Porque eu amo te odiar!
16 Palavras....
Notas iniciais
Os alarmes ainda não tinham disparado quando Flavinha acordou, era sempre assim, sempre despertava antes do relógio. Tentou se desvencilhar de Vanessa sem acorda-la. Quando conseguiu ficou de pé e quase cai de volta com o susto que tomou. Clara estava deitada de barriga para cima, um braço ao lado do corpo e o outro em volta da cintura de Marina, a branca estava deitada de bruços, com o rosto enfiado na curva do pescoço moreno, um braço embaixo do travesseiro e um por baixo da blusa de Clara, as pernas das duas estavam entrelaçadas.
Flavinha esfregou os olhos, se deu um beliscão, e percebeu que não estava sonhando, aquela cena era real. Se abaixou e chamou Vanessa bem baixinho. A ruiva despertou.
Flavia: Van levanta olha aquela cena ali. Vanessa se levantou e sua boca se abriu num bem marcado ‘O’.
Vanessa: eu to sonhado ainda?!
Flavia: não! Eu já me belisquei e isso mesmo. Luiza acordou e viu a cara confusas de ambas e se ergueu para ver qual era o motivo.
Luiza: ta brincando?! E isso mesmo que to vendo?
Flavia: por mais estranho que pareça e sim. Elas sussurravam, tentando não despertar as outras.
Luiza: espera cadê meu celular? Tenho que tirar uma foto disso. Os clicks foram disparados pelo menos uns dez.
– como isso aconteceu?
Flavia: não sei quando levantei vi isso e quase voltei.
Vanessa: gente vamos voltar pra cama, fingir que não vimos nada. E ver como elas acordam. De repente elas nem perceberam que estão assim. As duas morenas concordaram e as três deitaram novamente.
Uns cinco minutos depois o alarme do celular de Clara começou a tocar bem baixinho, embaixo de seu travesseiro. A morena acordou e reparou em como estava deitada, o sorriso foi inevitável. Ela sem perceber deu um pequeno aperto na cintura de Marina, que despertou puxando o ar.
Marina: me deixa dormir mais um pouco, esta tão bom aqui.
Clara: eu sei que meu cheiro e maravilhoso Meirelles, mas se você não levantar eu te empurro de cima de mim.
Marina: como sempre, você e muito GROSSA! As duas levantaram e perceberam as outras ainda dormindo. Clara se levantou e foi direto para o banheiro. Marina saiu em direção a cozinha.
Flavia: vocês viram o que eu vi?
Vanessa: não creio...
Luiza: elas dormiram assim, agarradas!
Flavia: mas como? Porque?
Vanessa: será que elas cansaram de jurar que se odeiam? As três divagavam quando ouviram Marina gritando no andar de baixo.
Marina: ME SOLTA AGORA! EU NÃO TENHO O MINIMO INTERESSE EM VOCÊ!
Isabella: que isso branquinha, eu sei que você também gosta de meninas. Deixa eu te mostrar quem e a melhor Fernandes! Isabella tinha prendido Marina contra a parede. A branca estava com os braços presos. Tentava a todo custo sair daquele aperto, mas Isabella a pressionava forte.
Clara: SOLTA ELA AGORA! Isabella não teve tempo de pensar, pois Clara puxou seu braço e desferiu um soco com violência em seu rosto.
– sobe e vai tomar seu banho! Não era um pedido era um ordem. Marina saiu de cabeça baixa. As meninas que desceram logo atrás de Clara tinham os olhos brilhando de ódio, mas os de Clara eram frios.
Clara: você tem exatamente cinco minutos pra sumir da minha frente!
Isabella: você e maluca! Você quebrou meu nariz. E prensava a camiseta para estancar o sangue.
Clara: some da minha frente. Flavia e Luiza vieram rápido para perto de Clara, Vanessa subiu com Gisele atrás de Marina.
Luiza: some logo daqui garota!
Isabella: vocês não podem me expulsar daqui assim! O tio Virgílio disse que eu poderia vir.
Clara: como essa aqui e minha casa, eu não permito.
Flavia: vai logo Isabella! Pega as tuas coisas e some.
Isabella: eu vou mas vocês vão se arrepender Fernandes! Nem Flavia, nem Luiza conseguiram segurar Clara. A morena já estava segurando o colarinho da blusa de Isabella, empurrando a mulata contra a parede.
Clara: se você pensar em fazer qualquer coisa... pensa muito antes! Porque o que você fizer por menor que seja, eu juro que te caço até no inferno a acabo com você! A morena dizia entre os dentes. Flavia e Luiza conseguiram tirar Isabella do aperto de Clara e simplesmente jogaram a Mulata com suas coisas para fora do apartamento. As morenas tentavam acalmar Clara a todo custo. Mas toda vez que a imagem de Isabella agarrando o corpo de Marina aparecia em sua mente, ela sentia o sangue ferver.
No quarto Marina tomava banho enquanto Gisele e Vanessa arrumavam o quarto. As Meirelles estavam em silencio quando Luiza entrou.
Luiza: ela já foi embora! Eu sabia que essa peste vindo pra ca, que as coisas iam desandar. Quando chegar em casa eu tenho que ter uma conversa séria com meu pai.
– como a Marina está?
Vanessa: irritadíssima! Está tomando banho e já ouvi uns cinco socos na parede. Ela odeia quando não consegue se defender.
Gisele: vamos tentar esquecer isso, não comentar para evitar que isso seja um motivo de mais guerra. Vocês viram como a Clara ficou?
Luiza: ela está cuspindo fogo até agora.
Vanessa: eu vi! Tive medo dela partir de novo para cima daquela criatura, não ia sobrar ossos para contar a história. As três ficaram conversando até Marina sair do banheiro já vestida.
A branca estava com uma calça jeans meio rasgada, uma camiseta solta preta, all star e seus óculos de grau. Vanessa já sabia que ela estava de péssimo humor.
Marina: estou indo. A branca desceu pegou seu casaco e a mochila num canto da sala. E saiu sem falar nada. Ela se sentia irritada e frustrada, odiava quando não conseguia se defender, porque ficava parecendo um patricinha fútil.
Clara já tinha descido e estava dentro do seu carro com o som no máximo. Os alto falantes do carro tocavam Symphonic Rock, era so um instrumental. Seus olhos ainda brilhavam de ódio e raiva. Marina entrou no carro e nenhuma das duas disse nada. Clara deu a partida e seguiu para o colégio.
O caminho foi tranquilo, mas o dia estava cinzento. Era quase melancólico. Os vidros fumes deixavam o ambiente do carro ainda mais escuros. Paradas em um sinal, Clara finalmente olhou para Marina, a branca estava com os cabelos jogados de lado, e usava o capuz do casaco, seu olhar era perdido em algum ponto longe do carro. Clara suspirou e segurou sua mão apertando.
Clara: eu vou te ensinar a se defender. A branca apenas sorriu de canto e continuou olhando para fora. A morena trouxe a mão da branca até sua coxa e seguiu novamente seu caminho.
Quando chegaram na escola, desceram em silencio e partiram para a sala. Laura quando viu que Marina aparecer junto de Clara deu seu sorriso mais perverso e já maquinou seu plano. Ela queria ter Marina mais uma vez, e queria fazer Clara passar muita raiva.
A loira esperou Marina se aproximar e já abriu os braços para a branca, quando Marina se aproximou Laura não perdeu tempo e prendeu a boca de Marina num beijo que não foi devolvido, mas que foi o bastante para Clara sentir o ódio, raiva, nojo. A morena entrou rápido e se sentou. Marina empurrou Laura.
Marina: enlouqueceu Laura? Eu já disse que não odeio quando você faz isso! E se afastou. Laura ficou ali sorrindo pois tinha conseguido fazer Clara ficar com raiva. Marina se sentou ao lado de Clara.
Clara: você não precisa ficar encostada em mim Meirelles! Ela cuspiu as palavras. Marina se sentiu mais irritada e até triste, ela não tinha feito nada, foi Laura quem a agarrou.
Marina: não acredito que você vai ficar irritada comigo! Eu não fiz nada.
Clara: não me interessa nada da sua vida! Os olhos de Clara faiscavam, os de Marina se encheram de lágrimas que ela não deixou cair. Ela sentia um misto de tudo, mas principalmente de tristeza, ela já tinha admitido a si mesma que estava apaixonada por Clara, quase tinha admitido isso para a morena, mas Clara ainda a tratava assim. A branca abaixou a cabeça e a sacudiu negativamente. Se era assim, ela também não iria mais tentar insistir. A aula passou em silêncio.
Na aula de educação física, não havia respostas para as provocações de Clara, Marina parecia ignorar a presença da morena. Quando estavam jogando futsal, Marina simplesmente preferiu ficar no gol, não queria ter contado com Clara. A branca era curiosamente boa goleira e seu time ganhou de 4 a 3 do de Clara, Flavia tinha feito dois gols e era festejada pelo time. Clara que odiava perder, saiu pisando duro para o vestiário.
Vanessa: esta tudo bem Mah?
Marina: está tudo ficando Van, so estou um pouco irritada.
Vanessa: então está bem. Vanessa sabia que quando Marina ficava daquele jeito era melhor não insistir.
–Vanessa: Vamos tomar banho e almoçar?
Marina: vocês podem ir, vou pedir dispensa da aula de reforço e do castigo para o Tavares, estou sem cabeça para isso. E saiu indo encontrar o treinador, Vanessa saiu com Flavia para o vestiário.
–treinador, hoje será que o senhor poderia me dispensar das atividades da tarde, estou com dor de cabeça.
Treinador: sem problemas senhorita! A senhorita pode ir para casa, e se cuide. Marina se despediu, foi até o vestiário pegou a chave do seu carro com Vanessa e saiu, sem rumo.
Vanessa: ela não está bem!
Flavia: eu percebi, mas também quem ficaria. A Clara me contou o que aconteceu, ela soava tão fria. Eu percebi que a Marina não respondeu a nenhuma provocação dela.
Vanessa: eu acho que a Marina já percebeu que gosta da Clara, e não consegue lidar com isso.
Flavia: a Clara também não, mas minha prima e muito difícil de se lidar, ela está enfiando os pés pelas mãos.
Vanessa: eu acho que a Marina está sofrendo com isso. Elas continuaram conversando até Clara chegar na mesa.
Clara: depois do treino o Tavares disse que eu podia ir embora.
Vanessa: a Marina pediu dispensa, ela não estava se sentindo bem. O tom de Vanessa era de repreensão. Clara percebeu e não entendeu.
Clara: que foi Van?
Vanessa: você não precisava tratar ela mais grosseiramente! Eu já tinha tem falado que aquela vadia da Laura não valia nada. A Marina já não estava bem, com o que aconteceu hoje de manhã, e você ainda fica tentando irritar mais ela.
Clara: a Vanessa, ela e muito idiota isso sim.
Flavia: Clara larga mão de ser babaca! Eu sei que você gosta de perturbar a Marina, mas ficar insistindo quando ela já tinha demonstrado que não estava para brincadeira e bobeira. Agora vamos treinar. As três se levantaram, estavam chateadas.
Marina já estava dirigindo sem rumo a algum tempo. Percebeu que estava na beira da praia que estava vazia por causa do tempo, parou o carro e foi se sentar no areia. Olhava para o horizonte, seus olhos já estavam tomados por lagrimas grossas. Tudo explodia em sua cabeça.
–----------------------------------//--------------------------------------------------------
P.O.V.s Marina
Isso está acabando com tudo em mim, se ficar apaixonada e isso eu preferia nunca sentir nada. Nossa relação será sempre isso, somente sexo. Ela não gosta de mim, e se gosta não acredita em mim.
A mãe como eu sinto sua falta, nessa hora você iria estar aqui me abraçando dizendo que tudo ia passar. Pra que eu fui me apaixonar por você Clara?!
–-------------------------------------------//-------------------------------------
Depois do treino, as três seguiram para casa, e para surpresa delas Marina não estava. Vanessa ligava mas o seu celular so dava caixa postal.
Vanessa: ela desligou, não quer falar com ninguém. O coração de Clara apertou no peito, ela não queria ter magoado Marina, mas estava muito irritada, e quando ficava assim perdia o senso. A morena subiu para seu quarto tomou um banho e se deitou ouvindo música bem alto, seu fones pareciam que iam estourar.
Quando a o começo da noite já tinha chegado, Marina se levantou e foi em direção do Leblon. Tinha chorado até cansar, mas tinha conseguido colocar toda raiva, frustração e tristeza para fora. Tinha decidido que iria ignorar Clara, ela não serviria do de brinquedo sexual para a morena. Ela não podia ser so mais um corpo, ela amava aquela idiota.
Quando entrou as meninas logo correram e a abraçaram fortes.
Marina: se eu soubesse que ia ser assim, teria voltado para casa mais cedo.
Vanessa: e so pra você lembrar que nós te amamos, e estaremos aqui para você sempre!
–agora encerra a viadagem e vamos comer.
Marina: deixa eu tomar um banho que já desço. Marina subiu entrou no quarto ignorando a cama, onde a morena dormia, pegou suas roupas e foi tomar banho. Saiu do banheiro deixou as roupas no cesto de roupas e desceu, ela não se preocupou em olhar para a morena.
Clara sentiu novamente o coração doer no peito, e chorou baixinho. O quarto escuro e frio, não pela temperatura, mas pela falta do corpo de Marina, dormiu novamente. Quando acordou viu que já era de madrugada, e se percebeu sozinha na sua cama, olhou no chão e no canto próximo a parede Marina estava deitada toda encolhida. Clara se levantou e deitou no colchão junto ao corpo branco, não disse nada apenas se abraçou a Marina.
Marina quando sentiu Clara se deitando junto dela sentiu o corpo estremecer, mas ficou calada. Nenhuma das duas dormiu mais. Quando o alarme disparou Marina se levantou fugindo do contato de Clara. A morena se levantou e entrou no banheiro atrás da branca.
Clara: você vai ficar me ignorando? O tom de Clara era triste.
Marina: eu não tenho o que falar com você. Dizia de costas, se olhasse para Clara talvez não conseguisse pensar.
Clara: so porque eu disse aquilo? Marina para com isso, deixa de ser idiota.
Marina: idiota eu fui quando transei com você! Idiota de transar com alguém que eu não gosto. Aquelas palavras soaram tão falsas quanto eram, mas cortaram o coração de Clara em pedacinho. Clara puxou o corpo de Marina grudando no dela.
Clara: então foram so transa, ne?! Silencio.
– não passou de algo sem importância... os braços se afrouxaram e Clara saiu em silencio. Se já era ruim fazer amor e logo após brigar com Marina, ser ignorada assim era infinitamente pior.
Fale com o autor