Pokémon - A Tale of Kanto

8 O torneio de Cerulean começa!


Notas iniciais
Espero que gostem e me desculpem pela demora!

– Poxa, Anthony. – exclamou Luke. – Bem que você podia ter me avisado antes de ter feito uma loucura daquelas!

Os dois estavam sentados em um sofá do Centro Pokémon. Anthony permanecia emburrado por ter sido expulso do estádio sem assistir os outros eventos enquanto Luke tentava raciocinar o quê tinha acabado de acontecer, recapitulando todos os acontecimentos que rodearam àquela hora.

– Eu ainda não acredito no fato de você ter desafiado ela. – comentou.

– Foi preciso.

– Como assim? – perguntou enquanto brincava com a esfera de Scyther, mandando-a de uma mão para a outra sem perder o controle sobre ela.

– Ela será nossa rival também. – disse. – Eu percebi nos olhos dela. Ela tem a mesma chama que nós.

– Então você quer-me dizer que há uma duelista no rumo para a Liga Indigo?

– Sim, ué. Tem tanta gente por aí e nem os líderes sabem dizer quantas pessoas passam por eles diariamente.

– Você pode ter razão. – Luke inclinou o corpo, parecendo alguém com muita dor no estômago. – Mas tens de se manter oculto por enquanto, cara! Você acabou de destronar o delinquente do Klaus e já quer chamar mais atenções? Você é um idiota por acaso?

– Olha... Desculpe-me, eu não quis gerar essa situação. Eu só me empolguei.

– Tudo bem, mas não faça uma loucura dessas mais uma vez. – reforçou – Lembre-se, estamos aqui para vencer o ginásio de Cerulean e não para atrair os olhares da região inteira.

A enfermeira chegou com a bandeja de seis espaços sendo que apenas três estavam ocupadas. Os cabelos ruivos rosados da mulher balançaram sobre os seus olhos por um breve momento antes dela contê-los com a mão. Luke permaneceu pensativo no sofá, tentando planejar o próximo passo dos dois. Eis que Anthony lembrou-se de algo importante.

– Haverá um torneio em breve, sabia?

O riquinho ergueu os olhos e esboçou um sorriso torto, como se estivesse surpreso e ao mesmo tempo assustado.

– Eu não sabia... Podemos participar se nada acontecer até a data. – disse – Quando é?

– Daqui a três dias.

– Três? – Não pareceu emotivo ao dizer essas palavras. – Tudo bem.

Ouviram passos leves vindos da recepção.

– Posso ajudar vocês de alguma forma?

Era uma enfermeira formosa. Havia longos cabelos castanhos e ondulados escorrendo pelos ombros como se fossem rios até terminarem sobre os seis quase se tocando. Possuía um sorriso branco demais para serem verdadeiros, os dentes dando a impressão de serem nuvens sólidas, mas ao mesmo tempo intangíveis para a maioria dos homens. Ela vestia o simples uniforme branco das enfermeiras e carregava uma prancheta de madeira na mão esquerda. Luke a observava sem interesse, estreitando levemente os olhos e passando a analisa-la de esguelha, desconfiado.

– Er... Senhores? Posso ajuda-los com algo?

– Ah sim! – Respondeu Anthony após sacudir a cabeça para recuperar o foco. – Como podemos nos inscrever na próxima competição.

– Pode ser comigo. – ela disse, mostrando a prancheta. – É só me dizer o seu nome e assinar um papel confirmando a inclusão de três Pokémon no torneio.

– Três Pokémon? – Perguntou Luke com tom desconfortável. – Não é muito?

– Será uma competição oficial que a Instituição de Batalhas de Kanto, a IBK, vai supervisionar. – afirmou. Mexia as mãos tão livremente que deixou uma estranha sensação na retina da dupla. – Qual é o seu nome? – Foi para Anthony.

– Eu me chamo Anthony Asher.

– Certo, AA. – falou, terminando de escrever o nome do garoto. Virou a prancheta e a entregou junto a uma caneta. – Poderia assinar aqui, por favor?

– Sim. – disse e o fez sem muita demora.

O próximo foi Luke que não parecia muito contente de dar a sua assinatura e o nome para uma enfermeira aleatória.

– Obrigado pela cooperação e boa sorte. – disse ela antes de vagar até o próximo treinador isolado.

O chão branco reluzente foi martelado duas vezes pelas solas impacientes de um treinador grande e gordo. Era um menino bruto com algumas cicatrizes marcando os lábios e a região sobre o nariz, mantendo os olhos fixos na enfermeira enquanto se aproximava. Garotos o seguiam de um modo obediente, como se todos fossem equivalentes a algo como cães sem rumo. Era simplesmente uma gangue em busca de suprimentos, nada diferente do que foi visto em Viridiana.

– Eu preciso de seis poções. – disse com insolência em cada letra e tom que cuspia.

– Nós não vendemos poções aqui, senhor. – foi falando a enfermeira que tratou do time de Anthony, mas um dos meninos ao lado do enorme rapaz retirou um canivete do bolso e apontou para ela.

– É melhor que nos dê isso logo. – inquiriu.

– Isso mesmo. – Concordou outro dos garotos.

– Eu não posso. Desculpem-me. – E de fato existem regras que impedem que as enfermeiras deem material do Centro para treinadores. Na mente de Luke e Anthony aquilo era um verdadeiro assalto seguido de uma tentativa de homicídio.

– Então tome! – O garoto atacou.

Luke se alvoroçou para impedir a ida de Anthony ao conflito. Os dois estavam incomodados com aquela atitude, mas ao mesmo tempo não podiam fazer nada para interferir. Assistiram ao menino e seu canivete riscarem o ar na direção da enfermeira e de último momento viram-na cair no chão sem poder fugir. Anthony apanhou uma das esferas na bandeja e tocou em seu feixe para liberar a trava e uma cortina de fumaça subir. Parecia que não, mas ele sabia exatamente o quê fazer e quem escolheu. Um par de asas brancas com entalhes negros rasgou a densa cortina também branca.

– Não toque nela. – pediu Anthony.

Mas o garoto ignorou o aviso e pressionou o joelho contra o estômago dela. Uma das mãos apalpou o seio da enfermeira ruiva e ele soergueu o braço para a apunhalada final pela desobediência. Foi assim que por um micro segundo a mente do jovem enevoou-se e ardeu como mil sóis. O choque fora tão grande que ele caiu de costas sobre o chão, babando e convulsando por instantes antes de apenas desmaiar. Os dedos amoleceram no processo e o canivete caiu, tilintando o metal da lâmina com o aço do chão.

– Eu avisei. – disse Anthony ao lado de sua Butterfree. Luke pareceu estar descontente com o rumo que as coisas tomaram, mas ele deu um passo em frente e deliberou o Scyther no piso branco prateado. – Finalmente decidiu se envolver?

– Pois é. – disse Luke. – Quando o seu melhor amigo é um idiota, você também tem de ser, não acha?

Anthony fez uma careta e voltou a atenção para a gangue. Percebeu o modo com que todos eles se vestiam: Trapos. Provavelmente um grupo de rua. Todos menos o maior deles, ousando usar roupas de marca diante de seus asseclas em frangalhos.

– Por que precisam de poções agora? – indagou enquanto estreitava os olhos. – Não é melhor apenas deixarem as enfermeiras cuidarem de seus Pokémon?

Viu-os estremecer com o tom inquisidor. O maior deles avançou, quase que rindo.

– Como se eu fosse admitir ser tratado junto de vermes como vocês. – afirmou. O sorriso torto e afiado lembrava o de um tubarão. – Até parece que não conhecem um membro da família Marx quando veem um.

– Marx? – Anthony perguntou para Luke, virando a cabeça por um momento.

– É uma família famosa das redondezas de Saffron, mas que anda decaindo nos últimos anos. Estão sob o estandarte dos aquáticos faz algum tempo devido ao fato de terem sido destronados da posição de comando e terem perdido a vaga de líder para uma psíquica.

– E você ousa dizer isso?! – Estava realmente ofendido. Deu mais um passo e rangeu os dentes. – Eu exijo o quê eu pedi agora ou acabarei com a raça de todos vocês.

– Seu... – Anthony ia atacar, mas sentiu a mão de Luke mantê-lo para trás. – Não começa com isso de novo não...

– Deixa comigo.

– Hein?

– Estou decidido em mostrar para esse filho de papai como se luta de verdade.

Scyther acompanhou o seu mestre, riscando o chão com suas lâminas. Luke deixou de seguir os próprios conselhos por um momento e poderia ser chamado de hipócrita, mas a fama recaiu apenas sobre Anthony e não sobre si. Um Pokémon enorme capengou de trás do treinador gordo e exibiu os seus músculos acinzentados com linhas vermelhas vivas correndo pela sua pele dura e fria como pedra. Rosnou para Butterfree e Anthony enquanto acariciava o cinturão em sua cintura com as duas mãos gigantes. Os estranhos adornos em sua cabeça brilhavam um bege morto, nem perto de ser amarelo ou dourado.

– Machoke, eu deixo essa luta com você! – disse da forma mais confiante possível.

– False Swipe.

Antes que algo pudesse ser dito ou ouvido, o ar dentro do Centro Pokémon tornou-se fúnebre. O Machoke caiu no chão sem se mover após a ordem, tendo um grande talho no peito e vasando uma grande quantia de sangue escarlate. A prata esverdeada das lâminas do inseto adquiria um aspecto puramente rubro. O riquinho mal entendeu o quê aconteceu antes de uma das enfermeiras acudir o caído. Seus comparsas fugiram durante o confronto desesperados.

– Acabou. – Luke disse.

– Exibido. – comentou Anthony. Exibia um sorriso de orelha a orelha, completamente satisfeito.

O treinador fez o esperado: Fugiu do lugar, abandonando o seu companheiro caído nos cuidados das enfermeiras. Scyther limpou suas garras e observou o público assustado para finalmente dar de ombros e vagar até o seu dono. Foi retornado quase que de seguida.

– Ótimo trabalho. – falou o rapaz.

A enfermeira assediada veio lhe agradecer um pouco depois, ainda que meio assustada com a sequência de eventos absurda. As pessoas não esperavam ver treinadores tão fortes já em Cerulean, por isso havia gente atrevida a ponto de tentar roubar o Centro Pokémon. Agora restou apenas para os dois treinar para o Torneio que estava por vir. Apesar das confusões, nenhum dos dois foi descoberto e puderam passar o resto do dia descansando. Saíram à noite para treinar e assim se repetiu nos próximos dias.

Três dias depois.

Ensurdecedor era o som dos carros que faziam a travessia nas ruas de Cerulean. Anthony caminhou lado a lado com Meowth e Luke na calçada, observando de longe uma briga informal entre motoristas. Daquele tipo que não há socos e chutes, apenas insultos insignificantes vindos da segurança proporcionada pelas camadas de aço entorno de seus corpos. Um deles não admitiu as ofensas e acelerou para deixar aquele lugar o mais rápido possível. Um coro de buzinas fez com que o fluxo tomasse suas proporções normais, expulsando os inconvenientes da rota.

– Movimentado. – comentou Anthony para seus dois companheiros.

– Sim. – Luke concordou, observando ao longe o estádio em que estiveram dias atrás. – Estamos chegando, portanto retorne o Meowth.

– Tudo bem. – disse e o fez, retornando o felino para a pokébola respectiva.

Subiram uma escada de cimento em uma pequena colina que servia para reconectar um caminho ao outro, sendo que o inferior da colina levava ao mercado local e a rota que existia no topo da colina servia para dar caminho ao estádio. Havia diversas rotas para serem seguidas, mas Luke conhecia todas e escolheu a mais longa e também a menos habitada para irem ao estádio. Aquele dia começou bem. Tomaram café juntos lá no Centro e pegaram os seus times com a enfermeira de nome Aila, a ruiva a qual salvaram. Tiveram um tempo para assistir as notícias e partiram.

– Espero que seja divertido dessa vez. – disse Anthony.

– Vai ser sim. – foi o mais complacente possível na resposta. – Haverá treinadores poderosos entre eles.

Anthony recordou-se de Mia Cloud e seu método peculiar de combate. Lembrou-se de como ela nocauteou uma Ponyta usando uma Jynx e também o jeito dela no momento da vitória, esquecendo as diferenças e apertando a mão de sua adversária derrotada. A campina puramente verde fugia do aspecto urbano que a cidade tinha, dando a visão de um extenso lago em que pescadores trabalhavam, recolhendo Magikarps e Goldeens das águas límpidas de Cerulean.

As nuvens enegrecidas passeavam pelo céu e começou a chover. Gotas de chuva tocaram o rosto de Anthony, acariciando a sua pele com um toque frio o bastante para fazê-lo se arrepiar por inteiro. A competição seria bem longa e ele já pressentia a vinda de guerreiros poderosos e um grande número de adversários. Serão por volta dos quinhentos e doze participantes... Funcionará mais ou menos assim:

Começa com quinhentas e doze pessoas entrando na fase das preliminares podendo usar apenas um Pokémon.

Duzentas e cinquenta e seis pessoas passarão e se enfrentarão em mais uma preliminar. Dois Pokémon serão utilizados. Fim do primeiro dia.

Cento e vinte e oito pessoas restarão para a terceira preliminar. Um Pokémon.

Daí sessenta e quatro pessoas entrarão na quarta preliminar. Dois Pokémon. Fim do segundo dia.

Trinta e dois participantes irão compor a última preliminar. Um Pokémon.

Dezesseis pessoas estarão nas oitavas de final. Um Pokémon. Fim do terceiro dia.

Oito pessoas participarão das quartas de final. Dois Pokémon.

Quatro participantes na semifinal. Três Pokémon. Fim do quarto dia.

O terceiro lugar será resolvido por um combate entre os perdedores da semifinal. Três Pokémon.

E finalmente dois participantes lutarão na final. Três Pokémon. Fim do último dia.

Será mais ou menos assim que o torneio irá ocorrer. Anthony percebeu algo incrível quando chegaram no estádio: Gente de todo o tipo entrava pelo túnel dos participantes depois de receber sua ficha e arquivar o seu nome em um computador ao lado da recepção. E para surpreender um pouco mais, a dupla presenciou a inexistência de pessoas para comprar ingressos.

– Não tem ninguém? – indagou Anthony.

– Não, não. – uma voz atrás dele respondeu. – É que o primeiro é visto apenas na televisão por acontecer no subterrâneo.

– Subterrâneo? – foi Luke quem perguntou.

– Sim, não há espaço o suficiente para tantas arenas ao mesmo tempo, por isso criaram uma área embaixo da arena aonde deverão ocorrer as eliminatórias.

– Ah! – Anthony lembrou-se de ter ouvido algo do gênero quando passou um tempo em Viridiana. – É verdade. Isso veio por causa da demora dos combates, não é?

– Pois é. As lutas não são tão simples quanto parecem. – disse a voz. – É necessário um preparo físico e mental para ser bem sucedido.

Luke olhou de esguelha para a pessoa atrás deles e viu apenas um amontoado de gente andando em sua direção. Não havia ninguém ali. Voltou-se para Anthony e o guiou na direção da entrada. Finalmente chegou a vez dos dois pegarem seus números e entrarem no túnel. O primeiro fora Luke.

– Nome?

– Luke Scliar.

– Scliar... – repetiu enquanto digitava o nome no sistema. A ficha foi rapidamente imprimida e entregue ao menino. – Aqui está, confira a sua numeração no rodapé.

– Certo.

– Próximo. – disse uma mulher em um guichê mais abaixo.

– Minha vez. – Anthony avançou na direção do boxe e ficou de frente para a enfermeira de cabelos castanhos daquele dia. – Olá.

– Oi! Como vai, menino? – Ela pareceu surpresa, mas não entrou em estado de choque. Apenas digitou o nome do rapaz sem perguntar nada, afinal ela já sabia os seus dados.

– Eu vou bem... E você?

– Ótima. Obrigado por participar. – disse, estendendo o braço para entregar a ficha. – Confira o seu número aí embaixo.

– Certo. – Anthony meneou a cabeça por um momento e depois seguir para fora sem se despedir.

Encontrou Luke sentado na fonte lá para o final do túnel. Ele observava sereno as águas, deixando que seus cabelos serpenteassem a sua testa grande. O vento era forte mesmo em uma área estreita daquelas e por isso não era muito bom vacilar enquanto com a ficha na mão. Anthony balançou a folha, chamando a atenção de seu amigo.

– Qual é o seu número?

– Trinta. – respondeu.

– Ufa... Eu peguei o quatrocentos e três.

Luke pareceu estranhamente feliz.

– Tão longe assim?

– Sim! Provavelmente só nos enfrentaremos lá para as finais.

– É uma boa notícia.

Anthony olhou para os lados.

– Para onde vamos agora?

– Desceremos até o andar das sessenta e quatro arenas. – disse. – Lá seremos transmitidos para os telespectadores. Haverá pessoas por lá que farão discursos ou coisa parecida, por isso é bom garantir a nossa presença lá.

– Tudo bem. Falta muito para isso acontecer?

– Não. – disse, conferindo o relógio de prata em seu pulso. A jaqueta de couro reluziu à luz das lâmpadas. – Pelo menos uns vinte minutos. Quer pegar algo para beber?

– Acho melhor, se vamos passar tanto tempo por aqui.

Compraram uma garrafinha de água para dividir em uma loja a lá casa do pão de queijo e sentaram na mesma fonte, observando um velho a gritar:

– Bicicletas! Nós vendemos bicicletas por um preço justo! – ele agitava o braço enquanto isso.

– Não acha legal comprar uma? – perguntou Anthony para Luke.

– Não precisamos disso. – disse. – Tenho um amigo que pode nos fornecer um ticket aqui perto.

– Sério?

Recebeu um aceno de cabeça em resposta. Ouviu o zumbido dos altos falantes, um grunhido desafinado que se tornou palavras roucas aos poucos racionais.

– Para os quinhentos e doze participantes: — começou. – Em cerca de quinze minutos iremos iniciar o torneio, portanto é preciso que desçam aos níveis inferiores.

E um outro ruído sinalizou o final do anúncio.

– Siga-me. – Luke se pôs de pé e começou a andar na direção das escadarias.

Anthony o seguiu correndo. Notou a perfeição construtiva das paredes. Tijolos cobriam suas cabeças de uma forma incrível, sem ao menos dar a impressão de estar livre da estrutura e poder cair. O piso frio e úmido ecoava os passos dos participantes. De repente, essa superfície transformou-se em uma escadaria composta também por tijolos, mas agora completamente invisível na escuridão, inalcançável pela luz alaranjada típica de túneis na estrada.

A escadaria finalmente converteu-se em um salão mergulhada na luz branca de holofotes. Cerca de cinquenta ou mais arenas se extendiam pelo local extremamente longo, todas com um respectivo time de profissionais em seu topo: Um juiz, uma enfermeira e um grupo de gravação. Eram sessenta quatro grupos monitorando as partidas sem falhar, e todas simultaneamente. Os espaços entre uma plataforma e outra era composto por um chão de pedra roxa e rugosa com declives e aclives baixos.

– É imensa. – Anthony disse, mas Luke não pareceu ouvir.

– Ali! – apontou um treinador perto deles.

Em uma sala localizada na intersecção de uma das paredes com o teto estava a narradora das lutas demonstrativas, um velho barbudo em roupas informais e um homem de terno preto com uma longa gravata vermelha pendendo de seu pescoço. Podiam ser vistos pela única e enorme janela do cômodo. Havia mais pessoas por ali, mas daquele ângulo não era possível vê-las. Luke e Anthony mergulharam no mar de participantes sem muitos problemas e conseguiram chegar até o outro polo do salão, passando das poucas e mais afastadas arenas.

– Muita gente. – Luke disse, tossindo um pouco.

– Não tenho como discordar de você dessa vez, cara. – Anthony ofegava quando se sentou no chão de pedra roxa. – Vamos ficar longe disso por enquanto.

– É melhor. – Luke suspirou aliviado de não ter de retornar ali. – Essa competição será complicada, não acha?

– Talvez seja mesmo. – disse. – O pessoal daqui não parece forte, pelo menos a maioria não.

Olharam para cima, onde a narradora preparava-se para os seus anúncios. Quando terminou, ela ergueu-se sobre um pequeno suporte de metal fixado entre as barras de mesmo material que sustentava as vidraças da enorme janela.

– Eu, Charlotte Danvoug, dou as boas vindas a todos os competidores do torneio anual de Cerulean! – um coro de gritos empolgados decorou a apresentação a partir daquele ponto. – Hoje, dia doze de outubro de dois mil e quinze, nós da Adventure Trainers temos o orgulho de iniciar a competição! Cerca de sessenta e quatro times de profissionais estão responsáveis por cada uma das plataformas das preliminares. Cada um dos combates terão regras ditadas pelos respectivos juízes e a quantidade de Pokémon será anunciada antes do começo do confronto, então aguardem um pouquinho aí! Que se iniciem os jogos!

Passaram-se poucos minutos até que:

– Participante vinte e nove e participante trinta, venham para a arena quinze, por favor! – disse um dos juízes mais distantes usufruindo de um megafone.

– Acho que sou eu. – disse Luke, pondo-se de pé em um salto. – Encontro você na próxima fase, Anthony.

– Pode apostar que vai! – E viu o seu amigo avançando para o seu primeiro combate.

Notas finais
Comentem, :P!