Por Um Segundo

24 A dona do meu guarda-roupa


Notas iniciais
Oi! Bem, eu acho que eu devo um pedido de desculpas pra vocês. Falando sério, eu sei que eu fiquei muito tempo fora, mas eu voltei e me desculpem pela demora. As coisas andaram meio corridas por aqui, com o final do ano e com o meu vestibular que foi deslocado para Janeiro, por causa da greve das universidades ou o raio do motivo que for. Eu fiz cursos depois que terminaram as aulas, então eu praticamente não tive férias. Mas valeu muito a pena, e eu tirei a terceira maior nota do meu colégio :)
Mas eu estou no segundo ano do Ensino Médio agora, então postar aqui vai ficar mais difícil, mas eu NUNCA vou desistir de PS. Prometo.
Boa leitura :)

"Cuidado com todas as atividades que requeiram roupas novas."

Henry Thoreau

O sol bate no meu rosto e eu jogo o cabelo para trás. Dou uma olhada em volta. Sra. Mckingdom é realmente um tipo muito interessante de pessoa. Ela não perde tempo mesmo. Já começou a comprar novas coisas para a sala dos professores que ela tanto queria reformar. Aquilo dentro da caixa à minha direita é um conjunto de tapeçaria indiana?

Griffin e eu encontramos Tensy, Austin e Viper conversando. A situação de Tensy e Austin é muito engraçada, pelo menos para mim e Griffin. Ela ainda está ficando com o lançador do time de baseball, Derek Hall, mas jogaria ele de um prédio de quinze andares por Austin, se ele pedisse. Tensy nunca vai admitir, porque ela não é o tipo de garota que admite coisas, mas tenho certeza absoluta que ela se derrete por dentro toda vez que Austin chega perto. Não sei se ele se derrete também. Acho que meninos não se derretem.

O sinal toca. A próxima aula é de Álgebra. Por mais que eu odeie matemática, números, lógica e essas letras malucas que eles cismam em colocar no meio das equações, as aulas de álgebra são as melhores da semana. É uma das poucas que temos todos juntos.

Meu professor ainda é o Sr. Priddy. Eu não sei porque o povo que manda nessa escola insiste em colocar os piores professores na minha série.

Nós ocupamos a maioria dos lugares no fundo. Mal nos sentamos, e sr. Priddy entra. Fungando, os óculos grossos caindo sobre o nariz fino, a postura curvada, os cabelos pretos oleosos, como se ele ainda passasse aqueles cremes de sessenta anos atrás. Não tenho dúvidas de que um homem assim seria capaz de ter um caso com a sra. Nichols, como todo mundo diz que tem.

– Função biquadrada, senhores! — Grita ele, tirando o grosso livro de matemática de sua bolsa azul empoeirada. — Abram na página 23, por favor.

Eu lanço um olhar para Griffin antes de pegar o livro e ele me manda um sorriso. Eu sorrio de volta meio estranhamente, acho que estou nervosa com a situação que estou vivendo desde que ele me entregou aquele catálogo enorme ontem. Eu devia seriamente considerar a ideia de ser mais inteligente e, não sei, prestar atenção nas coisas que eu faço. É isso que as pessoas normais fazem, não é?

Sr. Priddy está falando sobre função biquadrada há mais de vinte minutos quando Janet Phorbe, secretária de sra. Mckingdom, bate na porta. Ela entra devagar na sala, os sapatinhos de boneca que ela, no auge de seus quarenta e poucos anos, ainda usa. Ela é uma dessas pessoas que quer desesperadamente parecer mais jovem, mas eu a adoro. Ela manda um sorriso a Griffin quando entra. Janet é uma das fãs dele. Ela solta um pigarro e olha para o pequeno pedaço de papel em suas mãos, como se fosse a centésima vez que faz isso e anuncia:

– Por favor, na sala da diretora assim que possível: Bellie Harper.

Eu suspiro. É claro que é Bellie Harper. É sempre Bellie Harper. O que é uma reuniãozinha social na sala da diretora sem Bellie Harper?

Os alunos olham estranhamente para mim. É a milésima vez que sou chamada à sala da diretora só esse bimestre, eles deviam estar acostumados.

– Tensy Cartwright. — Continua Janet. Eu e Tensy trocamos um olhar apavorado. O que fizemos? — Helaina Meggeni, Megan Parsons, Hannah Proffer, e Trishia Levín.

Todas nós nos levantamos. Ótimo. O que Janet acabou de falar é o time de vôlei titular. O que a diretora quer conosco?

Nós caminhamos em linha reta para a sala da diretora, Megan e Helaina com caras entendiadas. Hannah parece nervosa. Chegamos no escritório de sra. Mckingdom. No caminho, vimos algumas caixas com enfeites que a diretora deve ter comprado assim que deixei a sala dela, ontem.

Janet bate na porta com cuidado.

– Elas estão aqui. — Fala, colocando a cabeça para dentro. — Podem entrar?

– Sim. — Responde a diretora.

Tensy, a primeira da fila, desloca a cabeça um pouco para dentro da sala. Em seguida, ela olha para mim e seu queixo cai.

– Ai, meu Deus. — Ela fala. — Ai, meu Deus. Ai, meu Deus.

Tensy parece prestes a desmaiar. Nós duas entramos na sala e ocupamos as duas cadeiras na frente de sra. Mckingdom, as outras meninas se colocam atrás de nós. Tensy ainda parece ter dificuldades na respiração.

Só então eu percebo que há outras duas pessoas na sala. À esquerda dela está Peter, que troca um olhar de meio segundo com Megan, a postura séria, o peito estufado, o queixo levantado, olhando-nos como se ele não nos conhecesse.

A figura vagamente familiar à direita da diretora chama mais a minha atenção. É uma bela mulher não muito nova, não muito velha. Ela é alta, magra, elegante. Tem a pele morena, os olhos grandes e pretos, os cabelos vão até a nuca em um corte descolado. Ela está sorrindo.

Sra. Mckingdom tosse levemente.

– Bom, como todas vocês sabem, a Liga Estadual de Vôlei começa daqui a duas semanas, e então é necessário alguns preparativos anteriores. Como eu não acho que saibam, Bellie conseguiu um — Ela se interrompe porque eu balanço a cabeça discretamente para ela, tentando falar com os olhos que eu não quero que ela coloque a responsabilidade do patrocínio em cima de mim. Sra. Mckingdom entende e reformula a frase: — Nós conseguimos algumas pessoas que estariam... bom... interessadas em patrocinar a viagem de vocês.

As meninas levantam as sobrancelhas. Meu olhar cruza com o de Peter. Ele sabe.

– Essas pessoas estarão ajudando vocês para o que precisarem, em nome da escola.

As outras garotas parecem surpresas e completamente satisfeitas, com exceção talvez de Megan e Helaina. Tensy ainda está maravilhada, e eu ainda estou tentando entender por quê.

– Como eu acho que vocês já imaginam, a grande festa de abertura do campeonato está próxima. — Continua a diretora.

Ah, a festa de abertura da Liga Estadual. É sempre uma das festas mais badaladas do ano. Já estive lá uma vez, mas não me lembro muito. Dizem que é uma festa extremamente prestigiada e recheada de celebridades.

Sra. Mckingdom olha para a mulher morena à sua direita.

– Por favor, se apresente. — Pede ela.

A mulher abre um sorriso discreto e dá um passo elegante à frente, e aperta a mão de todas as meninas.

– Meu nome é Shia Paltrow. — Ela diz, com uma voz macia. — Sou a figurinista de vocês.

○ ○ ○

Uma figurinista. Aqueles homens me mandaram uma figurinista.

– Não é qualquer figurinista, Bellie! É a Shia Paltrow! Ela é tipo a figurinista de todas as estrelas! — Grita Tensy.

– Desde que ela não seja a figurinista da Lady Gaga, para mim tanto faz. — Respondo.

Tensy faz uma cara irritada. Eu sei que ela não está feliz com o meu ceticismo, e não estou me defendendo nem nada, mas não sei se eu conseguiria estar mais feliz do que isso. Quero dizer, essa coisa toda era para ser um contrato. Eu jogo, faço propaganda, vou pra faculdade e eles pagam tudo. E do nada essa Shia aparece. Não gosto dela, não estou nem aí se ela sabe de cor todas as cuecas do Paul Wesley, como Tensy está me contando. Nem que ela tenha escolhido o vestido da Angelina Jolie no Oscar. Eu não sou uma estrela de Hollywood, eu quero me vestir do jeito que eu quiser. Não preciso de ninguém dentro do meu guarda roupa vinte e quatro horas por dia.

– Eu não sei por que você insistiu em ser a última. — Tensy fala, se jogando em uma poltrona vermelha ao lado da minha.

Agora nós estamos nos bastidores do palco enorme de teatro da escola, esperando sermos chamadas. Shia está com Helaina e Megan dentro da sala à minha frente, ajudando-as a escolher o vestido para o baile de gala que é a festa de abertura, daqui a duas semanas. Nós nos dividimos em três duplas para vermos as roupas. Trishia e Hannah já escolheram as delas, saíram há uns vinte minutos, com um sorriso enorme no rosto, dizendo que o figurino era segredo e falando maravilhas sobre o trabalho de Shia.

Tensy reclama de três em três minutos que essa minha decisão de sermos a última dupla a escolher os vestidos acabou com todos os sonhos de princesinha de contos de fadas dela.

– Você vai ficar bonita em qualquer vestido. Agora fique quieta. — Falo, na trigésima vez que ela reclama.

– Ah, é mesmo. — Concorda ela, dando de ombros. Eu solto uma risadinha.

Shia abre a porta e Megan e Helaina saem, parecendo muito animadas. Eu me pergunto o que tem naquela sala.

– Bellie, Tensy, vocês podem vir. — A mulher chama, com um sorriso doce.

– Shia Paltrow sabe o meu nome! — Sussurra Tensy, apontando para si mesma. Eu rio da animação dela.

Nós nos levantamos. Helaina e Megan passam por nós como se não existíssemos. Eu esqueço a palavra que ia usar para xingá-las quando eu entro na sala. Tensy e eu trocamos um olhar demorado. Parece um pedaço do paraíso, bem aqui, nessa sala.

No meio dela, há um sofá em forma de círculo, com as bordas brancas e o interior vermelho, onde eu poderia dormir a minha vida inteira. À minha direita, há todos os tipos de vestido do mundo. À minha esquerda, há todos os tipos de sapatos. Na minha frente, um espelho de corpo inteiro que mostra cada detalhe. Ao lado dele, uma pequena forma circular vermelha, onde subimos para fazer alguns ajustes.

Shia nos olha animada.

– Vamos precisar de duas roupas para cada uma. — Ela instrui. — A primeira para a entrevista, e a segunda para o restante da festa.

– Vamos dar uma entrevista? — Pergunta Tensy, se empolgando mais ainda.

– Cada time vai ter vinte minutos para falar. — Shia sorri.

Tensy bate palminhas.

– Tem alguma coisa que vocês gostaram? — Pergunta a figurinista.

A mão de Tensy voa para um vestido vermelho no canto das araras de roupa. Shia junta as sobrancelhas e analisa Tensy e o vestido, como se quisesse imaginar ela dentro da roupa.

– Não sei se esse tom vai combinar com a cor da sua pele... — Comenta ela.

Tensy faz uma cara assustada. É claro, afinal, o seu vestido não combinar com a cor da sua pele é o fim do mundo. Mesmo assim Tensy, mostrando-se um poço de coragem e disposta a enfrentar o apocalipse, pergunta se pode experimentá-lo. Shia mostra o provador e ela corre lá para dentro.

– Por que não dá uma olhada nas araras, Bellie? — Convida Shia.

– Vou dar. — Sorrio levemente, dando um passo para trás. — Mas é melhor se você resolver as roupas de Tensy antes.

Ela assente.

– Como você achar melhor.

Tensy sai do provador, provavelmente com a sensação de que está voando. Ela está radiante naquele vestido. Shia dá uma volta ao redor dela. Assim como Shia havia previsto, o tom do vestido não é o mais adequado à pele de Tensy.

– Não sei... você não quer ver mais opções? — Fala a estilista, tentando não desagradar Tensy. Mas é impossível desagradá-la, quero dizer, olhe onde ela está. Isso é a definição de paraíso, na ótica Tensyniana.

Tensy assente entusiasmada, enquanto eu sento no círculo vermelho e apoio a cabeça na mão, esperando que ela termine.

Trinta e quatro vestidos e vinte e seis sapatos depois, Tensy escolhe sua roupa. A da entrevista — um vestido longo vermelho fabuloso, com aplicações brilhantes em todo o seu comprimento — e a da festa — um vestido curto vinho-escuro de um ombro só, que Shia jurou que lhe fazia parecer com Afrodite, em seus melhores dias.

Chegou a minha vez. Tensy não podia ter ficado mais satisfeitas com seus figurinos, e agora se vira para mim, animada por nós duas.

– O seu, agora, Bellie.

Eu assinto.

– Vamos. — Falo, me levantando.

Tensy olha no relógio.

– Meu Deus. Eu tenho hora marcada no cabeleleiro e me esqueci completamente. Desculpa, Bellie, não vou poder ficar mais, mas quero que você me conte cada detalhe quando chegar em casa.

– Claro. — Respondo.

Ela dá um beijo no meu rosto e outro no de Shia.

– Obrigada. Você é incrível. — Ela fala para a figurinista.

– Você que é. — A mulher responde.

Tensy vai embora e devo admitir que me sinto muito mais tranquila sabendo que ela não vai estar aqui. Quero dizer, eu não ia conseguir aguentar a animação dela quando não consigo fingir nenhuma.

– Então você é a grande estrela. — Comenta Shia, quando Tensy vai embora, se sentando no círculo vermelho.

Eu volto a me sentar também.

– Não sei se eu sou, mas não quero ser. — Mordo meu lábio.

– E por que não?

– Porque isso não é para mim. — Falo, apontando para os vestidos. — Eu não dou tanto valor para essas roupas luxuosas quando as outras. Eu nem acho que nós precisamos de uma figurinista. Sem ofensa.

Ela assente.

– Eu sei que todas essas coisas podem ser muito difícies para uma garota de dezesseis anos. Ter que falar com empresários riquíssimos sobre negócios ou sobre uma marca qualquer que você nunca usou, assim, tão cedo.

– É. — Concordo. — Vamos ter mesmo que dar entrevistas?

– Westward provavelmente vai. Pelo menos com as capitãs dos times favoritos eles vão querer falar. Ou seja, você está dentro de qualquer maneira.

Comprimo meus lábios. Que merda.

– Por que você não tenta se divertir? — Fala Shia, colocando mais alegria na voz. — Vai ser difícil enquanto você estiver lá, mas depois é só fazer o que você sabe fazer. Além disso, eu vou ficar com vocês o tempo todo.

Assinto.

– Isso melhora muito. — Respondo.

Eu me levanto e Shia também fica de pé.

– Melhor começar a olhar as roupas.

Shia ri.

– A sua roupa não está aí.

– Como assim?

– Sr. Galiarddi pediu que eu fizesse você brilhar um pouquinho mais.

– O que quer dizer?

Shia sorri. Ela vai atrás de uma das araras e tira de lá uma capa preta, que eu não tinha reparado antes, mas está ali o tempo todo.

– O que acha? — Pergunta ela, tirando de dentro da capa um dos vestidos mais lindos que eu já vi na minha vida. — Esse é o da entrevista.

Ela o coloca em cima de mesinha vermelha no centro da sala e deixa que eu me aproxime. Eu permaneço parada, porque tenho medo de encostá-lo.

– É perfeito. — Sussurro.

Shia ri. O vestido é realmente lindo. É um modelo tomara-que-caia, em formato de coração. Há aplicações de pedrarias douradas, que se dissipam até a cauda do vestido, dando lugar a um tecido preto leve. Eu chego perto e coloco as duas mãos nele, acompanhando o caminho das pedras, observando o degradê das cores. Talvez uma estilista tenha sido uma boa ideia.

– Esse é o vestido mais bonito que recebi nos últimos meses. Jennifer Lopez ficou doida por ele, mas não serviu nela. — Shia ri, como se estivesse se lembrando da cena de uma celebridade entalada no tecido dele.

– Lamento, JLo, mas ele é meu. — Falo.

Shia sorri.

– Aprovado, então?

– Com certeza.

– Você vai usar este vestido na entrevista enquanto estiver conversando com os grandes empresários e fazendo as propagandas, certo?

Eu assinto e respiro fundo. Shia parece estar achando o meu nervosismo hilário. Ela pega o vestido e me espera na frente do provador, com uma das sobrancelhas castanhas levantada.

Eu entro no provador e coloco o vestido. É como se ele tivesse sido feito sobre medida para mim.

– É lindo. — Comento, saindo do provador.

– Você é linda. O vestido não faz uma mulher. A mulher faz o vestido.

Eu balanço a cabeça, sem graça.

– E o outro? — Mudo de assunto.

Shia vai atrás de outra das araras e volta com outra capa preta. Quando ela coloca a mão morena lá dentro, o vestido que aparece não é nem de longe o que eu imaginei.

– Esse seria o do restante da festa. — Ela anuncia, animada, colocando o vestido na mesinha do centro. — Que tal?

Eu não sei o que dizer. Bom, é um vestido lindo. Mas...

– Isso é couro? — Pergunto, assustada.

– É. — Ela responde, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Eu passo as mãos por ele. É um vestido de couro, de mangas compridas. Ele tem um decote em um V fino que chega até o umbigo. Além disso, ele deve acabar muito antes da metade da minha coxa. Dos ombros, surgem ombreiras salientes, mas nada muito exagerado. Shia percebe a minha hesitação e revira os olhos. Ela pega o vestido e me espera no provador, como fez antes. Eu pego a roupa na mão dela e me fecho no cubículo.

O vestido é tão curto quanto eu imaginei. Ele cobre apenas meio palmo abaixo da minha cintura. Mas eu mudo completamente de ideia em relação a ele quando deixo o provador.

– Ai, meu Deus. — Meu queixo cai na frente do espelho.

Shia suspira, cruza os braços e se encosta em uma das araras.

– Eu sempre acerto. — Diz ela, sorrindo, enquanto olha suas unhas.

Não posso discordar dela. O vestido é maravilhoso. Tudo bem, o decote dele é enorme. O comprimento é mínimo. É um vestido que você nunca usaria para conversar com empresários ricos que podem te colocar em uma faculdade.

– Gostou? — Pergunta, mesmo sabendo a resposta.

– Amei. — Respondo. — Mas não é meio... diferente?

Penso nos vestidos das outras meninas. Tensy escolheu um vestido brilhante, chique, muito mais comportado do que este.

Shia riu.

– Você é diferente, Bellie. Todas as outras jogadoras vão estar iguais. Os mesmos vestidos estilo menininha, que a gente vê em qualquer lugar. Eu percebi que esse não era o seu estilo desde que te vi.

Shia nasceu mesmo para ser estilista. Eu dou uma volta na frente do espelho para me observar melhor.

– Você vai usar essa vestido na parte da balada, Bellie. Ninguém vai achar exagerado. Confie em mim.

Eu percebo que eu posso confiar nela. Eu sorrio e assinto. Tiro o vestido e coloco minhas roupas de novo. Espero, sentada no pufe, Shia guardar os vestidos com cuidado em uma arara coberta. Provavelmente lá estão os vestidos das outras também. Minhas pernas meio que tremem de nervosismo.

– A festa já é sábado. — Falo.

– É. — Shia suspira. — Já tem alguma ideia de como impressionar as pessoas?

Balanço a cabeça.

– Nenhuma. Griffin me deu uma lista enorme de produtos que essa marca tem. Como eu vou conseguir falar de tudo isso?

Shia dá de ombros.

– Quer que eu ensaie com você?

Levanto minhas sobrancelhas.

– Sério?

– Claro. — Ela ri. — Por que você não volta aqui amanhã, depois da aula?

Eu assinto com vontade.

– Obrigada, Shia. Por tudo.

Ela sorri, mostrando os dentes brancos perfeitamente alinhados.

– Disponha, querida. Nos vemos amanhã?

– Com certeza. — Falo, me levantando.

Bom, as roupas estão escolhidas. Mas está só começando.

Notas finais
Obrigada pela leitura! Vou tentar postar o próximo em breve! Beeijos ♥
P.S.: gente, eu tenho ficado muito triste porque eu sei que muitas pessoas leem e quase nenhuma comenta. Não custa nada dizer que gostou, vai me fazer muito feliz. Mas sei lá. Enfim. Obrigada.