Pokémon Greikos
1 De Mal a Pior
Notas iniciais
Meu nome é Apolo Ladon e eu tenho um sonho. Eu moro na cidade de Komini, na região de Greikos. Aqui, quando você faz quinze anos está mais que pronto para partir na sua jornada para desafiar os oito líderes de ginásio e participar da Liga Olimpo.
Este é o meu sonho! Eu sonho em me tornar campeão de Greikos. Um sonho que eu compartilho com meu amigo de infância, Kyle Medes. Kyle é um pouco mais velho que eu, completou quinze anos três meses atrás, mas eu o fiz esperar pelo meu aniversário para que pudéssemos começar essa jornada juntos. Meu aniversário foi semana passada, mas hoje é o dia em que a professora Melia distribuirá pokémons iniciais para os jovens treinadores, coisa que ela faz apenas uma vez por mês.
Então hoje era o dia! Eu ia ganhar meu primeiro pokémon, começar minha jornada com meu melhor amigo e seguir o caminho para realizar meu sonho. Uma pena que tudo iria de mal a pior. Tudo começou a dar errado quando eu perdi hora, logo de manhã, e acordei no susto com minha mãe, Monique Ladon, me chamando.
Monique: Apolo!
Apolo: Uh… O que foi…?
Monique: Já são 10:00h!
Apolo: Uh?! Essa não, eu tinha combinado com a professora Melia de estar no laboratório às 8:00h!
Monique: É disso mesmo que eu estou falando. Se troque logo e vá voando para o laboratório!
Minha mãe é uma pessoa muito legal e gentil. Ela tem cabelos e olhos castanhos, iguais aos meus, que estavam presos em um cóque. Tinha pele branca com feições delicadas como a de uma donzela! Ela geralmente é bem calma, mas quando ficava séria, era pra valer!
Ela também já foi uma treinadora pokémon quando era garota, talvez seja por isso que quando ela dá uma ordem, eu prontamente obedeço. Ela conheceu meu pai durante seus anos de treinadora, mas infelizmente ele faleceu logo depois que nasci, nem me lembro de o ter conhecido. Minha mãe me conta que ele era um treinador incrível, só não era mais incrível que ela.
Me troquei o mais rápido que pude, tirei meu pijama e pus uma camiseta azul e meu agasalho vermelho favorito. Sai correndo pela porta de casa em direção ao laboratório de Melia, não percebi que do lado de fora Kyle estava me esperando. Nem teria visto, se ele não tivesse chamado por mim quando passei por ele.
Kyle: Apolo!
Apolo: Kyle?
Kyle era do tipo meio sinistro. Quieto e paciente, nunca dá sinais de seus movimentos até o último instante, quando dá a tacada final. Tinha cabelos escuros e compridos, que ficavam por cima de um de seus olhos. Estava sempre usando uma jaqueta de couro claro, fizesse sol ou chuva e aquele dia não era diferente.
Kyle: Atrasado, para variar…
Apolo: É, eu sei! Eu estava tão ansioso ontem à noite que não conseguia dormir.
Kyle: Heh, típico seu!
Apolo: Você… já pegou seu pokémon?
Kyle: Não. Estive esperando você desde manhãzinha.
Apolo: O quê!? Por quê?!
Kyle: Porque eu disse que esperaria, oras.
Apolo: Essa não, me desculpa!
Kyle: …vamos logo para o laboratório.
O laboratório da professora Melia era apenas umas quadras dali, mas nós fomos cortando caminho pelas plantações. Veja bem, Komini é uma cidade muito isolada do resto de Greikos. Nós ficamos em uma ponta, virados para o mar. Para chegar na cidade mais próxima, Sirha, tem que andar muito chão.
Por isso nós somos uma cidade bastante rural. Nossa principal atividade aqui é o plantio de Berries. Temos de tudo, Oran, Sitrus, Chesto, Cheri, entre tantas outras! Não há prédios em Komini, apenas casas baixinhas de madeira e fazendas.
Alguns podem não gostar desse estilo de vida, mas há seus pontos positivos. A fauna selvagem é completamente vibrante aqui em Komini! É muito comum você ver pokémon selvagens andando entre as casas, fazendo ninhos nas calhas e roubando berries das plantações. Uma coisa que você dificilmente vai ver em cidades grandes.
Foi por isso que a professora Melia saiu de sua cidade natal, Athen, a maior cidade de Greikos, e montou seu laboratório aqui. Assim ela fica pertinho dos pokémons que ela estuda!
Levou alguns minutos de caminhada, mas finalmente chegamos no laboratório. Era a construção mais moderna da cidade. Todo de concreto e decorado, tinha dois andares e um super jardim, onde a professora Melia matinha pokémons selvagens para o estudo. Tocamos a campainha e depois de mais ou menos um minuto, a professora Melia veio nos receber na porta.
A professora devia ter mais ou menos a mesma idade da minha mãe. Tinha olhos azuis e cabelos encaracolados cor de mel que caiam por cima de um ombro. Ela estava usando um jaleco branco, com uma roupa laranja por baixo.
Melia: Apolo! Kyle! Eu achei que vocês não fossem mais aparecer.
Kyle: Sinto muito professora, nós perdemos hora e-
Apolo: Não! Kyle não tem nada a ver com isso. Eu perdi hora e ele foi legal o bastante para ficar me esperando.
Melia: Não importa de quem foi a culpa. Acontece que eu já dei os pokémons inicias para treinadores que chegaram antes.
Foi difícil disfarçar a cara de desapontamento, na verdade eu nem tentei disfarçar. Parecia como se algo tivesse morrido dentro de mim. Tudo bem, eu sei que no próximo mês eu teria outra oportunidade, mas foi horrível mesmo assim. Mais horrível ainda foi saber que eu tinha levado Kyle junto comigo, ele não merecia isso.
Não demos um pio para responder à professora Melia. Afinal, nós erramos, digo... eu errei. Eu errei e não iria discutir por isso. Já estava dando meia volta, quando a professora nos chamou.
Melia: Esperem! Sinto muito por isso. Eu sei que vocês querem se tornar treinadores mais que tudo. E eu acabei de ter uma ideia!
Apolo: Como assim?
Melia: Venham comigo até o jardim que eu lhes explico melhor.
A professora nos convidou para entrar e tínhamos que atravessar todo o laboratório para chegar à saída que dava para o jardim. O laboratório estava toda bagunçado, com livros, papéis e caixas espalhados por todos os cantos enquanto algumas máquinas faziam beeps e outros barulhos.
Eu já estive no laboratório antes. A professora Melia frequentemente dava aulas sobre a biologia pokémon e todos os aspirantes a treinadores eram convidados para participar. Eu ia em quase todas elas, mas nessas ocasiões o laboratório sempre estava impecável.
Melia: Me desculpem pela bagunça, meninos. Eu tenho uma pesquisa para terminar e não tive tempo de arrumar.
Kyle: Sem problemas, professora.
Apolo: Magina, eu nem tinha reparado.
Melia: Enfim, como vocês já sabem, minha área de estudo é a relação entre os pokémons. No jardim eu posso estudar os pokémons selvagens em um ambiente controlado.
Kyle: Sim, nós sabemos.
Melia: Mas eu não posso mantê-los aqui para sempre, seria cruel. Então, após um tempo eu tenho que soltá-los. E está chegando a hora de eu soltar os que estão aqui e substitui-los por outros, então tenho que terminar essa pesquisa logo.
Apolo: Entendi, por isso a bagunça.
Enfim, chegamos ao tal jardim. Eu nunca tinha estado ali antes, tinha apenas o visto de fora e escutado falar. Ali, ele era ainda mais impressionante. Imagine um zoológico particular, onde os pokémons dividem todos uma única e grande jaula. Haviam todos os tipos de ambientes recriados ali, desde de rochas montanhosas, cavernas, florestas e até um lago.
Apolo: Uau, isso é incrível!
Melia: Lindo, não é?
Apolo: Muito!
Kyle: Por que nos trouxe aqui, professora?
Melia: Ah, claro!
Professora Melia pôs a mão no bolso do seu jaleco e tirou de lá duas bolinhas que eram mais ou menos do tamanho de bolas de gude e deu uma para cada um de nós. Elas eram vermelhas de um lado e brancas do outro, com uma listra preta cercando o diâmetro da bola. No centro também havia um pequeno botão. Se tratavam de Pokéballs.
Kyle: O que fazemos com essas pokéballs?
Melia: Antes que eu solte esses pokémons, eu quero que vocês encontrem um pokémon que gostem e tentem capturá-lo.
Apolo: Tá brincando?!
Pokéballs são dispositivos usados para capturar pokémons. Ao apertar o botão central, ela se expande até ficar do tamanho de uma bola de tênis. É só jogar uma em uma pokémon selvagem e torcer para que ele fique dentro dela. Geralmente se usa um outro pokémon para batalhar com o pokémon desejado para enfraquece-lo antes de jogar a pokéball, aumentando suas chances de sucesso.
Se o pokémon escapar da pokéball, ela quebra e fica inutilizável. Do contrário, o pokémon agora é seu! Basta apertar o botão para fazer a pokéball voltar ao tamanho de bola de gude e guardá-la no seu bolso, mochila, cinto, ou onde preferir.
Kyle: Qualquer pokémon?
Melia: Qualquer um que estiver no jardim! É um ambiente seguro, então não há perigos. Mas eu recomendo que tentem capturar um pokémon básico, porque vocês não tem um pokémon próprio para enfraquecer os mais fortes.
Apolo: Nossa, isso é muito legal!
Kyle: O que acontece se nós falharmos ao capturar?
Melia: Então vocês vão ter que esperar até o próximo mês para tentar pegar um pokémon inicial de novo. Esta é sua única chance.
Apolo: Oh…
Kyle: Interessante.
Melia: Estão esperando o quê? Vão logo atrás de um novo parceiro!
Eu estava animado! Eu fui dormir achando que eu começaria minha jornada com um Chikorita, Cyndaquil ou Totodile, como é o tradicional em Greikos. Em vez disso, eu podia escolher entre uma variedade enorme de pokémons!
Nem sabia direito por onde começar. Sabe, sempre me interessei em batalhas pokémon, então eu entendia uma coisa ou outra. Mas haviam muitos pokémons ali que eu nunca havia visto antes!
Primeiro fui procurar nas rochas de montanhas. Um dos meus pokémons preferidos, Charmander, do tipo Fogo, que também é um pokémon inicial em Kanto e Kalos, habita essas áreas. Mas não achei nenhum por lá, infelizmente.
Na floresta eu vi vários pokémons do tipo Inseto e tipo Grama, mas nenhum me chamou muito a atenção. Depois fui ver a caverna, vi vários Zubats e algumas pedras se mexendo, que talvez fossem Geodudes, ou um Roggenrola.
Por fim, fui ver o lago. Era um lago grande e fundo, de água cristalina. Deviam haver vários tipos de pokémons ali. Vi vários Goldeens alguns Feebas nadando. Nunca fui muito fã de pokémons tipo Água, afinal eles são bem fracos quando estão fora dela. Mas olhando atentamente, vi um pokémon repousando no fundo do lago. Ele tinha o corpo como de uma serpente, mas não era uma. Tinha uma bola branca para o nariz e apêndices que pareciam asas na cabeça. Seus olhos eram grandes e negros como a noite. Aquele me encantou, mas eu não tinha ideia de qual pokémon era, então chamei professora Melia para ver.
Apolo: Professora, quem é esse pokémon?
Melia: Qual, Apolo?
Apolo: Aquele, bem no fundo. Parece uma cobra gorda.
Melia: Ah! Aquele é o Dratini.
Apolo: Dratini…
Melia: É um pokémon muito especial. Alguns o chamam de Pokémon Miragem, porque são muito raros.
Apolo: Que legal..!
Melia: Você gostou desse? Vamos, tente pegá-lo!
Apolo: Mas ele está lá em baixo! A pokéball não vai chegar lá, eu com certeza perderia minha chance.
Melia: Ora, então dê um jeito de se aproximar dele.
Eu nem pensei muito no que fiz a seguir, simplesmente fiz. Tomei alguma distância e mergulhei de cabeça para dentro do lago. Mal tive tempo de processar o que a professora Melia gritou para mim antes de pular, mas coisa boa não era.
Nadei para o fundo, mas a profundidade era maior do que parecia de fora. Continuei nadando até ficar cara a cara com o Dratini, que devia ter mais ou menos a minha altura quando esticado. Ele me encarou com aqueles olhos profundos e eu fiquei hipnotizado por um momento. Mas foi tempo suficiente para começar a me faltar ar.
Eu comecei a entrar em pânico e claro que isso só piorou a situação. Eu me debatia e esperneava, mas não conseguia ganhar altitude para sair do lago. Foi quando senti algo envolvendo meu corpo e me puxando para a superfície. Após poucos segundos, eu estava à beira do lago, respirando delicioso oxigênio de novo.
Melia: Apolo, não era isso que eu queria dizer com “se aproximar dele!”
Apolo: Mas… deu certo… não deu?
Dratini havia me resgatado do fundo do lago, e agora estava nadando pacatamente ao me redor, como se certificasse de que eu estava seguro agora.
Melia: Pois é, deu. Vamos, jogue a pokéball.
Eu me pus de pé, com um pouco de dificuldade e me virei para o lago, onde Dratini ainda dava voltas na superfície. Peguei a pokéball que Melia me deu e apertei o botão, fazendo-a crescer. Segurei-a firme e mirei o melhor que pude e, finalmente, arremessei.
A pokéball bateu na ponta da cauda de Dratini e quando o fez, quicou no ar e se abriu. Então, Dratini começou a reluzir e parecia se transformar em luz pura. Essa luz foi para dentro da pokéball, que se fechou e caiu no lago. Por sorte a pokéball boiava e eu só precisei fazer ondinhas para trazer ela até mim, e não pular no lago de novo para pegá-la.
Melia: Parabéns, Apolo! Foi uma captura… diferenciada.
Apolo: Obrigado, professora.
A professora Melia me deu um abraço apertado, mesmo eu estando todo encharcado de água. Ela estava mesma orgulhosa de mim, e eu também. Kyle veio andando calmamente da floresta com a pokéball em suas mãos.
Kyle: O que aconteceu? Ouvi barulho de alguém caindo na água.
Apolo: Mas eu não cai, eu mergulhei!
Kyle: Tanto faz. Por que fez isso?
Apolo: Para capturar meu pokémon. Alias, vi que você capturou o seu também.
Kyle: Sim, foi fácil.
Melia: Que pokémon você capturou, Kyle?
Kyle: Um Ralts.
Melia: Uau, parabéns! Eles são bem tímidos e aparecem somente para algumas pessoas.
Apolo: Ralts? Que pokémon é esse?
Kyle: E você, Apolo, o que tem aí?
Apolo: Eu peguei um Dratini.
Kyle: O quê?! Um Dratini?!
Foi uma das poucas vezes que eu vi Kyle perder sua calma característica de sempre. Ele ficou espantado que eu tinha pegado um Dratini! Eu me perguntava porque ele teve essa reação, mas ele não me deu tempo de dirigir a pergunta a ele.
Kyle: Apolo, vamos batalhar!
Apolo: Agora?!
Melia: Eu não vejo porque não, temos o campo perfeito aqui no jardim. E vai ser interessante observar o potencial de vocês.
Apolo: Se você diz…
Melia: Só espera um pouco! Eu quero dar algo a vocês primeiro.
Melia correu para dentro do seu laboratório com um sorriso enorme no rosto. Segundos depois ela retornou carregando dois aparelhos vermelhos, um em cada mão e deu um para mim e o outro para Kyle.
Melia: São Pokédex!
Apolo: Uau! Uma dessas custa muito caro!
Melia: Sim, mas como pesquisadora, eu recebo várias dessas para entregar aos treinadores começando. Infelizmente, eu dei os modelos mais novos para os treinadores que vieram antes. Essa é versão antiga que não é capaz de detectar um tipo recém descoberto de pokémon.
Apolo: Mesmo assim, muito obrigado!
Melia: Espera, tem mais.
Ela tirou do bolso do seu jaleco várias pokéballs, ainda do tamanho de bolas de gude e deu cinco para cada um de nós. Ela explicou que essas eram pokéballs vazias e que usaríamos para pegar pokémons selvagens na nossa jornada.
Kyle: Obrigado, professora. Podemos começar com a batalha?
Melia: Oh, desculpe. Podem sim, e lembrem-se de usar suas Pokédex!

Kyle: Ralts, saia!
Kyle jogou a pokéball que ele carregava em suas mãos para o alto. A pokéball se abriu, do mesmo jeito que fez quando capturei Dratini, mas dessa vez a luz saia de dentro da pokéball e materializou em um pokémon branco, que parecia ter cabelo cortado em forma de tigela verde e um chifre rosado. Ele não era muito alto, ficava pouco abaixo do meu joelho, e era... fofo! Surpreendente por ser a escolha de Kyle.
Enfim, eu fiz o mesmo com a minha pokéball e chamei Dratini para fora. Ele se materializou na minha frente, dessa vez enrolado e usando a cauda para se manter ereto, ele era mais alto que Ralts e ficava na altura da minha cintura.
Kyle: Então é verdade, você pegou um Dratini.
Apolo: Ué, você achou que eu ia mentir sobre isso?
Kyle: É que treinar um Dratini requer muita dedicação. E isso não faz muito seu estilo.
Apolo: Como é?
Kyle nem respondeu. Pegou a Pokédex que a professora Melia havia nos dado e apontou para Dratini. Resolvi fazer o mesmo para saber sobre esse tal de Ralts que Kyle tinha pego como seu primeiro pokémon. Foi só apontar a Pokédex que ela ligou sozinha e começou a mostrar os dados sobre o pokémon.
Pokédex: Ralts é um tipo Psíquico. O chifre na sua cabeça é sua principal forma de ataque, emitindo golpes psíquicos e energia telecinética.
Agora que eu sei com o que eu estou lutando, o que eu faço? Quer dizer, eu sei que eu tenho que comandar algum ataque para Dratini, mas eu não sei quais golpes ele é capaz de usar! Como se pudesse me ler como um livro aberto, professora Melia deu um toque para mim:
Melia: Aponte a pokédex para o seu pokémon para saber sobre ele!
Apolo: Claro, eu sabia disso…
Melia: Claro que sabia.
Apontei a pokédex para Dratini e ela me mostrou algumas informações sobre ele, incluindo peso, altura, nível, personalidade e várias coisas que eu nem sabia do que se tratava.
O que realmente importava é que ela também me mostrava os movimentos que meu Dratini era capaz de utilizar em batalha, que no caso eram Wrap e Leer. Eu quis ser o primeiro a dar um comando, mas Kyle foi mais rápido.
Kyle: Ralts, Confusion!
Ralts pôs seus bracinhos em frente ao seu corpo e começou a fazer força, eu acho. Então seu chifre rosa começou a brilhar e a principio parecia que nada estava acontecendo. Mas então eu vi que Dratini estava com dor e se contorcia sem poder fazer nada.
Obviamente se tratava dos tais “poderes telecinéticos” do Ralts, e estava mexendo com a cabeça de Dratini, deixando-o confuso. Eu não sou expert, mas eu sei que usar golpes psíquicos requer muito concentração do pokémon, então tudo que eu tinha que fazer era desconcentrar Ralts e o golpe pararia.
Apolo: Dratini, use Leer!
Após o comando, Dratini deixou de se contorcer. Eu sabia que ele ainda sentia a dor do Confusion, mas não demonstrava. Em vez disso, ele olhava fixamente para Ralts com aqueles seus olhos negros.
Eu já havia tido essa visão, era realmente desconcertante. Levou poucos segundos, mas o Leer surtiu efeito e o chifre de Ralts perdeu sua incandescência. Era o momento de atacar!
Kyle: O quê?!
Apolo: Dratini, use Wrap!
Dratini se lançou para cima de Ralts, serpenteando através da grama. Ele se mexia muito rápido, ainda mais para um pokémon sem pernas. Ao se aproximar de Ralts, Dratini o enrolou usando seu próprio corpo, envolvendo-o completamente. Dratini estava apertando Ralts o máximo que podia, mas o mesmo era consideravelmente menor que ele, e o golpe parecia não estar surtindo tanto efeito. Mas eu tive uma ideia!
Apolo: Dratini, arremesse Ralts no chão!
Kyle: Mas o que…
Melia: Ora, ora..!
Dratini deu um pequeno salto usando a ponta da sua cauda para se impulsionar, levando Ralts consigo. No ar, se desenrolou rapidamente e usando a força cinética, arremessou Ralts contra o chão. Tufos de grama e pedaços de terra foram arrancados no impacto. Só torcia para que a professora Melia não se importasse muito com isso, afinal estávamos destruindo seu jardim com nossa pequena batalha.
Apolo: Isso aí! Força cinética contra força telecinética!
Kyle: Ainda não acabou. Ralts, Double Team!
Ralts acabava de se levantar depois de ter sido arremessado e já se punha em posição de ataque mais uma vez. Posicionou seus bracinhos na frente do corpo, como se fizesse força e seu chifre começou a brilhar e até então parecia muito com Confusion, mas nada acontecia com Dratini dessa vez.
Foi aí que eu percebi a imagem de mais três Ralts se formando a partir do primeiro. Agora haviam quatro daquele pokémon no campo de batalha e era impossível dizer qual era qual e qual era o original. Usar Leer não iria adiantar, já que Dratini não saberia para qual Ralts olhar, então minnha ideia foi atacar um a um, afinal eram 25% de chance de acertar o certo.
Apolo: Dratini, use Wrap em qualquer um deles…
Kyle: Heh..!
Dratini avançou em cima do Ralts mais a esquerda. Infelizmente, passou através dele como se não fosse nada; se tratava de um clone. Tudo bem, eu só tinha que mandar Dratini atacar o próximo e assim, por exclusão, chegaria no alvo certo. Mas Kyle não ia deixar as coisas fáceis assim.
Kyle: Confusion.
Os Ralts fizeram força o seus chifres começaram a brilhar. Dratini começou a sentir o efeito do golpe e não conseguia mais sair do lugar devido a dor. Parecia que era o fim daquela batalha para mim e Dratini, quando a Pokédex soltou um “beep” na minha mão. Fui ver o que era e abri um enorme sorriso, as coisas haviam virado para o meu lado.
Kyle: O que foi, por que está sorrindo? Você vai perder.
Apolo: Acho que não!
Kyle: O quê?
Apolo: Dratini, use Thunder Wave!
No meio da batalha, Dratini acumulou experiência suficiente para poder aprender um novo golpe e aquele “beep” era a Pokédex me avisando sobre isso. O golpe era o Thunder Wave, um golpe tipo elétrico que emite uma onda elétrica, paralisando o pokémon no alcance dela.
Dratini obedeceu a ordem mesmo com a dor do Confusion. Ele se enrolou em volta de si mesmo e depois se desenrolou, liberando junto com ele uma onda elétrica de luz amarelada.
A onda atingiu Ralts e seus clones e quando o fez, os clones desapareceram, deixando apenas Ralts, atordoado por causa do golpe. Era minha chance de acabar com isso!
Kyle: Não..!
Apolo: Agora, Wrap!
Dratini avançou na direção de Ralts, o envolveu com seu corpo e começou a apertar. Dessa vez, ele já sabia que isso não era o bastante e prontamente deu um salto e jogou Ralts no chão ao se desenrolar. Ralts atingiu o chão com força e arrancou mais grama e terra, porém dessa vez ele não se levantou depois de rolar alguns centímetros.
Melia: Acabou, Ralts está fora de combate!
Apolo: Isso, eu ganhei!!
Kyle não disse nada, apenas chamou seu Ralts de volta para a pokéball. Ele apontou a pokéball para o pokémon, que converteu em luz como na hora da captura, e voltou para dentro dela. Kyle se aproximou, passando por mim e a professora Melia e seguindo em direção do laboratório.
Kyle: Obrigado, professora.
Melia: Por nada, Kyle.
Kyle: Boa luta, Apolo. Mas eu já vou indo.
Apolo: Ei, espera por mim.
Kyle: Não.
Apolo: O quê?
Kyle: Eu decidi que não vou mais sair em jornada com você, eu vou sozinho.
Apolo: Isso é só por que eu te venci numa batalha?!
Kyle: Não seja tolo, isso foi apenas sorte! Você é um atraso, Apolo. Você não tem responsabilidade, é incompetente e preguiçoso e eu não quero você me puxando para trás com você, como tem feito até hoje.
Apolo: Kyle…
Kyle: Por isso eu vou sozinho. Tenho certeza que nos encontraremos ainda, mas até lá eu estarei muito mais forte e você não vai me vencer de novo.
Ele simplesmente andou para fora do laboratório sem sequer olhar para trás ou se despedir, deixando a mim e a professora Melia no jardim, confusos e desorientados, como se tivéssemos sido atacados por um Confusion.
Melia: Sinto muito por isso, Apolo. Mas não é verdade, você-
Apolo: Não, professora, é verdade. Kyle já podia ter começado sua jornada meses atrás, não começou por minha causa. E hoje, eu quase o fiz perder sua oportunidade quando perdi hora. Eu sou irresponsável e tudo aquilo que ele disse.
Melia: Apolo, não…
Chamei Dratini de volta para a pokéball e deixei o laboratório sem falar mais nada. Fui de volta para casa pegar minhas coisas para partir em jornada, mas não tinha pressa dessa vez.
Atravessei o os campos de Frutas e o Sol, agora no ponto mais alto, esquentava minha cabeça, embora ainda fizesse um brisa fresca. Apesar de tudo, era um dia lindo e alguns Sentrets e Zigzagoons corriam pelos campos, levandos berries na boca.
Chegando em casa, minha mãe veio correndo me abraçar. Ela me abraçou por alguns segundos, e aí percebeu que eu estava molhado e de cara amarrada.
Monique: O que aconteceu, filho? Não conseguiu seu pokémon?
Apolo: Consegui.
Monique: E qual você escolheu? Chikorita, Cyndaquil ou Totodile?
Apolo: Nenhum.
Monique: Como assim “nenhum?”
Apolo: Chegando lá todos os outros já tinham sido pegos por outros treinadores e…
Acabei contando tudo para minha mãe, desde de como eu perdi a distribuição dos pokémons inicias, até como Melia nos deu uma segunda chance e eu capturei Dratini e da minha batalha com Kyle. Contei até das coisas que Kyle tinha dito antes de partir por conta própria.
Monique: Ora, não dá pra dizer que eu não esperava isso desse seu amigo.
Apolo: O quê?
Monique: Ele sempre foi do tipo “Mightyena solitário.”
Apolo: Acho que tem razão…
Monique: Mas não deixe com que as palavras dele te derrubem. Você pode ser um pouco preguiçoso, mas eu nunca conheci ninguém tão dedicado como você! Quando você põe algo na cabeça, você vai até o fim. Você disse que ia ganhar a Liga Olimpo, então é isso que você vai fazer!
Apolo: Vou..!
Monique: Eu já deixei sua mochila pronta, com um saco de dormir, troca de roupas e algum dinheiro.
Apolo: Obrigado, mãe!
Dei um abraço apertado na minha mãe, e ela retribuiu. Peguei a minha mochila, que era feita de lona e na cor azul. Me certifiquei de que minha nova Pokédex estava no bolso e que minhas pokéballs estavam no presas ao meu cinto e estava saindo de casa quando minha mãe me chamou.
Monique: Você não quer tomar um banho antes de ir? Está todo encharcado...
Apolo: É, essa é uma boa ideia.
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