Notas iniciais
Quinto dia!

~~~~~~~~~~~~~~

Henry era incrivelmente parecido com Regina: O cabelo escuro, que ele nunca admitiria em voz alta, mas Regina sabia, que era muito bem cuidado, com direito a ser lavado pelo menos duas vezes e produtos masculinos caros; como se vestia, por mais que estivesse se vestindo mais como Emma ultimamente, ainda usava sobretudos pretos, calças caras e estava sempre arrumado, não importando o que fizesse ou quão sujo estivesse; como ele amava jogos de estratégia e sempre jogava com ela.

Mas eles eram praticamente idênticos em expressões faciais, Regina jura que o menino era mestre em levantar a sobrancelha aos sete anos. Então sim, a prefeita podia ouvir as engrenagens se movendo na cabeça do filho enquanto ele olhava e cutucava o resto da torta de ontem no prato, porque ele estava exatamente como ela ficava quando planejava alguma coisa. E era precisamente por isso que não queria contar nada para ele, pelo menos até ter resolvido tudo, isso vai virar uma operação na cabeça dele.

“Camaleão.”

“Huh?” Não percebera que o filho falava com ela.

“Operação Camaleão. Eu pensei em outros nomes também, mas esse faz mais sentido. Digo, essa pessoa que está deixando os bilhetes aqui definitivamente não quer ser descoberta e sempre consegue deixar eles e ninguém nunca vê nada. Tipo um camaleão, viu? E – “

E ali está. Até que demorou um pouco, Regina pensou que ele faria uma operação nova ontem a noite quando contou a ele. Mas Henry apenas ouvira, comera a torta, não tocara no assunto e fora dormir. Deveria saber que não seria tão fácil assim.

“Henry... Não tem operação. É uma situação em que isso não é necessário, até porque, como faríamos disso uma operação?”

E Regina reconheceu mais uma expressão sua, a recheada de sarcasmo que geralmente usa quando fala com alguém que só fala coisas ridiculamente óbvias. Não sabe se o abraça ou puxa a orelha.

“O que você acha que estava fazendo ontem com o Killian? Seguindo ele por aí? E pretendia fazer isso com o Robin também, não é? Isso é uma operação, mãe. A ideia até que foi boa, mas você ainda é nova nisso... Só precisamos bolar alguma coisa que não seja você tentando, e não conseguindo aliás, ser sorrateira pela cidade...”

“E você tem alguma ideia melhor? É o único jeito de saber se é algum dos dois.”

“Não, eu ainda não tenho um plano... Eles não aparecem do nada, ok? Mas com certeza não é a única forma...” O adolescente segurava o queixo com a mão e cerrava as sobrancelhas.

Regina afagou o cabelo do príncipe enquanto se levantava da mesa. “Bem... Então, enquanto pensa, eu vou ver se descubro alguma coisa.”

Henry se levantou bruscamente com um brilho nos olhos que a mãe associava a nada bom. “Por isso você foi na loja do Sr. Gold!”

“Você não vai desistir, vai?”

“Tem alguém dando em cima da minha mãe por bilhetinhos na porta dela. É minha obrigação saber quem é, pra saber se é alguém que presta e não algum stalker louco que quer te amarrar num porão pelo resto da vida sem ver a luz do sol porque ele te ama, mas é um psicopata louco pra caramba, e a gente demora dez anos pra te encontrar e quando te acha você tá toda traumatizada e precisando de tratamento médico e psiquiátrico! Então não, não vou.”

“Você vai é parar de assistir Criminal Minds isso sim, mocinho.” Os dois riram juntos antes de Henry pegar o braço da mãe no seu.

“Mas sério, mãe, eu vou te ajudar. Quem sabe você não aprende uma coisa ou outra sobre operações também?”

“Você é tão teimoso quanto sua mãe, sabia, Pequeno Príncipe?”

“Obrigado. Agora, devemos ver se a Bella encontrou alguma coisa, mãe?”


A loja estava com a bagunça habitual, nada demais e nada de menos, mas havia algo diferente... No ambiente em geral... Era como magia negra, muita magia negra... Uma sensação que não se tinha tão fortemente assim na loja desde que Bella passou a tomar conta. O que ela estaria aprontando? Será que precisara de tudo isso para rastrear o bilhete?

Bella não os ouvira entrar no prédio, estava empilhando livros na prateleira no fundo da loja, sem muito sucesso já que derrubara uns três livros desde que os morenos chegaram. E sua expressão intrigou a rainha: Ela estava espantada, sorrindo, assustada, feliz e tremendo ao mesmo tempo, e Regina não sabia o que pensar daquilo. Seria bom ou ruim ou era realmente um stalker como Henry falara mais cedo?

“Srta. French?”

Nenhuma resposta.

“Srta. French?”

Ainda nada, meu deus como ela estava distraída.

“Bella!”

A mulher se assustou e derrubou uma pilha de livros no chão, que Henry começou a arrumar na hora com um “Desculpa, Bella.”, antes de olhar para quem a assustou e ficar um pouco mais pálida do que já era.

“R-Regina! E Henry também... O-O que estão fazendo aqui?”

A prefeita ergueu uma sobrancelha perfeita para a morena mais nova. “Estamos aqui para saber se conseguiu encontrar alguma coisa?”

“É! Claro, claro!” Pôs a mão no ombro do menino “Não precisa, Henry, depois eu ajeito.” E se virou para a rainha, uma mão mostrando a sala nos fundos da loja. “Não querem um chá? Biscoito? Ou – “

“Obrigada, Srta. French. Mas só queremos saber isso.”

Os olhos de Bella estavam quase desesperados enquanto engolia seco e não conseguia dizer nada. Henry veio a seu resgate. “Eu quero, Bella.”

A menina saiu da sala como um foguete para preparar o chá para Henry, Regina apenas olhou para o filho com quem compartilhava o mesmo olhar curioso. Bella French era o tipo de pessoa que não se assustava fácil com nada, fora casada com o Dark One pelo amor de deus!, claro, Regina já a vira assustada ou com medo.

Mas agora não era nenhum dos dois, era uma inquietação. Uma inquietação de gente que sabe que fará algo errado. Já vira isso em seu filho inúmeras vezes ao longo da vida. Henry só deu de ombros, também não fazia ideia do que estava acontecendo.

Os dedos de Bella não paravam quietos e ela olhava para todo o possível, evitando meticulosamente os olhos de Regina, enquanto Henry bebia o chá.

“Então... Encontrou alguma forma de rastrear meu ‘admirador secreto’?” Perguntou a morena mais velha fazendo aspas com os dedos.

Bella olhou para Henry e disse baixo como se confirmasse alguma coisa. “Então ele realmente já descobriu.”

“Srta. French?”

Bella ficou pálida novamente. “É que ele é um menino esperto, Regina, sabia que era só questão de tempo até ele perceber que estava acontecendo alguma coisa.” Ainda não olhara a rainha nos olhos.

“É... Ele é sim.”

Regina começou a ficar ansiosa quando ninguém falou nada por quase dez minutos, mãe e filho olhando para Bella e esta olhando para as mãos, procurando palavras. Meu deus... Não é como se Regina fosse queimar ela na fogueira por alguma coisa, não tinha motivo para estar assim.

“Eu...” Cerrou o cenho e determinação misturou-se com as outras emoções em seu rosto. “Desculpa, Regina. Eu... Não encontrei... Nada que possa... Te dizer sobre seu admirador secreto.”

E Regina é um unicórnio verde alado. “Tem certeza, Srta. French? Absoluta?”

A morena mais nova só acenou com a cabeça. “Sim. Não descobri nada que possa te dizer sobre seu admirador. Desculpa mesmo, Regina.”

“Não há nada para se desculpar, Srta. French. Sei que fez o seu melhor.” A rainha sabia que ela entenderia que isso era sobre a mentira também.


Depois de uns cinco minutos andando em silêncio e sem um lugar específico em mente, Henry foi o primeiro a dizer alguma coisa.

“Por que você acha que ela mentiu?”

“O que te faz achar que ela mentiu?” Sim, seu filho era realmente muito esperto.

“Mãe, não é como se precisasse do superpoder da ma ali... Ela não parava quieta e não olhou nos seus olhos nenhuma vez!”

“Não sei porque ela mentiria, Henry.”

“Bem, eu acho que ela já sabe quem é.”

“É?”

“Sim, e que essa pessoa pediu para ela não dizer nada. Por isso ela estava nervosa. Todo mundo sabe que a Bella é uma péssima mentirosa... E ela teve que mentir para você. Olha a pressão!”

“Exatamente. Por que ela mentiria para mim só por que alguém pediu?”

“Essa pessoa deve ter uns argumentos ótimos...”

“Henry – “

E esbarrou com alguém. Sério, Regina tem que parar de não prestar atenção, já está ficando ridículo, pensava ao ter certeza que a pessoa estava bem. “Sinto muito, não estava olhando. Você não se machucou, não é.... August?”

“Não, não, estou bem. E sou eu quem deveria prestar atenção aonde vou... Terceira vez que acontece hoje... E Leroy não foi muito amigável...”

“Ele não costuma ser.”

Um silêncio estranho pairou sobre o trio, com Pinóquio olhando para a prefeita sem soltar seu braço. “... August...?”

“Hã? Ah! Desculpa, prefeita. Muito distraído hoje. Vou tentar não esbarrar em mais ninguém.” Sorriu para o adolescente que estava encarando-o “Até mais, Henry.”

“Francamente...” Voltaram a andar e só depois de alguns metros a rainha percebeu seu filho a encarando também “Henry?”

“Mãe...”

“O que foi?”

“Você não viu como ele estava te olhando?”

Não, não havia visto nada na hora, mas agora que Henry disse... “August, Henry? Sério?”

“Bem sério, mãe.”

“Por que seria ele, Henry? O amigo perdido da salvadora que só recentemente voltou a ser um adulto humano?”

“Por que não? Mãe, você já se olhou no espelho. Se o que escuto na escola sobre você for a opinião base que a cidade tem sobre você, todo mundo é suspeito!”

Isso é uma das coisas que ninguém quer escutar do filho adolescente. “Henry, não importa o que seus amigos de escola... pensam... sobre mim. A ideia era facilitar encontrar quem deixa os bilhetes para mim, não suspeitar da cidade inteira!”

“... Importa pra mim... Já quase bati no Hansel... Falar da mãe dos outros... Enfim, a questão é: Pode ser qualquer um que você conheça! E também qualquer um que você não conheça! Tem que suspeitar de todo mundo!”

“Está ficando paranoico, Henry...”

“Tenho que dar um jeito de descobrir...”

A prefeita sabia que o menino havia parado de escutar, e sabia que ele sabia que conseguira a deixar paranoica de novo também. Talvez fosse parte da operação deixá-la paranoica, afinal, nada melhor para conseguir realizar um plano mirabolante bolado por um adolescente do que uma rainha má paranoica.

Parou de andar quando Henry parara em sua frente com um braço estendido em direção à porta da mansão com um pequeno sorriso no rosto. “Todo seu.”

E Regina pegou o bilhete do dia.

Adoro cada parte de você

E teve que admitir que, se fosse um plano de um psicopata para sequestrá-la, estava funcionando, porque esse psicopata realmente sabia o que estava fazendo.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Notas finais
Um número preocupante de pessoas distraídas nessa fic... Deve ser algo na água... Até amanhã!