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3 U.n.i
Notas iniciais

So am I close to you anymore if it's over?
And there's no chance that we'll work it out
Depois daquela noite, os dois entraram em uma rotina. Para os outros campistas, pareceria que estavam namorando. Várias filhas de Afrodite ficaram ressentidas mas não fizeram nada pois reconheciam a necessidade de Cassandra por um pouco de amor.
Mas nenhum deles sabia o que realmente estava acontecendo.
Ambos semideuses estavam desesperados atrás de um conforto. Abusavam um do outro por isso, bebiam e fumavam e no fim do dia estavam sempre na cama de um dos dois. Mas não era amor que faziam. Transavam mas não tinha carinho, era mais um meio dos dois tentarem salvar seus corações. Era uma relação abusiva, mas o abuso vinha e atingia os dois.
Cassie por um lado estava se esgotando. Sabia que Nico via como sua vida estava escapando pelas rachaduras. Precisava fazer algo, mas não conseguia. Procurava em Nico o lampejo de olhos azuis que tanto queria, mas nunca o encontrava. E o pior, sentia que estava quase esquecendo o azul de Luke e só lembrando do negro de Nico.
Não podia deixar isso acontecer. Não esqueceria Luke, isso seria errado. E por mais que doesse, tiraria o negro de sua vida.
– Nico... — Chamou-o, um dia após o jantar. Normalmente eles sairiam essa hora, escapariam da cerimônia na fogueira e iriam para algum lugar fora do acampamento. Mas hoje não.
– Hm? — Ele olhou de seu jantar para a loira. A grande maioria dos campistas já havia saído e estavam indo para a fogueira, mas Cassie queria um pouco mais de privacidade.
– Eu... Preciso falar com você — Esperava sinceramente não parecer tão miserável quanto estava se sentindo. Ele franziu a testa, um gesto que Cassie conhecia muito bem. Ele fazia quando estava confuso e tudo que ela queria fazer era passar os dedos no franzido e fazer voltar à pele lisinha que o garoto tinha.
– Ok. Quer ir ao meu chalé? — Pergunta, notando que a loira queria privacidade mas provavelmente não gostaria de viajar para algum lugar. Ela concorda com a cabeça e o segue, quieta, ao chalé 13.
Quando entram, ele se senta em sua cama e espera que ela sente ao seu lado mas ela mantêm-se em pé.
– Nico, eu... Não posso mais fazer isso... O que quer que isso seja — Ela fala, sem olhar para ele. Ele vê a pena que ela não para de mexer e torcer em seus dedos. As asas de Cassie voltaram a crescer. Ele sempre quis ver, mas ela se recusa deixar elas aparecerem. Diz que a faz parecer uma aberração maior ainda.
– Porque não? — Ele pergunta, controlando sua voz para que não quebre.
– Eu... Eu estou me esquecendo... De Luke, e de tudo que passamos, e de como ele era, e de como ele falava. Estou esquecendo de tudo porque você tem tomado o lugar dele. E eu... Eu não posso deixar isso acontecer — Ela fala tudo em uma velocidade surpreendente, tão rápido que ele demora uns instantes para assimilar tudo. Nico vê a lágrima que ameaça escapar dos olhos da loira, hoje em uma cor azul cristal que talvez fosse a cor dos olhos do falecido filho de Hermes.
– Ah... — Ele não sabe o que dizer. Não quer deixar isso acontecer, quer ficar com ela por mais que isso doa na garota. Mas não é tão egoísta. — Tudo bem — Ele diz com a voz mais forte que consegue. Ela finalmente olha em seus olhos e a lágrima cai.
– Desculpe — Ela fala em um quase sussurro. Beija de leve sua bochecha e vai embora. O estado de choque não passa por alguns dias.
Todo dia, Nico acorda se sentindo mais frio do que o normal. Não tem mais os fios platinados em seu rosto, nem o calor de sua pele pálida. Ele nunca se sentiu tão vazio. A única coisa que sobrou para se lembrar dela foi uma presilha de cabelo que ela deixou.
Ela sumiu do acampamento, provavelmente foi para outra cidade começar outra vida. A cada dia parece que a saudade aumenta em uma progressão geométrica e tudo que ele consegue fazer é tentar esquecer tudo que sentiu por Cassie enquanto bebe mais do que deveria e fuma tudo que seus pulmões aguentam.
Ele voltou a dormir com qualquer um, mas se antes isso o ajudava a pelo menos manter sua mente ocupada, agora era quase uma tortura. Não conseguia parar de comparar como era com Cass, com seu rosto de anjo ao invés dos rostos que mal consegue se lembrar de pessoas aleatórias.
Nico nunca chorou depois da morte de sua irmã. Mas agora, a solidão doeu tanto que lágrimas caem quando menos espera. Tudo que ele queria é ter a loira de volta.
Não acreditava em si mesmo quando pensava isso. Não acreditava que bastou apenas algumas semanas com ela para esquecer tudo que já havia sentido por Percy.
E por isso, parou para pensar no lado dela. Como seria para ela, que teve seu amor correspondido, esquecer Luke? Quanto mais pensava nisso, mais ódio sentia pelo loiro.
Mas não deixava transparecer. Não podia. Ele era Nico di Angelo e não ia deixar uma garota acabar com tudo que criou para si mesmo. A noite, sonhava com ela. Que ela estava sozinha em uma cidade desconhecida. Que ela perambulava de posto de gasolina em posto de gasolina, lanchonete por lanchonete pegando emprego e tentando sobreviver sem nada. Em seus sonhos, ela tinha parado com as drogas mais pesadas. Agora apenas fumava e bebia o que conseguia pagar.
Quando Nico acordava, não sabia se seu sonho era verdade ou imaginação. Esperava que fosse imaginação.
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