Porto Dos Pássaros.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Chegou a hora de ir ao porto. Eu estava nervoso, porque para ele parecia ser uma saída normal, mas para mim não era, eu iria falar para ele tudo que eu estava sentindo. Sei que está muito cedo para falar, mas eu me conheço bem, sei quando algo desse tipo está acontecendo comigo.
Saímos de casa no silêncio, que para mim era incomodo. Chegamos ao porto depois da caminhada silenciosa, descemos a escadaria e sentamos no fim dela. O silêncio predominou só para me deixar mais nervoso. Ele parecia que estava adivinhando. Tentei quebrar o silêncio, mas a minha voz não queria sair.
- Viemos para ficar nesse silêncio? — Perguntou.
- Não... — Respondi, abaixando a cabeça.
- Aconteceu algo? — Perguntou.
- Na verdade... sim. — Respondi.
- O que? Quer contar? — Perguntou.
- Não sei se consigo. — Respondi.
- É tão sério assim? — Perguntou.
- Não sei. — Respondi.
- Tenta... por favor. — Pediu.
- É complicado. — Falei.
- Mas tenta... — Implorou.
- Eu posso tentar... — Falei. — Apenas peço que não fale nada, até que eu acabe.
- Okay. — Falou. Respirei fundo e olhei para o chão. Eu não queria que fosse daquela maneira, com aquela pressão.
- É que... — Tentei falar, as palavras me escaparam. — Eu não sei como, mas... — Mais uma vez me escaparam. — Desde que eu te conheci, eu meio que... — Mais uma vez fugiram de mim. — Eu meio que gostei de você, sabe? Não como amigo... — Tentei completar, mas eu me sentia nervoso, nervoso demais. — E com esses dias, isso foi meio que aumentando... — Fiz uma pequena pausa. — E que quando eu percebi, isso estava grande demais. — Mais uma pequena pausa. — A verdade, é que quando eu me dei conta... quando eu me dei conta, eu estava te amando. — Terminei.
- Gee... — Falou, e deu um pequeno sorriso. E antes que eu pudesse tentar falar alguma coisa Frank selou os nossos lábios, iniciando um beijo. Um beijo calmo, inesperado pela minha parte, mas que foi rápido. Nós nos separamos, nos olhamos um pouco, ele estava corado e eu provavelmente estava também.
- Gee... — Ele disse, mas antes de terminar, eu coloquei uma de minha mão na sua nuca e puxei até mim, nos beijamos novamente, agora com mais calma. Me sentia no céu com seus lábios nos meus, seu gosto era incrível. Ele colocou uma de suas mãos na minha cintura, apertando meu corpo contra o seu, estávamos próximos demais e eu gostei disso. Nós nos separamos novamente, nos olhamos, eu sorri um pouco, envergonhado, ele correspondeu o sorriso, da maneira mais fofa que eu já vi, ele estava corado, o que o deixava ainda mais bonito. — E agora? — Ele perguntou.
- Não sei... — Eu disse, mas eu sabia o que eu queria, queria meu baixinho para sempre, do meu lado.
Abracei ele, meu medo de que esse amor não fosse correspondido estava me matando a dias, mas agora... Agora estava tudo bem. Ele me pertencia, assim como eu pertencia a ele. Ficamos naquele porto abraçados, trocando beijos, caricias, mordidas. Eu poderia ficar daquele jeito para sempre. Ficamos desse jeito até quando já começava anoitecer. Eu estava muito feliz, talvez, feliz como nunca antes.
Subimos a escadaria do porto de mãos dadas, andamos um pouco em direção a casa. O jeito como ele estava meio corado me dava vontade de beija-lo ali mesmo, no meio da rua, com todas as poucas pessoas que ainda se arriscavam sair de casa olhando. Fiquei o observando, até quando ele começou a me olhar.
- Por que está me olhando? — Perguntei.
- Porque você é lindo. — Respondeu.
- Lindo é você. — Falei. — Gosta do que está olhando?
- Não. — Respondeu, fingindo seriedade.
- Então por que olha? — Perguntei, fingindo magoa.
- Porque na verdade eu amo. — Falou. Beijei ele, mais uma vez senti aquela sensação mágica, os lábios tão perfeitos como tudo nele.
Chegamos em casa de mãos dadas, desfazemos antes que a minha mãe nos visse. Não queria que ela estranhasse isso, não que ela tivesse preconceitos, mas acho que deveríamos contar decentemente para ela, em uma conversa.
Ficamos tentando não fazer algo que ela achasse estranho, não perto dela e do pequeno Mikey. Ficamos jogando videogame até a hora em que todos foram dormir. Como de costume ficamos até um pouco mais tarde, mas dessa vez trocando beijos ao invés de jogar o videogame.
Fomos dormir mais tarde do que o normal, ele deitou-se na minha cama, do meu lado. Abracei-o da forma mais protetora possível, ele se aconchegou, como era fofo.
- Boa noite meu amor. — Falou.
- Boa noite meu baixinho. — Falei.
- Não me chama de baixinho. — Falou.
- Chamo, você é meu baixinho. — Falei.
- Chato. — Reclamou. Beijei-o.
- O seu chato. — Falei.
- Só meu. — Falou. — Gee?
- Sim? — Perguntei.
- Não vai contar para a sua mãe? — Perguntou.
- Vou meu amor, amanhã, com calma. — Respondi.
- Tudo bem. — Falou. — Boa noite, de novo.
- Boa noite. — Falei. Beijei a sua testa e depois os seus lábios e depois fiquei acariciando seus cabelos até a hora que ele caiu no sono, adormeci depois.
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