Pokémon Evolution

12 Capítulo 12 - Compras na cidade


É sábado e Cindy e Liv vão fazer compras juntas. No próximo mês, haverá um treinamento intensivo de sobrevivência para os aspirantes a treinadores, e é preciso comprar barracas, fogareiros e outros itens de acampamento. Cindy e Liv se encontram na porta da casa de Liv.

Liv: Oiê!

Cindy: Oi Liv, tudo bem? Está com a sua lista?

Liv: Sim, eu já verifiquei tudo que tenho em casa e tudo que preciso comprar.

Cindy: Você se importa se nós formos até a Tech antes? Eu prometi ao Lyo que nós cuidaríamos das compras dele porque ele tem treino hoje, e se deixar pra semana que vem, não vai ter mais nada ou vai estar muito caro. Só que a lista está na mochila dele e ele esqueceu de me dar!

Liv: Tudo bem, vamos... essa história de separar os acampamentos entre meninos e meninas acabou com a gente, sabia? Eu e o Lyo podíamos muito bem dividir uma barraca, nós somos como irmãos!

Cindy: É, estão dizendo que nem irmãos vão poder dividir barracas. Vão separar completamente as áreas de dormir, e mesmo algumas aulas vão ser separadas.

Liv: Isso é um absurdo, é só pra atrapalhar a nossa vida, se eu pudesse dormir com o Lyo e o Dylan, eu não teria que comprar uma barraca nova e o Lyo não precisaria de um fogareiro! E ele tem um saco de dormir que cabe eu e o Dylan com o maior conforto e...

Cindy revirou os olhos. Já tinha ouvido toda aquela ladainha de Lyo, que tinha feito exatamente as mesmas reclamações, já tinha falado do fogareiro, já tinha lamentado que não sabia cozinhar tão bem quanto a prima, e outras coisas. Foi um alívio quando chegaram à Tech. A caminho do treino de Lyo, passaram pela quadra de basquete, onde Bob também estava treinando. Liv sentou em um banco na beira da quadra para observar.

Liv: Eu posso ficar aqui um pouco? Nunca vi o Bob jogando.

Cindy sorriu e foi encontrar o namorado. Liv ficou assistindo. Ficou impressionada com a maneira como Bob jogava; ele realmente era muito bom. Alguma coisa mudava nele quando estava na quadra, ele parecia maior, mais sério. Ela vinha notando nos últimos tempos, em que não brigavam mais, o quanto ele era sereno e tranquilo, o quanto parecia em controle da situação, e na quadra isso fica muitas vezes mais visível: a concentração e confiança dele no que fazia ele parecer muitos anos mais velho, mais maduro. Naquele momento, Liv sentiu os pés fora do chão, se viu torcendo cada vez que ele pegava na bola, vibrando com cada cesta.

Cindy: Liv? Vamos?

Liv: Cindy? Nossa, há quanto tempo você estava aí?

Cindy: Uns dois minutos. Você pareceu tão empolgada... não quis tirar sua concentração do jogo... ou seria do jogador?

Liv corou e Cindy deu um sorriso. Ela conhecia aquele olhar, aquela fascinação. Achava engraçado como Liv e Bob tentavam negar o que estava escrito na cara deles. Liv se levantou e Bob percebeu que elas estavam ali. Deu um sorriso de longe, Liv acenou de volta. Elas foram embora e Bob ficou ali, plantado até que uma bola o acertou na cabeça.

As meninas foram às compras. No caminho, Liv teve a idéia delas dividirem a barraca. Assim, comprariam só uma e seria a barraca delas durante a jornada. Com tudo comprado, faltava só uma coisa.

Cindy: Bom, agora precisamos comprar maiôs... eu só tenho bíquini, mas fui perguntar pra professora e ela foi específica sobre maiôs. E o Lyo precisa de um calção? E agora? Eu não sei o tamanho dele!

Liv: Ele usa G. Ele é magro, mas aquele bundão não cabe, então tem que ser grande.

Cindy (sem graça): Quê?!

Liv: O Lyo é bundudo, você nunca percebeu? É de família, todos nós somos bundudos. O Dylan, então, as fraldas de recém-nascido não tampavam, tinha que ser a P.

Liv continua a divagar sobre os tamanhos das bundas da família enquanto Cindy, constrangidíssima, pega um calção para Lyo. Depois, escolhem maiôs. Cindy já escolheu o dela e Liv ainda está provando (e continua falando sobre os traseiros avantajados da família e como eles dificultam um maiô que sirva nela), quando o telefone toca.

Lyo: Meu anjo, cadê vocês? Eu, o Lan e o Bob saímos do treino e pensamos em comer algo com vocês, queremos te encontrar.

Cindy: Amor, estamos na loja de moda praia, vizinha de onde você aluga jogos, sabe?

Lyo: Ah, que ótimo, a gente tá pertinho! Estamos indo!

Cindy desliga o telefone e Liv sai do provador.

Liv: Olha, acho que esse ficou bom, finalmente... o que você acha, Cindy?

Cindy: Ah, esse serviu direitinho! E essa cor fica linda em você!

Liv: Você acha? Não tem muito erro, é azul-marinho, né? Acho que vai ser esse mesmo e...

Liv gelou. Cindy olhou pra trás e entendeu o motivo na hora. Parados, olhando para ela, estavam Lyo, Dylan e Bob, o último petrificado e cor de groselha. Sem mais uma palavra, ela voltou para o provador, colocou suas roupas normais, saiu, foi ao caixa, pagou pelo maiô e ficou na porta esperando os outros. Já na porta da loja, fingindo que nada aconteceu, Bob sugere que eles vão comer um crepe francês. Cindy topa na hora, e começa a contar empolgada dos crepes que comeu quando visitou a França, dos tipos de queijo, dos pães recheados com geleias exóticas, e tanto Liv quanto Bob esqueceram do que se passou. Cindy e Lyo iam de mãos dadas, então Dylan ia no meio da prima e Bob.

Dylan: Bob, porque você ficou vermelho quando viu a Liv de maiô?

Bob quase deu de cara no chão. A resposta era óbvia, mas a pergunta feita assim, tão à queima-roupa e na frente da Liv, deixou ele espantado.

Dylan: É porque você acha a Liv bonita?

Liv corou na hora. Quando foi abrir a boca pra explicar pro garoto que ele estava fazendo perguntas demais, Dylan mandou o tiro de misericórdia:

Dylan: Ou é porque você está apaixonado por ela?

Lyo: Opa! Hora de vir aqui no colo do irmão mais velho!

Lyo pegou o pequeno com rapidez, deixando o campo de batalha ardendo atrás dele. Ele e Cindy passaram a cochichar com o garoto:

Lyo: Dylan, não se faz esse tipo de pergunta pras pessoas!

Dylan: Por quê?

Lyo: Porque, porque... por que, mesmo, Cindy?

Cindy: Ah, é... olha, Dylan, eu sei que você gostaria que sua prima namorasse o Bob. Mas eles nunca foram amigos, não se conhecem muito bem, e não adianta forçar os dois a se gostarem, se eles tiverem que namorar, tem que ser por realmente saberem que gostam um do outro. Como eu e seu irmão fizemos, lembra? A gente percebeu que o que a gente sentia não era só saudade, só a felicidade de se reencontrar. E isso leva um tempinho...

Nisso, Liv veio até eles.

Liv: Meninos, se vocês não se importarem, eu vou pra casa... tenho uns deveres atrasados, preciso adiantar...

Dylan: Foi por causa do que eu perguntei? Desculpa, eu... eu... despergunto!

Liv: Não, meu amor, não foi por isso não!

Cindy: Ah, Liv, então a gente come lá outro dia!

Liv: Não, você ficou tão empolgada, vão lá! Outro dia nós vamos, todos juntos, tudo bem? Tchau, pessoal, vou indo!

Liv foi, andando rápido. Bob ficou para trás, pois, além de ficar estranho ele dizer que ia embora também, a idéia dos crepes foi dele. Então, continuou com os outros. Tentou transparecer o mínimo possível o desconforto para que Dylan não ficasse triste. Enquanto Lyo o levava ao banheiro, ele e Cindy ficaram sozinhos na mesa.

Cindy: Você tem que contar pra ela.

Bob: Oi?

Cindy: Pra Liv. Como você está se sentindo. Ou eu estou errada?

Bob: Sim. Não. Não sei... eu e ela estamos nos dando muito bem. A gente tem muito em comum. Mas talvez eu esteja confundindo as coisas. Ela é bonita, é divertida... e aquela tatuagem...

Cindy: Afinal, como você descobriu a tatuagem? Ela não mostra pra ninguém, só as amigas do balé e a família sabiam.

Bob conta como viu Liv ensaiando sem querer enquanto Lyo e Dylan voltam. Quando termina de contar a história, conclui:

Bob: ... e é por isso que eu não sei bem o que está se passando na minha cabeça. Eu acho que eu gosto dela, mas tem outra coisa...

Lyo entende antes de todos:

Lyo: Você tem medo que ela ainda lembre do dia que você disse que nunca namoraria com ela.

Bob: É isso mesmo. Eu sei que a gente fez as pazes, mas ela ouviu quando eu falei isso. Foi da boca pra fora, mas eu acho que ela vai lembrar disso se eu for conversar com ela. A gente já se magoou demais, eu prefiro as coisas como estão.

Os outros se olharam, preocupados. Entendiam muito bem o ponto de vista do amigo. Apesar de estar muito claro que Liv também estava apaixonada, como ela reagiria ao ser pedida em namoro era imprevisível. Podia aceitar, ou podia ser orgulhosa como sempre.

Dylan: Bob, desculpa... eu não vou mais falar essas coisas. Não vou mais te perguntar nada.

Bob: Ah, não tem problema, Dylan. Eu tenho ficado meio sem reação quando vejo ela desde aquele dia dos namorados. Hoje foi meio chocante porque ela estava diferente do que eu costumo ver.

Cindy: Eu devia ter avisado que vocês iam entrar na loja.

Bob: Eu teria ficado sem graça de encontrar com ela do mesmo jeito. Toda vez tem sido assim, até os caras do basquete já estão me enchendo pra falar com ela.

Lyo: Então fala. A Liv é bonita, é popular, e nós vamos sair em jornada juntos. Como você vai lutar contra esse sentimento?

Bob não respondeu. Na verdade, ele já tinha pensado nisso, e cogitou inclusive não partir com Lyo e Liv. Sabia que eles ficariam tristes, Lyo até furioso, mas se precisava se afastar pra superar o que estava sentindo, era isso que iria fazer. Mas ia deixar para última hora, quando Lyo e os outros não poderiam discutir com ele.

Mais tarde, naquela noite, Bob foi até a casa de Liv.

Liv (sem graça): Oi, Bob.

Bob: Oi, tudo bem?

Liv: Tudo certinho. Você?

Bob: Eu estou bem... olha, sobre hoje...

Liv (sorri): Ah, eu fiquei muito sem graça! Me desculpe a minha reação. É que eu não estou muito acostumada a ficar de maiô ou bíquini na frente das pessoas, e acho que nós nunca tínhamos nadado juntos. Fiquei sem graça.

Bob: É, eu também fiquei assim, me senti invadindo um pouco sua privacidade. E sobre o Dylan...

Liv: Eles passaram aqui mais cedo. Eu entendo o pequeno, ele ainda não entende muito bem as coisas. Acha que um menino e uma menina vão acabar namorando. E ainda mais com o Lyo e a Cindy começando a namorar, não dá pra culpa-lo, né?

Bob: Verdade. Eu só queria dizer que estou muito feliz de sermos amigos. Gosto de você e não quero que fique um clima ruim entre a gente.

Liv: Claro que não! Eu também estou gostando de como as coisas estão. Não vamos ficar encanados com isso.

Os dois sorriem, mais relaxados.

Bob: Você comeu alguma coisa? Os crepes estavam maravilhosos!

Liv: Meu pai fez torta de almondêga pra mim.

Bob: Aquela que eu comi uma fez em Pewter? Quando a gente se falava?

Liv: Você lembra da torta?

Bob: Liv, eu NUNCA esqueci daquela torta.

Liv: Estou desconfiada que já sei porque você quis voltar a ser meu amigo...

Bob (corado): Foi por você, mas a torta ajuda.

Liv: Quer entrar, comer um pedaço? Se você não estiver cheio de crepe, claro.

Bob: Sempre tem espaço no meu estômago. Eu aceito um pedaço da sua torta sim.

Os dois entram na casa de Liv, enquanto Dylan observa com a luneta de seu quarto.

Dylan: Não é justo o Bob e a Liv se gostarem tanto e não ficarem juntos. Eu vou dar um jeito nisso, não importa o que o Lyo diga!