Poeta, não gramático.
16 Reflexo
Notas iniciais
Já era a terceira vez que eu lia aquele poema, só naquela manhã.
Por uma noite achei
Que apenas as mágoas tomariam conta
Céus! Como me enganei
Numa tentativa um tanto quanto tonta
Tentei puxar uma conversa
Recitando um poema que caiu bem
Ele sorriu à situação dispersa
E meu coração acelerou como um trem!
Reparei no meu reflexo no espelho, um tanto quanto plúmbeo. As olheiras profundas, barba por fazer e cabelos longos desgrenhados. Nossa! Fazia um bom tempo que eu não olhava para mim assim.
Aproveitei para fazer a barba, prender o cabelo num coque e usar um perfume, este que eu nunca havia aberto. Peguei-me checando o nó da gravata diversas vezes. Lord Byron me acompanhava em todo processo, curioso.
— Me deseje sorte! – acenei para o gato antes de trancar a porta.
Eu já conhecia a cafeteria, mas fazia questão de checar o endereço no fim da folha a todo minuto. Estava sentindo um nervosismo engraçado, até que finalmente cheguei no local. Naquela altura do campeonato a folha já estava totalmente amassada.
Não demorou até meu olhar encontrar o sujeito que me deixava nervoso. Porém, ele não estava sozinho. Abria um enorme sorriso na companhia de outro cara.
Como fui tolo!
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