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2 Drunk
Notas iniciais

Though I know you’ll never love me like you used to
Cassie acordou na enfermaria.
Sua cabeça doía que parecia o Tártaro e sua boca estava seca. Não conseguia se mexer direito, seus músculos doíam.
– Hum, finalmente acordou — Olhou pro lado e viu o filho de Hades em uma cadeira do lado de sua cama. Ele tinha olheiras nos olhos, tão fundas que deixavam óbvio os meses sem dormir.
Se lembrava de quando Percy salvou o menino, anos atrás. Ela ainda morava no acampamento, tinha medo de ir atrás de Luke quando Thalia tinha voltado ao mundo dos humanos. Percy apareceu com um menino e as Caçadoras de Ártemis. Ela e as Caçadoras nunca se deram muito bem, por ser filha do deus do amor e não acreditar na besteira de viver pura e sem homens.
Nico naquele dia parecia assustado, mas animado com o novo mundo que precisava explorar. Enquanto Jackson foi em uma missão para resgatar Annabeth, Nico ficou. Ficava admirado com tão pouco que chegava a irritar. Quando Percy voltou com as notícias da morte de Bianca, sua irmã, Nico sumiu. Cassie ficou triste, depois quando o viu novamente, por toda sua animação ter sumido. O menino ficou amargo e escuro. Cass sentia o coração partido que ele tinha, mas nunca o confrontou sobre isso. Ele era do tipo que sofria em silêncio.
– Que aconteceu? — Sua voz saiu arranhada, não parecendo sua própria.
– Você teve uma overdose na floresta — Ele disse simplesmente, se erguendo e saindo. Cassie se levantou, com pernas bambas e caminhou para o espelho mais próximo. Parecia uma merda.
Seus cabelos estavam sujos, embaraçados e pra todo lado. Sua pele estava oleosa, ela devia ter suado muito. Seus olhos estavam fundos, quase sem vida, as olheiras típicas de quem usa drogas maiores do que nunca. Quase não se reconheceu.
Foi para o banheiro adjacente à enfermaria e tomou um longo banho. Tentou limpar toda a sujeira de sua alma, mas era impossível de tão suja que estava.
Nico havia chamado o filho de Apolo responsável por tomar conta dos enfermos, mas quando voltou ao quarto da loira, não a encontrou. Ouviu água correndo e assumiu que a menina tinha ido tomar banho. Melhor assim, fazia três dias que estava em um coma, era bom se lavar.
Sentou-se na cadeira que havia ocupado todos esses dias e esfregou a testa. Tinha ficado ao lado da menina esse tempo todo e estava cansado. Não sabia muito bem porque, mas não queria deixá-la só. Ninguém nunca vinha visitar, apesar de todos saberem onde ela estava. Ela era tão solitária, mas não parecia por opção.
Pegou a jarra de água em cima da mesa de cabeceira e jogou um pouco de água na cara. Seu cabelo comprido grudou no rosto e ele jogou-o pra trás.
– Se quiser, pode tomar um banho — Uma voz suave falou de trás dele. Era a loira, com olhos cansados, que foi até o espelho e começou a pentear os cabelos. Nico, sem falar nada, foi pro banheiro e tomou uma ducha. Céus, ele estava cansado. Diria morto, mas pareceria uma piada.
Quando saiu, viu que a garota estava brincando com uma pena cheia de sangue.
– Que isso? — Perguntou, mesmo sendo óbvio.
– Minha pena — Seus olhos verdes estavam focados no pequeno objeto.
– Posso ver isso. Porque está cheia de sangue? — Sentou-se na cadeira, olhando a garota com olhos curiosos.
– Porque acabei de arrancá-la — Ela tirou os olhos da pena e encontrou os olhos negros de Nico. — É meio chato quando minhas asas começam a crescer, coça bastante -
– Asas? Porque você teria asas? — Pergunta, franzindo a testa. Só momentos depois nota como é retardada sua pergunta. Ela é filha do Cupido, pelo amor dos deuses. Claro que ia ter asas. Ela sorri, fraca.
– Também gostaria de saber. Ser filha de Eros é bem irritante — Ela joga a pena no chão e cruza as pernas em cima da cama. — Por quanto tempo estive dormindo? -
– Três dias — Responde, sem tentar ser gentil. Não é do jeito dele. Ela pisca.
– Nossa, dessa vez foi mais que o normal — E ri. — Ei, quer sair daqui? Já estou bem, e não estou muito afim de ficar nessa enfermaria. Esse lugar é pior do que um cemitério. — Nico sorri, porque pensa o mesmo.
– Pra onde quer ir? -
– Pra Manhattan. É sexta a noite, não? Dá pra se divertir muito hoje — Ele ri, e o som parece estranho até para ele mesmo. Há quanto tempo ele não ri? Anos, pelo menos.
– Ok, pegue minha mão e feche os olhos- Ele estende a mão, e a loira pega. Em um segundo, a escuridão os engole e no outro segundo, as luzes cegantes da Times Square os inunda. Ela sorri, marota para o menino e o puxa na direção de uma rua qualquer. Quando para, estão na frente de um bar.
– Tem carteira falsa? — Ele nega com a cabeça. Não era muito de vir a esses lugares. — Hm, me dá a sua verdadeira — Ele entrega e a loira usa a Névoa para mudar sua idade. — Pronto — Ela lhe devolve a carteira e entra, o moreno seguindo de perto.
É um bar irlandês, cheio de gente. Luzes verdes e gente barulhenta, o cheiro de álcool parece que gruda nas paredes.
– Que lugar é esse? — Nico pergunta.
– Não faço a mínima ideia. Nunca vim aqui — Ela responde com um dar de ombros e se apoia na bancada — Oi, me dá duas cervejas — Ela pede e o barman logo dá as cervejas. Ela entrega uma para o moreno e entorna a sua em uma golada.
– Vei, você acabou de ter uma overdose e já está tentando se matar de novo? — Ele perguntou, surpreso. Ela sorri, mas o sorriso não alcança os olhos. Agora, ele notou, não eram mais verdes e sim azuis. Um azul escuro e profundo.
– Se morrer, pelo menos você já está aqui do meu lado — Ela pede mais uma cerveja e volta a entornar a garrafa — Olha, di Angelo, eu não tenho nada pra fazer. Você também não. Somos dois mal-amados sem nada nem ninguém e uma cerveja na mão. Você vai fazer o que? -
Ele se surpreendeu pela menina saber sobre seu amor. Mas depois se lembrou, do mesmo jeito que pressentia morte ela pressentia amor. Ele virou a garrafa em um gole, acreditando no que a loira lhe disse.
Logo estava tudo um borrão.
Ele dançou com ela, tomaram mais e acabaram sendo expulsos, mas ele não se lembrava do porquê. Fazia tempos que não fazia essas loucuras, mas não parava de pensar que a garota estava sempre com os mesmos olhos cansados e de quem sofreu muito e não se abalava com mais nada.
Beijou-a em um instante, sob as luzes dos carros que passavam com pressa. Ela retribuiu mas os dois sentiram como isso parecia errado. Estavam bêbados e esgotados psicologicamente. Mas naquele momento, só queriam uma satisfação.
Nico acordou no dia seguinte com a cabeleira loira platinada perto de seu rosto e pela primeira vez na vida, sentiu algo em seu coração.
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