Notas iniciais
WHYYYYY RÉLOU THEEEERE EVERYNYAN! How are you? Fine, sankyuu. Yes, outro capítulo, bem como prometido. Aqui, vemos nossos lindos protagonistas aparecendo, e vemos mais também como é a história, embora eu continue me recusando a dar muita informação. qq Bom, nesse aqui, eu tentei aplicar umas novas regrinhas que aprendi sobre pontuar diálogos, umas tretas muito loucas. Não tenho certeza se está certo ou não, então, né, cêis podem achar um outro erro aqui. Mas, enfim, boa leitura /o/

Por um momento, Alex se viu incapaz de dizer qualquer coisa que fosse.

Os acontecimentos dos últimos momentos pareciam surreais, coisas quase impossíveis para acontecerem agora, ainda mais num dia como aquele, em que tudo que planejara fazer fora ficar em casa, ajudando os pais com as tarefas diárias. Entretanto, ali estava ele, paralisado na cadeira, os olhos arregalados, o coração batendo forte, num ritmo mais rápido que ele achava ser possível. Ali estava ele, ainda em processo de discernir as palavras ouvidas e as próprias, dadas como resposta.

Ali estava ele, permitindo que um sorriso tomasse seu rosto, acompanhado da enorme animação que o atingira de forma súbita, sem quaisquer avisos prévios.

Dessa mesma forma, Alex levantou-se da cadeira, e após uma despedida rápida, saiu da sala. Com passadas rápidas e a respiração pesada, desceu três lances de escada, e apressou o passo quando estava finalmente fora do prédio, livre para voltar para casa.

Encontrando-se a poucas quadras da padaria, a construção onde morava possuía um trajeto mais do que reconfortante para Alex, repleto de bonitas casas coloridas e árvores em quase todos os lugares que olhasse, típico de uma cidade arborizada. A quantidade de prédios vistos era bem pouca, tendo como predominantes as calçadas e as ruas asfaltadas, pintadas por longos tapetes de grama verde e diversos canteiros de flores, dando a pequena impressão de que cada morador ali possuía seu próprio jardim. As grandes árvores, semelhantes às centenárias, proviam as ruas de um ar puro e muitas sombras para as plantas, além de servir de ninho para as aves que ali se instalavam, enchendo as manhãs de Cherrygrove dos mais variados cantos. Era raro encontrar um local que não dispusesse da mesma calmaria ou da quantidade razoável de verde, em harmonia com a urbanização ali presente.

Nada daquilo, porém, parecia importante para Alex.

Na verdade, pensar naquilo apenas lhe trazia ainda mais ansiedade, e foi por este mesmo motivo que, momentos depois de caminhar, apressou o passo novamente. A impaciência o obrigou a apressá-lo ainda mais, até que, finalmente, estivesse correndo, projetando as pernas para frente com velocidade o suficiente para vencer o caminho em pouco menos de cinco minutos. Não importava o fato de que se cansaria assim que abrisse a porta de casa. As emoções que o dominavam eram grandes demais para o tal. Não, não, Alex não podia se dar ao luxo de fazê-lo agora.

Entrou em sua casa rapidamente, parando apenas para limpar os pés no tapete posto em frente à porta justamente para esta finalidade, mas até mesmo essa tarefa foi feita com demasiada pressa. Ao invés de se demorar o tempo necessário ali, apenas correu para a cozinha, deixando com que a voz cheia de animação se fizesse presente no meio do corredor:

— Pai, mãe, vocês não vão acreditar no que aconteceu!

Assim que virou o corredor para a cozinha, a primeira coisa que encontrou foram seus pais, os rostos exibindo uma clara confusão para quanto o anúncio súbito do menino. Eram jovens, estando na casa dos vinte anos, fato um tanto surpreendente até para o próprio Alex, e apesar do parentesco que dividiam, ambos eram muito diferentes do rapaz. A começar por sua mãe, Hinoki, uma mulher de vinte e sete anos de idade, rosto moreno, fruto de diversos dias em que saíra no sol.

Os cabelos eram longos, e várias madeixas louras caiam por seus ombros, lisos e de fios que refletiam o brilho que recebiam. Os olhos verdes eram grandes e expressivos, normalmente exibindo a gentileza característica da mulher, qualidade muito apreciada tanto por Alex quanto por seu pai.

Já seu pai, Frederick, era um homem risonho e alto, possuindo diversos tufos bagunçados de cabelo castanho, a mesma cor de seus olhos. Estava, quase sempre, ao lado da mulher, ajudando-a em tarefas de casa quando não trabalhava, mostrando todo o cuidado que tinha para com Hinoki. Ambos encarregavam-se de preparar o almoço de casa antes do filho chegar, e devido a surpresa, deixaram suas tarefas de lado para olhar para Alex, ofegando perto da mesa.

— O que aconteceu, menino? Viu um passarinho verde, mhm? O pai foi o primeiro a falar, rindo de si mesmo. Em resposta, Alex rolou os olhos.

Abriu a boca para contar-lhes a novidade, mas a voz faltou. Os pulmões pediram por mais ar, e o menino se viu obrigado a obedecer. Por isso, a mão foi até o bolso, e breves momentos depois, o punho fechado deixou um deles. Foi somente depois de finalmente conseguir o ritmo normal de sua respiração foi que se permitiu sorrir, abrindo a mão e revelando o que pegara.

— O professor... Ele me deu isso — murmurou, a voz ainda um tanto falha. Seus pais ergueram as sobrancelhas, em curiosidade, rapidamente transformada em surpresa.

Apesar de ser pequena, a esfera em sua mão não deixava de mostrar suas características. Dividia-se em vermelho e branco, separados apenas por uma faixa negra. O meio podia ser facilmente encontrado com um botão igualmente branco, o único necessário para que qualquer um fizesse uso da função do pequeno dispositivo.

O simples fato de Alex estar com uma Pokeball já era surpreendente o suficiente para fazer o queixo de Frederick cair. Alex nunca tivera uma, até porque ele não tinha nenhum Pokémon e muito menos algumas vazias, além do que era improvável que estivesse tão animado por receber uma Pokéball qualquer.

— É um Pokémon? — Hinoki perguntou pelo marido, tomando a liberdade de pegar a esfera bicolor e pressionar o botão central, fazendo-a expandir-se e ajustar-se ao tamanho de sua mão. Estava quente. — Ah, então foi por isso que ele te chamou lá?

Alex balançou a cabeça, em sinal negativo.

— Na verdade, ele me chamou por outro motivo — explicou. — Ele queria que eu fizesse um favor e levasse pra ele um pacote até Violet, e me deu um Pokémon em agradecimento. Um Pokémon! O quão incrível é isso?

— Mostra seu Pokémon pra gente, então. — Riu-se a mãe após lhe entregar o dispositivo, transformando sua surpresa em diversão rapidamente, apesar de estar igualmente animada pela noticia. Afinal, não havia motivos para o rapaz não se sentir feliz com uma única Pokeball.

A verdade era que, apesar de seus pais poderem sustentá-los e ter uma boa vida, não significava que podiam bancar a jornada que Alex tanto sonhava em ter, quanto mais outro Pokémon. Como já foram treinadores um dia, mantinham alguns poucos consigo, nenhum deles sendo oferecidos para acompanhar o menino ou ajudá-lo a pegar seu próprio Pokémon, até porque não havia sentido em ter um agora. Alex já lhes dissera que sua preferência era esperar para quando arranjasse dinheiro o suficiente para sair e se manter por algum tempo com uma quantia razoável de dinheiro, o suficiente para fazê-lo ter um gostinho de como era sair de casa. Se arranjasse um Pokémon antes, o menino apenas teria de gastar mais com comida e os cuidados necessários.

Não fazia muito tempo que o menino conseguira uma quantidade boa, fruto de vários trabalhos de meio período durante as tardes livres, mais do que o suficiente para comprar o necessário para sair em jornada dali há poucos dias. O plano era, por esse motivo, utilizar-se de um dos Pokémons de seu pai ou pedir um ao professor da cidade, única pessoa que conheciam que sempre mantinha os mais variados tipos de monstrinhos de bolso consigo, liberando-os após conseguir o necessário. Seria fácil pedir um a ele e bem melhor fazê-lo, considerando a amizade que dividia com sua família, principalmente Alex, apoiando sua saída e incentivando-o a continuar com o esforço.

E agora que o havia conseguido, o que o menino mais desejava era sair logo de casa. Ter um Pokémon agora significava que, em breve, poderia deixá-la, e em breve poderia ter sua jornada. Poderia finalmente realizar seu sonho, e finalmente experimentar como era viajar ao lado de um Pokémon, participar de batalhas, coletar insígnias e, no fim, derrotar a Liga Pokémon de Johto, uma das mais temidas e menos desafiadas até o momento, comparando-se com outras regiões. Corriam rumores de que muitíssimos poucos o tentavam, e até agora, fora um número ainda menor que foram capazes de derrotar pelo menos um membro. Em outras palavras, um desafio e tanto para os aspirantes a treinadores. A única coisa que precisava fazer para começar era o favor para o professor.

Parecia um tanto surreal demais para o garoto, e se não estivesse com a esfera em suas mãos novamente, provavelmente não acreditaria.

Dispensando os pensamentos, Alex apertou os dedos sobre a Pokéball. O professor não havia lhe dito que tipo de Pokémon o havia dado, quanto mais gênero, comum ou shiny, nada. Apenas dissera-lhe para cuidar bem do bichinho e tratá-lo como deveria, e no momento seguinte, Alex havia disparado para casa, ansioso por contar a novidade aos pais. Mentiria caso dissesse que não estava imaginando qual Pokémon seria, e mentiria ainda mais se dissesse não estar hesitante para descobrir.

Respirou fundo, os olhos se fechando por um momento. Um dos dedos deslizou pela superfície quente da esfera, parando apenas quando sentiu o que queria. Afastou-se alguns passos dos pais, e, sem mais hesitar, pressionou o botão central.

Imediatamente, um clarão deixou a esfera, forte demais para os olhos de Alex se manter abertos por muito mais tempo. Viu-se obrigado a fechá-los logo depois, mantendo-os assim durante vários segundos. Foi somente depois de vários segundos que o brilho se dissipou que Alex pôde abri-los novamente, identificando a forma revelada pela Pokéball.

O felino que ali se revelou era pequeno, e a julgar por esse quesito, parecia bastante jovem. Assemelhava-se a um pequeno filhote de leão, um tanto incomum aos olhos de Alex. Em sua maior parte, os pelos encontravam-se na cor azul, cobrindo toda a parte frontal de seu corpo, enquanto restante tingia-se de negro, cobrindo parte das costas, barriga, patas traseiras e a longa cauda, além de um colar de pelos e a franja caindo por sobre a testa. Fora isso, os olhos possuíam um vivo tom de verde-esmeralda, grandes, expressivos e repletos de curiosidade. O interior das orelhas arredondadas, porém, assim como um par de braceletes em suas patas dianteiras e a ponta peluda de sua cauda, exibiam um tom dourado, contrastando com o restante das cores que a Pokémon possuía.

A Shinx encarou o local ao redor, curiosa. Seus olhos procuravam buscar e identificar o local em que estava, mesmo que, evidentemente, não lhe fosse tão familiar quanto gostaria. Precisou de vários momentos nessa tarefa para, finalmente, preocupar-se em observar as pessoas ali presentes.

Uma de suas sobrancelhas foi ao ar assim que os olhos pairaram sobre Alex, demorando-se em sua figura para analisá-lo melhor. Pelo menos, o garoto não era tão jovem quanto pensara.

— Oh, então é você o meu novo treinador, huh? Alex, não é? — A voz da Pokémon revelou-se ser mais infantil do que o próprio Alex pensara, deixando-o surpreso por um momento. Felizmente, o fato foi deixado de lado rapidamente, e o menino exibiu-lhe um sorriso tímido.

— Sim, sou eu. E quem é você?

A Shinx abriu a boca para apresentar-se, mas fechou-a antes mesmo que uma palavra sequer deixasse seus lábios. Ao invés, tanto ela quantos os pais do garoto observaram o menino, a surpresa sendo a única emoção clara em suas expressões. Para os pais de Alex, sempre seria estranho ouvi-lo responder as falas de um Pokémon, sejam elas quais fosse, e para a Shinx, o estranho era o fato de que, ao que tudo indicava, o garoto havia ouvido, entendido e respondido a sua pergunta. Não ouvira apenas a repetição do próprio nome, como lhe fora dito que era comum, não havia respondido uma pergunta que seus pais fizeram em voz baixa ou pelo simples mover de lábios, não havia deduzido o que ela havia dito. Ele compreendera suas palavras.

E só isso era mais do que o suficiente para surpreendê-la.

— Você... Você entendeu a minha pergunta...?

— É claro que entendi. — Alex meneou a cabeça, seu tom sugerindo que esse era o fato mais óbvio do mundo.

— Mas... Como? Como é possível um humano entender um Pokémon?

O menino mordeu o lábio, apreensivo.

— Não sei — murmurou, simplesmente. — Mas é meio que... Eu simplesmente consigo, sabe?

— Desde criança ele conseguiu, na verdade — explicou Frederick, um sorriso de orgulho estampado em seu rosto. — Mesmo quando bem pequeno, não era raro ver Alex conversando com meus Pokémons.

Era verdade. Alex, seus pais ou qualquer outra pessoa que soubesse daquele pequeno detalhe sobre o menino, sabiam que não houve um único momento em sua vida em que o garoto não alegava poder compreender falas que, para o restante do mundo, eram consideradas apenas a repetição do nome de sua própria espécie. Já se tornara mais do que comum encontrar o menino responder perguntas, rir de algo dito ou simplesmente manter uma conversa com um Pokémon, surpreendendo os familiares e todos aqueles que o pegassem em um momento assim.

Fora um tanto estranho para Frederick e Hinoki aceitarem, mas, tempos depois, levaram aquilo como uma estranha habilidade concedida a Alex, sem explicação alguma. Ninguém sabia o motivo de ele ser diferente, seja Pokémon ou pessoa, e nenhum deles pareciam realmente desejar que o filho fosse submetido à vontade de cientistas ou algum tipo de profissional. Para os três, a única dificuldade que não saber do mesmo implicava eram as explicações para os novos Pokémons, em que não teriam quaisquer meios ou explicações para justificar tal fenômeno, como era o caso agora. Simplesmente acontecia, e estavam satisfeitos com isso.

— ...E quanto a vocês dois? — A Pokémon continuou, fazendo um sinal de cabeça para Frederick e Hinoki. Parecia desconfiada e surpresa demais com tudo aquilo pra não considerar aquela possibilidade.

Desta vez, Alex fez um sinal negativo com a cabeça.

— Não, só eu que consigo te entender, aparentemente.

O silêncio pairou sobre eles, trazendo consigo um ar pesado. De repente, continuar aquele assunto pareceu desnecessário. As palavras para mudá-lo, no entanto, prendiam-se as gargantas dos presentes, prolongando ainda mais o desconfortável momento em que o silêncio os dominava. E isso provavelmente teria continuado se, segundos depois, a voz da Shinx não tivesse se feito presente novamente, chamando a atenção de Alex:

— Tudo bem então. — Ela deu de ombros, ou, pelo menos, o máximo que um Shinx podia chegar perto disso. — Pelo menos não vou ter que te aguentar me chamando de Shinx o tempo todo. Me chamo Margareth. Você é o Alex, certo?

— Certo. — Assentiu, um sorriso voltando a tomar conta de seu rosto. Em seguida, fez um movimento com a mão, mostrando indicando os pais. — E esses são meus pais, Frederick e Hinoki.

De resposta, deram-lhe um sorriso em cumprimento.

— Ah, sim — murmurou para si mesma, assentindo brevemente. — Você é quem quer ser um treinador, né? Do tipo buscar insígnias, essas coisas todas.

— Isso. — Confirmou, e, após uma pequena pausa, o sorriso pareceu oscilar. — Mas e quanto a você...? Não me precisa me acompanhar se não quiser, sabe...

— Sem problemas, menino. — Margareth deu uma risada, parecendo se divertir com como o rosto de Alex pareceu pálido ao considerar a possibilidade de ela recusar. Depois do que acabara de descobrir, ela não parecia tão disposta a fazê-lo tão cedo. — Sempre quis experimentar coisas novas, de qualquer forma.

E mais uma vez, tudo que Alex se viu capaz de fazer foi sorrir novamente. Não se impediu de se agachar e puxar a Shinx para seu colo, aninhando-a em seu colo como agradecimento. Margareth resistiu no começo, resmungando, mas não pareceu tão irritada quanto parecia, e até mesmo permitiu que Alex deixasse um carinho no topo de sua cabeça.

A animação que se seguiu pareceu não ter fim. Alex passou a insistir para seus pais, junto de Margareth, para irem logo a cidade acompanhá-lo para comprar o que desejava, e do jeito que ele não parava quieto na cadeira, podia facilmente ser confundido com uma criança hiperativa alta demais para a idade. Aquele provavelmente foi o dia em que ele foi o primeiro a terminar de almoçar, superando até mesmo seu pai, que sempre fora o primeiro a ter o prato limpo, não importando a quantidade de comida posta nele. Foi, também, um dia repleto de primeiras vezes para Margareth.

Para começar, ela se sentiu mais do que feliz em descobrir que a comida feita para os Pokémons da casa era caseira, muito diferente do que experimentava no laboratório do cientista em que morava. O gosto era certamente muito melhor, e viu-se ainda mais surpresa quando pedira por mais. Em segundo, também seria a primeira vez que lhe fora permitido visitar a cidade ao lado dos três, caminhando perto e andando livremente nas lojas que passaram para comprar o que era necessário. Viu diversos tipos de Pokéballs, das mais variadas cores e preços. Viu remédios, comida, aparelhos desconhecidos e até outros Pokémons, caminhando alegremente ao lado dos treinadores e coordenadores que passavam na loja com o mesmo objetivo que Alex. Quando saia com o professor, quase nunca pudera fazer coisas assim, e viajava sempre na esfera em que era mantida, de modo que os locais que sempre via era ou o laboratório ou a casa do cientista.

Agora, vendo aquilo tudo, a animação do novo treinador e podendo dizer em voz alta suas dúvidas para receber uma resposta, as coisas pareciam mais diferentes. Melhores. Mais libertas.

Em pouco tempo, Margareth não pôde mais aguentar e deixou-se ser levada pela animação do treinador, e, aproveitando o fato de que Alex compreendia suas palavras, bombardeou-o de perguntas sobre seus sonhos, seus objetivos e sobre a cidade. Encantou-se com as explicações dadas e com o fascínio que os olhos de Alex exibiam ao falar sobre o assunto, e em um momento desconhecido para a gata azul, pegou-se imaginando como seria participar de uma batalha real ao lado do garoto. Essa era outra das coisas das quais nunca recebera oportunidade de fazer, e se Margareth dissesse que não possuía curiosidade e desejo de experimentar ela mesma, estaria mentindo.

Os preparativos para começar a jornada foram feitos assim que o garoto chegou em casa. Levando Margareth consigo, foi até o quarto e passou a organizar as coisas dentro de uma enorme mochila, comprada especialmente para aquele momento. Algumas mudas de roupas, mantimentos para os primeiros dias, seu livro sobre pokémons, os itens comprados pela manhã e tudo que julgara ser necessário foi deixado lá dentro, a única real exceção sendo o mapa e seu Trainer Card. A confusão começou quando o garoto simplesmente se esqueceu de onde o deixara: sem ele, não seria capaz de desafiar líderes de ginásio, quanto mais ganhar o próprio dinheiro para se manter durante a viagem. Perdê-lo significaria esperar, no mínimo, mais uma semana para conseguir outro e então sair de casa. Alex não aguentava esperar nem mesmo um, que diria de uma semana?

Horas depois, a mochila estava pronta e o despertador marcado para tocar às seis da manhã. Ainda assim, o dia não pareceu ter avançado tanto, e ainda havia muitas horas e muita energia sobrando tanto para Alex quanto para Margareth gastarem, e é claro que não conseguiriam dormir. Por esse motivo, o garoto sugeriu a Shinx para tentarem ver o que ela sabia fazer, pelo menos para começarem a ter uma ideia do que fazer nos futuros treinos e que dificuldades teriam de passar até o primeiro ginásio.

Momentos depois, Alex guiou a Pokémon até os fundos da casa, onde um espaço consideravelmente grande se estendia. O local era coberto por um tapete de grama macia, contendo uma única arvore no canto esquerdo, perto dos muros que rodeavam a casa e o impediam de ter algum curioso para fazer o treino de iniciantes. Sentaram-se num canto dali, onde Alex tirou do bolso sua Pokédex, um dispositivo semelhante a um console portátil. A cor era vermelha, possuindo duas telas e um desenho negro de uma Pokéball cortada ao meio. Demorou a conseguir uma daquelas, e estava mais do que orgulhoso em tê-la.

Era incrível ver o quanto de informação que um único dispositivo era capaz de fornecer. Desde as coisas pequenas irrelevantes, até as mais avançadas, tudo que um treinador precisaria saber sobre um Pokémon estava lá. Habitat, espécies, ataques capazes de aprender, meios de desenvolvê-los, doenças, meios de cuidados e como fazer o check-up correto da saúde de um Pokémon, tudo estava ali. Alex não tinha dúvidas do motivo do dispositivo ser essencial para treinadores, e muito menos questionava seu preço alto.

Precisaram de alguns momentos para procurar o necessário, atrapalhando-se com o que deveriam procurar, exatamente. Foi somente pelo fato de que Frederick passou ali para procurar o filho que Alex e Margareth tiveram uma melhor ideia do que deveria ser feito.

Frederick, assim como Hinoki e da mesma forma que Alex, já sonhara em ser um treinador Pokémon. Ele, assim como muitos, não chegara a derrotar a tão temida Elite dos quatro, quanto mais coletar todas as insígnias, mas ainda sabia o bastante para ensinar o filho algumas coisas básicas. Em menos tempo que Alex e sua Pokémon podiam ter feito, mostrou a ele o que fazer exatamente, dando a eles uma melhor ideia sobre como mexer na Pokédex. Nunca dispusera de tempo o suficiente para aprender, de qualquer forma.

— Caramba, moleque, será que a sua animação te deixou lerdo hoje? — perguntou o pai, um sorriso divertido estampado em seu rosto. — É assim que se procura, ó.

— Não enche, pai — Respondeu o menino, tentando soar aborrecido e falhando miseravelmente.

— Arceus do céu, se continuar assim, não vai conseguir nem batalhar direito. — Riu novamente, mas mostrou ao garoto o que fazer por uma segunda vez, e, depois, o encarou. — Ver você se animando tanto pra treinar seu Pokémon me lembra do meu primeiro dia como treinador, também.

— Ah, é?

Imediatamente, a atenção de Alex fora capturada, e o garoto olhou para ele com expectativa. Coisas assim sempre levavam Frederick a contar uma ou outra de suas aventuras, e apesar de Alex tê-las ouvidos incontáveis vezes, nunca se cansava de ouvi-las uma vez mais.

— Claro, claro. Fui um treinador muito bom quando jovem. — Continuou, em uma voz nostálgica. — Se eu ainda tivesse uma animação como a sua, iria sair também. Mas agora é a sua vez, e você tem que aproveitar, moleque.

— Pode deixar, pai. Eu e a Margareth vamos ter certeza de fazer isso. — Olhou para a Shinx, e, para confirmar suas palavras, assentiu para ele.

— Hmmm, quero só ver, hein. Por acaso você já sabe os básicos de uma batalha?

O menino pareceu um tanto envergonhado, mas não demorou muito a respondê-lo:

— É... Mais ou menos...

Por um momento, o pai o encarou, como se apenas com o olhar pudesse identificar a mentira nas palavras de Alex. Depois, acabou por dar de ombros, e continuou:

— Querem ver se vocês sabem como se batalha, então?

Quase que em conjunto, os olhos de ambos arregalaram-se, e por um momento, Alex não foi capaz de dizer nada. De todas as pessoas para quem pudesse ter sua primeira batalha, não acreditava que essa fosse ser seu pai, o homem que mais admirava por ter tentado seguir seu sonho. Por um lado, parecia um desafio e tanto, e por outro, não saberia dizer o que pensar. Nunca vira Frederick treinar, mas ainda assim temia batalhar com alguém muito mais experiente e habilidoso que ele.

Seus olhos foram direto para Margareth, buscando a resposta e a própria decisão na escolha da Shinx. Ela, por sua vez, pareceu ter se recuperado da surpresa inicial bem mais rápido que Alex, e parecia mais do que decidida a aceitar o desafio. Quanto mais cedo fosse sua primeira batalha, mais rápido ela mataria a curiosidade e o grande desejo de fazê-lo que possuía.

Assentiu para Frederick, aceitando o desafio proposto pelos dois. Com um sorriso de animação, o homem correu para dentro de casa, buscando o Pokémon a quem sempre deixava fora da Pokeball e no momento estava com sua mulher. Depois, voltou para o quintal dos fundos, trazendo Hinoki como espectadora consigo, e manteve uma distância segura do filho. Assim como ele, exibia uma enorme animação, e tudo em sua expressão indicava que aproveitaria o momento ao máximo.

Alex, então, fez o mesmo, colocando-se do outro lado do gramado, enquanto Margareth posicionava a sua frente, respirando fundo diversas vezes.

E então, preparam-se.

Notas finais
AEYO FIM DE CAPÍTULO AGAIN! Oi de novo, povo bonito. Primeiro, hmmm, será que isso de tentar aplicar as regrinhas de pontuar diálogos tá bom? Nem sei se a revisão em si está boa, apesar de eu ter visto mais de uma vez... desculpa qualquer erro, e agradeceria se cêis me avisassem caso qualquer um tenha me passado despercebida ^u^ Yay, encontramos os protagonistas. Meu querido e lindo Alex, eu s2 ele, e Margareth (HA). O nome dela semelhante a última líder da H&H não foi intencional, gente, sério -q Mas agora que combina vai ficar assim mesmo aslçskalçdkç Yep, ainda temos coisas a descobrir, apesar de parecer meio paradinho. No próximo, então, ah, como eu adorei escrever ele, gente, tá uma coisa linda. Esse, principalmente, também. Ele me deu trabalho, até, e tive que apagar e refazer algumas vezes, até que num surto do camp eu acabei em tipo, dois dias, yolo. Mas já dá pra ver que vai ter um ritmo e tema diferentes da H&H, né? Oboy, the suspense is killing me. Anyhoo, comentários são sempre bem-vindos, críticas também. >o< Até o próximo! o/