Notas iniciais
WHY RÉLOU THERE PESSOAS! Semana, começo ainda mais novo, e capítulo prontinho saído do forno procêis. u.u Yes, o que todos nós esperávamos chegou, finalmente! Aqui, vamos ver como é que Alex se saí em sua primeiríssima batalha com seu pai. O capítulo está mais ou menos curtinho, mas temos algumas coisas importantes nele que vão trazer. Para aqueles que gostam de dubstep, aqui está a música que me inspirei pra fazer esse lindo e maravilhoso capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=YOHwp7Uw5sE Now, then, boa leitura! o/

Ansiedade.

Essa era a palavra que melhor descrevia os sentimentos de Alex naquele momento. Porque, fora isso, não havia mais nada que pudesse dizer com precisão qual o motivo de se sentir tão hesitante quanto a iniciar a batalha. Pelo contrário: tudo o que fazia era encarar o homem que chamava de pai a poucos metros, com um único Pokémon aos seus pés.

Esse Pokémon, por sua vez, era ainda menor que a própria Margareth, e assemelhava-se muito a um esquilo. Em sua maior parte, o corpo encontrava-se na cor branca, sendo o rosto o único local onde as bochechas encontravam-se num tom forte de amarelo. De resto, as costas do pequeno eram cobertores por pêlos negros, incluindo nestes a parte da cabeça e parte do topo, também tomando conta das longas orelhas pontudas que possuía. A cauda era longa, e, apesar de arredondada, lembrava o formato de um raio de cor incomum.

A coisa mais interessante que possuía, porém, não podia ser vista normalmente. Quando o Pokémon esquilo abria seus braços, era possível ver que uma espécie de membrana negra juntava os braços e as pernas, provavelmente a mesma que cobria as asas de alguma ave. Assim como elas, era aquilo que o permitia ter algo semelhante a um vôo, que ainda melhor feito quando havia a presença de ventos e melhor guiado pelo peso mínimo que dispunha.

Em outras palavras, aquilo seria um problema para Alex. Ele já não sabia muito bem o que fazer naquela batalha, e ao ver que seu primeiro oponente seria um Emolga, um Pokémon capaz de voar por tempo o suficiente para fugir de seus ataques já lhe trazia bastante preocupação. Margareth não poderia alcançá-lo se estivesse no ar, e as coisas pioravam ainda mais com o fato de que Emolga era um Pokémon do mesmo tipo que ela, o elétrico. Movimentos assim não fariam muito efeito em um Pokémon que compartilhava do mesmo tipo, se é que faria alguma diferença para o esquilo.

Além disso, ainda havia o fato de que Margareth era tão novata no assunto quanto ele. Conversara com a pequena antes, e ela alegara saber de pouquíssimos movimentos além dos básicos, nem conseguindo executá-los com tanta maestria assim, ficando sujeita a falhas em alguns movimentos especifico. Em comparação ao seu pai, um treinador de longa data, utilizar um de seus Pokémons mais bem treinados era mais do que maldade. Mesmo que não estivessem treinando há bastante tempo, Frederick e seu Pokémon sabiam mais, podiam mais.

Naquele momento Alex quase voltou atrás.

Quase.

Só não o fez porque a mente lembrou-lhe de um fato que não havia muito que havia pensado. Fazia tempo que Frederick treinava seus Pokémons, e mais ainda que tivera sua última batalha contra um treinador. Significava que seu Pokémons não possuía a mesma força de antes, nem a mesma maestria e muito menos a mesma velocidade. Ele poderia até ser comparado com Margareth, dependendo do tempo exato de que passara sem executar os movimentos conhecidos. Sabia como executá-los, sabia o que deveria fazer para vencer a batalha, só não poderia dizer com certeza se poderia executá-los com maestria. Movimentos elétricos fariam tanta diferença e causariam tanto dano em Margareth do que fariam caso ela mesma tentasse.

Isso era o suficiente pro garoto guardar mais esperanças para si, o suficiente para motivar-se a continuar ali, encarando o rosto animado do pai e o rosto desafiador de seu Pokémon, ambos animados para começar a batalha.

— Arceus, Alex. — A voz de Frederick soou, seguida de uma risada divertida. — Você é muito enrolado. Eu e o Eddie estamos ansiosos pra começar logo, mhm?

— É claro! Eu não perderia essa oportunidade por nada. — O Emolga confirmou, dizendo-o com igual animação. — Se vocês não começarem, a gente vai primeiro.

— Ah não vão, não! — Agora, foi a vez de Margareth exibir desafio e animação em sua voz. Ao contrário de Alex, ela não parecia estar se importando tanto assim com o fato de que seu oponente era um Pokémon voador. Ao invés, ela apenas virou-se para seu companheiro, e continuou a falar: — Vamos, Alex, me mostra como é uma batalha de verdade.

— A-Ah, claro... — Franziu o cenho para a voz falha, e pigarreou antes de continuar, adotando uma expressão mais séria. — Vamos tentar com algo básico, então. Comece com o Tackle!

— Eddie, desvie e ataque com Quick Attack! — A voz de Frederick rebateu a ordem rapidamente, assustando com Alex, tamanha fora a rapidez usada.

Assim que os comandos foram dados, ambos os Pokémons trataram de executá-los. A primeira a fazê-lo fora Margareth, hesitando um momento antes de jogar suas pernas para frente, correndo na direção do Emolga, primeiro da forma normal, depois, o passo foi devidamente apressado, de tal modo que a gata pôde sentir os próprios pêlos balançando com a velocidade utilizada. Em pouco tempo, o espaço que os separavam foi vencido, e faltavam poucos passos para alcançar Eddie e então completar o movimento.

Foi nesse momento, porém, que o Emolga obedeceu ao seu treinador. Quando Margareth estava a poucos metros dele, Eddie saltou, alcançando uma altura surpreendente para seu tamanho, e assim que o fez, estendeu os braços e pernas. A extensão de sua pele foi finalmente revelada, e apesar de não serem do tamanho apropriado, quase podia confundir com asas, principalmente pelo fato de que não demorou para mostrar ser capaz de ter a mesma função. Com um impulsionar de seu corpo, o esquilo planou pelo campo, desviando do ataque facilmente. Dessa forma, pôde fazer um desvio de curso, fazendo uma curva no ar e impulsionando seu corpo ainda mais para frente, aumentando a velocidade.

— Margareth! — gritou Alex, advertindo a companheira da chegada do oponente.

Ela, por sua vez, viu-se tremendamente surpresa com a velocidade do esquilo branco, mas não teve tempo de pensar no assunto por muito tempo. Mais pelo fato de que Alex havia avisado-a do por qualquer outra coisa, e Pokémon não parou de correr. Ao invés, fez praticamente a mesma coisa que o oponente, uma curva para tomar o caminho inverso, tendo como única diferença o fato de que era no chão ao invés do ar. Com isso, Margareth usou de toda a velocidade e força de vontade que possuía para correr ainda mais rápido.

Felizmente, os resultados foram rápidos e positivos: devido à velocidade aplicada por ambos os Pokémons, Margareth foi capaz de sair do alcance do Emolga facilmente, e este acabou por se mover rápido demais, de forma foi incapaz parar, e sua única escolha foi pousar ao chão novamente, bufando de raiva pelo movimento falho. Por esse fato, a Shinx se viu triunfante quando parou novamente. As pernas doíam e o coração batia forte, trazendo não só a respiração ofegante como também um sentimento estranho, que fazia o sangue de seu corpo ferver e um sorriso brincar em seu rosto.

— Tsk, então você não é tão ruim assim, Maggs. — Eddie riu, estendendo os braços brancos um pouco mais, parecendo alongá-los. — Ou talvez seja eu que esteja meio enferrujado...

— Até parece — respondeu pouco depois, utilizando o mesmo tom de deboche do pequeno, apenas com um quê a mais de diversão. Apesar de a Pokémon estar ofegante, tudo aquilo a divertia cada vez mais.

— Veremos, Maggs, veremos.

— Alex! — chamou ela, não se preocupando em virar o rosto para observar a expressão repleta de felicidade do rapaz. Só aquilo, porém, foi o suficiente para que Alex compreendesse o que ela queria.

— Continue com o Tackle, mas dessa vez tente usar o Ice Fang.

Assim que o comando foi dito, o próprio Frederick não perdeu tempo:

— Eddie, desvie com Quick Attack novamente, e depois Air Slash!

Novamente, a primeira a cumprir a ordem dada foi a gata azul e preta, ignorando os pulmões pedindo por mais ar e disparando contra o Emolga mais uma vez. A única e real diferença foi que, no meio do caminho, a boca se abriu, revelando uma fileira de dentes pequenos, porém pontudos, ameaçadores o suficiente para o Emolga. Pouco demorou para que estes tomassem uma coloração ainda mais esbranquiçada que o normal, ao mesmo passo em que a respiração passou a liberar um vapor branco, da mesma forma que faria caso aquele fim de tarde estivesse frio. Sentiu a garganta e a gengiva fria, e soube que conseguira formar uma fina camada de gelo por entre as presas, suficiente para causar dano considerável no esquilo.

Os planos de Eddie, no entanto, eram muito diferentes dos dela.

Assim como fizera para fugir dela antes, o Eddie esperou um momento a mais, procurando o momento certo, e quando a felina estava a poucos menos de um metro de distância para atacá-lo, saltou no ar, um sorriso abrindo-se em seu rosto com o movimento. Uma tática simples para desviar, mas se aplicada no momento simples, podia dar resultados, não importando se o oponente soubesse ou não que o faria novamente. E é claro que Eddie sabia qual era o momento certo para saltar e fugir da Shinx.

Ele só não esperava, porém, que a Pokémon fosse capaz de descobrir o momento certo.

Assim como ele, Margareth arriscou saltar no ar, alcançando uma altura tão alta quanto à do Emolga, e por um momento, deixou que um sorriso de triunfo tomasse seu rosto, ao mesmo passo em que Eddie arregalava os olhos, incrédulo.

Perto demais para desviar ou fazer qualquer coisa que fosse, o Emolga não teve escolha. Sentiu primeiro as patas da Pokémon em seu peito, e em seguida foi todo o peso de seu corpo, empurrando-o para trás, em direção ao chão. De forma rápida, ambos caíram, fazendo soar um baque surdo e um grito do Pokémon.

Apesar de terem sido poucos segundos, foi o suficiente para que os dentes de Margareth fossem enterrados contra sua pele, aumentando o grito do esquilo elétrico ainda mais. Ice Fang era, provavelmente, o único movimento que Margareth sabia e que teria alguma efetividade contra o Pokémon do mesmo tipo, capaz de causar dano mais que considerável, e, se possível, garantir sua vitória.

— N-Ngh... — O gemido do Pokémon foi alto, porém falho, indicação clara de que tentava conter a dor em seu corpo. — Ah, Maggs... d-depois... depois dessa, você não sai... c-com a vitória.

Dito isso, a cauda em formato do raio de Eddie remexeu-se no chão, e, apesar da dificuldade, começou um segundo movimento. A cor negra dela passou a mudar para o tom cinza, até que este fosse a cor predominante e não houvessem quaisquer resquícios da coloração original. Não só isso, como sua composição parecia ter mudado. A cauda estava mais rígida, mais pesada que o usual.

Com um movimento brusco, o Emolga soltou a Shinx do braço que ela se ocupara em morder, acabando parcialmente com sua dor. Em seguida, não pensou no incomodo e nem no fato de que seu braço parecia dormente e com uma temperatura bem mais baixa que o normal. Não pensou em nada, e muito menos hesitou. Ao invés disso, o Pokémon levantou-se, e com um seguido movimento brusco, girou o corpo, fazendo com que a cauda agora de ferro, fazendo jus ao nome, atingisse o rosto de Margareth.

Devido a pouca distância e por sua velocidade de última hora, apenas um grito de dor se fez ouvir da gata azul, tal como um baque surdo. A força do impacto fora demais pra ela, o suficiente para jogando o rosto para o lado e jogá-la contra o chão.

Gemidos, tanto de dor quanto de raiva foi tudo que pode se fazer ouvir de Margareth. A bochecha doía, e o orgulho por ter se deixado cair num truque tão pequeno pareceu ter sido ferido junto, o que somente fez com que ela sentisse ainda mais raiva do pequeno. Assim como ele, ignorou a própria dor, mas ao invés de seguir seu exemplo, preferiu se afastar, sentindo a mandíbula latejar a medida que vencia o espaço a separando de seu treinador.

Preocupação encheu o rosto de Alex, e, levando-se por esse sentimento, o garoto não se impediu de se agachar para observar melhor sua Pokémon.

— Você tá bem, Margareth? — perguntou Alex, estendendo uma mão para acariciar o topo de sua cabeça. — Quer parar agora?

— Não, eu... — Começou ela, aceitando o carinho de bom grado. As palavras continuariam a deixar seus lábios se, naquele momento, uma voz feminina não a interrompesse, cortando suas palavras pela metade.

— É melhor que parem mesmo, vocês dois. — Hinoki meneou a cabeça para si mesma, exibindo um olhar de aborrecimento. — Alex já vai sair amanhã de manhã, e tenho certeza que ele não quer que a Pokémon dele esteja cansada logo de manhã, né?

— Mas amor, a gente ainda nem acabou a batalha! — protestou Frederick, mostrando a mulher uma expressão de cachorrinho triste. Na maioria dos casos, era o bastante para fazer a mulher ceder.

Nesse caso, porém, ela apenas fez um sinal negativo com a cabeça, em desaprovação.

— Tá ficando tarde e Alex precisa acordar cedo.

— Mas... mas... Agora que estava ficando bom... — Choramingou, decepcionado, mas acabou chamando o Emolga, que, prontamente, planou até seu treinador, pousando em sua cabeça e agarrando os fios de cabelo bagunçados para se manter ali.

— Isso. — Hinoki aprovou, sorrindo para o marido. — Depois podemos dar um jeito pra você batalhar mais. Depois que dormirem, é claro.

Agora foi a vez do próprio Alex choramingar, mas não protestou contra sua mãe. Ao invés, puxou Margareth para o colo, e, ao lado dos pais, dirigiram-se até a sala, onde Hinoki ocupou-se em cuidar dos Pokémons feridos, tendo como espectadora o rosto curioso de Alex. A essa altura, ele já sabia o suficiente para tentar cuidar de um Pokémon, mas observar outros o fazendo nunca seria demais. Primeiro, a mãe decidiu cuidar do pior ferimento, limpando a ferida no braço do Emolga. Uma vez que o sangramento havia estancado e a ferida estava limpa, pegou um pano limpo, e depositou nele um pouco de um líquido medicinal contido num frasco para que, desse modo, pudesse aplicá-lo melhor. Foi só depois disso tudo que finalmente colocou o curativo ali e mandou Eddie descansar pelo resto da noite.

Quando foi a vez de Margareth, as coisas não estavam tão ruins quanto pareciam. Só havia um pequeno corte no focinho, próximo ao nariz, além do fato de que o lado esquerdo de seu rosto ainda doía com o impacto. O corte recebeu o mesmo tratamento que o braço de Eddie, mudando apenas o fato de que, ao invés do líquido do frasco que usara antes, preferiu aplicar uma pomada transparente em toda a região dolorida, trazendo a gata um frescor estranho no local.

Após isso, Hinoki tratou de levar todos para a cozinha, fazendo com que o marido e o filho jantassem enquanto terminava a comida dos Pokémons, quase como se estivesse supervisionando-os para se certificar de que não iriam planejar nenhuma outra batalha para aquela noite. Foi somente depois de todos estarem alimentados que permitiu que Alex levasse Margareth, onde o garoto finalmente se permitiu cair na cama, um sorriso bobo surgindo em seu rosto. Fazia tempo que não sentia tantas emoções em tão pouco tempo.

— Acho que gostei de batalhar hoje. — Anunciou a Shinx, saltando para a cama também. Não sabia se realmente deveria fazê-lo, mas acabou por deitar-se ali, enrolada no próprio corpo e deixando um bocejo escapar. — Mesmo que ninguém tenha ganhado, praticamente.

— Eu também gostei — respondeu, ainda sem deixar o sorriso fugir de seu rosto. — É muito melhor do que eu tinha achado.

— Uhum. — Ela anuiu, e em seguida, os olhos esverdeados pareceram tomar um novo brilho. — E você viu como eu fui bem na batalha? Até consegui acertar ele com o Ice Fang! Nem eu sabia que conseguia fazer esse movimento tão bem. E o jeito como eu atingi ele, também? Foi tão incrível!

Uma risada deixou os lábios de Alex, mas não a interrompeu quando a Shinx postou-se a continuar narrando os acontecimentos da batalha, dizendo-os com animação digna de um sorriso como resposta. Não era uma mentira que a Pokémon havia gostado de ter finalmente experimentado uma batalha, mesmo com o ferimento que havia ganhado por tê-lo feito. Nada podia se comparar a adrenalina que sentiu enquanto batalhava, a mente desprovida de pensamentos que não fossem a vontade de provar ao oponente que não importava se ele sabia mais que ela ou não, ainda não mudaria o fato de que poderia ganhar. Nada se comparava com a animação em ver que conseguira impedi-lo de fugir de seu ataque, e nada se comparava ao sentimento de ver que, em sua primeira tentativa conseguira acertar ao menos um movimento.

Tudo aquilo apenas contribuiu para Margareth ter melhor noção de como era uma batalha e como era sentir-se bem com aquilo. Confessava que, no começo, ficara nervosa e até receosa em não estar lutando sozinha, e sim com um humano que chamava de treinador. Achava que seria melhor se fizesse as coisas por si mesma, e que havia a possibilidade de a presença de Alex ali atrapalhá-la, ou, pior ainda, não conseguir comandá-la apropriadamente. Isso, porém, logo se mostrou não ser bem assim. Ter um treinador ditando-lhe ordens poupava o tempo que perderia pensando, dando uma melhor ideia do que fazer e permitindo que Margareth depositasse sua confiança em Alex. Afinal, ele poderia avisá-la quando se desviar, podia criar uma estratégia para levá-la a vitória, e podia preocupar-se quando se machucava. Só isso já era o suficiente para se sentir bem em estar com um treinador.

Esses pensamentos e experiências a faziam, de certa forma, esperar ansiosamente pelo próximo momento em que teria uma batalha, ou mesmo quando experimentaria seu primeiro treino. Pelo o que ouvira de Alex, o treinador encarregava-se de ensinar ao Pokémon novos movimentos e ajudá-lo a aprimorar alguns, além do fato de que, se a Pokémon não fosse rápida o suficiente, por exemplo, trabalhariam para melhorar, fazendo diversos exercícios para aumentar seu desempenho em batalha. Seria, basicamente, uma vida cheia de treinamentos e batalhas.

E Margareth não negava que gostava da sensação de ser forte. Não negava que, de certa forma, desejava continuar, aproveitando os momentos em que finalmente teria sua chance de ver os locais por uma melhor perspectiva, conversar com alguém que fosse capaz de responder-lhe apropriadamente. Era um sentimento bom demais para simplesmente negá-lo, e uma vontade grande demais de ver até onde Alex iria com seu sonho para largá-la tão cedo.

Foi com esses pensamentos que, assim que terminara de contar suas experiências a Alex e o garoto decidiu que seria melhor dormir, e então fechou os olhos. O sono não demorou a vir, então, com aquela mesma satisfação por ter concedido um desejo próprio, Margareth deixou-se adormecer.

***

Na manhã seguinte, Alex acordou um pouco mais cedo que o normal. Ele nem conseguia ouvir o canto dos pássaros quando o despertador o tirara subitamente de seu momento de paz, e teve de checar duas vezes para ver se realmente estava no horário certo. Felizmente, por ter dormido cedo na noite anterior, não estava lá tão cansado, o sono de agora se dava apenas por que estava desacostumado a acordar aquela hora da manhã.

Por isso, para afastar os resquícios de sono que ainda lhe restava, o menino deixou Margareth dormindo ao lado de seu travesseiro, e foi tomar um banho. Depois, vestiu uma camisa branca, calças jeans, um de seus melhores tênis para caminhada, e foi acordar Margareth. De inicio, a Pokémon protestou, mas acabou levantando, preferindo instalar-se no ombro de Alex, aproveitando o local para voltar a descansar ali. O menino apenas sorriu com a ação, e pegou a mochila e todo o resto de suas coisas, e só então desceu as escadas.

Já na cozinha, o menino pareceu surpreso em encontrar a mãe e o pai já de pé, aparentemente terminando de preparar o café da manhã. Sabia que acordavam cedo para trabalhar, mas não tanto assim. Acabou apenas por ajudá-los, deixando Margareth em uma cadeira e acordando-a apenas para ter seu próprio café. Em seguida, a gata voltou a se instalar em seu ombro, fechando os olhos novamente.

— Bom, acho que é melhor eu ir já — Anunciou Alex, um tanto nervoso, para seus pais. —, ainda tenho que passar no laboratório, e não quero me atrasar.

— Ah, Alex... — A mãe foi a primeira a respondê-lo, aproximando-se do menino. Sem dizer mais nenhuma palavra, puxou-o para um abraço. — Vou sentir sua falta aqui.

— Eu também vou, mãe. — Retribuiu o abraço de bom grado, aproveitando o calor e a segurança que o abraço da mulher lhe passava.

— Promete que liga quando chegar na próxima cidade? Pra saber se você tá bem...

— Vou ligar sempre. Não se preocupa — disse, e desprendeu-se do abraço, exibindo um sorriso confiante para a mulher.

Em seguida, foi seu pai quem abraçou uma última vez antes de sair. Despediu-se de ambos, e, finalmente, saiu de casa.

Como pensara, o dia não havia amanhecido realmente. O sol ainda estava começando a se levantar, de modo que as ruas estavam um pouco escuras, e o silêncio reinava por toda Cherrygrove. Nem mesmo os pássaros haviam acordado ainda, e nem mesmo uma pessoa ou Pokémon além de Alex e Margareth estavam por perto, se é que havia alguém em algum lugar.

Apesar disso, o rapaz não hesitou em caminhar para o primeiro de seus destinos. Como havia prometido, seguiu para o prédio onde o professor Pokémon trabalhava, andando lentamente, a fim de matar o tempo caso chegasse cedo demais e fosse obrigado a esperar por ele. Felizmente, quando chegou ao prédio de cinco andares, não precisou esperar tanto tempo assim. Assim que pusera os pés lá, a recepcionista o reconheceu e o chamou até lá, avisando que o professor já havia chegado e pedira para que fosse até sua sala.

Mais por preferência própria do que por qualquer outra coisa, Alex subiu os três lances de escadas até o terceiro andar, e caminhou rapidamente para a sala do homem, batendo a sua porta com as costas da mão.

— Pode entrar, a porta está aberta. — A voz do professor respondeu, e Alex obedeceu prontamente.

Como era usual, a sala do Professor estava uma bagunça, os pertences espalhados por mesas, todos eles desorganizados. Entre uma dessas mesas, estava o cientista, um homem de vinte e cinco anos, mas que aparentava ter menos do que isso. A estatura era média, a pele um tanto pálida pelas horas que se trancava em seu laboratório, perdido em seus estudos. Ao mesmo tempo, porém, a falta de uma coloração saudável pareia estar em contraste com a barba rala que mantinha, algo que Alex sabia que estava ali por pura preguiça de se barbear constantemente. Os cabelos eram do mesmo tom escuro, longos o suficiente para alcançar seus ombros, no momento presos num curto rabo de cavalo. Quase sempre vestia um jaleco por sobre as roupas, as quais também eram simples: uma camisa branca, e uma calça jeans negra. Não era como se Mark se preocupasse tanto assim com a aparência, de qualquer forma.

A única coisa realmente estranha em sua aparência, a mesma que Alex não pôde deixar de reparar, foi que a mão que usualmente estava sempre ocupada em apertar uma bolinha azul de borracha, inclusive no momento, tinha o punho enfaixado.

Ergueu uma sobrancelha para isso, porém, nada disse. Ao invés, esperou que Mark largasse suas coisas e fosse até ele, os dedos apertando a bolinha repetida e incansavelmente.

— Ah, Alex, que bom que você chegou logo ~ — Mark o cumprimentou, fazendo um breve aceno de cabeça. Em seguida, observou o garoto de cima a baixo, sorrindo ao encontrar a Shinx adormecida. — Está se dando bem com ela?

— Sim! Até batalhamos com meu pai ontem. — Confirmou, sorrindo de volta.

— Oh, isso é ótimo. Estive com medo que acabassem não se dando muito bem. Shinx não é muito paciente, sabe... — Fez uma pausa, mas, com um gesto curto da mão livre, mudou de assunto. — Bom, não vou te manter muito tempo aqui, ou você vai se atrasar com a viagem.

E com essas palavras, o homem guardou a bolinha de borracha em um dos bolsos do jaleco, e deu as costas a Alex. Momento depois, voltou com uma caixa de madeira em suas mãos, e entregou a Alex. A caixa era completamente fechada e presa por algo desconhecido pelo garoto. A única coisa que sugeria o que havia dentro dela, eram as palavras negras, anunciando que seu conteúdo era frágil. Tinha um peso razoável, trazendo ainda mais curiosidade a Alex.

— Tome cuidado com ela, é realmente frágil. Sugiro que leve na mão mesmo, dentro da mochila pode acontecer algo — recomendou Mark, exibindo uma expressão preocupada.

— Pode deixar, Mark, vou ter o maior cuidado que puder — assegurou Alex, fazendo com que o professor lhe lançasse um olhar de desconfiança. Apesar disso, havia um sorriso divertido no rosto.

— Hm, sei... De qualquer forma, sei que é meio chato pedir isso, mas quero que entregue assim que chegar em Violet. É só perguntar pelo Igor no Centro Pokémon de lá, ou por Mr.Pokémon, que vão saber te dizer onde ele fica. Queria ter mandado por correio, mas fica difícil, e preciso entregar o mais rápido possível...

E continuou resmungando para si mesmo, esquecendo da existência de Alex e Margareth. Até mesmo pegou a bolinha azul novamente, voltando a tarefa de apertá-la diversas vezes enquanto murmurava, reclamando de como os correios escolheram a melhor hora pra ficarem de greve e não fazerem o transporte. Após isso, porém, deu as últimas instruções a Alex, recomendando que cuidasse bem da Pokémon que havia sido entregue, e desejou boa sorte na jornada.

Novamente, o garoto saiu do prédio, e, dessa vez, pegou a estrada que o levava em direção à primeira rota que teria de pegar para chegar ao seu destino, a rota 31.

Foi só depois de vários momentos caminhando, seguindo pelas calçadas da cidade com a caixa em seus braços, foi que Margareth acordou e que o sol finalmente se mostrou de fato, trazendo o devido calor do qual era responsável. Assim, Alex passou a se sentir consideravelmente mais confortável, já que, afinal, teria alguém para conversar durante o trajeto.

Margareth, por sua vez, parecia mais do que animada com a oportunidade de caminhar ao lado do novo treinador. Quando lhe fora dito que viajaria com ele, imaginara que Alex preferiria mantê-la dentro da Pokeball, então, poder caminhar ao seu lado durante boa parte do trajeto foi reconfortante. Era uma boa oportunidade não só para ela, mas para o próprio Alex de observar sua cidade, coisa que nunca tinha feito. Restrito apenas a poucos lugares, como aqueles em que trabalhava, a padaria e o laboratório de Mark, nunca encontrara oportunidade, quanto mais a chance de dar uma olhada melhor nos arredores de Cherrygrove, a fim de confirmar se toda a cidade era arborizada.

Caminhando assim, pode confirmar sua suposição. Não era só seu bairro ou os próximos, e nem o vizinho, mas em todos os lugares que passava, árvores dos mais diversos tamanhos e tipos estavam ali, abrigando o ninho para aves e servindo de poleiro para qualquer outro pokémon que quisesse escalá-las. Os prédios também nunca passavam de cinco andares, de forma que era muito mais fácil ver o céu, uma característica que o garoto admirava muito em sua cidade. Caso quisesse ver as estrelas, seria algo bastante fácil de fazer.

Passou algum tempo em caminhada lenta, observando Margareth às vezes correr em sua frente, apressando o menino. Aos poucos, Alex pôde notar que as pessoas deixavam suas casas, enfim começando a ocupar as ruas e fazer jus ao número de pessoas que ali residiam. Para o desgosto de Alex, a usual calmaria se perdeu rapidamente, e talvez por isso, sentiu-se um pouco aborrecido. Tratou de apressar o passo, mas ainda assim, demorou mais quinze minutos até que encontrasse a placa que sugeria o fim dos terrenos de Cherrygrove, e pegou um caminho alternativo. Seria perigoso caso tivesse que andar pela estrada destinada aos carros, por isso, seguiu para onde podia ver um longa floresta, ainda a quilômetros de distância.

A estrada utilizada pelos treinadores era feita de terra, e seguia um caminho mais curto, se comparado a asfaltada, adentrando a floresta e fazendo o corte para uma entrada alternativa para a cidade de Violet. No começo não havia muito mais que ela e a grama curta, ainda úmida pelo orvalho da manhã.

Em algum ponto da caminhada, ele e Margareth preferiram ficar em silêncio, apenas caminhando lado a lado e aproveitando do novo silêncio, distanciando-se cada vez mais da cidade que tanto incomodava Alex naquelas horas. Mas foi em algum outro ponto da caminhada que Alex não soube identificar, muito menos dizer quando começara, foi que uma súbita sensação ruim o atingiu.

No começo, Alex julgou ser apenas o cansaço, algo que ele admitia estar começando a sentir. Porém, essa possibilidade foi rapidamente deixada de lado ao constatar que a sensação ruim na verdade se tratava apenas de uma espécie de formigamento na parte de trás do pescoço. Era como se alguém quisesse passar o tempo tocando sua nuca com a ponta da unha de forma suave, fazendo arrepios subir por sua espinha.

Era uma sensação familiar, apesar de ter aparecido poucas vezes em sua vida. Foi por culpa dela que foram várias as vezes que olhou por cima do ombro, certificando-se de que não havia ninguém por perto, a exceção sendo ele e Margareth. Foram nesses momentos, também, que percebeu estar se preocupando por nada. Realmente não havia ninguém ali, ninguém que estivesse com seu olhar cravado no garoto, observando todos os seus passos. Provavelmente era apenas uma paranóia qualquer, surgido do fato de que estava sozinho ou talvez das vezes que sua mãe lhe advertia para não andar sem sua companhia quando criança.

Foi mais levado por esses pensamentos que, pouco depois, Alex ignorou completamente a sensação estranha e se impediu de olhar para trás. Afinal, estava em jornada agora, e estava feliz por isso.

E ele sabia que nada mudaria esse fato.

Pelo menos, foi o que esperou.

Notas finais
AEEEE FIM DE CAPÍTULO! E então, quem mais não gostou da Hinoki por ter interrompido a batalha? -q Eu adoraria ter escrito o desfecho dela, mas, né, a molier não sabia que o filhinho que ia sair logo estava cansando a Pokémon na véspera de viagem :v Muito inteligente de você, Alex. Agora, se vocês estão se perguntando se o Ice fang da Margareth é breed move, a resposta é: sim e não. Sim, porque eu peguei da lista da Breeds, ela deve ter mais alguns, também. E não porque eu excluí os breeds da fic porque REALISMO! Basicamente, Breed e TM moves passaram a ser movimentos que o pokémon pode aprender, por meios normais ou pelo treinador o ensinando, ou até pelos pais do poké. Só isso, nothing more, nothing less. Apenas uso o bom senso pra distribuí-los e ensiná-los de acordo com o Pokémon. Agora, quanto aos TM's moves, eu vou ser malvada e explicar mais tarde, bwhhohoho cough cough erm, mentira, é só preguiça mesmo. AUSHUAHSUA ENFIM, que acharam do capítulo: *O*' Eu gostei bastante, mas ainda pode ter uns erros e tals, né, então... ;v; Ficaria agradecida caso me dissessem se tem algo errado. Reviews e criticas sempre bem-vindos