Poison
6 Alucinação
Notas iniciais
Bom, eu achei esse capitulo um pouco cansativo então dividi ele em dois, por que tinha ficado bem grande tambem.
Espero que gostem.
-Rafael.
Aoi se sentia estranho, sua visão estava turva e a cabeça doía, não sabia se estava dormindo ou acordado. Queria estar acordado, não queria ter o mesmo sonho, no entanto aquelas sombras que se moviam em sua direção pareciam tão assustadoras quanto seu sonho.
-Acorda. –Aoi disse baixinho cobrindo a cabeça, não queria ver o que era aquilo se movendo. Parecia um monstro de varias cabeças e as cabeças se moviam mudando de lugar.
-Yuu... Filho? Já acordou? –Não era um monstro, era sua mãe.
-Não, pode ser um monstro fingindo ser ela. –Aoi disse baixinho se encolhendo com a coberta.
-Aoi acorda! Você precisa comer e seus amigos estão aqui pra te ver. –Ela insistiu se sentando na beira da cama. Aoi descobriu um dos olhos e o abriu de vagar forçando seus olhos na sombra mais próxima em sua cama.
-Mãe? –Ele disse surpreso. –É você mesmo. Achei que fosse um monstro policéfalo comedor de gente. –Aoi disse fazendo sua mãe Ruki e Reita rirem.
-Ainda está com febre, vai ficar aqui até melhorar. –A mãe de Aoi disse colocando a mão em sua testa. –Pedi ao Yutaka pra buscar roupas limpas em seu apartamento, você dormiu a tarde toda e suou bastante.
-É verdade, tá parecendo um cão molhado. –Disse Ruki chegando mais perto.
-Verdade. Como você ficou doente cara? –Reita disse indo pra perto também.
-Vocês eram as cabeças. –Aoi riu e então continuou. –Não sei, acho que a doença que ficou eu. –Ele disse bocejando e se encolhendo enquanto tremia de frio.
-Não brinca Yuu, a tarde inteira sua febre só aumentou. Agora que você ficou um pouco melhor. –A mãe de Aoi se levantou. –Vou lhe fazer uma sopa, por favor, cuide dele enquanto isso meninos. –Ela disse si virando pra Reita e Ruki e então saiu do quarto.
-Será que sua mãe pensa em adotar mais um filho? –Ruki disse se sentando.
-Espero que não, eu não a divido com ninguém.
-Até doente você é malvado. –Ruki disse fazendo bico.
-Como souberam que eu estava doente?
-Agente passava pela rua e sua mãe nos chamou. –Ruki disse e Reita continuou.
-Ai ela disse que precisava que pegássemos roupas limpas pra você por que ela não queria sair e te deixar só.
-Ela disse que quando era mais novo tinha convulsões quanto ficava com febre, e por isso não podia deixar você sozinho. Disse também que ficou olhando a rua pela sua janela pra ver se via um de nós passar. –Ruki disse.
-Quando ela nos viu foi correndo nos chamar. Ai então nós viemos te ver enquanto Kai foi ao seu apartamento, espero que tenha escondido seus vibradores. –Reita disse rindo.
-Não tenho vibradores, e fala baixo que minha mãe pode ouvir.
-Aoi, sua mãe é mais esperta do que imagina. –Ruki disse.
-É verdade, pelo menos ela já sabe do Ruki e eu.
-Que se comem?-Aoi disse.
-Não, que somos namorados agora. –Ruki disse bravo.
-Sem querer comentamos que íamos comemorar nosso inicio de namoro. -Reita disse corado. – Comentei enquanto explicava que havia te ligado a tarde toda e você não atendia.
-O que ela disse?-Aoi disse preocupado.
-Parabéns, quando vão morar juntos? –Ruki disse mudando a voz como se imitasse a mãe de Aoi. Aoi riu de alivio e pela péssima imitação de Ruki.
-Desculpa por estragar a comemoração de vocês.
-Não tem que se desculpar. –Ruki disse e Reita continuou.
-Nosso amigo precisa da gente, isso é mais importante.
-Vocês tem que parar com isso.
-Com o que? –Ruki disse confuso.
-Vocês ficam falando ensaiado, sei lá. É como se um continuasse a falar o que o outro pretendia falar. –Aoi disse franzindo o cenho de dor na cabeça.
-Sério? –Ruki e Reita disseram juntos.
-S-sim . –Aoi disse segurando a testa.
-Onde tá o Kai com suas roupas? –Ruki disse e foi até a janela olhando por ela.
-Prometemos a sua mãe que déssemos banho em você. –Reita disse. –Ela disse que você ficaria constrangido se fosse ela te dando banho.
-Ele vem. –Disse Ruki correndo até a porta do quarto a abrindo e em seguida correndo até a sala abrindo a porta. –Demorou ein?
-Culpa do gato. –Kai disse entrando. – Senhora Shiroyama, já cheguei. –Kai disse enquanto era arrastado por Ruki para o quarto.
-Obrigada Yutaka-kun. –A mãe de Aoi disse da cozinha.
-Demorou ein? –Reita disse no mesmo tom em que Ruki disse anteriormente.
-A culpa é do gato. –Kai disse impaciente.
-Que gato?-Aoi perguntou baixinho.
-Quando eu estava indo tinha um gato atravessando a rua, ai ele me olhou e miou pra mim ai eu miei pra ele e levei-o pra casa. –Kai disse chegando mais perto de vagar como se tivesse medo que sua aproximação pudesse machucar Aoi. – Dei comida ele e peguei suas coisas.
-Você miou pro gato? –Ruki disse estranhando. –Bom, vamos levar o Aoi pro banheiro e deixar ele peladinho.
-Eu tomo banho sozinho. –Aoi disse se levantando cambaleante, Kai o segurou pra que não caísse.
-Pode tomar banho sozinho, mas vamos levar você e alguém vai ficar lá com você. –Reita disse indo ajudar Kai a segura-lo.
-É pra não se afogar Yuu. –A mãe de Aoi disse da porta. – Obrigado meninos, sinto muito por estragar a noite de vocês. Espero que fiquem para o jantar.
-Não estragou, é bom poder ajudar. Assim Aoi vai melhorar logo. –Ruki sorriu gentilmente.
-Eu fico grata pela ajuda de vocês. Muito obrigado!
-É o mínimo que podemos fazer por nosso amigo. –Kai disse enquanto passava pela porta junto a Reita e Aoi.
-Tenho certeza que ele faria o mesmo por qualquer um de nós. –Reita disse indo com Kai e Aoi para o banheiro.
-Ei, senhora Shiroyama. Onde fica as roupas de cama? Quero trocar pra quando Aoi voltar limpinho. –Ruki disse indo até ela.
-É verdade, ele encharcou os lençóis. –Ela disse e logo entrou no quarto abrindo uma gaveta. Ruki a olhou e então foi até a cama tirando as roupas de cama encharcada de suor. A Sr.ª Shiroyama pegou as roupas de cama limpas e as colocou na cama. –Muito obrigada!
-Por nada, o que mais posso fazer pra ajudar?
-Pode vir comigo e provar a sopa e me falar se ficou boa?
-Claro, não precisa pedir duas vezes. –Ruki disse indo com ela para a cozinha enquanto Kai e Reita vigiavam Aoi tomar banho. Embora estivesse um pouco zonzo Aoi não se sentia mal, só sentia um pouco de cansaço, mas devia ser a fome.
-Pelo jeito a coisa com o senhor coxas foi boa ein? –Reita disse analisando as marcas no corpo de Aoi enquanto tomava banho.
-Fala baixo! –Aoi disse bravo. –A casa é pequena minha mãe pode ouvir.
-Não sei por que o medo, sua mãe é legal e... Nossa! Isso foi um chupão ou uma mordida? –Reita aponta uma marca roxa próxima da barriga de Aoi.
-Acho que um...Para de ficar me olhando tomar banho! -Aoi disse e então jogou agua nele.
-Tenho que te vigiar, o Kai lesado esqueceu suas coisas no quarto.
-Vou contar pro Ruki se continuar me olhando.
-Ok! Não quero que ele fique bravo comigo de novo. Hoje mesmo ele achou ruim eu tentar sair sem acordar ele, acredita?
-Acredito, ele tem cara de ser possessivo e mandão.
-Cheguei! –Kai disse alegre abrindo a porta. Aoi desligou o chuveiro tremendo.
-Me dá a toalha. –Ele disse e Kai logo a entregou. –Podem ir, agora só vou me trocar.
-Qualquer coisa é só gritar como uma dama em perigo. –Reita disse saindo do banheiro junto a Kai. Ambos esperaram do lado de fora até que Aoi se trocasse. Aoi se sentia bem melhor apesar da dor no corpo e a dor de cabeça.
-Aoi seu desvairado, espera ai. –Reita disse indo até ele o segurando.
-Não precisa. Minha cabeça que dói e não minhas pernas. Posso andar normalmente. –Aoi disse andando indo para a cozinha deixando Reita e Kai pra trás.
-Yuu, o que tá fazendo aqui? – A mãe de Aoi disse indo até ele.
-Vim comer. –Ele disse e se sentou.
-Devia descansar.
-Descansar de que? De dormir mãe?
-Tá bom, mas depois não reclama. –Ela se virou e colocou a comida sobre a mesa. –Venham se sentar meninos.
-Tá com um cheiro ótimo mãe. – Aoi disse esperando que os outros se sentassem também.
-Takanori me ajudou a terminar. –Ela disse e todos olharam surpresos pra Ruki.
-O que foi? Não é só o Kai que pode ser útil na cozinha sabiam? –Ele disse emburrado.
-Foi muito útil Takanori, muito obrigado! Todos vocês me ajudaram muito hoje. –Ela disse e se sentou também. –Agora vamos comer. –Ela disse e todos se serviram, e agradeceram pela comida e começaram a comer.
-Depois disso o senhor faz o favor de voltar a descansar.
-Mãe, eu já estou bem.
-É verdade, pelo menos tá bem o suficiente pra ficar irritado. –Reita disse.
-O que fez pra irritar ele? –Ruki disse desconfiado.
-Eu falei que... que a bunda dele era bonita. –Ele disse depois de pensar um pouco e recebendo um pontapé de Ruki por baixo da mesa. Aoi ficou extremamente corado enquanto Kai e sua mãe riam da situação.
-Vocês podem se comportar? Minha mãe tá aqui. –Aoi disse emburrado.
-Sua mãe sabe lidar com casais em crise Aoi. –Ruki disse beliscando Reita.
-Agente não tá em crise, sabe que sua bunda é a única pra mim.
-Vão parando por ai. Que parte do “a minha mãe tá aqui” vocês não entendeu? Caramba! Cadê o respeito? – Aoi disse e olhou pra mãe que ria alegre como não fazia há muito tempo.
-Deixa de ser bobo Yuu, pensa que não reparei você com o Takashima? – Ela disse e Aoi a olhou assustado engolindo em seco. – As roupas dele estavam jogadas em seu quarto. Sem contar a forma que olhava pra ele. –Ela disse e embora Aoi não estivesse comendo ele se engasgou.
-Eu disse. Sua mãe não é boba Aoi. -Ruki disse apontando pra ele.
-Não sou mesmo. –Ela disse rindo. – Meu medo é que se machuque com ele Yuu, não sei o que aconteceu quando eram mais novos, mas toma cuidado com ele.
-É verdade, aquelas coxas podem ser perigosas. –Reita disse levando uma cotovelada nas costelas.
-Eu falo sério. Toma cuidado.
-Entre mortos e feridos todos foram salvos. –Kai disse interrompendo a conversa.
-Quê? –Aoi disse o olhando erguendo uma das sobrancelhas.
-É que fiquei muito tempo sem dizer nada.
-Você me salvou. –Aoi disse aliviado.
-Por quê? –Kai disse sem entender. Aoi abriu a boca e antes que pudesse responder a mãe dele continuou.
-Por que essa seria a hora que ele me falaria o porquê gosta de outro homem. Não me importo Yuu, só quero que tome cuidado pra não se machucar.
-Tá bom mãe. –Aoi disse envergonhado encarando a tigela de sopa. –Nem sei se ele me quer da mesma forma que eu quero ela. – Aoi disse baixo como se não quisesse que o ouvissem.
-Só se for um louco de não querer meu Yuu. –A mãe dele disse se levantando indo até ele e afagando seus cabelos. –Em falar nisso ele ligou umas 10 vezes pro seu celular, só atendi por que não parava de tocar.
-O que ele queria?
-Vai saber, disse que ia falar pra você ligar quando melhorasse.
-Vou ligar pra ele, onde tá meu celular?
-Vai terminar de comer primeiro, eu vou buscar seu celular. –Ela disse e então saiu da cozinha indo buscar o celular.
-Então me diga como se sente estando apaixonado pelo enigma de belas coxas? –Ruki disse o olhando.
-Por que não me diz você como é estar quase casado?- Aoi disse olhando pra ele e Reita.
-Eu não estou quase casado. Se bem que seria uma mão na roda, assim ele não perderia tempo tendo que ir ao apartamento dele. –Ruki disse ficando emburrado em seguida.
-Acho que isso foi um pedido de casamento Reita. –Aoi disse pretensiosamente fazendo Reita corar.
-Já me pedindo em casamento assim vou achar que tá gravido. –Reita disse e logo levou um tapa de Ruki.
-Voltei! Aqui o celular. –A mãe de Aoi disse colocando o celular sobre mesa. Aoi o pegou e logo se levantou. Kai, Reita e Ruki também se levantaram ajudando a mãe de Aoi tirar os pratos e lava-los.
Aoi discou o numero e chamou algumas vezes do outro lado da linha uma voz cansada atendeu ao telefone. Uruha havia acabado de chegar do trabalho, teve uma noite difícil e havia voltado pra casa mais cedo.
-Alo. –Uruha disse bufando após correr pra atender ao telefone.
-Oi Uruha.
-Aoi? Como você tá? E a febre?
-Melhorei, eu acho. Você me ligou?
-Liguei, queria saber como estava. Liguei um tanto de vezes ai quando sua mãe e disse que estava de cama fiquei muito preocupado.
-Me desculpa, nem sei como fiquei assim. Você queria me falar alguma coisa?
-Na verdade. –Uruha disse sem jeito. –Eu queria saber se eu podia te ver de novo?
-Claro que pode, agora somos membros de uma mesma banda.
-Nesse sentido eu sei que posso te ver, mas não foi nesse sentido que eu quis dizer. –Uruha fez uma pausa e se jogou no sofá empoeirado o que o fez dar alguns espirros antes de voltar a falar. –Mas se não quiser não tem problema.
-Eu quero, achei que tinha sido obvio com relação a isso.
-Como assim obvio?
-Obvio que eu gosto de você. –Aoi disse corado ouvindo um suspiro aliviado do outro lado do telefone.
-Ainda bem, achei que não ia me levar a sério.
-Por que eu não ia levar? Você foi a única coisa sem pensar que eu fiz que valeu a pena.
-Quando estiver bem melhor podemos sair.
-Claro, assim que eu estiver melhor eu te ligo.
-Tá bem, vai descansar. Boa noite.
-Boa noite. –Aoi disse desligando o telefone sendo surpreendido por Ruki.
-Então valeu a pena pegar o senhor coxas? –Ruki disse o analisando.
-Estava ai ouvindo pintor de rodapé? –Aoi disse bravo.
-Só o finalzinho, se quisesse privacidade teria ido pro quarto. Sabe, já é tarde e eu teria que passar por aqui pra ir embora.
- É verdade, foi inevitável ouvir o resto de sua conversa. –Reita disse.
-Sorte que sua mão não ouviu se não estaria planejando o casamento. –Kai disse rindo.
-Nós já vamos, já nos despedimos da sua mãe e só faltava você. Vê se melhora. –Reita disse e saiu.
-Isso ai, vê se melhora. –Kai disse indo com Reita.
-Se não melhorar agente volta e faz você melhorar a força. –Ruki disse e saiu por ultimo com expressão ameaçadora.
Já era tarde e Aoi estava cansado, a cabeça voltava a doer, o que por algum motivo o fazia lembrar-se de seu sonho e perder a vontade de ir dormir. Sem duvidas aquela seria uma longa noite sem sono, ou pelo menos seria uma noite passada em claro.
Embora não tivesse dormido durante a noite e tenha cochilado por algumas horas Aoi se sentia bem melhor. Quando se levantou sua mãe já estava acordada, havia feito o café e estava sentada na varanda pensativa. Aoi tomou o café e foi até ela.
-Mãe, já vou indo.
-Vai aonde?
-Trabalhar. Me sinto muito melhor. –Ele disse enquanto ela se levantava e segurava a testa dele.
-Tudo bem, mas ainda não acho que devia ir trabalhar. Até por que ninguém espera que vá trabalhar essa semana.
-Eu sei, por causa do casamento.
-Não, por que eu disse que estava muito doente e convenci seu chefe a manter sua folga. –Ela disse e sorriu convencida. –Posso ser muito persuasiva.
-Eu sei bem como é isso. –Ele disse e então fez uma pausa, se sentou no banco onde a mãe estava sentada. –Mãe, eu queria voltar lá.
-Lá onde? –Ela disse e se sentou ao lado dele.
-Onde morávamos antes, não lembro como era nem onde era. Queria lembrar de mais coisas.
-Não acho que deve lembrar, sei que tem curiosidade em saber o que aconteceu, mas se foi algo que preferiu esquecer acho melhor manter esquecido.
-Eu sei, mas isso tá me incomodando. –Aoi disse esfregando a testa. – Sinto que não vou parar de ter o mesmo pesadelo enquanto eu não lembrar.
-Tem tido pesadelos?
-Sim, desde que falou aquilo sobre eu conhecer o Uruha.
-Tenta tirar isso da cabeça, ele também esqueceu então é como se não tivesse acontecido. –Ela disse e afagou os cabelos de Aoi. –Mas se quer tanto lembrar depois não me diga que não avisei.
-Tá bem. –Ele disse recostando a cabeça no ombro da mãe. –Vou procurar ele, e ver se ele lembra-se de alguma coisa.
-Tudo bem, mas pensa bem. Se não for bom pra você lembrar pode não ser bom pra ele também.
Fale com o autor