Please Dont Stop The Rain
3 Three
Notas iniciais
Ok, vamos ao cap.
[Gerard’s POV]
Chegara atrasado após quase ter sido atropelado, resultando em um período livre. Andou na chuva fina até alcançar uma das praças perto do prédio de história, que era muito próximo à sua próxima classe. Sua cabeça pulsava no ritmo dos passos apressados dos que por ali passavam e ele estava pensando seriamente em voltar pra casa e dormir o resto do dia quando a chuva engrossou até ficar complicado até mesmo de ver qualquer coisa. Começou a andar em direção ao prédio mais próximo quando ouviu gritos agoniados de alguém sentindo muita dor, clamando por ajuda.
Correu o máximo que dava pra correr naquela chuva cegante, com medo de escorregar e sentindo sua cabeça querer abandonar seu corpo. De longe viu três garotos enormes, mas eles pareciam rir. Acreditou ter ficado louco até ver a pobre criatura aos pés deles, sendo chutada e pisoteada até uma poça rala de sangue se formar ao seu redor, misturada com água da chuva. O prédio estava muito próximo agora, tirou o celular do bolso, torcendo pro mesmo não ter pifado com a água que entrava por todos os lados, atrapalhando a respiração descompassada.
Discou o número da polícia, sem parar de correr, deixando que os três garotos o vissem e começou a gritar que precisava de ajuda e onde estava, que ele talvez fosse precisar de uma ambulância também, esperou a pessoa que lhe atendeu confirmar a ajuda e recebeu uma resposta positiva no momento em que atingiu o piso escorregadio do corredor lateral do prédio onde o pobre garoto estava sangrando de cima abaixo e mal teve tempo de falar qualquer coisa quando sentiu um punho em sua têmpora esquerda, partindo seu celular e rasgando sua pele.
Ficou sem reação, viu as pessoas que acompanharam sua corrida desenfreada na direção dos gritos mudarem de rumo e quando se virou de volta aos três rapazes, não teve tempo nem de piscar. Em questão de segundos estava no chão, deitado sobre a poça de chuva e sangue do outro menino, levando chutes nas costelas enquanto gritavam que ele não deveria ter chamado a polícia e que agora ele sofreria as consequencias.
Tão derrepente quanto começara, os três pararam. Gerard viu luzes vermelhas e azuis piscarem e em seguida sentiu que unia-se ao mundo inconsciente do outro garoto, o pulmão ardendo, esticou o braço e virou o rosto do pequeno para si, com medo de que este se afogasse.
[/Gerard’s POV]
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Ele ouvia o bip bip da máquina ao seu lado, contando suas batidas cardíacas. Não quis abrir os olhos, tinha medo do que poderia ver. Seu corpo estava anestesiado, mas podia sentir que tinha gesso aqui e ali. Alguns ossos quebrados, talvez até o crânio estivesse raxado a uma altura dessas. Quis saber quem o salvara, correndo na chuva feito um louco. Esperava que estivesse bem.
Alguém estava andando de um lado para o outro no quarto, percebeu. Fazia quanto tempo ele estava ali? Fora ele que salvara Frank? Há quanto tempo Frank estava inconsciente? Respirou fundo e abriu os olhos devagar, se ajustando à luz intensamente branca do quarto. O garoto de cabelos vermelhos não percebeu que ele acordara. Trazia o braço em uma tipóia, mas não havia gesso. Sua camisa branca estava toda manchada de sangue nas costas. Tinha um corte na testa e outro no queixo. Continuava lindo, como Frank lembrava de ter visto na tabacaria. Que ironia, não?
– Hey... – Chamou tímido com a voz falha, se era de dormir ou gritar feito uma garotinha, ele não sabia.
– Graças a Deus! – O ruivo quase gritou, virando-se para Frank. – Achei que não tivesse chegado a tempo.
O moreno avaliou seu corpo. Sua perna esquerda estava engessada até a coxa, tinha cortes, arranhões e vários hematomas espalhados esporadicamente por toda extensão visível de seu corpo. Teve medo de saber como estava sua face. Será que o ruivo o reconheceu?
– Obrigada.
– Tá agradecendo o quê? – Perguntou o ruivo.
– Por salvar minha vida. – A voz do pequeno estava voltando ao normal, mas sua garganta estava seca.
– Quê isso, qualquer um teria chamado a polícia e feito aqueles brutamontes correrem se vissem o que estava acontecendo. – Ele ruborizou.
Frank deu um sorriso torto, puxando alguns pontos do queixo e bochecha que arderam, emendando em uma careta.
– O que foi? – Perguntou. – Está sentindo dor?
– Não. Só estou com sede.
Prontamente, o ruivo encheu um copo de plástico marrom horroroso que se encontrava ao lado da cama com água do bebedouro no corredor, desembalando um canudo e dando para o menor que sorriu quando o líquido gelado tocou-lhe os lábios.
– À propósito, meu nome é Gerard. Gerard Way. – Sorriu envergonhado.
– Frank Iero. – O pequeno interrompeu seu alívio alguns segundos para responder.
– Tem alguém pra quem você queira ligar? – Perguntou. – Meu telefone virou mil, apesar de ainda receber ligações, mas posso arranjar algum por aí.
– Não. Não tenho ninguém aqui.
– Nem um amigo? Colega de quarto? Namorada? Ninguém? – Frank ouviu uma ponta de curiosidade na penúltima pergunta, mas achou que fosse coisa da sua cabeça.
– Ninguém.
– Vou pedir pro meu irmão me trazer algumas roupas então. – Divagou, falando mais consigo mesmo do que com ele.
– Porquê? Vai ter que ficar no hospital mais tempo? Você parece bem pra mim. – Estranhou Frank.
– Não, não preciso ficar, já me liberaram tem horas. – O moreno fraziu o cenho, fazendo arder os pontos da testa, sem entender. – Mas eu não vou deixar você sozinho. Eu vi onde você mora, subir aquelas escadas com essa perna não vai ser fácil.
Então ele lembra de mim. Frank sabia que era bobagem. Os dois se viram noite passada, qualquer um lembraria da sua cara de zombie se visse de novo na manhã seguinte, mesmo que toda costurada e cheia de hematomas, mas isso lhe acendeu por dentro.
– Eu vou procurar um telefone, okay? Eu volto logo.
Frank esperou que ele saísse do quarto e apertou o botão ao lado da cama, chamando uma enfermeira que apareceu em questão de segundos. Ele queria ir embora pra casa, pediu que chamasse o médico para saber quando isso seria possível. Os anestésicos que lhe deram estavam perdendo efeito e a dor na perna engessada começou a incomodar.
Alguns minutos mais tarde ele estava preenchendo vários papéis de alta, além de outros que eram pra terem sido preenchidos quando entrou, mas como estava desacordado ficaram pra mais tarde. O médico e a enfermeira se foram, deixando-o sozinho com um par de muletas e suas roupas imundas pra se trocar e ele imaginou como faria isso sem ninguém pra ajudar.
Seu pensamento fora completado quando Gerard voltou, com uma roupa limpa e acompanhado do irmão-réplica, e quase gritou com ele por ter tentado se levantar sozinho. Os dois ajudaram o pequeno a se vestir e testar as muletas, antes de irem embora pra casa de Frank. O moreno tentou abrir a porta, mas era complicado ter equilíbrio quando mal conseguia se manter sobre as muletas. Mike riu, tirando as chaves da mão dele e abrindo a porta, ajudando-o a subir os primeiros degraus, seguido por Gerard que veio com a mochila do pequeno nas costas, imunda e encharcada, além de uma outra bolsa preta.
Chegaram ao seu cubículo com muito esforço e fora deixado sozinho com Gerard enquanto Mike voltara ao carro para pegar alguma coisa. Na volta trazia uma mala enorme, colocando-a em um canto da sala e se despedindo de Gerard.
– Mas o quê... – Frank começou, mas fora interrompido.
– Achou mesmo que ia ficar sozinho? – Gerard sorriu.
Notas finais
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