Please! Stop To My Life!
12 Lost Girls
Notas iniciais
Mais um dia se iniciava em Storybrooke e os indícios disso eram os leves raios de sol que aos poucos entravam no pequeno quarto de hospital. Regina já havia despertado, mas resolvera continuar com os seus olhos fechados. Queria compartilhar mais um pouco a sensação de uma segunda chance que havia recebido. Ela queria se aconchegar mais um pouco em Emma, quando reparou que havia um espaço vazio em sua cama. A morena abrira os seus olhos rapidamente. Constatara que novamente estava sozinha. O lugar que antes era ocupado por Emma, agora estava vazio. Mais uma vez tinha sido abandonada.
Era essa mesma sensação de abandono que lhe acompanhara por toda sua vida. O vazio ao seu lado na cama instantaneamente foi transferido para seu coração que doía por mais uma vez ter que enfrentar tudo sozinha. Sentia falta dos braços protetores de Emma juntos aos seus. O pior já se passava por sua cabeça. Imaginou que Emma havia se arrependido de tudo o que lhe falara no dia anterior e resolvera se levantar mais cedo para ir embora e não precisar lhe dar nenhum tipo de satisfação. Até quando teria que suportar passar por tudo sozinha? Algumas lágrimas começaram a escorrer por seu rosto enquanto abraçava o travesseiro que a loira havia dormido.
Regina sentou-se abruptamente na cama. Não conseguia sequer esconder toda a tristeza que sentia por ter acordado sozinha naquela manhã. Ela precisava mais de Emma do que ela imaginara. O seu coração se acelerou só de pensar na possibilidade de ter que encarar tudo o que viria pela frente sem Emma. Entrou em pânico por se ver sozinha. Não queria estar sozinha. Queria estar nos braços de Emma. Os braços que lhe davam apoio e força para seguir adiante. Só então, reparara que havia um pedaço de papel dobrado em cima da mesinha de cabeceira que ficava ao lado de sua cama.
Com suas mãos trêmulas, Regina pegou o envelope e viu que estava endereçado a ela. Reconheceu a caligrafia como sendo de Emma. Por pouco não abriu o bilhete, por medo de mais uma vez ser decepcionada. Mas, sua curiosidade acabou levando a melhor. Tomou profundas respirações e abriu o bilhete.
Regina meu amor!
Sinto muito por não estar aí para te ver acordar. Acredite, o que eu mais queria agora era estar aí ao seu lado, com os meus braços ao redor do seu e poder ficar admirando sua beleza enquanto dorme. Tenho que confessar que foi muito difícil para eu me levantar essa manhã e te deixar sozinha nessa cama de hospital. Confesso que eu pensei em lhe acordar antes de sair, mas você dormia tão serenamente que não tive coragem de lhe tirar de seu sono. Por esse simples motivo estou lhe escrevendo esse bilhete. Não te abandonei sozinha no hospital. Eu te conheço, e eu sei que provavelmente foi esse o primeiro pensamento que lhe passou por sua cabeça. Eu só precisava tomar um banho e trocar minha roupa, além de dar uma passada na delegacia para ver como andam as coisas por lá. Saiba que eu nunca irei lhe abandonar.
Com amor,
Sua Emma.
Regina respirou aliviada enquanto segurava com força em suas mãos o bilhete deixado por Emma. Todas aquelas palavras tinham sido direcionadas a ela. A morena constatava enquanto deixava um belo sorriso brotar em seu rosto. Todo aquele desespero que sentia antes fora substituído por uma calma ao perceber que não havia sido deixada sozinha por Emma.
***
Emma sempre vivera de uma forma muito solitária. E não era por questão dela querer se afastar de todas as pessoas que viviam ao seu redor, mas fora a única forma que ela encontrou para se proteger. O que ela queria era encontrar um lugar onde se sentisse protegida. Emma apenas fora muito machucada pela vida e como uma forma de se proteger a loira cada vez se tornara mais reclusa. Preferia guardar tudo o que sentia para si mesma. Pois, na sua solidão ninguém poderia machucá-la.
Mas, mesmo depois que conhecera sua família, Emma ainda não se sentia confortável em confiar em seus pais. Ela nunca tivera uma imagem paterna, que quisesse pegar como exemplo em sua vida. E de repente tudo aquilo caíra feito paraquedas em sua vida. Era tão difícil para ela ter uma família, que era o que ela mais desejava em sua infância. E agora que tinha uma ela simplesmente não sabia como lidar. Ela sabia que tinha machucado Mary Margareth com as palavras que havia dito. Mas, a verdade era essa. Emma ainda não se sentia pronta para chamá-la de mãe. Expor seus sentimentos era bastante complicado para ela.
Passara por infinitas casas no injusto sistema de adoção que tinha sido obrigada a suportar por toda sua vida. Não importa como, não importa em quantas casas ela tenha morado, ela nunca conseguiu enxergar em nenhuma dessas casas a imagem de família com que tanto sonhara. E sua vida mudara. Depois de mais de vinte e oito anos descobrira que tinha uma família. Só que às vezes ter uma mãe e um pai parecia ser muito para ela. Tudo se complicava ainda mais devido ao fato dela ainda ter dificuldades de expressar tudo o que se sente.
Não era acostumada a ter alguém que se importasse com ela. E sempre que alguém tentava cumprir esse papel em sua vida, Emma tratava de afastá-los. Com exceção de Henry. Quando aquele garoto apareceu na porta de sua casa no dia de seu aniversário de vinte e oito anos ele mudou sua vida completamente. Quando estava com aquela vela em mãos, clamando silenciosamente para nunca mais ter que passar nenhum aniversário sozinha. Foi quando seu filho apareceu. Ela não imaginava que o bebê que ela se recusara a pegar no colo que a salvaria de toda a solidão de sua vida.
Fora assim que conhecera Regina. No meio de toda essa tempestade que sua vida se tornara em tão pouco tempo. Emma nunca imaginaria que apaixonaria novamente, e muito menos imaginava se tratar da mãe adotiva de seu filho. E em meio a tudo isso, descobrira que toda a história contada por seu filho era verdade. Ela era realmente filha de Snow White e Charming. Tudo parecia ser tão surreal, principalmente quando incluía a mulher que amava no meio de toda essa história. Regina era vista por todas como a Evil Queen, mas Emma só a via como Regina. E fora pela Regina que se apaixonara.
Só que às vezes sentia falta de ficar sozinha, onde pudesse simplesmente refletir tudo o que acontecera. Sem ter alguém para fazer um comentário ou outro. Queria apenas ser capaz de entender tudo o que seu coração. Aquele banho simbolizava mais para Emma do que um simples ato de higiene. Era como se ela entrasse em uma espécie de discussão com si mesma. Sendo assim, ela estaria se conhecendo em uma esfera mais profunda.
Era a primeira vez em uma semana que Emma conseguia se relaxar completamente. A loira tinha em seu rosto um sorriso que não sumia por nada. Mesmo estando com seu corpo dolorido devido à posição que havia adormecido na noite anterior, nada iria apagar a felicidade e alívio que Emma sentia. Finalmente todo esse sofrimento tinha acabado. Regina havia acordado e estava fora de perigo. Não tinha preço que pagasse ver os belos olhos castanhos de Regina abertos para a vida novamente.
Lentamente caminhou até seu chuveiro onde retirou todas as suas respostas e entrou debaixo do chuveiro. Ali ficou durante algum tempo, sem fazer nada, apenas aproveitando a água morna que caía por todo o seu corpo. Era a primeira vez que conseguia relaxar seu corpo completamente. A água quente que fluía por toda sua coluna parecia massagear cada área dolorida.
Seus pensamentos, todos se voltavam apenas para Regina. Não conseguia mais tirar à morena de cabeça. Sua vida não fazia mais sentido sem ela. Foi ali naquele banho onde pela primeira vez parara para se dar conta de que havia acordado Regina com um beijo do amor verdadeiro. Ali, naquele momento de reflexão, Emma constatara que elas são amores verdadeiros uma da outra.
***
Algum tempo havia se passado desde que Regina acordara, mas ela ainda tinha o bilhete de Emma fortemente agarrado em suas mãos. Seus pensamentos voavam por tantos lugares, enquanto seu corpo continuava preso naquela cama de hospital. Seu olhar vagava rapidamente para os fluídos que lentamente entravam em seu sangue. Da forma como seu corpo ainda continuava lutando por uma lufada fresca de vida. E inevitavelmente ela se lembrava do dia que ela quase tinha acabado com tudo. Se não fosse por Emma talvez ela nem estivesse nesse momento tão ansiosa em rever a loira que amava, mas que por medo de amar quase a perdera para sempre.
Passou toda sua vida sonhando com a felicidade. E durante os vários anos que se passava, Regina tentava encontrar o seu lugar feliz. Só que ela nunca o achava. Nada poderia ser capaz de preencher aquele vazio que dilacerava seu coração. E quanto mais Regina entrava nesse caminho para encontrar sua felicidade mais distante ele se tornava. Iludia-se tornando as palavras de sua mãe como se fosse a única verdade em sua. Se amor era uma fraqueza, ela nunca mais iria amar. Pois assim, seu coração não se machucaria novamente. E quanto mais afastava qualquer forma de amor de sua vida mais Regina se fechava em sua tristeza.
Só que as coisas haviam mudado. Escutara do próprio Daniel as palavras que ela mais lutara durante toda sua vida. Ame novamente. Será que ela seria capaz disso? Será que podia amar novamente? E Emma aparecera em sua vida. E ela provara que era possível amar e ser feliz outra vez. O bilhete de Emma continuava em suas mãos e ela não o soltaria por nada, era o lembrete que Emma a amava. Era uma garantia que ela tinha que não seria abandonada. Por um momento, a morena chegava a pensar que se soltasse aquele bilhete de suas mãos as palavras de Emma sumiriam e ela se veria sozinha mais uma vez.
Com os seus pensamentos em Emma, Regina adormecera. Mais tarde, fora desperta de seu cochilo com a porta de seu quarto sendo aberta. Por um momento seu rosto esboçara um sorriso ao pensar que poderia ser Emma ou Henry. Mas, seu sorriso fora desfeito quando percebeu quem estava no quarto. A presença de Archie só significava uma coisa. Que suas sessões de terapia iriam começar, mas como se abrir com alguém em quem não confiava?
– Boa tarde Regina! — disse Archie dando um leve sorriso, mas Regina não lhe respondera e continuava com uma expressão de poucos amigos em seu rosto. — Vai se recusar a falar comigo? — perguntou enquanto se aproximava da cama de sua paciente.
– Responda-me apenas uma coisa. Por que eu deveria falar alguma coisa com você? — perguntou de forma ríspida. — De gente fofoqueira em minha vida eu já estou farta. Eu não estou a fim de conversar com você.
– Mas, creio que já lhe foi informado que você terá que fazer sessões de terapia depois de tudo o que aconteceu. — médico suavizara a sua voz ao falar com Regina.
– Pelo visto eu não tenho escolha quanto às sessões de terapia e eu irei fazer. Mas, quanto a falar qualquer coisa eu me recuso. Sente-se e faça qualquer coisa até o horário da sessão terminar. — disse Regina alisando uma ruga invisível em sua roupa, claramente desconfortável com a presença de Archie.
O médico ignorando o que Regina lhe disse continuou a divagar. — O que se passava por sua cabeça quando tomou aqueles comprimidos juntamente com bebida alcoólica? — perguntou Archie enquanto anotava algumas informações em sua prancheta.
– Eu já lhe disse que eu não quero falar nada com você. — disse deixando uma lágrima escorrer por seu rosto. — Eu não confio em você para lhe falar nada do que diz respeito a minha vida.
– Regina, você precisa conversar sobre tudo o que aconteceu com alguém que... -Archie iria dizer mais alguma coisa, mas fora interrompido pela morena.
– Eu já conversei sobre tudo isso com Emma, e não acho necessário mais uma vez falar sobre esse assunto.
– Conversar somente com Emma não lhe ajudará. Regina, eu entendo seus motivos e razões para não conversar sobre o que aconteceu, mas eu preciso que você converse comigo.
– Me diga para que? Para amanhã ou depois o assunto de nossas sessões de terapia estar nas conversas de toda cidade. Eu confiei em você apenas para ter minha confiança traída.
– Regina, eu sei que eu errei ao ter contado para Emma sobre suas sessões de terapia. — disse o médico honestamente. — Eu entendo que não foi correto de minha parte não respeitar a confidencialidade médico-paciente, mas eu senti que Emma se importava com você. E que assim você poderia estar com Henry por mais tempo.
– Mas, isso não lhe dava direito de sair comentando sobre minhas sessões de terapia com Emma. Eu tive receio de começar a me abrir com você. Mas, aos poucos eu consegui falar sobre o que me afligia. Sobre os meus medos. Apenas porque eu me sentia segura em seu escritório. Era como se seu me sentisse protegida ali dentro. Onde eu poderia falar sobre minhas fraquezas e ninguém poder tomar conhecimento delas. Mas, o que você fez? Foi falar com Emma. Eu me senti tão traída.
– Regina, eu sinto muito mesmo sobre tudo o que aconteceu. Mas, se isso serve para lhe consolar eu não disse muita coisa para ela. Apenas que tinha parado de usar magia porque queria ser uma mãe melhor para seu filho e porque Emma seria a única pessoa que te entenderia. No rosto de Emma sempre teve uma enorme preocupação com você. E ela não usaria isso contra você.
– Adiantou alguma coisa? Quanta coisa aconteceu depois disso. Você supostamente tinha morrido, e todos da cidade mais uma vez colocariam a culpa em mim. — disse com um semblante triste em seu rosto.
– Você ainda não trabalhou muito bem por tudo o que você passou. Você precisa de ajuda profissional. Eu sei que não confia em mim, mas, por favor, tente confiar em mim.
– Eu não sei se eu quero sofrer mais uma vez. Sempre que eu confio em alguém eu sou a única a sofrer no fim das contas.
– Deixa-me te contar uma coisa. Eu contei sobre sua sessão de terapia para Emma porque eu senti que nela tinha uma preocupação com você. Depois, quando eu estava preso com sua mãe desejando saber todas as suas fraquezas eu não contei uma vírgula sequer. Porque ela queria usar essas informações para te machucar.
Archie reparou que ao mencionar o nome de Cora, as lágrimas começaram a escorrer sobre o rosto de Regina. As paredes que ela tanto se esforçara para criar em torno de si mesma caíram no momento que alguns soluços abafados saíram por sua boca. Naquele momento, ela não era prefeita de Storybrooke e muito menos a Evil Queen. Ela era apenas uma menina perdida em lembranças de uma infância tortuosa. O terapeuta aos poucos se aproximou de sua paciente e a abraçou.
Fale com o autor