Pokémon Evolution
11 Capítulo 11 - A noite dos encalhados
Brock, Liv e Bob estão no estúdio da casa de Brock, Brock ensinando como fazer a manutenção de pokebolas a Bob. Liv está enfeitando seu absol, Astro.
Brock: Olha, eu preciso confessar que vocês terem parado de brigar facilitou minha vida. Era difícil fazer as coisas com pressa enquanto você estava no balé, filha.
Liv: Bem, vocês estavam fazendo as coisas pelas minhas costas, não é? Era consciência pesada, e não pressa, papai.
Bob: Consciência pesada? Era medo da sua mão pesada. Você é bem forçuda pra uma bailarina.
Liv: Você já viu como são os treinos de resistência para o balé? Não me provoque, ou eu chuto.
Apesar das cutucadas, o clima é descontraído. Liv sai do escritório para procurar fitas, e Brock observa Bob acompanhar com o olhar e sorri.
Brock: É bom ver o clima leve entre vocês. Sempre que vocês brigavam, ela ficava tão irritada, tão tensa.
Bob: É, eu gosto de como as coisas estão agora também. A Liv é muito legal, uma garota excelente. Eu gosto muito dela.
Bob percebe o que disse e fica sem graça. Brock faz a gentileza de fingir que não ouve, e Liv volta.
Liv: Nem consigo acreditar que ainda tinha um pedaço de fita vermelha em casa. Senão, eu ia ter que esperar passar o dia dos namorados pra encontrar.
Brock: Nossa, verdade. O que você vai fazer nesse dia dos namorados, agora que o Lyo tem namorada?
Liv: Bem, na verdade a maior parte do pessoal do curso que namora vai comemorar no sábado, que é véspera, por causa das aulas. Eu não tinha lembrado disso... esse ano a noite dos encalhados vai ficar desfalcada.
Bob: Perdão, mas... noite dos encalhados?
Liv: É, eu e o Lyo temos o costume de nos reunir na noite do dia dos namorados, pra comer pizza, jogar videogame e reclamar da vida. Eu costumo fazer bolo veludo vermelho também. Esse ano seremos só eu e o Dylan...
Brock: Ninguém te convidou para sair esse ano?
Liv: Ah, um ou dois garotos convidaram (Bob, sem perceber, tensiona os punhos). Mas ah, eu não me sentiria à vontade com nenhum deles. São meninos que eu não conheço direito, não tenho muito em comum, e sair no dia dos namorados é uma coisa bem importante, né? Eu não vou enganar ninguém!
Brock: Se você não sair, não vai saber nunca quem tem coisas em comum com você!
Liv: Pai, o senhor quer que eu saia com alguém?
Brock (vermelho): Eu não! Você é minha princesinha! Mas eu às vezes fico preocupado que você não conheça gente nova.
Liv: Pai, eu vou sair em jornada em Silverado.
Brock: Ok, você venceu. Bem, eu e sua mãe também não estaremos aqui nesse dia, então, acho que serão só você e o Dylan mesmo.
Liv: O que o senhor e a mamãe vão fazer? Segunda lua-de-mel?
Brock (mais vermelho ainda): Não... é a trabalho. Vamos para Silverado.
O queixo de Liv e Bob caem e, ao mesmo tempo, eles perguntam:
Liv e Bob: Vocês vão ser líderes na liga de Silverado?
Brock: Não, não podemos. Além de sermos líderes em outra região, temos parentes na liga. Mas vamos ajudar a selecionar os líderes e os auxiliares dos ginásios. Os seus tios Ash e Misty também vão, e o pai da Cindy. Mas nós assinamos contrato de sigilo! Eu já falei demais!
Brock sai do estúdio, deixando Liv e Bob sozinhos. Ela volta a trabalhar no absol, enquanto Bob se dedica a mais uma pokebola.
Liv: Você vai sair?
Bob: Oi? Agora?
Liv: Não, no sábado. No dia dos namorados... (ela sente um calor desconfortável no rosto, e mantém os olhos no laço que tenta fazer em um Astro cada vez mais mal-humorado)
Bob: Não. Acho que sou um encalhado.
Liv: Bem... acho que eu e o Dylan poderíamos ter um substituto, já que o time está desfalcado. Por que você não vem pra cá? Não é nada demais, comemos pizza, tomamos refrigerante, assistimos um filme ou jogamos algo, e comemos meu famoso bolo de veludo vermelho.
Bob: Famoso?
Liv: Bem, ele é famoso aqui em casa.
Bob: Ok, eu topo. Eu trago a pizza, pode ser? Qual o gosto de vocês?
Liv: Eu gosto de pepperoni com cogumelos, o Dylan gosta de calabresa sem cebola. Sem nenhuma cebola. Nada de cebola.
Bob: Pepperoni, cogumelos, calabresa, nada de cebola. Certo, estamos combinados. Eu venho que horas?
Liv: Pode vir às sete.
Terminado o trabalho do dia, Bob vai embora. No sábado seguinte, toca a campainha da casa de Liv.
Liv: Uaaaaaauuuuu!! Quem é esse galã parado na minha porta? Tem algum filme sendo gravado por aqui?
Lyo: Então você gostou? Acha que eu estou legal?
Lyo está muito bonito. Os cabelos ruivos cuidadosamente arrumados, camisa em azul intenso, fazendo um belo contraste com os olhos. Está de jeans, e sapatos pretos novinhos.
Liv: Querido, se você não tivesse namorada, arrumava umas três saindo assim na rua. Arrasa! Divirta-se com a sua namorada, e sejam o casal mais invejado da noite.
Lyo: Obrigado Liv (dá um beijo no rosto dela). Uma pena que vou perder o bolo de veludo vermelho... e você vai ter que ver filme sozinha depois que o Dylan dormir...
Liv (sem graça): É... então... eu e o Dylan ganhamos um companheiro. O Bob vem.
Lyo (sorrindo encantado): Ah, é? Mas então eu deixo o Lan com uma babá!
Liv (roxa): Lyo, não é um encontro! É a noite dos encalhados! E o Lan fica!
Dylan: Isso mesmo, eu fico! Quem falou que eu vou ficar com babá? Eu quero comer bolo de veludo vermelho da Liv!
Lyo deixa Dylan e sai para buscar Cindy. Meia hora depois, Bob chega com a pizza. Eles comem e conversam, e depois Liv serve o bolo.
Bob: Liv... você só faz esse bolo uma vez por ano?
Liv: É, eu acho injusto com os outros bolos.
Bob: Pois é. Eu comeria isso pelo resto da vida!
Dylan: Mas isso é fácil, é só você casar com a Liv! Aí poderia comer bolo sempre!
Os dois coram furiosamente, e Liv é a primeira a conseguir soltar alguma coisa:
Liv: Lan, coração... casar não é assim... precisa ter mais que bolo de veludo vermelho... um casamento precisa de amor...
Dylan: Ué, mas vocês não se amam? (TÓIN)
Liv: Lan, nós somos amigos...
Bob: O que nós sentimos um pelo outro é carinho, afeto... é importante também, mas não é tudo.
Os olhos deles se encontram, e Liv quebra o silêncio, constrangida.
Liv: Bom, vamos ver um filme então?
Dylan: Ah, eu já escolhi! Trouxe na mochila!
O pequeno dispara para a sala com a prima e Bob atrás. Eles passam pelo corredor quase colados nas paredes; cada relada parece dar um choque neles. Dylan então mostra o DVD: “A casa assombrada de Lavender Town”. Assistir esse filme é uma das poucas coisas que Lyo tinha negado a Dylan, pois ele achava que o irmão era muito pequeno e impressionável. Mas Bob, ansioso por quebrar o climão, achou que um filme de terror seria uma boa. Liv não teve coragem de negar, mas pediu que ficasse em segredo entre os três. Eles se ajeitaram, Bob, Liv e Dylan no grande e confortável sofá de três lugares e colocaram o filme pra rodar.
Dylan, como sempre, dormiu nos primeiros dez minutos de filme. Liv não queria admitir na frente de Bob que queria tirar o filme (até porque preferia que tivessem uma atividade definida, pois ficava nervosa com a possibilidade de Bob retornar ao assunto do jantar), pois tinha pavor. Sofria de uma fobia de escuro desde criança, e sempre foi muito impressionável. Com quarenta minutos de filme, ela estava tão encolhida que o nariz encostava nos joelhos, dura, com os olhos arregalados. Bob precisava ir ao banheiro, e quando foi encostar na mão dela, que agarrava as pernas com tanta força que já estavam marcadas de unha, conseguiu se proteger por um triz da chuva de tapas silenciosa que veio como reação.
Liv (sussurrando para não acordar Dylan): Desculpa, Bob, desculpa! Você me assustou!
Bob: Tudo bem. Vamos fazer o seguinte? Chega desse filme (ele deu stop no DVD). Eu vou ao banheiro, ok? Você fica bem sozinha?
Liv: Fico, fico sim. Que horas são?
Bob: Dez para as onze, por quê?
Liv: Ah, nesse horário passa um seriado antigo que eu adoro. Não sei se você conhece o “Seis vidas”?
Bob: Você gosta desse seriado?
Liv: Adoro! Você também?
Bob: Sim, nossa, eu sempre assisto! Não sabia que passava de sábado à noite! Vou rapidinho no banheiro e volto!
Os dois assistem dois episódios do seriado, conversando sobre os personagens preferidos, episódios que mais gostam e qual a temporada mais engraçada.
Bob (espreguiçando): Liv... eu estou me divertindo, mas estou com sono. Acho que vou pra casa. O Lyo vem buscar o Lan?
Liv: Ah, não. Eu tenho um colchão confortável, ele dorme no meu quarto comigo. Amanhã o Lyo vem buscar. Acho que aqueles dois tem muito atraso pra tirar...
Liv sorri e se perde em pensamentos. Bob olha para ela, e de repente se sente desligado. O sorriso dela faz ele querer levar ela embora, pra sempre, protege-la, abraça-la...
Bob sai do enlevo com um estalo e sacode a cabeça.
Liv: Tudo bem?
Bob: Tudo... tudo... bom, eu vou indo... você fica bem?
Liv: Fico. A casa é segura e tem alarme. Quer bolo?
Bob: Ah, eu quero.
Bob vai embora com o potinho de bolo, o coração disparado das coisas que pensou. A Liv era uma amiga. Amiga. Eles tinham acabado de se acertar, não ia atrapalhar algo tão bom inventando coisas. Ele ficou impressionado com o bolo – sim, aquele bolo tinha alguma mágica, ele era tão bom que deixava a pessoa enxergando tudo de outro jeito. Ele só precisava de uma boa noite de sono, amanhã ele o efeito daquele bolo maluco teria passado.
Ou era o que ele pensava.
Ainda muito agitado, ele saiu da cama e foi para a porta de casa, olhar o céu. Liv estava lá, mas ela não estava com o vestido vermelho de sempre. Estava linda, com um delicado vestido lilás, os cabelos para o lado e a bendita tatuagem à mostra. Ela sorriu e abriu os braços para ele. Ele foi em direção a ela, lhe envolveu em um abraço e... BEEP BEEP
Bob: Meu Deus do céu!
O coração acelerado, ele viu que o celular tocava. Era uma mensagem da Liv:
“Bob, eu não estou bem. Aquela porcaria de filme não me sai da cabeça.”
“Ok, vamos fazer uma brincadeira. Pensa em um Pokémon.”
“Ok.”
“É um Pokémon de tipo metal? Sim ou não?”
“Não.”
“É grande?”
“Sim.”
E assim foi até que Liv não respondeu mais. Ele também dormiu. No dia seguinte, um pouco depois do almoço, Bob foi até a casa de Liv. Ela atendeu com olheiras.
Liv: Oi Bob, tudo bem? Desculpe a sessão da madrugada, mas salvou minha vida. Eu consegui dormir um pouco!
Bob: Disponha. Foi um agradecimento pelo bolo. Vim devolver seu pote. E... aqui tem uma coisa pra você (estica um pacotinho para ela).
Liv (corada): Pra mim? Ai, que gracinha!
Ela abre o pacote e vê uma boneca de pano, com olhinhos verdes bordados e cabelo castanho amarrado. A boneca usa roupinha de bailarina e tem, desenhada à caneta permanente na nuca, a mesma tatuagem de cisne dela.
Liv: É linda, Bob! Onde você arrumou?
Bob: Comentei com a minha mãe hoje o que aconteceu, ela é jeitosa na costura e fez pra você. Ela também gostou do bolo (“ninguém precisa saber que fui eu que pedi pra ela costurar a boneca”, Bob pensou consigo mesmo).
Liv: Puxa, e eu não tenho nada com que retribuir... ah, espera um pouco (entra em casa e sai uns minutos depois, com uma caixa na mão). Essa caixa de ferramentas aqui era do meu pai. Eu dei uma nova pra ele no último dia dos pais, e ele disse que eu podia ficar com essa. As ferramentas estão em ótimo estado, pode ficar com elas.
Bob: Puxa, Liv, não precisa!
Liv: Faço questão. Fica com elas!
Bob pega a caixa de ferramentas, emocionado. Eles se olham e sorriem. Nesse momento, Lyo chega para pegar o Dylan e vê a cena.
Lyo: Puxa, parabéns!
Liv: Parabéns pelo quê?
Lyo: Ué, vocês não estão trocando presente de dia dos namorados?
Eles lembram que na verdade aquele dia é realmente dia dos namorados e ficam completamente sem graça.
Liv: Não, eu nem lembrava disso... essa caixa de ferramentas é do Bob, ele esqueceu aqui...
Bob: E essa boneca é da Liv, minha mãe tinha pedido pra tirar o molde.
Lyo: Aaaaaaah, sei. Bom, vim pegar o Dylan.
Bob: Eu vou indo que tenho um trabalho pra fazer, tchau gente!
Liv: Tchau. Até amanhã.
Bob olha pra trás e sorri. Lyo entra com Liv e fecha a porta.
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