Pra Você Guardei o Amor
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Itachi se despediu de sua mãe sentindo-se estranhamente calmo. Não tinha voltado para casa. Precisava pensar sozinho por algum tempo e por isso dirigiu até o parque estadual, sentando-se sob a sombra de uma arvore próxima ao lago dos patos.
Tudo fazia tanto sentido que era realmente estranho que não tivesse percebido antes. Talvez porque Madara fosse extremamente discreto assim como Hidan; talvez porque nunca imaginara ou quisera imaginar que existia alguém tão próximo e tão importante na vida dele antes. Talvez ainda os dois casos... Como nunca imaginara seu tio próximo a alguém de forma mais íntima do que a ele Itachi, nunca reparou realmente nos relacionamentos dele e, portanto, não tinha como chegar até Hidan.
E Isso era tão egoísta– pensou fechando os olhos decepcionado consigo mesmo – Era tão infantil imaginar que um homem como Madara levasse uma vida casta e pura uma vez que o próprio já havia admitido que não e ainda mais quando ele mesmo já tivera suas aventuras.
– Ah pelo amor de Deus! – comentou franzindo a sobrancelha ao se lembrar disso – Eu aqui, loucamente apaixonado por ele e se quer tenho qualquer experiência mais... Profunda em questão de relacionamentos. Nem ao menos perdi minha virgindade! – reclamou escondendo a cabeça entre os braços apoiados nos joelhos.
Mas isso nunca o havia preocupado. Não tinha pressa e por mais que já tivesse sim sentido coisas intensas em algumas ocasiões, não era nada que o levaria de fato a querer um envolvimento sexual.
– Será que é porque eu o amo há muito tempo e tenho inconscientemente esperado por ele? – cogitou levantando a cabeça e arregalando os olhos.
Céus como gostaria de conversar com o Tio sobre isso! Não havia ninguém mais, nem mesmo Nagato que poderia lhe entender naquele momento como Madara.
– E ele? Será que sente o mesmo por mim? Será que... Tudo o que li nos olhos dele naquele dia em que dançamos juntos... Significava o mesmo sentimento? Se sim... Por que ele não conversou comigo? – questionou-se angustiado.
Recostou as costas no tronco da arvore e fechou os olhos novamente tentando recobrar sua calma. Aprendera a fazer isso — buscar paz interior — sozinho, mas há muito tempo não precisava fazer aquele exercício.
Permaneceu calado, respirando e ouvindo os barulhos dos pássaros, sentindo o vento suave e guardando silêncio interiormente sem qualquer pensamento até notar os sons ao seu redor sumirem e sentir-se completamente em paz. Abriu os olhos aos poucos, olhando cada coisa sem pressa, numa tentativa de estabelecer seu estado de espírito de acordo com o que via e ficou aliviado ao notar que havia dado certo.
Voltou seus pensamentos para cada momento marcante que passara ao lado de Madara desde que ele o levara para morar consigo. Cada vez que deitou a cabeça em seu colo, cada vez que ele secou suas lágrimas, cada vez que sorriu orgulhoso com algum sucesso seu, cada vez que paciente e carinhosamente ouviu suas confissões de adolescente, cada vez que o aconselhou com seriedade sobre alguma decisão importante, cada vez que deixou de dormir por uma crise de enxaqueca sua, cada vez que o acolheu em sua cama e o abraçou com carinho em noites de tempestade para que dormisse em paz...
E percebeu que Madara nunca havia lhe escondido nada, omitido nada. Ele simplesmente ia lhe colocando a par das coisas à medida que considerava que ele já poderia lidar com aquilo. Que maior prova haveria do que ele lhe confidenciar sobre sua bissexualidade?
Então com certeza chegaria a hora dele lhe contar sobre ele e Hidan também e quando chegasse esta hora... Quando ele lhe presenteasse com esta última peça do quebra-cabeça, poderia enfim lhe contar sobre seus sentimentos.
– A menos... Que ele já saiba! – falou em voz alta assustado e preocupado fechando a mão na grama e arrancando algumas no processo.
E se sabe... Se sabe, o que pensa a respeito? Aceita? Não aceita?
E se não sabe... O que vai achar? O julgará nefasto, promíscuo?
Seu estômago revirou a este pensamento. Madara era seu tio! Irmão de seu pai! Um homem honrado, justo, honesto, de caráter firme e indulgente, mas... Como agiria sobre isso?
Seria tão mais fácil e simples se ele o amasse!
Seria? – questionou-se mentalmente comprimindo os lábios, negando com a cabeça a seguir. Não, não seria. Eram homens, tinham idades bastante diferentes e eram parentes. Isso tudo seria um tremendo inferno!
Seu celular vibrou e pegou imaginando ser uma mensagem de sua mãe, mas não era; era de Madara:
Não quero de forma alguma atrapalhar seu encontro com sua mãe, mas virá para casa para o jantar? Posso preparar algo para nós?
Ao ler a mensagem o olhar, a expressão, o coração e a alma de Itachi se acalmaram. Sorriu ternamente e ficou alguns segundo parado olhando bobamente para a mesma, como se o próprio Madara estivesse ali a sua frente lhe fazendo aquela pergunta.
Já terminamos nosso encontro e estou a caminho de casa. Me espere, faremos algo juntos.
Guardou o celular e suspirou. Fosse como fosse, amava Madara e agora que sabia disso, teria paciência para que tudo se encaixasse e pudesse conversar com ele a respeito. A única certeza que tinha era que ainda que ele não correspondesse a seus sentimentos, jamais lhe viraria as costas, jamais o deixaria a deriva, pois ele não era assim. E se por um acaso ele correspondesse... O céu certamente desabaria sobre suas cabeças, mas por Madara e este amor que sentia por ele, estava disposto a segurá-lo com suas próprias mãos.
Mais leve com suas conjecturas e resoluções, voltou para casa.
Madara estava na cozinha, comendo um aperitivo onde se via azeitonas, palmitos, pepinos em conserva, tomate cereja e queijo e bebericava vinho enquanto mexia no notebook.
Havia ouvido o carro chegando, Itachi estacionando e depois subindo. E sabia que ele estava parado na porta o observando, sem nem mesmo precisar levantar a cabeça. Sorriu, pressionou o mouse enviando o e-mail que estava respondendo e baixou o monitor, sorvendo um pouco do líquido da taça. Ao fazê-lo seus olhares finalmente se encontraram.
Ficaram em silêncio se olhando, se avaliando, se questionando. Conheciam-se bem demais e ainda que nem tudo pudesse ser dito, tudo era rapidamente compreendido e Itachi teve certeza pelo quase imperceptível franzir de sobrancelha, que Madara lera algo novo em seus olhos.
Caminhou calmamente até ele que girou no banquinho ficando de frente para recebê-lo num abraço, adivinhando sua intenção. O abraço foi cálido, um estreitamento profundo, cheio de sentimentos, num discurso mudo e sincero.
– Senti sua falta. – falou Itachi deslizando uma das mãos suavemente nas costas dele.
– E eu a sua. Como foi o passeio? – perguntou Madara trazendo-o mais para si, numa necessidade urgente de senti-lo ainda mais próximo enquanto era acarinhado sem qualquer intenção sexual.
– Foi realmente ótimo. Conversamos muito, passeamos bastante. Acho que conseguimos conhecer tudo. – disse enterrando a cabeça na curva do pescoço do mais velho.
– Fico feliz por vocês! E Mikoto como está? — questionou lhe acariciando a nuca, enfiando os dedos pelos cabelos presos num rabo de cavalo baixo.
– Muito bem. Mandou lembranças e um beijo para você.
– Precisamos dar um jeito de trazê-la aqui qualquer hora destas.
– Precisamos sim... Seria maravilhoso.
Ficaram em silencio curtindo aquele abraço um pouco mais e por fim Madara com um suspiro, lhe beijou o rosto, sendo retribuído. Itachi sentou-se no banco imediatamente á frente, mantendo suas pernas intercaladas com a do tio. Madara espetou uma azeitona e um tomate e ofereceu a ele que abriu a boca aceitando. Enquanto mastigava, assistiu o outro encher novamente a taça, beber um gole e lhe oferecer.
– O que fez a hoje? – perguntou após engolir o petisco, antes de beber o conteúdo da taça.
– Li, comi, respondi e-mails... Nada demais. Mas foi bom.
– Desculpe não ter te avisado pessoalmente. Não sabia se ia demorar e como dependemos da ausência de Fugaku, não podia demorar muito.
– Nem esquenta. Fez bem em ir e mesmo que não tenha sido pessoalmente você me avisou pelo recado. Obrigado por isso.
Itachi sorriu e pegou um palmito e um queijo mastigando-os deliciado.
– Hum! Isto está ótimo! – falou pegando mais ainda de boca cheia.
– Bom né? – perguntou Madara apoiando o cotovelo no balcão e o queixo na mão, apreciando a cena.
– Muito! O que vamos jantar?
– Não sei. Estava pensando em algo leve.
– Que tal um creme com pães torrados com azeite e orégano?
– E vinho?
Itachi sorriu e concordou com a cabeça. Madara levantou, segurou seu rosto pelas laterais e beijou sua testa, sendo recompensado com um beijo no queixo. Manteve a boca colada na testa do sobrinho que repetiu seu gesto, mantendo a sua colada no local beijado também.
Nenhum dos dois sabia, mas lutavam internamente com a vontade louca de selar os lábios alheios.
Itachi sentindo que não poderia resistir muito mais, baixo a cabeça e se desvencilhou do toque e dos lábios do tio. Madara precisou controlar-se para não trazê-lo de volta e comprimiu os lábios que formigavam desejosos por mais.
Fizeram o caldo num clima diferente do usual. Ou não. Olhares, sorrisos... Uma taça compartilhada, um pedaço de algum ingrediente ofertado de forma que fosse pego pela boca de um tocando nos dedos do outro. Um flerte sutil, suave. Que trouxe calor ao peito de ambos.
Esta paz cheia de significados fechou com chave de ouro o final de semana prolongado deles.
Madara acordou na segunda-feira extremamente bem humorado. Com o coração cheio de esperança no amor que sentia e que era retribuído tão abertamente.
Não iria apressar as coisas. Itachi aparentemente estava tomando consciência do que sentia e não era contrário a ideia. Ou era apenas fruto da imaginação de seu coração incorrigivelmente romântico?
– Nah...! Não mesmo! – garantiu dizer em voz alta e clara para si mesmo reafirmando ao seu coração que era igualmente amado e que agora teria de ser paciente e esperar que o coração de Itachi estivesse pronto para se abrir para ele.
Desceu assobiando a música “Change the World” do Eric Clapton e ainda assobiava quando Itachi chegou na cozinha com mochila igualmente de bom humor.
– Bom dia! – cumprimentou o tio com um beijo no rosto.
– Bom dia! Dormiu bem? – perguntou Madara tirando os pães de forma integral da torradeira e passando a Itachi que já esperava com o cream cheese na mão.
– Dormi muito bem! – respondeu sorrindo e mordendo a torrada já pronta, oferecendo ao mais velho que a mordeu também – O que acha de jantarmos fora hoje? – perguntou aceitando a xícara de café que lhe foi estendida depois de ser previamente provada.
– Acho uma ótima ideia. Tem algum lugar em mente?
– Não, mas pensarei em alguma coisa. Ei! O café está uma delícia!
– Tem suco de laranja na geladeira. – respondeu Madara sorrindo com o elogio.
– Vai tomar também? Questionou Itachi esperando a resposta para escolher qual copo pegar.
– Sim, te acompanho.
A esta resposta, pegou um único copo de tamanho grande, para dividirem o líquido. Claro que tinham mais louças na casa, mas quando não iam tomar café em seu lugar especial, era assim que faziam e adoravam este ritual.
Naquela noite não puderam sair para jantar, pois Madara ficou até tarde no escritório em uma reunião com uma empresa interessada em fechar contrato com a Akatsuki. Hidan também ficou e isso incomodou um tanto Itachi, que temia que dali fossem tratar de algum assunto mais... Pessoal. E pensar assim o fez se sentir mortificado. Hidan era uma das pessoas que mais o apoiava e ajudava ali. Gostava dele verdadeiramente e pelo que Madara contou, sempre apoiou que seu tio lhe dissesse a verdade e, além disso, não era como se eles fossem apaixonados e tal. Eram amigos... COM benefícios, mas apenas amigos!
Pegou uma carona com Nagato e no caminho de casa um lanche. Não teria companhia para jantar então, não ia para a cozinha.
Madara chegou uma hora e cinquenta minutos depois com uma variedade absurda de Pretzels que ele e Itachi devoraram com chá gelado, comemorando o novo cliente.
Terça e quarta-feira Itachi e Konan não foram trabalhar, pois tinham um trabalho importante da faculdade para fazer. Itachi Chegou em casa tarde no primeiro dia e ainda foi fazer uns ajustes finais no bendito trabalho então quando foi dormir Madara já dormia há pelo menos uma hora. Na quarta chegou mais cedo, mas estava tão desgastado que tomou banho, um comprimido para dor de cabeça e foi dormir.
Quinta-feira foi a apresentação do trabalho e a noite foi com Madara, Hidan e Kisame ao cinema comemorar o sucesso da apresentação e relaxar a cabeça. Itachi se perguntou se Madara ficaria sentado entre ele e Hidan, mas quem acabou ficando foi ele próprio com Kisame ao lado do tio e não se lembrava de quando tinha se divertido tanto dentro de um cinema. De lá, por ideia de Kisame foram comer yakissoba no trailer de um amigo dele e a cara de incredulidade de seu tio quando viu o lugar lhe arrancou gargalhadas dentro do carro.
Enquanto comia, foi impossível não analisar Hidan. Ele era uma pessoa maravilhosa. Não era o melhor amigo de seu tio por nada; merecia o posto. Assim como seu tio, ele tinha um olhar atrevidamente sensual, mas os olhos de Madara eram inquisidores e os de Hidan desafiadores. Hidan tinha os cabelos completamente grisalhos e penteados charmosamente para trás. Se vestia de forma simples, casual tendo normalmente seu visual composto com uma calça bem cortada, uma camisa e um sobretudo em dias frios ou como naquele dia, um jeans, sapato e camisa polo.
Sua personalidade era marcante; inteligente e eclético em tudo. Atencioso e cuidadoso com quem lhe era caro... Como Madara.
– Ele é a pessoa certa para Madara... – falou num sussurro doído pela conclusão óbvia que chegara.
Tinham a mesma idade, tinham passado a vida juntos, aberto uma empresa juntos, vencido na vida juntos, perdido a virgindade juntos... Seus interesses, seus amigos, suas vidas... Tudo se entrelaçava e se encaixava com uma perfeição sufocante.
– Não se engane criança. – falou Kisame ao seu lado em tom baixo e amigo sem aparentemente notar o tom doloroso de seu desabafo – Estes dois se amam sim, muito e tem absolutamente tudo em comum. Mas o coração de Hidan jamais pertenceu a Madara e tão pouco o de Madara pertence a ele. Nasceram para ser o pilar da vida um do outro, para viver uma linda história de amor, mas não um amor romântico.
Itachi se sentiu bem melhor ao ouvir aquilo, mas não mudou de opinião. Hidan tinha tão mais a oferecer a Madara do que ele. Mais experiência, mais maturidade, mais compreensão. Era alguém que já havia vivido um relacionamento sério e que pelo que concluía fora seu tio nunca mais se envolvera com ninguém.
– Mas ele ainda é tão novo e tão bonito... – verbalizou novamente seus pensamentos.
– Se ainda está falando de Hidan ele está feliz assim. – voltou a comentar Kisame fazendo Itachi corar por sua capacidade nula de pensar em silêncio – Hidan não é fatalista e nem sofre de auto- piedade. Ele acredita que tudo na vida tem um começo, um meio e um fim e que seu relacionamento não foi bruscamente interrompido; durou o tempo que tinha de durar e consciente disso ele viveu intensamente seu amor, sorriu, chorou, experimentou, lutou... Até o último suspiro do marido. Hidan não se sente incompleto. Ele teve a chance de viver em alguns poucos anos o que muitas pessoas morrem sem conseguir.
Itachi pensou por alguns momentos nas palavras de Kisame e então sorriu discretamente concordando com a cabeça.
– E depois... Um relacionamento entre eles seria o caminho para o caos! – afirmou em tom debochado – Não se iluda com esta carapaça de homens de negócios, profissionais de sucesso, cidadãos exemplares e seja mais o que porque ambos têm um gênio infernal!
A este comentário Itachi arqueou as sobrancelhas curioso e analisou os dois voltando a se concentrar em Kisame que mastigava uma quantidade absurda de sua comida.
– Atualmente não mais, mas quando mais novos, ainda na época que erámos nós três, trabalhar certos dias com eles era um teste psicológico. Madara quando irritado é frio e sarcástico; Hidan é igualmente frio, mas muito cínico. Quando estes dois estavam com problemas um com o outro era difícil de lidar.
– E o que você fazia?
– Ia para o boteco na frente da empresa – da primeira sede que era alugada – e bebia cerveja.
– Você... O que? — perguntou Itachi chocado.
– Claro! E eu lá ia me meter no meio? O único pirado que faz isso é o Nagato que entrou bem depois. Eu saia de fininho e deixava os dois se matarem.
Itachi começou a rir o que chamou a atenção de Madara e Hidan que trocavam ideias referentes à visita que fariam ao novo cliente para iniciar os testes na próxima semana.
– O que foi Itachi? – perguntou Madara tomando um gole de chá gelado.
– O que parece que foi? Kisame com certeza! – comentou Hidan com ar de riso – A questão é o que foi “desta vez”?
– Estava contando para ele sobre quando vocês brigavam e eu ia para o boteco.
A confissão arrancou risos dos outros dois também.
– E ele te contou o que aconteceu quando notamos isso? – perguntou Madara divertido.
– Não, ainda não chegou lá...
– Eu e seu tio estávamos discutindo feio. – começou a contar Hidan — Cheguei a pensar que aquele dia seria o fim da empresa porque não chegávamos a um acordo. Eu falei algo que o irritou profundamente, nem lembro mais o que e ele me deu as costas e caminhou até a janela para se acalmar ou ia descer a porrada em mim.
– Nossa! – comentou Itachi surpreso.
– Eu te falei que as brigas eram feias. Esses dois juntos de mau humor não dá para encarar não. – comentou Kisame dando de ombros e enchendo a boca novamente.
– Quando seu tio parou na janela, ficou estático. Eu continuei falando até perceber que ele não estava me ouvindo... – fez uma pausa rindo divertido – Eu perguntei se ele estava prestando atenção em mim e ele não respondeu. Eu perguntei o que estava havendo com ele e ele me chamou com o dedo sabe? E apontou para baixo. Quando eu olhei... Foi tanto engraçado! – nova pausa para risadas – Kisame estava bebendo cerveja e comento aperitivo! E eram quatro horas da tarde.
Itachi explodiu numa gargalhada gostosa. Só Kisame mesmo.
– E vocês?
– A briga acabou na hora. – continuou Madara – Desci pronto para dar uma bronca nele. Quando chegamos ao boteco ele levantou a cabeça e perguntou se a briga já havia acabado e se ele já podia voltar para o trabalho. – uma nova pausa onde riu negando com a cabeça – Foi tão hilário! Perguntei desde quando ele fazia isso e ele falou que já era a quarta ou quinta vez. Resultado: acabou o dia de trabalho. Sentamos com ele ali e o dono teve de pedir para irmos embora, pois acabou o expediente e ainda estávamos lá, jogando conversa fora e bebendo.
– Eita tempos bons! – comentou Kisame saudoso.
– Eu jamais imaginaria isso! Mal consigo imaginar vocês num boteco, imagina serem convidados a irem embora! – comentou Itachi divertido.
– Mas o melhor da história não foi isso. Eles conseguiram ficar sem discutir por umas duas ou três semanas. Até que uma tarde, eles estavam quase se matando. Foi então que Madara abriu a carteira e me entregou uma grande quantia em dinheiro. Olhou para mim e disse: hoje é por minha conta! – contou Kisame e caiu na risada – Mas eu nem pensei em nada; peguei a grana e sumi dali!
Entre estas e outras histórias divertidas a refeição foi terminada já quase fria. As despedidas duraram outro tanto de tempo e chegaram em casa já mais de meia noite. Cansados sim, mas felizes em dobro.
Madara havia percebido claramente a forma que ele passara a noite analisando Hidan e entendeu perfeitamente bem quando Kisame começou a falar deles para Itachi. Não sabia se ele havia somado um mais um ou se não o porquê disso, mas deixaria que ele como sempre tirasse suas conclusões e viesse sanar suas dúvidas.
Sexta-feira chegou mais rápido do que gostariam, mas foi um dia tão cheio que também passou ligeira. Tiveram reunião das cinco da tarde até às vinte e três da noite referente às ações e métodos a serem adotados na análise de segurança que fariam na próxima semana e acabaram comendo pizza lá mesmo.
Mesmo muito cansado Itachi não conseguiu dormir de imediato pensando em tudo que havia acontecido durante a semana. E não se surpreendeu ao acordar na manhã seguinte, excitado e suado, após outro sonho incrível com Madara, onde estava na piscina nadando e ele chegava se despia completamente e mergulhava vindo ter consigo do outro lado. O beijo que recebeu quando ele emergiu foi cálido, saboroso, quente. As mãos dele buscaram seu corpo e o tocavam de forma possessiva e íntima e rendido depois de algum tempo naquela deliciosa exploração, implorou para que Madara lhe fizesse amor e desta vez não foi acordado pelo telefone. E tão pouco foi capaz de abrir os olhos e se mexer quando acordou ávido por manter pelo tempo que pudesse as sensações maravilhosas que sentia.
Demorou para se levantar e fazer sua higiene pessoal e ainda estava avoado quando encontrou com o tio, que imediatamente notou algo incomum. Suspirou discretamente quando Itachi foi para cozinha pegar café. Às vezes era bastante difícil lidar com seu sobrinho. Acostumara-se com um Itachi falante, questionador... Seus silêncios por menor que fossem o tempo que duravam sempre o preocupavam. O maldito problema é que aprendera que principalmente agora os silêncios dele estavam sempre relacionados a si direta ou indiretamente e com tantas mudanças que vinham acontecendo, já não conseguia julgá-los corretamente.
Mas não seria hipócrita de dizer que não apreciava esta nova fase do relacionamento entre eles. Itachi estava mais maduro, mas calmo, mais próximo. Mesmo que mais silencioso e menos questionador. Talvez por ter compreendido seus próprios sentimentos e por estar tentando compreender agora os dele Madara.
Em todos os momentos da semana em que estavam sozinhos, fosse durante o café da manhã, indo ou vindo para casa, ou até mesmo no escritório, o clima de flerte sempre retornava com a mesma sutileza discreta. E tão logo passou o mal estar inicial da manhã, este mesmo clima voltou com força total entre eles e o final de semana passou assim: calmo, cheio de sentimentos compartilhados, sem situações tensas e isso foi maravilhosamente revigorante.
Choveu, fez frio. E como a próxima semana seria movimentada, aproveitaram para descansar.
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