Notas iniciais
Boa noite queridas e queridos do meu coração! Todos bem? Já deviam estar imaginando que não teria capítulo esta semana não é? Desculpem! Tia Lothus está correndo horrores, mas não vou deixar vocês sem capítulos ok? Então... Sei que a fic está acabando, mas quero de coração dar as boas vindas aos novos leitores que tão generosamente me permitiram saber que se juntaram a nós neste "Romance Uchiha". Sejam todos bem vindos, fiquem à vontade para comentar, mandar MP para a autora... A casa é de vocês! Querida DCC, é um prazer e uma honra imensa ter você aqui! Espero de coração sempre escrever histórias que te cativem como Mad Love que NÃO ESTÁ TERMINADA POR UM BOM MOTIVO, mas que sim, será terminada com muito carinho viu? Nada de beta portanto, novamente humildemente peço desculpas por meus erros. Por mais que eu corrija, conheço bem demais a história então, mesmo lendo e relendo, as vezes simplesmente não noto os erros.

Itachi contou os mínimos detalhes de sua conversa com sua mãe, inclusive sobre Fugaku tê-lo decretado como “morto/falecido” e sobre o encontro no cinema. Não houve qualquer conotação de expectativa ou entusiasmo em seu relato. Não houve nenhum brilho especial pela possibilidade de Sasuke estar tentando se aproximar ou se quer pelo seu aparente arrependimento de ter ferrado com a vida do mais velho e isso impressionou Madara embora não tenha demonstrado.

Mas aquela ideia filha da puta e cretina de Fugaku de dar Itachi como morto? Sério, Madara realmente queria bater no irmão mais novo como nunca quis antes em sua vida, nem mesmo quando ele bateu em Itachi.

Ficava se perguntando qual era o problema dele. Seu pai era um crápula preconceituoso, mas pelo amor de Deus não era essencialmente perverso como o filho caçula. Acreditava firmemente que aquilo era caso para interdição e tratamento.

– Vai realmente guardar este silêncio assustador? – questionou Itachi sentando em frente ao mais velho com olhar preocupado.

– Estou sentindo tanto rancor pelo Fugaku neste momento que se eu falar alguma coisa vou dar detalhes de uma forma bem lenta, dolorosa e monstruosa de mata-lo então é melhor não me pronunciar. – respondeu fechando os olhos e massageando as têmporas com os dedos.

Itachi se levantou de onde estava e caminhou até o tio, parando atrás dele. Abraçou-o apertado e lhe deu um beijo logo abaixo do lóbulo da orelha arrepiando-o por inteiro.

– Vamos, não deixe ele lhe causar tanta coisa ruim. O que importa é que você não é como ele. – tentou tranquiliza-lo e para completar seu intento, começou uma gostosa massagem em seus ombros, apertando no local certo onde havia um nó se formando – Olha como você está! Tem até nó... Se soubesse que ia ficar assim eu não...

– Ei, ei, ei! – falou Madara puxando-o para sua frente e prendendo-o entre suas pernas segurando-o pela cintura – Nem pense em completar isso! Estou feliz que tenha me contato. De verdade!

Itachi descansou os antebraços nos ombros do tio e ficaram se olhando em silêncio curtindo um ao outro.

– Não me afetou. Juro! Nem foi por causa dele que eu lhe contei isso, foi apenas porque bem ou mal isso fez Sasuke acordar.

– Eu sei... É que... Itachi você entende que eu amo você? Que você é importante demais para minha vida para eu sequer imaginar que aquele bastardo, filho de uma piranha de rio ousou dizer que você está morto?

Itachi se calou e seu coração começou a bater intensamente. Bom Deus, bom Deus... Que seja agora, que essa angústia termine que eu tenha sabedoria para falar a coisa certa e ele finalmente se abra para mim! Pediu em seu coração.

– Tanto... Assim? – perguntou baixando os olhos com as bochechas coradas.

Madara o olhou de uma maneira profunda e mandou as favas seu alto controle e toda sua preocupação sobre família, idade e todo o resto e levou sua mão ao queixo do mais novo, fazendo-o olhar para seus olhos.

– Amo você mais que a minha vida Itachi... Porque você É a minha vida e é mais importante que tudo para mim.

Itachi arfou e entre abriu os lábios completamente sem ar com a declaração intensa de Madara.

– Eu só percebi quão incompleta era minha vida quando você veio morar comigo. – continuou perante o silêncio do sobrinho lutando consigo mesmo para não recuar perante o silêncio obviamente chocado dele – Eu acordava, eu tomava banho, me alimentava, trabalhava... Mas eu estava sobrevivendo e não vivendo. Não havia um alguém por quem lutar, por quem perder as noites de sono, por quem voltar para casa. Não havia um sorriso de bem vindo ao lar, um abraço de obrigado, um beijo de despedida. Não haviam copos ou xícaras compartilhados, aperitivos roubados e nem doces trocados.

Itachi sentiu os olhos arderem e brigou loucamente com as lágrimas. Não porque achasse besta chorar ou algo assim. Não queria de forma alguma que sua visão ficasse nublada e lhe impedisse de vislumbrar a expressão quase devotada de Madara.

– E por mais que eu saiba que um dia você vai precisar seguir em frente, eu realmente não quero que este dia chegue tão cedo porque eu não vou saber seguir em frente sem você.

Itachi levou os dedos aos lábios de Madara impedindo-o de continuar. Seus dedos tremiam levemente e estavam gelados.

– Não continua... Não se for para falar de medos. Eu não vou embora. Eu não quero ir embora. Eu já lhe disse: não há nada que o mundo lá fora me ofereça que eu troque pelo que temos juntos. Seja o que for.

Madara escorregou os dedos levemente pelo braço do sobrinho até segurar-lhe o pulso e então beijou seus dedos.

– Precisa viver Itachi. Precisa se apaixonar, precisa descobrir o prazer, precisa...

– Preciso de você!

A resposta do jovem Uchiha quebrou todas as convicções de Madara. Itachi não gritou, não desesperou. Falou com uma certeza baixa, repleta de seriedade e simplicidade. Não falou para os ouvidos de Madara ouvirem, falou para seus poros absorverem e levarem na íntegra aquela afirmação até sua alma.

Madara levantou-se sem pressa, sem qualquer intenção de impor sua altura ao sobrinho que mesmo sendo por pouquíssima diferença ainda era menor. Deu-lhe um beijo carinhoso na testa encostando a sua a dele na sequência e acariciou lhe a bochecha gentilmente se pronunciando a respeito daquela declaração arrebatadora:

– E você me tem... — e para comprovar o que dizia, encaixou sua boca na dele, presenteando-o com um beijo doce e profundo.

Itachi respirou fundo pego de surpresa ao sentir aquela boca deliciosa que planejara beijar clandestinamente na sua por vontade própria. Passou os dois braços pelo pescoço dele e se entregou ao momento.

Itachi sentiu-se atingido por uma bomba de potência nuclear quando sentiu a língua quente de Madara adentrando sua boca e buscando a sua. Oh sim! Ele já havia beijado antes com língua e tudo, mas... era Madara! E descobriu que a sensação passada pelo seu sonho nada tinha a ver com a realidade por que... Madara não beijava simplesmente ele... Oh bom Deus! Ele acariciava e sugava sua língua, esfregava suave e quase imperceptivelmente o lábio inferior no seu, incitava-o a enroscar sua língua na dele... Madara praticamente lhe fazia amor com a língua! E não havia urgência, pressa... Era tudo calmo, exploratório... Literalmente ele o queria ali, participando, mudando tudo se não estive lhe agradando...

E isso consumiu Itachi de uma forma que ele não se reconhecia. O sempre curioso e atrevido Uchiha Itachi estava entregue, apenas participando do que fosse que Madara fizesse. E estava tão bom, tão gostoso! Suspirou e enfiou os dedos nos cabelos dele pela nuca, acariciando e enroscando os dedos nos fios longos. Sem premeditar começou a arranhar de leve as unhas bem aparadas na nuca do mais velho e sentiu claramente que ele estremecia.

No segundo seguinte, gentilmente e com uma saborosa e delicada chupada no lábio inferior, Madara apartou o beijo e o puxou para um abraço forte. Só então notou a respiração pesada dele. Aparentemente não por ter perdido o fôlego, mas por estar talvez buscando... Controle.

Itachi correspondeu ao abraço de olhos fechados sentindo-se no céu. Madara o beijara! Madara finalmente... Quer dizer, aquilo era uma declaração de amor em se tratando dele não era?

– Eu amo você Uchiha Itachi! Eu não devia ter feito as coisas desta maneira, eu sei que não, mas...

– Shhhhhhhh... — fez Itachi apertando ainda mais Madara nos braços — Aconteceu como deveria acontecer. Esse sempre foi nosso jeito de ser um com o outro, porque seria diferente agora?

– Às vezes você é tão maduro que me assusta criança!

Itachi foi obrigado a rir divertido.

– Como se atreve a elogiar minha maturidade e me chamar de criança na mesma frase Madara? — perguntou afastando-se dele e lhe dirigindo um olhar levemente atrevido.

Madara ficou olhando para ele e então riu dando de ombros e lhe puxando para compartilharem seu beijo próprio onde um beija a testa e o outro o queixo.

– Culpado! — disse levando a mão ao peito.

– Claro que é! — disse Itachi esfregando o nariz do dele — E eu te amo mesmo assim...

Madara segurou o rosto de Itachi com as duas mãos e o fez olhar em seus olhos.

– Repete... ? — pediu com um olhar ansioso. Itachi ficou olhando para ele com carinho então lhe roubou um pequeno e estalado beijo e fez o que lhe foi pedido.

– Eu te amo...

Madara voltou a beijar seus lábios num rompante. As bocas se encaixaram naquela perfeição absurda que já havia acontecido no primeiro beijo e eles nada fizeram de imediato. Aos poucos foram movendo as bocas, trazendo as línguas para participar... Até estarem envolvidos num beijo perigosamente quente que só foi interrompido quando Itachi respirou fundo e ao soltar o ar, gemeu de um jeito languido e convidativo.

– Deus do céu! — falou Madara separando- se dele com um olhar alerta. Colocou-o sentado no banco que ocupava anteriormente e deu a volta na mesa sentando-se em outro banco.

– O que... Que foi isso? — perguntou Itachi confuso.

– Nada demais. Isso fui eu correndo de você completamente a perigo. Só isso... — disse como se fosse a coisa mais natural do universo fazendo Itachi levantar uma sobrancelha curioso. — Não pergunte. Entenda como quiser.

– Eu entendi... — garantiu Itachi sorrindo maroto para o tio e baixando os olhos em seguida. Tinha deixado Madara a perigo? Era isso? Um simples beijo e ele estava escalando uma parede de azulejo com os dentes? Tinha todo este poder sobre ele?

Madara revirou os olhos e negou com a cabeça ao notar a carinha travessa de Itachi. Estava tão, mas tão ferrado na mão desta criança! Criança? Pois sim Madara, vai sonhando...

– Minha mãe sabe... — soltou Itachi do nada pegando Madara desprevenido.

– Sabe o que exatamente?

– Que eu estou apaixonado. Na realidade foi ela quem me fez ter certeza dos meus sentimentos.

– Mesmo? — perguntou apoiando o queixo em uma mão.

– Uhum. — respondeu com simplicidade pegando um biscoito de nata e mordendo.

Madara ficou calado refletindo por um instante. Mikoto havia percebido então! Mas com certeza jamais imaginaria por quem ele estava apaixonado. Fechou os olhos pesaroso por causa disso.

– Não me importo com o que ela ou qualquer pessoa no munda possa achar disso Madara. Eu amo minha mãe, mas ela perdeu o direito de me julgar ou querer controlar qualquer aspecto da minha vida quando não fez nada para me defender de Fugaku. E ainda que tivesse feito algo, é da minha vida e da sua que estamos falando; nossa felicidade. Não diz respeito a mais ninguém.

– Mas não será assim tão simples Itachi.

– Não é simples nem para quem não tem parentesco ou uma diferença expressiva de idade Madara. Por que seria para nós que somamos todos estes dilemas?

– Não quero que se machuque. Pelo contrário eu queria poder te proteger do mundo todo... Para sempre!

O olhar de Itachi se enterneceu a esta confissão.

– Você me protegeu e me salvou na hora que mais precisei de você. Ensinou-me a ser homem e a enfrentar a vida de cabeça erguida. E eu quero fazer isso ao seu lado.

Madara abriu um sorriso enorme. E quando percebeu que sorria de forma tão aberta e apaixonada ficou sem graça e comprimiu os lábios desviando o olhar, tentando se recompor.

– Não faça isso. Deixe-me conhecer este sorriso tão novo para mim... — pediu estendendo a mão e pegando a de Madara.

– Tem ideia do quanto estou feliz? – respondeu Madara pegando sua mão e acariciando seus dedos.

– Tenho. Sinto-me da mesma forma. Estou com vontade de gritar para o mundo que amo loucamente você e que sou totalmente correspondido! – confidenciou deixando a cabeça pender para trás para sua voz ecoar pela casa com mais clareza, numa atitude nada típica do mais novo.

– Não faça isso! Serei preso. – pediu Madara não se referindo ao que ele tinha acabado de fazer, mas sim ao gritar para o mundo.

– Quer me explicar sob que acusação? — perguntou Itachi cruzando os braços e estreitando os olhos entendendo para alívio de Madara o porquê de seu pedido anterior.

– Fugaku vai me acusar de pedofilia. Vai alegar que tirei você da casa dele aos quinze anos e que tenho uma relação conjugal com você desde então.

– E eu vou matá-lo de vergonha e autorizar exame de corpo delito na frente daquele verme para ele saber que sou muito virgem obrigado! — respondeu Itachi sério e de forma bastante fria.

– Itachi... Isso nos leva ao que eu queria conversar com você...

– Pelo jeito é sobre Fugaku.

Madara concordou com a cabeça.

– De que se trata?

– Vamos trabalhar com a empresa de segurança privada dele na Konoha.

Itachi ergueu as duas sobrancelhas surpreso, mas não chocado. Sabia que mais cedo ou mais tarde isso acabaria acontecendo e de certa forma esperava por este momento.

– A mim não faz diferença. Estaremos lá executando um trabalho para um grande cliente. Fugaku que se coloque no lugar dele.

– Sei que está tentando ficar indiferente Itachi, mas sei também que não é fácil.

– Pelo contrário. — cortou-o Itachi — Madara... Eu finalmente entendi que Fugaku me fez um imenso favor me deserdando e me expulsando de casa. Eu estou bem e quando digo que ele me é indiferente estou falando sério demais! Eu amo você, você me ama... Isso que me importa agora.

– Sasuke está tentando se reaproximar de você... – ponderou tentando mostrar que ele estava aos poucos tendo a chance de se aproximar daqueles que tem algum apreço depois de tanto tempo.

– Ele pode tentar, mas eu não vou fazer força alguma para isso acontecer. Ele quem errou comigo Madara e não eu com ele. E se um dia ele vier a saber a verdade sobre nós, eu sinceramente espero que ele não se intrometa novamente.

– Você é realmente surpreendente sabia?

– Já pensou no quanto me pareço com você? Não sei por que comigo está pensando tudo ao contrário do que costuma pensar e acreditar.

– Por que meu amor por você não aceita que se magoe.

– Por isso não me contou antes?

Madara calou-se o olhando profundamente nos olhos tão avermelhados quanto os seus.

– Eu não podia. Você não sabia de nada sobre mim, me via como um herói ou algo parecido.

– Eu entendo. E agradeço por ter esperado as oportunidades certas. – disse Itachi de forma confiante – E sei que na hora certa vai me contar tudo o que eu ainda não sei sobre você não é mesmo?

– Pode estar certo que sim.

– Obrigado Madara. Por me ver e me tratar como igual.

– Nem sempre eu sou assim Itachi então não me agradeça. Só entenda que eu não sou perfeito, que eu erro, que eu tenho sim minhas inseguranças e que tudo isso acaba estando relacionado a como agir com você porque eu nunca fui pai, nunca tive um namoro sério, nunca me envolvi com alguém mais jovem.

– Não está me contando nenhuma novidade Madara.

– E mais uma coisa... Eu continuo sendo seu tio. Talvez fosse mais fácil trancar esta informação dentro da cabeça e esquecê-la, mas eu não quero ser apenas um homem na sua vida. Quero poder ter tudo o que temos e reconhecer cada momento de ser quem você precisa.

Itachi suspirou e se levantou caminhando até a janela e dando as costas para Madara.

– O que foi? – perguntou com medo de ter errado ao mencionar o parentesco tão próximo.

Itachi não respondeu. Deu de ombros e enfiou as mãos nos bolsos continuando de costas.

– É só que... – e parou sem saber como mencionar o que lhe ia à mente.

Madara levantou-se e caminhou até o sobrinho, parando exatamente atrás dele e lhe fechando com os braços entre seu corpo e a janela.

– Vamos... – pediu ao pé do ouvido – Fala comigo.

Itachi sentiu-se arrepiar da cabeça aos pés, mas não era hora para aquilo de forma alguma. Havia tanto o que conversar e entender e aprender ainda!

– Itachi... Nunca tivemos segredos um para o outro. O pouco, muito pouco mesmo que você ainda não sabe sobre mim, se resume a uma única pessoa e é só por enquanto. E é assim porque não tem relação só comigo e eu não me sinto no direito de contar sem o consentimento da pessoa envolvida. Se ele já não fizesse parte da minha vida, se fosse algo de um passado remoto, pode ter certeza que você já teria conhecimento há tempos.

– Madara eu sinto ciúme de você! – confessou virando para ele – Muito ciúme! E... Eu não tenho direito de exigir nada de você, só que as coisas mudaram um bocado agora.

– Não diria que mudaram; aprendemos a nos amar de uma forma a mais, apenas isso. Somos tio e sobrinho sim e foi esta ligação que nos aproximou e nos fez sermos íntimos e nos apaixonarmos então eu quero que quando precisar do seu tio você olhe nos meus olhos e me deixe saber disso claramente. Mas sinceramente... Eu não sei Itachi... Se por sermos homens é complicado também descomplica um tanto a coisa toda.

Itachi franziu o cenho bastante confuso.

– Mesmo nos tempos atuais a homossexualidade ainda é um tabu Itachi. Ainda é escandaloso, ainda é vergonhoso. Isso será um fator de estresse para nós. Agora nosso parentesco... Não é como se eu fosse te fazer um filho ou coisa assim pra surgir todo aquele papo de genética que sempre assombra relacionamentos de parentes próximos. Ser um envolvimento homossexual vai pesar muito mais do que isso.

– Não estou preocupado com estas coisas. Sou gay e ponto final Madara. Por um motivo simples: eu pretendo pertencer a um homem só: você. E não dou a mínima para o rótulo, sério mesmo. E sobre ser seu sobrinho... Em cada fase que passei ao seu lado nestes três anos você foi de tudo um pouco: pai, mãe, irmão mais velho, tio... Acho que isso é uma coisa boa em nosso relacionamento; somos aquilo que o outro precisar.

– Então o que te preocupa?

Itachi ia começar a falar, mas comprimiu os lábios e desviou os olhos bastante confuso. Madara provocou-lhe os lábios percorrendo-os com a língua até que o mais novo abriu os lábios e enlaçou-o pelo pescoço, rendendo-se a um beijo fogoso que fez questão de tornar possessivo, fazendo Madara gemer relativamente alto em sua boca desta vez e agarrá-lo com mais vontade.

Madara prensou-o na parede e pressionou seu corpo no dele dando a oportunidade a Itachi de entender o quão crítico estava seu desejo. O mais novo arregalou os olhos e fez um ruído característico de quem foi surpreendido e novamente Madara interrompeu o beijo.

– Fala comigo... – pediu rouco com as pupilas dilatadas e o peito subindo e descendo irregularmente.

– Não tenho direito de exigir nada de você. Não sou nem inocente e tão pouco indefeso, mas sou inexperiente e tenho um longo caminho para percorrer até alcança-lo... Mas por favor, por favor... Não seja de mais ninguém! Não suporto a ideia...

Madara sentiu-se amolecer pela forma suplicante que Itachi disse aquilo sendo que no duplo ”por favor” fechou os olhos bem apertado como se realmente pedisse algo aos céus. Ele realmente achava que era um cafajeste ou algo do tipo?

– Por que eu faria isso com você? Para mim o nome disso é traição. Para você não?

– Não temos nada e...

– Não temos nada? Itachi! Acha que o que aconteceu aqui agora foi uma espécie de “ficada”? Acha que beijei você por esporte? Por diversão?

– NÃO! Sei que não foi nada disso, mas... Também não é como se...

– Não vai acontecer. – garantiu Madara – Entenda que até agora eu estive sozinho, só que de hoje em diante eu tenho você. Ainda que não aconteça nada entre nós tão cedo e não quero que aconteça a menos que esteja realmente seguro disso, vou esperar por você.

A esta firmação fabulosamente firme e segura Itachi agarrou-se a ele num abraço aliviado e agradecido. Teve medo; muito medo que até que estivesse pronto Madara continuasse se perdendo nos braços de Hidan. Não suportaria passar por isso.

Madara lhe deu um beijo na testa e segurou as mãos dele dando dois passos para trás.

– Agora trate de colocar uma roupa e vamos correr comigo no busque.

– O que? Não desistiu dessa ideia?

– Nunca precisei tanto gastar energia na minha vida sobrinho! – disse lhe dando uma piscada charmosa que inevitavelmente fez Itachi rir.

– Ok, ok... Já que eu tenho culpa nesse “acumulo de energia” eu vou junto!

– Acho bom mesmo! – respondeu Madara passando o braço pelo ombro dele e arrastando-o para fora da cozinha.

Passaram três horas no bosque e Itachi realmente estava pedindo arrego!

– Não é possível que três beijos deixaram Madara tão a perigo que ele precisa caminhar tudo isso! – desabafou baixo acreditando que ele estava longe. Tinham avançado demais no bosque e Madara tinha feito ele se sentar enquanto buscava um caminho para uma volta mais rápida e segura.

– Acontece meu príncipe virgem que eu tenho trinta e seis anos, não tenho tido tempo para relaxar e me entregar ao prazer e desejo você mais do que deveria já há algum tempo. – respondeu surgindo um ou dois minutos depois saindo do meio de umas arvores densas – De toda forma, é sim mérito seu também, porque você beija muito gostoso.

– De onde diabos você veio? – perguntou Itachi surpreso – Você desceu pelo outro lado!

– Eu sei que desci. Achei uma trilha maravilhosa que contorna por aquele lado o topo e da metade da descida em diante desce reto. Cruza com outra trilha logo mais abaixo que foi a que utilizei para subir agora.

Madara parou apoiando as mãos nos joelhos para respirar. Estava cansado, completamente suado... E simplesmente lindo! Suas bochechas estavam avermelhadas, o cabelo preso com alguns fios soltos escapando... Itachi mordeu a boca discretamente e olhou para o outro lado sorrindo. O que ele faria se soubesse que andava tenho sonhos eróticos sobre eles?

– Itachi? Está me ouvindo? – perguntou um tom mais alto que o normal.

– Não ouvi desculpe – pediu ficando levemente corado.

– Eu disse que podemos fazer o segundo caminho, o que fiz agora para subir até você porque assim daremos menos volta.

– Para mim está perfeito! – respondeu levantando-se e pegando a agua que ofereceu ao tio – Aqui. Ainda tenho; beba para se reabastecer para a descida.

– Obrigado...

Desceram em silêncio, trocando olhares e sorrisos cúmplices quando faziam alguma pausa para descansar. O resto da tarde passaram juntos, depois de prepararem algo para comerem em quantidade suficiente para a noite também, empoleiraram-se no quarto de Madara onde ora conversavam, ora trocavam carinhos, ora viam algum filme ou série, ora trocavam beijos e carinhos... Nada muito afoito e tão pouco atrevido. Tinham consciência de que se queriam demais, mas haviam coisas ainda a serem ditas, explicadas... E até que não houvesse mais nada entre eles, curtiriam este namoro quase colegial e plenamente inocente que iniciara naquele dia inesquecível.

Notas finais
... And the Winner is: O AMOR! ^.^ Talvez algumas pessoas não concordem com a forma como aconteceu o primeiro beijo, mas o amor aconteceu entre eles de forma natural, enraizado nas coisas e momentos simples sem tempestades em copinhos de cachaça. Até a revelação do Madara sobre sua bissexualidade e a aceitação por parte do Itachi aconteceu de forma simples então, não havia porque fazer o Madara escalar uma toque e salvar o Itachi da bruxa má, concordam? Contem-me o que acharam e como gostariam que tivesse sido; vou adorar saber! Até o próximo capítulo e ótima semana! Que os Anjos do Céu e os Seres Elementais da Natureza protejam e guiem a todos!