Notas iniciais
Boa noite a todos!
Sim, estou de volta em tempo recorde! Uma amiga me ensinou que tudo na vida tem seu lado bom e embora tenha me afastado do Nyah por "N" problemas pessoais, a volta está sendo maravilhosa!
Guima, Sion Neblina, Meiji, Lady Jun,
Sophiedolphin, Kao, Tekinha e
Grell diva Sutcliff, quero agradecer a calorosa e festiva recepção; foi de extrema importância para mim!
Meiji querida, não tenho recursos para colocar em palavras o quanto sua recomendação foi encantadora! Sinto-me honrada com este presente de retorno!
BiaS2, seja bem vinda ao meu mundo! Sinta-se a vontade pois aqui a casa é sua!
Volto a salientar que não tenho Beta então, desculpo-me por possíveis erros. No mais, uma boa leitura a todos!

Capítulo 7

Com a sobremesa servida para ambos, Madara pegou o castiçal e fez sinal com a cabeça para que Itachi o seguisse. Foram para sala onde Madara colocou o castiçal na mesa e em seguida baixou-se para acender a lareira. Itachi acomodou-se no sofá e aguardou. De volta ao sofá, comeram o doce sem pressa, comentando vez ou outra o quanto estava gostoso ou sobre algum outro doce já degustado por ambos.

Em determinado momento, em função de um trovão Itachi se assustou e derramou calda no queixo. Madara riu divertido e pegou o guardanapo de sua mão limpando com suavidade o local, mas internamente seu coração e sua mente travavam uma batalha impiedosa entre certo e errado, já que seu coração lhe exigia limpar aquilo com sua língua e seu cérebro lhe congratulava pela sensatez.

- Nunca sentiu vontade de ser pai? – questionou Itachi com um tom agradecido na voz pelo gesto cuidadoso do tio, sem qualquer noção de sua batalha interior.

- Não... Por quê? – perguntou Madara conseguindo finalmente aceitar o cumprimento de seu cérebro ao ser trazido a realidade pelo sobrinho.

- Cuida de mim como se fosse meu pai às vezes... Na maior parte do tempo na verdade.

- E isso é ruim?

- Não, de forma alguma! Me sinto protegido quando age assim! É que sempre penso que teria sido um pai maravilhoso.

- Agradeço o elogio, mas não tenho vocação para ser pai. Nunca quis ser seu pai, em momento algum, nem mesmo quando veio para cá, deserdado pelo seu. Sempre tentei ser seu amigo até mais do que seu tio. – comentou num tom um tanto amargo sem perceber que o fez.

- Nunca pensei em você como meu pai também Madara. – confessou Itachi sentindo-se quase agredido fisicamente pelas palavras do tio – Você... Mal consigo pensar em você como meu tio hoje em dia. É tão mais para mim que isso! Que pai, tio... Que um mero familiar sabe? Chega a... Parecer errado certas horas ser seu sobrinho!

Madara franziu a testa perturbado pelas palavras de Itachi. Comeu a última colherada do doce em silencio, deixando o mesmo desfazer-se em sua boca para tentar ganhar tempo enquanto buscava desesperadamente uma forma de responder a aquela declaração.

Itachi acompanhou a colher até a boca dele com os olhos e engoliu seco ao ver como os lábios se fecharam com firmeza ao redor da colher. Incapaz de terminar seu doce colocou o prato sobre a mesa e se levantou caminhando até a lareira, pegando uma foto sua e do tio e analisando-a com mais interesse do que nunca tinha feito.

Lembrava-se daquele dia. Ele e Madara tinham se embrenhado no bosque sem definir um trajeto, apenas passeando e depois de um longo tempo ouviram o barulho de uma queda d’água. Seguindo o som, foram até ela encontrando-a num cenário paradisíaco e Itachi programou a máquina para tirar uma foto deles no local. Correu até o tio que o abraçou mantendo-o na sua frente e encaixando a cabeça no seu pescoço.

Quando a máquina registrou o momento foi buscá-la e não notou Madara seguir atrás de si. Sorriu ao fitar a imagem perfeita e virou-se apressadamente para ir em direção ao tio, trombando com ele e quase se beijaram naquele momento. Só não aconteceu por que o mais velho deu um passo em falso para trás tentando evitar o contato e torceu o tornozelo.

Aquilo tinha acontecido há um ano; e exatamente naquele dia, começara a notar Madara de uma maneira diferente...

- Itachi? Ouviu minha pergunta?

- Desculpe... Não ouvi. – respondeu fechando os olhos e colocando o porta retrato no lugar – Do que se trata?

Quando Itachi se virou seus olhos estavam intempestivos, rebeldes. Seu semblante continuava tranquilo, até mesmo triste na verdade, mas seus olhos denunciavam todo seu conflito.

- Perguntei se isso te machuca... Essa sensação de que falou e... Há quanto tempo vem sentindo isso sem falar comigo.

Itachi suspirou. Machucava SER sobrinho de Madara... Mas lhe dizer isso? Nem em sonho!

- Pior que não. Acho que tenho uma visão relacionada a laços familiares tão traumática que soa ofensivo você ser parte da mesma família de onde vem o meu trauma e irmão do meu pai ainda por cima. Por outro lado...

- Por outro lado?

- Embora eu te chame a maior parte de tempo de tio... É como você falou. É mais meu amigo que meu tio.

- E há quanto tempo isso vem tomando forma na sua cabeça sem que me diga nada?

- Dizer o que? – perguntou se abraçando demonstrando um pouco de insegurança quanto aquilo – Que o sobrinho de quem você tem tanto orgulho não acha certo que você seja tio dele? – questionou num fio de voz.

Madara baixou os olhos pensativo. Itachi estava sentindo algo tão forte por si que estava bagunçando completamente sua cabeça. E provavelmente estava começando a perceber que era algo maior e mais forte do que deveria e isso estava lhe deixando doente!

Abriu os olhos ao sentir Itachi segurando em suas coxas delicadamente enquanto se ajoelhava na sua frente.

- Devo me desculpar? Por você significar mais para mim do que diz minha arvore genealógica? Por não querer limitar nosso relacionamento a laços sanguíneos? Por que você foi tudo isso para mim Madara: pai, tio, irmão... Representou com maestria cada um desses papéis a medida que fui crescendo mas... Hoje não mais! Não cabem mais papéis entre nós; só cabe o que somos um para o outro agora e posso estar errado, mas sou mais do que um simples sobrinho para você também!

Madara sentiu o coração palpitar freneticamente, gritando para que ele aproveitasse o momento e contasse toda verdade para Itachi sobre seus sentimentos. Por que... Pelo amor de Deus, Itachi estava assumindo seu amor ali não estava? Estava lhe dizendo claramente que sabia que ele sentia o mesmo não era isso?

- Não se desculpe... O que você sente é lindo e me sinto honrado por merecer tanto afeto de você como seu amigo. Sinal de que cumpri o que me propus quando te trouxe para cá. – respondeu baixo tirando as mãos dele que agora exerciam uma pressão maior de suas coxas – Só nunca se esqueça que por mais que não goste dele, o laço existe e é graças a ele que estamos aqui hoje; se eu não fosse seu tio, nada do que vivemos nestes três últimos anos teria sido possível.

- Não pretendo esquecer. Tanto que na maior parte do tempo ainda te chamo de tio. Só... Não é só isso!

- Então não sinta que é errado, por favor... – pediu tentando restaurar a visão de Itachi a seu respeito. Ele não deveria vê-lo como homem; apenas como tio. Isso era o certo. Mesmo que morresse sozinho por abrir mão do amor da única pessoa que amava e desejava ter em sua vida, era o certo.

- Então... Estou errado não é? – perguntou sentindo-se envergonhado e por este motivo baixou a cabeça.

- Não, de maneira alguma. – respondeu tocando com gentileza o queixo fazendo-o lhe olhar novamente – Não é errado me ver como seu amigo; só que não deve deixar de me ver como seu tio por causa de terceiros. Sempre serei ambos Itachi: seu tio e seu amigo.

Itachi sorriu. Primeiro foi um sorriso triste, mas depois de um suspiro aliviado sorriu com mais vontade.

- Alguém já te disse que você convenceria um peixe a pular dentro da boca de um gato? – perguntou fazendo Madara rir de jogar a cabeça para trás.

- Céus! Sou tão manipulador assim?

- Não é manipulador é inteligente e coerente!

- Acho que o peixe não concordaria com você!

- ... Ele realmente não teria tempo de refletir a respeito depois de pular na boca do gato! – respondeu Itachi rindo depois de pensar algum tempo provocando mais risos no tio.

- Acho que preciso de mais doce depois desta! – declarou Madara ainda rindo.

- Busco para nós! – ofereceu-se Itachi levantando de um pulo e pegando os pratinhos, seguindo apressado para a cozinha.

Madara ainda riu um tanto e mesmo quando parou de rir manteve um discreto sorriso nos lábios. Itachi era maravilhoso! Tão inteligente, tão menino... E em certos momentos tão maduro! Suspirou e foi avivar mais o fogo para aquecer melhor a sala.

Tinha certeza que Itachi o amava profundamente depois do que ele havia dito... Era o mesmo sentimento que nutria por ele em segredo. Mas Itachi por pura inocência e inexperiência ainda não tinha entendido o que sentia e certamente sofreria quando isso acontecesse e sofreria tanto... E como não queria vê-lo sofrendo, precisava fazê-lo voltar a lhe ver como seu tio-amigo apenas. Como eram logo que ele se mudou. Com o tempo os sentimentos dele voltariam a um patamar seguro e ele seguiria com a vida e isso era o melhor para seu sobrinho, mesmo que não fosse o que tudo em si desejava.

Itachi voltou com as sobremesas e Madara puxou a manta do canto do sofá para cobrir a ambos. Bateu no colo e Itachi sentou-se ajeitando os pés em seu colo, sendo imediatamente coberto pelo tio.

- Por que doce é tão gostoso? – perguntou levando uma colher cheia a boca – Por que nos deixa tão felizes?

- Sensação de bem estar... A ciência explica. – respondeu Madara igualmente concentrado no doce. Não queria mais pensar por hora, queria apenas curtir a companhia do sobrinho.

Itachi parou com outra colherada de doce a poucos milímetros da boca e ficou olhando através do tio pensativo. Isso chamou a atenção do mais velho que comeu outra colherada e ficou analisando-o. Em determinado momento, Itachi simplesmente corou e encarou fixamente Madara.

- O que é Itachi? – perguntou com um sorrisinho contido.

Itachi ajeitou-se no sofá e mordeu a boca olhando fixamente para a tigelinha, mexendo compulsivamente o doce até virar um creme.

- É verdade aquela história de que... Doce, chocolate... Enfim, que causam a mesma sensação de bem estar?

- Como assim?

Itachi revirou os olhos e deu de ombro negando com a cabeça. Madara ergueu charmosamente a sobrancelha e tentou entender o raciocínio do sobrinho, rindo divertido quando compreendeu a dúvida.

- Causam a mesma sensação de bem estar do sexo? É isso? – perguntou gentilmente sem esconder seu sorriso. Deliciava-se com estes momentos de menino dele.

- Bom, diz a lenda... – comentou Itachi ainda sem encarar o tio, mas sorrindo agora.

Madara suspirou e mordeu a boca pensativo. Como responder aquilo?

- Cientificamente falando, sexo, exercício físico, chocolate... Todos fazem o cérebro liberar substâncias que nos causam sensação de bem estar, de euforia e prazer. Dentre elas, as mais conhecidas são a dopamina e a endorfina. Recentemente descobriram que ouvir músicas que são importantes para nós também faz com que o cérebro libere estas substâncias. Por isso a música desde sempre é tão importante nas mais diversas e milenares culturas do mundo.

- Mas não faz sentido... – disse Itachi estreitando os olhos numa careta concentrada.

- Por que não? – perguntou Madara.

- Tempo...

- Tempo?

- Tempo de estímulo que cada substância leva para causar bem estar e... Não acho que comer uma barra de chocolate de 250 gramas possa ser equivalente a uma hora de bicicleta ou... Um orgasmo intenso.

- Hum... Isso! – disse Madara sentindo-se estranho por causa do assunto. Chocolate, sexo, Itachi... Fechou os olhos e respirou fundo calmamente para tentar se concentrar – Não tem a ver com o tempo na verdade Itachi. Tem a ver com vontade, com desejo, com necessidade. Vontade de fazer exercício, desejo por alguém, necessidade de comer doce ou chocolate... Tem a ver com realização, com satisfazer algo... Entende?

- E onde a música entra nisso?

Madara ficou olhando fixamente nos olhos de Itachi que sustentou seu olhar o tempo todo.

Madara levantou-se e foi até a cozinha buscar o CD do Bon Jovi de Itachi, colocando no som espetacularmente moderno e potente da sala. Soprou as velas deixando apenas a lareira acesa. Colocou Diamond Ring para tocar, não pela letra, mas pelo clima que a batida da música causava.

Estalou o pescoço enquanto soavam os acordes iniciais e melodiosos da música e voltou-se para Itachi, convidando-o para dançar estendendo charmosamente a mão. Itachi franziu quase imperceptivelmente o cenho e estendeu a sua aceitando o convite.

Madara enlaçou Itachi pela cintura e o trouxe para bem perto. O coração de Itachi acelerou e ele entreabriu os lábios sem nem mesmo notar que havia feito. Seus olhos adquiriram uma coloração vermelha intensa, uma mistura de fogo e sangue e sua respiração tornou-se rápida e pesada.

Marada assistiu cada uma destas reações as sentindo refletirem em seu corpo e sua alma. Estava com os pêlos por baixo da roupa arrepiados, os músculos rijos pelo contato de fogo com o corpo tão desejado, estava com o coração batendo loucamente no peito por ter o jovem que amava tão entregue nos seus braços, desejando loucamente aquilo, ainda que não entendesse isso.

Começou a dançar com ele, de maneira calma, acompanhando o ritmo da música. A voz inebriante de Bon Jovi, guiando-os aos poucos a movimentos mais sensuais devido a cadência musical utilizada pelo cantor.

Em poucos instantes, Itachi desligou de tudo e só o que existia era voz hipnótica do cantor, as mãos fortes de Madara segurando-o com autoridade pela cintura e os olhos dele, tão intensamente vermelhos quanto do seus.

Tencionando levar as mãos ao pescoço do tio, escorregou preguiçosamente as pontas dos dedos pela blusa enquanto subia em direção ao pescoço. Parou ao chegar ao coração e ali espalmou uma das mãos, buscando os olhos do tio com uma pergunta muda.

Madara pegou a outra mão do sobrinho e espalmou-a sobre o próprio coração dele, mantendo a sua por cima. O corpo de Itachi arrepiou completamente ao reconhecer a mesma batida descompassada e urgente. Sem notar passou a língua pelos lábios ressequidos, causando uma suave dilatação nos olhos de Madara que ciente ou não daquele resultado os fechou, sentindo-se frágil demais aos encantos inatos do sobrinho naquele momento.

Na pausa mais sensual da música, já perto do final, Madara o puxou para si colando os corpos, sem alterar a posição das mãos e beijou sua testa demoradamente, recostando a cabeça na dele em seguida, curtindo aquele momento tão maravilhosamente mágico.

Quando a música acabou, ficaram abraçados, ainda se movendo ao som da música mesmo que agora a sala estivesse em silêncio. Não queriam se separar. Céus! Itachi mataria para continuar ali e seus olhos se encheram de lágrimas pelo sentimento perturbador. Agarrou com força a camisa de Madara que o estreitou um pouco mais nos braços e então afrouxou o abraço, deixando para ele a missão de decidir o que fazer a seguir.

Itachi engoliu o choro e ergueu lentamente os olhos até conseguir encarar o tio.

- Foi... Indescritível. Obrigado. – disse com voz baixa demais para então se afastar – Boa noite... Tio Madara.

Madara simplesmente ficou parado no meio da sala, acompanhando o subir deliberadamente lento de Itachi pelas escadas da casa. Por um momento, por um breve instante, se imaginou subindo correndo a escada e o alcançando, virando-o para si e beijando-o louca e apaixonadamente e sendo correspondido por ele com total entrega. Viu-se levantando-o nos braços enquanto ele prendia as pernas em sua cintura para alcançar um dos quartos, qualquer um e então sem pressa, despi-lo das roupas, da vergonha que sabia que ele sentiria... E amá-lo! Amá-lo até a exaustão, até fazer Itachi viciar em seu toque, em seu corpo e cheiro, até ELE ter de implorar para Itachi deixá-lo descansar nem que fosse por quinze minutos.

Mas apenas fechou os olhos com força e virou-se para a lareira, ajoelhando-se para apagar o fogo. Só que não foi capaz de fazê-lo já que as chamas lembravam tanto o fogo que brilhava nos olhos do sobrinho quando ele estava em seus braços e sem notar abraçou-se sentindo frio apesar do calor vindo da lareira e chorou como nunca havia sido registrado antes em sua memória que já tivesse algum dia chorado.

Itachi ao chegar no quarto fechou a porta e pela primeira vez desde que chegara ali a trancou. Seu corpo ardia febril, seu coração latejava numa angústia sem explicação. Respirou fundo incontáveis vezes e começou a tirar a roupa um tanto desesperado, tentando aplacar o calor insano que nascia de suas entranhas. Jogou-se na cama nu, com o corpo tão sensível que parecia que até o edredom feria sua pele e fechou os olhos levando as mãos aos cabelos e puxando-os para trás desesperado.

- Madara... – chamou baixo, chorando assustado por tudo que sentia.

Dormiu sem notar exaurido emocionalmente, depois de passar horas relembrando cada diminuto segundo que permaneceu nos braços do tio, sentindo o corpo reagir loucamente cada vez que sentia a mão quente, grande e pesada, descansar com tanto carinho em sua cintura.

Madara acordou cedo incomodado pela claridade intensa que entrava no seu quarto. Quarto? Pensou estranhando já que não era tão aberto assim e principalmente porque sua cama era macia e confortável e não dura e fria. Abriu os olhos para constatar chocado que havia dormido na sala.

Sentou-se e levou as mãos ao rosto e depois aos cabelos, tentando ajeitá-los e então abraçou os joelhos pensando na noite anterior e em Itachi. Estaria ele bem? Concentrou-se um pouco tentando ouvir os barulhos da casa e só conseguiu perceber silêncio. O sobrinho ainda estava dormindo. Levantou-se sentindo-se altamente dolorido e despreguiçou-se tentando conjuntar o corpo novamente.

Subiu as escadas rápido e tão silenciosamente quanto um felino e quando chegou a porta do quarto de Itachi tentou abrir assustando ao notar que estava trancada! Recostou a cabeça na porta com os lábios comprimidos e um peso enorme nos ombros.

- Me perdoe... – pediu baixo sentindo-se estranhamente velho e cansado.

Seguiu para seu quarto onde tomou um banho demorado e quente para tentar colocar os nervos no lugar e enquanto isso tentou decidir o que faze naquele dia. Ele e Itachi não aguentariam ficar sozinhos depois da noite anterior. Precisavam de companhia e urgente, mas prometera ao sobrinho que ficariam em casam juntos. O que fazer?

Saiu do banho e foi ligar o celular e sorriu com a mensagem que apareceu no seu visor.

“Madara aconteceu alguma coisa? Me liga”

Vestiu-se o mais confortável que conseguiu, trançou o cabelo e sentou-se na cama, ligando para o amigo.

- Porque mesmo nunca me casei com você? – perguntou quando ouviu o “Até que enfim” do outro lado da linha.

- Por que não sou eu que você ama e por mais que seja delicioso ir para cama com você eu também não te amo!

- Mentira! Você sabe que somos loucos um pelo outro.

Uma risada suave e divertida fez-se ouvir do outro lado da linha e então um suspiro.

- Sim eu sei. Mas meu coração é de um homem só assim como o seu e embora o meu esteja curtindo o descanso eterno, o seu está bem vivo e eu ainda tenho esperança de ver vocês dois juntos!

Madara se calou e sorriu triste pensando no quão impossível isso seria.

- O que houve Madara? Converse comigo, está... Instável, posso sentir.

- As coisas... Meio que saíram do controle ontem.

- Como assim?

- Acha... Acredita ser possível que o Itachi também me ame? Como homem?

- Madara, o Itachi é completamente apaixonado por você. Cansei de lhe dizer isso.

- Mas como pode ser? Ele é tão menino...

- E amor tem idade? Ou sexo? De todas as pessoas do mundo que eu conheço meu amigo, você é o último que deveria ter este tipo de dúvida.

- Acontece que ele não sabe o que sente. Não tem maturidade e tão pouco experiência para entender e... Acho que terminei de ferrar com a cabecinha dele!

- Rolou alguma coisa entre vocês?

- O que? Não, claro que não! Tivemos um dia cheio de altos e baixos ontem... Discutimos, brigamos, dançamos... Deus minha cabeça vai explodir!

- Não pode deixar a situação desandar! Sei que contar a ele sobre sua sexualidade sempre foi um peso para você e entendo que deve estar sendo difícil lidar com a genialidade inocente dele, mas agora que contou precisa ficar firme.

- O problema não é este. Itachi aceitou isso como se nunca tivesse sido segredo embora eu saiba que para ele foi uma surpresa. Só que... De algum modo inconsciente os sentimentos dele parece que despertaram depois que contei a verdade e... É tão forte que estou me perdendo! Ele me diz coisas, se declara para mim o tempo todo sem entender de que se trata realmente. Não sei como lidar com isso; não esperava lidar com isso!

- Quer vir pra cá? Pra conversar com calma, tentar recuperar o controle?

- Não posso prometi que passaria o final de semana todo com ele. Mas... Depois de ontem a noite não sei se temos condição de ficarmos sozinhos. Não temos... Emocional suficiente para lidar com isso!

- Entendo... Quer que eu vá para aí? Como quem não quer nada?

- Seria uma boa... Não só você, mas todo o pessoal. Acho que isso ajudaria os dois e não apenas eu.

- Bom, depois que vocês foram embora da balada combinamos de fazer algo, talvez um almoço no domingo... Podemos fazer hoje, aí na sua casa! Sabe que consigo fazer o pessoal topar a ideia sem necessariamente parecer que foi premeditado!

- É eu sei! Faria isso por mim? – perguntou Madara rindo um tanto aliviado.

- Não concordo em fazer isso com o Itachi, mas se está me pedindo algo assim é porque está realmente sem chão então, apenas por isso vou fazer. Mas já aviso que vou querer entender esta história quando chegarmos aí!

- E vou contar nos mínimos detalhes eu prometo.

- Vou ver o que posso fazer ok? Mas precisa tentar juntar os cacos e segurar as pontas até chegarmos aí Madara. Não pode deixar seu sobrinho a deriva!

- Ele não gosta de ser meu sobrinho.

- Ele... Ele o que?

- Ele sente que é errado ser meu sobrinho, que sou muito mais do que isso para ele assim como ele sabe que é muito mais do que isso para mim... – repetiu a fala de Itachi sentindo os olhos encherem de lágrimas – Deus não posso perdê-lo!

Hidan permaneceu em silêncio estarrecido demais com o que ouvira.

- Não vai perdê-lo, mas terá de ajudá-lo a entender o que ele sente por você e mais do que isso... Vai ter de fazê-lo entender que sente o mesmo por ele.

- Fiz isso ontem sem perceber só que... Agora ele está dormindo com a porta do quarto trancada! Entende a gravidade disso?

- Não porque não sei dos detalhes, mas calma. Vou agitar o pessoal e já, já estou aí. Apenas aguente ok? E quando ele acordar tente ser coerente com ele como sempre foi!

- Vou tentar.

- Não Madara você nunca foi homem de tentar alguma coisa. Sempre foi lá e fez! Não me decepcione agora ok? Nem a mim e nem ao Itachi!

- Como consegue ser sempre tão formidável?

- Isso, me bajula bastante! Pelo jeito vou te dar um esporro fenomenal quando nos vermos para estar agindo todo docinho assim...

- Não é isso... Sabe o quanto te admiro e te respeito. Sabe que sempre foi o único para quem me abri na vida e mesmo depois de tanto tempo, de tantas mudanças na nossa vida continua o mesmo homem formidável que conheci ainda menino na escola.

- Céus homem! Está parecendo um velho com o pé na cova falando!

- Pois é... Estou me sentindo miseravelmente velho e cansado e uma novidade: muito solitário.

- Está precisando de carinho sabia?

- Do seu carinho quer dizer não é? Porque é o único que pode me dar o que preciso.

- Madara é o grande amor da minha vida e sabe disso. Mas como amigo. Nunca o amei como homem e nem você a mim e não tente fazer de mim seu homem agora porque está com medo do que está enfrentando com Itachi. Não é certo com nenhum de nós. Itachi é a pessoa certa para você, só precisa entender o que sente por você por que daí por diante o amadurecimento vem naturalmente. Estarei sim aqui para suprir sua carência até que ele assuma o lugar que é dele, mas não bagunce as estações!

- Hidan pelo amor de Deus não posso exigir que um menino que recém completou dezoito anos, que é meu sobrinho e que tem metade da minha idade assuma um relacionamento comigo!

- Exato Madara! Não pode exigir, isso tem de ser uma escolha dele! Sua parte é ajudá-lo a entender o que sente! Itachi tem Q.I. acima da média! Sabe que o mundo não é um parque de diversões, não vai se deslumbrar pelo sentimento e mergulhar de cabeça sem pensar muito a respeito, principalmente por amar você e querer te proteger e cuidar de você como sempre fez com ele!

- Tem ideia do que vai acontecer se isso chegar ao conhecimento do pai dele?

- Que pai Madara? Aquele crápula amaldiçoado deserdou o menino! Quem é ele para querer exigir alguma coisa agora? Acha que isso vai impedir Itachi de ficar com você? Se acha isso não conhece seu sobrinho!

- Não acho, mas ele não precisa da retaliação que vai sofrer por minha causa!

- Madara está ficando histérico e me deixando também! Isso não é assunto para agora! Itachi precisa de você para algo mais importante que lembrá-lo que tem uma sarna como pai!

Madara calou-se refletindo sobre as palavras do amigo. Hidan estava certo; estava sendo decididamente ridículo e sofrendo impensadamente por antecipação e não era dado a isso.

- Perdoe-me. Acho que a tsunami de emoções que eclodiu aqui em no dia de ontem me desestabilizou completamente.

- Está assustado por que está apaixonado e vendo pela primeira vez uma luz ao final do túnel que te guia a reciprocidade do sentimento! Isso gera euforia, pressa e muitos outros sentimentos contraditórios... Eu te entendo e é por entender que estou tentando evitar que surte porque Madara se você está assim, imagina como Itachi não está ainda mais confuso!

- Tem toda razão. Obrigado por me trazer de volta.

- Ainda quer que vamos até aí?

- Sim, quero muito que venham. Eu conheço Itachi; ele deve ter tido uma noite turbulenta e estará com a cabeça a mil e sem conseguir chegar a conclusão alguma. Ele precisará desta calmaria para reorganizar a mente.

- Certo. Nos vemos logo mais então.

- Hidan... Mais uma vez obrigado. Por tudo!

- Não se preocupe meu amigo! Vou cobrar um agradecimento mais atencioso de sua parte depois! – respondeu num tom provocativo, fazendo Madara rir com gosto – Agora sim! Este é meu amigo! Até mais...

- Até!

Madara desligou o telefone ainda sorrindo e balançou a cabeça numa suave negação por causa das palavras finais de Hidan. Só mesmo ele para lhe devolver o juízo depois da noite perturbadora que passou com Itachi.

Pensar no sobrinho o fez ficar sério novamente. Esperava realmente que um dia light o ajudasse a absorver o que havia acontecido na noite anterior.

Notas finais
Bem, não vou fazer fazer promessa quanto a postagem do próximo Capítulo, mas adianto que já está pronto em minha cabeça então, fica apenas a delicada missão de passar para o papel.
Quanto aos reviews, tentarei responder a todos este final de semana.
Até breve e que os Anjos do Céu e dos Seres Elementais da Natureza lhes guiem e protejam hoje e sempre!
Beijo em seus corações,
Lothus.