Notas iniciais
Eu sei que não tem desculpas por demorar tanto tempo pra postar, mas é que eu queria algo digno da relação Cora e Regina... e eu fiquei quebrando a cabeça de que forma eu poderia conduzir a terapia do Archie. Coincidentemente ou não, comecei este capítulo mesmo, as vésperas do 3x18 e confesso que fiquei um pouco decepcionada com a forma como mostraram Regina e o fantasma da mãe. Confesso que achei que traria mais impactos pra Regina. Só que o que eu vi ali, foi totalmente diferente do que poderia ser. Poderia ser muito melhor. Mas, voltando a fic. Quero agradecer as lindas recomendações que eu recebi... Obrigada Lully Tutty Frutti, Milena, Aleera Nilrem e Take me up Wonderland pelas lindas recomendações que me mandaram, capítulo é dedicado a vocês!

Ela nunca esteve tão sensível, quer dizer, talvez esta sensibilidade já estivesse presente em toda sua vida, mas ali deitada naquela cama de hospital tudo parecia mais intenso que o normal. E sua capacidade de se esconder através de máscaras como fizera desde que se entende por gente já não surtia os mesmos efeitos. Os seus olhos castanhos já diziam mais do que ela gostaria de admitir.

Ela percebia uma enorme mudança dentro de si conforme os anos passaram, e percebia que no fundo toda essa tristeza que ela trazia em seu coração tinha sido causada por ela mesma. O seu coração enegrecido era fruto de uma vingança que ela já não via o mesmo sentido de antes.

Regina sempre foi assim... Intensa demais. Daquelas que agem sem pensar em consequências futuras. E depois de anos ela percebeu o quanto sua vida tinha sido marcada por causa desses rompantes e já não tinha mais volta. Cada vez mais ela se distanciava de sua inocência se corrompendo a esse mundo cruel ao qual ela havia se deparado entre tantas feras.

Tantos pensamentos... Tantas contestações. De certa forma toda essa autorreflexão era um resultado de passar tanto tempo deitada numa cama de hospital sem nada para fazer a não ser pensar. E era isso que Regina tinha feito durante todos os seus dias. Toda sua vida passava perante si como se fosse a expectadora única de um filme noir em preto e branco.

Isso a fez chegar à conclusão de que tudo em sua vida tinha que ser complicado demais. Por mais que tentasse se esconder em mais de mil camadas que havia criado com o propósito de se esconder de se esconder de todos, inclusive de si mesma, não era o que acontecia.

Ela tentava desviar seu olhar do terapeuta que a fitava esperando que ela falasse algo. Mas, parecia que sua vontade de conversar tinha desaparecido da mesma forma que apareceu. E em vez de iniciar uma conversa a qual ela tentava fugir com todas suas forças, Regina optara por olhar para o soro em seu braço.

O medo súbito de confessar sobre tudo o que mais lhe abalava a fizera mais uma vez optar por se distanciar de um confronto que poderia mais uma vez fazer com que ela se deparasse com o que não estivesse preparada para lidar. Seu olhar era distante e sem foco.

Ela transferira toda sua atenção naquelas pequenas gotículas que lentamente caíam e entravam diretamente em sua veia. Não era nada atrativo acompanhar aquele movimento contínuo que só se finalizava quando a embalagem de soro se encontrava totalmente vazia.

Até que viria uma enfermeira qualquer e trocaria a embalagem vazia por outra nova. Essa tinha sido sua rotina nos últimos dias e isso não a impedia de fugir daquela conversa que vinha adiando durante dias. Afinal ela teria que acontecer uma hora ou outra e não adiantaria fugir e se esconder numa camada oculta.

Regina travava uma luta diária com si mesma. Uma parte dela queria se livrar de toda a dor que possuía em seu coração e a outra parte queria esconder de tudo e de todos como realmente se sentia. Mas, a verdade foi que depois que ela disse ao terapeuta que queria falar veio o arrependimento e a vontade de falar tinha ido embora.

Ela não tinha certeza de que era isso que ela queria. Pois, falar com Archie significava enfrentar os seus mais profundos fantasmas, os quais ela não tinha certeza se estava preparada para enfrentar.

Tudo em sua vida era baseado em escolhas, e eram escolhas bastante difíceis, e ela nada sabia fazer para tirar o medo que sempre lhe assombrava. Regina parecia sempre ter em seu caminho uma estrada bifurcada onde sempre era obrigada a escolher apenas uma direção em que pudesse seguir. Tudo parecia tão complicado e sem solução.

Ao mesmo tempo em que Regina tinha decidido falar com Archie sobre tudo o que a machucava o medo não lhe deixava em paz. Ela continuava a olhar para o terapeuta enquanto suas lágrimas já escorriam sem reservas por seu rosto. O homem estendeu em sua direção um lenço para que ela pudesse se recompor.

E assim Regina fez. Ela agarrou aquele lenço como se sua vida dependesse daquilo. Ela ainda continuava o fitando como se analisasse se deveria de fato falar ou não. Seu corpo ficou enrijecido na medida em que aquele medo a preenchia.

E Regina fez o que sempre fazia em todas as suas sessões de terapia. Pensou. Refletiu. E mais uma vez via sua vida passar diante de seus olhos. Todas as suas atitudes erradas e todos os seus erros faziam presença diante de si. Só que agora tudo se misturava ao que estava vivendo ultimamente.

Seus sonhos recorrentes ao mesmo tempo em que lhe davam esperanças de finalmente conseguir construir e aumentar sua família lhe dando verdadeiras chances de conquistar seu final feliz a faziam sentir medo dela sempre ser uma sombra de seu passado. De não ser a pessoa que Emma espera que ela fosse, mas principalmente Regina temia estragar tudo em sua vida como ela sempre fez.

E nessas horas vinha sempre a imagem de Cora. "O amor é uma fraqueza." Ela tentava lutar contra essa afirmação, ela queria acreditar que era força como Emma lhe dissera. Mas, a imagem de sua mãe sempre a fazia duvidar de tudo isso.

Cora... Não importavam como suas contestações começavam, elas sempre terminavam com sua mãe, como se essa imensa teia de sentimentos sempre levassem a ela.

– Eu tenho medo... – sussurrou Regina tão imperceptivelmente que se Archie estivesse a dois passos mais distante ele não seria capaz de escutar.

– Do que você tem medo Regina? – questionou o terapeuta com calma se dirigindo para mais perto da morena que havia se encolhido na cama de hospital. Ele queria lhe transmitir calma ao mesmo tempo em que a encorajava para que prosseguisse.

– Tenho medo de todo o meu passado. – confessou Regina enquanto lutava com sua vontade de chorar. – De me embrenhar nessa escuridão e me perder lá dentro. – disse desistindo de lutar contra suas emoções enquanto uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto. – Eu sempre fui tão sozinha que é difícil entrar na minha cabeça que eu não sou mais assim.

– Regina, você sabe que tudo o que disse é a mais pura verdade. Você não está mais sozinha. Têm pessoas que te ama e querem o seu melhor...

– Mas porque é tudo tão difícil? Por que eu sempre tenho que ficar tendo as mesmas lembranças? E elas sempre me mostram que não posso mudar. Que eu só me iludo... Que nada é possível.

– Você sabe que isso não é verdade... Eu te acompanhei por tantos anos como seu terapeuta, eu sei que estava amaldiçoado quando adotou Henry, mas ali começou sua mudança. Ali você se permitiu amar novamente.

– Eu queria que tudo isso fosse mais fácil do que palavras ditas, mas não é. – disse com um suspiro finalmente olhando para Archie. – Tento me convencer que eu posso mudar e ser feliz, mas sempre vem a mesma frase em minha cabeça. Não importa o quanto eu tento afastá-la, ela parece ser mais forte do que eu. Fecho os meus olhos e vejo apenas que o amor é uma fraqueza na minha frente.

– Eu te entendo Regina. – disse o terapeuta de forma condescendente enquanto encarava uma Regina estática a sua frente.

– Entende? – questionou Regina surpresa pela resposta do terapeuta.

– Sua mãe... – foi apenas o que terapeuta disse, compreendendo que a raiz de todos os problemas de Regina eram relacionados com Cora. – Eu sei como pode ser complicada uma relação de mãe e filha.

– O amor é uma fraqueza... – sussurrou para si mesma. – Eu lutei tantos anos contra isso, mas chegou uma época de minha que apenas isso fazia sentido. Tudo tinha me trazido tanta dor e tristeza... Como? – questionou-se com uma súplica em sua voz.

– Você apenas pôs-se a acreditar nisso quando não via mais sentido nenhum... Mas, isso não significa que a frase de sua mãe seja a mais pura verdade. – disse o terapeuta com a voz mais calma que conseguiu encontrar. – Eu vi como você pode amar e o grande coração que tem. O seu amor por Henry a salvou de uma forma que não pode imaginar.

– Eu sei... E percebo o quanto eu mudei quando decidi adotar meu filho... – esboçou um grande sorriso em seus lábios. Era assim toda vez que falava de Henry, como se uma onda de felicidade entrasse em seu coração. – Um amor tão forte, que eu imaginava não ser capaz de sentir novamente em minha vida. Só que... Cora e sua presença são como fantasmas em minha vida. Quando estou me acostumando com todas essas mudanças que ocorreram tão rapidamente... Me dando a chance de amar novamente e me deixando sentir todo esse turbilhão de emoções. Essa felicidade que eu sinto quando estou perto de Emma... – outro sorriso enfeitou seu rosto acompanhado de um coração acelerado. – O amor parece fluir tão mais fácil com os amores de minha vida ao meu lado. Mas, é quando estou mais feliz que o fantasma volta a me atormentar.

– Você é forte Regina... Só de ter se dado a chance de querer amar e correr atrás de sua felicidade já prova isso.

– Algumas vezes eu tenho a impressão de ver a minha mãe a minha frente com aquele olhar dela que me repreende por tudo o que eu faço... – disse com a voz embargada. – Até nos sonhos ela sempre me diz que eu me iludo pensando que eu posso mudar, mas que na verdade eu vou sempre ser a mesma pessoa. Eu ia matar o Leroy e estava sentindo prazer em fazer isso... Só não fiz porque eu escutei a voz de meu filho. Se ele não tivesse aparecido eu ia matar e o que me deixa mais arrasada que eu não ia sentir remorso do que fiz. Eu não ia sentir nada. Nessas horas eu sou a pessoa que minha mãe diz que eu sou. Que mancha as mãos de sangue e que não liga para nada. – desabafou enquanto tampava seu rosto com suas duas mãos entrando num choro desesperado.

– Você não o matou Regina...

– Sim, você tem razão. Eu não o matei, porque Henry apareceu e eu vi em seus olhos a decepção que ele sentia a ver que eu não tinha cumprido a promessa que fiz para ele de não usar magia. Eu ainda posso me lembrar das palavras cruéis que minha mãe me disse aquela noite quando eu sonhei com ela. Ela me disse coisas... Tão ruins e percebi ali que eu era a igual a ela. Passei tantos anos criticando a magia que ela usava e eu... Eu me tornei igualzinha a ela. Fazendo magia para controlar as pessoas. Matando pessoas por causa do poder. É difícil admitir, mas a verdade é que eu sou tão terrível quanto ela foi.

– Isso não é verdade... – disse Archie.

– Como você pode ter tanta certeza disso? – questionou ao terapeuta. – Ela não tinha o coração e fez coisas terríveis e eu fiz o mesmo com meu coração batendo em meu peito. E isso me faz pior que ela. Isso me faz uma pessoa terrível.

Archie preferiu não interferir muito no que Regina dizia. De fato em todos os anos que ela tinha feito de terapia, onde ela sempre procurava manter uma imagem segura de si, ela nunca havia desabafado tanto sobre suas inseguranças. Mesmo estando amaldiçoado ele percebia uma grande dor nela, e ali, pela primeira vez ela se permitia a falar sobre isso. Não tinha o que falar, ali era a hora dela colocar tudo o que a fazia mal para fora. Chegando à raiz do problema seria possível caminhar para uma cura.

– Eu sempre quis que ela me amasse... – comentou Regina enquanto enxugava suas lágrimas com a palma de sua mão, mesmo que segundos depois seu rosto seria tomado por novas lágrimas. – Passei minha infância toda pedindo uma mãe que me amasse. Tantas vezes eu me perguntava se eu era uma má filha e que era por isso que ela me tratava daquele jeito. Eu via o jeito amoroso das outras mães com seus filhos e me perguntava se um dia minha mãe me amaria daquele jeito.

O terapeuta entregou um lenço para que assim Regina enxugasse suas lágrimas para se acalmar um pouco antes de prosseguir.

– Uma vez eu conheci uma garota, posso dizer que foi minha primeira amiga. – esboçou um sorriso tímido ao se lembrar. – Nora falou comigo quando todo mundo se afastava de mim quando sabia que eu era uma Mills. Eu pude perceber que ela sentia medo dela, mas isso não a impediu que falasse comigo. Ela andava num lindo cavalo e ela se ofereceu para me ensinar a cavalgar. Eu tinha tanto medo de montar num cavalo, mas minha vontade de aprender foi maior que todo medo que eu pudesse sentir. E eu naquele cavalo, cavalgando e sentindo a brisa do ar em meu rosto eu me senti livre pela primeira vez em minha vida. Só que pouco tempo depois eu senti amarras me prendendo pela cintura. Nem precisei olhar para perceber que era minha mãe usando magia em mim. Ela me puxou em sua direção e ali eu tive que desfazer minha amizade. Nunca mais a vi. Mas, Nora foi tão importante em minha vida, porque ali estabelecendo uma conexão com os cavalos foi o que tornou minha infância melhor. Ainda me lembro de quando minha mãe me deu aquele tapa em meu rosto, aquele ardido e a lágrima que não suportei esconder dela. Fui correndo até meu quarto e lá eu chorei como eu nunca tinha chorado em toda minha vida. Ela tinha me trancado no quarto e eu ainda podia ver as mãos dela em meu rosto. Adormeci ali sozinha na esperança que um dia ela me amasse. Quando eu acordei no dia seguinte eu reparei em meu rosto. – ela não disse nada, apenas tocou com um de seus dedos a cicatriz que possuía acima de seu lábio. – Foi a primeira vez que ela me deixou uma cicatriz por magia. E essa foi a primeira de muitas. Cada vez que ela julgava que eu estava sendo a dama que ela queria que eu fosse era mais uma cicatriz em meu corpo. Minhas mãos, minhas costas, meus pés... Era sempre a mesma camada quase imperceptível, menos para mim que as via todo dia. Quando comecei a dominar minha magia eu sumi com todas as cicatrizes que ela tinha me deixado pelo corpo... Exceto uma. – mais uma vez encostou acima de seu lábio. – Esta aqui em lábio eu deixei como um lembrete para simbolizar toda dor que sentia em meu coração. As marcas sumiram de meu corpo, mas meu coração ainda estava cravejado das feridas que ela me causou.

Archie não sabia o que dizer, ele sabia de toda dor e ressentimento causados por Cora na vida de sua paciente, mas ele não podia imaginar que tinha sido daquele jeito, tão traumático para uma criança.

– Eu sempre fazia questão de despertar todas as atenções pelo olhar, era onde eu transmitia todo o poder que tinha. Ninguém reparava numa mísera cicatriz em meu rosto, quando a influência que exercia estava todas em meus olhos, que hoje entregam toda minha vulnerabilidade.

– Você sabe que aparentar vulnerabilidades não é sinal de fraqueza. É força. Você é uma das mulheres mais fortes que já conheci em toda minha vida. – disse Archie encontrando suas palavras novamente.

– Sabe o que eu sempre me pergunto?

– O que? – questionou o terapeuta com curiosidade.

– Se eu não tivesse colocado o coração dela de volta no lugar. Será que ela ainda estaria viva?

– Talvez ainda estivesse. – confessou sinceramente. – Mas, será que seria do jeito que você sempre sonhou que ela fosse?

– Eu... Eu não sei... – disse confusa. – Mas, ela estaria viva...

– Provavelmente ela teria se tornado a nova senhora das trevas. Você ia querer que fosse assim Regina?

– É tudo tão confuso... Não sei o que pensar. Talvez ela...

– Você acha que ela poderia mudar? Sem ter um coração?

– Eu só queria mais tempo com ela. – desabafou por fim. – Queria que ela me amasse, mas do jeito que foi... Foi tão... Quer dizer, eu a tive, mas foi por tão pouco tempo. Eu vi o amor em seus olhos, algo que eu nunca tinha visto antes. Só que a perdi logo em seguida. Ela disse que eu seria suficiente para a vida dela. Eu esperei por isso uma vida inteira, mas nunca imaginei que seria tudo dito em seus momentos finais. Para depois ela ir embora deitada em meus braços. Às vezes ainda sinto todo peso dela em meus braços. E eu não pude fazer nada para evitar. Depois de me dar o abraço com que eu sonhei uma vida inteira, eu a perdi para sempre.

– Eu sei que nada apaga a dor de perder uma mãe, mas ali Cora lhe amou e disse que você era suficiente para ela. Ela mudou em seus momentos finais e isso significa que você pode fazer o mesmo Regina.

– Será? Você acha que eu posso mudar? – questionou baixinho.

– Sim... Você ama tão intensamente... Tem um filho e ama Emma. Eles significam o seu recomeço.

– Acho que tem razão. – confessou com um sorriso. – Eu posso ser feliz novamente.

Notas finais
E aí? Mereço comentários?? Essa autora fica feliz demais quando vejo algum comentário na fic...enfim, comentem!!!!!!!! Prometo o próximo capítulo em família e com boas surpresas com Emma, Henry e Regina
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.