Mikoto rir.

— Mas porque tamanho nervosismo? — perguntou divertida — Pensou que eu não perceberia meu filho?

— Não, não é isso. Apenas não sei de onde tirou isso. Não estou apaixonado.

Mikoto parou de andar e analisou com cuidado o rosto do filho. Por mais que estivesse com vontade de desmaiar de tão pressionado que estava se sentindo naquele momento, Itachi manteve-se firme.

— Por Deus! Você está falando sério?!

— É claro que estou falando sério mãe! Não estou apaixonado.

— É um pouco mais sério que isso meu filho. Você está apaixonado sim, mas ainda não havia se dado conta disso!

Tinham parado em frente a uns bancos em formado de tartaruga e Itachi simplesmente se sentou. Apaixonado? Ele estava apaixonado... Por Madara?

Mikoto franziu as sobrancelhas ao notar a reação do filho. Sentou-se ao seu lado e abriu a bolsa, entregando a garrafa de água que havia comprado junto com o lance.

— Aqui, beba um pouco, vai lhe fazer bem.

Itachi pegou a garrafa e bebeu um longo gole de olhos fechados. Respirou bem fundo e soltou o ar o mais lentamente que pôde. Quando abriu os olhos estava totalmente no controle de suas emoções novamente.

— Obrigado.

— Está melhor?

Itachi concordou com a cabeça permanecendo olhando ao longe, para a entrada do corredor das focas.

— Eu realmente estou falando demais hoje.

— Ou eu não ando muito atento ao que vem acontecendo ao meu redor. O que é bem possível já que estou vivendo para estudar e trabalhar.

— Faz tempo que está interessado nesse alguém?

— Não sei dizer. Talvez. — respondeu depois de longo tempo pensando a respeito.

Fazia muito sentido. Gostava demais de Madara, mais do que já gostara de qualquer pessoa de sua vida. E não era só isso... O que sentira dançando com ele na sala, nos braços dele... A pergunta que ficava era: Será que se sua mãe notara, seu tio notara também? E outra coisa: se seu coração acelerara daquele jeito por estar apaixonado por Madara, o dele bater da mesma forma significava que ele também estava apaixonado por si?

— Sabe que pode conversar comigo quando quiser não sabe? — perguntou apertando com carinho a mão do filho — Ou pode sempre conversar com seu tio também.

— Eu estou bem mãe. Apesar do choque, eu estou realmente bem. — disse levantando-se — E por mais que talvez eu realmente devesse, não quero conversar sobre isso agora. Acabei de descobrir que estou apaixonado e isso é de fato uma imensa novidade para mim. Quero pensar a respeito depois, eu comigo mesmo. Pode compreender isso?

— É claro que posso meu filho. Apenas não se apavore por estar gostando de alguém; isso não é o fim do mundo! É a ordem natural das coisas: se apaixonar, casar, ter filhos...

Itachi riu de maneira triste e negou com a cabeça.

— E o fato de eu “talvez” estar apaixonado não significa que esta pessoa será o grande amor da minha vida e aquela com quem vou me casar Dona Mikoto! Calma aí!

Mikoto riu divertida e concordou com a cabeça.

— Eu sei! É que é tão excitante pensar que meu filho que acabou de fazer dezoito anos está apaixonado! — disse batendo palmas levando Itachi ao riso.

— Eu te amo sabia Dona Mikoto? — perguntou abrindo os braços para a mãe.

Mikoto levou as mãos aos lábios e estudou o filho por alguns segundos e então, com os olhos cheios de lágrimas se levantou e o abraçou forte.

— Eu também meu filho. Te amo muito! – disse lhe beijando a face – Feliz aniversário meu menino.

— Obrigado mãe. — disse fechando os olhos e lhe dando um beijo carinhoso na testa — Eu realmente estou feliz em ter vindo me encontrar com a senhora. Agora sim eu me sinto com dezoito anos. — disse sentindo em sua alma que seu mundo acabara de virar de cabeça para baixo.

Notas finais
Prontinho! Viram só? Mais um capítulo terminado! E agora? O que o Itachi deve fazer? Cobrar respostas do Madara? Confessar o que está sentindo? Contem-me o que fariam no lugar dele; vou amar saber! Obrigada a todos que compartilharam seu tempo comigo lendo mais este capítulo! Que os Anjos do Céu e os Seres Elementais da Natureza guiem e protejam a todos nós! Até breve...