Pode agradecer
6 Eis Negan
Notas iniciais
O cenho irritadiço de Negan majorava-se a cada passo que dava, ao se afastar da presença de Lucy, sua respiração ofegante e o seu corpo agora rijo desprendia-se com grande velocidade no sentido de seu apartamento, estava disposto a indiciar o responsável por atacar de modo covarde, a nova moradora daquele edifício, que mediante aquele aborrecimento poderia cogitar na possibilidade de sair daquele lugar.
Tal ultimato manifestava-se em aversão às suas reflexões, obrigando-o a realçar o desejo lascivo que havia criado por aquela mulher, e de como necessitava tê-la por perto, sob o seu alcance, sob o seu domínio. Ele não se permitiria perdê-la de vista, não depois de todo o trabalho que tivera em conduzi-la àquele âmbito, que estritamente planejado conceder-lhe-ia êxito aos seus propósitos de apaziguamento emocional.
Nada e nem ninguém perverteria o destino que havia idealizado para ele e para a sua Lucy.
Ao introduzir-se em seu apartamento, Negan buscou de imediato a presença de seu opositor pessoal, enfim estaria cara a cara com o homem que ansiava enfrentar, nisso lançou-se no sentido do quarto principal, sujeito a uma ira ávida capaz de destroçar o maior dos egos e de machucar o maior dos homens, mas apenas de tanta indignação.
Ele não machucaria fisicamente o familiar por respeito aos anos vividos lado a lado, entretanto seria dado inicio à sessão de ofensas e desafetos, que lamentavelmente havia se tornado parte da rotina daqueles dois homens de mesmo sangue, mas que portadores de discernimentos tão análogos, acabavam se atritando com muita facilidade.
“-Seu filho da puta, por que você mandou aquela ameaça para a Lucy?” Perguntou Negan mudando o tom de voz, em um leve aumento de gravidade ao seu linguajar.
O homem que o fitava em olhar manso, não dava indícios de que retrucaria àquela acusação, preferindo manter-se em silêncio, até que o falastrão que o encarava, prosseguisse com os insultos.
“-Responde, sua covarde de merda.” Esbravejou Negan, mais irritado do que de início, piscando os olhos rapidamente em reflexo à luz intensa que agora parecia incomodá-lo.
Em razão daquele incômodo, ele caminhou no sentido do interruptor e o pressionou, permitindo que apenas as ondas eletromagnéticas * propagadas em raios de sol, compusessem a iluminação daquele recinto.
“-Eu mandei aquela ameaça, para que ela fique com medo desse lugar e vá embora... – ele abaixou a cabeça por poucos segundos. – porque eu preciso protegê-la de você.” Respondeu fitando Negan com um olhar suplicante por compaixão, não queria ser cúmplice daquele desatino propósito que consistia em manter Lucy por perto a todo o custo.
“-Protegê-la? Você acha que eu sou o que? Um maníaco de merda.” Indagou-o, antes que pudesse gargalhar em demasia.
“-Você precisa rever as atitudes que pretende tomar com ela, ou algo muito ruim pode acontecer com essa boa moça.” Concluiu num semblante absorto em preocupações.
“-Nossa, que porra escrota é essa que você disse? Por acaso alguma vez, eu já fiz mal para alguém? – riu ligeiramente, em sinal de indignação –Por favor, se eu já fiz isso, refresque a minha memória.” Negan defendeu-se enfezado.
“-Você tem uma memória bem curta, não é mesmo? – O indivíduo desviou o olhar por alguns instantes ao respirar fundo, e após recompor-se voltou a encarar o homem à sua frente – Ou você se esqueceu do último verão em que você me obrigou a...” Acusava-o, antes de ser interrompido pelo outro único homem que compartilhava o espaço com ele, naquele antigo quarto.
“-De onde você tira essas besteiras, faz muito tempo que nós não fazemos nada juntos, seu filho da puta. A última vez que nos demos bem, foi no meu aniversário de trinta e cinco anos... – riu sarcasticamente – lembra daquela porra de livro do Chuck a puta que pariu, que você me deu e que não serviu para nada?” Perguntou Negan, ainda mais irado do que antes.
Recordar cenas de seu passado o incomodava demasiadamente, ainda mais quando a episódio em destaque envolvia os dois como protagonistas.
“-Eu pensei que você iria gostar do livro, foi uma luta encontrá-lo.” Disse o homem, numa pose de pura calmaria, que se colocava em discrepância ao que estava acontecendo.
“-Não muda de assunto, eu vim aqui para deixar avisado que se você se meter com a Lucy de novo, eu vou me esquecer que nós crescemos juntos.” Negan o alertou com rispidez ao envergar o corpo para frente, na tentativa de confrontar o parceiro de mais perto.
“-Eu não quero fazer mal para ninguém, eu também gosto dela e gostaria de tê-la por perto, mas sabendo do que você é capaz, eu prefiro que ela vá embora daqui.” Explicou o homem em protestos.
“-Vá se fuder... – exclamou Negan com rancor. – ela não vai sair daqui enquanto eu estiver vivo, e nada e nem ninguém vai estragar o que nós teremos futuramente. Espero que isso tenha ficado bem claro, na sua cabecinha de merda.“ Ele proclamou exaltado e pronto para sair daquele quarto.
“-Só prometa que você não vai machucar essa moça.” Suplicou o outro homem.
“-Vá para a merda.” Proferiu Negan sentindo-se completamente contrariado, pela discussão penosa que acabara de ter.
Emocionalmente exacerbado, o senhorio de Lucy caminhou para fora do quarto, e numa força exagerada empurrou a porta do cômodo, fazendo com que essa batesse em grande força resultante na parede adjacente àquela entrada.
Em seguida, entrou em seu próprio quarto e na tentativa de acalmar-se, apanhou uma garrafa de vodka que ficava dentro de seu frigobar particular, e apesar de sempre conseguir colocar os pensamentos em equilíbrio, com a ajuda de suas bebidas alcoólicas, daquela vez a ingestão daquelas não o ajudaria em nada.
A única presença capaz de conceder-lhe satisfação, seria a presença de sua amada, de sua querida inquilina...mesmo que tal proximidade fosse percebida apenas por ele, e pelas paredes daquele grande edifício.
Fale com o autor