Pokémon - A Tale of Kanto

9 Estratégias e armadilhas! Switch!


Notas iniciais
Desculpem esse ano sem postar nada. Isso aconteceu por um desânimo em cadeia, mas eu estou retornando a partir de hoje com essa série e prometo repensar como vai acontecer a série A Árvore da Vida baseada em One Piece. Esperem o melhor para esse ano!

No final do dia, quando Meowth estava quase de joelhos perante o caído Beedrill, Anthony era o vencedor do seu primeiro combate. Os espectadores maravilhados pelas habilidades daquele felino de pelos de um bege embranquecido e de seu treinador.

— O participante Anthony vence! – disse o espectador, folheando a sua prancheta – Eu peço que vá siga o túnel a leste e chegue à recepção – E entregou um cartão revestido de bronze para o menino – Dê isso ao recepcionista e aguarde.

— Tudo bem – Anthony recolheu o item e retrocedeu Meowth à sua esfera.

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Seguindo as instruções, rumou entre pequenas massas de vitoriosos na direção do túnel. Era a mesma coisa do anterior, mal iluminado e com um cheiro perturbador de cândida. Ao final do trajeto, desbocou em uma sala retangular que cabia no máximo cem pessoas, número superior ao de candidatos para a segunda fase. Encontrou Luke descansando ao lado de uma máquina de refrigerantes enquanto tomava uma Itubaína retro, sabe? Listras brancas e azuis e um gosto peculiar. Cumprimentaram-se em silêncio e Anthony foi até a recepção.

Quando apresentou aquele pequeno ticket alaranjado e reluzente, uma das três recepcionistas locais vasculhou gavetas e entregou uma chave ao rapaz. Coletou o ticket e o arquivou nas mesmas gavetas. A mulher instruiu Anthony a ir ao seu quarto, onde iria passar todos os dias da competição. Também contou a ele sobre as regras locais e que tudo seria da conta dos organizadores e nada seria retirado dos bolsos dos treinadores. Ela lhe falou dos lugares onde ele poderia treinar.

— Sua luta começará às oito horas, portanto se prepare. – disse – Dessa vez serão usados dois Pokémon, então escolha bem e tente não usar algum que já lutou hoje.

— Certo. Obrigado – disse o rapaz para a recepcionista.

— Boa sorte – respondeu antes de voltar as suas atividades.

Quando deu por si, estava comprando um refrigerante na máquina ao lado de Luke.

— Foi fácil lá? – Perguntou o excêntrico amigo de Anthony.

— Não – disse – Achei que ia ser bem mais fácil, mas eu peguei um bom oponente já no início.

— Ah... Eu tive sorte e enfrentei um cara fraco.

Anthony riu de leve.

— O quê ele usou contra você?

— Cara, ele usou um tipo grama – disse – Aquele Gloom, sabe? Foi questão de segundos para eu derrota-lo. E o seu?

— Um Beedrill.

Ele engoliu em seco e olhou para Anthony com alguma seriedade.

— E o Meowth? Reagiu bem?

— Conseguiu encarar a dor, eu acho – ele dizia enquanto bebia uma Fanta uva e se dirigia para perto do amigo. Sentou-se ao seu lado.

— Isso é bom – disse – Mas e aí? Qual quarto é o seu?

Anthony leu o pedaço de madeira preso à chave.

— Vinte e dois, e o seu?

— Cinco – ele disse em um tom meio debochado, parecia achar graça da pouca sorte que os dois tinham – É melhor irmos aos quartos, já está ficando de noite e logo precisaremos comer algo.

— Pois é.

— Me encontre na área de alimentação daqui a... – Ele recorreu ao relógio do seu smartphone – Uma hora, beleza?

— Tá – Anthony respondeu, levantando-se em conjunto com Luke. – Vê se não atrasa.

— Certo – E se embrenhou por uma das passagens próximas da recepção.

Tony demorou um pouco mais para achar o seu quarto que estava bem no meio da segunda passagem. Cada uma dessas passagens era um túnel com pelo menos dezesseis quartos e seguia aquela lógica estranha de hotel que começava do lado esquerdo e terminava na entrada, só que do lado direito. O quarto era grande até, o suficiente para recepcionar os seus três Pokémon e a si mesmo. Perguntou a si próprio como ficaria o quarto que alugara no Centro Pokémon mais cedo? Será que fora cancelado?

— Saiam os três – ordenou.

E assim fora feito. Horsea foi o primeiro a atender o chamado e foi ao chão ereto. Observou o ambiente com atenção demais enquanto Meowth e Butterfree brotavam de suas esferas em meio a fumaça branca. Enquanto o trio se acostumava às instalações, Anthony pesquisou alguns detalhes que o intrigaram sobre o combate de mais cedo. Descobriu sozinho a velocidade que um Beedrill tinha e também o seu poder de ataque esmagador experimentado em primeira mão por Meowth.

Jogou a latinha de refrigerante em uma lixeira próxima da cama e voltou a sua atenção para outro fato importante. Usaria qual Pokémon no próximo combate? Não podia se esconder atrás do Meowth durante toda a competição e logo teria de recorrer a outro dos dois. Não que eles fossem ruins ou algo do gênero, eram apenas menos acostumados aos combates mano a mano. Deduziu por fim que optaria pelo Butterfree antes do Horsea, talvez por não possuir controle total em sua melhor técnica e querer lapidá-la melhor antes de usá-la a sério. Quando terminou de vasculhar a internet, Anthony pegou um casaco seu disposto na sua mochila posicionada ao lado da cama e saiu do quarto, prometendo trazer comida para os três.

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Descobriu que o lugar não era tão complexo quanto achava. Ao sair de sua passagem e acabar na recepção, que, diga-se de passagem, estava vazia com exceção das três recepcionistas, encontrou um mapa daqueles que são vistos em parque de diversões e em lugares turísticos famosos. Guiou-se para a área de alimentação no horário combinado e andou por aproximadamente cinco minutos.

Atravessou um corredor que ligava algumas arenas de treino do estabelecimento. Por janelas de vidro pôde ver alguns combates curtos e simples, sem nada muito especial. Viu alguns treinadores teimarem em treinar seu Pokémon com a esperança de melhorá-los antes das suas lutas no próximo dia. Conforme andava, notava pessoas diferentes das demais, algumas bem mais experientes do quê as outras e dotadas de companheiros muito mais peculiares que os dos outros.

A área de alimentação era enorme em comparação com os outros cômodos, podendo peitar até o salão de combates que agora estava bem distante deles. Em mesas quadriculares, treinadores de todos os tipos e origens tinham o seu jantar, uns comendo alimentos saudáveis, outros lanchando enormes hambúrgueres e alguns só apreciando algumas bebidas enquanto não dava o toque de recolher.

Luke comia um cheeseburguer numa mesa próxima a lanchonete em que conseguiu a refeição. Ele havia negado lugar a algumas pessoas só para que Anthony tivesse onde sentar. E lá estavam os dois. Tony pegou um cheese salada pra forrar o estômago antes de dormir. Bateram um papo sobre os competidores e comentaram alguns adversários estranhos e que pareciam bem fortes.

— Eu vi um cara junto de um Tauros mais cedo – disse Luke – Disseram que ele venceu um Graveler com poucos golpes.

— Esse é perigoso – Tony remexia o canudo em seu copo, fazendo os cubos de gelo dançarem em espiral no refrigerante negro – Ouvi falar por aí que alguns treinadores trouxeram companheiros enormes, maiores do quê carros.

— Tá brincando – disse.

— Não.

E riram os dois.

— Espero que consigamos nos enfrentar nas finais.

— Sim... – Mas os dois não tinham tanta esperança quanto pareciam ter. – Tenho um combate em cerca de uma hora...

— Eu tenho em meia – rebateu. Luke nunca foi de demonstrar fraquezas, sempre sustentava o olhar firme perante Anthony em todos os desafios e dificuldades – Mas eu vou vencer e passar para a próxima fase.

— Quanta confiança, não?

— Não tenho arrependimentos. – disse em deboche.

Um alarme tocou na cantina. Diversos monitores de audiovisual piscaram enquanto pendurados nas paredes brancos do estabelecimento subterrâneo e formaram a figura de um único homem. Este era um dos principais organizadores do evento, um dos que, por trás dos panos, manipulavam as ferramentas necessárias para concluir os seus objetivos.

— Antes de mais nada, quero dizer boa noite a vós, jovens. – Sua voz mecanizada zumbia nos ouvidos de Anthony – Temo dizer que mais um combate está chegando hoje. Mas dessa vez, podem apostar que seus futuros estarão entrelaçados em suas ações mais do que nunca. – Pausou por segundos – Isto por que há, pelo menos, sessenta e quatro patrocinadores observando os combates de maneira minuciosa.

Burburinho em todo o complexo de salas. Aquilo foi uma surpresa em tamanhos que implementou o nervosismo.

— Cada um dos combates seguirá o padrão de um contra um e será permitido trocar o Pokémon como artificio de combate usando técnicas de Switch— Mais um enxame de comentários metralhados sobre alguém que não os escutava por estar longe demais para isso. Vale dizer que o Switch é uma modalidade de artifícios de combate usado muito em competições de alto calão, justamente por necessitar de habilidades notáveis para usá-lo. Ele é, basicamente, a arte de trocar os Pokémon durante uma partida, valendo-se de técnicas e habilidades para aprimorar emboscadas e ataques diretos – Como sempre é dito, ao final de tudo aqueles que se esforçarem serão recompensados. É isso.

As telas se apagaram. O silêncio veio antes do caos e do nervosismo. Eram mais ou menos sete horas e todos que estavam enrolando se levantaram e se afastaram. Alguns ainda mantinham magicamente a calma, calculando os custos de tanto se preocupar e voltando ao que faziam. Luke estava nesse segundo grupo.

— Acho melhor você ir se arrumar, cara – disse Anthony.

Luke encarou o amigo.

— É... Você tem razão Tony – Raro vê-lo aceitar algo tão fácil – Encontro você quando der.

— Beleza.

E cada um dos amigos optou por um caminho. Mal sabia cada um deles que uma tramoia maior ainda estava por vir.

—--

Era por volta das sete e cinquenta quando Anthony recolheu os seus três companheiros. Estava meio bambo pelo nervosismo, mas precisava seguir em frente para sobreviver. Respirou muito fundo e decidiu para si mesmo que não ia usar Meowth nesse segundo confronto para só usá-lo quando precisasse dele de verdade.

Os corredores foram de pouco em pouco se acalmando. Um ou outro treinador corria frenético pelos túneis e entrava nos arredores do salão das arenas inferiores para lutar. Anthony observou mais a frente a enorme quantidade de pessoas que haviam terminado cedo o combate e descansavam sentadas nos sofás de couro do Hall em que recebera a chave do seu quarto.

Prosseguiu até um dos portões principais da arena. Viu de relance um rapaz caído com ferimentos leves e o seu companheiro, um Rattata, dilacerado, feridas por tudo quanto era lado, sendo tratado por uma enfermeira e sua Chansey. Anthony engoliu em seco ao assistir àquela cena horrível. A realidade dos treinadores era muito cruel para quem permanecia fraco.

A porta se abriu com um empurrão pela parte de Tony e as luzes dos grandes holofotes suspensos surpreendeu o rapaz, se não o cegando por instantes. Poucas lutas continuavam e dali onde estava não viu Luke. Deve estar no quarto dele... Anthony pensou.

Faltavam só quatro minutos quando foi chamado pela primeira vez. Atendeu logo de cara e avançou até a plataforma doze. Sua respiração ficou pesada ao observar o juiz e sua expressão de seriedade máxima. A equipe médica se concentrou mais atrás dos pontos de combate e montou uma cabana em um dos cantos do salão, esse já desocupado pelos participantes. Câmeras permaneciam posicionadas o tempo todo, servindo como os olhos de patrocinadores o tempo todo.

O oponente de Anthony chegou depois de dois minutos. Era, por sua vez, alguém inesperado. Um rapaz magricela e frágil de aparência despontou na escada oposta a de Anthony. Encararam-se por um momento que poderia ser comparado com horas sem fim. O rosto do novo oponente era marcado por olheiras negras, o fazendo parecer com um panda.

— Agora que os dois estão aqui, espero que tenham uma luta justa – Concordaram em silêncio – As regras do confronto são simples. O uso do Switch é permitido durante o combate. Cair da arena é o mesmo que perder o combate. Ferimentos serão socorridos sem demora, por isso se um de vocês for alvejado, o outro não deve atacar o seu corpo. Entendidos? – Concordaram novamente – Então, podem se preparar.

Muniram-se com duas esferas cada um. Só restavam dois combates além do seu por ali. Parecia que a grande maioria se solucionou bem rápida e que logo iria poder descansar de verdade.

— A luta de agora será realizada entre o participante Nilo e o participante Anthony! – disse com firmeza – Cada instante será crucial nesse combate para as fases principais! Portanto, deem o seu melhor a partir de agora! – Ergueu os braços e em seguida os desceu, cortando o ar – Lutem!

Velozes, os dois se moveram, seguindo para direções opostos. Um para a direita e o outro para a esquerda. Anthony apanhou uma das esferas de seu bolso e a lançou para cima. Rodopiou várias vezes no ar e propiciava a cair. O tal de Nilo acompanhou o movimento do artefato e disparou o seu na mesma direção. O choque entre os dois fez uma grande massa de fumaça branca seguir para os dois lados e revelar uma borboleta arroxeada e seu bater de asas frenético em frente a um Beedrill! Ambos disputaram olhares do juiz e avançaram um contra o outro.

— Beedrill, Twineedle! – Ele armou os dois espigões que tinha nos braços e disparou pelo ar.

— Dance, Butterfree!

O encontro dos dois astros no céu do salão foi magnífico. Dançaram uma valsa de ataques. A borboleta girou e deslizou lenta, indo para os flancos desprotegidos da abelha sem ataca-la. Foi arriscado, mas o inimigo desceu até plataforma e virou-se de costas para o piso.

— Fury Attack! – E subiu mais uma vez.

Os ferrões serviram como balas de uma intensa metralhadora de ataques leves. Apenas um riscou Butterfree, mas não chegou a envenená-la por ter sido bem de raspão. O inseto manobrou o corpinho e foi-se pelos ares em busca de uma estabilidade melhor. Beedrill mais uma vez estava no mesmo plano que sua arquirrival. Mais uma vez se aprumou do seu alvo, mas dessa vez com um plano três vezes melhor do quê o anterior. Anthony não percebera que no trajeto rente ao solo, Nilo implantou uma de suas esferas na pata direita de seu parceiro.

— Agora!

A esfera se dispersou. Beedrill foi recolhido instantaneamente e uma massa roxa fugiu da esfera, englobando parcialmente a borboleta e a fazendo despencar. Anthony sabia que uma queda daquelas seria a derrota de sua parceira e então decidiu fazer o máximo para remediar aquela perda.

— Primeiro ganhe espaço! – Aproveitou a força total das asas da Butterfree para movê-las. A lama não permitia total mobilidade, mas alcançou a intensidade suficiente para batê-las em um frenesi sortudo. Com aquilo firmado, a borboleta estava livre para surpreender a todos – Use o Confusion! – E brilhou em um tom púrpura e dispendeu uma onda de energia mental sobre o inimigo. Sabia pouco sobre ele, mas não custava tentar algo no desespero.

Conseguiu fugir de último momento. O Grimer podia ter se esparramado, mas Anthony não havia terminado a sua sequência. Em segredo, por entre os pedaços de seu inimigo, mandou a esfera de Horsea. O inimigo mal percebeu o feito por causa do que ia se seguir.

— Whirlwind – Antes mesmo de cair, a lama roxa fora alvejada por uma enorme rajada de ventos circulares, a fazendo se espalhar tanto e depois se juntar na Poké Bola de Nilo. Fora algo bem pensando e usado no instante exato.

O juiz acompanhava surpreso o combate, podia ser dito o mesmo do rapaz que conduzia as gravações. Beedrill despontou mais uma vez, agora obrigado. O sumiço da lama revelou a esfera posicionada um pouco abaixo do inimigo e, enfim, a armadilha estava totalmente armada.

— SWITCH!

E a esfera se abriu.

Notas finais
Espero que gostem, ^^!