Por Todas As Primaveras
10 Capítulo 10 – Inquebrável
Notas iniciais
Desculpe não ter postado antes, viajei pensando que daria para voltar ontem mas acabei só voltando hoje de madrugada.
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Obrigada pelos reviews do capitulo anterior, vou respondê-los como sempre. Fiquei feliz pois parece que todas gostaram da novidade da gravidez!
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Um obrigada especial a Vitória que fez uma recomendação que me deixou muito emocionada. Amei suas palavras, flor!
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Vamos ao capítulo e espero que gostem.
Beijos,
Fran.
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Capítulo 10 – Inquebrável
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BELLA POV
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Joguei água em meu rosto e pescoço numa tentativa inútil de amenizar a tontura que estava sentindo. Não devia ser mais que duas da manhã e já era a terceira vez que acordava mal e com vontade de vomitar.
Uma semana se passou desde que contei a Edward da gravidez e agora todos já sabiam, o que foi uma festa por parte dos meus pais e dos Cullen. Surpreendeu-me suas reações. Tinha imaginado que nossas famílias pirariam achando que era o momento mais impróprio para isso acontecer e que éramos muitos jovens, mas, ao contrário do que imaginei, todos receberam a notícia efusivamente. Carlisle e Esme não pararam de repetir que um filho seria mais uma razão para Edward lutar, Emmet só sabia apontar tudo o que fará com um sobrinho e Alice vive para falar sobre enxoval, roupas e móveis de bebê.
Um dia após a notícia, Edward cumpriu sua promessa e me obrigou a voltar à médica com ele do lado fazendo a doutora lhe explicar tudo sobre o meu caso, a anemia, as vitaminas que eu tinha que tomar religiosamente e os cuidados extras além dos comuns a uma gestação, graças ao meu estado de saúde. Claro que me emocionava todo esse seu cuidado — mesmo antes de contá-lo da gravidez já sabia que ele seria um pai maravilhoso — mas me fazia mal vê-lo tão preocupado quando já tinha a doença e todo o estresse do tratamento em suas costas.
Escovava os dentes tentando tirar o gosto amargo em minha boca após vomitar quando minha visão escureceu e segurei na borda da pia com força, temendo ir ao chão e acordar Edward que dormia no quarto. Não que fosse fácil acordá-lo, pois com o tratamento da quimio ele vinha dormindo pesadamente à noite. Dr. Dane nos explicou que o sono excessivo era uma forma de o corpo compensar toda a fraqueza provocada pelos remédios.
Ainda venho tentando esconder de Edward quando me sinto mal ou tenho vontade de vomitar, mas na maioria das vezes ele percebe, a não ser que esteja dormindo e eu saia da cama na ponta dos pés para não acordá-lo, como fiz minutos atrás.
Como eu geralmente só passava mal ou vomitava pela madrugada, ele quase nunca presenciava esses momentos. Eu não fazia isso para deliberadamente quebrar minha promessa de não lhe esconder mais nada, era apenas uma forma de não preocupá-lo sem necessidade, já que a médica explicou que isso era normal de acontecer, mais ainda devido a minha forte anemia, e também uma tentativa de deixá-lo descansar e não perturbar seu sono.
Quando finalmente me senti forte o bastante para abrir os olhos e soltar meu aperto da borda da pia, me obriguei a ficar ereta e olhei para meu reflexo no espelho. Observei as olheiras profundas à baixo dos meus olhos e como estava mais pálida que o normal. Minha aparência era de alguém extremamente cansada, o que era exatamente como me sentia.
Abri a porta do banheiro e a fechei o mais silenciosamente o possível. Só quando me virei para caminhar devagar até a cama, notei a luz do abajur acesa e um Edward confuso e de cara amassada me fitando.
"Amor?" sussurrou com a voz rouca, seus olhos estavam apertadinhos por conta do sono e era uma cena tão fofa, que sorri. Observei, ainda parada próximo a porta do banheiro, enquanto ele passava o olhar por todo o quarto em confusão. Um minuto depois e ele arregalou os olhos sentando rápido na cama. "O quê? Você está bem?" percebi que ia se levantar e caminhei em sua direção.
"Está tudo bem, só fui ao banheiro. Você deveria estar dormindo." sentei ao seu lado tentando tranquilizá-lo
Seus olhos se estreitaram e evitei seu olhar analítico desviando minha atenção para seu peito nu. Ele vestia apenas uma calça de moletom folgadinha.
"O que houve?" ergueu meu queixo. "Porque não me acordou, Bella?"
"Te acordar? Por que tive vontade de ir ao banheiro?" desconversei.
Ele gemeu, me puxando para seu colo.
"Você mente tão mal, anjo." balançava a cabeça, me apertando em seus braços. Passei os meus por seu tronco o apertando de volta, sentindo seu aroma gostoso que sempre era capaz de me acalmar não importava a situação. "Porque não me acordou?" repetiu a pergunta, seus olhos eram preocupados e magoados ao mesmo tempo.
"Desculpe." pedi escondendo meu rosto em seu peito. Ele nos moveu na cama até se encostar na cabeceira comigo ainda em seu colo. "Eu só queria deixá-lo dormir, não foi nada demais, as grávidas vomitam, não é?" fiz pouco caso, tentando fazer com que deixasse esse assunto para lá.
"Sim, mas as outras grávidas não me dizem respeito Isabella." sua voz dura me surpreendeu e me encolhi em seus braços. Ele pareceu perceber minha reação e respirou fundo, segurando meu rosto e me fazendo olhá-lo. "Só você, anjo... Você é quem me importa. Você que é minha mulher e quem está grávida do meu filho, não me importa que todas as grávidas acordam à noite para vomitar, o que me importa é que você faz isso e não me chama, ainda mais no seu caso e com sua saúde. Porque você parece fazer questão de me excluir das coisas que dizem respeito a essa gravidez?" ele franziu o cenho, sua voz já havia deixado de ser dura e agora parecia só magoada.
"Não... Não quero excluí-lo." murmurei, surpresa por ele pensar dessa forma. "Eu só quero que descanse, que tenha uma boa noite de sono sem que eu precise lhe acordar para me ver vomitar." expliquei, pedindo silenciosamente que me entendesse.
"Mas é o que eu quero, Bella. Quero acordar e segurar seus cabelos enquanto vomita, estar ao seu lado. Eu quero participar das coisas, você me negar isso só me lembra que estou doente e me dá a sensação de que me tornei a porra de um incapaz, você me trata como um fraco, como se eu estivesse prestes a quebrar a qualquer momento!" ele disparou a falar sem parar um momento se quer para respirar e fui percebendo o quanto eu era egoísta.
Na minha ânsia de tentar protegê-lo, eu só o estava fazendo mal, deixando que se sentisse incapaz de estar ao meu lado e me ajudar. Balancei a cabeça e meus olhos inundaram de lágrimas, talvez mais um reflexo dos hormônios malucos da gravidez.
Me senti um ser-humano horrível.
"Eu quero tudo..." ele percebeu que eu chorava e se interrompeu, juntando nossas testas e passando os dedos carinhosamente por meu rosto. "Eu quero tudo com você, cada momento que eu puder ter, Bella. E não, antes que você diga, não é porque estou insinuando que vou morrer. Isso é porque amo você."
"Eu te amo." minha voz embargada por conta do choro. "Me desculpe, não queria magoá-lo... eu sou estúpida e estou chorando como idiota."
Ele riu, sua risada rouca que eu adoro, e percebi seus olhos marejados.
"Como eu te amo!" balançou a cabeça e vi que seus olhos estavam marejados, o que me agoniou um pouco. "Estou feliz." garantiu, parecendo ler meus pensamentos. Não devia me surpreender o quanto Edward me conhecia.
Seus lábios tocaram os meus e fechei os olhos, perdida nas emoções conhecidas que me assaltavam sempre que estávamos tão próximos. Segurei seu rosto e o trouxe para mais perto, tremendo com o primeiro contato de nossas línguas. O beijo foi ficando mais urgente e Edward nos deitou com rapidez, girando para ficar sobre meu corpo, mas sem nunca separar nossas bocas. Uma de suas mãos apertava minha cintura enquanto a outra deslizava por meu corpo, se infiltrando por baixo do pano da sua camisa que eu vestia.
O beijo foi quebrado, porque precisávamos respirar, e ele desceu os lábios dando pequenos beijos por toda a pele do meu pescoço. Levei minhas mãos até seu peito nu e o acariciei sentindo todo seu corpo tremer em reação, passei meus braços por sua cintura e o apartei contra meu corpo com força.
Edward nos girou novamente, me deixando por cima e pegou meu rosto em suas mãos. "Você está bem?" seu olhar preocupado voltou.
"Estou." garanti, e então resolvi ser totalmente sincera. "Foi um enjôo, passou assim que vomitei, depois fiquei tonta quando me ergui para me escovar, mas fechei os olhos e logo passou também."
Ele assentiu, mas seu olhar sério não mudou.
"A tontura poderia não ter passado e então você podia ter desmaiado, Bella. E eu não iria perceber porque não estava lá. Sabe como eu me sentiria se acordasse depois e te encontrasse caída no chão do banheiro?" dor atravessou seu rosto. "Eu iria ficar desesperado, anjo."
"Eu sei, você está certo." cada palavra sua me fazia sentir mais errada e egoísta, eu não estava pensando em meu filho, em passar mal e ninguém ver, ou mesmo no fato de que Edward me encontrar desmaiada era realmente uma possibilidade.
"Eu sei que tenta me proteger, me poupar, e eu te amo por isso. Mas eu preciso saber tudo o que você sentir, pro seu bem, do nosso filho, e pro bem da minha própria sanidade, entende?"
Assenti, encostando minha cabeça em seu peito. "Eu entendo, prometo que não farei mais."
"Eu sei, amor." beijou meus cabelos. "Eu te amo."
"Também te amo." mais uma vez meus olhos marejaram e me perguntei se seria assim tão ridiculamente emotiva até o fim da gravidez. "Eu estou ficando uma chorona." reclamei escutando sua risada.
"Mas as grávidas são assim. Quero tanto ver sua barriga grande.” seu sorriso era enorme, me deixando ver sua felicidade.
"Vou ficar parecendo uma bolota." reclamei brincando.
"A minha bolota linda." Edward gargalhou, erguendo sua camisa que eu vestia e se abaixando para dar pequenos beijos na pele do meu estômago, descendo até meu baixo ventre.
"Se você diz." dei de ombros, sorrindo feito uma retardada, tanto, que sentia minhas bochechas doerem.
"Oi bebê, sua mãe está preocupada que você a deixe igual uma bolinha, mas eu acho que ela ficará linda." ele sussurrava com os lábios grudados em minha pele, me fazendo uma cosquinha boa. "Sabia que eu a conheço desde que ela era um bebê como você?"
Ergueu rapidamente o rosto, sorrindo para mim e logo voltando a atenção para minha barriga. Mais uma vez, os sintomas do sorriso idiota e bochechas dormentes eram sentidas por meu rosto.
Como não sorrir ao escutá-lo conversar com nosso filho daquela forma?
"Eu e a mamãe nos conhecemos há muito tempo e acho que posso te contar um segredo, não é? Promete guardá-lo?" dava pequenos beijos curtos em minha barriga. "Eu era apaixonado por ela desde pequeno."
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Pegou minha mão, tocou meu coração
Segurou-me perto, você sempre estava lá.
Ao meu lado, noite e dia
Através de tudo, aconteça o que acontecer.
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Ele riu e acabei fazendo mesmo. Suas palavras me fizeram lembrar de diversos momentos do nosso passado, das suas brigas e crises de ciúmes quando qualquer garoto chegava perto de mim.
Minhas bochechas ficavam cada vez mais dormentes. Eu não parava de sorrir.
"Sua mamãe era tão cega." ele me olhou com seu sorriso torto de proporções devastadoras. "Eu sempre a amei."
"Eu também. Sempre." garanti com toda a certeza, lembrando tudo o que passamos até chegar aqui. Pensar nisso só me dava a certeza que eu e Edward simplesmente tínhamos que ser. "Mas eu não era cega!" falei emburrada e ele riu, se erguendo para beijar meus lábios.
"Ceguinha." implicou com os lábios grudados nos meus. Puxei-o mais para perto por seu pescoço. "Você fica tão fodidamente sexy com minhas roupas, anjo..." suspirou. Suas mãos ergueram mais da camisa em meu corpo até chegarem aos meus seios que não estavam cobertos por nenhum sutiã. Edward gemeu em minha boca e respondi com outro gemido.
Passei minhas pernas ao redor de sua cintura, puxando-o para mais perto e gemendo seu nome ao sentir sua ereção e notar que ele estava apenas com a calça de moletom sem nada mais por baixo. Desci uma mão por seu tronco nu e quando cheguei ao cós de sua calça, ele me parou, pegando minha mão e a levando de volta ao seu pescoço.
Afastei meu rosto, meus olhos confusos com sua reação.
"Precisamos dormir, amor." sorriu pequeno. "Não fique com esse bico...," riu, me dando pequenos selinhos. "Você se sentiu mal há pouco, está pálida e seu rosto demonstra o seu cansaço."
Estreitei os olhos, aumentando meu bico como uma criança emburrada. "Se você não sabe Cullen, não se deve contrariar uma grávida."
Sua gargalhada alta quase me fez sair da minha pose e sorrir, eu disse quase.
Quando finalmente parou de rir, ele me fitou com os olhos brincalhões. "Quer dizer que temos uma chantagista aqui, hum?" mordeu o lóbulo da minha orelha e sussurrou me provocando arrepios. “Eu te amo, anjo.”
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Levado por uma onde de emoção, preso no centro da tempestade.
Mas sempre que você sorri, mal posso acreditar que você é minha
Acreditar que você é minha.
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EDWARD POV
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"Eu te amo, anjo." me afastei um pouco e beijei as maçãs do seu rosto, me sentindo mal ao notar suas olheiras profundas e seu rosto extremamente pálido.
Perguntei-me quantas noites Bella tinha se levantado passando mal sem que eu percebesse. Porque sim, eu a conhecia, e aquela definitivamente não havia sido a primeira vez. Entendo todo o seu cuidado em não me preocupar, sei que sua intenção era a melhor, mas não queria ser poupado de nada, principalmente ao que se referisse a ela e nosso filho.
Surpreendeu-me eu não ter notado quando ela saiu da cama e foi ao banheiro. Eu não acreditava que fosse pregar o olho em qualquer momento dessa noite, não depois de tudo o que descobri mais cedo no hospital quando fui para mais uma sessão da quimio. Esme fez questão de me acompanhar e concordei de pronto, agora mais do que nunca eu não queria Bella passando horas ao meu lado no Hospital.
Um dia após descobrir sobre o bebê, fiz questão de voltar à médica que confirmou a gravidez para me interar de todo o estado de sua saúde. A doutora frisou várias vezes o quanto era importante que Bella tomasse as vitaminas sem falhas e se mantivesse em absoluto repouso por conta da gravidez de risco e passar horas ao meu lado numa cadeira de Hospital desconfortável enquanto eu recebia os medicamentos da quimio não era a melhor forma de cumprir as recomendações médicas, e nem algo que eu aceitaria mais de forma alguma.
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Esse amor é inquebrável, é inconfundível
Toda vez que olho em seus olhos, eu sei o porquê.
Este amor é intocável, um sentimento que meu coração não pode negar.
Toda vez que olho em seus olhos, oh baby
Eu sei o porquê
Esse amor é inquebrável.
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Depois que voltei para casa hoje, tentei por várias vezes reunir coragem para contar à Bella o que Dr. Dane me informou, mas a coragem pareceu fugir de mim como a porra. Eu sabia que estava me comportando exatamente da mesma forma que ela, evitando dizer algo que sabia que a deixaria triste e preocupada.
Minha mãe já devia ter contado a meu pai e meus irmãos, ela estava comigo na hora que o Dr. Dane explicou sobre o resultado dos exames feitos dias atrás, mas pedi que todos ficassem de boca fechada até que eu mesmo contasse à Bella, não queria que ela soubesse por mais ninguém.
Apesar de ter evitado contá-la por várias horas, sabia que era o momento. Eu tinha acabado de chamar sua atenção há alguns minutos sobre ser sincera e dividir tudo comigo, precisava seguir minhas próprias palavras.
"Bella." sai de cima do seu corpo e deitei de lado, ela fez o mesmo me permitindo olhar bem em seus olhos. Bastou um olhar e ela percebeu que algo estava errado, era tão incrível o quanto nos conhecíamos. "Tem algo que soube hoje e preciso lhe dizer.
"O quê? Foi no hospital?" franziu o cenho, a voz nervosa. Uma de suas mãos foi até meu rosto e percebi o quanto ela tremia.
"Calma, anjo. Eu vou te contar tudo." coloquei minha mão sobre a sua, numa tentativa inútil de acalmá-la quando eu mesmo me sentia uma pilha. Não era nervosismo por mim, mas por ela e sua reação ao saber.
Passei um braço por sua cintura e a puxei para mim o máximo que foi possível.
"Lembra que vocês fizeram o exame para saber a compatibilidade de suas medulas com a minha?" resolvi começar pelo menos ruim.
Dias atrás, Dr. Dane solicitou que meus irmãos fossem ao Hospital para o exame de compatibilidade de medula, era apenas um procedimento de praxe para sabermos as chances de compatibilidade caso o tratamento com a quimio parasse de dar resultado.
Além de Emmet e Alice, Bella e seus pais também fizeram questão de passar pelo exame e hoje Dr. Scott me entregou os resultados, informando que nenhum deles preenchia os 100% de compatibilidade exigidos para um transplante ser possível. Isso não teria sido uma notícia tão ruim caso meus exames de rotina também não tivessem demonstrado que minhas células viam aos poucos parando de reagir ao tratamento como no início.
Como estudante de medicina, sabia que esse era a maior preocupação dos médicos durante a quimioterapia. Os exames para medir a reação do corpo ao tratamento eram feitos rotineiramente para o caso de os remédios não fazerem mais os efeitos desejados e ser preciso optar de imediato pelo transplante, mas, para tal, têm-se que achar ume medula compatível, o que definitivamente não é algo fácil, e ainda esperar que o sistema imunológico da pessoa não rejeite a medula transplantada.
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FLASHBACK ON
"Porque eu e meu marido não fomos chamados para fazer o exame de compatibilidade, Doutor?" Esme perguntou assim que Dr. Dane entrou com o resultado dos exames.
Eu precisava reconhecer que estava nervoso, mas agora já era. Independente do que sentisse, os exames tinham sido feitos e os resultados estavam prontos, não havia nada que eu pudesse fazer à respeito.
“O que acontece Srª Cullen é que, como o pai passa metade da herança genética ao filho, e a mãe outra metade, os dois são o que se chama de haploidênticos, pois têm apenas metade da informação genética do filho e não servem para doar."
"Eu não sabia disso." minha mãe afirmou surpresa. Eu já tinha essa informação das aulas de medicina, mas não era um assunto que eu dominava.
"Sim, nem todos conhecem essa informação. A possibilidade maior é encontrar um doador entre os irmãos. Como se trata de herança genética, a chance de ser compatível é de 25% por irmão. Portanto, quanto mais irmãos houver, maior a probabilidade de encontrar um doador nesse grupo familiar." Dr. Dane suspirou, me deixando mais nervoso enquanto olhava para os papéis dos exames em suas mãos. "Atualmente, porém, a tendência é existirem famílias cada vez menores. Por isso, entre 60% e 70% dos pacientes que necessitam de um transplante de medula óssea não encontram doadores entre os familiares e precisam tomar outras providências. Se fizer uma pesquisa em toda a família, a chamada busca na família estendida — tios, primos, etc. — a chance de encontrar alguém totalmente compatível é de 7% a 10%."
"E se os irmãos de Edward não forem compatíveis? Eu e meu marido não temos irmãos, nem família estendida." a nota de pânico na voz de Esme era visível. Sua preocupação era compreensível, realmente essas explicações sobre doação não eram animadoras.
"Se dentro da família não há um doador adequado, têm-se de recorrer aos registros de doadores voluntários, pessoas que se dispõem a doar uma pequena parte de sua medula óssea para qualquer paciente que necessite de um transplante desde que seja compatível com ele. Mas é difícil, imagina-se que em cada dez mil pessoas registradas, apenas uma será doadora, porque a probabilidade de encontrar alguém compatível fora da família é muito pequena."
Como disse, nada animador.
"Oh..." os olhos de minha mãe encheram de lágrima e me senti mal, resolvendo interferir.
"Esses sãos os resultados, não é?" indaguei, olhando fixamente os papéis em suas mãos. Dr. Dane assentiu confirmando. "O senhor já os abriu?"
"Não. Pensei que você pudesse querer fazê-lo também na companhia de seu pai que é médico."
"Não. Pode abrir logo." garanti, querendo acabar com aquela tensão de uma vez.
Esperei enquanto ele retirava os exames do envelope e os abria, lendo algo rapidamente.
"Infelizmente, Edward, os exames mostram que ninguém foi compatível." levantou o rosto em minha direção, me deixando ver o quanto sentia muito por mim.
Assenti, olhando para Esme e vendo que ela chorava mais. "Tudo bem, mãe. Está tudo bem."
O médico continuou explicando quais seriam os próximos procedimentos, mas tudo o que eu conseguia ver era olhar o rosto da minha mãe e me repudiar por quanto sofrimento via nele.
"Vou solicitar imediatamente que seu nome e suas informações sejam colocadas no bando de dados, para eventual necessidade. Você sabe que esse é o próximo passo, isso é um praxe, mas não temos certeza ainda se será mesmo necessário um transplante." disse a última parte olhando para Esme, tentando acalmá-la.
Eu assenti, mesmo sabendo que essa era uma grande possibilidade considerando que ele mesmo tinha dito mais cedo, quando cheguei ao Hospital e antes de iniciar a sessão da quimio, que os exames de rotina que fiz da última vez que estive aqui demonstraram que meu corpo não vinha reagindo como antes ao tratamento.
Antes de sair, Dr. Dane ainda fez questão de garantir que a atual situação não significava que seria necessário um transplante, ao menos não nesse momento.
Mas, ao contrário do que ele pudesse pensar, isso não era reconfortante, de maneira alguma.
FLASHBACK OFF
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Pegou minha mão, tocou meu coração
Segurou-me perto, você sempre estava lá.
Ao meu lado, noite e dia
Através de tudo, aconteça o que acontecer.
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"O que é, Edward? Porque não me diz de uma vez?" a voz de Bella me fez voltar ao presente.
"Nenhum de vocês é 100% compatível comigo." falei logo ao perceber seu nervosismo aumentar com minha hesitação.
"Mas... Isso era só um procedimento de rotina, você não precisa mesmo de transplante..." sua afirmação saiu mais como uma pergunta.
"Dr. Dane disse que não preciso, não agora pelo menos, mas os... exames de rotina que fiz da última vez, mostraram que meu corpo está reagindo menos aos medicamentos. Transplante é sim uma possibilidade, Bella." terminei tudo de uma vez, me matando ao ver a dor atravessar seu rosto.
Bella soluçou e a puxei com força para meus braços fazendo com que deitasse sua cabeça em meu peito. Ao primeiro soluço outros se seguiram e franzi o cenho me odiando por fazê-la chorar. Se eu pudesse, teria lhe escondido essa informação, mesmo sabendo que não era o certo, somente para não ter que ver seu sofrimento.
Estava juntando todas as forças que me restavam para impedir meu próprio choro. Não seria hipócrita ao ponto de afirmar não ter medo de morrer. Todo mundo, por mais que negue, sente esse medo. Afinal, a morte é algo desconhecido, e de alguma forma, todo ser-humano teme o desconhecido.
Mas, acima de tudo, minha dor era de pensar em não ver meu filho nascer, de não acompanhar seu crescimento ou poder criá-lo ao lado de Bella. Ter que deixar a ela e meu filho era o motivo da dor agonizante que se apoderava do meu peito sempre que pensava na possibilidade da morte.
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Dividimos as risadas, as lágrimas
Ambos sabemos, que continuaremos daqui.
Porque juntos... somos fortes
Em meus braços, é o seu lugar.
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“Shh, anjo. Está tudo bem, eu estou bem.” peguei seu rosto em minhas mãos e fiz com que me olhasse.
Seus olhos vermelhos e a dor presente neles fizeram da minha tarefa de segurar o choro impossível. Quando percebi, eram as mãos de Bella que limpavam minhas lágrimas.
"Por quê? Por que isso está acontecendo, Edward? Me desculpa por chorar... sou tão fraca, eu devia ser forte." ela balbuciava freneticamente entre o choro.
Puxei seu rosto para mais perto e beijei seus lábios, seus olhos, sua testa e todo o caminho de suas lágrimas.
"Você é forte... A pessoa mais forte que conheço." garanti pensando em todas as vezes que estive mal e Bella me ajudou, as vezes em que me viu chorar e acabou tendo que se comportar como a forte de nós dois. “Não sei por que isso está acontecendo, mas também não me interessa, não somos os primeiros e nem os últimos a passar por isso. Eu só quero que esteja ao meu lado. Sempre. Isso é tudo o que me importa."
"Eu vou... Não posso perder você, Edward..."
"Nem eu você..." beijei seus lábios e limpei suas lágrimas. "Mas não podemos nos desesperar, não sabemos o que vai acontecer, se precisarei mesmo de um transplante. E, se for mesmo o caso, vou enfrentar tudo, Bella. Eu não me importo de lutar, ainda mais agora..." sorri. "Por você e por nossa filha."
Ao pensar nas duas, eu só me sentia mais forte.
O sorriso pequeno que eu amava surgiu em seu rosto. "Nossa... filha? Mas quem disse que é uma menina, Cullen?"
Eu ri, feliz por ter conseguido dissipar um pouco que fosse a tensão.
"Eu já disse, anjo..." dei de ombros, sorrindo como um idiota. "Será uma menina de cabelos e olhos castanhos-chocolate." colei nossas testas e alisei seu nariz com o meu. "Uma miniaturazinha de Bella que eu vou amar mais que a mim mesmo, assim como amo a minha amendoeira."
Ela me escutava, rindo e chorando ao mesmo tempo, e eu só podia pensar o quanto a amava e o quanto queria estar vivo para vê-la segurar nossa filha em seus braços.
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Dividimos as risadas, as lágrimas
Ambos sabemos, que continuaremos daqui.
Porque juntos... somos fortes
Em meus braços, é o seu lugar.
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Esse amor é inquebrável
Ultrapassa fogo e chama
Quando tudo acabar, nosso amor ainda permanece.
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N/A: Eu não estudo medicina nem tenho qualquer experiência no caso abordado na história, porém, sempre antes de colocar qualquer coisa em minhas fics, procuro fazer diversas pesquisas para ser o mais de acordo com a realidade o possível. Ainda assim, sou leiga e posso ter cometido algum erro então me perdoem qualquer informação errada.
Acho importante dizer que as informações a cerca de transplante de medula e de compatibilidade eu consegui através de vários sites que pesquisei, mas principalmente nesseaqui.
Quando pensei em uma história que abordasse a Leucemia, não foi apenas porque achei uma idéia legal de se escrever, é um assunto que eu particularmente me interesso e acho de extrema importância as pessoas se inteirarem, principalmente a cerca de doação de medula, quais os procedimentos e como ser um doador. Por essa razão, vou transcrever aqui algo que achei importante e li nesse mesmo site que citei acima:
"As pessoas costumam confundir medula óssea com medula espinhal e temem ficar paraplégicas caso doem uma parte de sua medula. Outra dúvida é se a medula óssea pode ser doada mais de uma vez. Explicamos que, como a medula se recompõe após a doação, a pessoa pode doá-la tantas vezes quantas sejam necessárias, o que não é comum tendo em vista a dificuldade de servir como doadora.No entanto, se doar e, mais tarde, descobrir que um parente seu precisa de sua medula, ela pode doar novamente sem nenhum problema. Não há prejuízo nenhum para o doador, já que a medula se recompõe em poucos dias.
– O que deve fazer uma pessoa que deseja doar a medula óssea?
Deve-se dirigir-se ao Hemocentro mais próximo e dizer que deseja doar a medula. Uma enfermeira ou um médico vão explicar-lhe como funciona o procedimento. Depois disso, se a pessoa quiser realmente ser doadora, irá preencher um cadastro e coletar uma pequena amostra de sangue para um exame de tipagem do sangue, ou seja, um exame de compatibilidade, cujo resultado será encaminhado ao REDOME.
– A pessoa perde muito tempo para fazer isso?
Não perde. Em 15 a 20 minutos no máximo a pessoa consegue cadastrar-se como doadora. É muito pouco tempo diante do benefício que ela estará prestando a quem depende do transplante de medula óssea para viver. É importante deixar claro que a doação de medula é desprovida de qualquer complicação e que podemos doá-la sem que nos faça nenhuma falta. Doar a medula óssea é um procedimento simples que pode salvar uma vida.
A doação não traz nenhum risco para o doador, pois em pouco tempo sua medula estará completamente regenerada.
Notas finais
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Mesmo com a notícia triste do Edward espero de verdade que o capítulo tenha agradado.
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Por favor, vou ser repetitiva e pedir que as leitoras fantasmas comentem, só temos mais dois capítulos e o epílogo (chora) não custa nada deixar um review né flores?
Aproveito também para agradecer as que já fizeram isso, leitoras fantasmas saindo da moita me deixam muuuuito feliz! AUHAUA
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Enfim, comenteeeeeeeem, recomendem!
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Beeeeijos na bochecha,
Fran.
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Fui.
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