Notas iniciais
Finalmente eu consegui escrever esse capítulo. Eu não sei quantas vezes eu escrevi e reescrevi esse capítulo, e eu sempre ficava com uma sensação de estar faltando algo. E é com essa mesma sensação que estou postando agora. Sei que poderia ter sido melhor, mas espero que gostem do que eu consegui escrever. PS> teve ask Lana, eu não consegui resposta e espero muito ficar feliz com os comentários que sempre enchem meu coração de felicidade. Vamos. com atraso às homenagens ao cap de hoje. Desde setembro tenho recebido lindas recomendações na fic e esse cap de hoje é decidado pra Emanuelle, pra Dreamer (Noemi), pra Dee Clarke e pra minha twin lindaaaaaaa Tathy Alves.

Regina chegara à triste conclusão de que sua confusão não lhe levava a lugar algum. Pelo contrário, somente se via por mais de uma vez seguindo o caminho errado através de escolhas inadequadas. Por quantas vezes ela se vira estagnada numa estrada de mão dupla sem saber direito por qual desses caminhos seguir? Nesses momentos sempre se via encurralada num enorme labirinto que se formava em seu coração. Era quando se via obrigada a seguir por um daqueles caminhos tortuosos onde de repente Regina deparava-se apenas com as trevas que queriam lhe consumir por inteiro. Optava sempre por caminhar sozinha na estrada dolorosa de sua vida. Tudo se assemelhava a um grande ciclo vicioso, pois quanto mais ódio entrava em seu coração mais escuro ele ficava. Tentava ao máximo tentar se esconder do mundo, por isso sempre escolhia se fechar em seu mundo nublado, onde o sol era proibido de nascer todos os dias. Regina havia crescido perdida entre a constante afirmação de sua mãe que sempre lhe insistira dizer que o amor era uma fraqueza, e ao mesmo tempo seu coração lhe mostrava que o amor era mágico e podia criar felicidade. Durante algum tempo ela tentara lutar contra essa afirmação de Cora com todas as suas forças, mas cada dia que passava a morena fora perdendo as esperanças que tinha sobre o amor. Já não o via mais da mesma maneira e o distanciava cada vez mais da felicidade que tanto sonhava para sua vida. E assim, depois de muitas tristezas e desilusões Regina chegara à conclusão de que sua mãe sempre esteve certa. Ela passou por toda sua vida procurando por algo inalcançável. Quando sempre achava que estava prestes a tocar sua felicidade ela se distanciava imediatamente. Era como se fosse repelida qualquer chance de ser feliz em sua vida. Sentia-se a procura de algum acorde perdido em seu coração, mas apareciam-lhe apenas os fragmentos de uma nota desafinada de uma música inacabada.

Regina sentira uma pesada pontada em seu coração ao ouvir Archie falar de Cora. Mesmo sua mãe já estando morta a dor de tudo o que passara ao seu lado ainda pesava demais em peito. Era sempre assim toda vez que escutava qualquer pessoa falar alguma coisa sobre sua mãe. A influência que uma mãe dominadora como Cora tinha sobre Regina era bastante evidente, já que o corpo da morena ficou rígido no exato momento em que Cora fora mencionada por Archie e logo um semblante de medo tomara conta do rosto da morena. O mundo parecia mudar de eixo e girava como num grande moinho. Parecia que ela era constantemente puxada por um buraco negro invisível até seus piores pesadelos. Seu coração acelerava, suas mãos tremiam, suas pernas se mexiam de forma inquieta. Todo o seu corpo se mexia no mesmo compasso que seu desespero aumentava. Regina sentia que cada vez mais perdia o seu controle para suas próprias emoções conturbadas. Naquele momento, pela primeira vez desde que Archie havia entrado em seu quarto, Regina não conseguira se esconder em sua própria muralha. Mostrara-se cada vez mais vulnerável e da forma que menos gostava de se mostrar para qualquer pessoa. Ficara sem reação e pela primeira vez naquele dia não conseguira mais esboçar nenhuma argumentação com o terapeuta. As pesadas lágrimas logo tomaram caminho pelo rosto de Regina e rapidamente cobriram a face da morena que tentava inutilmente esconder o seu rosto em suas mãos. Queria cada vez mais fugir de Archie, mas seus soluços dolorosos revelavam uma alma machucada e dilacerada pela vida. Logo houve uma tentativa desesperada de tentar secar todas as suas lágrimas o mais rápido que conseguia, mas imediatamente outras lágrimas substituíram as que foram secas anteriormente.

Por poucos minutos, Regina se desligara totalmente de tudo o que acontecia ao seu redor. Havia se esquecido de que estava sentada numa cama de hospital no meio de uma sessão de terapia na qual não queria estar e pela primeira vez em sua vida mergulhara profundamente para dentro de si, onde pode finalmente se ver sem as máscaras que durante muito tempo dominara sua vida. Em vez disso, se vira dispersa em dolorosas lembranças, mas que de certa forma faziam parte de si mesma. Mais uma vez podia ver sua vida passando em sua frente, cada mísero detalhe que a lembrava de tudo o que já tinha feito. De todas as mortes que causara, de toda a dor que levou a tantas pessoas, e ao vazio de seu coração que parecia que nunca seria preenchido totalmente. Mesmo Emma prometendo lhe amar e sempre ficar ao seu lado e finalmente tendo conseguido reconquistar o amor de seu filho, ainda tinha um espaço em seu coração que parecia estar bloqueado e ali ninguém parecia ser capaz de entrar. Nem mesmo a morena parecia ter acesso permitido a essa área bloqueada dentro de si. Era como se sentisse uma dor tão profunda que ela parecia irradiar por todo o seu corpo e nem ao menos Regina sabia a explicação para tanto sofrimento que sentia. Só que ele estava presente cada dia de sua vida. Às vezes começava a chorar sem alguma razão plausível. Nesses dias, que curiosamente costumavam sempre serem os mesmos, ela apenas costumava se trancar em seu quarto sozinha e sentia as grossas lágrimas escorrer por seu rosto, e essas lágrimas eram resultado de seu luto invisível. Ela não se recordava do porque, mas sabia apenas que estava talhado em seu coração.

A morena só fora desperta de seus tristes devaneios apenas quando percebeu as mãos de Archie ao redor de seu corpo num abraço. Era um abraço que ela não queria receber, ou que ela não admitiria querer receber, mas era exatamente o que ela precisava naquele momento. Talvez por isso no começo ela não se afastou daquele abraço reconfortante. Mesmo seu corpo ficando enrijecido com o contato que recebia de Archie, o abraço fora um gesto que de certa forma conseguira trazer um pouco de conforto para a morena ao sentir os braços do terapeuta a consolando enquanto ela chorava. Mas, a morena ao tomar conhecimento que tinha desfeito suas muralhas diante do terapeuta tentou se afastar do abraço de Archie como uma criança foge de uma assombração. Percebendo toda a inquietação de Regina, o homem a soltou e a morena se encolhei na cama do hospital acompanhadas apenas por suas lágrimas. Não se escutava mais nada no quarto de hospital além do pranto de Regina. O silêncio presente no quarto de hospital dizia muito mais do que mil palavras. Era óbvio que Cora ainda exercia uma grande influência sobre Regina. Mesmo estando morta, a mulher permanecia como uma sombra ao redor da filha. Regina soltava pedados suspiros enquanto seu corpo tremia através do seu pranto doloroso, o qual ela procurou esconder de tudo e de todos. Tentava ao máximo tentar se esconder de outras pessoas, mas seu olhar dizia exatamente o contrário.

– Regina... – disse Archie sem ter a certeza de que estava falando no momento certo. Ele não queria deixar sua paciente desconfortável numa primeira sessão. Tratando-se de Regina ele começaria o tratamento aos poucos, de forma que ela pudesse retomar a confiança que ela tinha nele. – Creio que para uma primeira sessão já está suficiente. – aguardou uma resposta, mas ela não veio. Apenas escutou Regina fungando e tentando se recompor. O terapeuta tirou um lenço de seu bolso e o estendeu a Regina, que hesitantemente o pegou e começou a limpar as lágrimas que ainda escorriam por seu rosto.

– Como a sessão já está suficiente se eu me recusei a falar qualquer coisa sobre como eu me sentia? – falou a morena com a voz embargada pelas lágrimas enquanto se virava para poder encarar Archie.

– Acredite Regina. Você pode não ter dito uma palavra sequer sobre como está se sentindo, mas seu corpo disse o que eu queria saber. Nós nos vemos daqui a dois dias. – disse o terapeuta simpaticamente antes de sair deixando no quarto uma Regina pensativa.

***

A morena ficara ali sentada sem conseguir falar uma palavra desde que Archie saíra de seu quarto. Suas palavras ficaram por horas martelando na cabeça de Regina. Por mais que ela tentasse não se importar com o que o terapeuta lhe disse a morena não conseguia. Sentia-se num beco sem saída, pois não teria como fugir dessas sessões de terapia. Ela podia se negar falar qualquer palavram, mas isso de nada resolvia, porque de qualquer maneira as palavras pulsavam de outro jeito, através de seu corpo que acabava dizendo muito mais do que a morena queria permitir. Para que fugir? Afinal, ela já estaria sendo analisada pelo seu mínimo comportamento. Vez ou outra alguma lágrima solitária ainda insistia escorrer por seu rosto e ela já não fazia mais questão de tentar secá-las desesperadamente, apenas deixava cada uma de suas lágrimas seguirem um fluxo contínuo, onde elas caíam de seus olhos indo em direção aos seus lábios, quando imediatamente um sabor amargo invadia sua boca.

Algum tempo depois, Emma entrou no quarto de Regina achando que a encontraria dormindo, mas ao contrário do que pensou Regina ainda se encontrava acordada. A morena nem reparou que não estava mais sozinha no quarto. Ela parecia estar perdida em pensamentos. Seu olhar permanecia distante e fixo em um ponto qualquer do quarto. Emma logo notou pelos olhos avermelhados da morena que ela havia chorado. Não demorou muito tempo para chegar à conclusão de que Regina provavelmente deve ter passado pela primeira sessão de terapia e resolveu naquele primeiro momento não falar nada, apenas se aconchegou junto de sua amada para mostrar que ficaria junto dela em todos os momentos, não importavam os quais. Deitou-se ao seu lado e a puxou para junto de si e Regina encostou sua cabeça nos peitos de Emma, e a loira com uma de suas mãos fazia carinho por entre os cabelos de Regina. Quando sentiu que sua amada já estava mais tranquila, delicadamente Emma fez com que ela a olhasse em seus olhos.

– Meu amor, você quer conversar sobre o que aconteceu? – perguntou de forma cautelosa, porque não queria que Regina se sentisse obrigada a falar sobre nada que não queria. Portanto, no mesmo momento Emma notou que o corpo da morena se enrijeceu e não houve nenhum tipo de resposta para o seu questionamento, o que deixou claro que Regina ainda não se sentia preparada para falar. – Eu estarei aqui quando estiver pronta para falar sobre qualquer coisa. Você pode confiar em mim. – terminou Emma dando um beijo na testa de Regina.

– Eu... Eu ainda não quero falar sobre o que aconteceu. Não é que eu não confie em você. Mas, ainda está tudo tão confuso para mim que eu não consigo falar sobre nada do que eu senti. Minha cabeça está tão embaralhada. Eu estou confusa e tentando encontrar algum sentido para minha vida. Nunca tive ninguém que se importasse verdadeiramente comigo até você aparecer e mudar o mundo artificial que eu tinha criado para mim mesma. E eu descobri que eu gosto disso. Mesmo que eu tenha lutado no início para te afastar, na verdade o que mais queria era você ao meu lado. Eu te afastava, mas queria o contrário. Que você não me abandonasse e que ficasse sempre ao meu lado. Não sei o porquê eu agia daquela maneira. Seria muito mais fácil se eu revelasse todo o amor que eu sinto por você. Mas, eu não me considerava, aliás, ainda não me considero digna de ser amada por ninguém. Mas, aos poucos eu tenho tentando mudar essa camada de gelo que eu criei ao meu redor e agora que ele está finalmente derretendo eu percebi que eu gosto de receber carinho e de me sentir sendo cuidada por outra pessoa. Eu quero que fique aqui comigo. Assim como está agora nesse exato momento. Com seus braços ao redor de meu corpo me abraçando bem apertado. Sabendo que você faz companhia para mim e que eu não estou sozinha. – disse Regina afundando seu rosto sobre os peitos de Emma e aproveitando aquele momento para escutar os batimentos ritmados da xerife e sentir seu aroma natural invadir suas narinas. – O que eu quero que saiba é que quando eu tiver preparada eu te contarei sobre tudo que em atormenta. Mas, agora o que eu mais quero é sentir o calor de seu corpo em contato com o meu. – concluiu Regina levantando sua cabeça e depositando um selinho nos lábios de Emma.

Emma nada disse como resposta ao pedido de sua amada, e palavras não precisavam ser ditas, afinal aquele não era o momento de um diálogo e sim de sentimentos. Em vez disso abraçou Regina o mais apertado que podia e cada uma das mulheres deitadas naquela cama de hospital procurava uma encontrar força na outra. O silêncio dentro do quarto não chegava a incomodar como tantas outras vezes, porque o calor que os corpos das duas emanavam era o suficiente para aquele momento se tornar especial.

– Regina Mills, eu te amo tanto. Amo como não pensei ser capaz de amar mais ninguém. – disse Emma depois disso puxando Regina para si a fim de lhe dar um beijo apaixonado.

– Eu também te amo Emma Swan. Com você eu pude acreditar mais uma vez e quando eu dei por mim eu pude perceber que eu era capaz de amar novamente. – falou Regina com um sorriso contagiante em seu rosto, o que preenchia o coração de Emma com um alívio que ela não conseguia encontrar palavras que explicassem tudo o que se passava por seu coração. Porém, logo o clima de romance fora cortado por um bocejo dado por Regina.

– Acho que já está na hora de certa paciente teimosa ir dormir. – comentou Emma dando selinhos nos lábios da morena.

– Não creio que seja necessário, afinal eu nem estou cansada. – teimou Regina, mas fora traída por mais um bocejo saindo de sua boca.

– Eu prometo que se você for uma boa menina para mim eu lhe conto uma história antes de dormir. – diz Emma com um sorriso brincalhão enfeitando seus belos lábios.

– Emma? História para dormir? – questiona Regina com as sobrancelhas arqueadas. – Isso não seria uma maneira para distrair uma criança? Eu já sou bem grandinha para dormir com alguém contando uma história para mim.

– Eu te prometo e garanto que essa história irá lhe interessar. Porque é a história de amor mais linda do mundo. E o mais importante. É uma história que apenas eu conheço. Se prepare que eu já começarei a lhe contar.

– Eu irei escutar a sua história Emma Swan. Mas, não é porque eu esteja interessada nela de qualquer maneira. Mas, eu sinto que se eu não prestar atenção no que irá me dizer você não parará de ficar falando em minha cabeça. – diz Regina ironicamente, mas soara como uma espécie de brincadeira. Sua boca de leve formava um adorável bico, com a morena fazendo charme para sua xerife. Mas, a verdade era que a morena estava bem curiosa para saber que história que Emma iria lhe contar.

Emma respirou profundamente passando as mãos por seus cabelos. Afinal, seria a primeira vez que ela contaria essa história e de certa forma um nervosismo e frio na barriga tomaram conta de todo o seu corpo. Ao olhar para Regina, era como se os olhos castanhos da morena brilhassem de uma maneira que ela nunca havia visto antes, e de certa forma esse pequeno gesto lhe dera a coragem para iniciar a história. – Era uma vez uma menina loira e de marcantes olhos verdes que sempre sonhou ser feliz e possuir uma família, já que ela fora encontrada numa beira de estrada vazia e deserta com poucas horas de vida. – Emma notou um leve movimento de Regina que a abraçou o mais forte que pode ao perceber sobre quem se tratava a história. – Passou sua infância de lar em lar e conviveu com dezenas de famílias, só que em nenhum desses lares adotivos que a menina passou ela conseguiu encontrar a família que ela desejou em seus melhores sonhos. Na verdade, ela sempre se sentiu muito perdida em toda a sua infância e cada dia que passava ela tentava encontrar o seu lugar no mundo, mas isso tudo parecia ser tão distante para ela que a menina nunca se sentira realmente como se pertencesse a algum lugar. Sentia-se deslocada e confusa, como se constantemente estivesse no lugar errado. Tinha sempre a esperança de encontrar sua felicidade, não importava quanto tempo demoraria a achá-la. Em seu coração essa linda garotinha sempre teve a certeza que um dia ela encontraria essa família com que tanto ela sonhava. O mais perto em sua infância que ela chegou de possuir uma família foi quando ela foi adotada por Lilly Swan, de quem a menina se apegou tanto que ela passou a utilizar Swan como seu sobrenome. Só que pouco tempo depois de adotar essa garotinha Lilly descobriu que tinha um câncer inoperável e a amável mulher falecera poucos meses depois deixando a menina mais uma vez desamparada e de volta ao sistema adotivo onde seria empurrada para mais famílias adotivas. – a voz de Emma falhara e leve tom de choro aos poucos invadiu o quarto de hospital. Regina não sabia o que falar e com uma de suas mãos carinhosamente a consolou.

– Emma... – começou Regina a falar, e a mesma não reconheceu sua voz. Saíra com uma suavidade que há muito tempo sua voz não soava. Mas, era assim toda vez que estava com Emma. Ela era responsável sempre em captar o melhor que existia nela. E naquele momento era Emma que precisava de carinho e Regina faria o possível para devolver o sorriso no rosto de Emma. – Você está chorando? – perguntou Regina enquanto ela secou com seu polegar uma lágrima solitária que escorria pelo rosto da loira. – Emma, eu posso esperar se não estiver preparada. – disse de forma condescendente.

– Eu irei terminar a história. – disse Emma esboçando um pequeno sorriso. – Afinal, que contadora de histórias eu seria se não conseguisse chegar até o final? Não precisa se preocupar. Eu estou bem. – Emma deu uma pausa de alguns minutos e logo retomou a narração. – Só que cada vez foi ficando mais insuportável para a menina ser jogada de família em família como se fosse um objeto qualquer que não tivesse nenhum valor e que provavelmente seria descartada quando não tivesse mais alguma serventia. A menina já fora adotada por diversos motivos. Para umas famílias ela era uma espécie de consolo para quem não era capaz de conseguir conceber uma criança. E sempre que essas mães engravidavam depois da adoção ela era devolvida mais uma vez ao sistema. Outras famílias que por alguma razão não cumpriam as normas e leis e adoção não chegava nem a ser concretizada. Uma vez até fora adotada para ver se conseguia tirar da depressão uma mãe que havia perdido o filho. Quando ela era mais nova ela ainda criava a ilusão em seu coração de que um dia essa história iria mudar. Que ela encontraria uma família e viveria feliz para sempre. Mas, que bobagem dessa menina. Afinal, finais felizes se viam somente em contos de fadas. E essa visão pueril da vida que a menina tinha foi dando lugar a uma visão mais realista da vida. E ela tinha que esquecer essa história de sonhos, ou então a sociedade opressora a engoliria viva. Foi assim que sua visão da vida foi se tornando cada vez mais ácida e assim ela entrou em sua fase de rebeldia. Por fora deixava uma imagem de bad girl, mas por dentro ainda era a mesma garotinha assustada, que ela fazia questão de suprimir cada vez mais. Ela não via mais solução para sua vida e as boas perspectivas pareciam cada vez mais rolar num abismo que não tinha volta. Constantemente fugia de todas as suas casas adotivas e gradativamente começou a se envolver em problemas, e passou a furtar apenas pela satisfação que sentia de estar pela primeira vez no controle de sua vida. Pegar o que não lhe pertencia através de roubos cada vez mais planejados, e consequentemente mais perigosos. Pareceu ser a única coisa correta a se fazer quando não via mais perspectivas para mais nada. Num desses furtos ela conseguiu um bug amarelo e um parceiro ideal para seus crimes. Ali nasceu uma parceria que deu certo durante algum tempo e a menina se viu apaixonada pela primeira vez em sua vida. Amar era o que faltava para aquela menina de alma sonhadora e novamente se viu fazendo planos para um futuro feliz. Mas, a paixão acabara no exato momento em que a pessoa que ela jurava que passaria a vida inteira ao seu lado a abandonou. Foi quando ela se viu encurralada e presa por culpa da pessoa que ela tinha confiado todos os seus sentimentos. Fora condenada ao crime e na prisão descobrira que esperava um filho. Dezoito anos, grávida, sozinha e presa. Foi assim que a menina passou todos os nove meses de gestação. Em uma cela que mal dava para andar e com uma nova vida crescendo em seu ventre. Ela não teve apoio em nenhuma fase de sua gravidez. Em seus enjoos não tinha ninguém para segurar suas longas madeixas loiras e muito menos uma mão reconfortante que lhe desse o carinho que ela precisava. Quando a criança nascera ela tomou a decisão mais difícil de sua vida. Como não tinha uma família que a ajudasse a cuidar de um bebê recém-nascido, a menina decidira que o melhor para o seu bebê era o entregar para a adoção. Ela o amava tanto que percebeu que ela não seria a mãe que o menino tanto merecia naquele momento. Ela não tinha nem onde cair morta e como ela poderia cuidar de uma criança estando numa prisão? Não vira nem o rostinho de seu filho e ela se arrependeu de não ter visto pelo menos num relance como que era o seu bebê. E todos os dias ela imaginava como o seu filho estava crescendo. Se ele tinha ficado apenas com uma família ou se havia passado por várias casas igual ela em sua infância? O tempo passou e nada apagava a tristeza que ela sentia. Depois de tamanha desilusão ela optara por uma vida solitária. Um vazio se formou em seu coração. Uma saudade que não tinha tamanho a consumia por dentro. E todos os dias ela imaginava como seria a vida que ele levava. Assim se passou dez anos e no dia de seu aniversário de vinte e oito anos ela mais uma vez se viu sozinha com um pequeno bolinho com uma velinha em seu centro. E de certa forma sua criança interior não queria passar por mais um aniversário sem companhia nenhuma. Fez um pedido. Não queria passar mais um aniversário sozinha. Assim que soprou a vela de seu bolo a campainha de sua casa tocou e quando ela foi atender e tinha um garoto na porta que dizia ser o filho que ela abandonou há dez anos. Ela trancou-se em um quarto a fim de se recompor e voltou para falar com a criança. Ele dizia sobre uma maldição que ela teria que quebrar e devolver os finais felizes a todos os personagens dos contos de fadas que viviam presos numa cidade sem se lembrarem de suas identidades por causa e uma maldição lançada pela Evil Queen. Na mesma noite ela levou o garoto de volta para Storybrooke e o devolveu para sua mãe, que o menino jurava ser a própria Evil Queen em pessoa. Mas, o que ela viu naquela noite mudou sua vida. Ela vira os olhos castanhos mais lindos do mundo. Eles transbordavam uma profundidade que ela não tinha como deixar de olhar mais atentamente. E logo sentiu um calafrio em sua espinha ao ver toda a dor que aqueles olhos continham. E a necessidade de cuidar da teimosa prefeita dessa cidade cresceu em seu coração. Por algum tempo ela tentara negar com todas as suas forças a paixão que sentia por Regina. Mas, não tinha mais jeito. O seu corpo a denunciava toda vez que ficava perto dela. Sentia um nervosismo que a controlava por dentro. As trocas de olhares ficavam cada vez mais intensas e ela começou a se questionar sobre a reciprocidade de todo o sentimento que transbordava em seu coração. Emma amava Regina. Ela já não poderia negar para si mesma. Nesse meio tempo, a atração entre as duas mulheres ficou evidente para todos ao seu redor. A maldição se provara ser totalmente verdadeira. De fato Regina era a tão temida Evil Queen. E Emma filha de Snow White e Charming. Tanta coisa acontecera nesse meio tempo, mas apenas uma verdade nascia em Emma. O amor que ela sentia por Regina. Salvara a mulher de várias maneiras. Chegou um dia que ela finalmente tomou coragem e se declarou. Mas, Regina tentara se matar. E um desespero se apoderou de Emma. Só a possibilidade dela perder o amor de sua vida a matava por dentro. Mas, a loira ficou ao lado de sua amada durante o tempo em que ela ficara desacordada. Não saía de seu lado. Até que por sugestão de Henry, Emma a beijou. E o beijo do amor verdadeiro se provou ser a verdade mais linda que ela poderia vivenciar. Assim que Regina se recuperar e sair do hospital, Emma tem planos de pedi-la em casamento. E assim viverem as duas felizes para sempre.

Ao terminar a história, Emma se deu conta que Regina tinha adormecido. Mais uma vez ela observou as feições suaves de sua amada. A morena dormia tão serenamente que parecia uma bela boneca de porcelana. Emma depositou um beijo na têmpora de Regina e sussurrou. – Bons sonhos Regina. Que você tenha uma bela noite de sonho meu amor.

Notas finais
Gostaram??? To com tanto receio nesse cap... espero realmente que tenham gostado.