Por Um Segundo
23 É só empolgação
Notas iniciais
Então as minhas aulas acabaram oficialmente tem uma semana e eu andei descansando o máximo que eu pude esses dias porque eu vou ter que começar a estudar pro meu vestibular seriado que foi infelizmente arrastado pro final de Janeiro. Ou seja, não vou ter férias esse ano. Aeee.
Mas aqui estou eu e eu simplesmente precisava postar hoje. Quero pedir desculpas por não ter respondido os reviews, eu não tenho uma história bonitinha pra contar, eu só sou uma péssima autora. É isso. kkkk a explicação de tudo. Enfim, boa leitura ♥
"Todo o fervor posto no descritivo conduz ao exagero."
Hugo Hofmannsthal
Griffin pega o contrato com cuidado. Ele fica tão lindo quando está concentrado. Ele se encosta na BMW, uma das mãos no bolso da calça jeans escuro.
– Então seus pais deixaram. — Ele observa.
Não respondo. Olho para outro lado, fingindo estar muito interessada em um grupo de alunos que está chegando ao colégio agora. Vejo seus olhos subindo para meu rosto, provavelmente esperando uma reação, mas logo se abaixam.
– Vou entregar isso a Albert hoje mesmo. — Griffin diz. — Ele provavelmente vai te mandar uma cópia.
– Ótimo. — Respondo, assinto meio sem jeito.
Tensy e Viper nos alcançam nesse instante. Griffin guarda o contrato dentro do carro enquanto elas me cumprimentam. Viper está olhando para Griffin com um olhar interrogativo que sei que ele percebe. Com certeza tem alguma coisa a ver com esse contrato, mas acho que eles não falam nada para não ter que expor nada a Tensy ainda.
O sinal toca. Eu juro que cada dia eles adiantam mais esse negócio. E aumentam o volume. Griffin segura no meu braço de leve, de modo que deixo Viper e Tensy andarem na frente.
– Eu acho que você tem que falar com a diretora sobre isso. — Fala ele, no meu ouvido.
Sra. Mckingdom. Eu nem havia pensado nela ainda.
– Eu falo durante a aula.
Ele assente com um sorriso e me dá um selinho antes de ir para a sala. Minha próxima aula é de Biologia, matéria que não tenho nem com ele, nem com Tensy e nem com Viper.
Eu sento na primeira cadeira, e coloco minha testa na mesa. Às vezes algumas meninas passam e me cumprimentam. São daquelas meninas puxa-saco que sonham em entrar no time de vôlei. Preciso aprender como me livrar delas. Talvez Tensy possa me ensinar.
– Bellie! — Grita uma delas, Ally Deming, provavelmente minha fã número um. — Como você está nesse belo dia? Nossa, o que fez no cabelo? Quer deixar o Griffin morrendo de ciúmes?
– Não estou muito bem hoje, Ally. — Falo, da forma mais educada que posso.
O rosto dela desaba.
– Por que não? Tem alguma coisa que eu possa fazer? Você quer um copo d'água? Um comprimido? Uma massagem nas costas? Uma caneta que acende?
Eu junto as minhas sobrancelhas.
– Não... obrigada.
Ally faz uma cara de tristinha.
– Então eu vou sentar aqui para garantir que você vai ficar melhor.
"Na verdade, eu me sentiria imediatamente melhor se você fosse embora." — penso.
Eu abaixo a cabeça de novo e ignoro os vinte minutos em que monologa sobre o último filme que viu, cuja mocinha era muito parecida comigo. Onde eu comprei meus sapatos? Qual é o número da minha manicure? Como eu consigo ser tão engraçada? Eu sabia que meus olhos brilham como pequenas esmeraldas no fundo do Rio Sena?
Estou quase enfiando um punhal na minha garganta quando o professor finalmente entra na sala. O professor de Biologia, Robert Sallom, é um daqueles professores loucos que adoram chegar atrasados na aula e dar provas inteiras justamente com o assunto que ele garantiu que não ia cair.
O professor começa a dar a matéria, correndo como sempre. Eu tento dormir e ignorar Sallom e Ally que continua falando sobre como os detalhes vermelhos da minha blusa realçam a cor da minha pele.
Acordo de meus devaneios quando Sallom bate uma palminha e anuncia, com sua voz forçada de sotaque do Tennesse:
– E esses foram cinco capítulos. Aleluia. Vamos para casa.
Esse homem – esse homem insano– acabou de dar cinco capítulos de matéria, e eu não ouvi uma palavra. Deu para ver que minhas notas devem estar excelentes.
○ ○ ○
– Entre.
Eu entro. Encontro sra. Mckingdom, sentada em sua cadeira de couro envelhecido, entretida com uma revista de exercícios de ginástica. Imagino s sra. Mckingdom em uma roupa de ginástica de lycra, fazendo flexões. Não imaginem comigo. Não é nada legal, acreditem.
Ela fecha a revista e me olha. Eu já estive tantas vezes nessa sala que sei cada detalhe dela. Me sento sem que a diretora me ofereça uma das duas cadeiras à sua frente, a estátua de cavalo horrorosa que eu sempre odiei e sempre irei odiar me encarando na mesinha à esquerda.
– O que foi dessa vez, Bellie? — Me pergunta sra. Mckingdom.
– Eu queria conversar com você sobre uma coisa.
Ela assente.
– Sobre o carro? Já sabe o que fazer com ele?
– Não é isso. — Nego com a cabeça. — Pretendo achar um destino para ele em breve, mas não é esse o assunto que vim tratar.
– Sobre o que é, então?
Eu não havia ensaiado como contaria a ela. Resolvo começar do começo.
– Conhece o pai de Griffin? — Pergunto, cautelosa. Mas que pergunta idiota. É claro que ela conhece.
– Joseph Carmichael. — Ela confirma. — Grande homem.
– É. — Concordo. — Bem, ele é publicitário, e quando tempo atrás eu conheci alguns dos colegas dele... outros publicitários famosos.
– Sim. — Sra. Mckingdom mexe a cabeça, mas sei que no fundo deve estar pensando o que diabos ela tem a ver com isso tudo.
– Eles estão trabalhando agora em uma marca esportiva. Acontece que essa marca quer me patrocinar para a Liga Estadual desse ano.
– A Liga que começa daqui a duas semanas? — Ela levanta as sobrancelhas.
Não. A Liga que começa daqui a trinta anos. Eu peço alguém para ir te buscar na casa de repouso para velhinhos.
– É.
Ela tira os óculos de armação vermelha e apoia o queixo na mão.
– E como é esse patrocínio?
– Não é nada demais. É só promover uma marca esportiva. Eles disseram que vão pagar a viagem do time todo.
Sra. Mckingdom levanta as sobrancelhas. Parece que eu cheguei em um ponto que realmente interessa a ela.
– A viagem do time todo? — Repete ela, parecendo não acreditar.
– Foi o que eles disseram.
– E você aceitou?
Não, bobinha.
– Aceitei. — Confirmo. — Assinei um contrato ontem.
– Seus pais aceitaram? — Ela levanta um pouco mais as sobrancelhas grisalhas.
É só mentir, lembra-se? Não vai fazer mal. Vamos, minta.
– Na verdade eles pareceram bem anima... — Não consigo terminar a minha frase. Uma crise de espirros se segue e não me deixa prosseguir. Estou ficando alérgica a mentiras agora?
– Entendo. — Responde a diretora, a cara se contorcendo de um nojinho fresco, me estendendo um lenço de uma caixa azul que fica permanentemente no canto de sua mesa. Ela deve guardar os lenços dessa caixinha quando um de seus alunos está chorando ao ser expulso, ou tem uma negação em mentir na sua frente, espirrando desesperadamente, ao tentar pronunciar uma inverdade. Quanto honra. Para mim, quero dizer.
– Acho que isso é bom, de qualquer forma. — Falo, mordendo o lábio. — A escola vai economizar muito dinheiro.
Sra. Mckingdom concorda com a cabeça imediatamente.
– Certamente que vai. Isso vai ser ótimo. A sala dos professores precisa de uma reforma.
Acho que a sua precisa de uma reforma também. Com um pouco mais de urgência. Sra. Mckingdom passa a dedo pelos lábios finos.
– Você tem certeza de que isso é seguro, Bellie?
– Tenho. — Falo. Pelo amor de Deus. Os caras são milionários, e amigos do pai de Griffin. Eles não podem fazer nada... inseguro. Não é?
– Nessa caso, querida, não tenho outra coisa a fazer senão te desejar boa sorte. E comprar o vaso chinês de dois metros que eu queria comprar há muito tempo.
– Obrigada. — Falo, me levantando.
A mim, não resta outra coisa a não ser desejar que nós realmente tenhamos sorte. E que ela não compre, eu imploro, o vaso chinês de dois metros que ela queria comprar há muito tempo.
○ ○ ○
– Isso chegou para você. — Fala Griffin, me estendendo algumas folhas grampeadas.
– É a cópia do contrato? — Pergunto, desanimada.
– Não, isso eles ainda não mandaram. — Ele morde o lábio.
– Então o que é isso?
– Leia.
Sem vontade nenhuma, olho as folhas que ele me entregou. Nós estamos dentro da BMW, na frente da minha casa, depois da escola.
Passo os olhos pelo título.
YOUTHFUL ENERGY — Se mantenha em movimento!
Roupas:
Shorts
Blusas
Agasalhos
Calças
Meias
Tênis
Regatas
Maiôs
Sungas
Roupões
Acessórios:
Joelheiras
Bonés
Mochilas
Garrafas
Viseiras
Raquetes
Tacos de Golfe
Tacos de Baseball
Luvas
Cotoveleiras
Óculos de proteção
Munhequeiras
Capacetes
Óculos de natação
Diversos:
Desodorantes
Barrinhas de Cereal
Energéticos
Pranchas de surf
Bolas de vôlei/futebol/futebol americano/baseball/tênis/boliche/basquete/golfe/tênis de mesa/outros
E muito mais! Venha conferir! E lembre-se: energia é vida. Se mantenha em movimento com Youthul Energy!
Eu quase rio quando termino de ler, mas Griffin continua sério.
– O que é isso? — Pergunto.
– É a marca que você está promovendo. — Responde ele.
Alguém por favor dê um grito, aponte para uma câmera e me diga que isso é uma pegadinha de algum programa de televisão idiota.
– Você não está falando sério, não é? — Questiono, incrédula, olhando a lista de novo. — Tem mil coisas aqui. Vou ter que ficar falando bem de tudo isso? Essa marca é tão grande assim? Francamente, o que está faltando aqui? Algum tipo de talquinho especial para a...
– Ei, calma. — Griffin me interrompe. — Eles só são empolgados com as coisas.
– É. Bem empolgados. Empolgados demais. Vamos parar com essa empolgação. Se empolgação fizesse isso — Sacudo a lista na frente dele. — ficar feliz seria proibido, é sério.
– Não seja tão exagerada, Bellie. — Ele revira os olhos. — É só você falar bem das coisas relacionadas a vôlei. Eles mandaram essa lista para você ter uma ideia em relação à coisa com a qual você está lidando. Nada mais.
– Ok. — Tento me acalmar. — Mas a Liga já está chegando. Eles não deviam me mandar essas coisas para testar antes?
Griffin ri. Ele joga a cabeça para trás, os cabelos castanhos caindo na frente dos olhos, mas ele não se importa. Eu cruzo os braços e espero ele terminar de gargalhar, secretamente pensando em que parte de minha fala eu posso ter dito uma besteira.
– Bellie, meu amor. — Ele fala, quando termina de seu ataque de riso. — Você não entendeu ainda, não é? Você terá que falar maravilhas dessa marca de qualquer jeito.
Mas espera.
– E se essa marca for ruim? E se eu não gostar de nenhum desses produtos?
Griffin ri de novo, mas dessa vez a gargalhada é um pouco menor. Eu sei que devia estar brava por ele estar rindo da minha burrice assim, tão descaradamente, mas não consigo. Eu amo vê-lo rindo.
– Se você não gostar de nada da marca — Ele responde, vestígios de risada em seu rosto. — é só mentir para todo mundo, simples.
É. Bem simples.
Mas eu ainda continuo com aquela sensação de algo vai dar errado.
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"Querida Amy,
O mundo acaba sexta feira. O que eu faço?
Carol Lett"
Pequena C.L,
Ok. O mundo vai acabar. Eis o que você vai fazer:
1- Escolher uma roupa bonita pra usar (você vai morrer com ela, afinal de contas).
2- Ensaiar um grito de medo no espelho.
3- Comer sozinha o bolo de chocolate que está na geladeira.
4- Queimar o seu diário. (se alguma espécie desconhecida chegar depois que o mundo acabar, você não vai querer que eles leiam aquilo).
5- Comprar aquele Louboutin na North Robertson que você está querendo comprar há um tempão.
6- Ir até Hollywood e agarrar o Paul Wesley.
7- Garantir seu espaço no Céu, doando um milhão de dólares para a coluna "Pergunte a Amy".
Mundialmente,
Amy
*Os maias aprovam essa coluna
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Eu queria falar duas curiosidades sobre os nomes dos dois novos personagens que apareceram nesse capítulo:
Ally Deming: eu dei o nome de 'Ally' por causa da Ally Brooke, uma das integrantes do girl group Fifth Harmony, do X Factor. Ela não é a minha preferida nem nada, mas eu achei bonitinho. E o Deming é por causa do Reed Deming, também do X Factor. Ele era o menino fofo de olho azul que parecia o Justin Bieber, mas que só chegou até a fase do Judge's Homes.
Robert Sallom: o 'Robert' é por causa de um amigo de infância meu. Ele era meio nerd e tal, é o tipo de pessoa que você não esquece. Ele era alto, branquinho e era viciado em revistas científicas infanto-juvenis. (e nos brindes delas). Eu já não o vejo de verdade tem quase seis anos, mas eu vi ele fazendo uma propaganda da Sky esses dias. kkkk o mundo dá voltas.
E o Sallom é por causa do meu ex professor de Biologia, Salomão (que me deu aula na sétima série e no começo do primeiro ano) e que é exatamente igual ao professor da Bellie. Ele também chegava atrasado, e gostava de chamar as meninas de "filha" e "nega" e de colocar coisas sentimentais na prova. E ele falava um minuto sobre a matéria e dizia que tinha fechado o conteúdo. Aí ele levava a gente por um passeio pelo colégio, que ele fingia que era pra ensinar alguma coisa. Aí, pra parecer que ele tava mesmo tentando fazer um ensinamento extra sala, ele parava na frente de uma árvore e dizia com a voz mais séria do mundo: "Isso, meus queridos, é uma planta."
Vai entender.
Notas finais
É só que... se lembram do menino sobre o qual eu escrevo e posto às vezes alguma coisinha idiota pra vocês aqui?
Pois é.
Acontece que dia 23 de novembro eu falei com ele de novo. É sério. E foi horrível. Foi péssimo. Eu queria ter coragem de escrever isso, mas seria como viver tudo de novo. Eu não gosto de ficar lembrando, mas eu ainda gosto dele, então você aí do outro lado, se você tem algum amor impossível, tipo o Ian Somerhalder (prazer, nova viciada em Vampire Diaries kkk) ou Wesley Stromberg (prazer, nova viciada em X Factor), venha aqui se juntar a mim e vamos sofrer juntas. kkkk eu sou idiota até deprimida.
Eu devia ganhar um prêmio por isso.
Mas enfim, eu não acho mesmo que o mundo vai acabar amanhã.
Mas se acabar, foi prazer ter conhecido e escrito pra vocês e eu vou morrer feliz kkkk
Bom, é isso aí.
Obrigada.
Beeijos e bom fim do mundo (aquelas né kkk)
P.S.: se o fim do mundo não acontecer, Feliz Natal e ÓÓOOTIMO ano novo pra vocês, que 2013 seja incrível pra todas nós e que seja melhor do que o nome, porque 2013 é um número bem feio, sejamos honetas kkkkk
Beijão!
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