Por Acaso
49 Life
Notas iniciais
Pov Seline
O tempo passou e ninguém apareceu. Michonne, Andrea e eu fomos obrigadas a deixar a fazenda e seguir adiante. Todos os veículos disponíveis estavam sem gasolina então não tivemos opções se não ir caminhando.
Michonne não tocou no assunto dos zumbis acorrentados e resolvi não perguntar o motivo de ela carregar seu ex, literalmente, em uma coleira.
Já perdi as contas de o quanto caminhamos, não sei com precisão quanto tempo se passou, minha única referência é meu pequeno fruto crescendo dentro de mim a cada dia, me dando a esperança de que as coisas vão melhorar.
–Hei, vamos descansar um pouco por hoje, você não pode se esforçar muito Selene, sabe disso — Michonne falou, já ciente de minha gravidez. Não discuti com ela, embora não esteja cansada.
–Olha, você realmente acha que...
–PARADAS! — gritou alguém e só percebi de onde vinha quando o cano de um revolver tocou minha nuca. Levantei as mãos em rendição automaticamente temendo a vida de meu filho. É engraçado que uma pessoa que eu nem conheço ainda me faça agir de maneira tão protetora.
–Solte-a -Andrea falou com o homem que me segurava.
–Sem chances. Eu realmente não queria apelar para este tipo de situação mas a fome não da trégua, então não me façam perder saliva. Passem tudo o que tiverem, inclusive a espada — falou o homem.
– Você é burro ou o que? Realmente acha que vai sair vivo dessa? — perguntei sarcasticamente.
–Cala a boca sua vadia! -
Demorou menos de dois segundos e pude ouvir seu grito, mas o motivo não foi a bala que Andrea mirava em sua testa, nem mesmo a lâmina que eu havia acabado de pegar, disfarçadamente, da cintura, e sim um zumbi arrancando a carne de seu braço. O homem me soltou para matar o zumbi e eu aproveitei a deixa para escapar, mas antes que eu pudesse reagir o senti desferir a arma contra minha nuca e tudo que pude ver enquanto caia é que me aproximava de uma pedra, isso ia doer, ia doer muito, mas eu já não estava consciente quando cai contra ela.
Acordei desnorteada, podia ouvir algumas vozes ao fundo mas nada que eu pudesse distinguir.
–Ela já... esta desmaiada a muito tempo, Andrea.
–Temos que .... certificar que o bebe esta bem.
–Cheque o pulso dela!
E então as vozes ficaram mais perto, conforme eu me aproximava da superfície. Tentei abrir meus olhos mas a claridade os feriu, não reconheci o lugar mas tenho certeza de que ouvi a voz de Michonne, mas não era ela quem estava em minha frente e sim uma loira de olhos azuis da qual eu não conhecia.
–Selene, finalmente, como se sente? — Ela perguntou.
–Eu...eu... Quem é você? -
– Droga! — ouvi Michonne reclamar e tentei localiza-la mas minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento.
– Parece que afetou os tecidos cerebrais — A loira falou com uma cara não muito agradável. E então Michonne entrou em meu campo de vista.
– Ei, lembra de mim? -
–Claro que lembro de você, quem é ela? O que esta acontecendo aqui? Aliás onde é aqui?
– Aparentemente ela consegue se lembrar de alguns fatos ,acredito que vá voltar ao normal conforme o tempo for passando ,mas não sou médica, então... — Falou a loira me ignorando completamente.
– Eu vou falar com ela — Michonne disse e se abaixou em minha frente — Do que você se lembra?
Tentei me lembrar,mas sentia como se estivesse sem as peças para completar o quebra-cabeças.
–Eu lembro do pai, da nossa briga quando ele me expulsou de casa, lembro da confusão com os mortos ,lembro... da Julia! Onde ela está?!Eu preciso vê-la prometi que lhe daria doces, eu tenho que.... — falei tentando me levantar mais Michonne me prendeu no chão.
–Selene, eu não sei como te dizer isso mas... a Julia morreu, e já faz um tempinho ja...
– O QUÊ?!?!?!?! Não pode ser, ela estava bem, ela ficou no banheiro com a porta trancada eu me lembro disso eu me certifiquei de que estava tudo bem, eu prometi que a manteria a salvo, como isso poderia ter acontecido? — Perguntei abismada
–Só tem mais uma coisinha...
–O que foi ?
–Você está grávida!
–O QUÊ?!
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