Por Acaso
50 Tommy e Gina
Notas iniciais
Tudo bem as coisas estão um caos. Estamos caminhando a vários dias a fio, paramos apenas para dormir e comer, a exaustão misturada a confusão me atormentam a cada passo, a cada suspiro, a cada zumbi que tenho que matar.Seria tão mais fácil se eu ao menos tivesse acesso as minhas memorias. Tudo o que tenho para me basear é uma flecha dentro da mochila que carrego em meio a essa floresta sem fim. Mas o que ela pode significar afinal? Nada, ela não pode me explicar nada. De nada serve. Não bastasse eu estar grávida de alguém que eu sequer lembro, ainda tenho que enfrentar esse buraco em meu peito que nem sei como se abriu. Já implorei para Michonne para que ela me desse ao menos alguma característica do pai de meu filho mas ela diz que não o conheceu, que não faz a minima ideia de como ele é , e de uns tempos para cá tenho me mantido distante de Andrea, seu mal humor e sua fé de que é a mulher maravilha tem me feito querer soca-la , para dizer o minimo.
E a cada dia andamos e andamos, sempre em frente, sempre andando. A cada dia que sobrevivemos somos obrigadas a matar, a levantar e a seguir em frente. E a cada curva, cada trilha, esses mortos aparecem grunhem como os demônios que são. Eu já matei tantos e ele continuam aparecendo, continuam com sua fome interminável e com seus passos arrastados. Sinto como se o próprio diabo estivesse brincando comigo, se divertindo a cada cranio que perfuro, a cada fraquejo ele canta e sorri adorando me lembrar que possui um estoque infinito desses monstros. Me desafiando a ir além, a ver até onde consigo seguir até cair, mas eu não faço nada além de matar e seguir adiante, então eu apenas sigo andando , sempre em frente, sempre andando.
— Vamos ficar por aqui hoje — Michonne decreta parando. Eu nada disse, afinal que diferença faria?
Não era nenhum lugar especial, era apenas mato e árvores, assim como toda essa imensidão verde a qual exploramos durante todos esses dias. Começamos a organizar um acampamento improvisado, cercamos com arame e penduramos latas, para fazer barulho caso algum demônio pretenda vigiar nosso sono a noite.
— Estamos perto da cidade , e pelo meus cálculos estamos a poucos dias do inverno. Teremos que achar algum lugar fixo para ficar. Não vamos sobreviver aqui fora no inverno e precisamos de comida logo. Esses são nossos últimos enlatados — Michonne explicou.
Apenas assenti e me deitei para dormir, tentando inutilmente não ouvir o grunhir dos zumbis na coleira que Michonne carrega.
Pov Daryl
Desde que Rick surtou as coisas mudaram. Pulamos de casa em casa, nunca ficando mais de uma noite em uma casa. Há zumbis por todo o lado, e em certo dia batemos um uma manada com quase cento e cinquenta zumbis. A coisa ficou feia e escapamos por pouco. Os suprimentos estão chegando ao fim e as casas que entramos estão vazias. a Barriga da Lori não para de crescer, fazendo com que todos fiquemos preocupados para o momento de ela dar a luz. Fico me perguntando se minha garota estaria assustada como a Lori, passo os dias imaginando como ela reagiria, como ela lidaria com cada situação que passamos e procuro fazer o que acredito que ela faria.
— Hei, Daryl — Rick chamou. Levantei do meu posto a contra gosto e fui em sua direção
— O que foi? — perguntei quando o encontrei.
— Estamos sem alimentos, mas estamos perto da cidade, eu estava pensando que podiamos ir até lá pela manhã e ver se achamos alguma comida ou munição — Rick falou.
—Pode ser uma boa, vasculhamos apenas um lado da cidade, pode ser que tenha algum mantimento ao lado norte da cidade. Mas acho que vai ser melhor você ficar por aqui. Estão todos cansados e famintos, nem quero saber o que essa gente vai fazer caso acabem sozinhas com algum zumbi — falei.
— Você quer ir sozinho? — Rick perguntou cético.
— Não, eu vou chamar o china. A gente vasculha as coisas enquanto você lidera esse pessoal — informei e acenei indo para meu posto de volta. Parece que vou ter uma manhã agitada.
Pov Seline
Acordei um barulho de latas se batendo e com alguém mexendo no meu pé. Resmunguei e bati os pés tentando espantar quem quer que fosse, para logo após ouvir um rosnar. Abri os olhos rapidamente e olhei para os meus pés onde um zumbi tentava a todo o custo arrancar o couro dos meus coturnos para provar um pouco de carne fresca. Gritei e comecei tentar puxar a minha perna, e quando finalmente o zumbi a soltou o chutei com força no queixo fazendo com que o mesmo caisse para trás encima do arame, produzindo barulho o suficiente para acordar Michonne e Andrea. Me arrastei até a minha espada com o zumbi vindo logo atrás de mim, a assim que a peguei me virei de barriga para cima dando um golpe que partiu o zumbi ao meio e me lavou com seu sangue. Levantei olhando em volta procurando por mais visitantes , mas só havia aquele. Suspirei aliviada enquanto Andrea e Michonne me olhavam assustadas. Cravei a espada na cabeça do infeliz que ainda se contorcia no chão, utilizando seus braços para movimentar sua carcaça podre em minha direção.
Após todos os acontecimentos inesperados , marchamos em direção a cidade, e novamente estavamos apenas caminhando. Mas nem tudo saiu como planejado. Quando chegamos na cidade encontramos um carro rodeado de zumbis e um homem fazendo tudo o que podia para chamar a atenção dos zumbis para si. Eu não fazia ideia de quem era aquele homem, mas meu corpo agiu antes que meu cérebro processasse todas as informações. Em um momento estávamos assistindo aquela cena e no minuto seguinte eu estava perfurando o cranio de alguns zumbis. Logo Andrea e Michonne estavam me ajudando e em pouco tempo havia uma duzia de cadáveres atirados no chão. Dentro do carro estava uma mulher e um garotinho, um agarrado ao outro. Ambas apavoradas o suficiente para não perceber a nossa presença. Logo o homem que antes gritava em plenos pulmões estava se dirigindo a nós.
—Quem são você? — perguntou prestes a levantar a arma que carregava em punho. Ergui minha espada antes disso.
— Devagar ai mocinho —
— Mocinho? Você por acaso sabe quantos anos eu tenho?! — falou exaltado.
— Oh perdoe-me senhor testiculos de dinossauro. Agora diga-me, quem são vocês? -perguntei sem abaixar a espada.
— Meu nome é Tommy e aquela dentro do carro é minha esposa Gina e nosso filho Frankie — o homem falou aparentemente exausto — Por favor, levem o que quiserem mas não nos mate — implorou. Troquei um olhar com Michonne.
— Não vamos mata-los, apenas o ajudamos. Acho que um obrigado já seria o suficiente — Andrea falou. Mas logo avistamos que pelo menos duas duzias de zumbis vinham em nossa direção atraídos pelo barulho.
— Droga, temos que ir — Falei ja me preparando para correr.
— Esperem, nós podemos ir com vocês? — o homem perguntou desesperado. Michonne me olhou deixando claro que não aprovava isso.
— Merda, vamos logo — Falei correndo em direção ao primeiro predio que vi. Entramos todos e demos a sorte do predio estar limpo.
— Apenas se mantenham em silêncio — Falei enquanto nos atirávamos no chão de um escritório abandonado. O homem e sua esposa e filho se mantiveram em silêncio encolhidos e abraçados em um canto, enquanto eu me mantinha sentada com Andrea a poucos metros de distancia e Michonne ficou o tempo todo de olho na janela, observando os mortos passarem, com os seus demônios de estimação do lado de fora do escritório.
E então, eu senti algo estranho. Era como se eu soubesse que o que eu precisava para preencher o buraco em meu peito estivesse perto, mas o cansaço e a fome acabaram me vencendo e eu acabei desmaiando.
Pov Daryl
Eu e o china viemos a cidade como o combinado, mas as coisas saíram do controle, quando menos esperávamos a cidade ficou com mais de vinte zumbis perambulando pelas ruas. Acabamos por ficar presos dentro de um mini mercado. Conseguimos encher as mochilas com muita comida e água, mas em compensação não seria nada fácil sair dessa cidade agora. Mas algo me fazia sentir esperança, alguma coisa me dizia para seguir em frente para vasculhar os outros edifícios, como se eu fosse encontrar algo importante, eu sentia euforia e satisfação, algo parecido com estar perto da vitória. Algo me dizia para continuar vasculhando, talvez a farmácia e a loja de brinquedos ao lado do mercado, ou até mesmo ir mais além e atravessar o exercito de zumbis e ir até o escritório do outro lado da rua. Mas contrariando todos os meus instintos eu me virei e guiei Gleen até a saída dos fundos do mercado, onde chegamos ao carro e voltamos para o nosso pessoal.

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