Notas iniciais
Olá a todos! Como estão? Saudades de estar aqui com vocês!
Faz bastante tempo que não posto nada, e ainda não vou retomar com a frequência de antes, mas algumas pessoas queridas sempre me mandam MP perguntando sobre mim e sobre as fics, e por elas estou aqui.
Meiji e Guima, Obrigada de coração o pelo apoio e por cada MP carinhoso e incentivador que me enviaram. MarianaAbe e Lady Jun, obrigada pela amizade e apoio na vida real. Jee_kuran_95, seja bem vinda e muito obrigada pela gentil recomendação!
Ah sim! Não tenho beta e por mais que leia e releia, o fato de conhecer o capítulo pode fazer erros bobos passarem despercebidos então, desculpo-me antecipadamente pelos mesmos!
Boa leitura a todos!

Madara tomou um banho rápido. Queria fazer tudo rapidamente para estar em casa antes que a chuva desabasse no vale, o que tornava a visibilidade do caminho bem ruim. E depois também queria estar com Itachi. A promessa de algum tempo só para eles era maravilhosa demais e ainda tinha algumas questões a responder que sabia não tardariam a surgir.

Itachi caminhava pelo corredor sem pressa para seu quarto, ainda perdido em pensamentos, vestindo um roupão e secando os cabelos quando Madara saiu do quarto trocado. Vestia jeans, sapatênis e blusa de algodão de manga cumprida, levemente puxada nos antebraços.

- Não acho que dará tempo tio Madara. O temporal está chegando muito rápido. Não quero que ela te pegue na estrada. Posso sobreviver sem sobremesa.

Madara sorriu. Itachi não conseguia vencer o medo por tempestades, mas quando se tratava de sua segurança esquecia até o próprio medo. Poderia existir alguém mais adorável?

- Não se preocupe, dará tempo. – garantiu dando-lhe um beijo na testa e recebendo outro no queixo como já era esperado.

- Então se cuide. E fique com o celular na mão!

- Deixa comigo... – disse dando tchau por cima da cabeça.

Itachi suspirou e foi tomar banho. Deixou a água bem quente e espalmou as mãos na parede, para a água massagear seus ombros. Céus tanta coisa tinha acontecido de seu aniversário até ali e mal havia se passado um dia! Sentia-se tão confuso sentimentalmente falando, tão pequeno e... Criança! Odiava admitir isso, mas Madara não estava totalmente errado em chamá-lo assim. O que alguns amassos haviam realmente feito por si para entender o turbilhão que lhe ia no peito agora? Isso excluindo a confusão mental que a declaração do tio o lançara. Não havia problema algum com sua confissão, Deus claro que não. Mas algo havia... Transbordado dentro de si. E a única pessoa com quem se sentia a vontade para conversar sobre isso era aquela que estava lhe causando tudo isso.

Poderia conversar com Nagato, claro que poderia. Acreditava que se alguém sabia sobre este lado de seu tio, era ele, mas... Seria prudente conversar sobre algo tão íntimo dele com outra pessoa? Comprimiu os lábios sentindo-se mal apenas por cogitar a ideia. Seria de certa forma traição e não era uma droga de um traidor!

Saiu do chuveiro e vestiu-se com simplicidade: uma calça de moletom uma vez que o tempo estava esfriando e uma camiseta manga longa de algodão. Prendeu os cabelos e desceu para começar a preparar o jantar deles.

Madara chegou em tempo recorde na doceria. Itachi que não sonhasse que tinha dirigido tão acima da velocidade permitida ou lhe passaria um sermão e Deus era testemunha que ver Itachi irado o deixava vergonhosamente fascinado... Para não dizer empolgado; que era o máximo que conseguia admitir ficar pelo sobrinho.

Ah pelo amor de Deus! Nunca sofreu de crises de excitação por ninguém na sua vida! Ficar assim perto de Itachi era definitivamente o fim! Ele era uma criança! Podia não gostar de ser chamado assim, mas era e ponto final!

E andava acabando com sua resistência sem nenhum esforço. Se ao menos imaginasse que seu amor incondicional pelo sobrinho se tornaria algo tão perigoso... Faria o que? Não teria se aproximado? Não teria abrigado o menino quando o pai dele cometeu aquele crime de deserdá-lo? Jamais.

Estava sentado tomando um café enquanto esperava por sua encomenda ficar pronta. Eles deixavam doces feitos precisando apenas acrescentar a calda desejada pelo cliente e quando ficou pronta pagou e voltou para casa.

Itachi levou seu som portátil para a cozinha e colocou seu CD “Best Ballads” para tocar. Ouvir Bon Jovi o inspirava para cozinhar para seu tio e aquele CD principalmente o fazia pensar nele, pois eram as músicas mais românticas do cantor.

Itachi sorriu. Era bobo provavelmente, mas se Madara soubesse desse seu segredo simplesmente entenderia e se sentiria honrado. Era incrível como o tio era tão compreensivo com suas manias e crenças. Uma vez lhe perguntara sobre isso e ele lhe disse simplesmente que já tivera a idade dele e que o compreendia e respeitava e esse foi um dos melhores dias da sua vida.

Temperou o salmão como o tio o havia ensinado. Cozinhar era algo que gostavam de fazer juntos, mas ali não tinha muito o que fazer para aguardar o tio voltar. Uma das coisas que adoravam preparar juntos era salada de frutas. Mais comiam do que qualquer coisa! Enfiavam frutas um na boca do outro e às vezes um tentava morder o dedo do outro e uma tarefa simples virava uma verdadeira festa!

E Madara ainda achava que deveria curtir o mundo e o que ele tinha a lhe oferecer. Sério, se o mundo não tinha Madara, não tinha qualquer coisa que pudesse lhe interessar.

Depois de colocar o salmão no forno, preparou o arroz e estava descascando as batatas quando ouviu o carro de Madara ao longe, no mesmo instante em que a chuva começava a cair, ainda leve.

Olhou no relógio do micro-ondas e sorriu fazendo um movimento negativo com a cabeça. Imagina se ele não tinha corrido para ir e voltar tão rápido?

Colocou as batatas para cozinhar ao som de “Always” e lavou as mãos, pegando os ingredientes restantes. Voltava da geladeira e do armário carregado de coisas quando Madara entrou.

- Não falei? Juntinho com a chuva!

- Devo me preocupar com multas? – perguntou Itachi tentando olhar torto para ele sem, no entanto conseguir conter o sorriso cúmplice.

- Claro que não! Você me pediu para tomar cuidado e eu o fiz. E elas nunca vêem para casa de toda forma... – falou mais baixo, mas ainda assim audível a Itachi que riu da travessura do tio.

- Voltou inteiro então não vou brigar com você. – declarou separando as coisas na ordem que ia usar sobre o balcão da pia.

- Agradeço; você é muito compreensivo! – disse fazendo uma mesura charmosa causando uma gargalhada em Itachi.

- E você um Don Juan de mão cheia Madara!

- Eu? Sei! Este apelido é meu na faculdade né?

- Não sei de nada disso! Até onde sei sou o Príncipe Virgem lembra? – rebateu Itachi contendo o riso.

- Quem te ensinou a mentir assim tão descaradamente Itachi?– perguntou Madara cruzando os braços notando o sobrinho corar!

- Mas é verdade! Não sei de onde saiu isso! Como posso ser um Don Juan se sou virgem? Não tem lógica caramba!

- Itachi Don Juan era sim um grande amante, mas era antes de tudo um incrível conquistador. Provavelmente sua fama vem daí.

- Como se eu tivesse tempo para ficar sendo conquistador. Eu estudo sabia? Muito! – retrucou indignado fazendo Madara rir divertidíssimo de sua indignação.

- Itachi você estuda MUITO porque é responsável. Sabe que não precisa.

- Nunca se sabe... – falou em sua defesa dando de ombros.

- Não estou te condenando criança! Tenho verdadeiro orgulho de você por ser assim. A maioria no seu lugar seria do tipo: Ah não preciso disso! Mas você pensa diferente. E acho legal seu jeito de pensar. Você não gosta de depender do que você tem a mais, gosta de lutar pelo seu espaço. Simples assim.

- Pois é... Isso era o tipo de coisa que meu pai nunca entendeu sobre mim. – desabafou pensativo, lembrando-se de seus pensamentos anteriores sobre o tio.

Madara calou-se observando o sobrinho. Era uma pontada de tristeza aquilo que notara? Caminhou até Itachi e passou um braço pela cintura dele, levando a outra mão ao seu queixo para segurá-lo e fazê-lo olhar para si.

- E por isso ele perdeu a chance de ser o pai mais orgulhoso do mundo e de se tornar uma pessoa melhor, convivendo com alguém tão humano e gentil quanto você. Não é fácil eu sei e lamento muito que ainda te machuque, mas de todo coração não se consuma mais por isso porque ele não merece!

Itachi baixou os olhos e levou a mão ao peito de Madara, mexendo inconscientemente na gola da camisa dele.

- Não é por ele que sofro. Fugaku não significa nada para mim. E descobri ontem que Sasuke também não. Mas... Por melhor pessoa que eu seja Madara eu tenho meu orgulho, meu amor próprio e ser escorraçado e deserdado como fui... Não é algo que se esqueça ou que não se pense em acerto de contas. – desabafou olhando profundamente nos olhos do tio para ler a reação dele as suas palavras antes de completar — É ruim para mim eu sei, e tento não pensar nisso por que ainda tenho minha mãe e ela vive no mesmo mundo podre do meu pai, mas enquanto eu não der o troco nele, enquanto não olhar bem para ele e mostrar que eu venci sem ele ou apesar dele, não vou verdadeiramente deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz.

- Nada nesta vida acontece se não for chegada a hora Itachi. Era seu destino estar aqui hoje, era seu destino seguir sua vida por um caminho separado do de Fugaku. Eu entendo seu ponto de vista, eu entendo sua dor e sua necessidade de redenção, mas isso também vai acontecer na hora certa. E por isso eu repito: não se apegue a este tipo de sentimento, não te faz bem.

Itachi suspirou e baixou os olhos. Em seguida riu sem humor e negou com a cabeça.

- Como dois irmãos podem ser tão diferentes? E como eu posso ser tão diferente do meu pai? Nem mesmo com todo meu Q.I. eu consigo chegar a uma luz sobre isso!

- Ciência nenhuma explica isso Itachi. Quando eu era mais novo eu realmente tentei entender assim como você está fazendo agora e quer saber? Quando percebi que ao invés de entender eu deveria apenas agradecer por ser diferente, fui mais feliz.

- E está inegavelmente certo. Tudo isso que está me dizendo é algo muito claro para mim. Apenas ainda não consigo ser tão maduro para alcançar esta verdade e torná-la minha.

- Tempo Itachi... Tudo que você precisa é tempo... Para resolver isso com Fugaku e com você mesmo. Só não esqueça que pode contar comigo para o que precisar; sempre. Promete?

Itachi ergueu os olhos para Madara novamente parando de mexer na gola de sua blusa para passar os dois braços ao redor do pescoço dele. Madara soltou seu queixo e o abraçou pela cintura.

- Não consigo mensurar o que seria da minha vida sem você. –confessou baixinho.

- Só não gostaria que fosse o mesmo vazio que foi a minha sem você.

- Mas na realidade era. Só se preenchia quando você vinha me ver.

Ficaram se olhando no mais absoluto silêncio, apenas com os sons da chuva caindo agora intensa no lado de fora. Havia tanto o que pensar, mas nenhum pensamento conseguia ser consistente o suficiente; havia tanto o que sentir, mas nenhum sentimento se encaixava na cumplicidade do momento; havia tanto o que dizer, mas palavras? Quais seriam suficientemente bonitas para eternizar tanto afeto?

Madara sentia o coração explodir no peito. Em dor, em agonia, em amor. Deus amava tanto Itachi e era um amor tão bonito, mas tão, tão errado! Era tio de Itachi, irmão do pai dele! Era seu responsável legal, sua única família além de Mikoto! E para completar tinha idade para ser seu pai! E isso... Isso o fazia se sentir tão velho mesmo tendo noção de que não era nem em idade, nem em mente ou em espírito! Só que à medida que o tempo passava que via mesmo sem querer Itachi se tornar um homem tão incrível, seu amor e admiração cresciam junto.

Itachi por sua vez, sentia-se completamente o menino que Madara lhe dizia que era nos braços dele. Havia tanta força, integridade, honra, gentileza e paixão naquele homem... Céus o que não deveria ter passado na vida, com um irmão como Fugaku, um pai com o temperamento pior que o do irmão e sendo bissexual? O quão solitário ele já não deveria ter se sentido na vida? Não era nada perto de Madara e ainda assim ele lhe fazia sentir-se tudo!

- Melhor terminarmos o jantar. Do jeito que a chuva está aumentando, já, já acaba a luz e nada contra comer a luz de velas, mas cozinhar a luz de velas é mais difícil... – comentou Madara quando um clarão seguido de um trovão que fez a casa tremer os alertou para a piora do temporal.

Itachi se encolheu como era de costume e fechou os olhos aguardando pelo barulho ensurdecedor. Quando voltou a si, estava fortemente abraçado pelo tio, com a cabeça escondida em seu peito. Riu sem graça, mas Madara apenas bagunçou seus cabelos e depois de uma piscadela cúmplice foi ajudá-lo com o jantar.

Terminaram o jantar embalados pelas melodias gostosas de Bon Jovi e pelo som da chuva. Itachi colocava a última travessa na mesa e Madara abria o vinho quando a luz acabou. Ficaram em silêncio por alguns instantes e então os dois caíram na risada.

- Bom pelo menos deu tempo de terminar o jantar! – comentou Madara colocando a garrafa na mesa – Vou pegar as velas!

- Sério mesmo? Vamos jantar a luz de velas?

- Ué! Você já tem dezoito anos, pode ter jantares românticos! – brincou Madara ouvindo Itachi gargalhar.

Cada um seguiu para um lado da cozinha procurando velas, fósforos e castiçais.

- Kisame diria que não existem jantares românticos. –comentou Itachi – Achei os castiçais.

- Ah diria! Para ele jantar romântico é transar com uma garota num quarto de motel todo decorado em vermelho cheguei! Igual quarto de bordel!

- Como ele consegue ser tão gente boa e tão sem noção?

- Acho que isso que faz com que todos gostemos dele Itachi. Ele ser perdido daquele jeito!

- Acho que sim. Kisame é uma figura! Não sei como ele e Hidanse dão tão bem! Hidan é todo charmoso, educado... Um cavalheiro! E o Kisame é todo largado!

- Não se engane com Hidan! Ele tem seu lado cretino também viu?

- Mesmo? Vocês se conhecem há quanto tempo tio?

- Eu e o Hidan? – perguntou encontrando enfim as velas numa das gavetas – Desde o colégio. Devíamos ter uns... Dez anos quando nos conhecemos.

- Ele sabe? – perguntou Itachi sentando-se e esperando pelo tio que pelo som que fazia tinha encontrado os fósforos também.

- Sobre mim?

- É...

- Sabe. Hidan foi a primeira pessoa a saber e a única em quem confiei sobre isso por muito tempo. Sem ele eu teria pirado. Alias sem ele eu teria pirado bem antes convivendo com seu pai e seu avô.

Itachi ficou em silêncio aguardando o tio sentar-se a sua frente. Madara ajeitou as velas nos castiçais e quando se sentou a luz diáfama das velas iluminou seu rosto e seus olhos suavemente vermelhos, tornando-o belamente misterioso.

- O rancor que meu pai nutre por você... Tem alguma coisa ver com isso? – perguntou sério.

- Não. Pelo menos não que eu saiba. Sempre fui muito reservado. Seu pai e seu avô nada sabiam a meu respeito. Mesmo antes de eu descobrir certos gostos. – disse servindo o vinho para ambos enquanto Itachi servia a batata.

Comeram algum tempo em silêncio, saboreando a comida e a companhia um do outro. A cabeça de Itachi fervilhava de perguntas, mas não queria bombardear Madara mesmo sabendo que ele responderia o que quisesse saber de boa vontade. E depois, não sabia se estava pronto para as respostas.

- Seu silêncio me perturba criança. O que há? – perguntou Madara sorvendo um gole do vinho lentamente, degustando do sabor da bebida sem pressa.

- Não sei... – respondeu sinceramente depois de pensar um pouco – Tenho muitas perguntas fervendo na minha mente, mas... Estou com receio das respostas.

- Por quê?

- Também não sei. – respondeu frustrado. Odiava não conseguir chegar a conclusões sozinho.

- Acho que me precipitei afinal. – concluiu Madara suspirando pesarosamente.

- Não é nada disso. Apenas... Já sentiu ciúmes de alguém? –perguntou tentando entender o que lhe assustava em conhecer melhor seu tio.

- Ciúmes? – perguntou Madara confuso.

- É ciúmes...

- Não, nunca senti ciúmes de ninguém eu acho. Por quê? Sente ciúmes de alguém?

- De você... – respondeu Itachi de pronto.

- De mim? – perguntou Madara realmente perdido – Por qual motivo?

- Como posso explicar? – perguntou bebendo um gole curto de vinho enquanto pensava – Hoje cedo quando me disse que...

- Que sou bissexual?

- Não. Isso definitivamente não é um problema nem nunca vai ser. Mas quando disse que havia duas pessoas especiais na sua vida... Senti ciúmes de você... Não de você eu acho, mas talvez de saber que existem estas pessoas na sua vida. E também estou imaginando que seja ciúme. Senti algo forte, quente... Algo que nunca havia sentido.

Madara sentiu o coração praticamente virar um tenor no seu peito. Itachi sentia ciúmes dele com outra pessoa? Respirou fundo e bebeu mais vinho para tentar conter suas emoções.

- Você vive comigo há três anos e nestes três anos nunca me viu com ninguém. É normal sentir como se eu fosse apenas seu. E não se engane quanto a isso; eu sou. – disse completamente seguro e gentil.

Itachi engoliu seco. Como Madara poderia ser seu se não conversavam de maneira tão íntima quanto ele conversara com aquela pessoa ao telefone? Quão errado era querer ter aquele grau de intimidade com seu tio? Por que... Eles tinham ou tiveram algo mais para se tratarem daquela forma não é?

- Itachi? – chamou tocando-lhe os dedos longos.

- Estas pessoas... Sabiam uma sobre a outra?

- Sabiam. Mas não por alguma questão de compromisso. Sempre fomos amigos como já disse. Não existiam segredos entre nós.

- E... Em algum momento se apaixonou por algum deles?

Madara suspirou. Sim, se apaixonara. Muito. Perdidamente. Era apaixonado até hoje. Mas não da maneira que Itachi perguntava.

- Sim e não. Houve algo muito forte entre nós. Algo único, intenso, marcante. Mas nunca foi amor ou paixão.

- Entre vocês três?

- Não. Entre eu e meu amigo.

- Nem amor e nem paixão? – perguntou Itachi confuso e quando Madara negou com a cabeça levando um pedaço de salmão a boca voltou a questionar confuso – O que era então?

- Carinho, compreensão, apoio, desejo. Acima de tudo carinho. Ele é gay, assumidamente gay embora não saia por aí alardeando isso. Foi meu porto seguro por muito tempo. Satisfez minhas curiosidades, minhas vontades... Em mim ele encontrou a segurança de ser quem era, sem medo, sem vergonha. Isso gerou um vínculo que existe até hoje.

- E vocês ainda de vêem? Se falam?

- Sim para as duas perguntas. Disse a você que não sou promíscuo e falei sério. Não gosto de sexo por sexo. Nunca gostei. Acho que eu mereço mais do que isso. E quando digo eu, falo do meu corpo, da minha consciência.

- Foi com ele que perdeu a virgindade? Quero dizer... Bom não sei ao certo, mas imagino que se perca a virgindade duas vezes não?

Madara riu do suave tom rosado que preencheu as faces do sobrinho enquanto ele tentava se explicar.

- É bem por aí. Mas minha primeira vez foi com uma garota. Eu tinha dezesseis anos.

- Novo assim? – perguntou Itachi arregalando discretamente os olhos.

- Itachi nunca fui santo! Se tem esta visão de mim está errado. Nunca fui promíscuo, repito, mas sou humano.

- Claro que é. Desculpe. – falou sem graça.

- Não precisa ficar assim. Vamos dizer que foi... Necessário.

Itachi levantou os olhos de seu prato analisando seriamente o tio.

- Esta minha amiga... Ela namorava um garoto mais velho e em uma semana ele iria fazer dezoito anos e ela resolveu que iria ser o presente de aniversário dele. Só que ela tinha inventado para ele que não era mais virgem porque o garoto não queria rolo com virgens e ela me pediu para ajudá-la com isso. Eu disse que não ia ser uma boa ideia porque eu também era virgem, mas ela disse que no final, seria bom para ambos, pois quando eu encontrasse alguém com quem quisesse ir para cama não seria inexperiente. Entrei na dela e acabou rolando. Rolou por uma semana inteira, aliás. – confessou com um meio sorriso saudoso daquele tempo.

- E não se arrependeu? De não ter esperado a pessoa certa? –quis saber Itachi.

- A pessoa certa... – repetiu para si mesmo num tom baixo e reflexivo antes de continuar – A pessoa certa era ela. Assim como meu amigo também foi quando meu coração me pediu para buscar respostas para meus desejos secretos.

- Qual experiência foi melhor?

- Não saberia dizer. Foram tão diferentes Itachi. Pessoas diferentes, situações diferentes... Motivos diferentes. Quando fui para cama com ela éramos os dois virgens, inocentes... Quando fui para cama com ele... Eu era virgem e ele inocente.

- Como assim?

- Meu amigo tinha sua idade quando se apaixonou por um cara mais velho. Bem mais velho. Uma diferença de idade maior que a nossa. O cara era casado, tinha um filho da idade do meu amigo. Apaixonou-se por ele também e eles se envolveram. Meu amigo perdeu a virgindade com este homem. Depois o cara caiu em si e começou a evitá-lo de todas as formas. Meu amigo, digno como era, sufocou o que sentia e seguiu com a vida dele conformado que jamais teriam algo novamente. – contou com ar um pouco triste – Foi nesta época que nos envolvemos. O homem havia sido o único a tocar seu corpo e seu coração.

- E ele nunca mais viu o tal homem? – perguntou Itachi com o coração sangrando pelo amigo de seu tio.

- Quis a vida que ele e o filho do cara acabassem estudando juntos na faculdade e sem saber quem o rapaz era, ele começou a frequentar a casa dele. Quando se encontraram fingiram que não se conheciam. Mas o cara acabou convivendo com meu amigo e vendo o homem especial que ele era. Demorou três anos, contando de quando se conheceram até este dia, mas o cara teve coragem de largar tudo e assumir o que sentia pelo meu amigo, pois ele nunca havia esquecido o que tinham vivido. Eles se casaram numa cerimônia singela e viveram um amor profundo, intenso. Foram imensamente felizes por sete anos até o cara descobrir que estava muito doente; um tipo raro de câncer. Tentaram de tudo pelos próximos dois anos, mas teve uma hora que cansado de ver meu amigo sofrer, ele pediu para parar os tratamentos; queria viver o que lhe restava de vida ao lado dele da forma mais normal possível, deixar o cabelo crescer e tentar voltar a ser um pouco do homem que tinha sido. Meu amigo atendeu seu pedido e viveram mais um ano juntos. Ele morreu dormindo.

Itachi estava sem palavras. Chorava em silêncio tocado pela triste história.

- Nunca mais ele se apaixonou de novo. Ele diz que simplesmente já viveu o grande amor da vida dele e que não sente vontade de se envolver novamente com ninguém. A única pessoa que ele permite se aproximar sou eu.

- E mesmo assim nunca sentiu nada mais forte por ele?

- Não. Vivemos momentos lindos juntos. Divertidos, sensuais... Mas não estamos destinados a ficar juntos.

- Acha que um dia vai encontrar alguém com quem queira viver algo assim?

- Não quero viver algo assim. Não quero encontrar alguém para amar e depois perder como ele o perdeu. Acho que por isso nunca me apaixonei.

- Mas não pode pensar assim! – protestou Itachi.

- Meu amigo me lembra disso sempre. – comentou rindo levemente – Ele sempre me diz que posso fugir a vida toda de amar alguém, mas que quando a pessoa certa surgir vou enfrentar o mundo por ela. Independente do meu medo de perdê-la ou não.

- Ele deve ser um homem maravilhoso.

- Ele é. E o mais impressionante, é que não há um traço de dor, amargura ou tristeza nele. É uma pessoa divertida, tranquila...

- Tem certeza de que não é apaixonado por ele?

- Absolutamente! Sou sim apaixonado por ele. Mas não da maneira que você está colocando a coisa.

- Ele sabe que eu existo? Vou poder conhecê-lo algum dia?

- Claro que ele sabe de você! E sim, um dia vai conhecê-lo.

- Ele é viúvo há quanto tempo?

- Três anos!

- Aconteceu no ano que vim para cá?

- No Natal do ano anterior. Você veio para cá no final do primeiro semestre do ano seguinte.

- Não o deixou de lado por minha causa deixou? – perguntou Itachi sentindo uma necessidade louca de saber que seu tio não negligenciara o amigo por sua causa.

- De maneira alguma. Ele conhece você desde bebê. Ficou doente com a atitude de seu pai e orgulhoso de mim por ter te acolhido.

- Ele sabe que você ainda não tinha me contado nada sobre você?

- Sabe e vem me chamando de covarde já há algum tempo. Sempre me disse que você entenderia.

Itachi sorriu embevecido pela confiança do amigo do tio sentindo-se menos inseguro sobre ele. Entendia aquele tom íntimo ao telefone agora. Era uma pessoa especial e adoraria conhecê-lo.

Terminaram de comer falando sobre Hidan. Itachi queria saber se ele e o tal amigo de Madara se conheciam e Madara afirmou que sim; que se davam muito bem inclusive. Madara contou várias aventuras deles no tempo de escola fazendo Itachi rir muito e ficar surpreso por serem duas tranqueiras quando novos. Se fosse outra pessoa a lhe contar não acreditaria que Madara e Hidan tinham um passado tão aventureiro.

Terminava de tirar a louça da mesa e Madara pegava a sobremesa quando a luz voltou. Olharam-se por alguns instantes com ar de decepção e então Itachi sorriu para o tio levantando a sobrancelha esquerda. Madara sorriu de volta e concordou com a cabeça. Ao seu aceno, Itachi caminhou até o interruptor e desligou a luz. Não tinham terminado o jantar ainda.

Notas finais
Ainda não tenho o capítulo 7 escrito, mas trabalharei nele com carinho dentro do tempo que possuo.
Desejo a todos uma semana magnífica, repleta das bençãos e proteção dos Anjos do Céu e dos Seres Elementais da Natureza!
Beijo no coração de todos e até o próximo Capítulo!