Notas iniciais
EU MORRI MORRI MAS POSTEI. Desculpa gente, foi sem querer HAUAHAU Mas é que ultimamente, além de eu estar quase não escrevendo direito, tô me esquecendo de corrigir antes de chegar o tempo de postar. Ontem fiquei assistindo anime ao invés de corrigir e postar o capítulo, aff eu. Sem falar também que tenho um último trabalho pra entregar, mas quem disse que tô fazendo? :v Quero ver se pelo menos essa semana eu não enrolo porque né, depois do Enem vou chegar em casa mais morta que defunto KLSJDLKA Mas alguém me salva pelo amor de Arceus. nem terminei o 9 ainda, estou muito morta. Esse capítulo mesmo estava planejando olhar mais com calma e dar uma arrumada em algumas coisas, mas eu tô morta, gente, perdi minhas concentração tudo na escrita. Eu não sei o que foi que ocorreu T^T Tô quase procurando alguns curso intensivo e dizendo que tenho uns tdah da vida -qqq Anyway, esse capítulo aqui tá um pouco grandinho (eu estou tentada a fazer uma piadinha de Virus com o título do capítulo, rç), mas ele é de boas gente. O ritmo das coisas continua bem calmo por enquanto, e também é nele que estou roubando o nome do projeto da tia da PF antes mesmo de ela começar ahauahau Bom, que vamos começar aqui é o Projeto insiranomedacidade aqui, ou no caso, Projeto Violet. Só se resume ao tempo/número de capítulos em que os personagens passam em cada cidade o que imagino que, depois de um tempo, vai aumentar bastante. Até lá embaixo /o/

A caminhada do dia seguinte foi bastante cansativa para todos os integrantes do grupo. Em especial, a Linus. Desacostumado a tais coisas, principalmente a caminhar tanto, se viu cansado ainda mais facilmente de que o próprio Alex, o que oi em pouco menos de uma hora.

Sim, o cão costumava viver numa floresta, e costumava ter de caminhar por bastante tempo até finalmente conseguir caçar de forma apropriada, mas aquela era uma situação completamente diferente.

A começar pelo fato de que Chiyo insistia em apressá-los, andando num ritmo rápido demais para o lobo cinzento. E segundo porque ele não se recuperara totalmente do incidente dia anterior. Seu corpo ainda doía, e seus membros ainda pediam por um descanso. Ser submetido a uma caminhada intensa assim pareceu algo bastante cruel de se fazer com ele.

Mas por mais que olhasse para Margareth aproveitando-se do ombro do treinador para descansar ali quando ela mesma perdia as forças, Linus se recusou a fazer o mesmo. Isso, e também permanecer na esfera e branca que fora capturado, coisa que lhe fora oferecida assim que Alex percebera o cansaço do pequeno. Acabou por aguentar a pequena tortura de caminhar cada vez mais rápido a mando de Chiyo e Natsuhi em silêncio, já que reclamar também estava dentro da lista de coisas das quais se negava a fazer.

Bem, de certa forma, aquilo era mais do que merecido. Fora avisado que toda aquela pressa se dava pela ferida de Alex, caminhar tanto assim parecia um bom castigo. Porque naquele dia, a única coisa realmente animadora e que ajudou em seu humor foi quando finalmente deixaram a floresta, dando lugar a um cenário completamente novo ao canídeo.

Agora, o cenário estendia-se com um tapete de grama fofa, interrompido apenas ela estradinha de terra que voltava a se fazer presente. Lugares que Linus sequer havia visto antes, e um cenário certamente bonito para se ver. Além desta, o céu se encontrava num azul límpido, desprovido de nuvens e muitas vezes mais nítido que muitos já vistos por ele.

Como ainda era manhã, uma brisa fria brincava com seus pelos, amenizando o pouco calor que o sol era capaz de fornecer. Ao longe, viam-se as montanhas, a cada quilometro mais próximas.

No entanto, apenas isso ajudou e ainda foi por pouco tempo. Ao passar das horas o sol voltou a ficar alto no céu, o frio da manhã se foi e o calor os castigava. A luz do céu, estava praticamente em seus rostos, atrapalhando a visão, e não havia nenhum lugar decente para pararem. Não que o fossem fazer agora, é claro.

Por pura insistência de Chiyo e pelo fato de a cidade estar ainda mais próxima, caminharam por algumas horas a mais, sem paradas para descansar, até que finalmente a cidade estava a sua frente.

Um cenário igualmente desconhecido a Linus, Violet parecia ser uma cidade não lá muito grande assim, mas felizmente, possuía aspectos tanto humanos quanto naturais ali. Em todo lugar que olhava, a urbanização encontrava um jeito de harmonizar-se com as árvores, jardins e todo o verde ali presente. Os prédios, para o deleite do pequeno, não pareciam ser tão grandes do que já eram, de modo que pôde olhar o céu com bastante facilidade. As casas também eram assim, sendo poucas aquelas que possuíam mais de três andares. Pois afinal, as construções tomavam certo cuidado em manter uma organização padrão pelas ruas.

Àquele horário da tarde, haviam várias pessoas caminhando, de modo que o pequeno teve de caminhar junto de Alex para não acabar se perdendo. Ainda era difícil manter o passo desejado por Chiyo, mas o fizeram de qualquer forma, dobrando ruas e parando algumas poucas para perguntar a direção desejada. Acabou que, trinta minutos depois, finalmente conseguiram chegar ao Centro Pokémon.

Bem como Linus se lembrava, o Centro não passava de um prédio maior do que os normais, na cor branca, e uma fachada vermelha com uma Pokéball negra cortada ao meio.

Espalhados por toda a cidade, os Centros Pokémon funcionavam como pequenos hospitais voltados para os monstrinhos de bolso, assim como o nome sugeria. O tratamento médico era quase completamente de graça, se estivesse certo, enquanto a parte que funcionava como um hotel aos treinadores viajantes era paga. Eram, basicamente, um recurso para ajudá-los, inclusive durante a viagem, considerando que haviam Centros localizados no meio das rotas, quando a distância entre uma cidade e outra era muito grande.

Seu interior assemelhava-se muito ao de um hospital humano, com o saguão branco e uma recepção, onde uma sorridente enfermeira estava sempre pronta para atendê-los. Espalhados pelos cantos, haviam sofás vermelhos e certamente confortáveis para se passar um tempo, e havia até mesmo um local onde havia uma TV, num programa sobre notícias.

Os treinadores certamente que gostavam de aproveitá-la, e isso se provava pelos poucos que estavam sentados ali, ao lado de seus Pokémons. Não só estes, como haviam alguns poucos na fila da recepção, também. Aparentemente, era para cuidar dos Pokémons feridos ou tratar algum assunto e especial.

Foi para lá que Chiyo arrastou Alex. O menino, sem forças, se limitara a pressionar as costas contra uma parede, porém por pouco tempo. Sua companheira de viagem não parecia nem um pouco disposta a deixá-lo ficar ali, então optou por puxá-lo pelo braço até a fila.

— Ugh, Chiyo, não posso descansar nem um pouquinho? — resmungava o garoto, praticamente arrastando os pés para acompanhá-la. — Tô com sono...

— Não — respondeu de forma rápida e direta. — Qual é, só precisamos de um quarto e de te levar num hospital depois. Não falta muito agora.

— Essa é a décima vez que você me diz isso. — Bufou, embora o dissesse num tom estranhamente divertido. — Em todas elas demoramos mais de uma hora para sequer chegar aqui.

— Bom, a culpa não é minha se você reclama uma vez a cada cinco minutos.

— Ugh, sua chata.

E com isso, o diálogo foi parcialmente encerrado. Ouviram-se apenas risos baixos vindos de seus Pokémons, aparentemente não tão alheios a conversa assim. Não lhes deram atenção, então a única escolha que Alex teve foi ficar ali na fila, vigiado por Chiyo. Felizmente, poucos minutos se passaram até que sua vez chegasse, deixando o garoto acordado uma vez mais.

A enfermeira lhes exibiu um sorriso amigável, provavelmente o mesmo que dera para muitos outros treinadores. Parecia ser alguém jovem, na faixa dos vinte e cinco anos. O rosto era branco, e os cabelos na cor rosa claro, típica da família de enfermeiras que costumavam trabalhar em Centros como aquele. Se Alex bem soubesse, eram conhecidas pelo sobrenome Joy, o que tornava mais fácil de se referir a ela. Isso era confirmado pelo cartão preso à roupa branca, anunciando que se chamava Kyoko.

— Olá, como... — O sorriso se desfez ao ver Alex, e por um momento, o menino se perguntou se os dias passados na floresta o haviam deixado tão horrível assim. — Meu Arceus, o que houve com sua mão?

— Ele só foi descuidado para mexer com um Pokémon. — Chiyo deu de ombros, respondendo por ele. Alex, por sua vez, limitou-se a assentir, um sorriso amarelo no rosto.

— Oh céus, vocês treinadores estão cada vez mais descuidados. — Balançou a cabeça e sinal de desaprovação, mas em seu rosto, havia um sorriso. — Primeiro os Pokémons, agora vocês mesmos?

— Bem, uh... Não foi intenção... — Essas palavras vieram de Linus, sentindo-se na obrigação de se explicar a enfermeira, mesmo que de onde estava não pudesse vê-la sem erguer a cabeça.

Alheia a suas palavras, Kyoko penas continuou:

— Vocês são novos aqui, certo? O que desejam?

— Um quarto. — Chiyo apressou-se em responder, arrancando um olhar assustado de Alex. Sem notar, porém, a menina pareceu um pouco pensativa antes de continuar: — Na verdade, acho melhor um de solteiro e um pra duas pessoas. Pra mim e pra minha irmã aqui.

E apontou para Natsuhi, sorrindo em cumprimento à enfermeira.

— Certo, certo — murmurou, virando-se para um computador ao lado do balcão. — Poderiam me dar os Trainer Cards por um momento? Para poder registrar seus nomes.

Assentiu, e a menina tratou de por a mão nos bolsos, procurando o dito cartão. Alex fez o mesmo, e momentos se passaram em que apenas o som das teclas da enfermeira era ouvido.

— Alexander Nielchard e Kanon Chiyo? — perguntou, como que apenas para confirmar o pedido. Ambos assentiram, e com isso a enfermeira lhes devolveu o Trainer Card, agora procurando a chave do quarto. — Número setenta e sete e setenta e oito, quarto andar, no fim do corredor à direita.

Chiyo assentiu, pegando as chaves e entregando uma a Alex. Permaneceu na fila por um pouco mais de tempo, porém, voltando-se para e enfermeira.

— Podemos deixar nossos Pokémons aqui? E você saberia me dizer onde é o hospital?

— Claro. — Veio a resposta com um sorriso, e Chiyo trocou algumas poucas palavras com Yatagarasu sobre deixá-lo ali para exames, o que ele aceitou com certa relutância. Aparentemente, deixaria apenas ele ali, enquanto Alex deixaria ambos os Pokémons, entregando as Pokéballs e pedindo aos Pokémons para ficarem com a enfermeira. — Mais tarde eu aviso vocês pra quando puderem buscá-los.

Agradeceram, e finalmente, Alex, Chiyo e Natsuhi deixaram a fila.

Sem dizer muito, Chiyo simplesmente tomou a frente, mais uma vez arrastando Alex consigo em direção as escadas. Os quatro lances desta foram percorridos repletos de resmungos aborrecidos do menino, devidamente ignorados pela treinadora. Ao invés, ela apenas se virou para Natsuhi, aparentemente perguntando sua opinião sobre as decisões tomadas. Quando, finalmente, pararam a frente da porta do quarto de Alex, uma feita de madeira e com uma plaqueta indicando seu número, avisou o que planejava:

— Deixa suas coisas aí num canto, que vamos pro hospital agora.

A surpresa que Alex pareceu ter com seu anúncio foi, no mínimo, notável.

— Agora!? Achei que você ao menos ia me deixar descansar.

— Mas é claro que não. — Rolou os olhos, para então encará-los com maior seriedade. — Você não vai dormir até irmos pro hospital.

Alex suspirou, num resmungo. Por um lado, uma parte de sua mente agradecia pela insistência, já que, se ele estivesse sozinho, provavelmente nem iria se importar em fazê-lo. Por outro, o lado oposto reclamava justamente porque seu desejo era cair na cama e dormir pelo resto do dia.

Mas é claro que Chiyo não o permitiu. Na verdade, acabou desconfiando dele e entrou em seu quarto sem fazer cerimônia, esperando que o menino jogasse suas coisas num canto, finalmente aliviando as costas do grande peso. Enquanto isso, foi Natsuhi quem guardou as da irmã mais velha, e com uma simples barrinha de cereal como almoço, deixaram o Centro.

Segundo Chiyo, o hospital não era lá tão longe assim do Centro, então não havia muito com o que se preocupar. Alex decidiu que não confiaria, ainda sentindo os efeitos da última vez que perguntara quando ainda estava na rota 31. Porque afinal, demorou quase quarenta minutos para finalmente encontrarem um pronto-socorro.

Uma simpática enfermeira os atendeu pedindo para esperarem numa fileira de cadeiras de plástico posta num canto da sala, junto de outras pessoas. Não foi preciso explicar o ocorrido, e sim apenas deixá-los esperando por mais um tempo. Ao menos Alex finalmente pode descansar as pernas.

Como escolhera um lugar próximo a parede, o menino não hesitou em pousar a cabeça sobre ela, fechando os olhos por um momento. O corpo todo berrava por um descanso, doía pelos momentos em que caminhara, e pior ainda, a ferida pareceu achar que aquela era uma boa hora para latejar. Teve de se conter para não resmungar de dor, porque agora, era como se todos os momentos em que a reprimira ou não a notara resolvessem aparecer para lhe atormentar.

Ele estava cansado. Realmente cansado. Os quinze minutos em que passou esperando foram praticamente uma tortura, e novamente teve de ser arrastado por Chiyo quando seu nome foi chamado. Arrastou-se com ela até um corredor, seguindo uma mulher alta, loira e vestindo saltos. O som deles batendo contra o piso era irritante, e o fazia ter dor de cabeça.

— E então Alexander, o que foi que aconteceu com você? — A voz da mulher lhe chamou a atenção, logo após apontar uma salinha que pouco prestou atenção. Apenas sentou numa cadeira acolchoada que lhe foi indicada, e só. Estava cansado demais para olhar.

— Ele machucou o pulso. — Chiyo respondeu por ele, puxando a mão que latejava para lhe mostrar a bandagem já suja de sangue novamente. Em seguida, postou-se a explicar a situação: — Foi tentar falar com um Pokémon selvagem e levou uma mordida. Aí fez esse corte horrível. Não deu pra eu fazer muita coisa sobre o assunto, mas estanquei o sangramento e cobri com bandagens, estava trocando até chegarmos aqui.

A enfermeira crispou os lábios vermelhos de batom, em sinal de irritação.

— Ainda digo que vocês treinadores vão acabar se matando do tanto que se arriscam — reclamou, balançando a cabeça em desaprovação. — Deve ser o terceiro essa semana que vem por machucado de Pokémon.

Chiyo apenas emitiu uma confirmação breve em resposta, e observou enquanto a mulher desfazia as bandagens, tirando a gaze agora vermelha para revelar a ferida. De forma súbita, os olhos de Alex olharam para qualquer lugar que não fosse o braço machucado e latejando, e ele ofegou.

Podia sentir o cheiro de sangue. Sabia, também que ele provavelmente estaria escorrendo do braço naquele momento. Talvez junto com pus, talvez? Imaginar aquilo o deixou enjoado.

— Meu deus está bem feio — A mulher disse aquilo com um arregalar de olhos.

— I... Isso é ruim? — perguntou, ainda sem olhar em sua direção.

Antes de responder, a mulher lhe entregou um pequeno termômetro, o qual segurou com a mão livre.

— Coloca isso na axila, por cima da blusa, e aperta por um minuto. — Ajudou-o nessa tarefa, e, depois, continuou: — Claro que é ruim. Está infeccionado já, e só de olhar já dá pra saber que vai precisar de pontos.

— Oh, céus — foi um murmúrio fraco, mas o suficiente para captar o desespero do menino.

Poucas palavras foram trocadas quando a mulher finalmente começou seu trabalho. Prontamente, puxou um pedaço de gaze, e pressionou contra a ferida para estancar o novo sangramento. Um breve grito teve de ser sufocado de Alex, para então transformar-se em gemidos cada vez mais altos e agonizantes. Ele não sabia se o pior era a dor, ou o fato de lágrimas estarem embaçando sua visão, ameaçando cair, ou de que Chiyo estava observando.

Acabou se vendo incapaz de conter as lágrimas quando a mulher finalmente começou seu trabalho. Com um frasco de álcool, limpou, desinfetou e tratou o corte antes de aplicar a anestesia por meio de uma injeção. Apesar dela, porém, ele não achava que a dor iria embora assim tão fácil.

Os olhos se arregalaram quando a mulher procurou por linha e uma agulha, primeiro certificando-se de tirar o termômetro de seu braço. Franziu o cenho para o número ali mostrado, e voltou-se para seu braço novamente.

Alex observou, incrédulo, enquanto ajustava a linha negra, dirigindo-a para a ferida aberta.

— Oh, não, não. — Primeiro, a voz soou como um mero sussurro, repleta de agonia. — Por favor...

— Calma. — A mulher o confortou, exibindo um sorriso. — Não vai demorar.

Suas palavras, porém, não pareceram ser de tanta ajuda assim.

— Mas vai doer, vai sangrar de novo... Eu sei que vai.

— Não, não vai. — Paciente, ela continuou com o sorriso. — Viu, eu apliquei a anestesia, e como eu já cuidei não vai sangrar de novo, a não ser se você fazer algum movimento brusco.

Fungou, dispensando suas palavras, mas não protestou de novo quando a mulher finalmente começou a aplicar os pontos. Costurou a pele de forma rápida e eficiente, fruto de anos e mais anos de experiência. Ao menos, foi um alívio para o garoto.

Provavelmente pela pequena ceninha que havia criado momentos atrás, tal como uma criança faria, a mulher optou por passar a receita e os remédios a Chiyo e Natsuhi do que Alex. Aquilo não o impediu, porém, de ouvir a conversa que estavam tendo.

Aparentemente, a médica passou uma pomada, no caso da ferida coçar ou doer demais. Depois, um antibiótico e recomendou as coisas comuns que sabia que todo médico recomendaria: uma alimentação saudável, descanso, e beber bastante água para ajudar na febre.

— E é melhor que não saiam da cidade ou tentem algo perigoso até isso melhorar! — disse aquilo com um tom de ameaça, como se não importasse com o fato de que, tecnicamente, ela não podia fazê-lo com os pacientes.

Por último, houve uma recomendação que Alex não se importou em ouvir, e só aí o grupo deixou a sala. Ou, melhor dizendo, Chiyo o puxou pelo braço bom para obrigá-lo a sair ao seu lado. Porque se fosse por Alex, ele continuaria deitado de olhos fechados pelo resto do dia.

No entanto, aquilo não pareceu ser o que Chiyo desejava fazer no momento, então o arrastou consigo. Quase tirou de Alex uma exclamação de surpresa e medo ao mesmo tempo. Só não o fez realmente porque, antes mesmo de algum som deixar seus lábios, a vergonhosa cena de momentos atrás voltou a sua mente, e ele julgou que não seria uma boa ideia fazer algo agora.

Então tudo o que fizeram foi passar numa farmácia, pagar pelos remédios, e voltar a caminhar em direção ao Centro. Novamente, é claro, na mesma velocidade apressada com que Chiyo andava, ainda puxando Alex pelo braço para ver se assim ele a acompanhava direito. Isso fez com que Alex olhasse para Natsuhi, se perguntando como é que ela mesma conseguia fazê-lo sendo tão pequena.

— Então, como sou uma pessoa muito bondosa — Começou Chiyo em determinado momento, balançando a mão livre que segurava a sacola com os remédios. — Quando chegarmos, vamos almoçar e você pode ir fazer o que quiser depois.

— Vai me deixar livre então, é? — falou aquilo num tom divertido, como uma pergunta retórica, já que não demorou muito a continuar: — Vai sair com aquele Murkrow pra comprar o vidro ainda?

— Não. — Balançou a cabeça. — Estou tão cansada quanto você. Vou amanhã mesmo, ou depois, pra ter mais tempo. Quero ver a cidade.

— Uh, eu também quero ver a cidade... — A frase soou hesitante. De certa forma, Alex não se sentia assim tão bem em dizê-la, quanto mais ao ver Chiyo erguer uma sobrancelha em resposta. — Se importaria se... Eu também fosse?

— Pode ser. Você pode me ajudar a procurar as coisas por aqui.

Um sorriso se abriu no rosto de Alex. Pelo menos, ele não passaria o dia seguinte sozinho.

— Me chama quando for então? Tenho a impressão de que depois do almoço, vou dormir até amanhã.

— Vou chamar. — Assentiu. — Chamo também pra tomar os remédios.

— Ugh, remédios — reclamou, mas aquilo saiu em um tom mais de brincadeira do que por aborrecimento real.

Houve um sorriso de Chiyo, e foi aí que a conversa morreu de vez. Continuaram caminhando, concentrados no movimento de seus pés, envoltos por uma falta de palavras que, aparentemente, incomodava mais a Alex do que as outras duas. Ele parecia estar sempre procurando algum assunto para falar e envolver-se em alguma conversa com a Pokémon e sua treinadora.

Isso parecia uma tarefa bastante difícil de fazer, apesar da grande vontade. Como poderia ele começar uma conversa quando os eventos recentes ainda estavam vivos em sua memória, trazendo o medo de tomar uma iniciativa? Talvez Chiyo não estivesse para conversas depois de ter visto como o garoto agia em certas situações. Como se já não bastasse a hematofobia, ela provavelmente estaria pensando. Não valeria a pena conversar sobre isso, valia?

Aquilo rendeu apenas suspiros durante boa parte do trajeto. É claro, ele também não tinha nenhum assunto que valia a pena ser conversado. Era difícil, também, pensar em um quando não conhecia os gostos das garotas andando ao seu lado.

Se Alex fosse dizer a verdade, ele quase nunca soubera como iniciar uma conversa com quem não conhecia. Podia se afirmar que era aquele tipo de pessoa que, no começo, não o saberia fazer, mas depois que começasse, o faria com prazer. Esse, é claro, era o caso de agora. Preferia mil vezes que Chiyo ou Natsuhi iniciassem uma conversa, ou que em algum momento de tédio extremo, ousasse tentar.

No fim, acabou por soltar um suspiro e simplesmente seguir-lhe os passos assim mesmo, no silêncio. O pensamento de que em breve conseguiria matar a fome e então dormir o mantinha caminhando, porque de resto, o braço continuou dormente e a mente continuou enevoada.

Pareceu uma eternidade até que avistaram o Centro Pokémon. A partir daí, ao menos as coisas andaram um pouco mais rápidas. O plano era almoçar no Centro mesmo, porque aparentemente, todos os hospitais Pokémon espalhados pelas cidades possuíam mais do que apenas o hotel aos treinadores. Havia também uma arena para batalhas e um refeitório, também pago, que fornecia café da manhã, almoço e jantar, além de pequenas outras coisas para um lanche fora de hora. Dependendo do horário, podiam conseguir o almoço ainda, então se dirigiram ao refeitório com a esperança de que isso fosse verdade.

E realmente era. Comeram no silêncio de um conjunto de mesas, pouquíssimos sendo os treinadores que estavam ali com a mesma finalidade.

Depois dali, Chiyo o acompanhou até o andar de seu quarto, entregou a sacola de remédio, e só então separaram os caminhos.

Inspecionando a sacola de remédio com muita dificuldade, Alex entrou em seu quarto. A primeira que fez quando o viu foi suspirar, porque naquele ponto, os pensamentos voltaram, o braço parecia estar voltando a vida, e também porque ainda havia muita coisa a ser feita. Uma delas era o banho, algo que ele certamente sentia falta, e até certo desconforto por os dias passados sem um. Ou talvez o fato de que aquele ainda era um local desconhecido e que sempre quisera conhecer. Certamente que desejaria explorá-lo e ver se os cobertores realmente ficavam no armário. Ou ainda dar um jeito de ligar para a mãe. Eram tantas opções.

Olhou para o quarto, pousando os olhos na cama arrumada. De repente, a sua vontade de pensar em todos aqueles assuntos pendentes diminuiu até o ponto e não existir mais. O vazio que este deixou foi preenchido pelas necessidades de seu corpo, coisa que Alex não viu meio algum de recusar. Dirigiu-se até sua cama, tirando os sapatos de um modo desajeitado no caminho, e dormiu assim mesmo.

***

Os olhos de Frederick se abriram pela milésima vez naquela tarde, na esperança de encontrar algo a mais ali. No entanto, não viu anda mais que um estranho vazio em todo o cômodo.

Os móveis da sala estavam exatamente como sempre estiveram. O sofá no centro, um tapete marrom felpudo em frente, o mesmo que Alex adorava dormir, apesar de sua mãe reclamar que não era mais uma criança para fazer aquilo. A TV posta na estante estava desligada, trazendo um silêncio quase que desconfortável ao local. As outras coisas, por sua vez, eram bem poucas, considerando o tamanho da sala. Moderadamente grande, se fosse considerar sua situação financeira. Com uma boa decoração também, até.

Hoje, porém, a sala de estar parecia estranhamente vazia.

Na verdade, sempre era vazia para Frederick. Hinoki, como uma professora numa escola próxima, estava sempre ali em suas horas vagas, que se resumiam ao fim do dia e da tarde, quando seu tempo de trabalho chegava ao fim. Pela maior parte da manhã, Frederick e Alex também ficavam fora. Às vezes, em algumas tardes também, mas no todo, quem fazia companhia ao solitário Frederick eram o filho e seu Emolga.

Ou, como estava sendo nos últimos dias, somente Eddie.

Faltavam dois dias para fazer uma semana desde a ida de Alex (ele sabia por que, é claro, estivera contando), a mesma quantidade de tempo em que ficara sozinho e esperava pacientemente pela ligação do filho. Desde então, a casa parecia ter perdido parte de seu brilho, e talvez até do conforto que costumava passar. Tudo estava mais silencioso, mais calmo, mais vazio. E consequentemente, Frederick havia sido deixado um pouco mais vazio também.

Porque agora não haveria mais ninguém que pudesse lhe contar de como estava feliz com a quantidade de dinheiro que vinha juntando, impressionado com seu progresso. Não havia mais com quem brincar, ouvir as preocupações, o ajudaria nos afazeres de casa, e muito menos alguém a mais para preparar o almoço ou o jantar além de, é claro, Hinoki.

Era de se esperar, de certa forma. Alex finalmente havia realizado um dos sonhos que tanto esperara para realizar e que tanto trabalhava para conseguir. Já não era mais uma criança, precisando de cuidados dos pais, e já não precisava mais ser guiado para fazer seu caminho. Naquele momento mesmo, ele estava criando seu próprio caminho.

E isso entristecia Frederick. Alex fora seu único filho até agora. Vê-lo partir para não voltar em alguns dias, ou talvez não voltar para ficar ao seu lado era algo realmente doloroso para o homem. Quase como se sentisse uma parte de si ir embora.

Uma parte que não queria dizer adeus.

Suspirou, continuando a mover a vassoura pelo chão da sala. Pensar naquele tipo de coisa não era de seu feitio, e afinal, não era como se nunca mais fosse ver o filho de novo. Em breve o menino ligaria para avisá-los de que havia chegado à primeira cidade de sua jornada, e como ele bem conhecia Alex, estaria sempre ligando para contar suas novidades. Não havia sentido em pensar naquele tipo de coisa, então.

Ele sabia, porém, que aquilo era só um jeito mais bonito de se enganar. Pois, afinal, sempre que ele terminava os afazeres diários da casa, sentava-se no sofá e descansava assistindo qualquer coisa. Naquele dia, contudo, passou a tarde ao lado do telefone fixo de casa, esperando o momento que ele fosse tocar. Do mesmo modo que passara todos os cinco dias desde a saída de Alex.

Sabia que era algo bobo de se fazer, mas Frederick não se importava. Estava ansioso para ouvir a voz do filho de novo, saber se ele estava bem. Acreditava que, em algum momento, sua paciência de permanecer ali a tarde toda seria recompensada.

Tinha que ser. Afinal, Alex fizera uma viagem segura, não fizera? Não havia como não fosse tão difícil, visto que ultimamente, haviam poucos treinadores passando pela rota 31 e a 32. Além disso, sabia que o filho era inteligente o suficiente para não tomar a estrada destinada aos carros. Confiava no quanto ele sabia sobre viver numa floresta, dormir a céu aberto, e todas essas coisas. Testemunhara seu esforço para conhecer.

Mas nenhuma daquelas coisas conseguiu ajudar com seu medo. Nada podia combater o monstro da preocupação, tomando cada vez mais conta de si, fortalecendo com os minutos se passando de forma cada vez mais lenta. Os dedos batiam na mesa onde ficavam o aparelho telefone, e a cada momento que se passava, sentia perder ainda mais a sua capacidade de ditar os próprios pensamentos.

Pelo menos, é claro, até o momento em que suas voltaram e o monstro foi vencido com a arma final: o toque do telefone.

Rapidamente, o homem puxou o gancho e pressionou ao ouvido, segurando-o com as duas mãos. A frase costumeira foi completamente ignorada dessa vez, e tudo o que ele pôde falar foi apenas uma única e sufocada frase:

— Alex?

Pai? Hey, oi pai! Tudo bom?

Aquela foi provavelmente a primeira vez em que Frederick se sentiu tão aliviado em ouvir a voz do filho. Permitiu os músculos relaxarem, e sorriu.

— Sim, sim, vou bem.

Como vai a mãe? — Soou como uma pergunta bastante animada da parte do menino. Foi ali onde Frederick percebeu que sentira falta daquele tom. — E as coisas por aí?

— Vão um pouco solitárias, pra falar a verdade. Mas a gente está lidando. — Sorriu novamente. — Sua mãe está na escola agora. Mas e você, como é que está? Aproveitando bem a viagem?

Quando a resposta veio, Frederick pode imaginar muito bem um brilho de animação encher o olhar do filho.

Oh sim, estou. Aconteceram muitas coisas nesses últimos dias, sabe? Por exemplo, eu nunca imaginei que dormir ao ar livre era tão cansativo. Cheguei só ontem de tarde e estava quase morrendo de cansaço.

— Hah, é bem assim mesmo. Me lembro de como era cansativo, e de quanto tempo eu ficava numa cidade logo depois de viajar. — Meneou a cabeça. — Bons tempos, bons tempos.

Mas é muito chato, e muito perigoso também.

Aquelas palavras fizeram com que Frederick estremecesse. De repente, todas as opções de coisas que poderiam ter acontecido de ruim ao seu menino passaram por sua cabeça.

— O que aconteceu? — perguntou, receoso.

Fui falar com um Pokémon — explicou —, e ele simplesmente me mordeu.

— Ah, bom, jurava que era outra coisa. — Uma risadinha. — Capturou ele, é?

Capturei sim — disse aquilo com triunfo notável.

— Ooooh, me conta mais, me conta! — Frederick apertou o fone com mais força, impaciente. Agora, era a vez dele de exibir uma animação notável na voz. — Que Pokémon é? E a Margareth? Já conseguiram treinar? Vocês estão se dando bem? Quando vai tentar o ginásio? Qual é o nome dele?

Uma risada foi ouvida do outro lado da linha.

Calma, pai, calma. Eu vou contar tudo.

— Conta logo, anda. — Insistiu. — Cê não vai ter coragem de deixar seu lindo pai curioso, vai?

Tá bom, tá bom, eu conto — riu mais uma vez. — Bom, é um Poochyena, e o nome dele é Linus. Ele apareceu no acampamento quando estava com fome, quase roubou meu Nuzffles, mas a Margareth o impediu, ele desmaiou e cuidamos dele. Ainda não sei muito sobre ele, já que eu cheguei no Centro pokémon praticamente ontem. Aí hoje eu estava planejando sair pra ver a cidade, o ginásio, e ver como treino depois.

— Ahhh, tu precisa me contar como é que está ginásio agora quando você for. E vai ter que me ligar pra pedir dicas pra treinar. Eu tinha um Poochyena também, sei umas coisas bem legais, e...

Claro, claro — O menino o interrompeu. — Mas pode ser depois? Não sou tão rico assim, daqui a pouco essa chamada fica mais cara do que eu posso pagar.

— Oh. — Frederick esperou que a decepção em sua voz não estivesse clara o suficiente para Alex perceber. Seria vergonhoso se esse fosse o caso. — Tudo bem, então...

Vou desligar então, ok? Diz pra mamãe que eu quero falar com ela, e que eu prometo ligar mais tarde.

— Pode deixar. Divirta-se, e toma cuidado.

Vou tomar. Até mais!

E desligou o telefone.

Frederick colocou o gancho de volta no aparelho, e observou-o por um momento, imaginando que aquela se tornaria uma das coisas mais interessantes do mundo se continuasse olhando daquela forma. Ficou imaginando se o filho ficaria bem, se tinha dinheiro suficiente e se ele realmente iria ligar mais tarde. Depois, levantou-se da cadeira, observou a sala, e suspirou.

De repente, Frederick se sentiu extremamente triste.

***

Alex desligou o celular com uma irritação aparente. Ele tinha quase certeza que todos os seus créditos haviam sido gastos com aquela única ligação, e balançou a cabeça para isso, em desaprovação. Ligações para telefone fixo sempre eram uma coisa irritante, ele tinha que admitir.

O fato foi deixado de lado rapidamente, no entanto. Havia bastante coisa para se fazer naquele momento, se havia. Levantou-se da cama para começar, aproveitando para espreguiçar o corpo. Apesar das horas e horas em que havia dormido, ele ainda parecia um pouco dolorido e pesado, certamente pelas caminhadas dos dias anteriores. Pelo menos, o descanso prolongado havia lhe rendido algumas coisas boas, como estar quase completamente acordado. Talvez nem tanto, e talvez fosse somente porque o braço machucado finalmente voltara ao normal e estava doendo como nunca, e era impossível dormir ou se sentir sonolento com uma dor daquelas.

Estendeu o braço para a pequena cômoda que havia ao lado da cama, onde deixara seu celular e os remédios. Pegou um deles, e após tomar, foi direto para o banheiro. Estava precisando de um banho.

A primeira coisa que fez ao entrar no banheiro foi olhar para o seu reflexo. Quando o fez, porém, quase se assustou ao ver uma pessoa completamente irreconhecível ali. Seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal, parecendo estar um pouco mais escuro, também. Olheiras se encontravam abaixo de seus olhos, apesar de o garoto não se sentir tão cansado assim, e as roupas, num estado quase deplorável de tão amassadas.

Alex estremeceu. Subitamente, sentiu um ímpeto incontrolável de se trocar, então se despiu e foi até o chuveiro. Somente depois de quase uma semana viagem que se dera conta de como seu corpo sentira falta dos pingos caindo rapidamente por sobre seu corpo, levando a sujeira junto a medida que escorriam em direção ao chão.

Suspirou por um momento, e apoiou a cabeça em uma das paredes. Agora que estava acordado, havia algumas coisas que tinha de pensar. Dali a algum tempo, Chiyo apareceria para chamá-lo para tomar o café e ir passar o dia na cidade, e depois, bem... Ele ainda tinha de trabalhar nisso. Mas é claro que como Alex era uma pessoa incrivelmente organizada, ele deixou o assunto de lado e resolveu que uma ideia melhor seria aproveitar o momento por enquanto. Teria tempo para pensar melhor depois, de qualquer forma. Assim que saísse e trocasse de roupa, poderia dar um jeito nisso.

Acabou que as coisas não saíram exatamente do modo como planejara. Mal teve tempo de sair do banheiro, após de longos vintes minutos, e já se ouviu uma batida na porta, assim como a voz de Chiyo. Quando abriu a porta, a menina estava acompanhada de sua irmã e, praticamente, todos os Pokémons. Assim que Margareth e Linus o viram, fizeram um aceno de cabeça em cumprimento, juntamente com um sorriso.

O grupo, então, dirigiu-se para o refeitório. Alex até pareceu se surpreender com a quantidade de pessoas reunidas e Pokémon reunidas ali, muito diferente do dia anterior. Eram tantas que causavam um burburinho animado, várias conversas sendo ditas ao mesmo tempo e muitas, muitas vozes diferentes.

Conseguiram um lugar no fundo do aposento, e pediram o café da manhã para eles e os monstrinhos de bolso. Ao menos com os Pokémons ali, a companhia de Chiyo e Natsuhi não foi tão silenciosa como de costume, e o menino até se viu capaz de manter uma conversa a mais com a garota. Aparentemente, iriam ao centro de Violet após aquilo, onde fariam algumas poucas compras, principalmente voltadas para o lado médico, o qual ela repreendeu Alex por fazê-la gastar tanto. Comprariam o vidro que Yatagarasu tanto lhe pedia, e então iriam simplesmente andar por aí pelo resto do dia.

Pareceu uma boa coisa para o menino, aceita rápida e prontamente por todos os membros, Yatagarasu em especial. Ele parecia o mais disposto em comprar o tão falado vidro.

Uma vez bem alimentados, o grupo deixou o Centro uma vez mais, e contemplaram Violet numa manhã de sexta-feira. Era uma cidade bastante semelhante à Cherrygrove, pelos olhos de Alex. Além da urbanização em harmonia com a natureza, ainda havia a calmaria naquele horário da manhã, com um fluxo bastante reduzido de pessoas e carros por aí, de modo que era bastante fácil a sua locomoção.

Era, basicamente, uma cidade inicial para aqueles que começavam a jornada pelos lados de Cherrygrove e New Bark. Como um Centro comercial consideravelmente maior e com maior população, podia até ser considerada uma cidade importante. Porque para começar, Violet possuía um ginásio no centro da cidade, ainda desconhecido para o garoto. Além disso, possuía um segundo atrativo interessante aos olhos do menino.

Dentre todas as outras casas e construções que vira até o momento, nenhuma delas podia se comparar a uma construção em especial. Era a única que erguia-se aos céus, ultrapassando a média dos outros prédios para revelar todo o seu esplendor. Lembrava Alex um templo, ou algo parecido, pelo estilo japonês de construção, e ele tratou de colocar aquele lugar como uma opção de visita mais tarde. Se ele bem sabia, outro dos motivos de Violet ser assim tão conhecida, era por aquela torre em especial. Em outras palavras, era inútil negar que ela não lhe trazia uma enorme curiosidade.

Na verdade, a curiosidade do menino se dava por diversas coisas, como o fato de estar visitando a cidade pela primeira vez, principalmente. Fora sempre restrito a pequenos passeios em Cherrygrove, já que, segundo seus pais, possuía o suficiente para se manterem e não havia necessidade alguma de visitarem alguma cidade próxima. Sua única escolha, então, seria se contentar com os locais que visitava em sua cidade natal.

Agora, porém, as coisas possuíam um tom a mais de cor apenas for considerar a liberdade que tinha em caminhar por aí. Mesmo que fosse na companhia de Chiyo e seus Pokémons, já era algo liberto o suficiente para fazer Alex sentir vontade de olhar todos os lugares possíveis, matando a curiosidade quanto ao novo local. Afinal, não havia ninguém para ditar onde ir, o que fazer, porque fazer e quando voltar.

E este era um belo sentimento, que provavelmente foi o responsável pelo sorriso e pelos breves pedidos a Chiyo de ir até algum local específico, curioso com o que haveria ali. Responsável também pelo brilho de animação no olhar quando finalmente alcançara o Centro da cidade, um local bastante diferente dos que havia visto até agora.

Tanto ele como os Pokémons pareciam surpresos em ver que, em várias quadras, as casas haviam sido substituídas por lojas dos mais diferentes tipos. Agora, as ruas estavam repletas de pessoas perambulando de um lado a outro, seja na companhia de seus Pokémons ou sozinhos. Pessoas com celular na mão, pessoas andando juntas, pessoas com crianças... Parecia como se todo o movimento que não haviam visto no caminho estivesse concentrado naquele local em especial, no meio das lojas.

— E então, onde é que vamos agora? — perguntou o corvo antes de qualquer um dos outros, batendo as asas na altura de Chiyo. — Comprar meu vidro?

— Qual loja que estiver mais perto e tenha o que eu precise, serve.

— O que você precisa, exatamente? — foi a vez de Alex solta uma pergunta, curioso.

— Não muito. — Deu de ombros. — Se conseguirmos encontrar logo, não vai levar mais do que uns vinte minutos, acho.

— Podemos andar por aí para ver as coisas, então? — Esta, agora, era a voz de Margareth, bastante animada e com a cauda balançando para os lados.

Chiyo assentiu.

— Podemos sim, mas fiquem por perto. Tem muita gente por aqui, não queremos que se percam.

Apesar do aviso, Margareth insistiu para que Linus a acompanhasse, numa correria para o meio das pessoas. Olhou para trás, encontrando o rosto confuso do lobo cinza e os treinadores, os olhos parecendo pedir para que andassem logo. Com um riso, Alex foi o primeiro a obedecer ao mudo pedido, seguido de Chiyo. Os dois acabaram andando lado a lado, com Yatagarasu e Natsuhi próximos, aparentemente calados.

A primeira rua possuía várias lojas diferentes, em especial algumas de sapatos, várias de roupas e bastante com acessórios femininos. Nada que realmente chamasse a atenção, embora Alex gostasse de dar uma olhada nas lojas de tênis. Não achou que aquela seria uma boa hora para o tal, então o grupo somente inspecionou de longe cada uma delas, e foi até a segunda quadra. Margareth e Linus, ou melhor, apenas Margareth, foi a primeira a encontrar algo interessante, digno de uma olhada dos treinadores. Uma casa com vários artigos feitos de madeira, pelo o que parecia. Havia várias coisas interessantes, tão bem feitas que Alex teve de olhar duas vezes e se perguntar se aquilo realmente fora feito à mão. Os detalhes mínimos presentes em cada figura, cuidadosamente esculpida, pareciam perfeitos demais para o trabalho de um simples artesão.

Se fosse depender de Alex, ele ficaria observando o conteúdo daquela loja em especial pelo resto da tarde. Porém, a maioria pareceu se cansar logo, e o menino não viu escolha senão acompanhá-los para fora. Até que poderia ficar, mas aí seria um problema para voltar sozinho.

A próxima que passaram não era bem uma loja, e sim um shopping que fora posto ali, no meio das outras. Como um complemento a mais a estas, aparentemente. Passaram ali também mais por culpa de Alex do que pela própria Chiyo. Teve de avisar a ela que, geralmente, haviam algumas joalherias e talvez mais algum local especializado em vidros para encontrar o olho falso de Yatagarasu.

Tiveram de inspecionar o primeiro e o segundo andar inteiro antes de finalmente encontrar uma joalheria. E tiveram também de piscar duas vezes para a expressão que o pássaro negro fez antes de assimilarem por completo a cena que se seguiu.

O único olho aberto pareceu se abrir ainda mais, ao ponto de se arregalar. Brilhava de um fascínio notável, dirigido especialmente as jóias expostas em várias vitrines. As asas, que até então estiveram batendo para acompanhar os passos do grupo, estenderam-se e ficaram assim, e sem dizer uma palavra, Yatagarasu planou para dentro do local, pousando em cima do vidro de uma das vitrines, uma exibindo os mais diversos tipos de anéis.

Era até bonito de se olhar, considerando a cor e o quanto as pedras brilhavam. Não podiam negar, também, que cada uma daquelas peças exibiam elegância, algo que certamente que Alex desejaria ter. Só não comprava um para si porque a quantidade de zeros nos preços era muito mais do que ele sequer possuía consigo.

O som do bico negro da ave batendo de forma leve contra o vidro lhes chamou a atenção, assim como sua voz:

— Acho que eu quero um desses aqui, também. — disse, mais para si mesmo do que para o restante do grupo. — Talvez se eu esquecer do vidro...

— Ah, não, nem pensar — negou Chiyo, surpreendendo o pássaro.

Antes mesmo que pudessem dizer mai alguma coisa, porém, uma simpática atendente de cabelos loiros apareceu, um sorriso no rosto.

— Olá — cumprimentou ela. — Desejam alguma coisa?

Yatagarasu apressou-se em responder:

— Sim, esse anel com a pedra preta aqui. E esse outro aqui também. — Em seguida, virou-se para Chiyo. — Vai comprar pra mim, né? Vai? Você prometeu.

Por um momento, a menina considerou a ideia, e olhou para os preços uma vez mais. A mão que se preocupara em se dirigir até a carteira parou antes mesmo de alcançar metade do caminho. Foi a vez dos olhos de Chiyo de se arregalarem com o preço.

— Não, não vou comprar. Só te prometi o vidro — respondeu ela ao Pokémon, tirando um riso de Alex e um olha confuso da atendente. Yatagarasu protestou, e para ignorá-lo, Chiyo se voltou para a mulher: — Estava procurando uma esfera pequena de vidro, na verdade. Teria alguma?

A mulher franziu o cenho.

— Quer dizer transparente?

— Isso.

— Desculpe, mas assim, nós não temos... — desculpou-se ela, exibindo uma expressão triste. — Só trabalhamos com jóias. Mas talvez você possa achar uma numa loja que tem aqui por perto. Só ir pelo corredor e virar à direita.

— Mas não precisa, quero ficar com esses que eu falei — insistiu o pássaro, apontando mais uma vez para as coisas que citara.

— Já disse, só vou comprar seu vidro — Resmungou, mas depois exibiu um sorriso em agradecimento para a lojista. — Obrigada, vamos tentar por lá.

— Mas Chiyo, você prometeu. Lembra?

— Prometi o vidro, não um anel. — Bufou.

Com mais risos vindos de Alex, saíram da loja, Margareth voltando a seguir na frente, na direção que a mulher sugeriria. Essa era, basicamente, uma vidraria, cheia de espelhos dos mais diversos tamanhos postos na vitrine. Em seu interior, haviam ainda mais coisas que Alex não achava ser possível de encontrar ou de serem feitas com o vidro. Desde os artigos simples, como os espelhos vistos antes ou vidros para carro, até pequenas esculturas, algo que certamente chamou a atenção de Alex. Preferiu ficar ali, observando, ao lado de vários dos Pokémons, enquanto Chiyo falava com um senhor sobre o vidro que procurava.

Mesmo de longe, porém, podia se ouvir a discussão entre os dois:

— Porque é que você não esquece do vidro e me dá uma coisa mais legal então? — esta era a voz de Yatagarasu, aparentemente tão interessado nas outras coisas quanto Alex.

— Porque não! — respondeu Chiyo, bufando novamente. — Te prometi o vidro e não outra coisa.

— Mas o que que tem me comprar outra? Não deve ser assim tão caro.

— É sim.

E quando Alex olhava em sua direção, encontrava o senhor completamente confuso com o pequeno diálogo que ali se seguia. O rapaz limitava-se a rir de seu lugar, e então voltar os olhos para o que realmente o interessava.

Foi um pouco complicado de esperar por eles depois que o garoto se cansou de olhar a loja. Por preferência de Chiyo, ela quis dar ao corvo uma esfera que realmente pudesse servir, e isso levaria um certo tempo até ser feito. Muito provavelmente dali a umas duas semanas teriam de voltar e buscar, tempo em que o Pokémon se recusou a deixá-la.

— E agora? — perguntou Alex assim que saíram da loja. — Para onde nós vamos?

— Agora, comprar o resto das coisas e olhar a data do Contest. — Veio a resposta. — Talvez dê pra passar perto do ginásio, para você ver onde é que fica.

— Ginásio? — Piscou por um momento. — Eu quero.

— Vamos andando, então.

Foi o suficiente para que Margareth voltasse a correr na frente, pouco se importando para qual direção o grupo seguiria. Acabaram, porém, indo na mesma que a Shinx arrastara o canídeo cinzento, parando apenas para dar uma olhada a mais numa loja repleta de instrumentos musicais.

Após aquilo, encontrar o restante do que Chiyo queria não foi muito difícil. Resumiam-se as bandagens perdidas e alguns remédios. Preferiu não comprar comida para a viagem agora, explicando que demoraria um pouco, já que todos ainda tinham de treinar antes de participarem de suas respectivas competições. Saíram do centro comercial da cidade, e com algumas instruções dadas por pedestres, foram até o local desejado.

Mais especificamente, um parque onde poucas pessoas se encontravam no momento, muito próximo da torre que haviam visto no dia anterior e tanto chamara a atenção de Alex. Um quadro de avisos fora posto ali, próximo a uma pacífica fonte, aparentemente um dos muitos lugares onde estes e outros avisos ficavam.

Alex observou Chiyo procurar o que era de seu interesse, passando o dedo por diversas outras coisas, desde datas de eventos já passadose pedidos de boa educação, até panfletos dos mais diversos tipos. O qual ela procurava estava em um canto inferior, entre os muitos outros de coisas menos interessantes.

Por cima de se ombro, o rapaz conseguiu ler os dizeres do papel:

“Venha participar do Contest de Violet City! Será feito nos dias 30/4, 9/5 e 12/5, no Mounbatten Hall. As inscrições podem ser feitas em qualquer Centro Pokémon ou no próprio Hall.

Primeiro Lugar — 10 mil dólares, a Achillea Ribbon, um conjunto de Ultra balls e um com 2 TM's

Segundo lugar — 5 mil dólares, Achillea Ribbon, um conjunto de Great Balls e um de cuidados Pokémon

Terceiro Lugar — 2,5 mil dólares, um conjunto de Pokéballs e dez caixas de comida Pokémon”

Ergueu uma sobrancelha, curioso. Os prêmios eram bastante interessantes, principalmente a quantia de dinheiro oferecida, praticamente a mesma para os desafiantes do Ginásio. Se interessava principalmente pelos TM's oferecidos ao primeiro lugar, perguntando-se quais seriam e se algum dia seria capaz de comprar um.

— O que!? — A exclamação de Chiyo foi alta, cortando os pensamentos de Alex de forma súbita. — Inscrições no Centro Pokémon? Se eu soubesse disso nem teria andado isso tudo.

— Eita, calma. — Alex tentou ajudar. — Pelo menos agora a gente sabe.

— Ugh. — Ignorou-o completamente. Depois, virou-se em direção a fonte, e observou a água cristalina. — Tem três meses, pelo menos... Talvez dê pra fazer alguma coisa até lá, hm...

E se calou em seguida, deixando Alex apenas com a escolha de observá-la. De fato, todo aquele tempo parecia ser mais do que suficiente para treinar, e até um pouco exagerado para o garoto. Apesar dos desejos de comentar sobre o assunto, porém, julgou que seria uma melhor opção deixar a garota com seus pensamentos primeiro.

Por isso, ele observou a fonte ao invés. Era difícil ver uma por aí, e se ele estivesse certo, aquela provavelmente seria uma das primeiras que vira em muito tempo. Essa, porém, encontrava-se desligada no momento, de modo que a água ali contida estava límpida, quase cristalina, o suficiente para que os reflexos dele e de Chiyo pudessem ser vistos.

No momento, os Pokémons se encontravam na área designada as crianças, onde o balanço e coisas do tipo se encontravam. Isso rendeu diversos olhares de Alex em sua direção, franzindo o cenho para ver se tudo estava correndo bem no grupo. Uma vez com essa certeza, voltou a olhar para o próprio reflexo. Ele tremia, e parecia consideravelmente mais claro do que ele realmente seria.

Assim como o dele, o de Chiyo também estava assim, mas parecia ter um pouco mais de beleza do que o próprio. Talvez pelo fato de que, assim como ele, a menina tivera cuidado para a aparência não parecer tão desleixada como estivera dias atrás, em consequência dos dias passados viajando e sem muitos recursos. Era notável a mudança de aparência. Os cabelos pareciam mais arrumados, com mais cor e mais movimento. As roupas, menos bagunçadas, que mesmo sendo um ou outro número maior, não escondiam as curvas acentuadas de seu corpo.

Certamente, uma garota interessante, mas que o faria franzir o cenho se pensasse um pouco mais sobre o assunto. As lembranças de como a conhecera e de como ainda pouco sabia sobre ela lhe faziam franzir o cenho diversas vezes, confusos com o que pensar. Pareciam muitos pensamentos para serem remexidos agora.

Voltou a pensar na data do Contest. Pensava em desafiar o líder do ginásio dali a algumas semanas, mas ainda assim, tinha suas dúvidas sobre o que fazer a partir daí. De certa forma, apesar de Chiyo o estar seguindo e ainda ser uma pessoa misteriosa ao se ver, não era como se Alex quisesse deixá-la agora. A ideia de viajar sem uma companhia de outro treinador ou algum conhecido não parecia mais tão interessante. Longe disso.

Por outro lado, se quisesse continuar viajando com a menina, então... Teria de esperar mais três meses em Violet, dormindo num hotel ou no Centro Pokémon. Será que ele ao menos teria dinheiro o suficiente para aquilo? Não tinha certeza.

Suspirou. Odiava se achar em linhas de pensamento assim, contradizendo a si mesmo com desculpas para não fazer o que tinha vontade. O dinheiro escasso, os meios de consegui-lo, a vontade de continuar a viagem logo... Nunca sabia qual deles era melhor, e no fim de tudo, acabava por não fazer ou não tentava nenhum dos dois e ficava por assim mesmo. Esse parecia ser mais um caso da primeira opção.

Não era apenas as condições e as vontades a mais que o impediam de simplesmente decidir ali mesmo, olhando para o reflexo de Chiyo. Era, também, o medo de que ela recusasse caso Alex dissesse que queria ver sua apresentação. Ou, pior ainda, de recusar sua companhia nos próximos momentos. Sem contar no fato de que a conhecia há apenas uma semana. O que ela pensaria se Alex dissesse que queria vê-la no Contest?

Suspirou mais uma vez. Ele realmente não sabia o que fazer.

Notas finais
Aaaah, eu acho que gostei desse capítulo no geral. Enfim, eu vou deixar vocês com um aviso aqui: eu pretendo sumir no mês de novembro inteiro. Motivo? NaNoWrimo. Irei me retirar para as sombras pra escrever umas coisas, e quem sabe eu não ouse usar o NaNo pra SAU ou trazer uma short com aquelas 50 mil palavras, mhm? ~ Me parece interessante. Até lá though, teremos postagem o mais normal possível. Terminar o 9 antes logo porque oh god, tá difícil aqui. Bom, vou me retirar pras sombras agora que tenho umas coisas a fazer. Qualquer crítica, revile, um oi ou algo que queira dizer, a caixinha pra comment tem uma mensagem minha de "quero". Até a próxima semana~ P.S.: GENTE MIL DESCULPAS A DEMORA pra responder os comentários. Tô tão morta aqui que até deles esqueço, sério, desculpa. ;-; Quando eu reviver das sombras dou uma resposta linda pra todos vocês