Pra Você Guardei o Amor
13 Capítulo 13
Notas iniciais
A semana começou corrida, agitada. Itachi ia pela manhã para faculdade, Madara o buscava na saída para almoçarem juntos e a tarde o levava para a Konoha onde ele ficava executando testes até pelo menos às vinte horas. E isso nem de longe estava o incomodando. Madara estava cuidando de outra parte do projeto, então ficava num setor separado do dele, mas ir e voltar com ele, poder tocar em seu rosto, entrelaçar os dedos com os dele... Estava amando tudo isso!
Madara por sua vez ainda não entendia como as coisas tinham acontecido exatamente. Porque parando para pensar deveria ter havido uma conversa séria, cheia de dramas... Mas não foi assim. Itachi foi de uma maturidade assustadora e lidou com tudo de uma forma que agora fazia pensar se ele Madara não havia exagerado um tanto em suas inseguranças.
Nas inúmeras vezes que conversara com Hidan e desabafara seus medos, seu amigo lhe dissera que ele Madara não tinha criado Itachi para ser um maldito covarde. Antes mesmo dele vir fazer parte constantemente de sua vida, quando Fugaku o estapeou, ele já demonstrou uma força, coragem e caráter impressionantes e era apenas um adolescente de 15 anos.
Mas era exatamente aquela cena dele frágil e desprotegido ao chegar a sua casa, perdido e assustado que o fazia temer um futuro juntos. Não queria que Itachi sofresse mais do que já havia sofrido em tão tenra idade. Não era justo.
Mas a verdade é que para o bem ou para o mal não poderia evitar que Itachi escolhesse e trilhasse seu próprio caminho e se ele escolhia caminhar a seu lado e enfrentar as mesmas batalhas que enfrentava, tinha de ser ainda mais forte por e para ele e vencê-las com ele ao seu lado.
Ainda não havia parado para conversar com sobre os últimos acontecimentos com o amigo, mas Hidan o conhecia bem demais e já deveria saber que algo havia acontecido afinal, Itachi estava às portas de um novo encontro com Fugaku e ele Madara estava calmo.
O fato era que já era quarta-feira, horário de almoço e aquele verme, como havia adjetivado Itachi ainda não havia aparecido. Será que conseguiriam vencer aquela semana sem a presença detestável dele?
– Quanto quer por seus pensamentos? – perguntou Itachi recostando-se na lateral do carro ao lado do tio.
Madara sorriu e o olhou de lado sem tirar os óculos escuros.
– O que eu quero eu não posso ter no momento então, vai continuar sem sua resposta.
Itachi ergueu uma sobrancelha e deu de ombros.
– Filmar os vidros do carro tornou-se uma hipótese interessante não?
Madara olhou-o por cima dos óculos e quando ele retribuiu a ação os dois caíram na risada.
– Entra no carro criança e vamos almoçar que seu mal é fome! – declarou Madara empurrando Itachi para o outro lado do carro.
– O meu? Tem certeza? – questionou Itachi abrindo a porta do carro com um olhar divertido.
– Olha você errado! Nem sabe o que eu quero e fica tirando conclusões erradas
– Será que não?
– Muito bem o que eu quero? – perguntou Madara entrando no carro ao mesmo tempo em que Itachi e batendo suavemente a porta.
Itachi não respondeu e Madara virou a cabeça para olhar para ele sendo surpreendido por um beijo cheio de paixão e saudade. Gemeu deliciado com o contato daquela boca macia e quente na sua e retribuiu na mesma intensidade até se lembrar que era pleno horário de almoço e que estavam próximos a faculdade de Itachi.
– Perdeu o juízo foi? – perguntou Madara visivelmente frustrado por ter de apartar o beijo.
– Saudade de você... Da sua boca... Se não tem coragem para admitir então eu admito: estou com fome sim, mas não de comida!
– Itachi... — chamou Madara num claro tom de aviso.
– É de sorvete de flocos e Coca-Cola com gelo e limão espremido! – respondeu levando as mãos para trás da cabeça e descansando a mesma nelas de olhos fechados.
Madara piscou umas duas vezes e então riu de lado, discretamente, ajeitando-se direito no banco e ligando o carro para irem almoçar. Sorvete e Coca-Cola? Uhum... Então estavam com necessidade das mesmas coisas!
Chegando na Konoha, se separaram, indo cada um para seu setor. Cerca de uma hora depois, Madara estava procurando Namikaze Minato, sobrinho-neto do Sr. Sandaime e Diretor operacional máster da empresa. Encontrou-o com Itachi e aproveitou que não visto para ficar acompanhando o entrosamento deles.
Minato era poucos anos mais velho que Itachi; uns dez no máximo e era um rapaz simplesmente adorável. Leve, tranquilo, atencioso. Inteligência e liderança transbordavam dele, mesclados de gentileza e prestimosidade extremas.
E era interessante notar como trabalhavam espantosamente bem juntos. Podia-se imaginar que o faziam há muitos anos...
Madara resolveu voltar para seu setor. De repente sentiu-se um intruso e o que tinha de falar com Itachi podia esperar. Se virou para sair e notou um furacãozinho loiro correndo em sua direção. Reconheceu a criança na hora como filho de Minato.
– Paaaaaaaaaaaaaaaaaai!!! – gritou obrigando Madara a pular para o lado e nisso, com uma visão mais ampla da sala notou Minato girando a cadeira e se preparando para acolher o filho que se jogou em seus braços num pulo sendo imediatamente arremessado para cima para ser seguramente resgatado pelo pai em seguida.
O pequeno gargalhava feliz e assim que se viu nos braços no pai o abraçou forte. Itachi assistia a cena com um sorriso saudoso nos lábios, certamente lembrando-se de quando Sasuke era pequeno e inocente.
– Oi filhão! Como foi a aula hoje?
– Tudo bem! Não teve aula de natação então fomos dispensados mais cedo. – contou o menino animado — Tio Bee me deixou aqui a pedido da tia Shizune.
– Não tem problema filho. Nunca terá!
Só então Minato se lembrou de Itachi e sorriu todo orgulhoso apresentando o filho.
– Filho esse é Itachi. Um novo amigo do papai.
Naruto analisou Itachi por um segundo e abriu um radiante sorriso muito semelhante ao do pai estendendo uma mão e levando a outra ao boldo do agasalho laranja.
– Prazer! Sou Uzumaki Naruto! Aceita uma bala? – perguntou estendendo algumas com a outra mão.
Então Madara viu o mais lindo de todos os sorrisos brotar dos lábios de Itachi. Um sorriso que alcançava os olhos e fazia até a pele se iluminar de puro encantamento com aquela criança.
– Muito prazer em conhecer você Naruto. Me chamo Itachi e sim, eu adoraria ganhar uma bala!
– É mesmo? Que sabor você mais gosta? – questionou a criança saindo do colo do pai para se alojar no colo de Itachi.
– Naruto... – tentou detê-lo Minato sendo suavemente cortado por Itachi.
– Tudo bem. Adoro crianças. – interrompeu Itachi piscando para Minato – Eu adoro maçã verde! E você?
– Eu adoro tangerina! Mas maçã verde também é muito boa!
Madara sentiu o coração despencar no peito. Céus! Minato parecia ter sido feito para Itachi!
A história de Minato era de pura superação. Sua esposa sofreu de hipertensão gestacional e teve eclampsia durante o parto, vindo a falecer. Minato na época estava com vinte e dois anos e se desdobrou em três para cuidar do filho, terminar a faculdade e trabalhar.
Segundo Sandaime, Minato desde a morte da esposa não havia se envolvido com ninguém para dedicar-se inteiramente ao filho. Hoje o garoto tinha oito anos, era inteligente e travesso embora muito obediente e venerava o pai.
Madara direcionou seu olhar para Minato e notou o sorriso grato dele por Itachi ser atencioso com seu filho.
E então notou que Itachi também tinha nascido para Minato...
Piscou seguidamente e saiu no mais perfeito silêncio. Se bem que os três estavam tão envolvidos entre si que se ele caísse no corredor não notariam.
Foi para o banheiro lavar o rosto e clarear as ideias e só depois de cerca de dez minutos voltou para sua sala.
Já na hora de ir embora, novamente Madara sentiu a alma afundar. Naruto jazia no colo do pai, triste por Itachi não ir até a casa deles para conhecer seu quarto.
– Naruto... Itachi precisa descansar! Assim como o papai e você também!
– Mas eu gostei tanto dele.
– Também gostei de você Naruto... – veio em socorro Itachi usando um tom de voz suave e reconfortante – Mas ainda vou trabalhar um bom tempo aqui com seu pai então, podemos ir tomar um sorvete um dia desses se seu pai permitir. O que acha?
– Eu posso pai?
Minato sorriu e beijou a testa do filho.
– Claro pequeno. Vamos nós três está bem?
– Podemos almoçar no Shopping? Você tem uma hora e meia de almoço!
Minato ficou olhando para Naruto sem saber o que responder e olhou para Itachi que sorriu divertido.
– Que tal na sexta-feira? Eu me encontro com vocês no Shopping Avenida. Mas já aviso que quero tomar sorvete!
– De chocolate? – perguntou Naruto arregalando os olhos!
– De chocolate... Com calda de chocolate e pedaços de chocolate por cima!
– Obaaaa!
Naruto se jogou no colo de Itachi e o abraçou feliz. Minato cruzou os braços e sorriu agradecido para o jovem Uchiha.
– Agora vai pra casa com o papai e descansa. Amanhã ainda é quinta-feira e você tem aula, judô e... Colheita de tomates. Acertei?
– Você lembrou! – exclamou Naruto com os olhos brilhando.
– Claro que sim! – disse piscando para ele.
Naruto foi para o colo do pai em estado de graça.
– Bem, boa noite Minato.
– Boa noite Itachi. Obrigado pela força com meu pestinha e desculpe qualquer coisa!
– Que nada! Foi muito conhecer esse garotão!
Itachi se afastou acenando para eles e Madara suspirou ligando o carro.
– Desculpe a demora.
– Que nada! O menino estava triste por ter de deixar seu novo amigo; eu entendo!
– Ele é muito inteligente e amoroso. Minato é um ótimo pai. Não sabia que ele é casado.
– Minato é viúvo na verdade...
E Madara foi durante todo o percurso respondendo as inúmeras perguntas de Itachi, sem deixar de notar o olhar de pesar e um que de admiração na voz do sobrinho à medida que ele ia conhecendo melhor a história do loiro de olhos azul céu!
– Está calado Madara... E não é calado de quem está apreciando a comida ou nós dois... Está preocupado. – disse Itachi estendendo a mão e tocando a dele por cima da mesa enquanto jantavam – O que é?
Madara deu um pequeno sorriso e apertou seus dedos antes de soltar sua mão e leva-la a taça de agua com gás gelo e limão que acompanhava seu jantar.
– Não é nada... – respondeu Madara dando de ombro remexendo na comida sem leva-la a boca realmente.
Itachi limpou a boca e voltou a segurar seus dedos, apertando-os numa tentativa de fazer Madara sentir que estava ali para ele.
– Conversa comigo... Por favor?
Madara leu toda a preocupação de Itachi em seus olhos e se sentiu péssimo.
– Não é nada mesmo. Só há muito que fazer e sempre surge um detalhe, uma coisa nova... O projeto é grande, temos um roteiro e um prazo. Não quero extrapolar isso.
Itachi sorriu compreensivo.
– Vai dar tudo certo! Estamos juntos nessa.
E aquela frase fez toda a diferença em seu dia. Sim, estavam juntos. Como amigos, profissionais e homens que se amavam.
Na sexta-feira Itachi realmente foi almoçar com Minato e Naruto e foi delicioso fazer parte daquele clima família deles! Naruto era realmente um amor de criança e Minato fora do escritório era o mesmo homem simples e gentil e isso fez Itachi gostar ainda mais dele.
Madara teve uma reunião aquela manhã com Nagato e um possível novo cliente e esta se estendeu até quase o horário do almoço e como não almoçaria com Itachi naquele dia, resolveu pular a refeição e compensar a manhã ausente. Chegou à Konoha as onze e quarenta e sete da manhã e encontrou o Sr. Sandaime saindo para almoçar. Não pode recusar o convite para lhe fazer companhia.
Itachi chegou à empresa e foi logo procurar por Madara, sendo avisado que ele havia ido almoçar com Sr. Sandaime e ainda não havia regressado. Voltou para sua sala organizando mentalmente sua tarde, mas esqueceu de todos os seus pensamentos assim que entrou no ambiente.
Fugaku estava ali conversando com Minato.
Madara aguardava calmamente o Sr. Sandaime sair do carro. Embora ainda completamente lúcido, a idade já o cansava. Sua grande alegria e paz de espírito estavam em ter o sobrinho-neto para assumir seu lugar em breve e dar continuidade ao seu legado.
O Sr. Sandaime saiu do carro e olhou fixamente para o lado começando a caminhar sem pressa:
– Fugaku está aqui hoje...
A estas palavras Madara gelou! Itachi...
Assim que chegou a recepção o Sr. Sandaime foi informado que o Sr. Uchiha Fugaku havia chegado há pouco e sido recepcionado por Minato. Madara quis sair correndo, mas acompanhou calmamente o Sr. Sandaime, já que iam para o mesmo lugar.
Minato notou Itachi e lhe sorriu.
– Sr. Uchiha deixe-me apresentar-lhe um jovem gênio de tecnologia da informação.
Fugaku não gostava de Minato. Acreditava que ele era jovem demais para usufruir de cargo tão importante e decisivo e depois... Em algumas coisas ele lhe lembrava de outro jovem.
Virou-se sem muito animo imaginando que ia deparar-se com mais uma das crias bizarras de Madara, mas sentiu sua mandíbula travar involuntariamente ao deparar-se com Itachi.
– Este é Uchiha Itachi. Trabalha na Akatsuki com o Sr. Madara... O que mesmo ele é seu Itachi?
– Meu pai. Madara é meu pai! – disse com uma convicção que não sabia de onde havia surgido. Talvez da voz de sua mãe em sua mente lhe contando novamente que seu progenitor agora o declarava morto.
Estendeu a mão profissionalmente para Fugaku com um olhar friamente interessado.
– Como vai Sr. Uchiha?
Fugaku ficou olhando-o sentindo o sangue ferver. PAI? Madara era PAI de Itachi?
Madara entrou na sala exatamente no momento das apresentações e ouviu com clareza a afirmação firme de Itachi.
Fugaku que estava de frente para a porta desviou o olhar e estreitou os olhos. Itachi soube na hora quem estava ali.
– Ah Fugaku! Boa tarde! – cumprimentou o Sr. Sandaime alheio ao que se passava diferente de Minato que notou o olhar cortante de Madara.
Itachi olhou para trás e sorriu genuinamente para seu tio.
– Aqui está ele. Meu pai Uchiha Madara.
Ouvir isso uma segunda vez quase causou um infarto em Madara, mas o olhar tranquilo de Itachi lhe pedia calma e confiança.
– Filho? Mas é tão jovem Sr. Madara. – comentou Minato espantado.
Madara sorriu e caminhou até Itachi levando as mãos aos bolsos para resistir a vontade de tirar Itachi de perto daquele perturbado de seu irmão.
Sorria enquanto pensava numa forma de responder àquilo já que não conhecia os planos do mais novo. Mas não teve tempo para tal já que Itachi o fez primeiro.
– Madara me adotou. Eu fui abandonado quando criança pela minha família e ele estendeu a mão para mim. E eu agradeço todos os dias a Deus por isso. Não consigo imaginar um pai melhor! – olhou carinhoso para Madara e sorriu.
Madara se controlou para não soltar um palavrão. Estava orgulhoso pela postura segura de Itachi, mas ele estava se vingando na hora errada.
– Não consigo imaginar um pai capaz de fazer algo assim! Eu não vivo sem meu filho! – manifestou-se Minato chocado olhando discretamente para Fugaku notando o desconforto dele às palavras de Itachi.
– Realmente é de uma crueldade absurda! Ainda bem que existem homens como você Madara! Pena não serem todos. Não concorda Fugaku? – concordou o Sr. Sandaime com cara de asco.
Fugaku não sabia o que falar. Estava a ponto de um infarto do miocárdio tamanho seu nervoso. Era muita ousadia de Itachi. Ele era quem era porque ele Fugaku tinha pagado por sua educação quando pequeno e não Madara! Quando o deserdou ele só se perderia na vida por má influência do bastardo do seu irmão!
– Desculpem-me o comentário pessoal. É que sim, Madara é bem jovem e como todos sabem não é casado, mas é um pai fabuloso. Acho que se um dia encontrar meu pai biológico vou lhe dar um abraço em agradecimento por ter me abandonado.
Itachi não falava empolgado. Estava sério e tranquilo. Claramente não esperava causar, apenas estava expondo os fatos de maneira que Fugaku entendesse que se para ele estava morto, para Itachi nem mesmo existia e que sua deserção foi a melhor atitude que ele como um péssimo pai poderia ter tomado.
– Eu acredito que todos têm seus motivos Sr. Sandaime e que embora pareça que o rapaz está coberto de razão o motivo que levou o pai dele a fazer isso nos é desconhecida.
– Claro. Como se abandonar um filho a menos que seja por absoluta miséria causada por doença degenerativa e incapacitante seja passível de desculpa! – desabafou Madara com um olhar duro para Fugaku, fechando os punhos nos bolsos – Itachi posso falar com você um minuto?
– Sem dúvida. Com licença Sr. Sandaime... Minato.
Itachi apenas acenou com a cabeça para Fugaku e saiu em companhia de Madara. Minato acompanhou tudo isso com um bolo na garganta, como se alguma coisa estivesse bastante errada.
– Eu concordo com Madara. Não há desculpa e nem perdão para isso! – sentenciou o bom senhor – Mas venha Fugaku. Madara me fez alguns apontamentos durante o almoço que gostaria de expor a você. De antemão já aviso que acatei a todos eles...
Madara olhou dentro da sala que ficava e notando que estava vazia puxou Itachi para dentro e a fechou a chave. Recostou o sobrinho na parede ao lado e segurou nas laterais de seu rosto preocupado.
– O que foi aquilo? – perguntou.
– A verdade? – respondeu Itachi estranhamente calmo.
– A verdade? Itachi...
– Minato me pegou de surpresa quando me perguntou sobre nosso parentesco! A presença repentina de Fugaku me confundiu e eu só conseguia pensar na minha mãe me contando que aquele monstro saía por aí falando que o filho mais velho estava morto e...
Madara o beijou com uma luxúria até então desconhecida para Itachi que sentiu todas as terminações nervosas darem sinal de ocupado. Apertou as mãos fincando as unhas nas palmas, mas perdeu o controle e passou os braços pelo pescoço do mais velho correspondendo loucamente.
Madara se afastou de forma abrupta. Confusão, paixão e preocupação perceptíveis em seus olhos.
– Vou tirá-lo do protejo. – disse levando a mão à nuca.
– O que? NÃO! Por quê?
– Por que ele mexe com a sua cabeça.
– Ele não mexe com a minha cabeça. Apenas... O que queria que eu fizesse? Que me jogasse em seus braços e dissesse “papai como sinto sua falta”?
– Não! Mas não precisava dar aquele espetáculo. Ou precisava... Já nem sei mais! – confessou Madara jogando as mãos para cima conturbado.
– Ele está mexendo com a SUA cabeça! Vem acontecendo desde antes de começarmos o projeto; confesse!
– Minha preocupação era exclusivamente sua reação e pelo jeito não errei em me preocupar!
– Não acredito que estamos brigando por causa do desprezível do Fugaku.
– Não é por causa dele!
Itachi pensou um pouco tentando alcançar o raciocínio de Madara e entrou em desespero quando entendeu o que se passava.
– Tudo isso... Não é possível que esteja tão abalado pelo fato de eu tê-lo chamado de pai!
Madara olhou profundamente nos olhos de Itachi e respirou fundo se acalmando.
– Também não é isso. Não estava pronto para encarar esta situação como um todo. Foi cedo demais!
– O que esperava que eu fizesse afinal? – perguntou abrindo os braços – Que simplesmente agisse como se não o conhecesse? Eu não tenho sangue de barata Madara!
– Como posso um dia apresenta-lo como meu namorado ou marido posteriormente se as pessoas acharem que sou seu pai? – perguntou com tristeza.
Itachi sentiu-se mortificado. Em sua vontade de mostrar a Fugaku que não precisava dele e tão pouco sentia sua falta, tinha complicado as coisas para si e Madara. Abaixou a cabeça envergonhado.
– Eu sinto muito. Eu não pensei com clareza... Eu não pensei em nós, eu...
Madara ficou desarmado quando notou o choque de Itachi ao compreender a situação como um todo e o puxou para um abraço lhe dando um beijo no topo de sua cabeça.
– Estamos em expediente de trabalho dentro de um cliente importante. Vamos nos concentrar no que temos de fazer e conversamos melhor em casa pode ser?
– Claro. Precisa ser! – respondeu Itachi se refazendo – Sabíamos que este dia ia chegar afinal de contas!
– Saber não significa poder prever todas as formas que pode acontecer Itachi. E apesar de tudo estou orgulhoso de você! Deixou Fugaku realmente sem chão.
Itachi riu nervosamente. E deu de ombros.
– Madara... Eu disse que era meu pai porque sim, você foi meu pai quando precisei de um.
Madara encostou a testa na dele e segurou em seu rosto mais uma vez.
– Eu sei meu amor. E passaria por cima de tudo o que sinto por você e voltaria a ser se precisasse que fosse dessa forma. Amo você Itachi... – fechou a declaração com um íntimo esfregar de narizes.
Itachi sentiu o coração apertar a aquela declaração. Bom Deus! Madara o amava tanto assim? Ao ponto de sacrificar a felicidade dele pela sua?
– Podemos ir?
Respirou fundo e soltou o ar sem pressa concordando com a cabeça como resposta a pergunta e saiu da sala completamente refeito, como se tivesse acabo de ter uma reunião de trabalho com seu superior.
O restante da tarde passou relativamente calmo. Fugaku saiu da sala do Sr. Sandaime ainda mais doente de raiva de Madara pelas exigências que o dono da empresa lhe fizera por sugestão dele e do filho dele! Esse fato nem Itachi e nem Madara ficaram sabendo, mas o simples fato de não ter de voltar a olhar para o dono da Uchiha, nem carecia explicação.
Não conversaram sobre que havia acontecido quando chegaram em casa. Estavam exaustos então apenas fizeram um lanche rápido após um bom banho se recolheram ao quarto de Madara onde dormiram abraçados.
Fale com o autor