Pokémon Greikos
2 Cabeça Erguida
Depois de uma manhã sufocante, onde eu consegui meu primeiro pokémon, Dratini, mas também perdi meu melhor amigo, Kyle, finalmente tive um tempo para descanso.
Tomei um banho morno; nem muito frio, nem muito quente. Era exatamente o que eu precisava naquele momento, a água lavou todas as minhas incertezas e duvidas, e eu me sentia totalmente renovado.
Meu quarto estava exatamente como antes: cama desarrumada, a calça do pijama jogada de um lado e a blusa do outro; por causa da correria em que eu sai de casa. A única diferença era que agora, sentadas sobre minha escrivaninha estavam uma Pokédex e seis pokéballs, uma delas contendo Dratini.
Imaginei que se não o colocasse em ordem agora, minha mãe o manteria desse mesmo jeito para que eu tivesse que arrumar quando eu voltasse da minha jornada. Resolvi ajeitar tudo, mesmo que isso fosse me atrasar minha jornada em alguns minutos!
Peguei a Pokédex e pokéballs e desci as escadas. Minha mãe me esperava lá em baixo, com o almoço na mesa e Chica ao seu lado. Chica era uma Meganium e tinha sido o pokémon inicial da minha mãe anos atrás, quando começou sua jornada. Claro que na época ela ainda era apenas uma Chikorita, e por isso o nome. Minha mãe costumava ter muitos outros pokémons, mas deixou todos com uma amiga em Athen quando decidiu ter uma família e ficou apenas com Chica.
Monique: Tomou um bom banho, Apolo?
Apolo: Sim, mãe! Estava ótimo.
Monique: Que bom! Você devia comer antes de sair, vai saber quando você vai ter sua próxima refeição.
Apolo: Tem razão!
Tivemos picanha de Miltank ao molho de Cherubi para o almoço. Minha mãe dessa vez tinha caprichado, sabendo que esse seria meu último almoço em casa por um bom tempo. Sentei na mesa, que estava arrumada como sempre: três cadeiras e três pratos, mesmo que só sentássemos eu e ela. Mamãe arrumava a mesa assim desde que eu me lembro.
Enfim, devorei meu prato como um Snorlax faminto e quase me engasguei. Quando terminamos de comer, minha mãe se levantou, pôs a ração de Chica e me disse para esperar. Ela saiu do cômodo e voltou após alguns segundos, trazendo nos braços meu agasalho vermelho, já limpo e dobrado.
Monique: Seu agasalho estava todo encharcado, então eu lavei e sequei com a ajuda de Chica enquanto você estava no banho. Eu sei que é seu favorito.
Apolo: Nossa, mãe, obrigado!
Monique: Não há de quê, filho.
Apolo: Obrigado a você também, Chica!
Chica sempre dava uma mãozinha com as tarefas da casa. Ela ajudava a limpar a louça com seu Vine Whip, secava as roupas em segundos com seu Giga Drain e ainda as deixava cheirando à flor silvestre com seu Sweet Scent. Nem dava para acreditar que um dia ela já tivesse sido um pokémon de batalha!
Eu tinha muito carinho pela Chica, afinal ela cuidava de mim quando era criança e era parceira inseparável da minha mãe, ainda mais depois que meu pai faleceu. Eu só desejava que algum dia eu pudesse ter uma relação dessas com Dratini.
Me despedi da minha mãe com um abraço apertado e longo, e também de Chica. Era quase uma da tarde e embora o Sol estivesse quente, os campos abertos de Komini permitiam que os ventos frios e úmidos do mar passassem, deixando o clima bem fresquinho, justificando o uso do agasalho.
No caminho para a Rota 1, a única rota que liga Komini a Sirha, passei pelo laboratório da professora Melia e me senti mal por antes. Parecia que eu devia um pedido de desculpas à ela pela atitude de Kyle. Ela não tinha culpa de nada, afinal. Decidi atrasar minha jornada mais um pouco para me despedir devidamente da professora.
Toquei a campainha e fiquei esperando alguém vir me receber. Passou um minuto, depois dois, cinco, dez e nada! Toquei mais uma vez e o resultado foi o mesmo. Cansado de esperar, afinal estava disposto a atrasar minha jornada, mas não tanto assim; tentei abrir a porta, que estava destrancada.
Chamei pela professora, mas ninguém me respondeu. O laboratório continuava na mesma bagunça de mais cedo, parecia que um tornado tinha passado por ali. Fui adentrando aos poucos, quando comecei a ouvir vozes vindas do jardim, embora não compreendesse o que falavam.
Me aproximei e vi professora Melia conversando com um garoto, que devia ter a mesma idade que eu. Ele tinha cabelo preto jogado para frente e olhos esverdeados. Tinha a pele branquinha e rosto de criança, embora tivesse ombros largos e estrutura de atleta. Usava uma jaqueta esportiva de gola alta cinza com detalhes em verde e uma camiseta preta por baixo. A professora Melia percebeu minha presença e ficou confusa.
Melia: Apolo?
Apolo: Desculpa, professora. Eu toquei a campainha, mas ninguém veio. Eu vi que a porta estava destrancada e resolvi entrar.
Melia: Sinto muito! Eu não ouvi a campainha daqui do jardim! Ah, este aqui é David.
Apolo: Não tem problema. Prazer, Apolo Ladon.
David: Eu sou David Boanger.
Apolo: Você é de Komini? Eu nunca te vi por aqui.
Melia: David acabou de chegar de Sirha para pegar um pokémon inicial! Como todos já haviam sido pegos, dei a chance pra ele escolher um do jardim também.
Apolo: Que legal! E você já escolheu, David?
David: Sim, acabei de capturar.
Melia: Enfim, Apolo, o que veio fazer aqui? Imaginei que já estivesse a caminho de Sirha uma hora dessas…
Apolo: Ah! Eu passei para me despedir. E também para pedir desculpas por antes.
Melia: Desculpas? Pelo quê?
Apolo: Você sabe, por causa do Kyle. Você teve a melhor das intenções e aquilo aconteceu…
Melia: Ora, Apolo… Eu agradeço, mas não tem por que se desculpar!
Apolo: Obrigado, professora! Bom, nesse caso eu já me vou… Tchau, professora. Tchau, David, foi um prazer te conhecer.
Após me despedir, sai do laboratório e observei a Rota 1 a poucos quilômetros dali. A Rota 1 era, na verdade, uma estradinha de terra batida que contornava o estreito de terra que ligava Komini ao resto do continente. Era basicamente uma linha reta, cercada por vegetação onde viviam vários pokémons selvagens de pequeno porte, e as copas das árvores formava um arco sobre a estrada.
Fechei os olhos e respirei fundo. Finalmente eu estava a um passo de começar minha jornada definitivamente. Segui em direção da Rota 1 com o corpo ereto e cabeça erguida, pronto para enfrentar qualquer desafio que viesse daqui para frente.
Ao entrar na Rota 1 e deixar Komini para trás, a primeira coisa que eu percebi era que pouquíssimas pessoas passavam por aquela rota. Haviam ervas crescendo do chão de terra, a vegetação invadia o caminho em algumas áreas e pequenos arbustos e grama alta cresciam. Também tinha um ar muito mais fresco e úmido que o de Komini. Após alguns minutos de viagem, ouvi alguém me chamando. Para minha surpresa, se tratava de David, que vinha correndo de Komini.
David: Ei, Apolo! É Apolo, né?
Apolo: Isso. David, o que foi?
David: A professora mencionou que você está indo para Sirha. É verdade?
Apolo: É sim, estou para começar minha jornada.
David: Eu também! Bom, na verdade eu estou indo de volta para Sirha…
Apolo: É mesmo, você é de lá.
David: Eu sei que a Rota 1 é bem tranquila e tudo mais. Mas será que eu posso te acompanhar até Sirha?
Apolo: É claro! Vai ser legal ter companhia.
Simples assim, agora eu tinha um novo parceiro de jornada. Mas diferente de Kyle, David era um completo estranho. Quer dizer, se ele era conhecido da professora Melia, eu provavelmente podia confiar nele. Mas eu não sabia nada sobre ele, assim como ele não sabia nada sobre mim. Felizmente, isso era temporário, só até chegarmos em Sirha.
Percebi que David estava agitado, provavelmente animado para começar sua jornada, como eu também estava. Me lembrei que David já tinha passado por ali quando veio de Sirha para Komini e resolvi puxar conversa.
Apolo: Então, David, você já passou por aqui.
David: Passei.
Apolo: Mas não é perigoso cruzar uma rota sem ter nenhum pokémon para se defender dos pokémons selvagens?
David: Pode ser, mas a Rota 1 não é das mais perigosas.
Apolo: Sei… E quanto tempo você levou para chegar até Komini?
David: Não tenho certeza. Eu sai cedo de Sirha, logo que o Sol nasceu, e tinha acabado de chegar em Komini aquela hora que você me viu no laboratório.
Apolo: Nossa, você não está cansado?
David: Nem um pouco, estou tão animado para começar minha jornada que mal sinto minhas pernas! E também Komini não tem um Centro Pokémon para eu passar a noite.
Centros Pokémon são instalações disponíveis em várias cidades ao redor de Greikos, onde um treinador pokémon em jornada pode parar para descansar, curar seus pokémons, comer e até passar a noite! Também é uma ótima maneira de ficar inteirado sobre novidades e conhecer outros treinadores.
Mas não são todas as cidades que têm um Centro Pokémon. Cidades pequenas e com pouca movimentação, como Komini, não têm, por exemplo. Centros Pokémon são paradas essenciais para qualquer treinador.
Apolo: Você não quer parar para descansar?
David: Não! Você vai se atrasar por minha causa…
Apolo: Cara, tá tudo bem. É melhor do que eu ter que te carregar se você desmaiar de cansaço.
David: Ou eu carregar você!
Apolo: Oh, claro..! Enfim, vamos parar um pouco. Eu também estou sem parar desde que acordei.
Claro que eu omiti a parte em que eu acordei às dez da manhã, tomei um banho ótimo e tive um almoço delicioso. Mas eu estava cansado mesmo assim. Tirei minha mochila, deixei no chão ao meu lado, encostei numa árvore próxima a estrada e David fez o mesmo. Sentamos e começamos a jogar conversa fora.
Era possível ouvir as ondas do mar batendo no continente à distância, depois da floresta e o sol da tarde invadia o caminho através das pequenas fissuras nas copas das árvores.
David: Ei, Apolo…
Apolo: O que foi, David?
David: O que te fez querer ser um Mestre Pokémon?
Apolo: Como assim?
David: Quais são suas motivações?
Apolo: Nossa, é uma pergunta difícil. Eu nunca parei para pensar nisso, acho que é só o jeito que as coisas são. Meu pai era um treinador, minha mãe também…
David: Entendi. Então você faz isso por que é o que os outros esperam de você?
Apolo: Não! Quer dizer, eu não sei… Por que você quer ser treinador?
David: …
David ficou receoso e muito quieto, estava até me lembrando Kyle um pouco, e apenas olhando para baixo. Ele parecia ser do tipo animado, que gosta de conversar, então aquilo era estranho. Talvez fosse algo pessoal demais para contar para alguém que ele tinha acabado de conhecer. Não fiz muita questão sobre isso e acompanhei ele em seu silêncio.
Ficamos alguns minutos assim, quando me dei conta David estava cochilando. Tentei não julgá-lo, afinal ele havia me contado que estava fora de casa desde manhãzinha. Eu também estava cansado, não dormi bem na noite anterior e tinha sido um dia cheio até então. Fechei os olhos e me inclinei para dormir. Quando estava quase começando a dormir…
David: Ei, Apolo, não dorme não!
Apolo: Uh, o quê?!
David: Não podemos dormir! Temos que chegar em Sirha logo, ou vamos nos atrasar!
Apolo: Mas você tava dormindo até agora!
David: Aí eu sonhei que estávamos atrasados e acordei, então você não pode dormir!
Apolo: Mas eu tô cansado, poxa!
David: Eu também, mas não podemos fazer nada. Chegando em Sirha nós descansamos.
Apolo: A gente precisa despertar. E se…
David: E se o quê?
Apolo: E se tirássemos uma batalha Pokémon para despertar?
David: Eu e você, uma batalha? Eu topo! Quero saber qual seu pokémon.
Apolo: Então vamos nessa!
David: Vamos!
David e eu nos levantamos rapidamente e abrimos um certo espaço entre nós, onde a batalha aconteceria. O chão de terra batida, com algumas ervas crescendo seria perfeito para uma batalha!

Quando estávamos a postos, chamei Dratini para fora de sua Pokéball e David fez o mesmo. O Pokémon de David era pequeno, amarelo e tinha orelhas enormes e triangulares, além de um rabinho preto e parecia um rato. Prontamente saquei minha Pokédex para ver de qual pokémon se tratava e David fez o mesmo.
Pokédex: Pichu é um tipo Elétrico. Como ainda são filhotes, não têm controle total sobre a eletricidade que projetam e podem até se ferir.
David: Não pega leve comigo!
Apolo: Pode deixar! Dratini, use Wrap!
Dratini avançou na direção de Pichu com velocidade -- e eu ainda não entendia como um pokémon sem pernas podia ser tão veloz. Ele envolveu o pequeno camundongo em seu corpo.
David: Pichu, saia daí! Use Thundershock!
Mesmo que golpes elétricos não fossem efetivos contra pokémons do tipo dragão, como Dratini, o golpe foi o suficiente para Dratini afroxar, dando espaço para Pichu fugir das amarras.
Apolo: Oh não! Dratini, use Wrap de novo!
Por algum motivo, Dratini não obedecera ao meu comando. Ele continuou parado, quase que na mesma posição em que estava quando Pichu fugiu.
Apolo: Tudo bem, Dratini?
David: Ele tá paralisado.
Apolo: Como assim..?
David: Além de ser um golpe que causa danos, Thundershock tem um efeito secundário. Ele pode paralisar o alvo, se eu tiver sorte!
Apolo: E-eu não sabia que os golpes podiam ter efeitos secundários assim…
David: Hahaha! Eu fazia minhas lições de casa sobre batalhas pokémon.
Apolo: Aaah! E agora?!
David: Pichu, use Quick Attack!
Pichu avançava correndo na direção de Dratini, e talvez colocaria um fim na nossa pequena batalha. No entanto, antes que Pichu pudesse atingir Dratini com Quick Attack, um pokémon selvagem invadiu nosso campo de batalha improvisado.
O pokémon era uma cobra enorme, de cor preta e detalhes em roxo que tinha quase a minha altura! Ela atravessou a estrada, indo da floresta que cerca a Rota 1 da esquerda para a direita. Passou tão rápido que nem deu tempo de eu ver na Pokédex quem era aquele pokémon. Estávamos os dois em choque com aquilo.
Apolo: O que foi isso?
David: Não sei, foi muito rápido. Parecia uma cobra!
Apolo: Espera, tem mais alguma coisa vindo aí…
Era possível ouvir alguma coisa mexendo entre os galhos e folhas da floresta, que ia se aproximando de nós. O barulho foi ficando cada vez mais alto e eu e David estávamos prontos para mandar Pichu e Dratini atacar caso necessário.
Então, do mesmo lugar de onde o pokémon anterior havia saído, surgiu um pokémon bípede, de pelugem branca e manchas vermelhas, um pouco mais baixo que eu, com duas enormes garras em cada uma das patas dianteiras, orelhas pontudas e uma cauda enorme e felpuda.
Com calma e movimentos leves, ele ficou entre Pichu e David e entre Dratini e eu. Ele parecia nem se importar que estávamos ali. Ficou em quatro patas e começou a farejar o chão.
David: Apolo, e agora, o que é isso?
Apolo: Eu não sei… Mas vou descobrir.
Pokédex: Zangoose é um pokémon tipo Normal. Em combate, usa suas garras para atacar e se defender. Seu inimigo natural é a Seviper, da qual tem certa imunidade ao veneno. Estas duas espécies passam a vida caçando uma a outra.
Apolo: Um Zangoose, que da hora!
David: Uau, caçar algo pela vida toda parece muito tempo…
Apolo: Será que aquela cobra de antes era uma Seviper?
Ao ouvir o nome "Seviper", Zangoose parou de farejar o chão por um momento e me encarou, com um olhar sério. Voltou a ficar em duas patas e andou até mim, calmamente, passando por Dratini sem nem se importar com sua presença.
Parado na minha frente ele começou a falar alguma coisa em grunhidos. Para facilitar a comunicação, ele também fazia alguns movimentos com a patas.
Apolo: Quer saber para onde foi a Seviper?
Ele confirmou com a cabeça e um sorriso confiante. Apontei para onde a cobra havia adentrado na floresta do outro lado. Sem nem hesitar, Zangoose saiu correndo para o local apontado e entrou na floresta, deixando-nos confusos sobre a situação.
David: Que estranho, não sabia que pokémons selvagens tinham esse tipo de contato com humanos…
Apolo: Temos que ir atrás dele.
David: O quê?!
Apolo: Eu quero capturar aquele pokémon!
David: Ahhhh…
Apolo: Vamos!
Chamamos Pichu e Dratini para suas Pokébolas e fomos atrás de Zangoose. Seguimos a trilha de galhos quebrados e arbustos cortados deixadas por ele por alguns minutos. Logo a frente, vimos Zangoose de costas para o precipício que dava para o mar, cercado por quatro Sevipers.
Mais do que nunca, era possível ouvir o mar batendo nas rochas do continente vários metros a baixo de nós. Não seria uma queda nada agradável para Zangoose, que estava machucado com arranhões e mordidas. Só posso imaginar que Zangoose havia caído em uma cilada e a Seviper tinha o atraído para o resto do bando, onde todas poderiam atacar. Preocupado, chequei a Pokédex por mais informações.
Pokédex: Seviper é do tipo Venenoso. Usa não somente suas enormes presas para envenenar seu alvo, mas também sua cauda. Seu inimigo natural é o Zangoose.
Apolo: David, nós temos que ajudar Zangoose! Ele está em apuros!
David: Mas como?! São quatro Sevipers contra só dois de nós!
Apolo: Temos que tentar. Ele caiu na armadilha das Sevipers por nossa causa.
David: Na verdade, mais por sua culpa do que minha…
Apolo: David!
David: Desculpa! Tá, qual o plano?
Apolo: Precisamos tirar Zangoose dali e levá-lo para longe sem ter que enfrentar todas elas.
David: Como vamos fazer isso?
Apolo: Eu tenho uma ideia. Distraia elas com o Thundershock do Pichu e enquanto isso eu dou a volta por trás e tiro Zangoose dali.
David: Me parece arriscado.
Apolo: Vamos! Não temos muito tempo!
Uma das Sevipers já se preparava para dar mais um golpe em Zangoose, quando David gritou, chamando-as para briga. Elas desviaram sua atenção para ele e, irritadas, começaram a avançar. Usando o Thundershock de Pichu para atordoa-las, David conseguia ganhar tempo.
Enquanto estavam distraídas, me esguiei pelo lado, beirando o precipício para me aproximar de Zangoose, que parecia meio perdido com a situação. Expliquei que estávamos ali para ajudar e então ele desmaiou nos meus braços. Provavelmente o veneno das Sevipers estava começando a afetá-lo.
Imaginei que como Zangoose era menor que eu, conseguiria carregá-lo nas costas. Me enganei. Ele era mais pesado que eu imaginara, mas eu não ia desistir! Coloquei-o nas costas e sai dali o mais rápido que pude, sinalizando para David.
As Sevipers mal tiveram tempo de se recuperar do último golpe de Pichu e David já comandou que ele atacasse mais uma vez. Saímos de lá o mais rápido que pudemos, para a estrada. De volta a Rota 1, andamos mais algum tempo em direção a Sirha até termos certeza que as Sevipers não estavam nos seguindo.
Passado todo o sufoco, encostei Zangoose no tronco de uma árvore e paramos para descansar. Eu, pelo menos, estava exausto de carregar Zangoose por tanto tempo -- e morrendo de dor nas costas.
Apolo: Acho que elas não estão atrás de nós.
David: Pois é, seu plano deu certo!
Apolo: Você acha que ele vai ficar bem?
David: Tenho certeza que sim! Zangooses têm imunidade ao veneno das Sevipers. Ele vai melhorar em pouco tempo.
Apolo: Espero que sim…
David: Ei, não podemos deixá-lo aqui. Então por que não aproveitamos e damos aquela descansada que você queria de antes?
Apolo: Eu queria? Não era eu que estava dormindo só de encostar numa árvore!
David: Hahaha! É verdade!
Encostamo-nos nas árvores ao lado de Zangoose e David apagou quase instantaneamente. Como ela fazia isso? Acho que tem gente que tem facilidade para dormir mesmo. Enfim, eu não consegui pegar no sono e fiquei pensando sobre Zangoose. Eu poderia capturá-lo ali, mas não acho que seria justo me aproveitar da situação. Ele me odiaria para sempre. Poxa, eu me odiaria para sempre!
Quase uma hora depois, Zangoose abriu os olhos e se levantava com um pouco de dificuldade, mas já estava bem melhor do que antes! Eu fiquei super contente por ele estar bem, mas ele se levantou e começou a andar em direção a floresta mais uma vez. Antes que o perdesse de vista, fui atrás dele.
Apolo: Zangoose, eu te desafio para uma batalha!
Com o canto dos olhos, vi que David havia acordado com um pulo, assustado com meu chamado para batalha. Enfim, Zangoose parou de andar e se virou devagar para mim. Ele me encarava, não com um olhar de ódio, mas de respeito, talvez…
Ele havia aceitado meu desafio e se aproximou para que pudéssemos batalhar. Se eu vencesse aquela batalha, teria uma chance de capturar Zangoose para o meu time, então chamei Dratini para fora da Pokébola para começarmos.
Apolo: Dratini, use Thunder Wave!
Só que algo estranho aconteceu. Dratini não respondeu ao meu comando, em vez disso continuo parado no mesmo lugar em que havia saído da Pokébola. Olhando com mais atenção, pude ver que havia uma expressão de dor em seu rosto.
Apolo: Dratini, o que foi?!
David: Apolo, Dratini ainda está paralisado da nossa luta! Ele não pode se mexer!
Apolo: Ah, essa não..!
Zangoose percebeu a oportunidade para atacar e não perdeu tempo. Esticou seus braços, pondo-os lado a lado com seu corpo. Avançou rapidamente em direção a Dratini, arrastando as garras da sua pata direita no chão, levantando uma enorme nuvem de destroços por onde passava e quando se aproximou, cruzou as garras em um corte em X que lançou Dratini cerca de um metro para trás. Infelizmente, ele estava fora de combate.
Apolo: Não pode ser… Que golpe poderoso!
David: Esse golpe foi o Crush Claw, segundo minha Pokédex. É o golpe assinatura de Zangoose.
Recolhi Dratini de volta para sua Pokébola e vi Zangoose dar meia-volta e desaparecer na floresta que beirava a Rota 1. Estava triste por ter perdido a batalha e não ter capturado Zangoose, mas estava contente por tê-lo salvado das Sevipers e ter tentado!
David: Sinto muito, Apolo…
Apolo: Não tem problema, haverão outras oportunidades de capturar mais pokémons.
David: Tem razão!
Apolo: Então, você descansou?
David: E como! Aquela árvore estava muito confortável!
Apolo: Acha que dá pra continuar para Sirha?
David: Só se der pra você!
Apolo: Dá pra mim!
David se uniu a mim, já despertado da sua soneca. Havia sido um baita dia, que estava chegando ao fim. Em breve deixaríamos a Rota 1 para trás, e com ela, Zangoose.
Mas de cabeça erguida mais uma vez, nos colocamos de volta no caminho para Sirha! Muito outros desafios me esperavam pela frente e nenhum deles faria eu abaixar minha cabeça de novo no meu caminho para a Liga Olimpo.
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