Polly

4 Surpresas


Notas iniciais
Olá! Primeiramente peço perdão pela demora. Espero que gostem desse capítulo, pois ele toma alguns rumos investigativos. Meus conhecimentos de investigação andam enferrujados, então se por ventura acharem que não é verossímil, não hesitem em me dizer e se puderem, dar uma dica também. Sobre a fuga da Polly, vou dizer que tentarei editar os capítulos anteriores e explicar isso melhor. No entanto, esse período vai ser mais explícito na 2ª parte do livro, quando a Polly narrar. Agorachega de tanta falação(rsrs)!. Espero que gostem! Boa leitura!

Estou sem reação. Meus olhos parecem ter se esquecido de como exercer a função de piscar, e por mais que meus pulmões precisem de ar, eles estão tão perplexos quanto eu. Sinto os olhares confusos da turma. Tento continuar a chamada, mas a caneta parece hesitante.

– Está surdo, professor? Ela disse: P-R-E-S-E-N-T-E. – A atrevida Nina interveio.

Garota perigosa essa Nina. Devia ter cuidado dela quando tive a chance. Mas agora, devo prosseguir com a chamada. Digo o nome das outras alunas, e elas me respondem num tom igualmente suspeito.

– Err... abram os seus livros na página 107...

Meu esforço para seguir normalmente com a aula é perceptivo, mas a curiosidade das alunas com a volta de Polly é maior ainda.

–Silêncio por favor. – Quase suplico.

Embora meu maior desejo seja que tudo volte ao normal, sinto que esse dia acordou propenso para surpresas. E uma delas acaba de irromper a sala. Um garoto que esbanja audácia, mas carece de educação. Lembrando que não é muito comum um garoto num colégio só para garotas.

– Em que posso ajudar? – Me dirijo a ele, mas a julgar pelos olhos verde-escuros faiscando de ódio, não há nada que eu possa fazer.

– Tenho que falar com a minha irmã. Nina. – Ele diz, áspero.

Não pude conter o riso. Era impossível acreditar em tal afirmação. Irmão de Nina? Não faz sentido algum. A pele morena nada parecia com o amarelo oriental de Nina. O corpo grande e másculo não coincide com o pequeno, magro e frágil corpo dela. O cabelo com threads também não combina com as finas madeixas negras de Nina. E nos olhos é onde se encontra a maior diferença. Nada de oriental nos olhos do rapaz.

– O que é tão engraçado? – Nina pergunta irritada. Agora ao lado do suposto irmão, as diferenças são ainda mais notáveis.

–Nada demais. Vocês são mesmo irmãos?

Eles parecem irritados, e algo me diz que não é a primeira vez que lhe perguntam isso.

– Isso é bem típico dele. – Nina murmura para o irmão, batendo a porta e abandonando a sala de aula. Também não faço eu questão da sua presença. Tenho problemas maiores me esperando lá no fundo.

***

Tento ignorar ao máximo a presença de Polly dentro de sala, mas é inevitável. Perco-me na matéria diversas vezes, imaginando o que ela teria em mente. Será que planeja me entregar? Não, não posso permitir isso. E já sei o que vou fazer. Algo que eu deveria ter feito muito antes de deixá-la escapar.

A aula é interrompida pelo sinal, e Nina me faz o grande favor de não voltar. Posso perceber o medo em Polly, que luta para sair da sala. Mas há um grande bolo xadrez que a atrapalha. E antes que ela possa fugir de mim outra vez, eu a impeço socando a parede ao seu lado. Seu rosto está da cor do papel.

– Não tão rápido, criança. – Eu a pressiono contra a parede e aproximo-me mais. Ela vira o rosto ao ter contato com meu hálito.

– É melhor me deixar ir ou então eu vou gritar! ­–Ela me confronta, trêmula de medo.

Sem pensar lhe apresento o peso da minha mão, silenciando-a depois do golpe violento. Posso sentir o cheiro de Nina em sua atitude atrevida.

Observando pela fresta da porta eu espero o corredor se esvaziar lentamente. E depois que todos os professores foram para a sala dos professores, e todas as alunas foram se divertir no pátio, a única presença no corredor é a do silêncio. Minha mão está molhada graças as lágrimas de Polly quando volto minha atenção a ela.

– É melhor ficar bem quieta. Ninguém se machuca se a senhorita se comportar.

– Eu só quero que me deixe em paz, droga! – Ela diz entre soluços.

– E eu vou deixar, se me prometer o seu silêncio.

Ela parece hesitante em ficar calada. Imagino que deva ter suspeitas para com a minha palavra. E deveria mesmo. Eu não vou desistir dela assim tão fácil.

Perco a paciência e agarro seus formosos cachos.

– Pense bem, Polly. Outras pessoas irão pagar por sua teimosia. Nina, por exemplo, tem lá os seus charmes. Embora talvez eu tenha que ser um pouco mais duro com ela.

Acendo uma faísca de fúria em seu interior que se propaga até explodir.

– Nem pense em encostar um dedo nela, seu doente! – Uma Polly possessa de raiva me ataca em vão.

– Calma, anjo caído. Ainda há outras pessoas. Pelo visto tens um coração bem grande. O que os seus pais achariam disso?

Ela não tem resposta.

– E o colégio, acha mesmo que vai acreditar na sua palavra? Ainda mais depois daquele surto. Se esqueceu que esse colégio tem uma tradição? Há mais sujeira embaixo do tapete do Bertha Fritz do que sonha a nossa vã inocência. – Digo, lembrando do velho e suspeito faxineiro do colégio.

­–Está bem! Eu não conto nada! Mas deixe-os em paz! ­– Ela suplica desesperada.

– Assim que eu gosto. – Deslizo minha mão pelo seu rosto rubro e molhado. ­– Não quero ouvir uma só palavra do que aconteceu aquela tarde, entendeu?

Ela concorda com a cabeça, e eu retribuo com um sorriso vencedor. Lentamente eu deslizo minhas mãos até as coxas. Gestos de costume.

– Boa menina. – Sussurro em seu ouvido. –Isso poderia ter sido diferente, sabia? – Eu me aproximo cada vez mais, e eu me pergunto o quanto alguém pode chorar.

– Não, por favor, não. – Sua voz sai estrangulada pelo pranto.

– Está bem, querida. Pode ir.

Ela luta para se livrar dos meus braços, e mais uma vez eu a deixo escapar.

–Aprecie a liberdade, querida. Por enquanto.

***

Tenho conhecimento do perigo dos meus atos. Se alguém nos encontrasse naquela sala seria o meu fim, sem dúvida. Mas consegui o que queria. Deixar Polly com medo. Com as minhas ameaças ela permaneceria calada, tenho certeza disso.

E pensar que deixei a Polly que nada teme com medo. No entanto não me sinto surpreso. Ela já não é a mesma, tenho certeza disso. Assim como tenho certeza de que não me denunciará. É bom estar no controle novamente. Tenho até a leve impressão de que a sorte beijara o meu rosto, mas é apenas Edith.

– Bom dia. – Ela diz sorridente.

– Bom dia. – Digo sem muito entusiasmo.

– Estou indo agora mesmo conversar com a Pollyana. Saber o que está acontecendo, e quem sabe orientá-la.

– Boa sorte. – Digo, esforçando-me para parecer preocupado com Edith.

– Pensei na viagem. Ela estava bem animada para ir, lembra?

Como poderia esquecer? Foi como tudo começou.

– Lembro sim. Mas tem certeza que ela está bem para viajar?

– Claro! Aliás, acho que será uma ótima terapia. Talvez esse surto seja por causa de pressão demais.

Tenho que concordar.

– Tem razão. Bom, faça o melhor. Mas lembre-se em quem realmente deve confiar. ­–Beijo de leve a sua testa.

– Claro. Nos vemos mais tarde?

– Mais tarde então. – Confirmo sem muito interesse.

Ainda não consigo me sentir atraído por Edith, e nem sei se algum dia estarei. Quando estou com ela penso em Polly, embora as diferenças sejam exorbitantes. Mas sinto que esta confusão está para acabar. E em breve meu romance com Edith também.

***

Ao cair da tarde não vejo sombra alguma de Polly ou Nina. Mas pouco me importa agora. Tão boa a sensação de solidão. Sou sempre o primeiro professor a ir embora, e o estacionamento está sempre solitário. Apenas os carros e eu. Uma calmaria mórbida.

Mas infelizmente meu prazer proveniente da solidão é interrompido por um toque irritante de dedos em meu ombro. Viro-me impaciente esperando por Edith, mas o inesperado soco que me obriga a beijar o chão me faz sentir pela primeira vez a sua falta.

– Qual o seu problema?! – Digo limpando o sangue escorrendo dos meus lábios.

O agressor agarra meu suéter e me põe de pé novamente. Só então posso perceber que o atacante é o irmão de Nina, que por sinal observa a cena contente ao seu lado. De braços cruzados, uma pose especialmente Nina. Agora entendo o real motivo da sua visita. Um dia cheio de surpresas, não?

– Você é o problema, seu monstro imundo. Tem ideia do quanto eu te enojo? Tenho nojo do seu nome, do seu cheiro, do seu bafo. Mas nojo maior é saber o que você fez a ela, seu porco imundo!

Incapacitado de me defender recebo todos os murros, chutes, pontapés, e toda arte de luta que o rapaz consegue jogar em mim. E pela intensidade das dores, sinto que estou lidando com um profissional.

– Iam, pode parar agora. Ainda precisamos dele vivo. ­–Nina ordena sem sair de sua pose superior. Feito uma máquina seu suposto irmão obedece aos seus comandos, mas ainda me mantém preso.

– Eu posso saber o que está acontecendo?! – Pergunto em voz alta devido à adrenalina. Mas eu já sei a resposta. Um passarinho chamado Polly abriu o seu bico.

– Você sabe muito bem o que está acontecendo. E é melhor parar com as farsas. Isso aqui foi só uma amostra. Agora entre no carro. ­– Nina ordena, e rapidamente seu irmão me joga para dentro do meu carro.

­– As chaves! – Ela grita, enfiando as mãos nos meus bolsos. Não vejo outra saída a não ser entregar as minhas chaves.

Iam rapidamente toma o meu lugar no carro, e começa a nos levar para fora da escola. Sinto o pânico tomar o meu corpo. Não sei o que farão comigo, e provavelmente essa pode ser a minha última viagem.

– Para onde estão me levando? ­– Pergunto assustado.

E os dois se viram para mim e respondem com prazer e raiva:

– Para a delegacia.

***

O caminho até a delegacia e curto, mas o bastante para perceber que Iam é um péssimo motorista. Por um milagre chegamos vivos, mas posso sentir o gosto do meu coração na boca. Nina me fuzila com os olhos, como se eu fosse fugir a qualquer momento. Tudo que me resta é pensar em qualquer plano absurdo que essas crianças planejaram para me pegar.

Quando enfim saímos do carro eu os confronto.

– Então, qual é o plano? – Pergunto como se estivéssemos em uma aventura.

– Você vai entrar lá e confessar o que aconteceu naquela tarde. Apenas.

Quem se pronuncia é Nina, o que me deixa desapontado. Francamente esperava um plano melhor vindo dela. O que me leva a crer que, em se tratando de inimigas ou meras pessoas, nunca as subestime, mas também nunca as superestimem.

– E seu eu não concordar com essa ideia genial...?

– Eu acabo contigo. – Iam me ameaça com seu timbre forte.

– Eu deveria sentir medo? – Provoco-o.

Iam cerra as mãos em punho pronto para me acertar novamente, mas Nina segura a sua mão.

­– Não faça muitos estragos no rosto dele, ou senão eles irão desconfiar. ­– Ela sussurra para o irmão.

– Finalmente algo sábio estilo Nina. – Digo com desdém.

– Não subestime o meu irmão, professor. Ele é um grande lutador. Pratica boxe, jiu-jitsu, além de dominar várias técnicas de defesa pessoal. Entre outros estilos de luta futuros, não é irmãozinho? – Ela diz toda orgulhosa. Assim como o médico e o seu monstro. – Eu sentiria medo em seu lugar.

Nina não economiza ao ressaltar as qualidades do irmão, e não há dúvidas do seu talento para lutas. E apesar de mistura mortífera da força de Iam e a sagacidade de Nina, nada disso me causa medo. Muito pelo contrário. Agora sinto o cheiro do desafio, e o simples aroma me deixa ansioso para o fim deste caso.

– Se os dois irmãozinhos acham que isso é o bastante para me colocar atrás das grades, então prossigo. – Digo com desdém.

Imediatamente duas mãos agarram os meus braços e me guiam até a entrada da delegacia, como se eu fosse incapacitado de andar com meus próprios pés.

Nossa súbita entrada destrói toda a serenidade e o silêncio presentes na delegacia. Todos os olhares se viram para nós, e eu me sinto o centro das atenções naquela sala fria. O delegado vem até nós com cara de poucos amigos.

– Eu posso saber o que está acontecendo aqui? – Ele diz. Uma voz cansada devido à idade.

–Pode e deve. Viemos fazer uma denúncia e este aqui vai confessar tudo. ­– Nina diz acusando-me.

O delegado parece cansado e confuso.

– Venham até a minha mesa e expliquem isso melhor.

Ele nos conduz até o local. Nina e Iam ainda insistem em me arrastar pelos braços, como se eu fosse fugir. Coisa que obviamente não irei fazer. Fugir da polícia é o mesmo que assinar atestado de culpa. Mesmo se for inocente, o que não é o meu caso.

Sentamos nas cadeiras frágeis ao redor da mesa do delegado. Ele recosta-se em sua poltrona de couro, e decide dedilhar os dedos na mesa cheia de papeis, reproduzindo um ruído incrivelmente irritante.

– Agora por favor, expliquem-se.

Permaneço quieto, pois é Nina quem começa a narrar meu ato cruel. Concentro-me na sua voz para fugir do barulho irritante dos dedos do delegado.

– Pois não, delegado. Ela foi estuprada por esse aqui. O seu professor! – Ela corta o eufemismo e vai direto ao ponto, jorrando uma torrente de insultos para com a minha pessoa, vergonhosos demais para se repetir.

O delegado para seu balé de dedos e olha para Nina com o cenho franzido.

– Olhe o vocabulário, guria. Está ciente do quão grave é essa acusação? – Ele diz, olhando profundamente nos seus olhos.

– Mais grave ainda é o estado de Polly. Desde aquela tarde em que foi à casa dele ela não é mais a mesma. – Sinto uma tristeza profunda em sua voz.

Nisso sou obrigado a concordar em pensamento. Até porque, Nina acaba de me ajudar.

– Espere um minuto. Então quer dizer que ela foi à casa dele por vontade própria?

– Sim, mas...

– E o senhor Marcus? O que tem a nos dizer sobre isso?

– Em minha defesa digo que tudo isso não passa de uma grande mentira.

Posso sentir os olhos de Iam me fuzilando, e eu sei que eu não disser a verdade ele vai me matar.

– Mas é claro que ele ia dizer isso! Escute delegado, minha amiga foi estuprada! Não acredito que vai deixar que ele continue dando aulas. Ela não se sente segura nem na própria escola! ­– Nina começa a se exaltar.

– Então por que ela mesma não está aqui, fazendo ela mesma a denúncia?

– Porque ele a ameaçou!

– Ela te disse isso?

– Bem, não. Mas eu sei que foi.

Uma ampulheta ao lado do delegado parece determinar o seu nível de paciência. E pelo visto ela está se esvaindo... até se esgotar de vez.

– Senhorita, será que pode me dizer o que exatamente Pollyana lhe contou?

– Claro. Depois que ela surtou e foi suspensa, ela voltou ao colégio. Nós dividimos o mesmo quarto, e no meio da noite ela acordou assustada. Tinha tido um pesadelo. Eu perguntei o que havia acontecido, e ela me contou tudo que realmente aconteceu naquela tarde, na casa do professor.

E então Nina narrou minha inesquecível tarde com riqueza de detalhes, e com uma boa dose de drama digno de uma tragédia shakespeariana. Era boa com a fala; deveria ser atriz. Esforcei-me para esconder minha expressão de prazer ao ter a imagem daquela tarde relembrada.

– Desde então ela não é mais a mesma. O que isso aparenta para o senhor? – Iam enfim se manifesta.

O delegado não é muito convincente, e muito menos convencido.

– Ainda não posso dizer nada, meu jovem. Ao que parece vocês não entendem como funcionam as coisas. Não há provas que comprovem essa história. Eu preciso do depoimento da vítima. Nem posso ao certo afirmar se ela foi estuprada ou não. Um teste, ou até mesmo as roupas que ela usou no dia poderão confirmar. Não há testemunhas ao que parece, e se o suposto estupro aconteceu na casa do professor, eu também não poderia investigar, pois não tenho essa permissão. A menos que o professor me permita, é claro.

– Se isso for provar a minha inocência, pode investigar. Não tenho nada a esconder. – Digo convicto.

– No entanto, – E agora ele se vira para mim– se essa história for comprovada, o professor pode esperar o pior.

Dou de ombros revelando a leveza de uma consciência aparentemente tranquila nas costas.

– Então é um beco sem saída? – Nina pergunta desacreditada.

– Creio que sim. A menos que o senhor Marcus tenha algo a nos dizer.

Sinto todos os olhares virados para mim, e concentro meus olhos na ampulheta para não enfrentá-los. Posso sentir o grande desejo de Iam pelo meu sangue. Eu sei que ele irá atrás de mim. Eu posso não sobreviver.

Mas ele também não sairá ileso.

– Eu volto a repetir, delegado. Eu sou inocente. E acho que está na hora de contar a minha versão da história.

– Sinta-se a vontade. – Diz o delegado, e sinto que ele está tomando interesse pelo caso.

– Depois daquela tarde, eu percebi que Pollyana é uma jovem perturbada.– Comecei.

– O quê?!– Iam começa a se levantar.

–Sente-se e controle-se, criança. – O delegado ordena. – Continue professor.

– Eu lhe dei uma carona, pois ela mentiu sobre uma doença do pai. Foi então que ela tentou se aproximar de mim de outra forma, se é que me entende. Eu recusei, é claro. Uma criança! Imaginem! Nunca pensei nela dessa forma. Aliás, sempre gostei de mulheres mais experientes. Sei que é difícil de acreditar, mas é verdade. Não sei se ela tem algum interesse em mim, ou é apenas uma conspiração para me prejudicar. Sinceramente eu estou confuso! – Desabafo.

– E o que ela fez quando a recusou? – O delegado faz pouco caso para com meus sentimentos. Mundo frio e calculista este em que vivemos...

– Ela surtou e fugiu. Eu até tentei ir atrás dela para ajudá-la, mas a perdi de vista. Até pensei em ligar para o colégio, mas não queria lhe causar problemas. Então liguei para Edith, uma colega de trabalho, para que me ajudasse. Se quiser pode perguntar a ela, e ela confirmará.

– E mentira! – Iam explodiu do meu lado, jogando a carcaça da cadeira para outro canto da sala. E com incrível rapidez ele cravou seus dedos ao redor do meu pescoço.

– Controle-se agora ou irei prendê-lo! – O delegado se manifesta salvando minha vida.

– Por favor, delegado! Não pode acreditar numa história dessas!

O delegado se vê dividido por três. Imagino que esse seja o caso mais confuso nos seus últimos dias.

– As duas histórias me parecem absurdas. Preciso averiguar isso com mais calma. Mas uma coisa me deixou curioso. Senhor Marcus, se é tão inocente quanto diz, o que faz aqui?

Seria oportuno acusá-los de violência e sequestro. Nina burlou pelo menos umas cinco leis do colégio, e poderá ser expulsa se eu quiser ou não. No entanto, deixo uma carta na manga para se usada depois.

– Por causa desses dois. Disseram que era uma emergência, então eu vim.

O delegado olha para os dois irmãos, decepcionado.

– Estou vendo que tentaram forjar uma confissão. Isso é feio, muito feio. Tão feio quanto o rosto inchado de Marcus, fruto de alguma briga, creio eu. – O delegado então era mais esperto do que imaginávamos.

– Por favor, senhor. Só queremos ajudar a nossa amiga! Não pode permitir que ele continue livre. – Nina tinha o choro morto na voz.

– Basta! Não posso prometer nada. Porém, irei investigar isso a fundo. Até lá, não há nada que possam fazer a não ser sair da minha delegacia.

***

Nós três deixamos a delegacia cabisbaixos, mas com sentimentos diferentes. Nina estava triste por não conseguir vencer; Iam estava tremendo de raiva por falhar em proteger Polly. E eu me sentia aliviado por mais uma vez conseguir escapar da polícia.

Apesar de todo ódio, Iam tentava concentrá-lo para não acabar comigo ali mesmo, na delegacia.Sei que seu ódio por mim é inflamável. Basta apenas uma faísca para ocorrer a combustão.

– Então... já que hoje não passarei a noite na cadeia, onde estão minhas chaves? – Pergunto normalmente, o que o deixa doente de raiva.

Sem pensar duas vezes, Iam avança em mim com toda a sua raiva, despertando a atenção dos policiais.

– Iam! – Nina grita assustada tentando interceptá-lo, ou pelo menos interceptar metade dele.

– O que está acontecendo aí? – Um dos policiais se aproximava.

– Não é nada. Só estamos brincando. – Digo sorrindo para o policial. – Tire suas mãos de mim. – Eu sussurro para Iam, mas não sinto-o vacilar.

– Iam, solte-o. – Nina ordena sem tirar os olhos dos policiais.

Ele me solta imediatamente, e sem tirar os olhos furiosos de mim, joga com força as chaves no meu rosto. Recolho-as e logo me viro para os dois.

– Então esse era o plano incrível que tinha em mente? Francamente Nina. Eu esperava mais. Falo como seu professor.

Nina prefere não olhar no meu rosto.

– Cometeu um grande erro, professor. Deveria ter confessado. E vai, porque eu vou acabar contigo!

– Pode acabar comigo, mas eu não vou confessar nada. E você vai preso, onde é o seu lugar. Vocês praticamente me sequestraram! Deveriam me agradecer por ficar quieto. Uma simples ligação e é expulsão na hora, ouviu Nina?

Ela finge indiferença mas sei que está temerosa. Não esperava que a primeira fase do seu plano falhasse.

– Isso não acabou aqui. – Iam proferiu.

Mas eu não dei ouvidos. Liguei o carro e lhes dei as costas. Numa coisa eles tinham razão: não acabou ainda. O que me lembra um detalhe muito importante numa guerra: sempre esteja um passo à frente do seu oponente. Mas não lhes dê as costas, ou eles poderão te apunhalar.

E por esse motivo ignorei as leis de trânsito e peguei o meu celular, onde entre os números de contato se encontrava o meu plano B.

Notas finais
Então, o que acharam? Por favor não esqueçam de comentar. Suas opiniões são muitíssimo importantes para mim e o meu trabalho. Beijos e espero contar com as suas presenças no próximo. ;D