Poeta, não gramático.
17 Rotina
Notas iniciais
Fiquei encarando os meus rabiscos aleatórios espalhados pela mesa. Eu precisava separar alguma coisa para mandar para a editora, mas nada me agradava. A garçonete trouxe o meu rotineiro café, sorrindo e me desejando um bom dia.
Aquela era minha rotina. E a cafeteria me era tão familiar quanto a palma da minha mão. Um ambiente aconchegante, de cheiro bom – tem cheiro melhor do que o café recém feito? Era o lugar ideal para as minhas ideias aflorarem.
Coloquei a caneta na boca e fiquei mordiscando a tampa, involuntariamente.
— Certos costumes nunca mudam.
Levantei o olhar, sentindo um arrepio na espinha. Então meu coração falhou uma batida, numa sensação ruim.
Reuni todos os meus textos uma vez, enquanto o indivíduo se sentava em minha frente. O que ele estava fazendo ali? Anos se passaram desde que tudo acontecera, porém, a dor que aquele relacionamento me causara ainda vinha excruciar o meu peito de vez em quando.
Pus-me a forçar um sorriso, me sentindo sufocado com a presença inesperada. Ele, por outro lado, parecia não sentir o mesmo peso que eu sentira. Dum minuto para outro,eu só queria sumir.
De relance vi uma figura conhecida abandonar o café.
Era Roberto.
Fale com o autor