Notas iniciais
OE GENTE LINDA, ADIVINHA QUEM ATRASOU DE NOVO PRA POSTAR MAS APARECEU AQUI ANYAY? SIM, EOOO Okay, eu demorei de novo pra postar. Desculpa, gente, mas como eu disse, fiz o Enem fim de semana passado, e depois dele eu morri, o suficiente para esse estado de morte se estender durante a semana toda -q Sério, nem queria ter feito, e ô treco difícil que ele foi. :c A prova de Matemática me matou por dentro, really, e a redação me matou um pouo também... Aí acabei nem postando, e quando vi já era o fim de semana de novo UAHSUAHU Srsly tho, eu tentei, juro que tentei programar pra segunda passada, mas não deu, aimu sorry. :c É que era muita coisa pra revisar. -q É difícil ler dez cá de fic, confesso, mas não vi/não queria/não tinha nenhum lugar onde eu pudesse cortar o capítulo pra ficar ~mais aceitável~. Minha beta até reclamou desse fato, mas ah gente, eu realmente não queria cortar. :c Sobre esse capítulo... Okay, dez cá, é claro que vamos ter um monte de acontecimentos aqui. primeiro, o Alex vai acabar fazendo algumas merdas no modo que conduz seu treinamento, e teremos um teco de Aliyo e algumas batalhas, hohoh. Na minha opinião, ficou interessante e bem legal, e gostei especialmente das batalhas. Vou deixar vocês lerem pra descobrir. Até lá embaixo o/

Os olhos de Alex continuaram a encarar a água, a mente um pouco longe demais para realmente notar o que estava fazendo. Além da mente estar presa nos mesmos pensamentos, frustrando-se cada vez mais ao acreditar na possibilidade de conseguir sua resposta, sua atenção parecia difusa quanto ao que ele mesmo estava fazendo.

Apenas a reconquistou quando, com o canto do olho, detectou uma movimentação a mais, chamando-lhe a atenção. Piscou por um momento, confuso, até que percebeu que a movimentação vinha do reflexo na água. Mais especificamente, o de Chiyo. Agora a menina parecia olhar para ele, uma expressão de desconfiança e dúvida em seu rosto. Não entendeu o motivo da menina o estar encarando quando haviam muitas outras coisas dignas de seu olhar.

Pelo menos, até que Alex se lembrou de que em nenhum momento havia desviado o olhar da direção em que observava, imerso em pensamentos.

Convenientemente, essa era a direção onde o reflexo de Chiyo estava.

Imediatamente, o rosto se deixou corar, e foi de uma forma bastante lenta que ele levantou o rosto. Os lábios separaram-se um do outro para se explicar, dizer que não era aquilo que estava pensando. Porém, diante da coloração agora faiscante do dourado de seus olhos, Alex não ousou dizer nada. O medo da sobrancelha erguida e a expressão que quase parecia lhe perguntar o que estivera fazendo era grande demais para o tal.

Ainda assim, porém, tentou murmurar um pedido de desculpas. Ele, é claro, conseguiu ser interrompido a tempo com uma voz familiar alcançando seus ouvidos. Pelo menos, alguém o salvara da situação constrangedora em que havia se metido.

— Aleeeeex! — chamava Margareth, que pela expressão, não parecia ter sido pela primeira vez. — Estou com fome. Quando é que vamos comer algo?

— ...ahn? — Inicialmente, as coisas pareceram confusas para o garoto. Segundos depois, as mãos bateram na calça jeans negra que usava, e vasculhou os bolsos com a mão boa a procura de algo para a pequena. — Ah... Eu não tenho nada agora, Maggs Desculpa.

— Mas eu continuo com fome — choramingou, exibindo-lhe uma expressão desolada. — Vai me deixar assim mesmo, morrendo de fome?

Rapidamente, Alex negou, balançando a cabeça.

— Não, não, eu... A gente vê algo daqui a pouco, ok?

— Pode ser, então. Vou voltar a brincar com o Linus e com o Glass enquanto isso.

Dito isso, a pequena voltou para o cão cinza, exibindo-lhe um sorriso e dizendo algo. Linus apenas assentiu em resposta, parecendo fazê-lo mais por educação do que por qualquer outra coisa. Ele não parecia tão disposto assim a manter uma conversa com qualquer um dos integrantes do grupo, embora estivesse claro que Margareth estava tentando fazê-lo se enturmar.

Os olhos de Alex se voltaram para Chiyo mais uma vez. Pelo menos agora, o evento de segundos antes não parecia estar lhe preocupando. Por isso, uma das primeiras coisas que a garota fez foi por as mãos na cintura, uma pequena prévia antes de anunciar seus planos ao rapaz:

— Acho que vou tentar ficar aqui em Violet treinando um pouco mais até o Contest. Depois, eu decido o que fazer nos próximos dias. E você?

— Ainda não sei muito bem — admitiu. — Acho melhor treinar um pouco mais antes de ir tentar o ginásio...

— Entendo. — Assentiu, numa vaga afirmação. A menina não demorou a continuar: — Também sou com fome. Quer comer algo em algum lugar ou voltar pro centro primeiro?

— Prefiro o Centro, mas o que você quiser está bom pra mim.

Acabou ficando decidido que voltariam para o centro novamente e parar apenas para entregar um pequeno lanche aos Pokémons antes de continuarem. Quanto aos pensamentos de Alex, optou por deixá-los para depois, no momento em que fosse treinar de fato. Isso também foi deixado para depois visto que o caminho de volta demorou um pouco mais do que o esperado. Haviam percorrido uma grande distância e passado um bom tempo perambulado pela cidade durante aquele dia, visitando lugares e fazendo de tudo que tinham direito a fazer. Sem dizer que voltaram passando pelo Centro novamente, visitando as lojas um pouco mais e com um sorvete de casquinha na mão.

Nesse passo, acabaram voltando ao Centro apenas no fim da tarde de modo que o sol já havia se escondido em seu manto do horizonte quando seu destino fora alcançado. Todos chegaram cansados e com fome depois do longo dia de passeio. O jantar daquele dia em especial foi desfrutado com maior gosto, e assim que este também chegou ao seu fim, Alex e Chiyo se separaram, cada um seguindo para seus respectivos quartos.

Os dois Pokémons o acompanhavam, Margareth, com animação inabalável e subindo os degraus de dois em dois. Linus, com um olhar de cansaço e resignação quase total a ele próprio. O desejo de cada um era de simplesmente cair na cama e dormir por algum tempo, mas ainda assim, ambos insistiram em esperar Alex terminar seu banho para fazê-lo de fato. Ou pelo menos, Margareth foi a única a fazê-lo.

Após o banho, Alex chegou à conclusão de que não conseguia decidir nada sozinho, então assim que se sentou na cama e suspirou para a Shinx e o lobo aparentemente adormecido, passou a reclamar.

— Eu não sei o que fazer agora — admitiu, um segundo suspiro se fazendo presente.

Margareth, ainda em seu lugar, girou o corpo, de modo que ficasse de barriga para cima ao observar Alex.

— E o que que tem isso?

— O que tem é que isso é um problema, ué. — Girou os olhos. — Quero desafiar o ginásio logo, e continuar a viagem logo, também.

— Não íamos treinar primeiro?

— Íamos, mas eu não sei quando.

— Que tal amanhã de manhã, então? — sugeriu, um sorriso se abrindo em seu rosto. — Aí a gente pode ver mais movimentos e treinar eles antes de ir pro ginásio.

— Pode ser, também... — Meneou a cabeça. — Mas e depois?

Agora, foi a vez da felina rolar os olhos.

— Depois a gente vai lá e desafia o líder, oras.

— Não foi isso que eu quis dizer, boba. — Bufou. — quis dizer depois de derrotar ele. — Eu queria continuar viajando com a Chiyo, ou pelo menos ver a apresentação dela. Mas três meses é muito tempo, cara! Não posso esperar tudo isso.

— Vamos derrotar o líder antes, é? — Dessa vez foi a voz de Linus a se fazer presente. Os olhos continuavam fechados, e ele ainda estava na mesma posição, enrolado em seu próprio corpo, mas os ouvidos estavam atentos o suficiente para ouvir a conversa. — Não acha que é um pouquinho cedo pra tomar essa conclusão?

Alex fez um sinal negativo com a cabeça.

— Talvez, se começarmos a treinar logo, não demore tanto tempo assim. — De resposta, recebeu diversos um murmúrio duvidoso do canídeo, que voltou ao seu silêncio. — Mas e depois...?

— Podemos ver isso assim que estivermos prontos pro ginásio então. — Foi a sugestão de Margareth. — Aí se a gente vencer o líder antes da apresentação da Chiyo, mas estiver perto, ficamos mais um pouco pra ver. Se não, continuamos sem ela.

Ainda assim, Alex pareceu receoso na decisão

— Mas você acha que viajar com ela é uma boa coisa? Digo, está tudo bem pra vocês se formos com a Chiyo?

— Ela é legal, então tudo bem pra mim.

Linus, por sua vez, murmurou um breve "tanto faz", o que Alex resolveu interpretar como sendo uma boa coisa. Murmurou algo ele mesmo, ainda em dúvida. Parecia um bom plano, sem nenhuma complicação de fato de uma decisão para as coisas que tivera tanta dúvida antes.

Assentiu para si mesmo, aceitando aquilo como o que faria no dia seguinte. pegou, então, o smartphone, e deixou-o para despertá-lo bem cedo amanhã. Pelo menos assim, teria mais tempo para pensar no que treinar e ver quais movimentos cada um de seus Pokémons sabiam, coisa que facilmente seria fornecida pela Pokédex. Agora, se concentraria apenas em ter uma boa noite de descanso. O próximo dia seria cheio.

Alex acordou com Chiyo e o despertador de seu celular o chamando, tirando a atenção dele e dos Pokémons sonolentos. Com Chiyo agora ao seu lado, o menino tratou de tomar o café e pedir a direção da arena do centro para Kiyoko.

Pareceu se surpreender um pouco com ela, até. Primeiro, porque o lugar era enorme, e mesmo tão cedo, havia uma quantidade mais do que considerável de pessoas ali presentes. Criavam uma mistura de conversas, sons, ordens gritadas aos Pokémons e de sons dos movimentos sendo feitos, todos eles contribuindo para tamanha agitação ali presente. A arena se baseava num espaço grande, provavelmente muitos e muitos campos de futebol juntos ou a maior arena que Alex já vira em sua vida. Os treinadores se organizavam em espaços designados por eles mesmos, onde faziam seus treinos ou travavam batalhas entre si. Era quase hipnotizante olhar para um deles, concentrados demais em sua tarefa para notar a entrada de Alex e Chiyo.

Nas extremidades do campo, era possível ver que diversos tipos de acessórios e ferramentas para o auxílio no treinamento do pokémons estavam dispostos, e até que alguns treinadores os usavam. Estes por sua vez, baseavam-se na grande maioria de novatos, com Pokémons comuns e vistos normalmente, ou até um dos iniciais que as cidades próximas distribuíam aos novos treinadores. Os mais evoluídos e experientes eram poucos, e eram também aqueles que mais batalhavam com outras pessoas dali do que qualquer outra coisa.

— Quanta gente... — comentou Margareth, virando o rosto para todas as direções possíveis.

— Me parece barulhento demais. — Linus bufou, tirando um sorriso solidário de Alex. Também parecia assim para eles.

— Ugh, como ao menos conseguem treinar nessa barulheira? — reclamou Alex. Mal sabia como ele conseguia segurar a vontade de tapar os ouvidos e bloquear aquele som todo.

— Não é tão ruim depois que se acostuma — comentou Chiyo, com um sorriso. — É por isso que você vai ficar aqui e eu vou treinar a Natsuhi lá fora.

— O que? Mas por quê?

— Porque aqui tem muita gente — apontou ela. — Precisamos de espaço pro Akatsuki e menos pessoas se assustando com os dois, também. Além disso, é um ótimo pretexto pra vocês treinarem a atenção.

Alex abriu a boca, não demorando muito para que a fechasse novamente. Acabou apenas por bufar como resposta, aceitando a sugestão sem reclamar. Ela estava um pouco certa mesmo.

Com um sorriso divertido no rosto, Chiyoguiou Alex para um local específico na arena, onde havia espaço o suficiente para treinarem. Deixou-o ali, dizendo algo sobre voltar depois, e logo, Alex se viu sozinho com seus Pokémons. Ambos o encaravam, Linus, com um olhar de impaciência, e Margareth de ansiedade misturada ao ânimo de começar logo a treinar.

Pensar no que fazer não era exatamente uma tarefa fácil para Alex. Primeiro porque nunca antes em sua vida treinara ou coordenara um Pokémon para melhorar suas habilidades. No máximo, havia visto seu pai treinar com Eddie, desistindo pouco depois de não conseguir melhorar em praticamente nada ou diante de uma tarefa de casa. Já lera sobre o assunto, e até mesmo tinha uma Pokédex, dispositivo que certamente ajudava até nessas situações. Mas agora, na prática... Aí era um assunto completamente diferente.

“Isso não pode ser tão difícil”, pensou ele, sacando a Pokédex do bolso. Abriu-a, e com uma caneta especialmente para aquele fim, procurou na tela sobre Shinx e Poochyena. Pareceu uma tarefa ainda mais difícil, então o menino se limitou a perguntar aos Pokémons quais eram os movimentos que sabiam. Linus apenas os citou, enquanto Margareth estava animada para mostrá-los, alegando que gostaria de ser útil. Pelas atitudes da pequena, pôde identificar quais eram os movimentos que mais possuía dificuldade, que eram os que requeriam o uso da eletricidade. Para ela, parecia difícil mantê-la em seu corpo por tempo o suficiente, e ela até reclamara que fora pura sorte ter acertado Linus naquela vez.

Quanto a Linus, novamente se limitou a citar suas dificuldades, bufando quanto a ter de fazê-lo. Apesar disso, aceitou quando o garoto lhe deu um exercício básico de rasgar uma braçadeira acolchoada, cuidadosamente ajustada ao braço do garoto. Magareth, então, ficou encarregada de repetir o Spark diversas vezes, para que assim pudesse ter melhor facilidade no controle das correntes elétricas.

Foi provavelmente quando o treino começou realmente que Alex percebeu duas coisas. Uma, a do porquê quase nenhum treinador se permitia distrair de sua tarefa, e a segunda, de como seus Pokémons eram determinados. Alex instruíra Margareth a tentar apenas usar da eletricidade do Spark, mas quase sempre que a pequena tentava, nada conseguia senão umas poucas faíscas, enquanto Linus nem mesmo era capaz de vencer a força de Alex. Mesmo assim, continuavam tentando, esforçando-se para vencê-lo e ter uma vitória em seus próprios limites. Até nos outros exercícios que dava, pegando emprestado de outros novatos ao redor eram feitos repetidamente, até pelo menos ter algum sucesso.

O dia se passou mais rápido do que Alex achou ser possível. Logo, Chiyo já estava de volta, apenas para dar alguns poucos tapinhas em suas costas, alegando que seria melhor fazer uma pausa para o almoço e ter um descanso. Não só ele, como vários outros treinadores fizeram o mesmo, esvaziando a arena e se dirigindo para o refeitório. Logo, foi a vez da outra sala de ser preenchida pelas vozes de Pokémons e pessoas.

A esse ponto, os pokémons de Alex estavam bastante cansados. Provavelmente era pelo descostume de fazê-lo, ele presumia. O tempo em que passaram almoçando ali, porém, com Alex e Chiyo conversando entre si e enrolando para terminar, pareceu ter sido o suficiente para descansar. Principalmente porque o rapaz havia escolhido uma refeição que tivesse Oran berries, frutas que diziam ajudar a repor as energias após o treino.

Chiyo lhe contou que havia feito um pequeno cronograma para treinar, sendo três dias ou quatro dias na semana de treino, contando com aquele. Depois disso, voltaram à arena, misturando-se entre o burburinho de conversas e gritos de ordem para comandar seus Pokémons. Agora, Alex pedia para seus Pokémons travarem uma batalha entre si, supervisionada por ele o tempo todo para checar se não haveria nada de errado.

O fim do dia se resumiu a Pokémons cansados e um Alex cuidando de seus ferimentos superficiais. Levou-os até a cama, permitindo que dormissem ao seu lado, e deixou que descansassem no dia seguinte. Dessa vez passou o tempo com Chiyo, dando uma olhada nos pontos importantes da cidade e tudo o mais que lhes trazia curiosidade.

Assim como ela havia prometido, foram mais três dias de treino após aquele. Uma rotina um tanto difícil para Alex, tendo de acordar cedo para levar os Pokémons já cansados dos outros dias e treinar. Mas que de certo modo, também havia um quê de animação, pois o treinador podia notar que os esforços de seus Pokémons estavam dando certo, e que, aos poucos, pareciam um pouco mais fortes do que já eram.

Isso apenas serviu para lhe trazer cada vez mais animação e ansiedade para desafiar logo o ginásio de Violet. Se as coisas estavam indo tão bem como ele achava que estavam, então não haveria problema algum em testar suas habilidades, confirmar se estava bom de verdade. Aos seus olhos, realmente estava. Margareth conseguia controlar a eletricidade no corpo, claro que com algumas falhas, mas ainda assim já era um grande progresso para a pequena Shinx.

Passada a semana e o último dia de treino, Alex levou os Pokémons ao quarto para o fim do dia. O jantar já havia sido feito, e os dois praticamente imploravam para ter um momento de descanso.

— Gente, tenho algo para falar com vocês hoje — anunciou Alex, jogando-se na cama.

De resposta, Margareth levantou a cabeça em sua direção, curiosa. Linus, como sempre, continuou e seu canto, as orelhas levantadas e atentas as palavras do garoto.

— O que? Vamos ao ginásio? Já estamos prontos? — A pequena foi a primeira a jogar hipóteses em Alex, animada com a possibilidade de desafiarem o líder logo. Nos últimos dias, contara ao garoto que só estava tentando tanto e aguentando o cansaço para esse momento.

— Quase isso. Vamos visitar ele amanhã, no nosso dia de descanso, ou depois. Aí podemos ver como ele é, e se precisamos de mais alguma coisa antes de desafiá-lo.

— Ah, okay. — Assentiu, parecendo um tanto decepcionada. — Acho que também serve.

— Pretende desafiá-lo quando? — Agora, foi Linus quem se fez presente, levantando a cabeça. Parecia sonolento.

— Em breve — mentiu.

Se Alex fosse dizer a verdade aos dois, diria que não sabia exatamente quando fazê-lo. Estava um tanto receoso com a ideia, assim como um pouco confiante. Pela sua experiência até o momento, as batalhas não eram tão difíceis, quanto mais comandar um Pokémon. Conseguiria chegar perto de vencer seu pai, um treinador muito mais velho e muito mais habilidoso que Alex. Excluindo o fato de ele ter parado de treinar, fora uma conquista e tanto ao garoto ter acertado um único movimento. Sem dizer também os treinos em que realizava, vendo um fácil, porém lento progresso. Tinha certeza de que em pouco tempo conseguiria ser capaz de derrotar alguém que lhe pedisse por uma batalha.

Um líder de ginásio, no entanto... Aí já era uma história completamente diferente. Ouvira histórias de pessoas que, se julgado prontas depois de um tempo de treino, foram simplesmente massacradas pelo primeiro ginásio em que participaram. Havia histórias de quem tinha desistido por esse fato, até.

Era mais do que claro que isso assustava ao menino, e o fazia se perguntar se realmente estaria pronto. Talvez alguns dias a mais de treino não fossem fazer mal. Aprender um novo movimento, alguma coisa do tipo... Talvez até esperar pelo Contest de Chiyo...

Tão logo pensava naquilo, sua mente já lhe vinha lhe retrucando, numa recusa aos pensamentos negativos. Não podia esperar todos aqueles três meses, por mais que quisesse. Além disso, estava confiante sobre suas habilidades, e estaria indo até o ginásio apenas para checar o que deveria fazer antes de desafiar o líder de fato. As coisas não podiam ser tão difíceis quanto sua mente dizia ser.

A mão foi até o topo da cabeça de Margareth, acariciando-lhe os pelos azulados. Ouviu-se um ronronar dela, o qual o menino sorriu em notar. Acabou por desligar a luz pouco depois e se deitar ao lado da Shinx. Podia pensar naquilo mais tarde, certo?

Acabou que ele não pensou exatamente no fato até sair de casa ao lado de Chiyo, pela manhã, mais para irem ao hospital do que por motivos de passeio. Com Margareth em seu ombro e Linus andando ao seu lado, calado como quase sempre estivera. Preferiu se distrair com o passeio do dia, o qual quase sempre possuía algo de novo para se observar. Parques, lojas, um bairro repleto de casas bonitas, até mesmo o laboratório de Igor ganhou uma breve visita. Só não durou muito porque aparentemente, o homem ainda não chegara, e eles não podiam permiti-los perambular por aí sem permissão.

Mais ou menos ao fim do dia, quando se separou de Chiyo por desejarem visitar locais diferentes, ele finalmente se dirigiu até seu destino. Precisou perguntar a várias pessoas que passavam para finalmente encontrar a construção onde se dizia ser um ginásio, porque, aos seus olhos, aquele era um prédio como todos os outros que vira em seus passeios, a única diferença sendo o fato de ele ser maior que o padrão.

Piscou por um momento parado em frente à construção. Um ginásio. Um bem comum, mas ainda um ginásio. O primeiro que via assim, ao vivo. Cherrygrove nunca possuíra um ginásio, tornando muito difícil a possibilidade de Alex visitar um, e ele simplesmente não podia viajar de lá até Violet somente para conhecer um, como sempre pensara. Se o fizesse, que fosse com seu Pokémon e para desafiar o líder, saindo com a vitória.

E ali estava ele, com boa parte dessas circunstâncias em mãos. Por conta própria, e ao lado de seus Pokémons. Finalmente se dando conta de que estava realizando seu sonho. Longe de casa, para não voltar até ter todas as insígnias em mãos. Aquele prédio era como o primeiro de seus desafios, tanto como treinador quanto como em outros pontos. O único que provaria se ele tinha forças o suficiente para continuar a jornada.

Cerrou os punhos. Conseguia sentir a ansiedade e o nervosismo tomando-lhe o corpo, uma sensação nunca antes sentida se instalando por ele. Corria por suas veias o sentimento bom que era finalmente ser um treinador, assim como a liberdade ganha e a sensação de estar ali.

Ouviu os Pokémons dizerem alguma coisa, mas sua mente não prestou atenção, então o menino apenas adentrou o prédio.

O interior não surpreendeu Alex por ser algo diferente do esperado. Lembrava vagamente o Centro Pokémon, provavelmente pelos sofás dispostos pela sala, oferecendo uma área de espera e de descanso. Talvez pelo balcão num canto, próximo a um corredor com destino desconhecido. Atrás do balcão, havia um homem de cabelos loiros, olhando distraidamente para uma revista qualquer.

Quando notou sua presença, ergueu os olhos por um momento, um tom de verde repleto de curiosidade.

— Posso ajudar em alguma coisa? — perguntou, sentando-se de forma correta na cadeira.

Por um momento, Alex piscou. Dirigiu-se até o balcão, com Margareth olhando ao redor, curiosa. Seus passos e o som das unhas de Linus batendo contra o chão pareciam ecoar pela sala.

— Esse é o ginásio de Violet? — Alex piscou para ele por um momento. Só para confirmar, pensava.

— Sim, é. Veio desafiar o líder?

— É... mais ou menos isso. — Deu um sorriso amarelo. — Queremos mais é ver o que se precisa pra desafiar, primeiro. Hoje só vim ver isso.

— Hmmm — murmurou, simplesmente. Em seguida, puxou para si uma prancheta repleta de formulários, enquanto os olhos passavam por um computador ao seu lado. — Pra desafiar precisa se inscrever aqui com o Trainer Card e os documentos normais. Depois, é marcado um dia para batalhar contra um aprendiz do ginásio, escolhido pelo líder, para determinar se você pode ou não lutar contra ele.

Mais por impulso do que algum outro motivo, Alex o interrompeu:

— Um aprendiz? Achei que não precisava disso para desafiar o líder...

Realmente, Alex nunca ouvira falar daquele fato em especial. Dos aprendizes, sim, pois o menino não podia deixar de confessar que já pensara em ser um. Já que, os aprendizes, como o nome sugeri, aprendia tudo ue era preciso sobre ser um treinador, e até mais, com o próprio líder de ginásio. No entanto, as condições financeiras de seus pais para o levarem até Violet eram poucas, além do fato de o menino não possuir um Pokémon na época em que o desejara, e muito menos saber quais eram os procedimentos para o tal.

— É. — O homem o encarou, parecendo um pouco aborrecido pela interrupção. — É uma escolha de cada ginásio, para falar a verdade.

— Oh, tudo bem então.

— Continuando... — Aquilo foi dito com um tom estranho, o qual Alex achou que seria melhor ignorar. — Você batalha com um aprendiz, numa data marcada de sua preferência, e se vencer, pode escolher também o di para batalhar com o líder. Aí tem as coisas básicas, se você vencer, ganha o prêmio em dinheiro, as insígnias, e mais alguma coisa aí.

— Parece bom pra mim — disse Margareth, ainda no ombro de Alex. — Vai marcar agora?

Alex parou por um momento, pensativo. Bem, se as coisas fossem assim, então significaria que ele teria duas batalhas com duas pessoas diferentes. Sendo assim, ele teria de escolher bem os dias em que as faria, mas qual seria, então, bons dias para fazê-lo?

Alguns segundos de silêncio se passaram, com Alex remexendo os próprios pensamentos. No fim, acabou por dar de ombros.

— Por que não?

Com isso, o homem pediu os documentos necessários, e dentro de alguns minutos, sua inscrição havia sido feita. Para esta, deveria registrar os Pokémons com que batalharia, e também ver se Alex possuía outras insígnias. Assim, o líder do ginásio julgaria como e com que Pokémons lutaria contra seu desafiante. Aparentemente, os ginásios haviam ganhado muitas mudanças nos tempos recentes, sendo esta uma delas. outras baseavam-se no uso de qualquer Pokémon que o líder preferisse, focando-se em estratégias e na avaliação em si de seu desafiante. Muito diferente do que fora antes, e agora com maior foco de auxiliar os treinadores em sua jornada.

Era basicamente por isso que haviam os aprendizes e aqueles que desejavam trocar uma ou duas palavras com o líder. Cada um dos ginásios estava disposto a receber e treinar algum treinador, seja ele iniciante ou não. Ainda, é claro, em circunstâncias desconhecidas para Alex, mas algo que certamente despertava seu interesse. Talvez, depois de derrotar o líder, ele pedisse algumas dicas ou conversasse com ele, apenas com o intuito de aprender mais sobre o assunto.

Só faltava marcar a data para a batalha com o aprendiz, o que deixou Alex um tanto indeciso, mas por pouco tempo. Após uma breve e sussurrada conversa com os Pokémons no canto da sala, decidiu que a batalha seria feita hoje mesmo, para evitar possíveis atrasos ou esquecimentos das datas, coisa que era bastante comum ao garoto. Aquilo pareceu surpreender o balconista, e ele ergueu uma sobrancelha em curiosidade. No entanto, não demorou muito a sair do balcão e sumir pelo corredor, Alex e os Pokémons esperando no sofá.

Cinco minutos se passaram, e agora, o balconista voltou ao lado de duas pessoas. Um deles parecia ser um garoto alguns anos mais novo que ele, com cabelos negros e uma expressão de puro nervosismo. A segunda, não se passava de uma jovem de sua idade, a qual tomou o lugar do balconista.

Chamaram Alex para seguir pelo corredor, e foi isso que ele e seus Pokémons fizeram. O balconista e o garoto desconhecido os guiaram pelos corredores, virando aguns e até subindo escadas para, finalmente, alcançar uma sala em especial. Dentro dela, um campo de batalha Pokémon se encontrava, feito de terra e demarcado com o que parecia ser tinta branca. O teto parecia maior que o normal, o que certamente daria uma locomoção maior àqueles que se utilizassem de Pokémons voadores. Ao seu redor, havia uma arquibancada, com vários bancos aparentemente macios dispostos ao seu redor.

Por um momento, Alex ficou ali, apenas observando o local com os Pokémons ao seu lado. Suspeitava que, se ele pudesse ser capaz de ver a si próprio, estaria com os olhos tão brilhantes quanto os de Margareth.

— Tem certeza que essa é uma boa ideia, Aizawa-san? — A voz do garoto ao lado do balconista lhe chamou a atenção, cortando seus pensamentos. — Você poderia ter chamado o Akio, ele é muito melhor...

— Besteira — Fez um movimento com a mão, dispensando sua ideia.— E de qualquer forma, você vai se sair bem, Seiji, tenho certeza.

— Não acho...

O homem lhe encarou por um momento. Deu um tapinha amigável em seu ombro, e ignorou completamente suas palavras.

— Muito bem, eu serei o juiz dessa partida — anunciou o homem, um sorriso confiante no rosto. — A batalha será de dois contra dois, sem trocas durante e com troca obrigatória ao fim da batalha. Está estritamente proibido o uso de qualquer tipo de medicamentos, como poções. O tratamento médico será fornecido aqui mesmo, no ginásio, ao término da luta. A batalha será dita como terminada assim que um dos lados estiver cansado demais para continuar, e se o desafiante vencer, terá a chance de ser julgado pelo líder em sua próxima batalha.

— Certo. — Quem confirmou para o garoto foi Margareth, exibindo um sorriso. Depois, virou o rosto para Alex. — Vamos ganhar, né?

— É claro que vamos, Maggs. — Sorriu.

Poucas palavras foram trocadas depois disso. Ao invés disso, houveram apenas murmúrios e trocas de palavras entre o balconista e agora juiz com o garoto que seria seu oponente. O nervosismo tomava conta de Alex, ansioso com o começo de sua segunda batalha. Parecia um pouco estranho que ele pudesse se sentir assim, já tendo feito aquilo antes e até ter treinador. O que o confortava e o impedia de conversar melhor com os Pokémons, porém, era o fato de que a confiança quase conseguia sobrepor esse sentimento em especial. Era a única coisa que podia se agarrar agora, de qualquer modo.

O garoto se dirigiu até o outro lado da arena com passos lentos e ritmados, enquanto o juiz se aproximava da arquibancada. No chão próximo a ele, um par de bandeiras estavam dispostas, e um silêncio de vozes se fez enquanto tudo era preparado.

. Ambas as bandeiras foram erguidas. Uma, apontada na direção de Alex, era verde, e a outra, para o menino de cabelos escuros, negra.

Uma pausa foi feita antes de, finalmente, a voz do juiz se pronunciar, alta e clara:

— Podem liberar seus pokémons e dar inicio a batalha quando preferirem. — E um som de bater do pano foi ouvido quando as bandeiras anunciaram o início da luta.

Alex respirou fundo. Linus postou-se ao lado do garoto, e Margareth pulou de seu ombro para fazer o mesmo, encarando-o com expectativa. O treinador, por sua vez, olhou dos Pokémons para o oponente, e do oponente para os Pokémons.

Sua segunda, mas ao mesmo tempo primeira batalha real. Segunda por já ter tido uma breve experiência com seu pai, e primeira porque, desta vez, era oficial. Não haveria interrupções, e não haveria quaisquer coisas para impedí-los de chegar ao fim e levar a vitória para casa. Sim, a vitória. Era para isso que Alex estava ali, e por isso, teria de escolher quem usar com bastante cuidado.

Continuava um mistério ao menino quanto a que tipo de Pokémon o líder ou seu aprendiz usaria. Como os ginásios já não mais se focavam em tipos, era difícil deduzir, ainda mais quando um leque de outras possibilidades estivesse sendo aberto em frente ao seu rosto. Podia ser algum evoluído, podia ser um raro ou, podia ainda, ser um Pokémon completamente desconhecido ao menino.

Por um momento, Alex sentiu medo. Receio quanto a ser o primeiro a escolher. Um temor quase que indescritível. Uma escolha errada podia levá-lo a ruína. Se seu oponente lançasse um Pokémon com vantagem àqueles que possuía, bem... Aí as coisas seriam bem difíceis.

Felizmente, seus receios não duraram muito tempo. pesar do nervosismo que seu oponente parecia enfrentar, ele se mostrou impaciente com a demora do desafiante. Puxou de seu cinto, então, uma esfera vermelha e branca, e lançou ao ar. No meio do caminho, esta se abriu, revelando um brilho branco, o qual, a medida que se dissipava, revelava a forma de um Pokémon.

Para a surpresa de Alex, era um Pokémon conhecido, até. Bastante comum de ser visto voando por perto, o pássaro era pequeno, possuindo penas marrom escuro e num tom bege, a primeira cor sendo a mais presente entre todas as outras. O bico era rosado, da mesma cor que as patas. Os olhos, castanhos, que, assim como sua aparência, pareciam exibir mais curiosidade quanto à nova batalha do que desafio propriamente dito.

Num movimento impulsivo, Alex tirou do bolso a Pokédex, deixada com ele justamente para fins como àquele. Com um tanto de dificuldade, apontou o dispositivo ligado ao pássaro ao longe, e, logo, uma voz robótica se fez ouvir:

Pidgey, o Pokémon Pássaro

Dentre todos os Pokémons voadores, Pidgey é um dos mais comuns, gentis e mais fáceis de se capturar. Devido a sua natureza gentil, dificilmente batalha, preferindo se defender com ataques de areia. Apesar disso, possuí um ótimo senso de direção.

Um sorriso se fez presente no rosto de Alex. as coisas pareciam estar do seu lado até o momento, pelo o que ouvira da Pokédex. Primeiro, pelo fato de que Pidgey provavelmente não seria um Pokémon muito forte, e segundo pelo seu tipo, Flying. Desvantagem contra Rock, Ice e Electric.

Estava clara qual seria sua escolha.

— Margareth, é com você! — anunciou o garoto, olhando para a pequena.

De resposta, recebeu um sorriso e um menear de cabeça. A Shinx correu para a frente do menino, bastante animada com a possibilidade de finalmente batalhar ao seu lado, enquanto o companheiro apenas assistiria. Sua cauda balançava para os lados, exibindo o sentimento de forma clara para quem quisesse ver.

— Muito bem, Maggs, vamos começar com algo simples. Tackle!

Prontamente, a pequena obedeceu ao treinador. As pernas desataram a movimentar-se, levando-a na direção de seu alvo com facilidade. Em questão de segundos, a distância entre ela e o Pidgey estava sendo vencida. Aquilo, orém, pareceu servir apenas para que o treinador do Pidgey ficasse ainda mais nervosos com a batalha. Nenhuma ordem foi ouvida dele, nem mesmo quando a Shinx avançava cada vez mais, perigosamente próxima de concluir seu ataque.

Só não o fez de fato porque o próprio pássaro se deu conta do que aconteceria. Abriu suas asas, por um momento exibindo as penas claras que possuía. Depois, tratou de movimentá-las na frente do corpo, erguendo-o de forma rápida e fugindo do ataque da gata azul. Em seguida, planou até um canto longe dela, e voltou a se posicionar. Ocasionalmente, seus olhos se voltavam para seu treinador, quase como se o pequeno se perguntasse quando tomaria uma iniciativa.

— Margareth, não se deixe intimidar! — Mais uma vez, veio a voz de Alex. Parecia que, ao contrário do outro treinador, ele ganhava cada vez mais confiança. — Continue com o Tackle!

— M-Miki, evasiva. — A voz do menino soou baixa, mas, ainda assim, pareceu ter sido um progresso.

A corrida da Shinx recomeçou. Agora que teve uma ordem de seu treinador, o pássaro marrom não demorou a obedecê-lo. Abriu as asas, e novamente levantou voou, escapando facilmente do ataque de Margareth.

Alex mordeu o lábio. Esse era o problema de lutar contra um Pokémon do tipo Flying. Por mais que Margareth tivesse uma vantagem de tipo e possuísse vários ataques que certamente os ajudariam a vencer, ela não poderia seguí-lo no ar. Todos os seus ataques eram diretos, também, então, em algum momento, a pequena se cansaria de persegui-lo para o pássaro levantar vôo e ficar fora de seu alcance. Como poderia, também, manter os olhos para cima o tempo todo?

— Certo, Miki, estamos indo bem. Agora, use o Air Slash!

O rapaz levantou uma das sobrancelhas. Pelo o que ele bem sabia, Air slash era um ataque com diversas variações, em sua grande maioria, como um ataque indireto. Uma boa escolha da parte dele, até. O Pidgey, vários metros acima da Shinx, passou a bater as asas com mais força, emitindo um longo piado. Aos poucos, seu corpo foi envolvido por uma aura branco-azulada, cobrindo, em especial, as penas mais claras de suas asas. Com um único movimento, toda essa energia foi concentrada a sua frente, quase como se a aura deixasse o corpo da ave para formar uma esfera da mesma cor. Essa, então, foi lançada contra Margareth, dirigindo-se tão rápida e fácil como era de se esperar.

Margareth estremeceu. Parecia mais do que ciente que, se as coisas continuassem daquele jeito, seria atingida, e ainda por cima, incapaz de fazer muito mais do que apenas desviar. No entanto correu para o lado para desviar do ataque do pássaro mais por medo de ser atingida do que por isso em si.

— Maggs, continue desviando por enquanto! — Veio uma ordem de seu treinador. Mesmo ela podia perceber o nervosismo dele, como se nem mesmo Alex soubesse o que deveria fazer agora.

O ciclo de antes recomeçou. O Pidgey voltou a criar esferas azuladas em poucos segundos, todas elas lançadas contra Margareth. Algumas eram desviadas por pouco, mas, no todo, Margareth conseguia desviar facilmente dos ataques, preocupando-se a cada momento em que isso acontecia. Nenhum dos lados parecia ter progresso, e a medida que o tempo se passava, mais Alex se perguntava o que fazer. Pedir para a Shinx saltar em sua direção para tentar atacá-lo não daria certo. Diferente do Emolga de seu pai, Pidgey poderia ficar no ar quanto tempo desejasse, inclusive aumentar a altura e fugir ainda mais de Margareth. Arriscar um salto só traria chances ao pássaro de finalmente acertá-la.

Só lhe restava, então, esperar que o primeiro a se cansar fosse seu oponente. Isso, porém, não pareceu ser o caso por agora. Quando uma última esfera foi criada pela ave e desfeita quando de encontro ao chão, a voz de seu treinador soou mais uma vez.

— Isso está demorando demais. Vamos partir pra ofensiva, Miki. Air Cutter!

Um piado foi a resposta de seu Pokémon. Imediatamente, a ave passou a fazer o que lhe fora mandado, o corpo voltando a ser coberto pela aura azul do Air Slash,, dessa vez mais intensa. Em seguida, o pássaro finalmente saiu do lugar, e mergulhou para baixo, seguindo na direção de Margareth.

O movimento parecia estar diferente do que realmente seria, ao olhar de ambos. Se Alex tivesse certeza, Air Cutter não passava de uma variação do Air Slash, outro ataque de longo alcance. Parecia estranho que o treinador tivesse errado o nome, mas Alex não quis ficar apenas observando para ver o que acontecia.

Estava na hora de ele tenta ir para a ofensiva, também.

— Desvie e use o Spark antes de ele fugir! — ordenou Alex, felizmente, a tempo de Margareth ouvir.

Prontamente, a Shinx esperou que a ave se aproximasse ainda mais dela. As garras estavam cravadas no chão, o corpo doía, e o medo, ah, sim, ele era bem grande. mas ainda assim esperou por sua aproximação. Afinal, era sua primeira batalha em um ginásio. Não era com um líder, exatamente, mas simplesmente não poderia decepcionar seu treinador. Ou a si mesma.

Por isso, ela não demorou a permitindo que a eletricidade passasse a correr por seu corpo, trazendo a usual adrenalina de sempre. Quase a mesma que sentia ao batalhar. A única diferença real era a de estar mais intensa, mais forte, incintando-a a se mover.

Somente o fez, porém, quando a hora chegou. Saltou para o lado, desviando do ataque da ave. Isso obrigou o Pokémon a parar o ataque, dando um jeito de não acabar se chocando contra o chão. Aquilo, contudo, pareceu tomar mais tempo do que devia, e este foi o momento perfeito para Margareth prosseguir. O tempo que levara antes para utilizar-se do Spark se fez presente ainda mais agora, cobrindo todo o seu corpo com eneria azulada. Talvez, também, pelos treinos de antes.

O ponto foi que a Shinx disparou contra o Pidgey, rápido o suficiente para atingi-lo quando ainda estava próximo da arena. Um piado, mais parecido com, um grito se fez ouvir, e o pássaro foi lançado para longe, apenas para cair do outro lado da arena.

Margareth piscou, respirando fundo. Parte de seu corpo doía, enquanto a outra ainda parecia repleta da mesma energia de antes. Passeando por seu corpo, e trazendo-lhe uma estranha sensação de triunfo. Enfim havia acertado um movimento.

— Miki, vamos, levanta e continue o ataque!

— Margareth, Ice fang! — rebateu Alex.

Mais uma vez, a energia azulada tomou-lhe o corpo, e a pequena correu em disparada na direção da ave marrom. O tempo que ela levou para deixar o corpo ser tomado por ela novamente, porém, foi o suficiente para o Pidgey se recuperar do ataque.

Levantou vôo novamente, conseguindo superar a velocidade de Margareth em altura por muito, muito pouco. Um rosnado foi emitido quando a felina viu o alvo escapar, mas nem por isso desistiu. Com uma ordem de seu treinador, seguiu Miki quando o pássaro fez uma curva no ar, fugindo da pequena.

Ela, por sua vez, mudou a tática, deixando o corpo brilhar com energia azul novamente e assistiu quando o Pidgey mergulhou no ar, aproximando-se do chão e avançando contra ela. Novamente, seu corpo mostrava a aura azul.

Os lábios de ambos os treinadores foram mordidos. Nenhum dos Pokémons, apesar do nervosismo quanto à colisão iminente, parecia disposto a parar de correr. Ao invés, avançavam cada vez mais, cobrindo a distância que os separavam. Sabiam que, naquela situação, o sucesso estaria garantido a quem tomasse mais dano do choque, o que, de certa forma, estaria claro quem o levaria. Por isso, nenhum dos treinadores pensou em parar.

Quem o fez, ao invés, foi o próprio Miki. Num bater rápido de asas, voltou a pegar altura, fazendo-o praticamente no meio do caminho.

Os próximos segundos foram rápidos.

Bateu as asas muito mais rápido e forte dessa vez, de tal forma que criava uma corrente de ar a sua frente. O resultado se fez presente na mesma velocidade: toda a terra, areia e qualquer coisa que fora deixada na arena se ergueu, incitados pela corrente de ar criada pelo Pidgey, para então girar ao redor de si mesmo, formado um tornado de vento.

Um segundo movimento, e o tornado foi lançado na direção de Margareth, engolindo tudo ao seu redor. Só restou a ela gritar, parando o movimento e sendo obrigada a correr para longe, evitando de ser levada junto por muito pouco. Apesar disso, não conseguiu evitar os outros danos de a prejudicarem. A grande quantidade de terra levantada infiltrou-se em seus olhos, limitando a visão e deixando um ardor no local. Não só isso, como não houveram meios de parar coisas como pedras e galhos de a atingirem, coisa que não era muito, mas ainda atrapalhava.

— Vamos, Margareth, ainda temos chance! — incentivou Alex. Assustou-a o tom de apreensão que detectou dele.

— Não deixe que isso ocorra, Miki! — Seiji gritou tão rápido quanto pôde, agora com determinação. — Air Cutter e Quick Attack!

— Evasiva!

Imediatamente, o Pidgey lhe obedeceu, não demorando a mergulhar no ar mais uma vez. Agora, a velocidade estava ainda maior que o usual, de forma que estava difícil de acompanhá-lo com os olhos. Por conta do brilho do Air Cutter, porém, era possível ter um vislumbre de um rastro de energia azul deixado por ele, único sinal de que uma vez estivera ali.

Confusão e medo encheram o corpo da Shinx. Seus olhos ainda ardiam, e estava claro de que a dor deixada pela areia não iria deixá-la tão cedo, então ela se desesperou. Como poderia desviar de Miki se nem ao menos conseguia vê-lo?

Hesitou. Mais que o necessário. Sentiu apenas a dor tomar-lhe o lado esquerdo do corpo, tirando dela um grito e todas as chances que tivera de desviar. Gritou, sentindo ser jogada para longe, na mesma direção que o tornado de vento desaparecera.

— Margareth! — Alex gritou, tendo de se segurar para não sair do lugar e puxar a Shinx para os seus braços.

A pokémon apenas gemeu em resposta, sentindo o lado atingido do corpo latejar com o impacto. As energias pareciam estar fugindo dela cada vez mais, resultado do dano causado pelo ataque. Nunca imaginava que um ataque do tipo Flying combinado a um Normal fosse lhe fazer tanto estrago assim, até porque aquilo não deveria ser possível. Flying não era lá muito efetivo contra a eletricidade, se é que teria algum efeito contra ela, e ainda assim, fora forte o suficiente para fazê-la querer fica no chão onde caíra.

Só não o fazia de fato por sentir que decepcionaria Alex. Talvez por mais alguns outros motivos, como o de ter se sentido, no mínio, humilhada com aquilo. Margareth deveria e era mais forte que Miki. Era vergonhoso que estivesse assim no momento.

Vergonhoso e revoltante. A ponto de causar raiva e fazê-la se levantar por esse motivo. Se esforçara para estar ali, se esforçara por seu treinador. Um pássaro sem nada de especial não seria àquele quem a faria perder aquela batalha. Decidiu, então, que a dor do corpo não lhe incomodava tanto assim, e esperou pelas próximas ordens de seu treinador.

— Certo, vamos tentar de novo — Ele disse logo em seguida, a voz parecendo vibrar com a recuperação rápida da Pokémon. — Charge e Spark!

— Termine isso com Pursuit!

Com ambas as ordens dadas, a primeira a obedecer foi Margareth, sorrindo com a atitude do garoto. Respirou fundo, enterrando suas garras na areia. Pela quarta ou quinta vez no dia, deixou que a eletricidade passasse por seu corpo, acordando os músculos e, ela ousava dizer, devolvendo a força perdida.

Diferentemente da maioria dos movimentos do tipo elétrico, Charge fazia parte da pequena coluna de movimentos que não causavam dano, e sim ajudavam o usuário. Este, como o nome sugeria, servia para juntar energia a mais no corpo, de modo que a execução de algum movimento que requeriam eletricidade fossem feitos com mais facilidade, e até saindo mais efetivo que o usual.

Consistia apenas em fazer com que o corpo deixasse um brilho semelhante ao do Spark surgir, o qual era absorvido para seu corpo e fazia seus pelos liberarem faíscas. Fazia a energia estar ali em seu corpo, junto com o bater de seu corpo, mas não estar exatamente se fazendo presente. Uma sensação estranha, mas boa ao mesmo tempo.

Foi por isso que, quando finalmente realizou o Spark, sentiu-se ainda mais forte do que antes. A energia fluiu com mais facilidade, maior, mais intensa. Fervendo suas veias. Incitando-a a continuar, movendo as pernas com velocidade assustadora até para si mesma.

Os próprios sentimentos aproveitaram o momento, e Margareth suspeitou que estava sendo movida por uma densa nuvem de sentimentos negros, pairado sobre ela.

Miki se arrependeria por tê-la acertado.

Avançou sem medo contra o Pidgey, depositando todas as suas forças nos seus movimentos. Não exibia quaisquer sinais de medo ou hesitação quanto ao Pidgey estar fazendo o mesmo, o corpo envolto em uma aura negra, certamente assustadora. Havia, sim, a possibilidade de ele planejar repetir a mesma estratégia, mas, dessa vez, Margareth estava confiante que a súbita onda de agilidade iria vencê-lo antes que sequer pudesse pensar naquilo.

E realmente não permitiu. Ambos avançaram com tanta velocidade que parar agora resultaria em sua ruína, então nenhum deles se atreveu ao tal. Continuaram ao invés, fazendo com que o grito de ambos preenchesse a arena. A eletricidade tomou conta do corpo de Pidgey, de quem emitia o maior grito, enquanto Margareth o fazia tanto pelo impacto quanto pelo ataque do pássaro.

Devido ao choque, acabaram sendo lançados para trás, na direção de seus respectivos treinadores. Em todos esse momentos, pôde-se ouvir o urro de dor de ambos, até caírem no chão e este se resumir a poucos gemidos.

Agora, as coisas seriam decididas por quem se levantasse primeiro.

Para o Pidgey, essa pareceu ser uma tarefa horrivelmente impossível, e até para qualquer um que o observasse e se imaginasse em seu lugar. Fora ele quem levara o maior dano dali, e agora, gemia, sem quaisquer sinais de que se levantaria tão cedo. Até tentou, erguendo-se nos joelhos com o auxílio das asas. Contudo, a força que deveria ter em seus joelhos não existia mais, então ele tremeu e caiu no chão, um último piado o acompanhando antes de desmaiar.

Já a Shinx se encontrava numa situação completamente diferente. A dor maior vira do impacto em si, mas do mesmo modo, não fora algo assim tão grave. Pôde se reerguer com facilidade, tendo apenas como incômodo a dor insistente e as pontadas que sentia ao respirar. Isso pareceu ter sido o suficiente para que ambos soubessem quem de fato havia vencido.

Um momento se passou. O juiz olhou de Alex para Seiji, de Seiji para Alex e do Pidgey para a Shinx. Não houveram quaisquer outros sinais de que a batalha continuaria, então, o que fez foi erguer a bandeira vermelha na direção de Alex, fazendo um breve movimento para agitá-la em sua direção.

— Miki está fora de combate — anunciou ele o homem. — Os vencedores são Margareth e Alexander!

Margareth piscou, a respiração parecendo faltar momentaneamente. Em seguida, um sorriso involuntário surgiu em seu rosto, em contraste com o brilho de eletricidade que o esmeralda de seus olhos revelavam. Orgulho, agitação, adrenalina, animação. Vários eram os sentimentos que a invadiram naquele momento, misturando-se especialmente para compor toda a sua felicidade.

Enfim havia ganhado uma batalha, e enfim havia provado sua força para o oponente. E enfim podia se virar para Alex e correr em sua direção.

Não se importou com a dor em seus membros ou com o tempo que levou para cruzar a distância que os separava. Apenas saltando para seus braços. Gemeu quando sentiu um desconforto por culpa da força que Alex usava para abraçá-la, mas ainda assim continuou ali.

— Conseguimos, Alex — disse ela quando finalmente foi afastada, sorrindo. — Vencemos! Nossa primeira batalha...

Era pouco o que Alex conseguia dizer,, por isso, apenas sorriu. Depois, abraçou-a mais uma vez, e sussurrou:

— Sim, Maggs, a gente conseguiu.

Nem mesmo ele conseguia acreditar naquele fato. De certo modo, parecia até surreal que aquilo fosse possível quando já tivera uma batalha antes e ficara próximo de conseguir uma vitória. Provavelmente porque, agora, as coisas era diferentes. Esta, diferentemente das outras, se tratava de uma batalha importante, a primeira dentro de um ginásio, necessária para o desafio de verdade. A primeira real que tinha, também, o que era mais do que motivo o suficiente para estar se sentindo assim.

Porque, afinal, aquela fora a primeira que provava para si mesmo que era um treinador, e que fora capaz de levar sua Pokémon até a tão merecida vitória.

O momento teria durado mais, porém, se o juiz não tivesse posto uma mão em seu ombro, apontando um par de funcionários que entravam na arena. Carregavam uma maca pequena insuficiente para levar um humano, mas grande o bastante para levar os dois Pokémons. Alex deixou Margareth ali, deixando um breve carinho nos pelos negros do topo de sua cabeça, como um último carinho antes de chegar a despedida em si. depois, veio a vez de Seiji deixar seu Pidgey ali, e assim que os dois Pokémons foram deixados, os homens deixaram a arena.

— Vamos, vamos, vocês ainda tem uma batalha pra fazer. — disse o juiz, fazendo um sinal para que cada um voltasse ao próprio lugar.

— Certo, certo — riu Alex, e obedeceu. Realmente, havia mais uma batalha para vencer, a qual ele não podia negar que estava ansioso. — Linus, agora é a sua vez de ir.

Silencioso, o cão assentiu. Tomou seu lugar a passos lentos, e simplesmente se sentou ali, aguardando o início da batalha e o treinador oponente liberar seu Pokémon. Não parecia exibir qualquer tipo de nervosismo ou hesitação quanto a batalha que se seguiria, apesar de, até o momento, nunca ter batalhado ao lado de Alex. Na verdade, até achava que esta seria uma boa oportunidade para Linus ter uma maior noção de com quem estava lidando.

Alex, diferente dele, parecia ter adquirido uma confiança quanto ao desfecho da próxima batalha, fruto do que a primeira havia lhe rendido. As batalhas não eram lá tão difíceis assim, se fosse pensar, e até se arriscava dizer que tinha certa facilidade em comandar Margareth. Certamente que o restante da batalha seria tão fácil quanto a última, não importando qual Pokémon seu oponente fosse liberar.

Vários momentos se passaram em que Seiji apenas encarava uma Pokéball em suas mãos, a expressão difícil de interpretar. Pôde ser ouvido um suspiro vindo dele quando a esfera finalmente foi lançada ao ar.

O Pokémon liberado por ela era pequeno, ainda mais que o próprio Linus. Assemelhava-se a um roedor de pelos cinza-claro, a cor predominante de todo o seu corpo. Somente algumas pouquíssimas partes de seu corpo mostravam uma cor diferente, as quais ainda assim passavam despercebidas por Alex. Estas, resumiam-se na cor branca, presente na ponta de suas orelhas, longas e arredondadas, a pnta da cauda longa e peluda, um auxílio para mantê-lo de pé, e parte dos dedos das patas dianteiras. De resto, a única coisa diferente seriam os olhos castanhos, única cisa que contradizia o fato de o Pokémon desconhecido ser uma bola de pelos cinza.

Novamente, a Pokédex foi aberta, e então apontada na direção do Pokémon do oponente:

Minccino, o Pokémon chinchila

Nativo da região de Unova, Minccino adora coisas brilhantes, e frequentemente usa sua cauda para limpá-las. Seu cumprimento também é feito com ela, sempre mantida limpa.

Alex ergueu uma sobrancelha, curioso. Bem, pela aparência, não parecia que a batalha seria tão difícil assim. Porque, se ele fosse admitir, não achava que aquele Minccino seria realmente capaz de batalhar contra Linus.

Voltou-se para o juiz, esperando pelo momento em que ele iniciaria a batalha. Felizmente, sua espera rendeu frutos mais rápido do que ele esperava:

— O desafiante poderá enfrentar o líder se vencer essa última batalha. Continua restrito o uso de medicamentos de qualquer tipo ou a troca de Pokémons. A luta terá seu fim quando um ou ambos os Pokémons estiverem incapacitados de continuar. — Fez uma pausa, alternando o olhar nos dois treinadores como se esperasse alguém se pronunciar. Quando isso não aconteceu, agitou ambas as bandeiras, e elevou a voz: — Comecem!

Seiji foi o primeiro a obedecê-lo.

— Dayu, use Swift e Aqua Tail!

— Linus, Howl e Tackle! — rebateu o menino, num grito.

Imediatamente, os movimentos começaram. Linus levou a cabeça ao ar, e um uivo preencheu a arena, o que, inicialmente, pareceu ter sido feito apenas para chamar a atenção. Seus resultados, porém, podiam ser vistos apenas pelo próprio cão. Howl, assim como o Charge de Margareth, servia apenas para trazer um poder a mais ao seu corpo, acordar os músculos preguiçosos e incentivá-lo a continuar. Certamente uma boa opção para começar a batalha.

Nesse meio tempo, os movimentos de Dayu foram rápidos e controlados. Primeiro, se ergueu nas patas traseiras, onde parecia ter um maior equilíbrio. Saltou, e gritou em torno de si mesmo, a cauda tomando um brilho branco nos segundos em que levaram para o movimento ser feito. Com isso, fez surgir diversas estrelas amarelas, que, apesar da aparência, todas as cinco pontas tinham um aspecto bastante afiado, principalmente quando estas seguiram na direção do lobo cinza.

Felizmente, o desviar delas foi fácil para Linus. Correu para um canto, deixando as estrelas de desfazerem no espaço onde estivera. Depois, continuou a correr contra o Pokémon acinzentado, a fim de completar a ordem que lhe fora dada.

Logo, porém, o Swift se mostrou servir apenas para uma distração. Nos momentos em que Linus se preocupou em não ser atingido, Dayu fez com que sua cauda tomasse um brilho azul, a matéria assemelhando-se a água. A aproximação de Linus apenas serviu para ajudar o Minccino. Mais uma vez, saltou, girando o corpo, transformando os próximos segundos apenas uma questão de tempo para o cachorro.

Precisaria de reflexos rápidos para o Pokémon de Alex ser capaz de divisar, o que não foi o caso. Acabou por provar de um impacto da cauda de Dayu, comprovando sua semelhança a água. Estranhamente, aquilo doeu mais que o esperado, e até mesmo tirou um ganido de dor de seus lábios.

Junto com ela, porém, veio a fúria. Talvez mais humilhação por ter se deixado cair em um truque tão simples, mas ainda assim uma pitada de fúria. Sem nem ao menos esperar pelas ordens de Alex, Linus avançou contra o Minccino, cravando os dentes entre os pêlos de sua cauda, agora já de volta a sua aparência natural mais uma vez.

Um urro de dor e surpresa se fez ouvir do pequeno, assustado com a velocidade com que o ataque fora realizado e por ele ter feito sem uma ordem expressa de Alex. Recuperou-se da surpresa rapidamente, e em meio a gemidos de dor e o som dos rosnados de Linus, tratou de tirá-lo dali.

Começou com um balançar de cauda, e depois tentou repetir o Aqua Tail assim mesmo, todas as tentativas sem sucesso algum. A força exercida pelo canídeo de pelos cinza era grande demais para sequer mover a cauda, e se o tentasse, apenas conseguia aumentar a dor vinda dali.

Em pouco tempo, o pequeno entrou em desespero. Tentou de quase tudo para tirá-lo dali, e assustou-se ainda mais ao ver um filete de sangue escorrer pela ferida.

— Tire-o daí com Hyper Voice! — gritou Seiji, fazendo o cenho tanto de Alex quanto de Linus se erguerem.

Obedeceu ao treinador rapidamente. Felizmente, o movimento não pedia muito mais que um inspirar fundo, seguido de um grito. Um grito que, por sinal, era muito diferente dos demais proferidos até então. Continha sim o tom de dor de antes, mas, agora, era diversas vezes mais alto, diversas vezes mais agudo, e diversas vezes mais doloroso de ouvir. Trazia uma dor insuportável aos ouvidos, a qual fez Linus também gritar e querer encontrar um meio de tapar os ouvidos, assim como seus treinadores o faziam.

Ao invés disso, procurou fugir para longe, visto que, pela continuidade do ataque, ele já fazia surgir ondas rosadas, fruto do som contínuo. E estava claro que ele não desejava ser atingindo por aquilo.

— Vamos, Linus, tente acertá-lo com Tackle! — bradou Alex, num incentivo ao pequeno. — Depois, use o Fire Fang!

— Double Slap!

Ambos iniciaram a corrida quase que no mesmo momento. Como que para aumentar a velocidade, a chinchila correu nas quatro patas, enquanto Linus avançava em sua direção, a boca aberta e exibindo diversas labaredas laranja, dançando por entre seus dentes.

A velocidade de Linus se mostrou seu maior que a do pequeno, visto que o cão conseguiu desviar do primeiro tapa desferido com facilidade. Jogou o corpo na direção do pequeno, conseguindo lançar para longe de forma ainda fácil. Seguiu, então, correndo na sua direção, aumentando os gritos de dor do pequeno quando levou uma mordida em um de seu braços.

Por culpa do Fire Fang, o Pokémon gritou ao sentir o calor tomando seu corpo, espalhando-se por entre suas veias e tudo que lhe era possível encontrar. A ferida ardia, e ele suspeitava que, quando o cão fosse soltá-lo, encontraria apenas uma cicatriz, feita a força pelo calor das chamas.

Dessa vez, acabou soltando rapidamente, e voltou para seu lugar, silencioso. os olhos, no entanto, pareciam brilhar com um sentimento inexplicável, porém bastante semelhante a fúria e a satisfação.

Dois meios de atacar do Pokémon estavam comprometidos.

— Tente continuar com o Double Slap — gritou Seiji, preocupado com o estado de se Pokémon. Se aquilo continuasse, não teria muito o que fazer para causar dano no Poochyena.

— Impeça-o com Sand-Attack, depois acabe com isso usando o Tackle!

Mais uma vez, os Pokémons dispararam na direção de seus oponentes. O Minccino, com um tanto a menos de velocidade que o cão, fruto da dor ainda presente no braço mordido. Ainda que houvesse aquela dificuldade, porém, ele tentou um pouco mais, e assim que se viu próximo ao lobo, tentou desferir seu ataque.

No entanto, as coisas não funcionaram exatamente da maneira como a chinchila esperava. No meio do caminho, Linus virou-se de costas, e com as patas traseiras, passou a lançar areia contra seu oponente. Ele gritou por um momento, mais pelo desespero da coisa, depois, levou as patas aos olhos, desesperado em limpá-los. Assim como acontecera com Margareth, a areia infiltrara por entre seus olhos, dificultando-lhe a visão.

Esse foi o momento perfeito para o cão. Hesitou por um momento, e, em seguida, correu novamente. Não precisou de muito para cruzar a distância que os separava, para então jogar o corpo contra o Pokémon e fazê-lo soltar um grito de dor e surpresa. Foi lançado para trás, o corpo leve arrastando-se contra o chão por alguns momentos a mais.

Por fim, bufou em triunfo, e voltou ao seu lugar. Sabia que não precisava ver para saber que a luta havia terminado.

O juiz olhou para o Minccino, quase que da mesma forma que seu treinador. Ambos esperavam alguma reação do pequenino, como se, por um milagre, ele fosse se levantar para conseguir revidar e virar o jogo. Como o corpo do pequeno continuou inerte, o juiz soltou um suspirou, e ergueu uma bandeira na direção de Alex.

— Dayu está fora de combate — proferiu, calmamente. — Os vencedores dessa batalha são Alexander e Linus.

E agitou a bandeira em sua direção, confirmando-lhe a vitória.

Tudo que Alex pôde fazer, porém, foi sorrir.

Enfim conquistaria sua vitória.

Notas finais
BATALHAS SIM, eu usei o nome Seiji no treinador. Sim, esse é o nome do mestre do nyah, mas #regret nothing. AEAEAEAE aqui terminamos mais um capítulo. Pra falar a verdade, eu não esperava que o Alex fosse enfrentar o líder e seu aprendiz agora. Ou que ele fosse ganhar, mas né. Esse foi um dos momentos em que o personagem não me ouviu e começou a fazer tretas aleatórias sem meu consentimento. É lindo e estranho quando isso acontece -q Enfim, agora eu tenho dois avisos pra vocês. Como podem ver, hoje já é dia primeiro, começo do NaNo, então é, se eu sumir, teremos só um ou mais dois capítulos, e depois eu deixo a SAU parada por motivos de "estou muito ocupada escrevendo (ou deveria estar)". Essa vai ser a primeira vez que participo do NaNo oficial, e estou um pouquinho nervosa, confesso. Com medo também de não conseguir terminar meus projetos em tempo ou não conseguir voltar com mais capítulos das fiqués, mas oh well. Sobre o outro aviso... Esse é um pouquinho mais complicado que o outro, e já aproveito aqui pra dizer que ele vale pra Lawliette também. Ambas usamos internet da vivo, móvel, aquela internet vivo box que é reduzida depois de um tempo de consumo (no meu caso, 6gb aeho). Aparentemente, parece que ela não vai mais reduzir quando chegar em 100% de consumo, e sim vai cortar a internet. SIM, EU SEI, ISSO É UM ULTRAJE, É UMA BOSTA, AAAAAAAAAH O que significa que há o risco de eu não poder aparecer aqui pra vocês durante algum tempo. Claro, estarei fazendo meu melhor pra programar os capítulos após o NaNo e ver se dá pra trocar a internet, mas por enquanto não tenho como fazer nada sobre o assunto. Moro no meio do mato, e aqui só pega a Vivo e a Oi de operadoras, mas a única que pega decentemente aqui é a Vivo mesmo, so... Bem, como disse, tentarei fazer o máximo pra não estragar mais e surgir aqui com novos capítulos. Porque lentamente estaremos vendo o que acontecerá com Alex, e eu garanto pra vocês que já já as merdas e o foco principal da fic começa. Mwhahah! Por enquanto, peço apenas que não estranhem caso verem uma demora pra resposta de comentário ou algo do tipo, agora não é mais pura preguiça qq Enfins, comentários, críticas, biscoitos, uma internet pra mim e um abraço (to carente ~cry) são sempre muito bem-vindos. morta