Por Todas As Primaveras
12 Capítulo 12 – Primavera antecipada
Notas iniciais
Preparadas para o último capítulo? *Senta num cantinho e chora*
.
Quero agradecer a todos que comentaram o anterior e infelizmente dizer que fiquei muito triste porque os reviews diminuiram! :(
.
Me desculpem por até agora não ter respondido os comentários dos últimos capitulos postados. Com a Faculdade e o estágio meu tempo está beeeeem corrido. Mas prometo que logo responderei!
.
Bom, não quero me estender muito aqui, então vamos ao capítulo e nos "vemos" novamente lá em baixo.
.
Beeeijos.
Fran.
.
Capítulo 12 – Primavera antecipada
.
...
"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira."
Cecília Meireles
...
BELLA POV
Dois meses após o transplante
Alisei a minha pequena-grande barriga. Às vezes perguntava-me se meu filho seria um jogador de futebol de tanto que chutava.
Tinha acabado de entrar na 28º semana e minhas visitas à Dr. Lee eram cada vez mais frequentes. Na minha última consulta, a mesma me explicou que nessa fase embora a audição seja um pouco ruim, meu bebê já consegue escutar muitas coisas como meus batimentos cardíacos e sons externos desde que sejam altos, como o latido de um cachorro ou o barulho de um som em volume considerável.
Isso foi o que bastou para Edward decidir conversar com minha barriga o tempo todo e fazer questão de ligar o som com suas antigas bandas preferidas. Sua desculpa é a de que o bebê precisa aprender o que é música boa desde berço.
A gravidez, apesar de ainda ser de risco, não era tão preocupante quanto no começo por conta de todo o tratamento que vinha fazendo, com vitaminas e alimentação balanceada, além de repouso absoluto, como a médica recomendou. Se antes Edward não me deixava fazer praticamente nada, após ouvir isso ele me trata quase como uma criança que vai ter outra criança.
Ri, me lembrando a primeira vez que o bebê chutou.
Edward vinha esperando ansioso por isso acontecer e ficou todo emburradinho por não estar presente na hora, tanto ao ponto de não deixar minha barriga em paz por muito tempo pedindo insistentemente para o filho chutar mais uma vez.
"Posso saber do que minha amendoeira tanto rir?"
Sorri com o movimento em minha barriga, era quase como se meu bebê já conhecesse a voz do pai. Ergui a cabeça para vê-lo parado à porta do quarto. Os braços cruzados e com um grande sorriso.
Tão lindo.
"Estava lembrando a primeira vez que nosso filho mexeu e seu desapontamento por não ter visto." continuei alisando meu ventre.
Edward desencostou da parede e caminhou em minha direção. Seu olhar intenso alternando entre meu rosto e minha barriga.
"Mas não foi justo. Porra... eu vivia esperando por isso!" fez bico e sentou ao meu lado na cama. "E é nossa!" estreitou os olhos, parecendo quase sério demais. Olhei-o em confusão. "Você disse nosso filho, é nossa filha!"
"Filha." bufei de brincadeira.
Antes de sabermos o sexo, quando estava entrando no quinto mês, me divertia muito implicar com a certeza dele de que seria uma menina. Era incrível o quanto Edward ficava irritado sempre que eu ou alguém de sua família brincava que seria um menino.
Não me lembro de ter conhecido qualquer futuro pai mais ansioso para ter uma filha mulher.
...
FLASHBACK ON
"Você tem certeza que está bem?" observava-o bater o pé no chão sem parar. As mãos não parando quietas.
Edward parecia que teria um ataque a qualquer momento.
"A médica está demorando. Será que algo aconteceu e a impediu de vir? Ficou doente, bateu o carro no caminho, morreu, sei lá?" perguntava freneticamente.
"Edward!" arregalei os olhos com os seus pensamentos, apesar de achar muito fofo seu nervosismo.
Estávamos no consultório da Dr. Lee e éramos os primeiros para serem atendidos, só que a ela ainda não havia chegado e já estava mais de meia-hora atrasada. Edward já tinha se levantado do sofá confortável da sala de espera dezena de vezes para perguntar a atendente o porquê da demora.
Isso tudo porque era o dia de descobrir o sexo do bebê.
"Achei que você tivesse certeza que era uma menina." ironizei, pegando sua mão e tentando fazê-lo parar quieto.
"E tenho." parou, me fitando com um olhar sério. "Muita certeza."
"Ok." dei de ombros, tentando esconder um sorriso. "Minha intuição de mãe diz o contrário.”
"Não é verdade!" fez bico e soou e como uma criança que tinha tido o doce roubado. "Você pensa como eu, só gosta de me irritar!"
E ele estava certo. Algo dentro de mim dizia que seria mesmo uma menina, mas ele não me escutaria admitir isso. Não mesmo. Vê-lo emburradinho sempre que eu discordava era tão legal!
"Senhorita Swan?" meu nome foi chamado e Edward ficou de pé num pulo, como se fosse seu nome e não o meu.
Caminhei com ele ao meu lado até a porta da sala onde a atendente da Dr. Lee nos esperava.
"Podem entrar, ela já chegou e está subindo para atendê-los." abriu a porta do consultório e fez sinal para que entrássemos.Sentamos nas cadeiras pretas em frente à mesa da Dr. Lee e peguei sua mão na minha, a trazendo para meu colo e circulando sua palma com meu polegar.
"Ei... Tudo bem?" chamei, agora falando sério. "Vai dar tudo certo, você sabe."
Edward me olhou, quase parecendo envergonhado, e não pude fazer outra coisa se não sorrir.
"Acho que estou um pouquinho nervoso." confessou.
"Você jura?" brinquei beijando a palma de sua mão. "Nem percebi!"
"É um dia importante." se defendeu, dando de ombros.
"Muito importante." assenti prestes a chorar. Isso vivia acontecendo. Meu humor se comparava a uma montanha russa. A gravidez tinha me feito uma mulherzinha chorona dos diabos.
Mas isso não me incomodava, eu estava tão feliz.
"Anjo..." ele sussurrou percebendo meu estado e usando minhas palavras. "Vai dar tudo certo, você sabe."
"Vai." voltei a assentir e virei meu rosto para a porta vendo a Dr. Lee passar por ela.
"Edward! Bella! Me desculpem a demora, fiquei presa num trânsito terrível, pensei que não chegaria."
"Claro doutora, imaginamos que fosse algo assim." sorri para Edward que tinha um olhar falsamente inocente no rosto. Eu que não diria que ele na verdade tinha ido mais longe em seu surto nervoso e imaginado a morte da pobre médica.
Nós decidimos ir direito para ultrassom e Edward me ajudou a subir na maca. Com sua ajuda, ergui minha bata soltinha e abri o zíper da calça, descendo-a um pouco em meus quadris enquanto Dr. Lee preparava tudo para o exame.
"Vamos então finalmente ver o sexo desse bebê?" ela sorriu.
Na verdade, essa era a nossa segunda tentativa, mês passado tentamos, mas a posição do bebê não nos permitiu ver o sexo.
Não preciso dizer o quão frustrado Edward ficou.
A médica espalhou o gel em minha barriga e começou a passar a sonda por ela. Imediatamente, foi possível ouvir o coração do bebê que batia numa frequência bem alta.
A mão de Edward apertou a minha e virei meu rosto para olhá-lo. Ele fitava a tela com uma emoção visível. Ele sempre ficava assim quando me acompanhava nas ultrassonografias.
"Uhm... acho que já tenho uma reposta." Dr. Lee disse e olhou para Edward com um sorriso conspirador.
Franzi o cenho e então entendi. Edward estudava medicina e acho que devia entender alguma coisa naquela tela que para mim parecia algo de outro mundo.
"É uma menininha, anjo." ele virou para mim e sussurrou com a voz embargada, um enorme sorriso nos lábios e os olhos marejados. "Exatamente como eu disse." não deixou de se gabar e eu ri enquanto sentia as lágrimas molharem minhas bochechas.
"Eu sabia." garanti tentando limpar as lágrimas. Ele segurou minhas mãos e afastou-as do meu rosto, assumindo ele mesmo o trabalho de limpá-las. Sua testa descansou na minha e seus lábios roçaram nos meus enquanto ele sussurrava. "Eu te amo. Eu lutei, estou vivo, e é por sua causa. Por você e nossa filha."
Pisquei, mais lágrimas caíram, e eu sorri colocando minhas mãos sobre as suas em meu rosto. "Eu amo você, papai." minha voz saiu embargada e duas lágrimas caíram por suas bochechas.
Ele sempre ficava com cara de bobo quando o chamavam assim.
FLASHBACK OFF
…
.
I'll be — Edwin McCain (Cover by Boyce Avenue)
Os fios de cabelos em seus olhos
Que os colorem maravilhosamente
Interrompem-me e roubam minha respiração.
E esmeraldas de montanhas
Dão impulso para o céu
Nunca revelando sua profundidade.
.
"Você nunca vai esquecer isso, não é?" sorri enquanto era puxada para seu colo e ele passava os braços por meu corpo, as mãos descansando em minha barriga. Ela estava bem grandinha, me sentia uma bola, mas eu gostava de como me via no espelho.
"Não." seu bico voltou, mas podia ver um sorriso brincando em seus lábios. "Eu também merecia sentir o primeiro chute e não se fala mais nisso."
"Baby, eu sou a grávida." sorri e coloquei as mãos em seu rosto. "Eu que devo ser a manhosa."
Ele estreitou os olhos, tentando parecer irritado, mas logo sorriu. "Você está certa... bolota."
"Bolota." bufei. Edward nunca esqueceu esse apelido.
Eu não era mais a Bella, e sim a bolota Swan.
"Minha bolota." ele riu da minha cara emburrada e escondeu o rosto em meu pescoço cheirando meus cabelos. "Você está linda. Você sabe, tenho que me controlar para não te atacar a todo momento."
Dei um tapa em seu ombro e ele explodiu numa gargalhada, acabei rindo também. Suspirei, era tão bom essa sensação de estar tudo bem, de saber que ele está bem.
Três semanas após o transplante, Edward deixou o Hospital. Claro que os cuidados nos primeiros dias foram muitos: uma dieta rigorosa, nada de esforços físicos e controle com a higiene para se evitar infecções já que naquele tempo ele ainda estava fraco e com a imunidade baixa.
Passaram-se dois meses e eram visíveis as melhoras. Edward já não ficava cansado com facilidade e parecia mais disposto para qualquer tipo de atividade. Há uma semana ele decidiu voltar para a Faculdade e isso o deixou muito feliz, sabia o quanto ele sentia falta do curso.
Por conta da gravidez de risco, Dr. Lee me aconselhou a não voltar a estudar por enquanto e esperar uns meses após o nascimento do bebê para fazer isso. Não preciso dizer que Edward concordou firmemente com ela.
Edward ainda ia regularmente ao Hospital como antes, afinal o tratamento tinha que continuar. Dr. Dane tinha sido muito franco na conversa que tivemos logo após sua alta do Hospital: para se falar realmente em cura, ainda seria preciso esperar algo em torno de quatro a cinco anos.
Não que até lá Edward ainda vá precisar se submeter a quimio, tudo depende de como o tratamento for evoluindo. Apesar disso, Dr. Dane fez questão de nos tranquilizar que o organismo de Edward aceitou muito bem as células transplantadas e que, graças a Deus, não havia qualquer sinal de rejeição.
Isso nunca nos desanimou. Todos sabiam que os médicos são muitos cautelosos ao falarem em cura quando a doença em questão é um câncer e que são precisos anos de tratamento e acompanhamento após o transplante para isso. De qualquer forma, todos, família e médicos, estavam confiantes que daria certo no final.
"Anjo? Tubo bem? Você ficou calada de repente.” olhei para seu rosto vendo a confusão em seus olhos.
Saber que Edward estava aqui comigo e bem me dava vontade de rir e chorar de alegria. Não era apenas uma sensação de alívio, era como ter meu coração devolvido inteiro, ter todos os pedaços dele colados como antes de saber que ele estava doente.
"Eu te amo." sussurrei sentindo as lágrimas em minhas bochechas. Suas mãos vieram para meu rosto e seu olhar era um misto de preocupação e ansiedade. "Shh..." ele ia falar mas o impedi, colocando meus dedos em seus lábios. "Eu sou a pessoa que sou por sua causa, Edward. As coisas só tomam sentido ao meu redor quando tenho você ao meu lado. Não importa o que me espera no futuro, eu posso enfrentar qualquer coisa... desde que estejamos juntos.” garanti.
Minhas palavras pareceram deixá-lo sem reação. Ele estava imóvel, seus olhos marejados e sua respiração rápida. Beijei seus lábios que continuavam imóveis e me afastei um pouco, apenas o suficiente para olhar seu rosto.
"Porra, Bella." meu nome saiu de seus lábios num misto de suspiro e gemido. "Eu..." ele balançou a cabeça, o olhar fixo na parede atrás de mim.
.
Diga-me que pertencemos um ao outro
Vista-se com os enfeites do amor
Eu serei cativado, eu ficarei preso aos seus lábios
Ao invés da forca que machuca meu coração.
Eu serei um ombro para você chorar
Eu serei um suicida do amor
Eu serei melhor quando ficar mais velho
Eu serei o maior fã de sua vida.
.
...
EDWARD POV
"Anjo? Tubo bem?" perguntei achando estranho seu silêncio.
"Eu te amo." ela sussurrou e percebi as lágrimas em seus olhos. Franzi o cenho e peguei seu rosto em minhas mãos. "Eu sou a pessoa que sou por sua causa. As coisas só tomam sentido ao meu redor quando tenho você ao meu lado. Não importa o que me espera no futuro, eu posso enfrentar qualquer coisa... desde que estejamos juntos."
Pisquei, sendo fortemente atingido por suas palavras. Claro que essa não era primeira vez que Bella dizia que me amava. Mas havia algo de específico dessa vez, uma emoção diferente que ela parecia lutar para conter.
Eu realmente não vi isso vindo.
Havia uma felicidade e alivio palpáveis em seu tom e eu só pude imaginar que ela pensava em minha doença e tudo que passamos nos últimos meses. Eu estava imóvel, sem saber como exteriorizar o que eu sentia naquele momento. Acho que seus lábios encostavam nos meus, mas até a força para corresponder ao beijo parecia ter sido sugada do meu corpo.
"Porra, Bella." suspirei e gemi seu nome. Eu sempre me sentia bem após dizê-lo. "Eu..., " balancei a cabeça, não conseguindo ordenar as palavras no meu cérebro para dizer algo coerente.
Peguei meu seu rosto em minhas mãos.
Eu estava desejando ser capaz de por em palavras todo o amor que eu sentia em meu coração por ela e nossa filha. Era um sentimento tão profundo que às vezes me fazia chegar ao ponto de pensar que me consumiria.
Sorri, desviando minha atenção para sua mão esquerda e me lembrando de um mês atrás.
...
FLASHBACK ON
"Será que você pode parar quieto e deixar de andar por essa sala como uma barata tonta?" Alice falava, mas eu não escutava realmente, meus pensamentos bem longe da minha irmã.
"Porra, Alice... você não entende!" balancei a cabeça sem parar de me mover de um canto a outro do apartamento que Bella e eu dividíamos com ela. Por pouco tempo, eu esperava.
Há tempos que minha intenção era sair daqui, não queria viver com minha mulher e minha filha em um apartamento. Sempre tive em mente que ao formar uma família com Bella viveríamos em uma casa espaçosa como a que cresci em Forks com meus irmãos e meus pais.
Bom, e era exatamente isso o que eu estava planejando. A casa estava comprada — com a ajuda de minha mãe e minha irmã — e eu sinceramente esperava que Bella gostasse e não desse um de seus chiliques por eu gastar muito dinheiro.
Isso era muito Bella. Mas eu a faria entender o quanto isso significava para mim.
Esse era o motivo de eu estar tão nervoso: sua reação quando eu lhe contasse.
Ok, Porra.
Esse era parcialmente o motivo de eu estar nervoso, mas a caixinha preta no meu bolso não tinha qualquer relação com meu ataque de pânico.
Não. Imagina.
Segundo minha irmã, meu chilique era idiota e ridículo, considerando que eu e Bella estávamos juntos há anos e falávamos em nos casar desde que começamos a namorar. Bom, certo, isso é verdade, mas falar sobre o assunto e fazer o pedido eram coisas bem diferentes
"Edward, senta essa sua bunda branca nesse sofá. Agora!" estanquei com o grito fino de Alice. "Está me deixando tonta vê-lo andar pra lá e pra cá feito uma barata. Honestamente, você acha mesmo que a Bella vai recusar seu pedido?" colocou as mãos na cintura e me olhou como se eu fosse um idiota.
Suspirei, finalmente sentando.
"Não, não acho... Quer dizer, não sei porra." balancei a cabeça confuso. Ela não iria, não é?
"Sério, seu cérebro foi seriamente afetado." Alice arregalou os olhos. "Alôoou, a Bellinha está grávida, vocês se conhecem desde que usavam fraldas e tem essa coisa, ligação ou seja lá como chama desde que você era um adolescente perseguidor e ciumento!"
"Eu não era." fiz uma careta, rodando com os dedos a caixinha em meu bolso.
"Sim, você era e é." cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha, me desafiando a discordar.
"Ok." revirei os olhos e bufei. "Talvez eu tivesse um pouco de ciúmes de Bella quando éramos pequenos, está satisfeita?"
"Talvez? Um pouco?" gargalhou. "Você era um como um perseguidor doente e estúpido, que brigava com qualquer garoto que ousasse olhar para Bella por um pouco mais de tempo do que você considerava amigável!"
"Cale a boca, Alice!" rosnei, irritado por ela se divertir com minha cara quando eu estava tão nervoso.
Ela suspirou, parecendo finalmente compreender meu estado e sentou ao meu lado.
"Bella já está chegando, Edward. Mamãe me ligou há alguns minutos avisando que já estavam aqui perto."
Assenti ansioso, um pequeno sorriso brincando em meus lábios ao lembrar o que elas foram fazer. Há alguns dias confirmamos através da ultrassom que era mesmo uma menina, eu tinha a certeza, mas foi bom a confirmação. Minha mãe quase enlouqueceu no telefone quando lhe contamos e fez questão de vir para NY ajudar Bella com algumas coisas do enxoval.
Não que houvessem poucas coisas compradas, uma pessoa como Alice por perto não permitiria isso, mas Esme fez questão de ter um tempo a sós com Bella para comprarem roupas de bebê juntas. Antes de confirmarmos o sexo, Bella tinha preferido comprar apenas coisas em cores neutras mesmo que eu tentasse convencê-la do contrário com minha certeza de que seria uma menina.
Bella era tão teimosa.
Eu precisava supervisioná-la para não pegar peso ou fazer estripulias a toda hora. Isso me deixava ansioso e me fazia segui-la por cada cômodo do apartamento, o que a deixava bem irritada
Ela ficava tão linda irritadinha.
O ruído da porta se abrindo chamou minha atenção e fiquei em pé num pulo. Minha mãe e Bella entraram repletas de sacolas e caminhei até elas, pegando as que Bella segurava.
"Deixe-me pegar isso, anjo." lhe dei um selinho rápido e fui colocar as sacolas sobre a mesa. "Oi pra você também." voltei para perto dela e sorri de seu bico.
Não estavam pesadas, mas eu preferia que ela não pegasse peso nenhum.
“Bom, Bella está entregue, agora vamos deixar os dois sozinhos." minha mãe sorriu larga e conspiratoriamente para mim. Ela deu um rápido beijo de despedida em Bella e saiu com Alice logo atrás.
"Tchau para vocês. Juízo papais!" minha irmã gritou antes de bater a porta.
Revirei os olhos. Alice.
Passei meus braços por sua cintura e caminhamos até o quarto onde a ajudei a se sentar na cama. Ajoelhei-me no chão em sua frente e trouxe seus pés para minhas pernas para retirar suas sapatilhas. Sua barriga estava bem grandinha e já era um pouco difícil para ela caminhar ou se abaixar para fazer coisas simples como retirar os sapatos. Seus pés e pernas estavam constantemente inchados.
"Porque Alice saiu? Ela não vai dormir em casa?" suspirou contente enquanto eu massageava seus pés.
"Parece que ela vai sair com Jasper e dormir na casa dele hoje." desviei meus olhos para o trabalho que fazia em seus pés. Não era bom em mentir para ela, principalmente olhando em seus olhos.
"Ainda não entendi o porquê sua irmã não quis sair comigo e Esme para comprar coisas para o bebê. Isso é tão... não-Alice."
Dei de ombros, assentindo em concordância. Isso era mesmo estranho, mas havia um motivo. Alice tinha ido me ajudar a escolher um anel apropriado. O que acabou nem sendo tão difícil. Na primeira loja que paramos, e assim que pus meus olhos no anel, sabia que era ele.
Ao menos minha irmã aprovou a escolha.
Após terminar a massagem, me ergui do chão e sentei na cama com as costas apoiadas na cabeceira e delicadamente puxei Bella para sentar de lado em meu colo. Ela suspirou contente e descansou o rosto na curvatura do meu pescoço.
Passei um braço por sua cintura, apoiando a mão em sua barriga, e minha outra mão foi para seus cabelos brincando com uma mecha castanha.
.
Eu fui derrubado, queimado,
Voltei vitorioso da morte.
Sintonizado, ligado,
Lembrei das coisas que você disse.
.
Respirei fundo.
"Bella?" chamei enquanto tentava lembrar tudo o que planejei dizer nesse momento.
Foi com horror que percebi que praticamente tudo havia sumido em minha mente.
Que porra.
"Hum?" ela gemeu com meu carinho em seu cabelo e cheirou meu pescoço.
Suspirei nervoso. Eu podia ter esquecido o que passei dias planejando para falar, mas o que eu sentia era suficiente.
"Você e nossa filha são toda a razão de eu estar aqui hoje, sabe." beijei seus cabelos e ela sorriu colocando uma mão sobre a minha em sua barriga. "Eu não posso imaginar o que seria um mundo em que você não estivesse e eu queria ser capaz de dizer muitas coisas agora que simplificassem tudo o que você fez por mim por todos esses anos e principalmente nos últimos meses..." respirei fundo para tentar recolocar a voz que parecia falhar.
Beijei suas bochechas e limpei algumas lágrimas que caiam por seu rosto.
"Eu queria poder achar um jeito para resumir tudo o que eu sinto quando te olho, anjo.” traçava meus dedos ao redor dos seus olhos. "Eu... eu espero que..." merda. Já tinha começado a gaguejar de nervoso. Que ótimo, porra. Mais uma respiração profunda enquanto pegava a caixinha em meu bolso. "Você é meu primeiro e último pensamento, Bella. Eu te amo com meu corpo, meu coração e minha alma... quero viver todos os dias de minha vida ao seu lado. Por favor, anjo, será que você poderia se casar comigo?"
Abri a caixinha para deixá-la ver o anel.
.
Diga-me que pertencemos um ao outro
Vista-se com os enfeites do amor
Eu serei cativado, eu ficarei preso aos seus lábios..
.
Os olhos de Bella se arregalaram, fixos no objeto em minhas mãos. Sua respiração estava cada vez mais rápida e me preocupei que ela pudesse passar mal.
"Bella?" franzi o cenho, um pouco desanimado com seu silêncio.
Milhares de coisas passavam por minha mente. Alice estava errada? Ela não aceitaria? Bella não queria casar agora? Porra... eu a assustei? Ou... será que meu medo de que ela pudesse pensar que o pedido era apenas por ela estar grávida havia se concretizado?
"Anjo... Isso não é porque vamos ter um bebê... você não..." comecei, mas ela me cortou.
Um soluço estrangulado saiu de sua garganta e fui surpreendido por seus braços que se fecharam ao redor do meu ombro quando ela escondeu o rosto em meu pescoço. "Isso... Eu..." os soluços a impediam de falar.
"Shiii, anjo." passei a mão por suas costas tentando acalmá-la, completamente perdido por sua reação. "Está tudo bem se você achar muito cedo ainda. De verdade." dei de ombros.
"Não!" me olhou com os olhos marejados. "Você... Deus!" balançou a cabeça e abaixou o rosto para o anel que ainda estava em minha mão. Ela o pegou, deixando sua atenção nele por alguns segundos e logo depois me olhou intensamente. "Você é meu passado e todo o meu futuro, Edward." mordeu os lábios. "Você é tudo. Simples assim. Nada além do que temos juntos me importa, todo dia em que estamos juntos é o melhor dia da minha vida." ela riu, e mais lágrimas vieram de seus olhos. Um sorriso lindo surgiu em seus lábios e ela estendeu a caixinha com o anel em minha direção. "Por favor, será que você poderia colocá-lo em meu dedo agora?"
.
Eu serei um ombro para você chorar
Eu serei um suicida do amor
Eu serei melhor quando ficar mais velho
Eu serei o maior fã de sua vida.
.
Eu peguei a caixinha e retirei o anel passando-o pelo dedo anelar de sua mão esquerda. Beijei o dedo que trazia o anel e fiquei um momento o olhando, meu peito borbulhando de orgulho.
Bella era minha. Agora mais do que nunca.
Sim, porra.
"Sim... Eu sempre serei sua." ela riu e só então notei ter exteriorizado em voz alta meu pensamento possessivo.
Dei um sorrisinho levemente constrangido.
"Eu também sou seu, anjo."
FLASHBACK OFF
...
"Edward?" desviei meus olhos do anel em sua mão e ergui a cabeça para vê-la com um sorriso enorme. "Agora foi sua vez de viajar... E eu sei exatamente quais eram seus pensamentos." beijava meu maxilar.
"Sério?" fechei os olhos, aproveitando a sensação de seus lábios em minha pele.
"Hun." ela assentiu, sem parar de distribuir beijos por meu maxilar e pescoço. "Você pensava no dia que me fez o pedido."
"Como sabe?" fiz que me olhasse, sorrindo enquanto beijava o dedo em que estava o anel.
"Porque eu pensava a mesma coisa." sorriu.
Nós tínhamos conversado e decidido que o casamento seria após o nascimento de nossa filha porque agora tínhamos que nos preocupar com a gravidez que já estava na reta final. No outro dia após fazer o pedido, eu levei Bella até a casa que tinha comprado, ela adorou tudo e mais ainda ao ver que não ficava tão longe da Faculdade e do apartamento de Alice e Emmet. Nós ainda não estávamos morando nela, faltava muita coisa ser feita e comprada, mas íamos sempre ver como estava ficando tudo, principalmente o quarto de nossa filha.
Eu fiz questão de que Bella tivesse a certeza que eu queria isso não porque ela estava grávida, mas por todas as outras razões do porque eu a amava com todo meu coração. Nossa filha era apenas uma consequência maravilhosa disso tudo. Ela garantiu que não havia se quer passado por sua cabeça que esse fosse o motivo do pedido, mas eu sou um pouco teimoso e fiz questão de frisar.
.
Eu serei melhor quando ficar mais velho
Eu serei o maior fã de sua vida.
Eu fui derrubado, queimado,
Voltei vitorioso da morte
Sintonizado, ligado,
Lembrei das coisas que você disse
Você é minha sobrevivência
Você é minha prova viva.
.
“Aquele foi um dos melhores dias da minha vida." confessei, escondendo o rosto em seu pescoço e cheirando seus cabelos.
"Meu também. Apesar de quase não conseguir falar."
Nós rimos.
"Você me assustou." brinquei. "Pensei que receberia um não."
"Nunca." sorriu e balançou a cabeça. "Eu te amo."
Eu ia responder, mas fui parado por nossa filha que resolveu chutar naquele instante. Coloquei as duas mãos em sua barriga linda, o sorriso idiota nunca deixando meu rosto. Toda vez que sentia minha filha se mover na barriga de Bella uma emoção incompreensível me dominava. Era muito mais que orgulho. Era como se meu peito fosse completamente preenchido de amor.
Amor pela minha família.
"Te amo, anjo." sussurrei, me abaixando para beijar sua barriga e logo depois a apertando mais forte em meus braços.
"Pra sempre..." passou os dedos por meus lábios, seu rosto brilhava de felicidade.
"Sempre." assenti.
Aquilo nunca me pareceu tão certo.
...
"(...) somos como madressilva quando se enrola à volta do ramo da aveleira: uma vez a ela ligada e presa, ambas podem durar juntas eternamente, mas, se as querem separar, a madressilva morre em pouco tempo e o mesmo sucede à aveleira. Tal é o nosso caso: nem vós sem mim, nem eu sem vós! (Tristão e Isolda)"
...
FIM
Notas finais
.
Não irei me despedir daqui ainda porque falta o epílogo mas já agradeço muito de antemão às garotas que acompanharam a fanfic deixando com todo carinho review a cada capítulo e as que chegaram depois de já ter começado a postá-la e também comentaram! Obrigada flores! :)
Espero sinceramente que o fim tenha agradado e no epílogo poderemos dar uma olhadinha no futuro e no bebê dos dois! *---*
.
Bom, antes de ir, quero deixar também a minha tristeza com as pessoas que lêem e não comentam. Pelo contador da história, a fanfic teve 60 leitores e está nos favoritos de 32 pessoas! Eu penso que se você coloca a história nos favoritos é porque ler, então me deixa bastante triste saber que mais da metade dos que acompanham não comentam, visto que recebo em média 12, 13 reviews por capítulo! Sinceramente, isso não é só triste, desestimula total, é broxante mesmo, sabe?
P.S: Quero deixar claro que não estou me referindo as garotas que acompanhavam a história quando eu postava antes, essas eu super entendo que não comentem afinal já tinham lido grande parte da fic antes!
.
Ok, desculpa o desabafo mas eu precisava falar. rsrs
.
Agora, voltando para as girls que estão acompanhando, espero ansiosamente para ler as opiniões de vocês quanto ao final e se gostaram. Se for o contrário, podem dizer também e descer a lenha na autora. AUHAUHAUA :D
E, mais uma vez, para as que pensam que as história vale uma recomendação, peço que não deixem de fazê-lo.
.
É isso. Me despeço por hora e logo volto uma última vez aqui com o Epílogo. *pega o lenço e limpa as lágrimas* UHAUHA
.
Beijos na bochecha de todas.
Fran.
Fale com o autor