Post-it
6 M
Notas iniciais
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Sabe aquela sensação de enjoo que se sente quando olha algo girado por muito tempo? Pois é. Ver Henry andando de um lado para o outro da sala com as mãos no bolso e expressão pensativa, por mais adorável que seja – e sim seu filho adolescente é adorável – depois de alguns minutos, deixara a rainha tonta.
“Vai abrir um buraco no chão, Henry.”
“Por uma boa causa.” O filho estava pensativo desde ontem ao chegar em casa, e durante o jantar e agora. Ele conversava, claro, mas Regina já estava vendo fumaça saindo de sua cabeça.
“Muito bem...” Depois de mais algum tempo observando o filho, a rainha cansara de não fazer nada e levantou se dirigindo à cozinha. “Vou fazer café, quer alguma coisa em especial?”
“...Bolinhos...” Respondeu o menino, antes de dar um pulo e pegar o braço da mãe. “Mãe!”
Regina se assustou, mas percebeu que, se os olhos dele fossem alguma indicação, o filho estaria de indo de zero a cem em cinco segundos o dia todo. “Henry!”
“Acho que deveríamos dar uma volta! Sabe? Podíamos até tomar café no Granny’s!” Disse puxando o braço da prefeita.
“Ok, ok! Calma, Henry! Nós vamos.” Foi pegar a chave do carro “Vá colocar um casaco.”
O menino bateu uma continência antes de ir para o quarto pegar uma jaqueta. “Sim, senhora!”
Após estarem no carro e este já estar a caminho da lanchonete, Regina chamou a atenção do diabrete moreno com cara de quem está aprontando alguma coisa. “Muito bem, por que estamos realmente indo ao Granny’s?”
“Para criar uma janela de oportunidade!” Disse com um indicador levantado.
“Eu pensei que a ideia era ver quem deixava os bilhetes, não dar oportunidade de ele deixar o bilhete sem ser visto.”
“Exatamente! Digo, você achou o primeiro já era de noite, mas ontem o bilhete estava lá e não era nem quatro horas! E se o bilhete sempre é colocado lá quando a casa tá vazia?”
“Então você acha que se sairmos agora e voltarmos depois, vai ter um bilhete na porta?”
“Mas não muito depois! Tomamos café e voltamos pra casa.”
“E se o bilhete não estiver lá?”
“Bem... Aí, pelo menos, dá pra saber que a janela em que essa pessoa deixa esses bilhetes é entre as oito da manhã e as quatro da tarde. O que já é alguma coisa!” Disse obstinado.
“... Pelo menos já é alguma coisa?”
“Uhum!”
Sentaram na mesa que Regina realmente acredita ter o nome deles escrita na lanchonete e pediram, a prefeita um croissant com café e Henry ovos com bacon. Mãe e filho com a mesma expressão observando todo mundo em volta. Especialmente quando uma certa garçonete chegou com o pedido, bem, com o pedido de Henry, e com uma torta de maçã para a rainha.
“Deixaram um agrado para a senhora prefeita aqui.” Ruby disse piscando com um enorme sorriso.
A rainha só olhava a torta. “Agora eu estou assustada.”
“O-k.”
“Alguém sabia que viríamos aqui, Henry.”
“Já percebi, mãe. Mas então a pessoa deve deixar o bilhete lá de manhã! E viu a gente saindo de casa!”
“E deduziu que viríamos aqui e chegou antes de nós e me pagou uma torta?”
“Viu a gente saindo de casa de manhã. Eu não vou ter escola por um tempo e não tem muitos lugares pra ir em Storybrooke a essa hora, tem?”
“E ainda assim não vimos ninguém entrando ou saindo daqui quando chegamos...”
“Bem... Sempre pode ter sido a Ruby?”
“Você vai realmente desconfiar de todo mundo na cidade, não é?”
O menino levantou as mãos “Vai dizer que não viu ela te olhando?”
“Ela é a Ruby! Ela olha daquele jeito pra todo mundo!”
Henry só deu de ombros.
Ao chegarem de volta à mansão, Henry praticamente voou para a porta, para não encontrar nada nela.
“Sério? Deixamos uma janela enorme!”
Regina pôs a mão no ombro do filho “Ás vezes ele só faça isso à tarde.”
“Mas ainda teve tempo de te pagar uma torta... Só pode ser brincadeira...”
“Ele pode ter percebido o seu plano?”
“E fez isso pra tirar com a minha cara! Tá se achando o ser mais esperto do mundo agora, não tá?!”
“É, ele bolou um plano diabólico para rir do plano de um adolescente, Henry.”
“Mas tá tudo bem. Eu tenho outro plano, um plano melhor!”
“O que tem em mente meu Pequeno Príncipe estrategista?”
“Vou ficar aqui.”
“Aqui?”
“Sim. Não vou sair da frente da porta hoje. Mesmo se a pessoa não deixar nada, ainda vou ver alguém vindo pra cá.”
“E se essa pessoa te ver, vai dar meia volta na hora – “
“– E eu vou saber que é a pessoa certa! Porque ninguém além dessa pessoa sairia correndo se me visse na porta de casa!” Regina tem certeza que o filho precisa de um hobby novo.
“Vai ficar aqui na porta o dia todo?”
“Sim.”
“Não vai sair daqui?”
“Não.”
“Nem para ir ao banheiro?”
“An... Ok... Mas só pra ir no banheiro!” Disse com uma determinação que a rainha gostaria que ele tivesse com o dever de casa. “Hoje a gente descobre quem é!”
“Não vai morrer de tédio? Só ficar aqui sentado o dia inteiro?”
Henry deu um sorriso para a mãe, tirando um videogame do bolso “Pode deixar, mãe, tô preparado.”
“E você já tinha pensado nisso antes de ir na lanchonete... Mas você acha que isso é uma boa ideia, Henry? Não vou deixar você sozinho aqui. E se esse homem for um psicopata de verdade?”
“Tenho certeza que não vai acontecer nada, mãe... Mas... Se te faz sentir melhor... Não pode me dar, sei lá, um botão de pânico mágico? Sabe, algo que eu pudesse usar, caso acontecesse alguma coisa, alguma coisa que te teleportasse aqui, sei lá...”
“Só grita se acontecer algo. Os escudos da casa já fazem isso.”
“Sério?!”
“Nunca se é cuidadosa demais, Henry, especialmente nessa cidade...”
O garoto abraçou Regina rindo “Sua paranoia não é minha culpa!”
“Acho que um diabrete que não parava quieto em lugar algum tem algo a ver com isso.”
“Você não tinha mágica quando eu era pequeno.”
“Teria facilitado muito minha vida! E me poupado várias dores de cabeça...”
“A maldição ainda estaria aqui porque eu nunca teria encontrado a Emma e trazido ela pra cá. Então não foi tão ruim assim....”
“Não... Não foi tão ruim assim....” Sorriram um para o outro antes do filho limpar a garganta.
“Então, porque a senhorita não vai espairecer um pouco? Andar na praia, talvez?” Dizer que o menino fica a cara de Emma quando levanta as sobrancelhas com um sorriso bobo é dizer pouco.
Seu filho a conhece muito bem... Andar pela praia é algo que a rainha faz com certa frequência quando tem que pensar em algo sem ser incomodada... E sempre ajuda a acalmá-la quando tem algum problema...
Os óbvios problemas: Os bilhetes, quem manda os bilhetes, por que manda os bilhetes. Mas o não tão óbvio: Não sabe se quer realmente respostas para eles... Digo, é óbvio que ela quer saber quem é.... Mas não sabe se quer realmente saber...
O que fará quando descobrir? Porque ela vai descobrir, ninguém tem poder ou paciência suficiente para esconder algo dela por muito tempo; mas não sabe o que fazer, o que dirá, o que não dirá... E se realmente for um psicopata, mas muito mais provável que seja alguém normal – bem, normal para o padrão de Storybrooke – mas e se for um completo estranho? Já é difícil quando alguém que você conhece, mas não é necessariamente seu amigo, gosta de você, imagine um completo estranho.
E sim, ela tem uma mania que não consegue perder de sempre pensar na pior hipótese. Se pensar na pior hipótese, se decepciona menos. Mas o que tem para se decepcionar nessa situação? Sentada no banco que sempre senta, na praia que conhece cada centímetro, onde sempre tem altas reflexões sobre a vida, não consegue ao menos entender essa situação...
“Como você está?”
Não se assustara dessa vez, parte porque estava esperando que alguém falasse com ela do nada, já aconteceu demais essa semana, e parte porque vira esse ser que não consegue se manter fora do assunto das outras pessoas vindo em sua direção.
“Se eu quisesse falar sobre isso, procuraria o Dr. Hopper, Snow.”
A professora só deu um sorriso de lado. “Henry disse como você está distraída ultimamente, fiquei preocupada.” E tinha um pressentimento de que não fora só isso que Henry contara a avó. Confiava completamente no filho, então sabia que não teria dito nada sobre os bilhetes, mas mais que ‘ela está muito distraída’ tem certeza que ele disse. “Eu sei que você relaxa, e tem até um tipo de... hobby... Mas distraída é novidade.”
“Não estou distraída... Só tenho demais na cabeça.”
“Ter demais na cabeça nunca afetou sua percepção, Regina. Na verdade acho que ter demais na cabeça sempre te deixou até mais alerta.”
“Você saberia disso.”
“Sim, saberia.” Snow se ajeitou em seu banco brincando com as mãos.
“Era tudo tão mais fácil...”
“E mais difícil ao mesmo tempo... Eu sou tiete de encanamento e eletricidade.”
“Acho que todo mundo aqui é.”
“E internet. Meu deus... O que a gente fazia lá no tempo livre? Ha há.”
“Guerra, maldições, caçar trolls, tentar se matar semanalmente... Entre outras... Coisas...”
“Regina!”
“O que? Coisas: Tricotar, ler, costurar, andar de cavalo, dar bailes e festas, ir a casamentos forçados em reinos vizinhos... A culpa não é minha que a perfeita Snow White tem a mente poluída.”
Snow olhou para o oceano “Eu culpo o Charming.”
“E eu preferiria não saber disso.”
As morenas ficaram um bom tempo conversando civilmente, se lembrando dos tempos na Floresta Encantada, do bom, do ruim, de algumas situações em que Regina colocou Snow e de algumas situações em que Snow colocou Regina. E a rainha nunca admitiria que estava se divertindo.
“... E depois daquilo Charming foi banido de todos os torneios de justa do reino pelo resto da eternidade.”
“E seu marido prova mais uma vez que é um completo idiota...”
“Nesse caso, eu não poderia concordar mais com você, Regina.” A professora olhou para trás da prefeita “E falando no diabo... Charming!”
David viu as mulheres e andou até elas com o filho mais novo nos braços. “Tarde, Regina. Snow. Não tem ninguém ferido aqui?” Disse debochando.
“Por favor, David, todos sabemos que se alguém estivesse ferido seria a Snow, e ela estaria no hospital.”
“Claro, Regina, claro...” A mulher só revirou os olhos para a ex-nêmesis.
David ria das mulheres “Estava te procurando, Snow. O Neal aqui ficou com fome, aí eu fiquei também e pensei na gente ir comer alguma coisa?”
“Claro, vamos sim.” Disse se levantando “Não quer ir também, Regina?”
“Tenho que ir ver o Henry, se ele estiver com fome já deve ter destruído minha cozinha a essa hora...”
Mary Margaret parou de andar, virou-se e olhou nos olhos da prefeita “Sabe, Regina... Uma das coisas que gosto mais desse lugar, em comparação com a Floresta Encantada, é que as pessoas não deixam alguém decidir nada sobre suas vidas por elas...”
“O quer dizer com isso?”
“Nada... Só pensei em dizer.”
Aquilo perseguiu a rainha até sua casa... Ótimo... Fora à praia para tentar arrumar seus pensamentos, voltara com mais coisa na cabeça.
Regina não sabia se ria, ficava desapontada ou tirava uma foto do que encontrou na porta de sua casa: Henry estava sentado na entrada como havia dito, sim. Com a cabeça apoiada na mão direita que estava apoiada no joelho... Dormindo tão profundamente que estava babando. E sim, ela optou por tirar uma foto, porque ela é uma mãe e mães fazem isso.
Mas o que realmente chamou a atenção da prefeita na cena foi o papel amarelo colado na testa do filho – ele surtaria com isso – e o fato de ter um cobertor em seus ombros. Um psicopata que se preocupa se seu filho vai ficar doente. Francamente.
“Henry...” Chacoalhou o filho, sem resposta “Henry.”
“... Mais cinco minutos...”
“Então o que eu faço com esse bilhete nos próximos cinco minutos?”
“O que?!” O menino levantou tão rápido que quase trombou na mãe.
Regina descolou o bilhete de sua testa “Bem... Parece que seu plano não deu muito certo, Pequeno Príncipe.”
Henry foi ficar bravo e emburrado do lado da porta enquanto gesticulava para o papel na mão da mãe. “Vá em frente... Colou na minha testa... Sacanagem isso...”
Minha Rainha que me enlouquece sem tentar,
Mal teve tempo de sorrir para a frase quando Henry puxou sua manga com um olhar sério e conspiratório.
“Posso ver todos os bilhetes, em ordem, mãe?"
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