Please! Stop To My Life!
15 Memories of the Past
Notas iniciais
A luz do sol lentamente iluminava o quarto de hospital e logo duas pálpebras começaram a se mover e Regina olhou para os lados ainda estando confusa sobre onde estava. Sentiu os braços de Emma ao redor de seu corpo e era novidade para Regina acordar e se ver nos braços de Emma. Para quem havia passado tantos anos sozinha e sem ninguém para lhe fazer companhia era um pouco esquisito despertar e sentir aquele calor humano em contato com o seu corpo. Sentia-se um pouco desconfortável no início, mas agora ela já havia se acostumado com a presença de Emma ao seu lado e da forma que a loira lhe transmitia toda a segurança que ela precisava.
Naquela manhã em especial Regina acordara ainda mais sorridente que nos outros dias. Ela tinha quase a impressão que estaria segurando em suas mãos os sapatinhos de bebê que Emma lhe dera de presente de Natal, mas tudo não se passava de um sonho. Só que tudo parecia ter sido tão real naquele sonho que Regina podia se lembrar de tudo o que tinha acontecido com uma riqueza de detalhes surpreendente. A voz de Emma ainda ecoava em sua mente e nada naquele momento tiraria o sorriso que estava estampado em seu rosto.
Regina surpreendeu-se com sua imagem naquele sonho porque ela tinha visto uma suavidade em seu rosto que por muito tempo tinha ficado escondido através de maquiagens e nas roupas imponentes que usava. Emma e Henry eram sua família e aquilo enchia o coração da morena de uma felicidade que ela não conseguia explicar. Era tudo diferente. Era a vida de seus sonhos, que ela pedia todas as noites para a sua fada madrinha. Ao mesmo tempo em que se permitia sonhar com aquelas imagens ela se questionava se um dia ela poderia ser tão feliz igual ela aparentava naquele sonho. Ela olha e vê Emma dormindo adoravelmente ao seu lado e tenta com todo cuidado acordá-la, mas Emma começa a despertar e Regina admira profundamente os olhos verdes de sua amada e chega à conclusão que ela tem muita sorte da segunda chance que tinha recebido. Ela poderia sim ser feliz ao lado de Emma.
– Bom dia meu amor. – balbucia Emma com sua voz sonolenta ao mesmo tempo em que abre um sorriso adorável em direção a Regina, o que fez que o brilho no rosto da morena aumentasse ainda mais. – Aconteceu alguma coisa? – questionou a loira curiosa enquanto dava uma bocejada, querendo saber o motivo da felicidade de sua amada.
– Bom dia meu amor. – falou Regina timidamente, mas nunca deixando aquele sorriso desaparecer de seu rosto. – Acordar e te ver ao meu lado. Isso é o que está acontecendo. Não sei se já lhe disse antes, mas eu nunca conseguiria imaginar ter alguém que cuidasse de mim e ver você aqui me abraçando me faz tão feliz. As palavras somem de minha boca e eu me sinto uma adolescente falando com você. Acho que é o amor. Seu abraço me faz tão bem que eu ficaria para sempre nessa mesma posição sentindo o calor de seu corpo. Será que eu te acordei? – questionou Regina enquanto se aninhava ainda mais no conforto do abraço de Emma.
***
Passaram-se alguns dias e Regina ainda continuava internada. Não era nada que alarmasse nem nada disso. Era apenas um comportamento de praxe levando-se em conta o tempo que Regina passou desacordada. O bom é que não tinham mais motivos para preocupação. Depois do susto que a morena tinha dado em Emma ela já não corria mais risco de vida, já que Regina se recuperara milagrosamente e não tinha tido nenhum tipo de sequela de sua tentativa de suicídio. Claro que se dependesse da morena ela já teria saído do hospital. Mas, tudo ali dependia do aval de Dr. Whale e enquanto o médico não autorizasse Regina ainda se encontrava hospitalizada.
As consultas com Archie continuavam acontecendo com certa regularidade e a passos lentos, mas o terapeuta não queria forçar Regina para falar enquanto a morena ainda não estivesse preparada. Naquele começo a morena ainda não se sentia segura para falar abertamente sobre tudo o que lhe incomodava. A situação ainda não era confortável para Regina. Era mais como uma batalha interna que a morena travava contra si mesma todos os dias. Apenas ela e sua consciência perdidas em memórias muitas vezes dolorosas.
Regina dava naquele momento um importante passo em sua vida. Ela nunca tivera alguém que lhe escutasse e lhe desse apoio e agora ela tinha Emma que segurava sua mão em todos os momentos difíceis. Era sempre nos braços da xerife que Regina buscava consolo sempre que se fragilizava. Emma secava uma por uma cada lágrima que escorria pelo rosto da morena e a abraçava forte sempre e com Regina encostando sua cabeça perto do coração de Emma escutando a batida do coração da loira.
Elas não precisavam falar nada, pois o contato do corpo das duas mulheres dizia mais do que mil palavras. Regina gostava dessa proximidade que tinha com Emma, principalmente por causa da forma que o coração da loira batia descompassado cada vez que estava perto de Regina e isso era muito mais importante para a morena, pois ela sentia que o coração de Emma pertencia a ela sem que ela precisasse utilizar de sua magia para controlar o coração da loira.
Pelo contrário, o amor que elas sentiam uma pela outra era mais forte que tudo, já que Emma a tinha acordado com um beijo de amor verdadeiro. Regina sempre que podia passava as mãos pelos seus lábios como se quisesse guardar em suas memórias a sensação que sentiu quando ela tinha acordado depois do beijo de Emma. Foi algo mágico que ela nunca mais pensou que fosse capaz de sentir novamente. Amar. Finalmente Regina tinha compreendido o desejo de Daniel e o que mais ela queria nesse momento era ter Emma ao seu lado e amar novamente, o que não se demonstrara tão difícil quanto ela imaginava a princípio. De seu coração transbordava amor e ela não tinha percebido isso antes.
Uma sensação acolhedora tomou conta de todo corpo de Regina assim que tinha sentido os lábios de Emma entrar em contato com os seus. Foi assim que ela teve forças suficientes para abrir os seus olhos se deparando logo em seguida com os olhos verdes mais perfeitos que já vira em sua vida. Os olhos de Emma. Não tinha um dia que passava que Regina não se recordava dessa cena. Era sua chance de recomeço, quer dizer, o início de seu final feliz. Ao lado de Emma. Eram sempre os seus pensamentos quando pegava no sono sentindo o calor do corpo de Emma em contato com o seu. Em seguida vinham os sonhos.
Regina já tinha perdido as contas de quantos anos ela conseguia ter uma noite tranquila de sono. Simplesmente ela não conseguia encostar sua cabeça no travesseiro e dormir em paz como todas as pessoas. Ela era sempre atormentada por pesadelos. Seja por conta das maldades que fez em seu passado como uma rainha que não tinha misericórdia de quase ninguém ou por conta de algo que lhe tinha acontecido. Por anos Regina não conseguia paz por nenhum segundo. Nem em sua hora de dormir que era quando todos os fantasmas faziam questão de despertar e tirar qualquer vestígio de sossego que pudesse vir a ter.
Mas, pela primeira vez em anos não era isso que acontecia. Desde que tinha sido despertada por Emma ela não havia tido um único pesadelo sequer. Ao invés dos sonhos ruins que tomavam conta de sua noite, Regina passara a sonhar com Emma e sua família. Era quase como se fosse um sonho recorrente. Porque mudavam as situações, mas os assuntos geralmente ainda eram os mesmos. E em todos havia insinuações de Emma querer que Regina engravidasse. Isso enchia a morena de medo por não ser capaz de dar a família que Emma tanto almejava.
Ela nunca conseguiu o entender o porquê de não conseguir engravidar. Não havia nada de errado fisicamente, o que tinha sido comprovado com vários exames feitos pela morena. Mas, mesmo assim a incapacidade de engravidar a entristecia ainda mais e principalmente se fosse esse o motivo do fim de seu relacionamento com Emma.
***
Fazia mais de um mês desde que Owen tinha saído de Storybrooke. O tempo que passara com o garoto fora pouco, mas tinha incutido no coração da morena a vontade de ser mãe. Regina não conseguia compreender o porquê de sentir tanta afeição ao garoto, mas ela sentia falta dele todos os dias. Devia ser pelo fato de morar praticamente numa cidade fantasma habitadas por robôs que faziam todas as suas vontades. Não era dessa maneira que Regina imaginava que seria sua vingança e a solidão que sentia fora começando a pedir um pedágio de seu coração. Aí aparecera a lufada de ar fresco que a morena tanto precisava. De uma forma que ela não conseguia explicar duas pessoas que não pertenciam a Floresta Encantada tinham aparecido em Storybrooke. No começo o objetivo principal de Regina era enxotá-los para fora dali o quanto antes, mas o garoto conseguira acessar uma área em seu coração que Regina julgava esquecida. Passou dias inesquecíveis ao lado do menino, de certa forma de sentia viva novamente, provavelmente devia ser pelo fato dele ser uma pessoa que não estava ali para satisfazer suas vontades.
Só que chegou um dia que tudo havia dado errado. O pai do Owen viu o que não devia ter presenciado e mais uma vez sua vida tinha desmoronado. Foi por pouco, mas Regina não conseguiu evitar e viu o garotinho atravessar um dos limites da cidade. Tentou ir atrás de Owen, mas uma barreira os mantinha separados um do outro. O pai da criança ainda estava em sua custódia e Regina não o pouparia. Logo em seguida ordenou para que Graham o matasse e foi isso que o xerife fez. O matou e o enterrou no mesmo local que pai e filho acampavam.
Ela tinha tomado a decisão e se fosse preciso ela sairia de Storybrooke. Mas, o que sempre lhe deixava angustiada era aquela proteção na saída da cidade que não a deixava sair. Ela sempre ia até os limites da cidade na esperança dela rever mesmo que fosse de relance a criança querendo voltar para cidade. Regina precisava dessa criança para dar amor. E agora novamente ela se via sozinha e sem nenhuma companhia. Mas, isso nunca acontecia. Owen nunca mais voltaria e isso a entristecia cada vez mais. Aquela barreira deixava seu coração ainda mais fragmentado.
Regina foi até o seu mausoléu e lá olhou todos os objetos mágicos que tinha trazido de Storybrooke, assim como um de seus melhores livros de poções. Em suas mãos segurava com firmeza o pergaminho da maldição e não o deixava de lado em momento nenhum e ela lia e relia aquelas palavras na esperança de achar algo que pudesse lhe ajudar a sair de Storybrooke.
Fora quando descobriu um feitiço que poderia permitir que ela deixasse a cidade. Sem perder tempo ela começou a estudar de que forma ela faria a poção que seria sua oportunidade de ter um filho. Regina tinha pesquisado sobre um método lançado há apenas alguns anos chamado fertilização in vitro. Ela ficou um pouco confusa no início ao ler sobre o método, mas se lhe permitiria engravidar sem que precisasse necessariamente dormir com alguém para isso e era o que ela precisava naquele momento.
Por Storybrooke estar amaldiçoada Regina não poderia gerar uma criança dentro da cidade, porque a gravidez nunca chegaria a se manifestar de fato por conta do tempo da cidade ser congelado. Regina tinha pensado por muito tempo e tinha se decidido a se submeter ao procedimento que a faria esperar um filho. E sua decisão estava tomada. Assim que pudesse deixaria Storybrooke para engravidar e depois voltaria com a criança.
Levou meses de muito estudo e trabalho árduo até que ela se aprimorasse com o método de criação da poção que lhe daria a chance de realizar seu sonho de ser mãe. No entanto, depois de tantos dias trabalhando naquela poção tudo tinha dado certo e ela tinha um pequeno frasco em suas mãos. Fora um feitiço complicado de se fazer, e tinha utilizado quase toda a magia que ela tinha trazido da Floresta Encantada, mas isso não fazia diferença desde que ela encontrasse o seu final feliz. O pequeno frasco era suficiente apenas para três doses, o que significava que ela poderia deixar Storybrooke apenas por três vezes. Em seguida ela também elaborou uma pequena poção que proporcionaria a vinda de seu filho quando ela voltasse para Storybrooke. Apenas uma gotinha na cabeça do bebê e a criança conseguiria entrar na cidade e cresceria normalmente mesmo o tempo da cidade sendo congelado.Tudo ia dar certo. Regina estava confiante que em breve ela estaria com um bebê crescendo em seu ventre.
Finalmente o dia tinha chegado e Regina iria sair de Storybrooke. Ela tomou um gole de sua poção e foi com sua Mercedes dirigindo até a linha de fronteira da cidade. O medo tomava conta de seu corpo e seu coração acelerava a medida que foi percebendo que se aproximava mais até que a linha da cidade ficou cada vez mais visível. À medida que avançava seu carro em direção a fronteira Regina levemente fechou seus olhos e quando os abriu ela percebeu que havia conseguido.
Ela havia deixado Storybrooke.
Regina não queria perder tempo e logo tratou de procurar por várias clínicas que ofereciam a fertilização in vitro. Acabou optando pela clínica mais conceituada. Assim que foi atendida pelo médico ela precisou fazer vários exames a fim de implantar os embriões em seu útero. Depois que todo o procedimento tinha sido realizado era só aguardar o tempo passar e ver se tinha dado tudo certo. Os dias se passaram de forma lenta, mas Regina tinha a certeza de que ela poderia em poucos meses estar com o seu bebê nos braços. Realizaria seu sonho de ser mãe e encheria seu filho de amor. Era o que ela mais desejava.
Chegou o dia do exame. Regina estava tão ansiosa para saber os resultados de seus exames que mal havia conseguido se alimentar e ter concentração em qualquer atividade que fosse. Em sua estadia em Boston ela optou por ficar reclusa, não queria muito se misturar num ambiente que não era o dela. Era sua forma de ficar segura, pois aquela cidade enorme ainda lhe dava um pouco de receio. Ela se deitou na maca do consultório médico e pacientemente esperou que a médica fizesse o exame nela. Um gel gelado havia sido colocado em seu ventre para que o ultrassom fosse feito. Houve uma tentativa, logo em seguida outras mais, porém na tela não tinha nenhum indício de ter um bebê crescendo em seu ventre. A médica percebendo o desespero no rosto da morena ainda tentou mais uma vez fazer o mesmo procedimento, mas infelizmente não tinha dado certo.
– É a sua primeira vez fazendo uma fertilização in vitro? – questionou a médica enquanto Regina confirmou com um meneio de sua cabeça. Ela não confiava em sua voz naquele momento e seus olhos estavam cheios de lágrimas não derramadas. – É normal que numa primeira tentativa não dê certo. Como você sabe, ainda estamos bem no começo desse procedimento. Ainda é tudo muito novo para nós. Muitas vezes os resultados não são positivos, mas tenho casos de mulheres que conseguiram engravidar numa segunda tentativa. Infelizmente o procedimento não deu certo dessa vez, mas se você quiser podemos fazer mais uma tentativa? Isso se você quiser. – questionou a médica e Regina confirmou que gostaria de fazer mais uma tentativa.
Claro que Regina tinha ficado triste por não dar certo, mas ela ainda tinha esperança na segunda tentativa, mas novamente não deu certo. Foi quando resolveu tentar uma terceira vez. Naquele meio tempo ela tinha optado por continuar em Boston não querendo comprometer sua poção, já que com ela só poderia sair da cidade por mais duas vezes. Até que não obteve resultados positivos em sua terceira tentativa que Regina chegou à conclusão que ela poderia ter algum problema, por isso não conseguir engravidar. Ela passou por novos exames, uma bateria deles, para tentar ver o que tinha de errado com o seu corpo. Até que a notícia veio da boca da própria médica.
– Senhorita Mills, eu estou com os resultados de todos os seus exames em minhas mãos. – anunciou a médica para uma Regina que não se aguentava de tanto nervosismo. – Olha, eu não consigo entender o porquê de não conseguir engravidar, pois pelos seus exames não há nada de errado com você e seu organismo. Tanto seu útero como os seus óvulos não tem nenhum tipo de problema. Você é saudável Regina Mills e na medicina não existe nada que explique porque você não consegue engravidar.
Os olhos de Regina se encheram de lágrimas, a realização finalmente martelando em sua cabeça. A confirmação de que não tinha nada de errado com seu organismo só a fez chegar à conclusão de que tudo isso só poderia ser uma forma de castigo por tanto mal que já tinha feito em sua vida.
***
Regina ainda se recordava daquele dia como se fosse ontem. As lágrimas que desciam por seu rosto ainda tinham a mesma intensidade e seu coração doía da mesma maneira por conta de sua incapacidade de engravidar. Por vezes ela preferia ter tido algum problema em seu útero, mas a vida não tinha sido assim. Sua punição por tantos anos de maldades era a incapacidade de gerar seu próprio filho.
– E se Emma pedisse para que eu engravidar? O que aconteceria? – era o que Regina mais se questionava desde que começara a sonhar tanto sobre esse tema. – Será que ela acabaria com o nosso relacionamento? – perguntava à morena fungando, tentando secar todas as lágrimas de seu rosto.
A morena saiu de seus devaneios quando viu que a porta de seu quarto de hospital estava prestes a ser aberta. Era Archie com um sorriso demasiado simpático em seu rosto.
– Regina, eu creio que está na hora de sua sessão de terapia. – disse o médico enquanto tomava o assento perto da cama de Regina para se sentar. O médico havia percebido que ela tinha chorado, mas ele deixaria que quando Regina falasse fosse ela que tomasse a iniciativa.
– Eu... – começou a morena ainda incerta sobre o que falaria. Mas, dessa vez ela sentia necessidade de falar com o terapeuta pela primeira vez. E ela falaria. – Eu quero falar hoje. – disse a morena com lágrimas em seus olhos.
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