Porto Dos Pássaros.
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Entramos no hospital, os barulhos de gente gritando de dor me incomodavam. Elisa foi a recepção e preencheu uma ficha para a minha mãe, fomos para a fila de espera. Nos sentamos em umas cadeiras de plastico em mal estado, deviam ter uns cinco ou seis pacientes a nossa frente.
Chegou a nossa vez, apenas minha mãe e a Elisa entraram, fiquei esperando com Frank e Louis na sala de espera. Essa semana estava sendo meio cansativa pra mim, o desaparecimento do Mikey, minha mãe doente, tudo isso junto. Alguns minutos se passaram, Elisa apareceu.
- E então? — Perguntei.
- É apenas fraqueza. — Respondeu. — Ela vai ficar um tempo no soro, se fortalecendo.
- Que bom que não é nada grave. — Falou Frank.
- Pois é baixinho. — Falei.
Minha mãe ficou no soro. Quando saímos do hospital já estava amanhecendo, quase na hora de ir a escola, eu não iria hoje, não tinha condição. Entramos no carro e seguimos para a casa, o transito já começava a ficar ruim pelo horário, muita gente indo para o trabalho.
Chegamos em casa e já havia amanhecido, ajudei a Elisa a levar minha mãe para o quarto dela, troquei a minha roupa e fui para o meu, junto com o meu baixinho. Deite-me e ele deitou do meu lado, eu não pretendia dormir, mas se o sono chegasse, eu não poderia fazer nada.
- É como dizem. — Falei.
- O que? — Perguntou.
- Quando algo bom acontece é melhor se preparar por que vem coisa ruim a caminho. — Respondi.
- Vai ficar tudo bem Gee. A gente vai encontrar o Mikes, a sua mãe vai ficar melhor. — Falou.
- Tomara que sim. — Falei. Frank começou a fazer um tipo de carinho na minha cabeça.
- Vai ver que vai. — Falou.
- Obrigado. — Falei.
- Por? — Perguntou.
- Por me dar forças nesse momento. Por dizer que está tudo bem. Por, sei lá, aguentar eu reclamando. — Respondi.
- Ei, você sabe que eu faço isso porque eu te amo, e porque eu me sinto na necessidade de cuidar de você. — Falou, e selou nossos lábios em um rápido beijo.
Ficamos deitados conversando sobre qualquer coisa que me distraísse, até que o sono de ambos falou mais alto e então dormimos. Um sono talvez merecido, talvez não.
Acordamos e já era quase 14:00, dormimos muito, admito. Acordamos desorientados de que dia, mês e ano que nós estávamos. Nos orientamos quando minha memoria acordou também. Alguns segundos depois de nós conseguirmos nos orientar, ouvi uma batida na porta.
- Gee tá acordado? — Chamou Elisa.
- Estou Lis. Aconteceu algo? — Perguntei.
- Não. É que tem um amigo seu lá em baixo e pediu para que eu viesse te acordar. — Respondeu. — Cheguei aqui e ouvi o barulho, então pensei que já estava acordado.
- É, pensou certo. Fala para ele que eu vou me trocar e estou descendo. — Falei.
- Okay. — Falou.
Elisa desceu. Fui trocar de roupa para uma que fosse mais descente que meu pijama. Um casaco e uma calça de moletom preto amassados só para combinar com a minha cara, Frank riu do meu argumento para usar esses dois. Enquanto o próprio não havia argumento nenhum para usar também um casaco e uma calça de moletom amassados, só que azul. Descemos, e eu impliquei com ele até o fim da escada. Cheguei na sala e como esperado, o amigo que estava presente era o Ray, que por se achar intimo demais nem se quer marca hora e dia comigo, me visita quando bem quer e ainda me acorda caso eu esteja dormindo.
- Cara, que moletom amassado é esse? Quer que eu te compre um ferro? — Perguntou Ray. Como eu previa, ele reparou na minha roupa amassada.
- É pra combinar com a minha cara, olha só. — Respondei. Soltamos uma risada.
- E cadê o Frank? — Perguntou Ray. — Quero conhecer.
- FRANK. — Gritei, de modo em que ele ouvisse lá da cozinha.
- Não sou surdo, não grita, bolo fofo. — Falou Frank.
- Desculpa anão de jardim. — Falei, abraçando ele.
- Vai me apresentar? — Perguntou Ray.
- Tá, tá. — Falei. — Frank esse é o Ray, um amigo da escola que por sinal é muito chato. Ray esse é o Frank, meu baixinho.
- Oi Frank. — Cumprimentou Ray. — Cara, você é mais baixinho do que eu pensei.
- Hey Ray. — Cumprimentou Frank. — Não sou baixinho, vocês que são altos.
- Satisfeito Ray? — Perguntei.
- Sim. — Respondeu.
- E então, o que devo a honra de sua humilde visita? — Perguntei. — E vejo que já acabou com o café da casa.
- Passei para ver como você está aguentando as pontas ai. — Respondeu Ray. — Só tomei uma xícara. Pior é você na minha que acaba com um pacote de pó de café todo, sozinho.
- Estou indo, esperando noticias do Mikes. A mãe está um pouco fraca, mas está aguentando firme também. — Falei. — Garanto que veio aqui também só porque eu faltei a aula, né?
- É, também. — Respondeu Ray. — Então já que eu estou aqui, rola um videogame?
- É pode ser. — Respondi. Liguei o videogame e eu, Ray e o Frank jogamos até a noite.
Quando a noite chegou, Ray teve que voltar para a casa, levei ele até o fim da rua para que ele pegasse o ônibus. Voltei para a casa, jantei e fui ver tv com o Frank, mas não consegui prestar atenção no programa, já que o jeito fofo do baixinho me tirava toda ela. Quando chegou a hora de dormir, dei boa noite ao a Elisa, a unica pessoa ainda acordada, subi para o meu quarto sem enrolar, coloquei o pijama e me deitei, não sei se conseguiria dormir. Alguns minutos depois, Frank apareceu com sua fofura, deitou do meu lado, me deu boa noite, um beijo rápido e adormeceu.
Apesar de tudo o jeito do baixinho continuava encantador. E eu que pensava que com tudo que está acontecendo, e eu não conseguindo dar a atenção que esse ser perfeito para mim merece, ele acabaria um pouco chateado, mas acho que não, acho que ele está entendendo tudo que está se passando nessa casa, e sentindo também, acho que isso o tornou muito mais perfeito aos meus olhos.
Depois de pensar muito, adormeci. Como eu queria que o pequeno Mikey voltasse logo para a casa, que voltasse bem, assim a tempestade terminaria, poderíamos voltar a viver a vida como a gente vivia. Mas as chances dele ter sido sequestrado por um do governo eram muito altas, e se realmente fosse isso, ele não voltaria.
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