Post-land: Hidden Library

3 Capítulo III - Nova **oink** Esperança


Notas iniciais
Sugestão Musical: Eric Johnson - Cliffs of Dover
http://www.youtube.com/watch?v=55nAwmVLQSk

Boa Leitura!

Capítulo III — Nova **oink** esperança:

“O começo da nova esperança, traz consigo o final da velha...”

Dimitri, Hera e Mark haviam viajado a noite toda para conseguir finalmente voltar à cidade natal dos dois primeiros, o Distrito Uria.

Eles chegaram e decidiram se reorganizar na cidade. Pegaram alguns equipamentos que podiam lhes ser úteis, arrumaram melhor as coisas e decidiram partir.

Dinheiro já não era problema. Mark tinha bastante para eles chegarem até o Distrito Minevíc sem problemas e isso já era um grande avanço.

Então, o pequeno grupo de exploração foi até a saída de Uria e lá compraram um carro com um velho amigo de Dimmy, Joe Car, o dono dos carros da região.

Apesar da grana sobrando, eles tinham que economizar. Compraram o carro mais em conta, que era também o mais velho, e saíram dos domínios de Uria em direção ao novo objetivo, New Hope.

No caminho até o novo distrito, o grupo decidiu discutir sobre seus planos para o futuro e seus objetivos.

- Hey Mark, o que pretende fazer em Minevíc? Pretende se tornar cientista? – Dizia Dimmy enquanto dirigia o velho veículo com certa dificuldade.

- Exatamente. Tornar-me um cientista é meu sonho... Mas acima disso, eu quero descobrir sobre as plantas especiais da natureza. Afinal, sou especializado em botânica, e tudo que quero é descobrir os mais variados espécimes botânicos da Terra.

- Então... Você pretende ir aos extremos da Terra? Como os Distritos Naturais? – Perguntava Hera, curiosa sobre o assunto.

- Obviamente... – Respondeu Mark com estranha frieza. – Os domínios naturais possuem uma variedade enorme de plantas, fungos e até espécies biologicamente adulteradas... É um lugar para onde eu devo ir.

- Sério? Por que não vamos todos juntos? Eu e Hera estávamos a caminho de Infinite Gardian mesmo, para reverter tudo isso, quer nos acompanhar até lá?

Mark ofegou por um momento. Olhou para o céu... Seus olhos negros pareciam vazios e distantes... Decidiu responder.

- Bem que eu queria... Mas... Não é fácil. Existem tantos desafios e tantas dificuldades para passarmos por nossos próprios distritos... Pensar em um distrito natural é como pensar num campo de batalha, estaremos a mercê da natureza, seremos alvos fáceis.

- E daí? – Disse Dimmy num tom realmente sério, num tom que deixou até Hera espantada, era o tom de determinação, pensava ela. – Se ficarmos aqui, só esperando, nada vai acontecer.

Mark afirmou com a cabeça, mas ele não concordava cem por cento. Ele tinha seus medos, seu principal medo era morrer sem conseguir seu conhecimento. Admitia ser um covarde nato, não sabia como tinha derrotado o gigante, sempre que pensava naquela luta sua cabeça doía e ele sentia vontade de vomitar. Mas a afirmativa de Dimitri tinha certo impacto em sua mente.

Hera decidiu descontrair o momento frio e silencioso que estava começando a se atenuar perguntando a Mark.

- Então, Mark... Qual sua habilidade especial?

- Habilidade especial? – Perguntou Mark surpreso com uma pergunta tão estranha.

- Sim. – Respondeu Hera. – Habilidade especial. Sabe, cada um de nós tem sua própria habilidade para auxiliar-nos no combate. Eu sou a atiradora de elite, com a minha besta. Já Dimmy é um dos lutadores da linha de frente, usando sua espada. Temos que saber qual a sua habilidade para podermos definir qual será sua função caso entremos em um combate.

O garoto de cabelos brancos pensou naquela afirmativa. Ele não era um lutador de frente como Dimitri, e tampouco um atirador de elite ou algo do gênero. Respondeu sem humildade alguma que...

- Eu sou um gênio e um botânico. Acho que posso organizar os ataques do time e posso fazer até o papel de médico usando algumas plantas que tenho na minha mochila, além daquela arma especial que comprei no Distrito K-Zero, isso são habilidades?

Dimitri respondeu eufórico.

- Claro! Todo grupo que se preze tem seu próprio médico a seu dispor. E o nosso será você, Mark. Viu Hera? E você dizendo que esse plano não daria certo. – Falava o garoto de cabelos aloirados, com certa admiração e certeza no olhar.

- Nós ainda não tivemos tempo para testar nossas habilidades de combate, Senhor Capitão. Quando me provar que esse nosso grupo consegue vencer outro grupo, aí sim direi que estava certo, até lá você continua sendo um idiota. – A garota de olhos verdes dizia com muita firmeza e frieza em cada palavra.

- Você sempre estraga meus sonhos, Hera. Espere e verá que meu plano é grandioso!

A garota o contradiria, mas eles estavam bem próximos a entrada do 4º Distrito, o Distrito New Hope.

O distrito era simplesmente o mais imundo de toda Post-land. Aquela era a verdadeira lixeira do mundo, onde todos os distritos jogavam as coisas de que não necessitavam mais.

Tinha como objetivo ser a 2ª parte de Uria, e assim, ser um distrito estritamente residencial. Porém, a maior parte da população que deveria ter permanecido nesse distrito fugiu para o Distrito Uria e para outros distritos, devido a pobre infraestrutura de New Hope.

As lendas que rondeavam esse distrito eram macabras e assustadoras. A lenda do “Caçador de Homens”, um humano que caçava outros humanos para alimentação. A história dizia que ele havia ficado louco com as divisões dos distritos e com o aumento significativo do tamanho dos animais e, devido a isso, passou a caçar tudo e todos. Segundo informações, o “Caçador de Homens” tinha por volta de 100 a 150 anos.

Além do fato de lendas urbanas, a geografia de New Hope influenciou muito na capacidade de residências e de casas. Apesar de ser um distrito que seria perfeitamente residencial, sua geografia era estranha em certos pontos, com montanhas e depressões oscilantes, que davam uma característica rochosa e perigosa a todo o distrito, o que acabou assustando sua população e a afastando.

Os poucos 300 habitantes que sobraram naquele agora fétido distrito eram os considerados “porcos humanos”.

Poucos distritos faziam contato com esse distrito. Muitos só vinham depositar seu lixo e, procuravam não interagir com a estranha população que mais lembravam porcos.

Sons; gestos; higiene, todas essas características eram assemelhadas aos habitantes desse distrito, e comparadas a animais.

Além de lembrarem animais, eles eram perigosos e pouco sociáveis. Passar por aquele distrito já era um motivo para se preocupar.

Mas, para Dimitri di Parma isso pouco importava. Que chegassem porcos, humanoides ou humanos, para ele isso não faria diferença, mataria todos com sua espada se assim fosse preciso.

O carro havia enguiçado na entrada de New Hope, provavelmente por falta de gasolina ou por algum problema no motor. Porém, tinham finalmente chegado ao distrito e, enquanto Hera tentava encontrar o problema do veículo, disse...

- Chegamos!

- Isso é obvio Sra. Contanny. – Dizia Mark com uma voz fria e sarcástica. – Percebi isso há uns 500 metros daqui... Esse cheiro podre só podia significar isso... Esse lixão chamado “Nova Esperança”.

- Hum... Tanto faz. – Dizia Dimmy num tom despreocupado e desleixado.

- Tanto faz? – Indagava a garota de olhos verdes, deixando o concerto do carro de lado. – Como assim tanto faz? Sabe das lendas desse lugar? O carro enguiçou e ainda por cima está escuro. Além dos porcos humanos, soube que eles são carnívoros.

- Mas acho que isso são apenas lendas Sra. Constanny, não acho que possam coisas desse tipo possam ser reais. – Mark tentava acalmar a garota.

- E se forem reais? – Dizia Dimmy. – E daí? Eu quero mesmo que eles existam... Estou precisando de uma boa batalha.

- Você é louco! – Afirmava o garoto de cabelos brancos, enquanto Hera balançava a cabeça, confirmando que concordava com Mark.

- O que fazem aqui? **oink** Estrangeiros...

Uma voz surgindo da escuridão daquela nebulosa noite fria fez os três gelarem a espinha.

Saindo de uma moita que mais parecia uma lata de lixo, um menino de aparência alaranjada, com um focinho típico de um porco e com um cabelo negro e encaracolado que formava uma espécie de onda no cabelo do jovem, Mark pensava que aqueles cabelos lembravam muito o rabo de um porco. O menino vestia trapos, como uma roupa de trabalhador que vinha sendo usada durante anos em um serviço pesado. Ele virou-se para os três jovens, ficou de quatro e começou a comer uns restos no chão.

- O que é isso? Que nojo. – Hera dizia com a mão na boca, como se fosse vomitar.

O menino-porco levantou-se, ficando de pé de novo. Dirigindo-se para a garota falou...

- Nojo **oink**? Aqui isso é um banquete. Por sorte os porcos maiores não conhecem esses locais. Eles têm medo de sair de suas “zonas de conforto” atrás de lavagem.

- O que exatamente você é? – Questionava-se o garoto de olhos negros.

- Eu? Digamos que eu sou de uma raça superior a de vocês. Sou um homem-porco, ou porco-homem, como preferirem. **oink**

- Um porco-homem? Então vocês existem... – Afirmava Dimmy.

- Claro que existimos. Afinal, você me vê certo **oink**? – Dizia o menino porco com um tom de deboche. – Mas não se preocupem comigo, ainda não sou carnívoro como os outros. Sou muito jovem ainda.

- Carnívoro? Então quer dizer que...

- Sim **oink**. Todos humanos que passam por esse distrito e não se cuidam acabam nas mãos dos porcos carnívoros daqui. Eu estou avisando vocês do perigo, deveriam me agradecer. – Dizia o garoto enquanto fingia lixar as unhas. – Eu acho melhor vocês saírem logo daqui, a noite é quando eles ficam mais famintos e mais fortes.

- Quer dizer que porcos ficam mais fortes à noite? – Questionava Mark.

- Sim. A natureza age de forma estranha, **oink** garoto. – Falava o menino-porco. – Nem eu sei como nasci assim. Só estou seguindo minha natureza e, no caso deles, a natureza diz que vocês são presas e não predadores.

Ruídos de grunhidos eram escutados ao fundo. Logo em seguida, patadas velozes eram escutadas, eles estavam chegando.

Dimitri embainhou sua espada; Hera pegou sua besta e algumas flechas especiais em mãos e Mark pegou a arma que tinha comprado no Distrito K-Zero, que possuía só mais dois tiros.

O garoto-porco levantou-se e pegou dois machados de suas costas. Dimitri se admirou com a atitude do garoto e olhou-o como se perguntasse “Por quê?”, o que fez o jovem lhe responder.

- Não é só porque somos da mesma espécie que gosto deles. Tenho meus **oink** motivos para não gostar de gente de minha espécie, só por isso foi ajuda-los.

Uma multidão de homens-porco gigantes se formou envolta do pequeno grupo com, agora, quatro integrantes. Os homens-porco carregavam grandes machados, maiores que os dois que o pequeno porquinho carregava; além de parecerem superfortes, eles usavam armaduras completas e confeccionadas com equipamentos de ferro e entulho, provavelmente encontrados no lixão do 4º distrito.

A luta estava para começar e Dimitri não podia estar mais empolgado. Virou-se novamente para o jovem porco e lhe perguntou.

- Qual seu nome garoto?

- Me chamo **oink** Trop.

Dimitri levantou La Esperanza para o alto, dando a entender que a luta começaria imediatamente, e disse...

- Sr. Trop. Se sairmos vivos dessa luta, quero que se junte a meu grupo!

O jovem porco balançou a cabeça em afirmação, meio assustado. Os porcos gigantes começaram o ataque, a batalha havia começado.

Notas finais
Para quem não sabe... Oink é o grunhido do porco, o barulho que o porco faz. Enfim, era só isso... Até.

OBS: Tentei postar esse capítulo no Sábado, mas deram
problemas no Nyah e só consegui hoje.

~Ghost.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.