Post-land: Hidden Library

2 Capítulo II - O Garoto de Cabelos Brancos


Notas iniciais
Sugestão Musical: Charlie Brown Jr. - Como tudo deve ser
http://www.youtube.com/watch?v=1xXL3cjdoCQ

Boa Leitura!

Capítulo II — O Garoto de Cabelos Brancos:

“Compre, venda, mas tente não ser roubado. 2º Distrito, Distrito K-Zero”

Era hora das compras. Dimitri e Hera partiram ao 2º Distrito para se armar e se preparar para a aventura a qual a garota achava que daria errado.

O destino era o Distrito K-Zero, o 2º distrito de Post-land, e o maior distrito comercial da Terra.

Lá se vende e se compra de tudo. Artigos de luxo, armas produzidas no 6º Distrito, comida, tudo que podia se imaginar.

Era um distrito estritamente comercial. Não havia casas, só tendas comerciais.

Os comerciantes se instalavam em pequenas “ilhas” de terra, já que o distrito era quase que completamente alagado. Lembrava muito a antiga cidade de Veneza, na Itália.

Os compradores tinham que se locomover com barcos, uma vez que, além de ser um distrito alagado, era também um distrito profundo na região marítima.

Uma lenda era contada na cidade de que uma vez, uma pessoa caiu de um barco durante a transição de uma tenda à outra e acabou morrendo afogado e seu corpo nunca foi encontrado.

Cientistas do 7º Distrito analisaram e chegaram à conclusão que o lago era interminável e inexplorável, ou seja, sem fim e sem possibilidade de exploração.

Era mais um mistério da natureza que a ciência não conseguia resolver.

Mas, não era só a natureza que atacava humanos nesse distrito.

Por ser um distrito extenso e repleto de mercadorias, furtos eram mais que comuns nesse distrito, eles eram rotineiros.

Dos distritos de paz esse era um dos mais perigosos. Assassinatos; roubos; furtos; sequestros, essa era uma rotina problemática desse distrito.

Mas Dimitri estava muito empolgado para dar a mínima para qualquer uma dessas coisas. Até porque, quem roubaria alguém que tem em suas costas uma espada medieval? Sem dúvidas, não muitos, pensava ele.

Hera alugou um barco com um vendedor próximo a costa do Distrito Uria e ela e Dimmy começaram a navegar em direção ao Distrito K-Zero.

Nesse meio tempo entre os distritos, Hera tentava convencer Dimmy a desistir do plano.

- Qual é Dimmy? Tem certeza de que quer continuar? Se pararmos agora essa viagem sai de graça e podemos voltar ao nosso distrito antes de escurecer – Ela falava esperando um “sim” sincero de Dimmy, mas tudo que ouviu foi um...

- Não! Claro que não... Começamos agora nossa real jornada Hera. A partir de agora somos donos do nosso próprio destino. Seguimos em frente, sem olhar para trás! – Dizia Jimmy com tamanha euforia que todos nos barcos à sua volta olhavam espantados para ele.

- Ok, Sr. Dimmy. Mas lembre-se que teremos que olhar para trás de qualquer jeito, afinal, nós teremos que passar pelo nosso distrito mais uma vez, de qualquer forma – Falava Hera enquanto ria de Dimmy, que perdia aos poucos a euforia e que parecia começar a ficar nervoso.

- Você sempre estraga meus sonhos Hera. Você entendeu muito bem o que eu quis dizer. Não me deixarei abalar por essas palavras de tão pouca fé... Nada vai me tirar do meu caminho.

A garota de cabelos castanhos claro não evitou a gargalhada, o que enfureceu o garoto espadachim. Ela desejava fortemente que Dimmy mudasse de ideia quando eles voltassem ao distrito natal. Desejava tanto que aquela aventura não durasse tanto.

~~No 2º Distrito, em uma tenda de armas~~

- Isso pode mesmo me ajudar numa batalha? Não ponho fé nessa arma minúscula.

Dizia o menino de cabelos brancos e curtos, que lembravam uma cor grisalha velha, mas que demonstravam experiência e juventude. Tinha olhos negros, que contrastavam com seus cabelos. Vestia um sobretudo digno de um príncipe ou de um conde. Tinha uma tatuagem no pescoço que indicava que ele havia nascido no Distrito Utopic.

Virou seu rosto para o vendedor, esperando uma resposta à sua pergunta.

- Com certeza. Essa arma é garantia para acabar com um grande número de ladrões e até de humanoides, se assim for necessário. Garantia do velho Gully das Armas amigo.

- Hum... Se você diz. Quanto custa? – Perguntou o garoto, sem interesse.

- Chegamos à parte interessante do negócio, meu caro. Essa arma é a mais cara de todo esse distrito, e só posso vendê-la por um preço de 10.000 Kolberts. Entenda que essa é uma arma cara, rara e---.

O vendedor não conseguiu terminar a frase. O garoto havia jogado 10.000 Kolberts em sua mesa e já havia se virado para ir embora quando o vendedor lhe chamou.

- E-e-espere garoto. Para poder gastar toda essa grana em uma arma, deve ser alguém importante. Será que, podia me dizer seu nome?

O garoto de cabelos brancos lançou um olhar frio ao vendedor, que o fez recuar. Mas, com uma voz grossa e fria respondeu-o.

- Me chamo Lumium... Mark Lumium...

- Ok. Com certeza guardarei o nome do meu melhor cliente em anos.

Após terminar a frase, o garoto saiu navegando com sua barca em direção ao 3º Distrito, prestes a começar toda sua aventura.

~~Próximo dali, perto da entrada do 2º Distrito~~

- Como assim só temos 3.000 Kolberts? Esperava ter no mínimo uns 7.000 ou 8.000 Kolberts – Dizia Dimmy com certa tristeza no olhar.

- Você acha que esse barco foi de graça? – Dizia Hera como se quisesse dar um sermão em Dimmy por ser tão displicente – Deveria ter trabalhado mais e conseguido mais dinheiro!

- Com essa grana, não conseguiremos nem cruzar a fronteira com New Hope. O que faremos?

- Não sei. O senhor que está no comando aqui, Estúpido Capitão Dimmy, cabeça de alga. Você devia ter planejado tudo antes de sairmos de Uria.

- Hum... Nós estamos indo para K-Zero só para comprar armas e munição. Já temos equipamentos e suprimentos em nossas mochilas... Acho que podemos comprar alguns produtos mais baratos e economizamos para passar para New Hope, de lá nos viramos.

- Você quer ir para o lugar mais perigoso do mundo com armas de segunda mão? Realmente, você é um gênio.

Hera ironizava as falas de Dimmy, mas ela estava começando a gostar de viajar e gostava mais ainda por estar viajando ao lado dele. Só que não podia esconder seu nervosismo. Ela não sabia o que fariam quando estivessem longe de casa. Pensava nas dificuldades que passariam com tão pouco dinheiro e até nas coisas que teriam que conviver... Todos esses pensamentos foram interrompidos quando finalmente chegaram ao Distrito K-Zero.

- Chegamos Capitão!

- Yeeeeeahhhhhhh! Finalmente, vamos rápido, temos um longo caminho pela frente.

A garota velejou até a tenda de armas mais barata de toda K-Zero, o General Gunner, vendedor de armas de segunda mão e tio de Hera.

- Oi Tio Gun, como vai?

- Hera, minha sobrinha preferida. O que faz aqui? Problemas com a besta? Como está sua mãe? Esse aí é o menino Dimitri?

Eram tantas perguntas que a deixaram com dor de cabeça. Dimmy decidiu apresentar-se também.

- Hey Tio Gun... Sabia queeeeeeeeeeeeee---

Ele escorregou e quase caiu na água. Por sorte Hera conseguiu segurá-lo e trazê-lo de volta ao barco. Ela se dirigiu à Gun.

- Então tio. O que podemos conseguir com 1.500 Kolberts?

- Bem... Tem alguns explosivos. E umas flechas especiais que eu mesmo produzi. Produzidas especialmente para acabar com humanoides com um só tiro. Tenho umas granadas atômicas também... Com alcance de 10 metros, sugiro que fiquem uns 20 metros longe de onde jogar isso, só por segurança. Tudo isso por 1.500 Kolberts para meus clientes preferidos.

Dimmy e Hera sorriram para Gunner, que retribuiu o sorriso.

- Ok Tio... Obrigado. Agora vamos Dimmy.

Uma explosão foi avistada ao longe. Barcas voavam para todos os lados, junto com alguns espetadores. Ouvia-se uma multidão gritando bem alto “Briga, Briga, Briga”.

Dimmy e Hera se dirigiram na direção das vozes e descobriram o que estava acontecendo.

Uma briga encima das barcas. Um jovem de cabelos brancos, que a multidão vaiava frequentemente e um homem gigante, com quase 20 metros e superforte que a multidão chamava de “O matador de nobres”. O gigante dirigiu-se a multidão.

- Eu, Konnor, O Matador de nobres, irei matar esse jovem nobre filha da puta vindo do distrito Utopic. Em nome de todos os pobres, que vivem com medo de nossa “amada” natureza. Vamos matar os ricos que se escondem de nós e que nos dão migalhas enquanto o banquete principal é saboreado por eles. Eu te matarei, meu jovem, mas antes, diga seu nome, quero que grite bem alto seu nome para que todos saibam quem eu matei.

O garoto de cabelos brancos pegou uma arma minúscula, que seria facilmente segurada por qualquer criança... Apontou para o gigante e, antes do disparo, disse.

- Meu nome é... M... Mark... Lumium... E eu vou acabar com você!

Ele apertou o gatilho e uma luz amarela fluorescente saiu de sua arma.

O raio amarelo parecia desmaterializar a pele do gigante aos poucos. Ele escorregou e caiu no mar. Não se pôde ver os estragos que a arma causou ao gigante e a multidão ali presente ficou pasma com a apresentação do jovem de cabelos brancos e se dispersou.

Dimitri parecia ter ficado fascinado pela apresentação de coragem que o garoto demonstrou. Aproximou-se dele e perguntou.

- Está tudo bem?

O garoto parecia cansado e estava ofegante... Mas respondeu.

- Sim... Quer dizer, eu acho...

- Bem, eu vi o que fez, foi muito heroico... Admito que nunca vi alguém desafiar o gigante.

- Ele... Queria me roubar... Humilhou... **cof** Humilhou meus antepassados e minha mãe. Não... Posso tolerar... Esse... Tipo de coisa – Dizia o garoto que parecia ter levado uma boa surra do gigante, antes de Dimmy e Hera chegarem.

- Entendo... Bem, eu só quero me apresentar... Sou Dimitri di Parma, e aquela no barco é minha amiga, Hera Constanny...

O garoto apertou a mão de Dimitri e acenou para Hera, que retribui o aceno. Virou-se para Dimitri e também se apresentou.

- Sou Mark Lumium... Vindo do Distrito Utopic e da família Lumium, que organizou todos os distritos da paz. Prazer em conhecê-los.

- Dizemos o mesmo.

- Foi bom conhece-los... Mas tenho que seguir meu rumo... Tenho que conseguir chegar à Minevíc.

- Você está indo pra Minevíc? Nós também... Estamos atrás da Árvore Sagrada de Infinite Gardian... Quer nos acompanhar até lá?

O jovem de cabelos brancos pensou naquilo. Viajar com dois estranhos que podiam ser sequestradores ou algo do gênero era perigoso, mas talvez aquilo fosse uma oportunidade que o destino lhe ofereceu para finalmente começar suas novas aventuras.

Mark os olhou de cima a baixo... Eles pareciam simples plebeus aos seus olhos, mas ele não era mais um nobre real para poder julgá-los... Decidiu que...

- Sim... Seria... Uma boa... Ideia.

Dimmy retribuiu a fala de Mark com um sorriso. Ajudou-o a caminhar até a barca onde estava Hera, e explicou a ela que eles tinham um novo companheiro.

Hera ficava pensando que voltar atrás seria mais difícil agora. Com mais um tripulante louco naquele time nada normal. Mas ela estava feliz, assim como Dimmy, estavam felizes por terem conhecido uma nova pessoa, por conhecerem um novo amigo.

Velejaram durante toda a noite, esperando chegar a Uria no dia seguinte.

Estavam cansados, os três, mas seus objetivos eram mais fortes, e o fariam superar qualquer adversidade, inclusive o cansaço.

Notas finais
**Kolberts: Moeda utilizada em Post-land... 1 Kolbert equivale à 1 real e 50 centavos.

Lançamento atual da fic agora é semanal, todos os Sábados, novos capítulos... Até.

~Ghost.